reciclando [20] insegurança rodoviária

Não é só por ser pai de filho ciclista que bato na mesma tecla. É como cidadão, que diariamente se move a pedais, que não pode ficar indiferente à contínua onda de atropelamentos de pessoas que circulam de bicicleta na estrada. Todas as mortes que têm acontecido nas estradas, desafortunadamente são demasiadas, deixam-me triste e apreensivo.

Embora as regras de trânsito tenham sido (pouco) reformuladas na protecção dos utilizadores vulneráveis da estrada, é um pressuposto falso se repetir que o automobilista deve ter a supremacia na via pública porque o veículo que conduz é mais rápido. Não é o tipo de veículo que regula a ordem nas estradas. As leis de trânsito deverão ser ponderadas para controlar um determinado tipo de veículo, para criar ordem e cooperação entre os diferentes utilizadores da estrada. A maioria dos acidentes rodoviários é causada pelo desrespeito constante das regras de trânsito, negligência e desatenção dos automobilistas. Independentemente do tipo de veículo, o desrespeito individual nas estradas tem correspondência na maior probabilidade de ocorrerem acidentes, o que responsabiliza também todos os que partilham as estradas, como os peões e os ciclistas.

Com o aumento das bicicletas nas estradas, temos de intensificar a discussão, no bom sentido, de como as leis de trânsito deverão ser cumpridas. Mas a quantidade de bicicletas a circular nas estradas não é a questão. A questão essencial do problema é como educar os automobilistas. Os números assombrosos dos acidentes rodoviários, atropelamentos e das vítimas mortais resultantes são assustadores. A revisão de algumas das regras da estrada (CE de Janeiro de 2014) visou proteger os utentes mais vulneráveis. O CE deu mais direitos aos ciclistas mas veio também responsabilizar mais o utilizador da bicicleta, na sua conduta e no respeito das regras. Ao estabelecer a regulamentação do cumprimento do 1,5m de espaço nas ultrapassagens aos ciclistas, por exemplo. No entanto continua a exigir aos automobilistas que cumpram os limites de velocidade, e que estejam atentos e cuidadosos na partilha da estrada com os restantes utilizadores da via., sobre quem deveria ter afinal a prioridade na mobilidade. O meio de transporte limpo, não poluente e seguro, que se sobreponha à continua prevalência da cultura do automóvel. Precisamos de bicicletas por todas as razões e pelo valor que elas trazem. Promover e incentivar a bicicleta como modo de transporte. Planear a cidade ao transporte suave.

Como ciclista, um dos meus objetivos ao pedalar é também demonstrar que a bicicleta é um dos modos mais eficazes e alternativos aos veículos a motor. Utilizar este meio fantástico de divulgação para promover a segurança e a cooperação entre os carros e as bicicletas. Devemos ter a noção de que a cooperação é necessária, e eu acredito que é possível. A partilha, segura e eficaz da estrada é muito mais provável de acontecer quando ambos seguem as mesmas regras da estrada. Não é suposto tentarem nos convencer serem os ciclistas o foco do perigo. Ouço e leio comentários que alguns dos ciclistas têm comportamentos incumpridores das regras. O que acontece muitas vezes é que esses ciclistas estão apenas a tentar salvar o coiro. Todos somos testemunhas diárias que alguns automobilistas são impacientes, agressivos e com pouca consideração para qualquer tipo que vá à sua frente e o abrande, o aborreça! Alguns, tendenciosos contra os ciclistas, são encorajados a acreditar que as bicicletas pertencem a uma terceira categoria nas ruas. Gabam-se com um sinistro orgulho que desrespeitam deliberadamente as regras e incentivam um comportamento irresponsável, infringindo a lei. Para eles as bicicletas são intrusas e não deveriam estar ali, a partilhar a rua. Se houvesse mais respeito, ao peão, ao ciclista e ao Código de Estrada, estou convencido que não haveriam estes acidentes.

Por mais que alguns de nós gostariam de definir as bicicletas como diferentes, com o direito a consideração especial, devemos focar a nossa intenção em que todos temos de partilhar o mesmo caminho. Devemos nos esforçar em ter um sistema unificado de utilização em estrada. Caso contrário, teremos tristezas onde habitualmente desfrutamos de alegria. Para efectuar a mudança, os ciclistas devem estar mais atentos, mais responsáveis e mais exigentes. Esta pode ser a única maneira de modificar a forma como nos vêm.

Publicado em 1 carro a menos | Etiquetas , , , , , , , , , | Publicar um comentário

duas rodas, dois artigos

Dois artigos com a etiqueta “can’t miss”,  de leitura imperdível, que nos dão curiosas prespectivas das bicicletas, essas vellhas p…

As bicicletas, essas putas

Andar nas ruas de Amesterdão é um pouco como ser perseguido pela máfia, agentes da judiciária e espiões soviéticos durante a Guerra Fria, todos ao mesmo tempo. Na realidade, o sentimento de estarmos num filme de espiões é tão autêntico que só falta a mala com os códigos de um qualquer míssil nuclear. A desconfiança é constante, olhamos para trás e para os lados com incerteza, e todos nos querem matar. E é mesmo verdade. As estimadas 800 mil bicicletas existentes na cidade não param por ninguém. Nem querem saber. Vêm lançadas com a autoridade de quem “manda nesta merda toda sou eu” e acabou. Não há conversa ou discussão possível.”…

Lê o artigo completo em: http://visao.sapo.pt/nos-la-fora/2016-08-23-As-bicicletas-essas-putas

A velha bicicleta

O escritor italiano, Giovani Guareschi, conhecido pelas histórias de uma pequena aldeia, onde vivia Padre Camillo, católico fervoroso e teimoso, sempre as turras com o alcaide comunista Dom Peppone, traz uma singular descrição do veículo de transporte mais utilizado no início do século passado: a bicicleta.

Em Bassa, o pequeno vilarejo, todos, sem exceção, dos oitenta aos cinco anos de idade, andavam de bicicleta.”…

Lê o artigo completo em: https://correiodolitoral.com/14637/colunas/colunistas/correio-de-itapoa/a-velha-bicicleta

Publicado em can't miss it | Etiquetas , , , , , , , | Publicar um comentário

can’t miss [157] carretofixo.blogs.sapo.pt

O hábito da bicicleta

http://carretofixo.blogs.sapo.pt/invade-43303

à falta de foto, esta veio do mesmo sítio: http://carretofixo.blogs.sapo.pt/invade-43303

“Nós somos seres de hábitos. Nós somos comodistas. Nós temos uma certa aversão à mudança. Nós somos preconceituosos. Não há volta a dar.
Quando olho para trás e vejo a resistência que fiz para largar o automóvel e implementar a bicicleta nas minhas rotinas e respetivas deslocações diárias, nem quero acreditar! Algo que hoje faço com a maior das naturalidades, ao ponto de já não me ver fazê-lo de outra forma.
Comecei. Debati-me com supostas adversidades. Desisti. Esqueci. Voltei, mesmo que motivado por circunstâncias exteriores. Repeti. Adaptei. Adaptei-me. Continuei. A bicicleta faz parte da minha rotina. Hábito implementado.”…

E como este blogue é também uma “blogcicleta” de hábitos, partilho aqui mais um interessante espaço e o respectivo link (http://carretofixo.blogs.sapo.pt/o-habito-da-bicicleta-55483) para continuares a ler o  testemunho do Carreto Fixo.

Publicado em can't miss it | Etiquetas , , , , , , , | Publicar um comentário

can’t miss [156] infinitomaisum.com

O Dia em que Aprendi a Andar de Bicicleta

blog-blogger andar bicicleta aprendi relato love story amor historia lisboa parque nacoes

“Se alguém me dissesse que, aos vinte e três anos, ia aprender a andar de bicicleta eu ia-me rir muito. Porquê? Porque pensaria que nesta altura do campeonato já não haveria nada a fazer e que se não aprendi com dez anos não ia ser agora que ia acontecer. Enganei-me.

A verdade é que eu, Ana Garcês, aprendi a andar de bicicleta graças ao Mário, que tinha feito a promessa de me ensinar mal soube da minha condição de não me conseguir aguentar em veículos a pedal com duas rodas. E é essa a história que vos venho contar hoje.”…

Continuar a ler

Publicado em can't miss it | Etiquetas , , , , , , , , , | Publicar um comentário

fotocycle [191] um nevoeiro estranho

está um nevoeiro estranhoEstou aqui de frente ao oceano mas o cenário é estranho. O som anódino das gaivotas, um céu que não é azul, a maresia misturada com um odor defumafo. É tristeza o que se sente nessas ocasiões. Como num fugaz se tornam em cinzas a Natureza, a floresta, lugares tão emblemáticos como a Serra da Freita e a ilha da Madeira. Deixa um sentimento de impotência. Incêndios ateados cruelmente por criminosas intenções, chamas que há dias devastam bens e consomem vidas. Deixam um rasto de destruição. O tempo  e o vento amplificam a desgraça e cobrem a cidade com um manto escuro. O sol está envergonhado, o  ar está pesado. É dificil respirar, mais difícil é entender…

Publicado em fotocycle | Etiquetas , , | 1 Comentário

can’t miss [155] thecityfixbrasil.com

(Para reflexão de todos e acordar os gestores públicos cá da praça)

Fazer da bicicleta uma realidade exige mais do que construir ciclovias

By Paula Tanscheit in thecityfixbrasil.com

thecityfixbrasil.com

“Parte da infância de muitas pessoas, as primeiras pedaladas em uma bicicleta geralmente remetem a memórias positivas. No entanto, aos poucos as magrelas vão ficando sem uso e sendo substituídas por outros meios de entretenimento e de transporte. A questão é que o estabelecimento de uma mobilidade sustentável de centenas de cidades pode, num futuro bem próximo, depender delas. Fazer elas voltarem às ruas só precisa de um pouco de incentivo.

A experiência em muitas cidades sugere que oferecer instalações especiais para o trânsito de bicicletas é apenas uma parte – ainda que de grande importância – do processo de estimular cada vez mais pessoas a pedalar. Políticas mais amplas, que incluem mudanças no desenho urbano das vias, áreas sem carro, regiões de baixa velocidade, todas essas são atitudes vitais para que a população se sinta segura a trocar o transporte particular pela bicicleta. Porém, aproximar a própria bicicleta das pessoas também é necessário. Para isso, cidades podem valer-se das mais diversas iniciativas, desde fechar ruas para o uso da bicicleta aos domingos ou organizar workshops para quem quer começar a pedalar, até a promoção de megaeventos.”

(continua ler este excelente artigo em thecityfixbrasil.com)

Publicado em can't miss it | Etiquetas , , , , , , , , | Publicar um comentário

sinais de fumo, sinais de alerta

o filtro fumarento

O sol poente de ontem estava deslumbrante, mas a beleza do momento não representa a realidade que quero realçar. O céu está quente, ardente, turvado pela fumaça que cobre a cidade e filtra o sol.

Antes de mais, aos nossos heróis, bravos soldados da paz, muita força e coragem.

O Grande Porto está em brasa e as altas temperaturas combinadas com o vento forte e seco fazem com que chamas imparáveis destruam a floresta e tudo o que apanham pelo caminho. A mão criminosa aliada à falta de limpeza das matas, continua a ser a maior causa do flagelo dos incêndios. Ainda há dias, quando pedalava pelo Monte de Santa Justa, fiquei chocado com a quantidade de pneus velhos, lixo e entulho criminosamente espalhado pela mata. Todos nós sabemos que a floresta só com o calor não arde e que muitos destes incêndios não são obra do acaso. O fogo posto e a falta de limpeza das matas deve ter mão pesada da justiça.

Publicado em ambiente | Etiquetas , , , , , , , , , , | 2 Comentários

fotocycle [190] el rei vai de bike

Surpreendentemente, ou não, o dia acordou envolto pela neblina. Um manto cobre as copas das árvores, dilui o firmamento da cidade e tolda-me o horizonte. Gosto deste mistério das manhãs de nevoeiro, deste místico despertar tripeiro, da bruma fresca e parda melancolia que me transporta… até o regresso do tão desejado sol! E eu aproveito cada momento.

el rei vai de bike

Publicado em fotocycle | Etiquetas , , , , , , , , , , , | Publicar um comentário

amor é, chegares a “casa” e ouvires a frase: “Que é!? Vais já para a banheira.

“-Vais pedalar? -Vou… -Vai com cuidado.” Este é o diálogo rotineiro a cada minha saída matinal de licra vestido e capacete na tola. Não imaginava ela para onde eu ia pedalar esta manhã de Sábado, só havia avisado que não me esperasse para o almoço.

Serra #20

Não é todos os dias que tenho a possibilidade de marcar o rodado dos pneus em trilhos de todo-o-terreno. Sem viatura própria, isto é, sem uma bicla de bêtêtê decente, moderna e funcional guardada na arrecadação, para aceitar o convite do Rui tive de recorrer ao empréstimo da sua Rockabilly, assim a baptizei. Ponto de encontro na Ribeira com o Luís e o Tozé, aka W. Wolf, amigos com quem fizemos a recente bicigrinação a Compostela. Também alinharam no desafio o Domingos, o Sérgio e o filho do Luís, num excelente convivo por montes, vales e rios. Um magnífico passeio pelo nosso quintal serrano, comendo pó e bebendo camaradagem.

Depois de uma semana de intenso calor, estranhamente a manhã estava fresquinha e carregada de nuvens, mas estávamos optimistas. Cumprimos nas calmas o percurso alcatroado até às portas de Valongo, para então começarmos a desbravar a Serra e acumularmos bons momentos. Orientados pelo lobo mau, o tal das “subidas lizinhas, sem dificuldade nenhuma”, galgamos trilhos agrestes de pedra solta, ao ponto alto da paisagem se abrir à nossa frente, e depois descer vertiginosamente num downhill alucinante e poeirento. Eu era sempre o último a chegar aos cursos de água.

A luz enevoada dos densos arvoredos, a orografia dos trilhos do Paleozóico tornava a coisa quase mística, mas só até ao reencontro com o asfalto. Justamente na íngreme ascensão empedrada do Monte de Santa Justa, aos poucos fomos chegando ao cume para a foto de grupo na escadaria da capela.

É tão agradável a sensação de pedalar no meio do monte, na paz e sossego da floresta, nos misturarmos com a natureza para voltarmos de novo à civilização e, demorado algum tempo, percebemos que não sabemos bem onde estamos! E quando dei por ela já estávamos no alto da Senhora do Salto! Então descemos para finalmente relaxarmos ao sabor da célebre febra no pão, com todos os extras a que tínhamos direito.

Serra #12

Pouco interessado nas mudanças de humor do clima, ao rever aquele “pequeno Canyon”, as escarpas de rara beleza sobre o Sousa, recordei momentos de infância quando os meus pais nos levavam a visitar a capela, merendar e refrescar nas límpidas águas do rio. Gostei de lá ter voltado mas estava triste com o panorama. Aquele mastodonte de cimento, obra do chamado “desenvolvimento”, que paira incongruente sobre um inestimável património natural é demasiado chocante. Os crimes ambientais são facilmente perceptíveis, a poluição do rio e a chamuscada mancha florestal que recentemente foi consumida por mais um incêndio no mínimo duvidoso.

Reparado o estranho furo detectado na minha montada, rápido embalamos pelas margens do rio até reencontrar a estrada e, numa cota bem mais elevada, voltar a sair dela para de novo britar pedra, subir e descer, recarregar os níveis de adrenalina deixando um opaco rasto de pó. O reino da fantasia foi por momentos interrompido pelo roncar do motocross, para logo voltarmos ao silêncio e ao suave zumbido das correntes e dos estalinhos das transmissões das bicicletas… ah, e o rock & roll saído da coluna de som da bicla do Domingos!

Estranhamente, o comandante lobo desorientou-se, enganou-se no caminho até no meio do mato descobrir um autóctone, espécie de gêpêesse humano da terrinha, que nos recolocou no rumo certo. E o rumo era o regresso à estrada, descer ao Douro e à velha nacional 108, para numa cadenciada… vá lá, cansada pedalada, voltar ao ponto de partida. Rebocando quem atrás vinha e ouvia música, a música do vento que se podia ouvir, chegamos a tempo do lanche. Despedidas feitas, cada qual rumou para sua casa…

… e em “casa” me apresentei, feliz da vida, nesta triste figura!… “-Olá amorzinho!” :)

Serra #23

Publicado em marcas do selim | Etiquetas , , , , , , , , , , , , | 2 Comentários

estamos de Volta, temos equipa

ciclista de chumbo FCP

Como portista e adepto do ciclismo, não poderia deixar de afixar um postal do há muito ansiado regresso do Futebol Clube do Porto à Volta a Portugal em Bicicleta. Hoje dão-se as primeiras pedaladas para a 78ª edição da prova. As camisolas azuis e brancas, associadas à W52, voltam a colorir as estradas de norte a sul do país. Da equipa composta por oito ciclistas, sob a direcção desportiva de Nuno Ribeiro, consta o vencedor das mais recentes edições da Volta, Gustavo Veloso, e um grupo de ciclistas experientes e jovens promessas, alguns deles com historial familiar no ciclismo do clube, embaixadores da mística que irão dar tudo para engrandecer o histórico do clube na maior corrida de bicicletas de Portugal, agora com máquinas em carbono.

Ao longo da história da modalidade, alguns dos melhores e mais prestigiados corredores do pelotão português representaram o clube do dragão, destacando-se Emídio Pinto que se tornou um nome incontornável no historial de sucesso azul e branco no ciclismo português. O ciclismo, então praticado em bicicletas de aço e de alumínio, representou um papel importante no crescimento eclético do FêCêPê. O clube deu as primeiras pedaladas na modalidade em 1945 até a suspender em 1984. O FC Porto detem o maior número de títulos de vencedor na mais importante prova velocipédica nacional, doze vezes colectivamente e treze vezes individualmente:

1948 – Fernando Moreira; 1949 e 1950 – António Dias dos Santos; 1952 – Moreira de Sá; 1959 – Carlos Carvalho; 1960 – Sousa Cardoso; 1961 – Mário Silva; 1962 – José Pacheco; 1964 – Joaquim Leão; 1979 – Joaquim Santos; 1981 – Manuel Zeferino; 1982 – Marco Chagas.

Publicado em o ciclo perfeiro | Etiquetas , , , , , , , | Publicar um comentário