“devagar se vai ao longe” já diz o pobinho

Nas escolas de condução, supostamente, são ensinados todos os preceitos sobre a condução Estes incluem regulamentos, instrução e prática de como conduzir um veículo motorizado, atendendo à segurança e às regras de trânsito. O aprendiz a condutor terá de ultrapassar várias etapas e exames até finalmente estar habilitado à condução. Depois, com a carta na carteira e as mãos no volante, poucos cumprem o que aprenderam. Rapidamente esquecem as regras e limites, achando que estão a coberto do infortúnio pela carroçaria metálica e pelo seguro automóvel.

De certo já ouviram a expressão “saiu-te a carta na Farinha Amparo” dirigida aos maus condutores. Não, não ofereciam cartas de condução no pacote, mas davam brindes.

Para a habilitação da condução é preciso obedecer a conceitos essenciais de segurança. Um dos conceitos mais importantes é o limite de velocidade. A velocidade é fixada tendo em conta vários factores, classificação da estrada, condições da via e sinalização. Na ausência de sinalização, o Código da Estrada estabelece as regras e limites aos automobilistas, com máximos permitidos, coimas a aplicar e perda de pontos por excesso de velocidade. Não há velocidade mínima nas estradas.

Não é uma regra difícil de cumprir, mas certos automobilistas parecem capazes de a compreender, e muito menos de a colocar em prática. Alguns não entendem a palavra “limite.” Na condução, a palavra “limite” significa o mesmo que “máximo”. Velocidade máxima. Um limite de velocidade não se refere à velocidade que é suposto conduzir mas ao limite máximo que é permitido por lei. Regra geral, os automobilistas tendem a conduzir como se estivessem a ser  perseguidos pelo diabo.

Como utilizadores da estrada, os ciclistas circulam frequentemente a uma velocidade mais lenta do que um automóvel. Dificilmente o ciclista atinge um limite de velocidade, mas, infelizmente, há automobilistas que só querem saber o quão rápido podem ir. Circulam no limite ou em excesso de velocidade e não querem nada no seu caminho. Quando começam a buzinar, a reclamar com o ciclista para este sair da estrada, ir para a berma, ciclovia ou para o passeio, de uma forma calma e prudente deve o ciclista afirmar a sua posição e defendê-la. É a única forma de combater os estereótipos arraigados e mudar comportamentos intimidatórios.

redundância ou pelonasmo?

As bicicletas têm o mesmo direito de usar a estrada como qualquer outro veículo. Têm o direito a ocupar a faixa de rodagem. Têm o direito de circular a par, facilitando, sempre que possível, a ultrapassagem. Têm o direito à distância de segurança de metro e meio quando ultrapassados por veículos a motor, o que infelizmente nem sempre é verificada.

À luz das “recentes”… – em vigor desde 1 de janeiro de 2014 –  alterações ao Código da Estrada, é claramente necessária uma campanha de reeducação para ensinar e/ou lembrar os automobilistas que têm de compartilhar a estrada, aceitar os veículos mais lentos e abrandar especialmente quando ultrapassam bicicletas. O ciclista não tem de ter receio em posicionar-se devidamente na via. Não há velocidade mínima nas estradas.

Como viajam a uma velocidade mais lenta, os ciclistas podem ter um papel regulador, disciplinar os automobilistas quanto à velocidade de circulação. Os automobilistas devem adaptar a sua condução atendendo não apenas às condições da estrada mas à forte presença de outros utentes da estrada. À eventual presença de ciclistas na estrada. De qualquer das formas, todos deverão saber as regras, os limites, reduzir a velocidade para uma viagem segura.

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se não os consegues vencer…


Turistas e mais turistas, novos e velhos, homens e mulheres em biclas de aluguer, muitas delas eléctricas, outros em cruzeiro cicloturístico, pedalam pelas intricadas zonas históricas, ao longo da aplanada e panorâmica marginal do Douro, pela banda de lá e pela banda de cá ao seu próprio ritmo e vontade.

Pedalar tem sido uma boa opção para quem nos visita. A cidade já nem estranha. As duas rodas movidas por um par de pedais são, aliás, cada vez mais uma alternativa aos lentos autocarros turísticos. Vários operadores turísticos procuram dar resposta à procura e à curiosidade dos visitantes, propondo várias opções de aluguer. É que, se há os que preferem alugar uma simples bicla a pedais, mesmo com preços a não serem dos mais atractivos, muitos não abdicam da assistência eléctrica para se aventurar nos inclinados acessos aos centros históricos do Porto e Gaia.

Já alguns tripeiros, nas deslocações para e do trabalho, para fugir ao trânsito e aos apertos dos transportes públicos, dão preferência à bicicleta como alternativa na mobilidade urbana. Vão serpenteando pelas ruas da Invicta nos trajectos do dia-a-dia. Não são tantos quantos eu gostaria de ver mas já dá para notar alguma mudança de paradigma, enquanto a chuva não volta em força. Na parte ocidental da cidade, por exemplo na esfera envolvente da Boavista, como é quase plana, ao contrário da baixa da cidade, permite viagens rápidas de casa para o trabalho sem grande esforço.

Para relembrar o meu exemplo, só o tempo que eu demoraria a pé de casa até a chegar ao Metro, cerca de 15 minutos, é o mesmo período em que faço a viagem completa de bicicleta até ao local de trabalho. Até picar o ponto, ainda poupo o tempo da ligação modal entre Metro e do BUS, que na melhor das hipóteses seriam outros 15 minutos.

Especialmente de manhã cedo, no acesso ao centro do Porto em horas de ponta, a principal motivação é chegar ao trabalho. A opção de percurso mais rápido é sempre o adoptado na minha deslocação diária a pedais. À tarde, o expediente de voltar a casa, da baixa do Porto à Prelada, procuro variar as opções, umas mais rápidas que outras, sempre mais longas, preferindo as margens do Douro e a nortada nas trombas. O percurso pela Foz do Douro é um desses exemplos. É mais relaxante e acrescenta qualidade de vida ao modo saudável que gosto de ter em conta.

E assim, como que por uma hora e picos, torno-me numa espécie de turista na sua própria cidade. Na nossa “pequena cidade” que é afinal uma grande cidade, que é o grupo das nossas pequenas cidades coladas umas às outras.

Voltando aos turistas, não sou imparcial no que toca a conversas sobre o desgovernado crescimento do turismo. Ouço muito boa gente dizer que o boom turístico afecta o seu dia-a-dia, as suas rotinas e o sossego. Por outro lado, há vida no bairro, outras culturas, casas renovadas e novos estabelecimentos. A diversidade enriqueceu o ambiente, a oferta ao nível do emprego. O turismo potencia negócios e faz crescer o aumento de utilizadores de bicicleta na cidade. Até os automobilistas, presos no trânsito se vão roendo de inveja. Caso para dizer, “se não os consegues vencer, junta-te a eles”.

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quando o selim pica

“Ó Paulo, tu que andas muito de bicicleta podes me ajudar. Que selim devo escolher para não ficar com o rabo todo ƒΘÞ∗þΦ?”

Na hora de escolher o modelo de selim, a primeira coisa a pensar não é na tortura que te vai infligir mas se é o assento ideal para acolher da melhor forma as tuas necessidades. Afinal de contas é lá que o ciclista deposita o abono de família e as partes mais sensíveis do canastro.

Escolher um selim não pode ser somente uma questão de beleza ou leveza. Claro que um sofá não é o mais adequado para uma bicicleta de estrada, nem um selim tipo tábua de passar a ferro é vistoso numa pasteleira. Não o devemos escolher pelo preço, pelo estilo ou quanto ele pesa, mas sim se ele serve realmente para preservar da melhor forma a tua ferramenta. Cada rabo sua sentença.

Atendendo à modalidade, se para utilização urbana, passeio, estrada ou monte, em todas as linhas de selins, a flexibilidade é uma característica a ter em conta. Quanto maior a flexibilidade melhor será o conforto do ciclista. Em cada uma dessas modalidades há necessidades específicas.

As bicicletas de passeio e outras, por exemplo para a utilização mista em que a preferência é o conforto, uma vez que os seus utilizadores se interessam em percorrer variados tipos de piso sem necessidade de muita velocidade, deve-se optar por um selim confortável com uma boa base de apoio, onde podem assentar devidamente os ísquios, pois pedala-se quase a totalidade do tempo alapado no selim. Assim como a forqueta com suspensão faz a diferença nos braços, os selins de molas, espuma ou gel, oferecem um maior conforto. Já para as bicicletas de utilização urbana, onde de se pedala distâncias mais curtas, nem sempre é preciso ter um selim superfôfo mas um que permita uma boa mobilidade das pernas e facilite a manobra de montar e desmontar da bicicleta. Nas biclas de estrada e nas bêtêtês, onde se pedala com maior velocidade e por mais horas, o selim deve ser um pouco mais estreito e leve, uma vez que a cadência e agilidade das pernas é bem maior.

Utilização masculina ou feminina? Não poderia ser diferente com a escolha dos selins. Nesse caso, devemos seguir a anatomia humana, em que algumas mulheres possuem uma anatomia entre os ísquios maior devido à bacia, necessitando de um selim com uma base de apoio um pouco maior e comprimento mais curto. Nos homens, como a distância entre os ísquios é menor e a região do períneo maior, o selim normalmente é mais estreito e mais longo.

Há vários tamanhos de selins, com medidas que variam de 250 a 300mm de comprimento e larguras que variam de 125mm a 170mm. As medidas dos meus selins vão desde 160mm a 145mm, que é a medida mais comum para a maioria dos ciclistas, mas pode variar de rabo para rabo. Muitas vezes, nas pedaladas mais longas, com largos períodos de poiso no selim, e após trechos e trechos de irregularidades, subidas onde se pedala com mais força causando maior pressão, pode haver uma maior sensibilidade no períneo (a zona da próstata) devido à trepidação e esforço, e, em virtude disso, sentir algo parecido com um “formigueiro”. Sim, isso é mais normal do que se imagina, mas se após uma mudança no posicionamento ou ir levantando o rabo do selim isso já melhora, é aguentar e dar ao pedal pois essa hipersensibilidade é normal. No mercado podemos encontrar vários modelos com um corte ergonómico para aliviar o desconforto na área perineal.

Podemos ter feito a escolha acertada e ser o selim o mais adequado à anatomia, objectivos e modalidade, mas se estiver mal colocado no espigão da bicla irá interferir negativamente com o desempenho e gerar um desconforto e incomodar ao ponto até de provocar lesões. A altura influencia exactamente o posicionamento e “encaixe” dos ísquios na base mais ampla do selim, sem falar na posição correcta das pernas durante a pedalada, evitando pressionar os joelhos, e aumentar a força sobre os pedais. Está comprovado que um bom posicionamento do selim pode aumentar até 30% de rendimento da força exercida nos Pode-se variar a posição, inclinação e altura do selim, tendo em conta que os músculos trabalham de maneira diferente.

Nota: O selim deve preferencialmente estar sempre nivelado, paralelo ao solo, na horizontal.

Portanto, para uma boa escolha do selim há que ter em conta todo um conjunto de factores. A escolha de selim é uma questão tão pessoal, que só o velho método científico experimental servirá para encontrar a solução para qualquer dúvida. O melhor e mais prático método para a escolha do tamanho do selim é a experimentação, sentar e pedalar. Sentir se o rabo está correctamente apoiado no selim, e pedalar, pedalar pedalar. Algumas lojas disponibilizam selins de teste, com a vantagem de poder experimentar vários modelos e medidas para uma escolha acertada. Agora, não nos podemos esquecer que um bom para de calções com carneira têm um papel fundamental no conforto do nosso rabinho.

É sabido que selins bons exigem um maior desembolso financeiro. Para além de ser uma peça fundamental, o selim é também uma coisa pessoal. Nem sempre o mais leve, o mais bonito, é o melhor. Actualmente, já existem mais opções de selins ergonómicos, desenhados para retirar o peso da área do períneo e distribuí-lo para as nádegas e ísquios. O conforto vale mais na pedalada do que o peso total da bicicleta. Estas são pelo menos as básicas dicas para o início de um casamento ideal com a nossa bicicleta, pois lembrem-se que quando se dá ao pedal é no selim que se passa a maior parte do tempo.

Boas pedaladas

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reciclando [45] céu pardacento: ou chuva ou vento

De volta a casa depois de um dia inteiro a laborar, eu gosto de arredondar a cidade, alongar o meu percurso e aproveitar o selim pelo crepúsculo final de um dia solarengo. Isso significa que eu vou tirar algumas fotografias na atracção radical do pôr-do-sol, do mar e da minha bicicleta, que é a marca registada em quase todas as minhas imagens.

Ontem, quando saí à rua, as nuvens cobriam o céu numa camada grossa, como uma enorme colcha toldada e pardacenta. As árvores dançavam ao sabor da ventania, as folhas douradas flutuavam loucas, para cima e para baixo, cobrindo todos os recantos, dando finalmente um ar de Outono.

Desço ao rio, dou o peito ao vento e sigo a minha volta, por Matosinhos. À passagem pela Foz, paro por alguns minutos para observar o mar revolto, fotografar, e fico a conversar com um amigo que me encontra, visivelmente invejoso, eu de duas rodas e ele não. Olha para o céu carregado, olha para mim e me pergunta: “Estás de a caminho de casa?”. No seu melhor palpite a chuva apanhava-me forte e feio antes de lá chegar. Respondo-lhe sem pensar duas vezes: “Nããã, eu estou apenas a começar a minha dança da chuva!”.

Pois que venha ela, a chuva, que tanta falta faz.

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aviso à navegação velocipédica, pédica e ortopédica – a Ciclovia da Foz

Estão em curso as proclamadas obras nas avenidas do Brasil e Montevideu. Diz o manifesto camarário que esta intervenção visa beneficiar a faixa de rodagem e passeio poente através da recuperação do estado dos pavimentos e implementação de um novo esquema de mobilidade local, com vista a melhorar a segurança rodoviária e pedonal.

A circulação rodoviária nas av. Montevideu e av. Brasil também sofrerá também alterações, passando das actuais 4 para 3 faixas de rodagem: apenas uma só servirá a fluidez do trânsito em direcção a Matosinhos, mantendo as duas faixas na direcção oposta, para a Foz do Douro.

a Avenida Montevideu com a actual ciclovia desenhada no passeio,  em direcção à Avenida do Brasil. Já agora, serve o instantâneo de lembrança da minha querida e saudosa bicla Cósmica)

O argumento da segurança é repetidamente utilizado pela CMP, tanto na informação oficial como no próprio cartaz da obra. Qualquer que seja a intervenção feita para o aumento da segurança é sempre de realçar, falta no entanto perceber se essa “segurança” será realmente efectiva no que à mobilidade ciclável diz respeito.

A CMP argumenta esta alteração:

“Este modelo dá continuidade à intervenção na Rua do Coronel Raúl Peres, onde a interação entre bicicletas, peões e automóveis se faz de modo seguro e organizado (!!!), ao estabelecer prioridades de circulação entre os diferentes modos de transporte e garantir a fluidez do tráfego.”

Assim, o espaço de circulação pedonal aumenta consideravelmente mudando a ciclovia existente no passeio para o mesmo nível da faixa de rodagem. Volto a defender este modelo de ciclovia, ao mesmo nível da faixa de rodagem, que gosto mais de apelidar de “ciclofaixa”.

Ora, e se os técnicos da CMP me permitem a observação, aqui a questão da segurança para os ciclistas é um argumento muito duvidoso. A recente intervenção na Rua Coronel Raul Peres, com a reposição dos dois sentidos para a circulação rodoviária, supostamente para “a fluidez do trânsito”, a faixa ciclável bidireccional está mais estreita, o que  diminuiu drasticamente a segurança dos ciclistas. Nem a imposição de velocidade máxima (30km/h) da circulação rodoviária tornou a referida artéria mais segura. Basta recordar o recente acidente ocorrido no ponto negro da referida artéria, a “curva do Mónaco”, que só não fez vitimas porque, felizmente, não circulavam ciclistas no momento (clicar para ver a notícia)

Se a CMP vai de facto dar continuidade à ciclofaixa da Rua do Coronel Raul Peres ao longo das av. Montevideu e av. Brasil, não me parece que vá cumprir com as requisições mínimas para as ciclovias bidirecionais (entre 2.2o e 2.60 metros de largura).

ciclofaixa da Rua Coronel Raul Peres. ciclo ou equestre? Não sei bem!

Na realidade, se pegarmos numa fita métrica e medirmos a largura ciclofaixa da Rua do Coronel Raul Peres (a mesma que os cascos da GNR pisam na foto acima), nenhuma destas medidas foi cumprida. A largura real da ciclofaixa tem 2.12 metros entre o passeio e os pilaretes. Mais à frente naquela famosa curva dos acidentes só tem 1.82 metros de largura disponíveis para o cruzamento de dois ciclistas.

Reservo algumas dúvidas em relação à solução adoptada pela CMP. O compromisso da fluidez do trânsito automóvel não deveria ser pretexto para colocar em causa a segurança dos ciclistas. Uma obra com um investimento numa infraestrutura que ronda os 400 mil euros poderia servir de referência para a real melhoria de mobilidade e segurança, planeada e executada em conformidade com as normas internacionais. A marginal da Foz tem dimensões e capacidade suficiente para que se possa realizar uma obra de reestruturação bem feita, onde se coloque em efectiva segurança a mobilidade pedonal e velocipédica.

Vejamos depois qual será a solução para lhe dar continuidade, se à ciclofaixa vai contornar a Rotunda do Castelo do Queijo ou se se manterá aquela “ciclocoisa” pelo passeio desnivelado, conforme está, e que tem mandado ao chão muito boa gente a pedais, eu includo!

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gOrka, made by iNBiCLA

Ora, quando Charles Darwin publicou o seu livro sobre “A Origem das Espécies”, onde argumentou convincentemente a teoria da evolução das espécies, estava longe de imaginar o estado evolutivo da humanidade 160 anos depois.

De onde viemos para onde vamos.  Evoluímos mesmo!? Para melhor ou para pior? Temos tecnologia avançada ou nos tornamos escravos dela?…

A Teoria da Evolução não é uma curiosidade histórica, mas continua a ser uma poderosa ferramenta para perceber o mundo. Pode assumir muitas formas, até aquela que eu sugeri quando a deixei nas mãos do senhor Machado para um lifting geral e nova farpela que orgulhosamente a gOrka veste.

O Homem, esse ser insatisfeito, desde as gravuras nas cavernas descobriu na arte um meio de comunicar, evoluindo, a função eréctil como meio de curar o tédio, sei lá, pelo menos até ter inventado a bicicleta!

Ora, de acordo com a teoria de cientistas de renome, a bicicleta foi a invenção mais importante para evolução humana nos últimos 100 mil anos. É bom saber isso, que a minha velha e fiel bicla tem uma importante cota-parte na minha nossa história evolutiva!

 

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na bicicleta é que está o ganho

apocalipse zombie

Esta espécie de apocalipse zombie, da loucura generalizada nas bombas de gasolina porque os motoristas de pesados de matérias perigosas decretaram nova greve, só demonstra a enorme dependência dos portugueses em relação aos combustíveis fósseis.

O ciclista não se sente ameaçado por esta greve mas sente diariamente a pressão do trânsito. Os engarrafamentos são um dos principais problemas para o bem-estar dos cidadãos. A opressão automóvel é inimiga do meio-ambiente e da mobilidade urbana. Deveria ser prioridade de qualquer governo não medir esforços para diminuir a quantidade de carros nas ruas.

Para os utilizadores da bicicleta, nem todas as cidades estão devidamente equipadas com infra-estruturas em meio urbano e serviços apropriados à bicicleta. Para o cidadão trabalhador que utiliza diariamente a bicicleta como meio de transporte, a bicla é a alternativa perfeita ao carro e aos transportes públicos.

Bastante apreciada pelos nórdicos e holandeses, implementada fielmente em grandes cidades europeias, a bicicleta conquista um lugar especial nos hábitos dos europeus. O uso da bicicleta diminui significativamente o congestionamento das estradas, a emissão de carbono, a poluição sonora e o consumo de combustível. Por sua vez, aumenta a qualidade de vida, ganhamos tempo, beneficia a nossa saúde e a da nossa carteira. É um meio de transporte prático, saudável, económico e ecológico. Vantagens não faltam, só é preciso pedalar e haver condições para tal!

Vários países acreditam que a bicicleta é o empurrão revolucionário para os grandes centros urbanos diminuírem o impacto do automóvel no meio ambiente. Para isso, é essencial tornar as cidades mais bikefriendly e promover a mudança de mentalidades e comportamentos. É fundamental Investir em infra-estruturas para os ciclistas e em políticas de prioridade e educação, alertando a população a respeitar este meio de transporte. Neste assunto a mestria e inovação dos holandeses é uma verdadeira inspiração.

A Holanda é a maior referência no ciclismo como meio de transporte. Exemplo de tradição e vanguardismo, o governo holandês encorajou as empresas a incentivar os seus trabalhadores colaboradores a adoptarem a bicicleta para as deslocações casa – trabalho. A ideia não é novidade. Através de um sistema de compensação financeira, o governo holandês incentivou as empresas a pagar 0,19€. por cada quilómetro pedalado no caminho de ida e volta casa-trabalho. Além das recompensas fiscais, os trabalhadores que troquem o carro pela bicicleta nas suas deslocações diárias recebem também subsídios para a compra de uma nova bicicleta.

Comparando com o que se verifica na Europa, em Portugal o hábito da bicicleta como meio de transporte ainda não é muito recorrente. Porém, apesar dos portugueses não serem um povo tipicamente ciclista, já existem centros urbanos em processo de adaptação à bicicleta. Como diz o povo, que “devagar se chega longe”, então junto a isso que “a pedalar é a melhor forma para lá chegar”.

Grande parte das deslocações casa – trabalho é feito em automóvel e corresponde a um percurso curto, em meio urbano. Estima-se que em média mais de metade não ultrapassam os 7 quilómetros! Juntando isso ao desperdício de tempo que se gasta nos congestionamentos, à despesa em combustível, ao estacionamento pago, a conta final absorve uma grossa fatia do orçamento mensal.

Imagina se recebesses uns trocos por cada quilómetro que pedalasses no caminho para o trabalho. Com um incentivo destes, estou certo que muito boa gente iria trocar o carro pela bicicleta. Iria respirar de alívio quando escapasse ao stress do trânsito caótico e ao drama do estacionamento. Iria concordar comigo que na bicicleta é que está o ganho.

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melhor mobilidade, maior segurança

A nova via ciclável e a introdução de novas regras de circulação na zona Francos/Carvalhido visam permitir o alívio da pressão numa das zonas mais críticas da cidade. A par dos arranjos das zonas públicas conexas, as medidas apontam também para outro importante resultado: facilitar o escoamento dos automóveis do centro da cidade e no acesso a importantes vias estruturantes do trânsito, como a Circunvalação e a VCI. […]

[…] Além disso, serão criadas novas zonas de estacionamento, o qual será por isso alvo de reorganização. […]

[…] Ao mesmo tempo, é introduzido um importante fator para estimular comportamentos mais saudáveis e mais amigos do ambiente com a criação de uma via especial para bicicletas que liga a Rua da Constituição e a Avenida da Cidade de Xangai.

Futuramente, terá expansão à Boavista.

Muito bem! Agora só falta saber a quantos anos corresponde esse “futuramente”!

Já irei falar detalhadamente sobre o trabalho de campo que andei há dias a fazer pela minha vizinhança, mas o que desde logo me saltou à vista foi a abertura de novos corredores dedicados à bicicleta em detrimento do habitual estacionamento, legal e ilegal, que se verificava em algumas das ruas intervencionadas.

Desde 9 de Julho, as zonas de Francos e do Carvalhido viram ser implementadas uma série de inovações na regulação do trânsito, como a abertura de um novo arruamento, alteração de sentidos e criação de via ciclável, visando a “melhoria da mobilidade, alivio da pressão do trânsito, facilitar o escoamento dos automóveis do centro da cidade e no acesso a importantes vias estruturantes do trânsito”, como são os casos da Estrada da Circunvalação e da Via de Cintura Interna.

A principal novidade é, desde logo, a abertura de um novo arruamento que consiste no prolongamento da Rua de Fernando Cabral. O novo troço de sentido único tem saída para a Rua Pedro Hispano perto do entroncamento desta com a Rua da Constituição.

Associada à abertura desse novo arruamento, surge a criação de uma via especial para bicicletas ao longo de quase toda a Rua de Fernando Cabral que vai ligar pela Rua do Lugarinho e a Rua de Teodoro de Sousa Maldonado à ciclovia da Prelada, a ciclovia que liga à Circunvalação pela Avenida da Cidade de Xangai. Reafirmando, por outro lado, a importância do crescimento da rede de vias cicláveis, o Município considera que a nova ciclovia constitui “um importante factor para estimular comportamentos mais saudáveis e mais amigos do ambiente”. Em jeito de promessa, refere a CMP que futuramente a via ciclável terá expansão até à Boavista.

Resultado do projecto e abertura de uma nova ligação entre a Circunvalação (EN12) dando uso ao viaduto sobre a VCI, nasceu há coisa de uma década a ciclovia da Prelada, o tapete vermelho onde diáriamente coloco as rodas da bicla, à saída e à chegada a casa. Com uma extensão de aproximadamente 1,2 km, a pista adorna toda a extensão da Avenida da Cidade de Xangai. No lado poente até à Rua de Requesende e depois passa para o lado nascente até à Rua de Teodoro de Sousa Maldonado.

Ao longo da sua existência a ciclovia da Prelada tem resultado num equipamento proveitoso para os utilizadores de bicicletas e outros veículos com rodas. Mas, como toda a ciclovia desnivelada e plantada no passeio, desde logo esta ciclovia tem os seus estorvos. Outra imperfeição é terminar abruptamente num passeio.

Para a ligação à nova via ciclável, a  “solução” encontrada foi abrir um pequeno corredor pelo passeio, apenas com sinalização vertical de via partilhada, para voltar então ao nível da rua, colocando aqui o eterno problema de gestão entre a mobilidade pedestre e a ciclável. Ponto negativo portanto.

Para lhe dar continuidade, a nova via ciclável segue pelo asfalto ao longo da Rua de Teodoro de Sousa Maldonado. Mesmo sendo bem mais estreita que a ciclovia da Prelada, o facto de retirar espaço ao estacionamento automóvel é um ponto positivo. Pintada a pista no pavimento, o acesso aos carros foi vedada recorrendo aos conhecidos pilaretes reflectores, bem como à sinalização vertical e horizontal.

Ao chegar à intercepção da Travessa da Prelada, a via ciclável perde a sua protecção e é desviada para a via oposta, atravessando a rua paralela à passadeira. Seguindo agora pela Rua do Lugarinho, o pavimento encontra-se borrado com sharrows de bicicletas, indicando o caminho aos eventuais ciclistas. Foram também pintados a amarelo traços contínuos e sinalização bem explícitos que ali é proibido estacionar!!!

Os sharrows no pavimento continuam até ao cruzamento com a Rua de Fernando Cabral. Neste arruamento recente também foi retirado o estacionamento automóvel e desenhada uma via ciclável semelhante à anterior, uma via de duas faixas resguardada com pilaretes. Ponto positivo portanto.

Para este novo arruamento chegar à Rua de Pedro Hispano foi demolida a moradia ali existente. No cruzamento com a Pedro Hispano, a via ciclável ainda continua uns metros, supondo que interrompa ali o seu curso aguardando que a ciclocoisa desça a Rua da Constituição!!!

 

fonte CMP

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o município de Torre de Moncorvo tem pedalada

Foi preciso pedalar até ao concelho de Torre de Moncorvo para ver este sinal. Aproveito para deixar algumas considerações a respeito de uma regra que muito condutor desconhece: respeitar o limite mínimo de 1,5 metros de distância lateral ao ultrapassar o ciclista. Infelizmente, ainda é raro o dia em que eu não sofra aquela tangente desnecessária.

Que eu saiba, Torre de Moncorvo é o único concelho no país com sinalização para a segurança dos ciclistas. Abrangendo todo o concelho, no total são cerca de 70 sinais que estão espalhados pelas estradas municipais e caminhos agrícolas, alertando os condutores para a existência de ciclistas e indicando a distância recomendada à sua passagem, conforme diz a lei.

Desde 2006, a Câmara Municipal de Torre de Moncorvo (CMTM) tem reconvertido em Ecopista alguns dos troços da antiga Linha do Sabor,  que outrora permitia a ligação ferroviária entre o Pocinho e Duas Igrejas (nunca chegou a Miranda do Douro) . Desta forma tem vindo a dar nova utilidade a uma fundamental via de circulação de pessoas e mercadorias desactivada nos anos 80, e “promover a prática de actividade física junto dos munícipes e nossos visitantes”.

“Pela primeira vez um concelho tem sinalética para o cicloturismo. Os sinais estão em todo o concelho com o objectivo de dar mais segurança aos praticantes de uma modalidade que a autarquia patrocina no âmbito do programa Município Activo”, referiu em 2016, Nuno Gonçalves, presidente da CM de Torre de Moncorvo.

Numa óptica mais alargada e de captação de visitantes em bicicleta, foi terminada este ano a ligação desde ao Pocinho, estação onde ainda terminam a marcha os comboios de passageiros da Linha do Douro, até ao centro desta vila transmontana. Com a reconversão de mais 11 quilómetros dedicados exclusivamente a peões e ciclistas, são já cerca de 32 km de infra-estrutura ciclável que o município de Torre de Moncorvo oferece.

É uma alternativa ao asfalto das estradas municipais. Permite não só vencer 300 metros de cota com inclinações nunca superiores a 2.5%, como acrescenta a mais valia de uma perspectiva diferente da envolvente cénica do Rio Douro, das encostas e socalcos vinícolas, bem como da verdejante Foz do Rio Sabor e do Vale da Vilariça.

Em conjunto, os municípios de Torre de Moncorvo e de Miranda do Douro já reconverteram quase metade dos 105 quilómetros desta que será, um dia quem sabe, a mais longa ecopista do país. Ficam a faltar os troços à passagem dos municípios de Mogadouro e de Freixo de Espada à Cinta, ainda em total abandono e sem data prevista para a sua reconversão. De acordo com fontes oficiais da CM TM, este troço foi incluído no Road Book 2019 da Rede Nacional de Cicloturismo.

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fotocycle [245] Porto Carvoeiro

A estrada não é apenas um caminho, é algo mais do que isso. Por mais vezes que repitamos o mesmo caminho, a mesma estrada, não consideramos fazer “um desviozinho”. E porque a estrada é uma encruzilhada onde convergem e divergem outros caminhos, há outros lugares que desconhecemos e esperam por nós para serem descobertos.

Por uma questão de falta de tempo oportunidade fui adiando o desejo de fazer aquele curto desvio num dos meus caminhos. Ir explorar aquele pedaço de estrada nacional sem saída, como indica o sinal rodoviário. Talvez o facto de saber que depois teria de subir tudo de volta seria um mero pretexto, mas naquela manhã lá decidi e virei à esquerda.

Acompanhado por uma esplêndida paisagem, deslizei suavemente pelas curvas e contracurvas de um asfalto renovado. O sol reflecte-se no espelho de água e, pouco depois, surge um pacato casario. Após o íngreme declive da estrada, agora de em empedrado escorregadio, desci ao nível do rio.

Enquadrada entre o Douro e uma densa floresta, Porto Carvoeiro tem o estatuto de Aldeia de Portugal. Foi uma bela surpresa. Acabei rendido a este recôndito e tranquilo lugar. Em tempos este pequeno cais fluvial foi um importante entreposto comercial, onde ancoravam barcos Rabelos e outras embarcações que carregavam e descarregavam vários tipos de mercadorias, como o vinho do Porto, o sal, madeiras e o carvão.

Após uma breve pausa à borda d’ água para respirar todo aquele sossego, tirar uma fotografia e deglutir um snack, confirmei que dali eu só tinha uma saída. Voltar por onde havia chegado e subir de volta tudo o que havia descido. Confirmei também que quando escolhemos seguir um caminho desconhecido, este pode-nos dar a oportunidade de ver algo novo. Algo extraordinário.

Ok, depois cheguei atrasado para o almoço, mas sei que este meu pequeno desvio de rota valeu bem a pena.

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