cabeça na Lua

Como é costume, depois do trabalho estou a pedalar de regresso ao lar, antes que o sol se deleite no oceano. Apesar de resplandecente, a tarde estava um pouco fria. Maldita nortada. Em busca de um quebra vento, saio da rua e sujeito os pneus ao caminho ondulante do Parque da Cidade, circundado por árvores e passarada. Deixo o meu rastro marcado na terra humedecida. Contemplo e rodo, em modo câmara lenta.

O sol estava se entregando, mas a minha camada superior já me aquecia e um fulgor de transpiração brilhava na minha testa. Um banco de jardim no meio do verde torna-me o passeio mais longo do que o previsto. Ali, o tempo parece dar um tempo. Luvas para fora. A pausa para relaxar e absorver a iluminação deu-me a oportunidade de inclinar a bicicleta e tirar-lhe mais uma fotografia.

Eu adoro esta hora do dia mais do que qualquer outra: a quietude, a solidão, a Lua que lentamente cresce. Ouvi dizer que naquela noite a sombra da Terra fará o seu brilho desvanescer!Não acordei para ver.

Retorno ao selim e esboço o regresso a casa, desenhando linhas no chão, continuando perdido em devaneios, seguindo as sombras que cresciam rápidas. Sem pressas sigo a cidade, explorando ruas escurecidas e esquecidas, de paralelo e asfalto lascado, onde poucas pessoas parecem coabitar. Ainda há muito inverno de sobra. Os dedos frios e o pingo no nariz dão um senso de alerta. Retrocedo e acelero a cadência. Abandonadas no banco de jardim, reencontrei as minhas luvas e lampiões, tristes e sós!

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não sei se do frio ou do f.d.s. que está à porta, mas hoje sinto-me eléctrico!

A primeira linha de eléctricos da Península Ibérica foi inaugurada no Porto a 12 de Setembro de 1895. Nestes quase 124 anos, a rede de linhas de eléctricos teve um importante desenvolvimento, cobrindo praticamente todo o território urbano, chegando ao centro dos concelhos limítrofes da área metromopolitana tripeira. Na segunda parte do século XX seguiu-se um processo de declínio, designadamente na década de 80, levando que este meio de transporte fantástico passasse a ser praticamente marginal. Aos poucos, os eléctricos foram sendo postos de lado, desaparecendo das ruas da cidade. Foram sendo substituídos pelos tróleis e por autocarros. Depois surgiu o metro que revolucionou totalmente a mobilidade da Invicta. Na Rotunda da Boavista, a Remisse cedeu o lugar à Casa da Música. Em Massarelos, na antiga central termo-eléctrica, foi instalado o Museu do Carro Eléctrico.

O eléctrico da Linha18 manteve-se em circulação, entre o Carmo e Massarelos, fazendo ligação com a Linha 1 que circula ao longo da Marginal do Douro, entre o Infante e o Jardim do Passeio Alegre. Em certa ocasiões especiais, é nesta linha que podemos apreciar alguns dos belos exemplares dos velhos carros de carris. Alinhados, em desfile, os eléctricos históricos saem à rua para encantar os passageiros, e que os vê passar, relembrando o passado. Ressurgiu a Linha 22, que liga o Carmo à Praça da Batalha, bem como a Linha Turística, a Tram City Tour.

Os carros eléctricos são uma mais-valia para a cidade. Costuma-se dizer, e com razão, que o “velho” torna a cidade mais bonita. Este é um meio de transporte muito agradável, não poluente e arejado, contemplativo, adequado ao turismo e à fruição de importantes espaços paisagísticos do Porto. Permite que as pessoas se movimentem no centro, melhorando a mobilidade e ajudando a retirar os carros dos passeios… quer dizer, isso quando os xôres automobilistas não se lembram de deixar os seu popós sobre os trilhos (o que é recorrente), estorvando ou mesmo impedimento a circulação. Deixo ficar um desejo de ver expandida a rede de eléctricos da cidade, por exemplo a vontade de ver o eléctrico chegar ao Castelo do Queijo, de voltar a subir a Avenida da Boavista no 19 de tão boa memória, e, já agora, porque não uma ligação entre o Infante e a Estação de São Bento pela Rua Mouzinho da Silveira.

Quem anda regularmente de bicicleta na cidade já sabe que onde existam carris de eléctrico é necessário estar mais alerta. Muitos ciclistas aproveitam o corredor entre os carris para improvisar uma ciclovia, perfeitamente viável, mas terão obrigatoriamente de redobrar a atenção para que as rodas nãoentrem na ranhura dos carris. É também forçoso redobrar cuidados num dia de chuva, por causa da água que torna os carris muito escorregadios. De uma forma ou de outra, eu já experimentei a técnica e me estatelei no chão, várias vezes, e só vos digo, não é nada agradável, nem para o corpo nem ao ego.

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fotocycle [239] do que se faz no lusco-fusco?

São 5, 7 minutos de grande diversão…

Voltando para casa, pedalando por aí, numa pedalada prazeirosa e proveitosa. Aproveitando cada momento destes belos finais de dia de Janeiro.

 

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fotocycle [238] o “baiqueparque” mais in da Baixa do Porto.

Há uns anitos, quatro mais precisamente, não deixei escapar a novidade, e que novidade, dando conta neste postal do aparecimento de um estacionamento de biclas como manda a lei. O município reservou um espaço de estacionamento para bicicletas no interior do parque de estacionamento da Trindade. Assim, no espaço de parqueamento para dois carros, cravou dez robustos suportes do agrado do ciclista urbano, sem arestas agressivas à pintura das meninas, para o estacionamento de, pelo menos, vinte bicicletas a zero cêntimos à hora.

Nos entretantos, o xôres inginheiros da CMP tiveram a brilhante ideia e moveram o “baiqueparque” mais para o interior do recinto, ficando assim as biclas mais protegidas dos elementos e bem à vista dos seguranças.

no “baiqueparque” da Trindade o lema é: quantas mais melhor

Um destes dias voltei lá, e pelo que me foi dado ver, à conta da amostra e da afluência que o parque tem tido, qualquer dia a CMP terá de alargar o espaço para mais bicicletas, sacrificando assim mais um ou dois lugares aos popós… Oh, que pena!

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can’t miss [196] publico.pt

O P3 do Público tomou conta desta rubrica e pela melhor das razões. A cada semana que passa este jornal faz publicações interessantes sobre a temática das bicicletas e da mobilidade a pedais. Hoje foi a dobrar, dois excelentes e imperdíveis artigos.

Começando pelo segundo artigo do dia: “Portugal: ao segundo produtor europeu de bicicletas só falta… pedalar”. Texto de Mariana Durães e vídeo de Teresa Pacheco Miranda (Vídeo), temos um vislumbre da maior fábrica de montagem de bicicletas da Europa, em Vila Nova de Gaia…

“Em 2016, era líder do ranking europeu de exportação de bicicletas; em 2017, caiu para o segundo lugar: ainda assim, Portugal tem a maior fábrica de montagem da Europa. Mas “o mercado [nacional] é pequeno e pedala pouco”. O que falta?” […]

Podes ler o artigo na íntegra aqui: https://www.publico.pt/2019/01/07/local/noticia/cidades-faz-conta-brincase-futuro-1856647

O primeiro artigo, com texto de Sofia Neves, fotografia e vídeo de Teresa Pacheco Miranda, é este:

Nestas cidades do faz de conta brinca-se ao futuro

“Em colaboração com a autarquia de Albergaria-a-Velha, José Nuno Amaro e a sua equipa desenvolveram um tipo de bicicletas especiais que ajudam os mais novos a criar cidades sustentáveis.

Imagine uma cidade em que a forma como nos movemos é completamente diferente. Não existem carros ou transportes públicos movidos a combustíveis fósseis e quase toda a população se desloca a pé, de bicicleta ou em veículos eléctricos e mais amigos do ambiente. E este não é um cenário imaginado já assim tão distante.

Foi nestas cidades do futuro que José Nuno Amaro quis acreditar e tornar “realidade” nas salas de aula de todas as escolas públicas do concelho de Albergaria-a-Velha através do projecto PréPOP, que tem nas bicicletas seu ponto fulcral. Em colaboração com a autarquia, a Nuno Zamaro Indústrias concebeu e ofereceu 88 bicicletas que vão ser partilhadas por 250 alunos para que estes aprendam tudo o que há para saber sobre um futuro sustentável.

“Incentivamos cada escola a construir a sua cidade do futuro, a partir de alguns pontos importantes que são a partilha da bicicleta e de funções dentro dessa cidade. Como não há bicicletas para todas as crianças ao mesmo tempo, estas desempenham papéis diferentes, habituais numa cidade. Um é o polícia sinaleiro, outro o dono da estação de carregamento de energia eléctrica das nossas bicicletas. Todos têm um função associada ao faz de conta recriado em cada escola”, conta José Nuno Amaro.”

[…]

Podes ler artigo na íntegra em: https://www.publico.pt/2019/01/07/local/noticia/cidades-faz-conta-brincase-futuro-1856647

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passe a publicidade [84] Manutenção de Inverno

UM GUIA PARA A MANUTENÇÃO DA TUA BICICLETA DURANTE O INVERNO

O postal “Manutenção de Inverno” foi adapatado de um outro publicado em Fevereiro de 2015 / Fotografia: o pessoal da Pelago enfrenta intempéries a sério na Finlândia.

“Apesar dos dias de sol, o Inverno está aí a todo o gás e não deve faltar muito para a chuva voltar a fazer-nos companhia. Assumindo que não tens medo da água e de uma temperatura um pouco abaixo do normal e tens continuado a pedalar apesar do Verão já há muito nos ter abandonado, voltamos a trazer-te algumas recomendações para a manutenção da tua bicicleta nesta altura do ano tão exigente para as nossas meninas.

[…]

Aqui podes ler na integra o postal dos nossos amigos duendes das megastore Veloculture com as suas dicas e sugestões de manutenção para as meninas sobreviverem às agruras do inverno.

 

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estacionamento à patrão ou o devido uso do espaço público

O uso do transporte individual implica questões de equidade do espaço público.

Se por um lado, o espaço “consumido” para o estacionamento de um carro, na melhor das hipóteses, é dividido por cinco passageiros, quantos passageiros de bicicleta caberiam no mesmo espaço?

(aqui uma ajuda)

Bom ano.

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rumo a 2019

Bora lá entrar no novo ano, com o pé direito, um passo de dança ou a roda da frente. Brindar à vida junto da família e dos amigos.

Bom Ano e boas pedaladas

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can’t miss [195] publico.pt

Abordando essencialmente as preocupações e dificuldades sentidas pelos ciclistas urbanos em Lisboa,  a mobilidade e questões de planeamento urbano na capital, eis o artigo do ano, de leitura absolutamente imperdível.

Ciclismo urbano: obstáculos de uma opção sem marcha-atrás

“Abriu de mansinho a época da caça ao ciclista, à boleia da inundação de trotinetes eléctricas, que se traduz num súbito excesso de zelo das autoridades em “sensibilizá-lo” para as regras de trânsito. Tem de haver bom senso.”

[…] “Obviamente que há ciclistas que têm comportamentos perigosos que devem ser corrigidos até pelo meio de coimas, mas não podemos negar que ainda é o comportamento negligente de alguns automobilistas que tem o maior potencial de colocar em risco a integridade física de outrem. Mesmo assim, não se tem assistido com o mesmo zelo à sensibilização dos que continuam a conduzir enquanto mexem no telemóvel ou/e passam passadeiras e vermelhos sem ter atenção aos peões. Tanto que um ciclista que se preze não anda aí a desrespeitar regras de trânsito à louco — quanto muito trata um sinal vermelho como um Idaho Stop, pois sabe que o menor erro que cometer ao não adoptar uma condução defensiva recairá sempre sobre ele o maior dano.

Dir-me-ão que o comportamento errado de uma parte não justifica o comportamento errado de outra, mas as leis só são verdadeiramente fortes quando são fiscalizadas e feitas cumprir. Quando essas mesmas leis se tornam anacrónicas e/ou ineficientes acabam por se esvaziar sem qualquer mal maior, sendo usadas apenas pontualmente para dirimir conflitos. É com esse raciocínio em vista que peço que haja um foco das autoridades no que realmente possa causar dano, ao invés de um ciclista que, para evitar contornar uma rotunda enorme, usa o passeio onde está mais seguro e se cansa menos; ou de um que passa um vermelho numa recta sem cruzamento. Também não me parece que se vá começar a multar peões por passarem fora da passadeira ou quando o semáforo está vermelho. Tem de haver bom senso para que enquanto as cidades e mentalidades não se adaptam a esta nova dinâmica na mobilidade urbana, se consiga facilitar a vida a todas as partes.”

Podes, e deves, ler na integra este excelente artigo de Edgar Almeida, no Publico, em: https://www.publico.pt/2018/12/25/p3/cronica/bicicleta-1855213

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a teimosia é a personalidade dos imbecis

No meu mais longo belo caminho do trabalho para casa, passo na ciclovia da Foz em quase toda a sua extensão, em direcção a norte.

O tramo inicial da dita via, o asfalto da Rua Coronel Raul Peres, foi há tempos redesenhada. A cilovia foi sacrificada em largura para que a rua voltasse a ter dois sentidos de rodagem para os veiculos motorizados.

Considerando que a ciclovia está, como deve estar, na faixa de rodagem, os pilaretes estão ali com uma função específica: impedir a invasão da ciclovia por outros veículos.

No entanto, e como sucede repetidamente em outras vias interditas aos automóveis, a ciclovia da Rua da Constituição é um desses (maus) exemplos de fartar vilanagem dos senhores condutores nos espaços onde não foram plantados pilaretes, porque existem paragens de autocarro, passadeiras, entrada/saída de garagens, os espertos dos automobilistas aproveitam a deixa e deixam os popós estacionados “à lagardère”, tornando assim a funcionalidade da via tudo menos ciclável.

São raríssimas as ciclovias bem desenhadas. Na sua grande maioria não servem e tornam a vidinha dos ciclistas uma pista de obstáculos, havendo casos até que podem mesmo provocar graves acidentes.

Na tarde de terça-feira, mais uma vez precenciei um desses episódios.

Ao iniciar a minha passagem pela ciclovia dou com o imbecil que irás vêr na foto naqueles preparos. Travei e fiquei ali a observar a cena. O autocarro a tentar a passagem e o idiota abusivamente na ciclovia, em cima da passadeira, a ocupar parte da faixa de rodagem. O autocarro aperta-o e o imbecil dá finalmente sinal de vida. Depois de registada a foto avanço devagarinho, imaginando qual das seguintes desculpas esfarrapadas o imbecil terá na manga:

a) “ah e tal, estou a trabalhar!”;
b) “é só um minuto, vou espreitar a montra da Dourobike”;
c)  nenhuma das anteriores.

Não obtive resposta mas não foi dificíli perceber que era “nenhuma das anteriores”. Afinal o imbecil estava ali a estorvar só porque lhe apeteceu ser guia turístico. Armou aquela confusão apenas para satisfazer a sua curiosidade e a de três simpáticos sexagenários que transportava dentro do carro!

Apeteceu-lhe mostrar o revolto oceano com as ondas a rebentar contra o molhe, e a boa intenção do imbecil correu lindamente, como se pode ver!

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