“Isto é assim…”

Há uns bons anos, enquanto eu escalava o primeiro prémio de montanha das minhas iniciais pedaladas para o trabalho, já perto do Carvalhido o sonoro dling-dlong e a saudação do Jacinto eram rotineiros: “Bom dia amigo Paulo“. Depois, seguíamos juntos até à Boavista e a conversa ficava em dia. Entretanto deram-lhe a reforma, mas o Jacinto não se aposentou das pedaladas. Só a minha rotineira pedalada matinal é que passou a ser em modo solitário. Ele passou a ter disponibilidade para fazer aquilo que mais gosta, pedalar as suas bicicletas. Os nossos encontros na rua tornaram-se mais ocasionais, mas os longos passeios por essas estradas afora continuaram a bom ritmo. Juntos, nas nossas bicicletas, vivemos muitas e boas peripécias, e este jovem rapaz para lá das setenta primaveras pedala que é um regalo! Para o acompanhar tenho de suar as estopinhas.

O nosso amigo Jacinto é um alento para todos. É com um contagiante sorriso e permanente boa disposição, com muito suor à mistura, que ele consegue superar as adversidades, transformando a sua alegria num exemplo e incentivo para os preguiçosos de plantão. Demonstra a muito boa gente o que é ser jovem. Se não atingir a média superior a mil quilómetros por mês, pedalando os seus três amores, a Branquinha, a Morena ou o Negrão, “faz birra”.

O seu exemplo remete-nos a sentimentos e momentos ligados à infância, a um simples e inestimável prazer, pois o acto de pedalar, de “andar de bicicleta”, não tem idade nem preconceito. Ao contrário do que já lhe disseram variadas vezes, o Jacinto não tem idade para ter juízo.  “Isto é assim…” parece que o estou a ouvir.

Há gajos que entram na nossa vida e ficam para sempre. Vai em paz meu grande amigo…

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diz que “Grande Porto lidera a revolução da bicicleta”

Resumidamente, o artigo do JN via MUBI:

“É essencial que passe a existir da parte dos nossos governantes a vontade e a coragem política em concretizar este potencial, apoiando e estimulando o uso de modos de transporte saudáveis, económicos e ambientalmente sustentáveis em alternativa ao automóvel individual, à semelhança do que acontece em numerosas cidades e regiões do resto da Europa.

«Portugal é o maior fabricante europeu de bicicletas, mas vai na cauda do pelotão no que diz respeito ao uso das duas rodas como meio de transporte. Só 1% dos portugueses pedala diariamente, longe dos 43% no baluarte dos ciclistas, a Holanda.

A diferença também é cultural, mas a mobilidade sustentável releva, sobretudo, do ambiente, da saúde e da economia mais pura e dura. Por cá, um estudo científico das bicicletas esquadrinhou o país de lés a lés e concluiu que o Porto é o município com maior valor bruto ciclável. Matosinhos, Gaia, Trofa e Gondomar também estão no “top ten”.

Descarbonização

O Centro de Investigação do Território, Transportes e Ambiente (CITTA) é um polo de investigação da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Esta frente científica passou os últimos anos a investigar o potencial estratégico da bicicleta para o desenvolvimento dos territórios. E assim nasceu o projeto “Impulsionar a Bicicleta em Cidades Principiantes”.

Resumidamente, o projeto “Boost” – tão graficamente explícito, com um selim, um volante e rodas aplicadas aos ós – é um estudo para a mobilidade sustentável. Gaba os méritos ecológicos que o orientam à partida e que o definem ainda mais à chegada, a pedalar pela descarbonização, pela saúde e pela economia em circuitos curtos.

Fatura ambiental

Todos os municípios do país foram avaliados e mais de uma dezena deles, exatamente 21 – 20 do Continente e um da Madeira, Machico – foram pilotados para estimativa dos impactes ambientais, energéticos e económicos da bicicleta. Sabia que 123273 portuenses gastam diariamente 159464 euros em combustíveis para deslocação (ida e volta) ao trabalho ou à escola? E que se os ciclistas, em vez dos agora estimados 2,24% (2761) fossem 51% (62869) esses mesmos custos baixariam para 96329 euros (economia anual de 8,415 milhões de euros)?

Estes e outros números, achados na ponderação do valor económico da bicicleta são amplamente demonstrados no estudo do CITTA e podem ser encontrados em “boost.up.pt”, onde também se avaliam faturas ambientais (emissões de carbono, qualidade do ar) e impactes para a saúde, também associados ao exercício físico nas deslocações quotidianas, para o trabalho ou para a escola.

Também determinada na conjugação de vários indicadores – a geografia, a densidade populacional, a taxa de motorização, a proximidade de centralidades… -, esta cadeia de valor há de igualmente entroncar em estimativas menos tangíveis. Exemplo: Portugal não só é autossuficiente como é o maior fabricante europeu de bicicletas, pelo que a rendição do carro pelas duas rodas tem ainda mais alcance socioeconómico. E ainda mais se se verificar que 98% dos carros comprados em Portugal são importados.

“O debate é por um território mais humanizado, que ofereça às pessoas, numa escala mais pequena, aquilo que as pessoas precisam, para podermos reduzir as grandes deslocações, das grandes distâncias, e dessa forma reduzir a utilização e a dependência do automóvel”, afirma Cecília Silva, coordenadora do projeto do CITTA.

Meios suaves

“Neste momento – conclui a investigadora da FEUP -, a questão da mobilidade por meios mais suaves tornou-se incontornável, não tanto pela mobilidade em si, mas pelas preocupações internacionais cada vez mais fortes relativamente à descarbonização e à necessidade de atenuarmos as alterações climáticas ou, pelo menos, mantê-las sob controlo. A questão da sustentabilidade entrou na agenda política e com ela a mobilidade sustentável, porque é uma área que tem impacto significativo na vida das pessoas”.

Porto: vaga a crescer entre a moda e a emergência

Algures entre a mola que segura a bainha das calças do deputado sueco a pedalar em Estocolmo, a fleuma britânica de Boris Johnson a acelerar pelas ciclovias de Londres ou uma certa tendência hipster, mora também um conceito social da mobilidade sustentável. No Porto, a tendência ganha corpo, mas é bem menos sofisticada.

“Eu não ando por modas. O médico deu-me uma ordem e a bicicleta foi a minha melhor amiga para parar com o álcool e com o tabaco. Deixei de fumar de um dia para o outro e, hoje, ando 40 quilómetros por dia. Faço tudo de bicicleta”, diz António Fonseca, de 57 anos, tripeiro de Massarelos, a pedalar pela marginal e pela Foz.

“Pois, a bicicleta é muito importante para alterar os hábitos de mobilidade e pensar em meios de deslocação mais ecológicos, mas, para isso, é preciso criar condições. E, já agora, um mercado acessível. Hoje em dia, as bicicletas a preços abordáveis, aí até 200 ou 300 euros, estão esgotadas. Só há das mais caras”, diz José Abreu, de Matosinhos.

Já para Paloma Ariston, carioca de 41 anos, a bicicleta junta o agradável à emergência sanitária: “Com a pandemia, quero evitar transportes públicos”, diz a cidadã brasileira, que regista “melhoria nas ciclovias” do Porto.

Na Invicta há 54 quilómetros de pistas para ciclistas. A MUBi – Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta quer mais e melhores condições e tem em curso uma petição pública para sensibilizar a Câmara do Porto a perseguir os esforços pela “mudança de paradigma”.

“O Governo e as câmaras têm de fazer muito mais no combate às alterações climáticas. A bicicleta tem servido em Portugal essencialmente para maquilhar de verde discursos políticos!”, diz a MUBI.

FACTOS E NÚMEROS

Combustíveis

Os portuenses gastam 20,411 milhões por ano em deslocações (ida e volta) para o trabalho (1,29 euros diários per capita). Em Lisboa, a fatura atinge os 52,767 milhões (1,35 euros diários per capita).

Emissões CO2

O estudo do CITTA calcula em 944 mil euros os custos anuais das emissões de C02 dos portuenses em deslocações (ida e volta) para o trabalho. Em Lisboa, a fatura quase triplica: 2,444 milhões de euros.

Copenhaga à frente

A cidade dinamarquesa é a capital europeia com mais utilizadores de bicicleta (35%) nas deslocações para o trabalho. Amesterdão (32%) e Berlim (31%) completam o pódio. Lisboa fica na cauda (2,21%).

Eurovias

Da ponta norte da Escandinávia ao contorno de toda a costa atlântica portuguesa, a EuroVelo1 (11 mil quilómetros) é uma das 17 vias cicláveis abertas na Europa, num total de 70 mil quilómetros. Quando o projeto da Federação Europeia de Ciclistas estiver concluído, a soma dos circuitos transcontinentais ascenderá a 90 mil quilómetros.

DADOS

424 milhões de euros em exportações

Portugal bateu o recorde de exportações de bicicletas em 2020. Mesmo em ano de pandemia, a venda para o estrangeiro rendeu 424 milhões de euros, um acréscimo de 5% face a 2019.

2,7 milhões de bicicletas fabricadas no país

Em 2020, Portugal foi o maior fabricante europeu de bicicletas. Segundo o Eurostat, produziu 2,7 milhões de bicicletas. O setor (uma centena de empresas) cria 1900 empregos diretos e 5900 indiretos.»”

Fontes:

https://mubi.pt/

https://www.jn.pt/local/noticias/porto/porto/grande-porto-lidera-a-revolucao-da-bicicleta-13658624.html

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fotocycle [258] nevão de Primavera

Caso a tarde esteja solarenga e apetecível, e eu exiba certos níveis de stress pós-laboral mais elevados, gosto de alongar o comute pós-laboral até ao Parque de Rio Tinto, descendo tranquilamente o  Parque Oriental do Porto até ao Freixo para, mais à frente em Gramido, me juntar ao grupeto do rebuçado, aturando os amoques dos veteranos amigos, enquanto damos a volta ao Porto no regresso a casa.

No Parque Oriental, ao longo do curso de água do Rio Tinto que corre livremente até ao Douro, encontramos passadiços e estruturas de lazer, subsistem pequenos núcleos habitacionais, terrenos agrícolas cultivados, fauna diversa e bosques de grande valor ecológico, conferindo-lhe uma paisagem e tranquilidade encantadoras.

Ora estamos no auge da primavera, a passarada anda louca, a Natureza retoma o seu esplendor e a evolução biológica leva a que uma variada espécie de árvores disseminem as suas sementes, numa espécie de algodão que se espalha através do vento e imita um nevão, podendo durar durante semanas de acordo com as condições meteorológicas.

Leio que, e ao contrário do que se diz, este “algodão” não provoca alergia, podendo apenas causar incómodo a pessoas com hipersensibilidade cutânea. Deste modo, não é necessário o abate ou poda dos malfadados choupos que não causam problemas de saúde. Pelo contrário, auxiliam na depuração da atmosfera.

Simultaneamente, com a dispersão destas sementes, ocorre uma grande produção e libertação de pólenes de diversas espécies de gramíneas, causadora das tais reações alérgicas que afectam uma crescente parte da população. Estes pólenes não são visíveis e dispersam-se facilmente por largas centenas de metros, sendo a sua dispersão mais eficaz em dias de vento. Caso chova, as concentrações de pólenes baixarão significativamente. Então que chova, que chova bem e só à noite! – Oubistes São Pedro?

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do Oeste à Europa

José Ferreira, de 21 anos, natural de Gaeiras, concelho de Óbidos, deu na passada quinta-feira a primeira pedalada numa aventura de bicicleta pela Europa fora, “um desafio e um sonho numa viajem”, onde, durante 4 meses, percorrerá mais de 8000 quilómetros com passagem por 13 países.

Fonte : https://obidosdiario.com/2021/04/14/jovem-de-obidos-aventura-se-de-bicicleta-do-oeste-ate-a-noruega/

[…]

“O jovem considera-se “determinado e aventureiro”, é licenciado em Desporto de Natureza e Turismo Ativo, procura viver a sua vida ao máximo e inspirar outros a fazer o mesmo. Já possui algumas viagens de bicicleta no seu currículo, sendo esta a sua maior viagem até hoje. Garante, que a irá realizar “vencendo todos os obstáculos que lhe surgirem pelo caminho”.

Parte de Caldas da Rainha, pelas 08h00, em direção a Oslo (Noruega) e pretende passar por Espanha, França, Bélgica, Alemanha e Dinamarca. No regresso tenciona visitar a Suíça e a Itália.

José Ferreira diz que “pretende ser um projeto de divulgação da Região Oeste, associado a valores de superação, sustentabilidade, aventura e de união por parte de todas as entidades contribuintes para o avanço de cada um dos dias de viagem”. Esta será feita a 100% de autonomia, sem qualquer tipo de carro de apoio.

Inicialmente tinha decidido viajar sozinho, mas depois da divulgação da viagem no Instagram arranjou companhia para a «proeza». Com ele vão pedalar mais dois aventureiros, de 40 e 50 anos, naturais das Caldas, mas um deles reside em Lisboa.

Recentemente iniciou um trabalho a fazer turnos numa fábrica, mas chegou à conclusão de que “estava a desperdiçar” a sua vida ainda como jovem. Porque considera o emprego fabril como “repetitivo” tomou a decisão de querer “conhecer melhor o mundo”. Recorde-se que antes já tinha criado a empresa Block
Experience, com sede em Óbidos. www.blockexperience.pt

Devido à situação pandémica, viajar era algo praticamente «alcançável». Mas, determinado, conta que “cabe-nos realizar os nossos sonhos” e não estava disposto a deixar escapar esta oportunidade.

Sente-se fisicamente bem preparado. Leva consigo pouca roupa, uma tenda e saco-cama, um equipamento tipo “Campingaz” para cozinhar, cujas refeições vão ser à base de hidratos de carbono” e frutos secos. No entanto, através do Instagram, tem já convites de noruegueses e portugueses que vivem naquele país a oferecerem estadia.

“Acho que vou regressar com uma bagagem cultural muito maior e pretendo aplicar esta experiência na minha empresa, a Block Experience. “Quero oferecer aventuras inéditas às pessoas, mas para fazer isso tenho que viver a experiência primeiro e só assim posso influenciar e inspirar outros a fazer o mesmo, criando roteiros de aventura para grupos”, mencionou.

A viagem:
1ª Etapa – Caldas da Rainha (Portugal) – Pamplona (Espanha)
2ª Etapa – Pamplona (Espanha) – Paris (França)
3ª Etapa – Paris (França) – Bruxelas (Bélgica)
4ª Etapa – Bruxelas (Bélgica) – Hamburgo (Alemanha)
5ª Etapa – Hamburgo (Alemanha) – Oslo (Noruega)
6ª Etapa – Oslo (Noruega) – Copenhaga (Dinamarca)
7ª Etapa – Copenhaga (Dinamarca) – Berlim (Alemanha)
8ª Etapa – Berlim (Alemanha) – Munique (Alemanha)
9ª Etapa – Munique (Alemanha) – Milão (Itália)
10ª Etapa – Milão (Itália) – Barcelona (Espanha)
11ª Etapa – Barcelona (Espanha) – Caldas da Rainha (Portugal)

Os interessados podem acompanhar o dia a dia desta aventura através do link: https://www.blockexperience.pt/do-oeste-a-europa/

Instagram oficial:
https://www.instagram.com/ze_migferreira/

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can’t miss [223] tonowhere.com.br

Ciclismo urbano: a bicicleta como meio de transporte

“Quando pensamos no ciclismo urbano, a imagem que vem à mente é a de cidades como Amsterdão e Copenhaga. Mas o que acontece em Bogotá, Buenos Aires, Santiago, Paris ou Cidade do México? Algumas dessas cidades começam a se autodenominar “capitais mundiais do ciclismo”, afirmação que geralmente coincide com a adoção de políticas públicas e investimentos que privilegiam a mobilidade diária de bicicleta.”

[…]

Podes ler o artigo completo em: https://tonowhere.com.br/ciclismo-urbano-a-bicicleta-como-meio-de-transporte

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aqui, nenhum conselho é válido

Ernest Hemingway escrevia, mais ou menos por estas palavras, que é a pedalar uma bicicleta que melhor se tem a noção dos contornos de um país, já que é preciso suar nas montanhas e largar os travões nas descidas. É deste modo que se adquire uma memória precisa do que se vive, do que se vê e se sente. A melancolia é incompatível com as sensações de pedalar, com a liberdade que amplifica a energia da conquista e a vontade da lentidão. A bicicleta não é só um meio de locomoção, é mais do que nunca um modo de vida, de quem não devora mas saboreia, não consome mas absorve, não olha mas contempla, não acelera mas flui.

Pedalar ajuda a reflectir em plena harmonia com o meio envolvente. A redescobrir as nossas potencialidades e os nossos limites. Como a vida, a bicicleta é o equilíbrio entre múltiplas e contrastantes exigências, em harmonia com o essencial condimento da responsabilidade. Dar um mero passeio pela vizinhança ou ter o privilégio de percorrer longas distâncias em bicicleta, faz com que a relação entre diferentes estados de alma, como a felicidade, o sofrimento, a euforia, a fadiga, nos dê mais saúde e nos inspire o bom humor. Para além de físico, pedalar é um exercício espiritual. A bicicleta como lazer e meio de transporte sugere que quem a utilize seja mais feliz e saudável do que quem escolhe uma qualquer mobilidade motorizada.

A bicicleta é a única corrente que nos torna livres. É a melhor forma de trilhar caminhos inexplorados que nos fazem sentir em unidade com a natureza. É a lentidão que nos permite apreciar o mundo à volta. Na sua simplicidade permite-nos percorrer estradas e visitar lugares de uma maneira segura, num mundo que, apesar de doente, é sempre maravilhoso. Ela é o símbolo do respeito pela natureza e pelo ambiente. É alternativa a ir até onde os automóveis não chegam.

Desejo-a mais do que nunca nestes dias. Este sol primaveril, a temperatura amena e os aromas estimulam não só os sentidos. O desejo de viajar a pedais em tempo de pandemia é ainda mais forte. Preparemo-nos desde já para programar belos passeios, sozinhos ou na responsável companhia de familiares ou amigos.


“A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz”.

Freud


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fotocycle [257] indecisões de um ciclista urbano

😮 Oh pá, tens mesmo a certeza que queres ir por aí? Olha que são só 290 degraus até lá baixo, com ela às costas! 😀

Escadas dos Guindais

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can´t miss [222] imediato.pt

Esmagadora maioria dos portugueses quer mais espaços para outras formas de mobilidade

O objetivo é idealizar formas mais sustentáveis e sem emissão de carbono

“A grande maioria dos portugueses defende a construção de espaços para a utilização de formas de mobilidade além do automóvel, entre as quais a bicicleta. Oito em cada 10 cidadãos gostaria mesmo que a utilização de automóveis diminuísse, principalmente na cidade.

Segundo os dados do Observador Cetelem Automóvel, em Portugal, 92% dos inquiridos são a favor de haver mais espaços adequados para outras formas de mobilidade, a pé, bicicletas, trotinetas, etc., mesmo que isso implique penalizar ou restringir o uso do automóvel.

A posição do automóvel, principalmente na cidade, tem sido contestada e, oito em dez portugueses gostariam que a sua utilização reduzisse. O objetivo é repensar a sua utilização, abrindo caminho a outras formas de mobilidade, de preferência mais sustentáveis e sem emissões de carbono.

“É curiosa a divisão geográfica: de um lado temos os países emergentes e mediterrânicos, e também a China, como os maiores defensores deste conceito; por outro lado, a França, a Alemanha e a Bélgica, os três países onde a ecologia política é mais expressiva, parecem mostrar convicções mais fracas, talvez por se tratar de uma realidade que tem já maior expressão”, lê-se na nota de imprensa enviada pelo Observador Cetelem.

Os resultados do Observador Cetelem Automóvel 2021 também demonstram duas posições distintas em relação às medidas para restringir o tráfego e a poluição dos veículos motorizados, como portagens urbanas, proibição de circulação a determinados veículos, entre outros.”

Fonte: https://www.imediato.pt/mais-espacos-para-mais-formas-de-mobilidade/

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fotocycle [257] esta magnólia tem algo de magnético

a magnólia de CedofeitaAs magnólias anunciam a Primavera e é um espectáculo que convém não perder, mesmo que para a admirar venha a perder um ou dois minutinhos no meu comute matinal.

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quando aqui o cidadão é bem comportado e segue o conselho, não saindo do seu concelho

Na semana passada, durante a minha habitual pedalada dominical, ao chegar à rotunda do Cais de Gaia fui mandado parar e no imediato abordado por dois polícias. Na minha sincera presunção, disse-lhes que estava ali a dar uma volta de bicicleta e, naquele momento, estava de regresso a casa no concelho vizinho do Porto. Os xôres agentes, na sua diligente função fiscalizadora, relembraram-me que, dessa forma e segundo o decreto governamental em vigor sobre a obrigação de confinamento em que a regra fundamental é ficar em casa, eu estava a violar a restrição de circulação entre concelhos.

“O confinamento obrigatório no domicílio prevê deslocações autorizadas para comprar bens e serviços essenciais, desempenho de atividades profissionais e prática de actividade física e desportiva ao ar livre, na zona de residência e de curta duração.”

Ficamos ali à conversa uns bons minutos e deixaram-me desfiar os meus argumentos: “Que a prática do ciclismo, ao ar livre e de forma individual, é para mim, e para muitas pessoas, a solução ideal para manter a saúde física e mental. Observando as boas práticas de higiene e do distanciamento social, o ciclismo é uma actividade desportiva que ajuda a prevenir a propagação do vírus. Pessoalmente dou importância às longas pedaladas, somar algumas dezenas de quilómetros nas pernas é o tipo de exercício que torna a minha vida melhor e ajuda-me a controlar os meus diabretes.”

Evidentemente que a razão estava do lado dos agentes da autoridade. Eles estavam ali para fazer cumprir a Lei, e a Lei é clara: Impera o dever de recolhimento. Toda e qualquer excepção deve ser usada apenas como a excepcão. Dita o bom senso que todos devemos cumprir o dever de confinamento e não abusar das ditas excepções. Na prática, significa que, por exemplo, não são permitidas atividades físicas de longa duração/quilometragem.

O decreto governamental não especifica em quilómetros a distância que podemos percorrer de bicicleta, mas segundo o agente, se estiver a pedalar num local a mais de 20km’s de casa não há justificação possível. Excepto, claro, os ciclistas profissionais!!! “Mas, xôr agente, como ciclista amador e utilizador regular da bicicleta, pois vou e regresso do trabalho nela todos os dias, a bicla é o meu meio de transporte; Como profissional de saúde, maior e vacinado com as duas doses no bucho, compreendo os riscos inerentes; Como diabético que necessita do ciclismo como de pão para a boca, para regular o açúcar no sangue, são os benefícios das longas pedaladas que procuro obter. Se atravesso o rio Douro para pedalar no vizinho concelho de Gaia, é não só por mero prazer mas é sobretudo para poder passar à porta do meu pai e ver se ele está bem”.

“Ok…” fui desculpado do meu delito e liberado sem levar a multazinha para casa, com um: “Vá lá, pode seguir mas tenha cuidado!”

Assim, depois de uma semana com mais de cento e tal quilómetros pedalados em modo commute, depois de uma manhã de sábado em clara violação das regras, numa incursão a pedais pelo campo e mar dos concelhos de Matosinhos e Vila do Conde, no domingo passado resolvi ser obediente e não colocar as rodas da bicicleta em seara alheia, ou seja, não ir para além dos 41 km² do concelho do Porto.

Burbing é um conceito muito simples: pedalar todas as ruas de um determinado local e compartilhá-las no Strava. Existem maneiras diferentes de abordar a aventura como se limitar a um concelho, uma cidade, um bairro, etc. Grande parte da actividade do ciclismo envolve métricas, potência, velocidade média, cadência, distância, frequência cardíaca, elevação… na verdade o Burbing não tem nada disso e começou como um pequeno contraste com o Everesting. Se o Everesting é extremo, épico, de elite e agora cada vez mais profissional, então o Burbing é divertido, descontraído, aventureiro e acessível a todos. O que não quer dizer que o Burbing seja um passeio fácil. Dependendo do concelho/cidade/bairro escolhido, pode levar um pouco de tempo e até mesmo vários passeios em vários dias. Não precisa de uma bicicleta xpto, não precisa de um kit sofisticado. Basta motivação e alguma dose de paciência e loucura.

Alguns planejam meticulosamente a aventura, usando uma infinidade de dispositivos de rastreamento terrestre, ferramentas de mapeamento, que lhes permite delinear rotas precisas para minimizar o tempo e/ou distância. Percorrer minuciosamente cada via possível, cada estrada, rua e beco da sua cidade, conhecer os sentidos obrigatórios e evitar os proibidos. Pode ser feito de uma vez ou em vários passeios, em várias jornadas.

Outros simplesmente se metem nesta maluqueira de pedalar sem nenhum planeamento ou mapeamento, aproveitando o sol, o domingo sem trânsito, tirando fotos de uma cidade praticamente vazia como companhia.

Perdi-me e perdi algumas ruas, mas tudo bem. Sabia ser impossível haver a possibilidade de passar em todas elas. Decidir fazer isto na hora, pedalar apenas com o meu mapa mental, foi uma maneira extraordinária de encontrar e reencontrar as ruas bonitas, as belezas escondidas da minha cidade, a cidade do Porto, um pequeno concelho confinado ao rio Douro, ao oceano e à Estrada da Circunvalação.

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