fotocycle [245] Porto Carvoeiro

A estrada não é apenas um caminho, é algo mais do que isso. Por mais vezes que repitamos o mesmo caminho, a mesma estrada, não consideramos fazer “um desviozinho”. E porque a estrada é uma encruzilhada onde convergem e divergem outros caminhos, há outros lugares que desconhecemos e esperam por nós para serem descobertos.

Por uma questão de falta de tempo oportunidade fui adiando o desejo de fazer aquele curto desvio num dos meus caminhos. Ir explorar aquele pedaço de estrada nacional sem saída, como indica o sinal rodoviário. Talvez o facto de saber que depois teria de subir tudo de volta seria um mero pretexto, mas naquela manhã lá decidi e virei à esquerda.

Acompanhado por uma esplêndida paisagem, deslizei suavemente pelas curvas e contracurvas de um asfalto renovado. O sol reflecte-se no espelho de água e, pouco depois, surge um pacato casario. Após o íngreme declive da estrada, agora de em empedrado escorregadio, desci ao nível do rio.

Enquadrada entre o Douro e uma densa floresta, Porto Carvoeiro tem o estatuto de Aldeia de Portugal. Foi uma bela surpresa. Acabei rendido a este recôndito e tranquilo lugar. Em tempos este pequeno cais fluvial foi um importante entreposto comercial, onde ancoravam barcos Rabelos e outras embarcações que carregavam e descarregavam vários tipos de mercadorias, como o vinho do Porto, o sal, madeiras e o carvão.

Após uma breve pausa à borda d’ água para respirar todo aquele sossego, tirar uma fotografia e deglutir um snack, confirmei que dali eu só tinha uma saída. Voltar por onde havia chegado e subir de volta tudo o que havia descido. Confirmei também que quando escolhemos seguir um caminho desconhecido, este pode-nos dar a oportunidade de ver algo novo. Algo extraordinário.

Ok, depois cheguei atrasado para o almoço, mas sei que este meu pequeno desvio de rota valeu bem a pena.

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can’t miss [204] 24.sapo.pt/desporto

Em Abril dei a conhecer aqui o objectivo que Pedro Bento se propunha concluir: pedalar os mais de 10 mil quilómetros que separam Almeirim, a sua terra natal, da capital do Nepal, Katmandu, numa pedalada solidária de angariação de fundos para os Bombeiros de Almeirim e para dois jovens nepaleses do projecto “Dreams of Katmandu”.

Cumpre-me agora partilhar também o resultado de tão epopeica viagem. Parabéns Pedro.

Pedalou 10 mil quilómetros até ao Nepal e reuniu 11 mil euros para causas

“O atleta Pedro Bento percorreu, de bicicleta, perto de 10.000 quilómetros entre Almeirim (no distrito de Santarém) e Katmandu (Nepal) em 71 dias, tendo recolhido perto de 11.000 euros que vai entregar a várias causas.

Pedro Bento, que vai narrar a sua aventura sexta-feira (hoje) à noite, no cineteatro de Almeirim, disse à Lusa que ficaram a faltar cerca de 100 quilómetros para a meta que tinha estabelecido, mas o objetivo de reunir 10.000 euros – o lema do projeto era “1 euro por 1 quilómetro” – foi ultrapassado.

O desafio a que se propôs teve inicialmente por objetivo apoiar os Bombeiros Voluntários de Almeirim, em agradecimento por todo o apoio recebido na sequência do acidente grave que sofreu em abril de 2017, e o projeto “Dreams of Katmandu”, do português Pedro Queirós.

Pedro Bento afirmou que o apoio ao projeto de Katmandu (no total de 1.500 euros), destinado inicialmente a garantir bolsas de estudo e alimentação a dois jovens nepaleses, foi alargado à compra de uniforme e livros escolares para um outro jovem de um orfanato local e ao pagamento de uma ida das oito crianças desse orfanato, pela primeira vez, a uma piscina.”

[…]

Podes ler a notícia completa em: 24.sapo.pt/desporto/

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can’t miss [203] santaremnomundo.blogspot.com

Histórias de viagens em bicicleta, aventuras pelos Caminhos de Santiago, visitas guiadas a locais relevantes da Europa. Nada melhor que uma visita ao blogue Santarem no mundo onde o autor partilha os seus momentos de cicloturismo, com abundantes fotografias e vídeos, dando a conhecer interessantes rotas “bêtêtistas” e disponibilizando boas sugestões para os amantes das longas pedaladas. É um excelente guia com excelentes conselhos que pode ajudar a planear rotas e toda a logística necessária para quem está pronto a iniciar mais uma ciclo viagem.

Não tens medo de andar sozinho?

“Sou alvo de muitas perguntas sobre esta matéria. A primeira questão que me colocam é:

– Não tens medo de andar sozinho?
O mundo é muito melhor do que o sensacionalismo criminal das TVs indica. A perceção televisiva é que cada desconhecido é um perigo, em verdade é uma oportunidade de convívio e amizade. Em rigor não tenho tido medo, algumas vezes receio. Planeamento e prevenção são as minhas palavras-chave e solução sobre que situação for.

[…]

– Que ganhas nessas viagens?

Conhecimento histórico e social, prazer do contato com a natureza, aprender novas culturas e línguas, visitar imensos locais históricos, percorrer a beleza da vida… Ah, faço muitas perguntas; talvez seja o cicloviajante mais chato e curioso 🙂 🙂

Afinal, viajar é a única atividade em que se fica mais rico gastando dinheiro!”

Fonte: https://santaremnomundo.blogspot.com/

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por um caminho duraDouro

Quando se está só, sentado no selim de uma bicicleta, não há nada entre o mundo que me rodeia. Não há vidro, não há metal, não há interior climatizado que me contenha a liberdade e o tempo. Apenas o devaneio e o espaço. Apenas o ar que respiro, que me torna vivo. Livre, a ambiência chega natural e envolve-me nas variáveis condições. Nos humores do clima e na ambiguidade da estrada. Os sentidos, esses, são seduzidos a cada curva.

Pedalar pelas nuances do Douro é pura alegria. A estrada empina e desempina. Tão depressa se levanta o rabo do selim como se baixa o queixo e se fincam as mãos, em alta velocidade. A bicicleta tem asas. Com o ímpeto do vento na cara, com o fôlego renovado pela companhia do exuberante vale, ganha-se um momento de emoção em mais uma fotografia, capturando coloridos lembretes da encantadora manhã, do cenário, desprezando o desconforto do selim e o protesto das pernas.

É uma bofetada de estímulos sensoriais que alimentam o espírito e regulam o corpo. É a sensação maravilhosa do vento na pele, das variações do clima. Um furor de aromas que invade as narinas, não apenas o perfume das flores mas dos campos lavrados, do pão a ser cozido e da chuva fresca no asfalto quente. Em movimento se explora tudo, a estrada, uma montanha, uma aldeia. Tudo aquilo, que me chega e uma leve brisa tem para me oferecer. As expressões nos rostos das pessoas. Um ou outro pormenor, que me prende a atenção e me recorde uma canção.

A música que se ouve à passagem, esse coro de risos e vozes, medley sonoro da natureza misturado nos fragores da humanidade. Acordes fortuitos que ficam na cabeça por algum tempo. Os maravilhosos contornos do horizonte, um padrão definido no céu, os pontos altos daquela elevação. Ao ritmo de um cágado, girando os pedais, pingando suor, a escalada não é fácil. Dentes cerrados, ritmo lento. Embrenhado no meu pensamento, envolvido numa espécie de mantra com aquele cenário à minha volta, é sempre um reforço motivacional e energético.

É espantoso o ruído que me ensurdece quando embalo na descida, sentindo as suaves vibrações das rodas no pavimento, dobrando as curvas, pisando algo solto no asfalto. Uma espécie de caos coreografado, acelerado, concentrado. Por vezes o ar é pesado, outras vezes é um quente e frio que me faz arrepiar caminho. Não preciso de ser mais rápido, apenas sentir-me vivo, decidir por onde ir, até onde quero ir e seguir no próprio ritmo.

Não importa quantas vezes eu pedale por ali, pelo Alto Douro Vinhateiro, que nunca serei capaz de compor tudo numa só imagem. Nunca serei capaz de exprimir tudo num só parágrafo. Tudo aquilo alimente a mente e a imaginação. Uma encenação dos deuses em horas de contemplação, num dos mais simples e agradáveis actos que é a alegria de pedalar uma bicicleta.

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can’t miss [202] publico.pt

Mesmo sem previamente ter solicitado autorização ao autor do texto, Abel Coentrão, transcrevo na mesma, na integra, o excelente artigo de opinião publicado na edição do Publico P3 de segunda-feira, 3 de junho passado.

Bicicleta, uma arma para a democracia urbana

Diz o calendário que dia 3 de Junho é Dia Mundial da Bicicleta. Em Portugal, ou nas cidades portuguesas, não é ainda. Vai começando a ser, à medida que alguns autarcas, numa corrida não isenta de opções técnicas erradas, se atiram a cicloviar (desculpa-me o verbo inventado), as ruas que, nas últimas décadas, deixamos que fossem transformadas em estradas. O país está naquela fase em que se estranha, e até entranhar, vamos ter de nos habituar a levar com a ignorância de quem, desconhecendo o código, ainda acha que um ciclista deve baixar do seu veículo para atravessar a pé uma passagem para velocípedes devidamente assinalada. Um acto que pode dar multa pois nenhum peão, que é o que somos, de bicicleta na mão, deveria atravessar ali.

A morte é, para já, eterna, a ignorância pode não ser, se a quisermos combater. E o mesmo acontece à mudança, que só não acontece a quem não se predispuser a ela. Em Setembro do ano passado, nas vésperas do Dia Europeu Sem carros, entregámos, lá em casa, um automóvel para abate, ficamos com outro, e comprámos, para as deslocações que fazíamos sozinhos, e sem os filhos, uma bicicleta. Que poderia ser convencional, mas é eléctrica, para colmatar as debilidades de uma deficiência física que me acompanha desde que nasci.

Portugal está quase a ver publicada a Estratégia Nacional para a Mobilidade Activa 2020-2030, que pressupõe uma inversão de prioridades na forma como nos deslocamos. Diz a nossa estatística doméstica, comum à de muitas casas por essas cidades fora, que deixámos de ter dois carros parados 95% do tempo na estação de metro de onde seguimos, 30 quilómetros em transporte público, para o trabalho. Passamos a ter um, com um uso mais racional, está bom de ver. O utilitário que abatemos conseguia a proeza de estar 100% parado na maior parte dos fins-de-semana. E nunca nos tínhamos questionado sobre isso.

Entretanto, como desejávamos, vendemos uma casa num espaço periurbano, onde essa dependência do automóvel me incomodava o espírito de poluidor em remissão e, principalmente, um ombro direito, sobrecarregado, na condução, pela debilidade do esquerdo. E como, com um ombro a latejar, escrever se torna tarefa impossível, preservar o instrumento do meu trabalho enquanto jornalista parecia-nos razão suficiente para deixar para trás uma casa de sonho. Sem deixar de sonhar.

Há um mês deixámos assim uma casa com áreas generosas e cheia de boas memórias, e fomos para um apartamento, grande, mas muito menos espaçoso, claro, quase no centro da cidade ao lado. A cadela estranhou, todos estranhamos, mas, por motivos vários, já conseguimos entranhar a mudança. E um desses motivos é a mobilidade. Se antes estávamos a 3,5 quilómetros do comboio, agora vemo-lo da varanda, e quase dá para gritar que esperem por nós, se nos atrasarmos. E se a pé tínhamos só um mini-mercado, agora, num raio de cinco minutos, temos todas as opções, em modo comércio local.

Mas a melhor surpresa antecipámo-la no primeiro dia, em que, enquanto nos entretínhamos a carregar caixas e caixas, na rua funcionários da autarquia pintavam símbolos de bicicletas na faixa de rodagem, junto à berma.

Estranhámos o presente, sabendo que não tinha anunciado, ao município da Póvoa de Varzim – cujo presidente vai de bicicleta para o local de trabalho – que íamos mudar-nos para ali. Uma das minhas vizinhas, que gere uma loja no prédio, estranhou também, e, num interessante debate entre quase desconhecidos, aceitou ser convencida do erro em que enformava o seu raciocínio. A vizinha reclamava que os seus clientes já não teriam um sítio para estacionar. E eu, que atravessara de carro aquela rua algumas vezes, perguntei-lhe se ela alguma vez tinha reflectido no facto de essa fila de carros ali parada, tapando, agora, as bicicletas desenhadas no chão, obrigar os automobilistas a descer a rua em contramão, em clara infracção.

Desenhar bicicletas no piso de uma estrada onde não há uma via dedicada para ciclistas parece um desperdício de recursos. E será, no dia em que todos percebermos que uma bicicleta, ou velocípede, no jargão do Código da Estrada, é um veículo com praticamente os mesmos direitos e deveres dos restantes. Nesse dia, as bicicletas pintadas na faixa de rodagem das ruas das nossas cidades servirão, quando muito, para lembrar àqueles que julgam que, sendo de todos, a estrada é basicamente sua, que há mais quem precise daquele espaço; e que o Estado não tem de investir na criação de um número infinito de lugares de estacionamento.

As mesmas pessoas que reclamam por um sítio para estacionar o segundo ou terceiro carro que já não cabe na garagem, ou que compram um único automóvel mas esperam que a câmara – nós todos – assuma o preço do espaço para o estacionar na rua são, não raras vezes, as mesmas que reclamam pela introdução dos limites de 30 km/h. São, não raras vezes, as que se queixam das passadeiras elevadas que lhes “estragam” as suspensões. São, no fundo, as que acham que a cidade deve fazer tudo para facilitar a sua existência enquanto automobilistas, esquecendo o quanto estas medidas impactam, positivamente, na nossa vida, a deles incluída, sempre que assumimos o papel de peões e de ciclistas.

Depois de uma época em que se estreitaram passeios e até derrubaram árvores para arranjar mais espaço para carros parados ou em andamento, em nome de uma certa ideia de fluidez, muitos dos nossos autarcas, mesmo os que raramente andam a pé ou de bicicleta, já perceberam que poderão não perder muitos votos – e até ganhar alguns de onde não esperavam – se responderem positivamente àqueles para quem se tornou urgente uma outra revolução: as nossas estradas têm de voltar a ser ruas – com ou sem carros – mas acima de tudo espaços onde seja seguro circular em modos activos, ou suaves como também se diz.

Esta é uma questão de saúde pública, de ambiente, mas também de sociabilidade e democracia. O espaço público não pode ser um quase-exclusivo de quem tem o dinheiro ou o crédito, ou a idade para ter um automóvel. E para respirar ar puro não deve ser necessário andar quilómetros até ao parque urbano mais próximo. Qualquer sociedade poderia impor esta agenda andando mais a pé – ou protestando pelo direito a fazê-lo em segurança­ – mas a bicicleta tem uma vantagem óbvia. Ao disputar directamente espaço ao carro particular, ela é uma arma com um potencial enorme para tornar evidente a ditadura do automóvel em que (ainda) vivemos, com as consequências nefastas em termos de sinistralidade rodoviária que bem conhecemos.

Essa ditadura está bem patente quando um automobilista, com a arrogância insuflada pela ignorância, mostra, de viva voz, que pára por favor na estrada para um ciclista atravessar onde a lei diz que o deve fazer sem sair do seu veículo. Enquanto houver gente a comportar-se assim, olhando de cima para quem lhe vem roubar um privilégio, a bicicleta tem que ser celebrada, como coisa estranha que ainda é. Porque temos o direito a sonhar por um país em que a democracia chegue também ao espaço público.

(fonte: www.publico.pt)

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reciclando [44] liberta a bicicleta

a UCAL, que foi da minha mãe e que me ajudou a aprender

Para começar pega nela, qualquer uma, mesmo aquela bicla velha de pneus vazios e corrente enferrujada que tens há muito abandonada. Enche-lhe os pneus, unta-lhe a corrente, monta-a delicadamente e impulsiona os pedais. Dizes que vais ficar com as pernas e o rabo doridos! É bem provável, mas o meu palpite é que ela te vai fazer sorrir, recordar velhos tempos, evocar a criança que explorava o mundo e arredores em aventuras com os amigos. Dá-lhe um par de semanas sentado no selim e verás como o teu corpo se volta adaptar a ela. Redescobres a sua simplicidade, a geometria, o peso, os travões, o equilíbrio. Uma estrutura simples, com duas rodas e um par de pedais que movidos pelo fogo dos músculos te dão uma sensação de liberdade. Há algo organicamente gratificante sobre o acto de usar a própria força e provocar movimento, velocidade, inclinação, vibrações e vento no rosto. Há a mudança de cenário, o poder ver, sentir e cheirar. Gozar do que a liberdade traz consigo, uma sensação de autonomia, um senso de proeza. E a bicicleta oferece-te tempo. Tempo para alcançar, para conhecer, para acompanhar ou ficar sozinho. Um simples passeio de bicicleta é muitas vezes um momento em que podemos gerar ideias, procurar uma melhor maneira de fazer as coisas, sonhar novas abordagens para a felicidade. As minhas bicicletas são um refúgio, o meu compromisso para uma vida melhor. É a antítese entre ficar enclausurado numa cápsula de anonimato ou, de um modo peculiar, manifestar os meus sentimentos ao mundo…

a Cosmos, que me fez voltar a ganhar e a viver

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o vintage

Sábado passado foi dia de repetir a clássica ao Santuário de Fátima. Desta vez, e ao contrário do nosso feito, feito ano passado na companhia do Rui, do Couto e do Jacinto, reservamos a noite para o ripanço e cânticos góticos roncos no abrigo de um hotel, encetando no dia seguinte o regresso a casa com saída marcada para depois do reforço do pequeno almoço.

Este ano o grupeto foi alargado para oito, sendo que três dos nossos amigos de route, estes mais habituados às lides do bêtêtismo, não só fariam a mítica clássica pela primeira vez como completariam, também pela primeira vez, um esticanço de mais de duzentos quilómetros pedalados numa só etapa. Umas longas oito horas de rabo alapado no selim.

Entre estes dois momentos medeiam dez bons aninhos e muita quilometragem nas pernas.

Desde as três primeiras participações na clássica, do Porto a Fátima, a bordo da fiel e grotesca bicicleta de montanha, verdadeiro tractor com as devidas proporções e adaptações, de seu nome Etielbina, este ano e pela primeira vez coube à vintage Tripas Inbicla a sorte de me fazer transportar.

Dos vários modelos com pedais, do grupeto sobressaía uma Orbea, a tradicional bêtêtê rodinha 26” com o respectivo ciclista, imberbe nisto das longas distâncias, a rezar a todos os santinhos para que os quilómetros passassem e depressa – nós, lá lhe íamos prometendo que as subidas acabariam já ali… Isso fez-me recordar as agruras vividas para acompanhar o ritmo das rodas finas, bem mais condizentes com a velocidade no asfalto, e o derradeiro suplício que foi é alcançar o climax da serra com a meta à vista.

O nosso amigo Fugas está de parabéns pelo esforço e tenacidade empenhado em chegar à meta.  Inclusive, já fez saber à malta que ficou cliente destas aventuras das longas distâncias, e pretende agora ampliar o seu harém, desta vez com uma leve menina de estrada. Ora, isso é para mim uma espécie de déjà vu. É que um gajo não tem descanso! Volta e meia, lá vem uma recaída deste síndrome que se nos apega, o N+1!

E para remate, numa espécie de postal reciclado, aqui fica a ligação para o relambório por mim relatado vai pra dez anos, à altura da terceira participação na mítica clássica Porto-Fátima (isto não é peregrinação, é uma tradição), ainda na vertente “já a formiga tem catarro”.

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fotocycle [244] grupeto do rebuçado

A visão que temos do mundo depende do meio de transporte que escolhemos e da velocidade a que nos deslocamos. Aproveitamos cada momento.

(fotografia: Armindo Gonçalves)

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can’t miss [201] lisbonlovers.com

Crónicas de uma ciclista holandesa em Lisboa

[…]

“Já não tenho carro nem passe de transportes. Só duas pernas e uma bicicleta. De bicicleta sou mais rápida que os transportes nalguns percursos. Mas para mim, a maior vantagem é o sorriso na cara que a Almirante Reis sobre duas rodas me causa diariamente. Adoro Lisboa e a bicicleta é uma forma de viver a cidade mais intensamente. Na sequência desta introdução, em breve partilharei algumas das minhas experiências boas e menos boas enquanto ciclista na Capital.”

Por Bo Irik

Podes ler toda a crónica em: http://lisbonlovers.com

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“phone off”

A operação “Phone Off” da PSP estará na estrada até 12 de maio e visa fiscalizar o uso indevido do telemóvel durante a condução.

O uso de telemóveis fora das condições regulamentares durante a condução tem originado bastantes sinistros. A operação tem por objectivo diminuir os elevados níveis de sinistralidade rodoviária e para isso irá promover a “adopção de comportamentos seguros por parte dos condutores e a segurança rodoviária de todos os utentes da via”. A fiscalização visa “prevenir e dissuadir os comportamentos de risco que, de forma decisiva, contribuem para a ocorrência de acidentes rodoviários”.

Com excepção dos aparelhos dotados de um único auricular ou de microfone com sistema de alta voz, o Código da Estrada proíbe a utilização e manuseamento de telemóveis durante a condução/marcha dos veículos atendendo a que estudos demonstram os seus efeitos nocivos, comprovando que o uso de ferramentas digitais ao volante aumenta drasticamente o risco de acidentes rodoviários. Esta contra-ordenação é punida com uma coima de 120 a 600 euros à qual poderá corresponder uma sanção acessória de inibição de condução de 1 mês a 1 ano.

De acordo com um estudo de 2015, usar o telemóvel enquanto se conduz multiplica o risco de acidente por 23, e 31% dos portugueses admitem enviar e ler SMS enquanto conduzem. Os estudos confirmam que é difícil para os condutores levarem a cabo as tarefas básicas e essenciais a uma condução segura, se estiverem a realizar uma outra tarefa secundária.

“#ParkYourPhone targets road users that are using smartphones in traffic. Drivers, pedestrians and cyclists are all putting themselves at risk. To combat this alarming trend, FIA Region I, the Royal Automobile Club Belgium and Touring Club Belgium are encouraging all road users to stay focussed on the road. The campaign will raise more awareness about distraction and show dangers of being distracted. In addition to the European launch in Brussels, FIA members in over 20 European countries will be launching the initiative this autumn. Join Pharrell Williams, European Commissioner for Transport Violeta Bulc, FIA President and the UN Secretary-General’s Special Envoy for Road Safety.”

Evidentemente, nas minhas rotinas a pedal, não ando a fiscalizar os automobilistas como faz a polícia, mas, infelizmente, não há um dia que eu não “apanhe” vários condutores ao telemóvel. Não tantos com o aparelho encostado ao ouvido mas muito mais com os olhos nas redes sociais.

O problema real é bem maior. Agora são as selfies ao volante. Aproveitar o semáforo vermelho para consultar as redes sociais e coisas do género. Conduzir fica para segundo plano. A cada dia que passa são mais as pessoas que conduzem de cabeça descaída. E podem ter a certeza que não estão deprimidos ao volante nas “secas” dos engarrafamentos. Simplesmente, estão a olhar para os joelhos porque estão a conduzir com o telemóvel na mão.

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