Patri

“Tinha 37 anos, estava grávida de cinco meses e era investigadora do Departamento de Engenharia Mecânica no Instituto Superior Técnico, mestre em Engenharia de Materiais. Patrizia Paradiso perdeu a vida em plena avenida da Índia, Lisboa, onde circulava de bicicleta, depois de ser ablaroada por um automóvel ligeiro.

A sua morte motivou a organização de uma vigília com o objetivo de homenagear as vítimas mortais de acidentes com bicicletas e a exigir alterações à lei que proteja os ciclistas que circulam nas estradas. O encontro está marcado para 3 de julho, na avenida da Índia, entre Algés e Belém, onde Patrizia perdeu a vida no passado dia 26.

“É comum o sentimento de insegurança na via pública devido ao excesso de velocidade praticado. Os utilizadores vulneráveis, pela sua condição, são quase sempre as vítimas da sinistralidade dentro da cidade”, explicam os organizadores da vigília no Facebook.

Os ciclistas exigem ao governo e às autarquias que “tomem medidas de acalmia de tráfego nas zonas urbanas: lombas, velocidade limitada a 30 km/h”, que “fiscalizem os excessos de velocidade tão constantes em Lisboa e noutras cidades, e que são de alguma forma socialmente aceites” e que “repensem o perfil de ‘auto-estrada’ desta avenida (da índia) e de outras com características idênticas nas nossas cidades”.

Os organizadores planeiam ocupar a avenida da Índia durante cerca de 30 minutos e durante 20 minutos será pedido silêncio, numa homenagem a Patrizia e a todas as vítimas de atropelamento. “Pelas 11h15 iremos deslocar-nos ordeiramente desde a Rua dos Cordoeiros a Pedrouços até ao sítio onde será feita a homenagem, e o trânsito será cortado – este processo irá contar com o apoio da Polícia, que foi contactada para o efeito”.

Num post no Facebook de uma amiga da ciclista que morreu, é explicado que a mulher, que nasceu em Itália e vivia em Portugal há 14 anos, “estava a dar uma volta de bicicleta com um amigo, quando um condutor idoso ficou encadeado pelo sol, não a viu, e numa fração de segundo a tragédia aconteceu”. A vítima ainda foi transportada para o hospital de São José em estado muito grave, mas acabou por morrer no próprio dia.”

Fonte: https://multinews.sapo.pt/mobilidade/patrizia-estava-gravida-e-morreu-a-andar-de-bicicleta-em-lisboa-ciclistas-juntam-se-em-vigilia-no-sabado/

Eu não queria, não queria mesmo nada estar a repetir-me…

Não é apenas por ser pai de filho ciclista que bato na mesma tecla. É como cidadão que diariamente se move a pedais e que estremece perante as mortes de quem livremente circula de bicicleta. Todas as mortes, desafortunadamente demasiadas, deixam-me triste e apreensivo.

Embora as regras de trânsito tenham sido (pouco) reformuladas na protecção que é dada aos utilizadores vulneráveis da estrada, é um pressuposto falso se repetir que o automobilista deve ter a supremacia na via pública porque o veículo que conduz é mais rápido. Não é o tipo de veículo que regula a ordem rodoviária. As leis de trânsito deverão ser ponderadas para controlar o veículo motorizado, para criar ordem e cooperação entre os diferentes utilizadores da estrada. A maioria dos acidentes rodoviários é causada pelo desrespeito constante das regras de trânsito, negligência e desatenção de quem conduz. Independentemente do tipo de veículo, o desrespeito individual nas estradas tem correspondência na maior probabilidade de ocorrerem acidentes, o que responsabiliza também todos os que partilham a via pública, como os peões e os ciclistas.

Com o aumento das bicicletas nas ruas e estradas, temos de intensificar a discussão, no bom sentido, de como as leis de trânsito deverão ser cumpridas. Mas a quantidade de bicicletas a circular não é a questão. A questão essencial do problema é como educar os automobilistas. Os números assombrosos dos acidentes rodoviários, atropelamentos e das vítimas mortais resultantes são assustadores. A revisão de algumas das regras da estrada (CdE de Janeiro de 2014) visou proteger os utentes mais vulneráveis. O CdE deu mais direitos aos ciclistas mas veio também responsabilizá-los na sua conduta e no respeito das regras. Por outro lado, ao estabelecer a regulamentação do cumprimento da distância mínima de 1,5m que deve ser dado nas ultrapassagens aos ciclistas, por exemplo, pede-se maior responsabilidade ao condutor. No dever implícito do cumprimento dos limites de velocidade, no redobrar da atenção e cuidados na partilha da via com os restantes utilizadores. Precisamos de bicicletas por todas as razões e pelo valor que elas nos oferecem. Precisamos promover e incentivar o uso da bicicleta como modo de transporte limpo, eficaz e seguro, que se sobreponha à contínua prevalência do sacrossanto automóvel. Precisamos planear a cidade ao transporte suave e pôr as pessoas a pedalar. Sem medos.

Como ciclista, um dos meus objectivos ao pedalar é também demonstrar que a bicicleta é um dos modos mais eficazes e alternativos no combate à pandemia “covidiana”. Utilizar este meio fantástico de divulgação para promover a segurança e a cooperação entre os carros e as bicicletas. Devemos ter a noção que a cooperação é necessária, e eu acredito que é possível. A partilha, segura e eficiente da estrada é muito mais provável de acontecer quando ambos seguem os mesmos regulamentos. Não é suposto tentarem nos convencer que são os ciclistas o foco do perigo. Ouço e leio comentários que alguns dos ciclistas têm comportamentos “incumpridores” das regras. O que acontece muitas vezes é que esses ciclistas estão apenas a tentar salvar o coiro. Todos somos testemunhas diárias que alguns automobilistas são impacientes, agressivos e com pouca consideração para qualquer tipo que vá à sua frente e o faça abrandar. O aborreça! Alguns, tendenciosos contra os ciclistas, são encorajados a acreditar que as bicicletas pertencem a uma terceira categoria nas ruas. Gabam-se com um sinistro orgulho que desrespeitam deliberadamente as regras e incentivam um comportamento irresponsável, infringindo a lei. Para eles as bicicletas são intrusas e não deveriam estar ali, a partilhar a rua. Se houvesse mais respeito, ao peão, ao ciclista e ao Código da Estrada, estou convencido que não haveriam estes acidentes.

Podia ser eu, podias ser tu. Nem mais uma vítima” é o mote da vigília marcada para dia 3 de julho junto ao local do acidente. Em preparação está também uma petição para levar o tema ao Parlamento.

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o commute para uns dias de férias pelas minhas aldeias

Segunda-feira, último dia de Maio. Pedalava estrada afora manhã bem cedo, sabendo antes mesmo da primeira pedalada que seria uma viagem longa e agradável. Por um lado, o dia estava simplesmente lindo, brilhante e fresco, com uma leve brisa pelas costas. Por outro lado, eu não estava no meu commute matinal para o trabalho. Estava a dar início a uma semaninha longe de tudo. Poder desfrutar uns dias de férias, ficar sem rede, reajustar a cabeça e passear com a patroa.

Gosto de pedalar por estradas velhas e isoladas ao longo do rio, de qualquer rio. Adoro pedalar, ponto. Vaguear calmamente, relembrando histórias, ouvindo e revendo o que vivi inúmeras vezes. Não importam os destinos ou as distâncias, faço-me à estrada para sentir a inspiração de uma nova viagem.

Assim, em mais uma jornada de pedal demorado e suado para a minha aldeia mais longínqua, parando na outra minha aldeia que fica precisamente a meio caminho para encher a barriga de sustento e sorrisos, a bicicleta é, e foi, a opção lógica em troca de duas aborrecidas horas de carro, depois da patroa encerrar o expediente.

Ok, actualmente temos as autoestradas que poupam tempo e nos roubam dinheiro, mas por aí o tempo passa demasiado depressa. Relembrando velhos tempos de infância, como relembra a minha amiga Cristina Quartas, outrora a viagem de carro era uma saborosa aventura. Partilho e retiro alguns excertos do seu belo texto: “a viagem era longa – 8 horas. Oito horas de caminho até à aldeia das Mós. Oito horas a caminho de Sta. Bárbara.”

“As estradas eram em paralelo. Estreitas e cheias de curvas. Íamos por Mesão Frio, Régua, Horta, Sebadelhe, Touça… em direcção a Vila Nova de Foz Côa.

Parávamos várias vezes pelo caminho para arrefecer o carro, fazer “chichi”, merendar e descansar um pouco de estar sentados.

Pelo caminho, acima da Régua, encontrávamos recantos maravilhosos para merendar.”

As estradas são as mesmas, as lonjuras são as mesmas, as curvas são as mesmas, os pisos e os automóveis é que são outros.

Estava de volta à velha N108, para lá de Entre-os-Rios, para lá do marco dos quarenta quilómetros, atravessando rios que desaguam no Douro, deitando-me nas curvas ao longo dos vales, lembrando sons e cheiros que me fazem viajar através do tempo e do espaço para aterrar nos mesmos lugares de há quarenta anos.

(daqui vê-se o Lugar do Castelo, Frende, a pequenina aldeia da minha mãe, lugar para uma paragem, pró almoço e prós afectos)

Logo percebi que estava inebriado, naquele estado cognitivo onde a minha bicicleta parece simplesmente desaparecer debaixo de mim, até que um forte estrondo e a súbita chuvada me acorda para a realidade. Bem me havia avisado o Tio Pinto, que com aquele calor e o céu carregado prometia vir a apanhar trovoada e chuva da grossa algures pelo caminho.

“De repente, ouvia-se o assobio afunilado e prolongado dum comboio, movido a carvão e o barulho da sua engrenagem nas linhas que contornavam as serras no outro lado da margem do Douro, ao longo do seu leito: um comboio a caminho de Barca de Alva!”

Cruzada a ponte, estava de volta à mítica N222, para lá da Régua, a todo o vapor, a par com o comboio que me desafiava da outra banda. Estava para lá do Pinhão, dizendo um “até já” ao pachorrento Douro. Para lá dos montes ia negociando com o calor, sentindo o coração que acelerava nas subidas e as pernas que relaxavam nas descidas.

Do vento eu não me deveria ter preocupado, estava forte, sim, mas ia-me empurrando para aquelas belas e perpétuas paisagens do Douro Vinhateiro. É claro que havia ainda muita subida dura e implacável, mas eu tinha tempo. O que me preocupava era aquele horizonte negro sobre o Marão, aqueles verticais riscos cinzentos desenhados pela chuva e evidentes clarões de relâmpagos, bem lá no alto. Estava certo que o mau tempo não me ia apanhar, pois não estava no meu caminho. Pelo telefone chegou a confirmação da forte tempestade que assolava Vila Real. Chuva forte, acompanhada de granizo e rajadas de vento, apavorava quem conduzia pela A4. No final da minha chamada telefónica para a Carla, seguiu também o meu conselho para que conduzisse com cuidados redobrados.

O meu passeio prosseguiu sem complicações e correu bem. Registei as paragens com uma série de fotografias e percebi que estava algo adiantado para as minhas previsões, com uma velocidade média muito respeitável de vinte e cinco quilômetros por hora. Mas a ideia era não ter pressas. Afinal, a chave de casa não estava comigo. A minha pedalada começou a se normalizar, o corpo a reclamar, e numa cadência mais tranquila, os meus pensamentos ficaram mais focados nos dias seguintes.

A minha mente estava repleta de ideias, de listas de “o que fazer” e “para onde ir”, onde muitas delas incluíam longos passeios de bicicleta, mas, às vezes, aquilo que a cabeça quer o corpo não obedece.

“Mas o destino não era aquele. Por isso, havia que seguir caminho.

As lindas paisagens “planaltas” começavam a ficar para trás. Aquela estrada velha e estreita era a que ia para a estação do caminho-de-ferro de Freixo de Numão.

Os barrancos eram agora mais sombrios, mais estreitos. Passávamos a pequena aldeia de Murça e pouco mais adiante uma seta à direita “MÓS”.”

Mas aí a(o) Preguiça falou mais alto. Ao longo da restante semana fiquei de papo para o ar e a bicicleta ficou parada, encostada à sua amiga Dona Etielbina, velha bicicleta que me espera quando me mudar da cidade para o campo. “Então e a bicicleta?”, insistiam em me perguntar. A bicicleta meteu férias, porque eu assim o quis. Também merece carago!

No final de contas, a viagem pedalada entre o Porto e a aldeia dos meus avós, (podem ver aqui mais um registo “strávico”, gravado para a posterioridade e futuras gerações) demorou apenas mais trinta minutos do que as oito horas vividas pela Cristina no Volkswagen do seu pai. Já nós, eu o Tó, a minha mãe e o meu pai, para lá chegar repartíamos a viagem do nosso Fiat 127 em duas etapas: Porto – Frende (Castelo) / Castelo (aldeia da minha mãe) – Mós (aldeia do meu pai). As vantagens de agora são muitas e óbvias. Agora eu não enjoo.

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da velha questão, carro vs bicicleta, ou vice-versa, ou o quê!

Retirado do site Aquela Máquina:

“Já alguma vez ouviu falar de uma drag race entre um carro e uma bicicleta? Foi o que os especialistas do portal sul-africano Cars decidiram experimentar. 

Na liça esteve o indiano Bajaj Qute, considerado o carro mais barato do mundo (3.500 euros na África do Sul), mas, na verdade, não passa de um quadriciclo com 400 quilos de peso. 

A alimentá-lo está um motor a gasolina de 216 centímetros cúbicos e com 11 cv de potência, em tudo semelhante ao que equipa uma motorizada. 

Chega aos 70 km/hora mas, com quatro ocupantes e 20 quilos de carga, essa velocidade apenas deverá ser conseguida em descida. 

Do outro lado estava o piloto Ashley Oldfield, que trocou por uma bicicleta o seu carro de corridas. 

Agora, é ver o vídeo e, sem rir às gargalhadas, perceber quem saiu vitorioso nesta gloriosa drag race.”

O desafio está lançado. Ora, como se ainda não o soubesses, para confirmares o grande vencedor deste duelo no asfalto, acede ao site Aquela Máquina em: https://www.aquelamaquina.pt/videos/detalhe/carro-vs-bicicleta-quem-ganha-nesta-drag-race-inedita.html?ref=videos_Grupo1 e assiste ao video. É diversão garantida.

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fotocycle [259] rage against the machine

“O monumento esculpido por José João Brito, foi inspirado pela tela “Tragédia do Mar” do Mestre Augusto Gomes, natural de Matosinhos. Esta obra, com cerca de três metros de altura, é composta por cinco figuras, viúvas e órfãos que expressam a sua dor pela perda dos seus entes no trágico naufrágio de 1947 que ceifou a vida a 152 pescadores.”
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can’t miss [224] ominho.pt

De Paris ao Minho: Três amigos fizeram 1.750 quilómetros de bicicleta (e um foi multado)

“Miguel Antunes (Codeceda/Vila Verde), Nuno Soares (Ferreira/Paredes de Coura) e Dinis Amorim (Arcos de Valdevez), naturais do Minho mas a residir em França, percorreram 1.750 quilómetros ao longo dos últimos doze dias em cima de bicicletas de estrada, por “pura diversão” e para conhecer as paisagens que nem sempre se desfrutam através de outros meios de viagem.

Os aventureiros, que partiram de Paris no passado dia 01 de maio, com apoio de duas autocarvanas, chegaram esta quarta-feira ao Alto Minho, entrando por Lindoso (Ponte da Barca), e tiveram direito a uma receção formal nas câmaras de Arcos de Valdevez e de Paredes de Coura, onde irão pernoitar. Mas só amanhã chegam ao fim da viagem, pelas 18:00 horas, na freguesia de Codeceda (União de Freguesia do Vade), na zona montanhosa de Vila Verde.” […]

Podes ler o artigo completo da aventura destes nossos amigos em: https://ominho.pt/de-paris-ao-minho-tres-amigos-fizeram-1-750-quilometros-de-bicicleta-e-um-foi-multado/

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“Isto é assim…”

Há uns bons anos, enquanto eu escalava o primeiro prémio de montanha das minhas iniciais pedaladas para o trabalho, já perto do Carvalhido o sonoro dling-dlong e a saudação do Jacinto eram rotineiros: “Bom dia amigo Paulo“. Depois, seguíamos juntos até à Boavista e a conversa ficava em dia. Entretanto deram-lhe a reforma, mas o Jacinto não se aposentou das pedaladas. Só a minha rotineira pedalada matinal é que passou a ser em modo solitário. Ele passou a ter disponibilidade para fazer aquilo que mais gosta, pedalar as suas bicicletas. Os nossos encontros na rua tornaram-se mais ocasionais, mas os longos passeios por essas estradas afora continuaram a bom ritmo. Juntos, nas nossas bicicletas, vivemos muitas e boas peripécias, e este jovem rapaz para lá das setenta primaveras pedala que é um regalo! Para o acompanhar tenho de suar as estopinhas.

O nosso amigo Jacinto é um alento para todos. É com um contagiante sorriso e permanente boa disposição, com muito suor à mistura, que ele consegue superar as adversidades, transformando a sua alegria num exemplo e incentivo para os preguiçosos de plantão. Demonstra a muito boa gente o que é ser jovem. Se não atingir a média superior a mil quilómetros por mês, pedalando os seus três amores, a Branquinha, a Morena ou o Negrão, “faz birra”.

O seu exemplo remete-nos a sentimentos e momentos ligados à infância, a um simples e inestimável prazer, pois o acto de pedalar, de “andar de bicicleta”, não tem idade nem preconceito. Ao contrário do que já lhe disseram variadas vezes, o Jacinto não tem idade para ter juízo.  “Isto é assim…” parece que o estou a ouvir.

Há gajos que entram na nossa vida e ficam para sempre. Vai em paz meu grande amigo…

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diz que “Grande Porto lidera a revolução da bicicleta”

Resumidamente, o artigo do JN via MUBI:

“É essencial que passe a existir da parte dos nossos governantes a vontade e a coragem política em concretizar este potencial, apoiando e estimulando o uso de modos de transporte saudáveis, económicos e ambientalmente sustentáveis em alternativa ao automóvel individual, à semelhança do que acontece em numerosas cidades e regiões do resto da Europa.

«Portugal é o maior fabricante europeu de bicicletas, mas vai na cauda do pelotão no que diz respeito ao uso das duas rodas como meio de transporte. Só 1% dos portugueses pedala diariamente, longe dos 43% no baluarte dos ciclistas, a Holanda.

A diferença também é cultural, mas a mobilidade sustentável releva, sobretudo, do ambiente, da saúde e da economia mais pura e dura. Por cá, um estudo científico das bicicletas esquadrinhou o país de lés a lés e concluiu que o Porto é o município com maior valor bruto ciclável. Matosinhos, Gaia, Trofa e Gondomar também estão no “top ten”.

Descarbonização

O Centro de Investigação do Território, Transportes e Ambiente (CITTA) é um polo de investigação da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Esta frente científica passou os últimos anos a investigar o potencial estratégico da bicicleta para o desenvolvimento dos territórios. E assim nasceu o projeto “Impulsionar a Bicicleta em Cidades Principiantes”.

Resumidamente, o projeto “Boost” – tão graficamente explícito, com um selim, um volante e rodas aplicadas aos ós – é um estudo para a mobilidade sustentável. Gaba os méritos ecológicos que o orientam à partida e que o definem ainda mais à chegada, a pedalar pela descarbonização, pela saúde e pela economia em circuitos curtos.

Fatura ambiental

Todos os municípios do país foram avaliados e mais de uma dezena deles, exatamente 21 – 20 do Continente e um da Madeira, Machico – foram pilotados para estimativa dos impactes ambientais, energéticos e económicos da bicicleta. Sabia que 123273 portuenses gastam diariamente 159464 euros em combustíveis para deslocação (ida e volta) ao trabalho ou à escola? E que se os ciclistas, em vez dos agora estimados 2,24% (2761) fossem 51% (62869) esses mesmos custos baixariam para 96329 euros (economia anual de 8,415 milhões de euros)?

Estes e outros números, achados na ponderação do valor económico da bicicleta são amplamente demonstrados no estudo do CITTA e podem ser encontrados em “boost.up.pt”, onde também se avaliam faturas ambientais (emissões de carbono, qualidade do ar) e impactes para a saúde, também associados ao exercício físico nas deslocações quotidianas, para o trabalho ou para a escola.

Também determinada na conjugação de vários indicadores – a geografia, a densidade populacional, a taxa de motorização, a proximidade de centralidades… -, esta cadeia de valor há de igualmente entroncar em estimativas menos tangíveis. Exemplo: Portugal não só é autossuficiente como é o maior fabricante europeu de bicicletas, pelo que a rendição do carro pelas duas rodas tem ainda mais alcance socioeconómico. E ainda mais se se verificar que 98% dos carros comprados em Portugal são importados.

“O debate é por um território mais humanizado, que ofereça às pessoas, numa escala mais pequena, aquilo que as pessoas precisam, para podermos reduzir as grandes deslocações, das grandes distâncias, e dessa forma reduzir a utilização e a dependência do automóvel”, afirma Cecília Silva, coordenadora do projeto do CITTA.

Meios suaves

“Neste momento – conclui a investigadora da FEUP -, a questão da mobilidade por meios mais suaves tornou-se incontornável, não tanto pela mobilidade em si, mas pelas preocupações internacionais cada vez mais fortes relativamente à descarbonização e à necessidade de atenuarmos as alterações climáticas ou, pelo menos, mantê-las sob controlo. A questão da sustentabilidade entrou na agenda política e com ela a mobilidade sustentável, porque é uma área que tem impacto significativo na vida das pessoas”.

Porto: vaga a crescer entre a moda e a emergência

Algures entre a mola que segura a bainha das calças do deputado sueco a pedalar em Estocolmo, a fleuma britânica de Boris Johnson a acelerar pelas ciclovias de Londres ou uma certa tendência hipster, mora também um conceito social da mobilidade sustentável. No Porto, a tendência ganha corpo, mas é bem menos sofisticada.

“Eu não ando por modas. O médico deu-me uma ordem e a bicicleta foi a minha melhor amiga para parar com o álcool e com o tabaco. Deixei de fumar de um dia para o outro e, hoje, ando 40 quilómetros por dia. Faço tudo de bicicleta”, diz António Fonseca, de 57 anos, tripeiro de Massarelos, a pedalar pela marginal e pela Foz.

“Pois, a bicicleta é muito importante para alterar os hábitos de mobilidade e pensar em meios de deslocação mais ecológicos, mas, para isso, é preciso criar condições. E, já agora, um mercado acessível. Hoje em dia, as bicicletas a preços abordáveis, aí até 200 ou 300 euros, estão esgotadas. Só há das mais caras”, diz José Abreu, de Matosinhos.

Já para Paloma Ariston, carioca de 41 anos, a bicicleta junta o agradável à emergência sanitária: “Com a pandemia, quero evitar transportes públicos”, diz a cidadã brasileira, que regista “melhoria nas ciclovias” do Porto.

Na Invicta há 54 quilómetros de pistas para ciclistas. A MUBi – Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta quer mais e melhores condições e tem em curso uma petição pública para sensibilizar a Câmara do Porto a perseguir os esforços pela “mudança de paradigma”.

“O Governo e as câmaras têm de fazer muito mais no combate às alterações climáticas. A bicicleta tem servido em Portugal essencialmente para maquilhar de verde discursos políticos!”, diz a MUBI.

FACTOS E NÚMEROS

Combustíveis

Os portuenses gastam 20,411 milhões por ano em deslocações (ida e volta) para o trabalho (1,29 euros diários per capita). Em Lisboa, a fatura atinge os 52,767 milhões (1,35 euros diários per capita).

Emissões CO2

O estudo do CITTA calcula em 944 mil euros os custos anuais das emissões de C02 dos portuenses em deslocações (ida e volta) para o trabalho. Em Lisboa, a fatura quase triplica: 2,444 milhões de euros.

Copenhaga à frente

A cidade dinamarquesa é a capital europeia com mais utilizadores de bicicleta (35%) nas deslocações para o trabalho. Amesterdão (32%) e Berlim (31%) completam o pódio. Lisboa fica na cauda (2,21%).

Eurovias

Da ponta norte da Escandinávia ao contorno de toda a costa atlântica portuguesa, a EuroVelo1 (11 mil quilómetros) é uma das 17 vias cicláveis abertas na Europa, num total de 70 mil quilómetros. Quando o projeto da Federação Europeia de Ciclistas estiver concluído, a soma dos circuitos transcontinentais ascenderá a 90 mil quilómetros.

DADOS

424 milhões de euros em exportações

Portugal bateu o recorde de exportações de bicicletas em 2020. Mesmo em ano de pandemia, a venda para o estrangeiro rendeu 424 milhões de euros, um acréscimo de 5% face a 2019.

2,7 milhões de bicicletas fabricadas no país

Em 2020, Portugal foi o maior fabricante europeu de bicicletas. Segundo o Eurostat, produziu 2,7 milhões de bicicletas. O setor (uma centena de empresas) cria 1900 empregos diretos e 5900 indiretos.»”

Fontes:

https://mubi.pt/

https://www.jn.pt/local/noticias/porto/porto/grande-porto-lidera-a-revolucao-da-bicicleta-13658624.html

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fotocycle [258] nevão de Primavera

Caso a tarde esteja solarenga e apetecível, e eu exiba certos níveis de stress pós-laboral mais elevados, gosto de alongar o comute pós-laboral até ao Parque de Rio Tinto, descendo tranquilamente o  Parque Oriental do Porto até ao Freixo para, mais à frente em Gramido, me juntar ao grupeto do rebuçado, aturando os amoques dos veteranos amigos, enquanto damos a volta ao Porto no regresso a casa.

No Parque Oriental, ao longo do curso de água do Rio Tinto que corre livremente até ao Douro, encontramos passadiços e estruturas de lazer, subsistem pequenos núcleos habitacionais, terrenos agrícolas cultivados, fauna diversa e bosques de grande valor ecológico, conferindo-lhe uma paisagem e tranquilidade encantadoras.

Ora estamos no auge da primavera, a passarada anda louca, a Natureza retoma o seu esplendor e a evolução biológica leva a que uma variada espécie de árvores disseminem as suas sementes, numa espécie de algodão que se espalha através do vento e imita um nevão, podendo durar durante semanas de acordo com as condições meteorológicas.

Leio que, e ao contrário do que se diz, este “algodão” não provoca alergia, podendo apenas causar incómodo a pessoas com hipersensibilidade cutânea. Deste modo, não é necessário o abate ou poda dos malfadados choupos que não causam problemas de saúde. Pelo contrário, auxiliam na depuração da atmosfera.

Simultaneamente, com a dispersão destas sementes, ocorre uma grande produção e libertação de pólenes de diversas espécies de gramíneas, causadora das tais reações alérgicas que afectam uma crescente parte da população. Estes pólenes não são visíveis e dispersam-se facilmente por largas centenas de metros, sendo a sua dispersão mais eficaz em dias de vento. Caso chova, as concentrações de pólenes baixarão significativamente. Então que chova, que chova bem e só à noite! – Oubistes São Pedro?

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do Oeste à Europa

José Ferreira, de 21 anos, natural de Gaeiras, concelho de Óbidos, deu na passada quinta-feira a primeira pedalada numa aventura de bicicleta pela Europa fora, “um desafio e um sonho numa viajem”, onde, durante 4 meses, percorrerá mais de 8000 quilómetros com passagem por 13 países.

Fonte : https://obidosdiario.com/2021/04/14/jovem-de-obidos-aventura-se-de-bicicleta-do-oeste-ate-a-noruega/

[…]

“O jovem considera-se “determinado e aventureiro”, é licenciado em Desporto de Natureza e Turismo Ativo, procura viver a sua vida ao máximo e inspirar outros a fazer o mesmo. Já possui algumas viagens de bicicleta no seu currículo, sendo esta a sua maior viagem até hoje. Garante, que a irá realizar “vencendo todos os obstáculos que lhe surgirem pelo caminho”.

Parte de Caldas da Rainha, pelas 08h00, em direção a Oslo (Noruega) e pretende passar por Espanha, França, Bélgica, Alemanha e Dinamarca. No regresso tenciona visitar a Suíça e a Itália.

José Ferreira diz que “pretende ser um projeto de divulgação da Região Oeste, associado a valores de superação, sustentabilidade, aventura e de união por parte de todas as entidades contribuintes para o avanço de cada um dos dias de viagem”. Esta será feita a 100% de autonomia, sem qualquer tipo de carro de apoio.

Inicialmente tinha decidido viajar sozinho, mas depois da divulgação da viagem no Instagram arranjou companhia para a «proeza». Com ele vão pedalar mais dois aventureiros, de 40 e 50 anos, naturais das Caldas, mas um deles reside em Lisboa.

Recentemente iniciou um trabalho a fazer turnos numa fábrica, mas chegou à conclusão de que “estava a desperdiçar” a sua vida ainda como jovem. Porque considera o emprego fabril como “repetitivo” tomou a decisão de querer “conhecer melhor o mundo”. Recorde-se que antes já tinha criado a empresa Block
Experience, com sede em Óbidos. www.blockexperience.pt

Devido à situação pandémica, viajar era algo praticamente «alcançável». Mas, determinado, conta que “cabe-nos realizar os nossos sonhos” e não estava disposto a deixar escapar esta oportunidade.

Sente-se fisicamente bem preparado. Leva consigo pouca roupa, uma tenda e saco-cama, um equipamento tipo “Campingaz” para cozinhar, cujas refeições vão ser à base de hidratos de carbono” e frutos secos. No entanto, através do Instagram, tem já convites de noruegueses e portugueses que vivem naquele país a oferecerem estadia.

“Acho que vou regressar com uma bagagem cultural muito maior e pretendo aplicar esta experiência na minha empresa, a Block Experience. “Quero oferecer aventuras inéditas às pessoas, mas para fazer isso tenho que viver a experiência primeiro e só assim posso influenciar e inspirar outros a fazer o mesmo, criando roteiros de aventura para grupos”, mencionou.

A viagem:
1ª Etapa – Caldas da Rainha (Portugal) – Pamplona (Espanha)
2ª Etapa – Pamplona (Espanha) – Paris (França)
3ª Etapa – Paris (França) – Bruxelas (Bélgica)
4ª Etapa – Bruxelas (Bélgica) – Hamburgo (Alemanha)
5ª Etapa – Hamburgo (Alemanha) – Oslo (Noruega)
6ª Etapa – Oslo (Noruega) – Copenhaga (Dinamarca)
7ª Etapa – Copenhaga (Dinamarca) – Berlim (Alemanha)
8ª Etapa – Berlim (Alemanha) – Munique (Alemanha)
9ª Etapa – Munique (Alemanha) – Milão (Itália)
10ª Etapa – Milão (Itália) – Barcelona (Espanha)
11ª Etapa – Barcelona (Espanha) – Caldas da Rainha (Portugal)

Os interessados podem acompanhar o dia a dia desta aventura através do link: https://www.blockexperience.pt/do-oeste-a-europa/

Instagram oficial:
https://www.instagram.com/ze_migferreira/

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can’t miss [223] tonowhere.com.br

Ciclismo urbano: a bicicleta como meio de transporte

“Quando pensamos no ciclismo urbano, a imagem que vem à mente é a de cidades como Amsterdão e Copenhaga. Mas o que acontece em Bogotá, Buenos Aires, Santiago, Paris ou Cidade do México? Algumas dessas cidades começam a se autodenominar “capitais mundiais do ciclismo”, afirmação que geralmente coincide com a adoção de políticas públicas e investimentos que privilegiam a mobilidade diária de bicicleta.”

[…]

Podes ler o artigo completo em: https://tonowhere.com.br/ciclismo-urbano-a-bicicleta-como-meio-de-transporte

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