fotocycle [246] pedalar é…

… o livre pretexto de escolher a rota. A regalia de contemplar o que vem após uma curva. Colorir o horizonte e ficar a ver navios.

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gesso… Nããã! Gelo Challenge

“GESSO CHALLENGE… 16 de novembro. Mais pormenores brevemente”.

E depois do “brevemente”, novo post:

“Entendam que é um passeio completamente desorganizado, regido por uma anarquia total (pelo menos assim tem sido). Se esperam médias altas, essas irão aparecer apenas na descida da Graça e nem para todos. Resumindo, uma voltinha domingueira. Mas mesmo sendo completamente desorganizado, há alguns pormenores a terem em conta…

– Dia 16 de novembro pelas 8h.

– Haverá uma paragem sensivelmente a meio para um cafézito e umas 200 fotos.

– Para aqueles que queiram fazer apenas o percurso da ida, iremos proporcionar meio de transporte de regresso… A vossa própria bicicleta. Por isso se querem regressar a casa tratem de vida ou dêem ao pedal 😛

– Toda a despesa feita pelo “organizador” durante o dia terá que ser suportada pelos participantes 😛

– Como sempre, este será o percurso que eu irei fazer, mas todos são livres de, regidos por uma anarquia total, fazerem aquilo que bem entenderem.

[…]

“Ainda está muito escuro lá fora”,  conferia a meteorologia com o telemóvel na mão e fazia contas a quantas camadas de roupa iria precisar.

Encontro o Senhor Machado à hora marcada, e a par se rumou, a parlar até Ermesinde City, para desespero de um ou outro enlatado, para aquecer um bocado, para o rendez vous e partida oficial na Tasca da Trabancela.

Mais um ano e mais uma edição, a nona, deste mega evento de renome mundial, internacionalmente conhecido como Gesso Challenge.

Basicamente, diz o organizador, é manter a tradição de anos anteriores.

Reunir alguns masociclistas na tasca, pagar o café para formalizar a inscrição, e desde logo encetar a pedalada ao alto da nossa tão querida Graça para uma boa dor de pernas, comemorar a amizade e esperar que para o ano se repita… o evento, pois claro.

Tudo começou com uma ida do nosso anfitrião ao cocuruto do Monte Farinha, o alto da Senhora da Graça conhecido a nível nacional, e não só, porque é ali que se cumpre anualmente uma das chegadas mais emblemáticas da Volta a Portugal em Bicicleta.

Esta estrada é a síntese entre o esforço heróico de quem se aventura a subir os 8, 4 quilómetros no pico do verão e a recompensa de uma paisagem arrebatadora. Santuário dos aficionados das pedaladas, os 7,2 % de média de inclinação desta mítica subida são um desafio de referência para qualquer ciclista, antecipando o possível sobreaquecimento do motor.

Mais uma vez consegui a proeza de ser o último a chegar lá acima!

Mas se no pico do verão a recompensa da escalada é a consequente relaxante e refrescante descida, num dia outonal como este a descida não teve assim tanta graça. Vestida toda a roupa para enfrentar o gélido atrito da descida, só mesmo a vontade de chegar à pizzaria, sonhando com a crepitante e fumegante Quatro Estações tamanho familiar à minha frente, deu para curtir uns largos minutos de descida rápida quase em hipotermia.

Aquele sábado tinha tudo para que me convencer ficar esticado no sofá com a mantinha nas pernas, ao comando do zapping mode. Mas não. Um tal de Frinxas el Térribelé®️ havia lançado o desafio e eu, de novo, caí que nem um patinho.

Qual gesso challenge qual quê?! GELO CHALLENGE, isso sim.

Depois das despedidas à Senhora, foi rolar calmamente pela encantadora ecopista do Tâmega até Amarante e tomar a consciente decisão do desvio para Vila Meã e recorrer aos préstimos da CP, esperando pelo climatizado comboio urbano para o Porto.

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mar de plástico

Em exibição em frente ao SeaLife, na Rotunda do Castelo do Queijo, a escultura “Mar de Plástico” representa a vida marinha em risco de ser plastificada.

Todos os dias ouvimos novas notícias preocupantes sobre o plástico que chega aos oceanos. Animais marinhos que dão à costa mortos devido à ingestão de plástico. Estudos científicos calculam que mais de 8 milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos todos os anos, que existam já mais de 150 milhões de toneladas de plástico e que em 2050 exista mais plástico no mar do que peixes. Todos estes números são dramáticos e a lista de notícias assustadoras podia continuar indefinidamente.

A escultura, que foi inicialmente produzida em 2016 pela ESAP (Escola Superior Artística do Porto) para a Campanha Ocean Action do CIIMAR, foi exibida em vários espaços públicos do Porto, Matosinhos e Gondomar, mas com o passar do tempo o plástico foi-se degradando de forma acentuada. Com a passagem da exposição itinerante “Mar de Plástico” pelo SeaLife surgiu então a ideia de reabilitar a obra, tendo que se substituir as mais de 800 garrafas e peixes.

Este foi um trabalho muito moroso, que contou com o apoio precioso de centenas de alunos e professores de escolas básicas, secundárias e Jardins de Infância do Porto, Matosinhos, Maia e Vila da Feira, que ajudaram a recolher as garrafas ou a cortar, escrever mensagens ou pintar os peixes.

Nas mensagens criadas pelos jovens podem ler-se vários pedidos para se salvar o Oceano, mas também conselhos práticos sobre como evitar o uso de plásticos descartáveis, reutilizar e reciclar todo o plástico, ou nunca deitar qualquer lixo para o chão, para a sanita e janela fora para a berma da estrada.​

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can’t miss [205] voltaaomundo.pt

Na Holanda, é comum ir de fato e gravata numa bicicleta

[…]

«Pedalar é parte da nossa forma de viver. Está enraizado na nossa cultura quotidiana», afirma o embaixador da Holanda em Lisboa, logo acrescentando que «desde muito pequenos é para os holandeses uma forma de desenvolver a sua personalidade, no sentido de que podem decidir onde ir e como ir. É uma expressão de liberdade».

[…]

podes ler o artigo completo em: https://www.voltaaomundo.pt/2019/09/24/na-holanda-e-comum-ir-de-fato-e-gravata-numa-bicicleta-b/viajantes/264935/

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ao que cheguei, brincar com boneca e querer andar de baloiço

A apenas 30 quilómetros do Porto e a 25 de Penafiel, a Serra da Boneca é um dos destinos preferidos da malta das pedaladas. Os ciclistas que pretendem subir os cerca de 520m de altitude por estrada ou mesmo na vertente bêtêteira, têm três opções de percurso. De Penafiel, via Capela, ou de Entre-os-Rios, a EN319 proporciona uma subida gradual e suave. Quem opta por lá chegar vindo pela marginal do Douro, sai da EN108 em Sebolido e tem logo divertimento garantido.

São 4.5 km para pouco mais de 400 metros de declive. É sempre a subir, sem piedade, com a vantagem de não apanhar trânsito e da paisagem duriense se abrir esplendorosa à nossa volta. Junto ao aterro sanitário o cenário não é o mais bonito mas a pendente é rude e desafiante, e não admira ver quem tenha de a vencer aos zigue-zagues, até para evitar as enormes crateras no asfalto. Como incentivo pode ser que apareça a matilha de cães que por ali costuma emboscar os mais lentos.

Empenhados em criar uma nova atracção para o território natural da serra, um grupo de jovens de Sebolido angariou apoios e construiu um baloiço rústico de madeira que se tornou um caso de popularidade nas redes sociais. Para chegar ao Baloiço da Boneca o ciclista tem ainda de percorrer umas centenas de metros em caminhos de gravilha, piso mais apropriado às bêtêtês, mas com a resistência física e mental do aventureiro, com o culminar nos limites de aderência para tão finos pneus, pode chegar bem à central eólica onde se encontra o baloiço. Lá em cima, a mais de 500m de altitude, as vistas compensam largamente todo o esforço. Podemos ver o rio Douro e todas as serras circundantes. Num dia claro até se consegue ver a linha de costa como pano de fundo.

Depois, de rabo bem assente e mãos firmes nas cordas, basta baloiçar com os olhos no horizonte e deixar a imaginação voar. O rio Douro possui um protagonismo importante, integrando uma paisagem absolutamente empolgante, de roubar o nosso fôlego. Imagino tal sensação ao recordar a experiência que tive ao baloiçar o Baloiço de Trevim, na Serra da Lousã!

Pois é, sábado passado passei pela Boneca e resolvi fazer o desvio para experimentar o tal baloiço. “É pá, cum carago!”… Assim que vi a longa fila de carros acantonados junto à cancela, na berma do acesso ao parque eólico, fiz umas contas rápidas e percebi que para dar umas baloiçadas e fazer o registo fotográfico a bicha deveria ser pior que num balcão da Segurança Social no final do mês! Não nos esqueçamos que a novidade está a ter um grande sucesso e, além de proporcionar adrenalina e vertigem, permite fotos espantosas que se tornam um sucesso viral nas redes sociais. Tudo bem, a malta que vai de popó, faz pó, faz pose e o postal para os likes. Se tiver juízinho porta-se bem e não deixa lixo.

Nem sempre encontramos o que procuramos, mas podemos pensar em alternativas. De bicicleta, o cume de uma serra tem sempre o lado suado da conquista e o prémio arrebatado é uma paisagem esmagadora. Na verdade, fiquei satisfeito só por estar ali. Foi como se levasse o baloiço comigo. Foi como se baloiçasse em simultâneo com a estrada, com o vento, com algum parceiro de circunstância, para a frente e para trás, de um lado para o outro, porque de bicicleta a viagem nunca é em vão.

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guerrinhas

Antes de mais um pouco de história:

Em meados do século XIX a freguesia da Foz do Douro é integrada no concelho do Porto. Carreiros, um molhe de grande importância, funcionava como porto alternativo ao do rio Douro, especialmente quando o mar impossibilitava a entrada de barcos na barra. A ligação deste porto de abrigo fazia-se por atalhos e carreiros, o que deu origem a vários topónimos: “Carreiro Mau», “Carreiros” e “Molhe de Carreiros”. À nova estrada rasgada paralela ao mar deu-se a toponímia de Avenida de Carreiros, que mais tarde viria a transformar-se em duas longas e amplas avenidas.

A parte compreendida entre a Rua da Senhora da Luz e o Molhe de Carreiros, com o advento da Republica, passou a designar-se Avenida do Brasil. O troço que seguia para Norte, para Matosinhos, foi já no segundo quartel do século XX melhorada e alargada, tornando-se na espaçosa Avenida de Montevideu, desembocando na Praça de Gonçalves Zarco, a popularmente afama Rotunda do Castelo do Queijo.

Esta frente de mar constitui uma significativa mais-valia para a qualidade de vida, sobretudo dos residentes na área urbana, seja pela zona de lazer proporcionada, seja sobretudo pelos benefícios para a saúde provenientes do ambiente marítimo. Com o melhoramento das vias rodoviárias, os transportes de ligação, de e para o centro da cidade, transforma-se a Foz na primeira estância balnear do Porto. A colónia britânica ajudou a criar a moda de ir a banhos e rapidamente foi imitada por algumas famílias do Porto e arredores com maior disponibilidade económica. Verifica-se a expansão da mancha urbana entre o Castelo da Foz e o Castelo do Queijo, sobretudo com casas apalaçadas e chalés de famílias abastadas.

Em 1865 é concluída a estrada marginal do Douro, da Ribeira até à Foz, o que reduz significativamente o tempo de viagem. Até então os únicos meios de transporte da cidade para a Foz era o barco, o burro ou o carroção, puxado por uma junta de bois. A viagem demorava entre seis a oito horas. Depois da linha do “americano”, um carro sobre carris puxado por cavalos, reduziu em muito o tempo de viagem. Aos poucos a tracção animal é substituída pela tracção a vapor e depois pela electricidade. Com a electrificação da cidade, colocaram-se carris e uma vasta rede de linhas de carros eléctricos ligou o Porto aos concelhos vizinhos. A linha nº 1 do eléctrico passou a servir toda a marginal fluvial e marítima. As modernas Avenida da Boavista e Estrada da Circunvalação chegam ao litoral e tornam-se vias estruturantes para a ligação rodoviária do centro às praias.

O espaço entre as avenidas e o mar transforma-se em espaço público. Dotam-se as praias de equipamentos qualificados. Alargam-se os passeios, abrem-se esplanadas, desenham-se jardins ornamentados com estátuas, fontanários e a famosa Pérgula, dando um outro carácter à frente marítima. Mais e maiores edifícios de habitação são erguidos.

A Foz deixa de ser apenas uma estância balnear para a burguesia portuense, e cada vez mais num local de residência e comércio. Aos poucos vai perdendo a sua escala rural e o ambiente calmo. Aumenta progressivamente o número de habitantes e de visitantes. Os autocarros substituem os eléctricos sendo os carris arrancados dos paralelos. Para os automóveis, quatro amplas faixas de rodagem e baias de estacionamento pintadas no asfalto. A primeira via exclusivamente dedicada às bicicletas da Invicta é rasgada de uma ponta à outra, no passeio. Para os ciclistas, um tapete de cor verde dá um toque hipster moderno à zona pedonal. As avenidas do Brasil e de Montevideu são agora um importante eixo de ligação rodoviário de entrada e saída da cidade.

Findo o “era uma vez” vamos agora à actualidade.

A CMP fez recentemente nova intervenção nas referidas avenidas “com o intuito de beneficiar a faixa de rodagem e passeio poente através da recuperação do estado dos pavimentos e implementação de um novo esquema de mobilidade local, com vista a melhorar a segurança rodoviária e pedonal”.

Oportunamente, aqui fiz o anuncio da obra e expus as minhas dúvidas e perplexidades sobre esta intervenção, tanto na  óptica pessoal como no ciclista urbano que há em mim.

Mas a obra ainda não estava concluída e já estalava a polémica. Os aceleras e incautos azelhas deste país declaravam guerra a Rui Moreira e à CMP. A falta de espaço para os automóveis, a redução de velocidade, 400 mil euros para o lixo, o perigo dos mecos de retenção para os seus frágeis pneumáticos, e agora quem paga os estragos dos carrinhos. E a maldita da ciclovia… Os ciclistas que fiquem no passeio, bradam ainda.

nova ciclovia da Foz

Assistindo a esta guerrina, e depois de testar in loco nas minhas habituais pedaladas do trabalho para casa, até acho que está melhor assim. Para o ciclista/cicloturista/commuter a intervenção facilita a sua mobilidade, permite circular a uma maior velocidade, contribui para a acalmia de tráfego. Claro que existem pontos sensíveis, onde há que redrobar cuidados, como as paragens de autocarro e as passadeiras. Certamente não é aconselhável para que as crianças andem de bicicleta por ali, a aprender ou a passear, mas sempre o poderão fazer no passeio, pois assim a lei o permite.

Se por um lado aumentou o espaço pedonal com a colocação da ciclovia ao nível da faixa de rodagem, o espaço para os carros ficou comprometido. Ok, se por ali o estacionamento em segunda fila é prática frequente, não vejo porque reclamam tanto com o estreitamento das faixas. Creio que seria de todo lógico tornarem estas avenidas zona 30 (limite de velocidade a 30km/h), como se verifica na contígua Rua Coronel Raul Peres. Para mim, esta intervenção só pecou por não se terem lembrado desta ideia com cinco anos: Repor  os carris do eléctrico até Matosinhos. Aí é que seria bonito…

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“devagar se vai ao longe” já diz o pobinho

Nas escolas de condução, supostamente, são ensinados todos os preceitos sobre a condução Estes incluem regulamentos, instrução e prática de como conduzir um veículo motorizado, atendendo à segurança e às regras de trânsito. O aprendiz a condutor terá de ultrapassar várias etapas e exames até finalmente estar habilitado à condução. Depois, com a carta na carteira e as mãos no volante, poucos cumprem o que aprenderam. Rapidamente esquecem as regras e limites, achando que estão a coberto do infortúnio pela carroçaria metálica e pelo seguro automóvel.

De certo já ouviram a expressão “saiu-te a carta na Farinha Amparo” dirigida aos maus condutores. Não, não ofereciam cartas de condução no pacote, mas davam brindes.

Para a habilitação da condução é preciso obedecer a conceitos essenciais de segurança. Um dos conceitos mais importantes é o limite de velocidade. A velocidade é fixada tendo em conta vários factores, classificação da estrada, condições da via e sinalização. Na ausência de sinalização, o Código da Estrada estabelece as regras e limites aos automobilistas, com máximos permitidos, coimas a aplicar e perda de pontos por excesso de velocidade. Não há velocidade mínima nas estradas.

Não é uma regra difícil de cumprir, mas certos automobilistas parecem capazes de a compreender, e muito menos de a colocar em prática. Alguns não entendem a palavra “limite.” Na condução, a palavra “limite” significa o mesmo que “máximo”. Velocidade máxima. Um limite de velocidade não se refere à velocidade que é suposto conduzir mas ao limite máximo que é permitido por lei. Regra geral, os automobilistas tendem a conduzir como se estivessem a ser  perseguidos pelo diabo.

Como utilizadores da estrada, os ciclistas circulam frequentemente a uma velocidade mais lenta do que um automóvel. Dificilmente o ciclista atinge um limite de velocidade, mas, infelizmente, há automobilistas que só querem saber o quão rápido podem ir. Circulam no limite ou em excesso de velocidade e não querem nada no seu caminho. Quando começam a buzinar, a reclamar com o ciclista para este sair da estrada, ir para a berma, ciclovia ou para o passeio, de uma forma calma e prudente deve o ciclista afirmar a sua posição e defendê-la. É a única forma de combater os estereótipos arraigados e mudar comportamentos intimidatórios.

redundância ou pelonasmo?

As bicicletas têm o mesmo direito de usar a estrada como qualquer outro veículo. Têm o direito a ocupar a faixa de rodagem. Têm o direito de circular a par, facilitando, sempre que possível, a ultrapassagem. Têm o direito à distância de segurança de metro e meio quando ultrapassados por veículos a motor, o que infelizmente nem sempre é verificada.

À luz das “recentes”… – em vigor desde 1 de janeiro de 2014 –  alterações ao Código da Estrada, é claramente necessária uma campanha de reeducação para ensinar e/ou lembrar os automobilistas que têm de compartilhar a estrada, aceitar os veículos mais lentos e abrandar especialmente quando ultrapassam bicicletas. O ciclista não tem de ter receio em posicionar-se devidamente na via. Não há velocidade mínima nas estradas.

Como viajam a uma velocidade mais lenta, os ciclistas podem ter um papel regulador, disciplinar os automobilistas quanto à velocidade de circulação. Os automobilistas devem adaptar a sua condução atendendo não apenas às condições da estrada mas à forte presença de outros utentes da estrada. À eventual presença de ciclistas na estrada. De qualquer das formas, todos deverão saber as regras, os limites, reduzir a velocidade para uma viagem segura.

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se não os consegues vencer…


Turistas e mais turistas, novos e velhos, homens e mulheres em biclas de aluguer, muitas delas eléctricas, outros em cruzeiro cicloturístico, pedalam pelas intricadas zonas históricas, ao longo da aplanada e panorâmica marginal do Douro, pela banda de lá e pela banda de cá ao seu próprio ritmo e vontade.

Pedalar tem sido uma boa opção para quem nos visita. A cidade já nem estranha. As duas rodas movidas por um par de pedais são, aliás, cada vez mais uma alternativa aos lentos autocarros turísticos. Vários operadores turísticos procuram dar resposta à procura e à curiosidade dos visitantes, propondo várias opções de aluguer. É que, se há os que preferem alugar uma simples bicla a pedais, mesmo com preços a não serem dos mais atractivos, muitos não abdicam da assistência eléctrica para se aventurar nos inclinados acessos aos centros históricos do Porto e Gaia.

Já alguns tripeiros, nas deslocações para e do trabalho, para fugir ao trânsito e aos apertos dos transportes públicos, dão preferência à bicicleta como alternativa na mobilidade urbana. Vão serpenteando pelas ruas da Invicta nos trajectos do dia-a-dia. Não são tantos quantos eu gostaria de ver mas já dá para notar alguma mudança de paradigma, enquanto a chuva não volta em força. Na parte ocidental da cidade, por exemplo na esfera envolvente da Boavista, como é quase plana, ao contrário da baixa da cidade, permite viagens rápidas de casa para o trabalho sem grande esforço.

Para relembrar o meu exemplo, só o tempo que eu demoraria a pé de casa até a chegar ao Metro, cerca de 15 minutos, é o mesmo período em que faço a viagem completa de bicicleta até ao local de trabalho. Até picar o ponto, ainda poupo o tempo da ligação modal entre Metro e do BUS, que na melhor das hipóteses seriam outros 15 minutos.

Especialmente de manhã cedo, no acesso ao centro do Porto em horas de ponta, a principal motivação é chegar ao trabalho. A opção de percurso mais rápido é sempre o adoptado na minha deslocação diária a pedais. À tarde, o expediente de voltar a casa, da baixa do Porto à Prelada, procuro variar as opções, umas mais rápidas que outras, sempre mais longas, preferindo as margens do Douro e a nortada nas trombas. O percurso pela Foz do Douro é um desses exemplos. É mais relaxante e acrescenta qualidade de vida ao modo saudável que gosto de ter em conta.

E assim, como que por uma hora e picos, torno-me numa espécie de turista na sua própria cidade. Na nossa “pequena cidade” que é afinal uma grande cidade, que é o grupo das nossas pequenas cidades coladas umas às outras.

Voltando aos turistas, não sou imparcial no que toca a conversas sobre o desgovernado crescimento do turismo. Ouço muito boa gente dizer que o boom turístico afecta o seu dia-a-dia, as suas rotinas e o sossego. Por outro lado, há vida no bairro, outras culturas, casas renovadas e novos estabelecimentos. A diversidade enriqueceu o ambiente, a oferta ao nível do emprego. O turismo potencia negócios e faz crescer o aumento de utilizadores de bicicleta na cidade. Até os automobilistas, presos no trânsito se vão roendo de inveja. Caso para dizer, “se não os consegues vencer, junta-te a eles”.

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quando o selim pica

“Ó Paulo, tu que andas muito de bicicleta podes me ajudar. Que selim devo escolher para não ficar com o rabo todo ƒΘÞ∗þΦ?”

Na hora de escolher o modelo de selim, a primeira coisa a pensar não é na tortura que te vai infligir mas se é o assento ideal para acolher da melhor forma as tuas necessidades. Afinal de contas é lá que o ciclista deposita o abono de família e as partes mais sensíveis do canastro.

Escolher um selim não pode ser somente uma questão de beleza ou leveza. Claro que um sofá não é o mais adequado para uma bicicleta de estrada, nem um selim tipo tábua de passar a ferro é vistoso numa pasteleira. Não o devemos escolher pelo preço, pelo estilo ou quanto ele pesa, mas sim se ele serve realmente para preservar da melhor forma a tua ferramenta. Cada rabo sua sentença.

Atendendo à modalidade, se para utilização urbana, passeio, estrada ou monte, em todas as linhas de selins, a flexibilidade é uma característica a ter em conta. Quanto maior a flexibilidade melhor será o conforto do ciclista. Em cada uma dessas modalidades há necessidades específicas.

As bicicletas de passeio e outras, por exemplo para a utilização mista em que a preferência é o conforto, uma vez que os seus utilizadores se interessam em percorrer variados tipos de piso sem necessidade de muita velocidade, deve-se optar por um selim confortável com uma boa base de apoio, onde podem assentar devidamente os ísquios, pois pedala-se quase a totalidade do tempo alapado no selim. Assim como a forqueta com suspensão faz a diferença nos braços, os selins de molas, espuma ou gel, oferecem um maior conforto. Já para as bicicletas de utilização urbana, onde de se pedala distâncias mais curtas, nem sempre é preciso ter um selim superfôfo mas um que permita uma boa mobilidade das pernas e facilite a manobra de montar e desmontar da bicicleta. Nas biclas de estrada e nas bêtêtês, onde se pedala com maior velocidade e por mais horas, o selim deve ser um pouco mais estreito e leve, uma vez que a cadência e agilidade das pernas é bem maior.

Utilização masculina ou feminina? Não poderia ser diferente com a escolha dos selins. Nesse caso, devemos seguir a anatomia humana, em que algumas mulheres possuem uma anatomia entre os ísquios maior devido à bacia, necessitando de um selim com uma base de apoio um pouco maior e comprimento mais curto. Nos homens, como a distância entre os ísquios é menor e a região do períneo maior, o selim normalmente é mais estreito e mais longo.

Há vários tamanhos de selins, com medidas que variam de 250 a 300mm de comprimento e larguras que variam de 125mm a 170mm. As medidas dos meus selins vão desde 160mm a 145mm, que é a medida mais comum para a maioria dos ciclistas, mas pode variar de rabo para rabo. Muitas vezes, nas pedaladas mais longas, com largos períodos de poiso no selim, e após trechos e trechos de irregularidades, subidas onde se pedala com mais força causando maior pressão, pode haver uma maior sensibilidade no períneo (a zona da próstata) devido à trepidação e esforço, e, em virtude disso, sentir algo parecido com um “formigueiro”. Sim, isso é mais normal do que se imagina, mas se após uma mudança no posicionamento ou ir levantando o rabo do selim isso já melhora, é aguentar e dar ao pedal pois essa hipersensibilidade é normal. No mercado podemos encontrar vários modelos com um corte ergonómico para aliviar o desconforto na área perineal.

Podemos ter feito a escolha acertada e ser o selim o mais adequado à anatomia, objectivos e modalidade, mas se estiver mal colocado no espigão da bicla irá interferir negativamente com o desempenho e gerar um desconforto e incomodar ao ponto até de provocar lesões. A altura influencia exactamente o posicionamento e “encaixe” dos ísquios na base mais ampla do selim, sem falar na posição correcta das pernas durante a pedalada, evitando pressionar os joelhos, e aumentar a força sobre os pedais. Está comprovado que um bom posicionamento do selim pode aumentar até 30% de rendimento da força exercida nos Pode-se variar a posição, inclinação e altura do selim, tendo em conta que os músculos trabalham de maneira diferente.

Nota: O selim deve preferencialmente estar sempre nivelado, paralelo ao solo, na horizontal.

Portanto, para uma boa escolha do selim há que ter em conta todo um conjunto de factores. A escolha de selim é uma questão tão pessoal, que só o velho método científico experimental servirá para encontrar a solução para qualquer dúvida. O melhor e mais prático método para a escolha do tamanho do selim é a experimentação, sentar e pedalar. Sentir se o rabo está correctamente apoiado no selim, e pedalar, pedalar pedalar. Algumas lojas disponibilizam selins de teste, com a vantagem de poder experimentar vários modelos e medidas para uma escolha acertada. Agora, não nos podemos esquecer que um bom para de calções com carneira têm um papel fundamental no conforto do nosso rabinho.

É sabido que selins bons exigem um maior desembolso financeiro. Para além de ser uma peça fundamental, o selim é também uma coisa pessoal. Nem sempre o mais leve, o mais bonito, é o melhor. Actualmente, já existem mais opções de selins ergonómicos, desenhados para retirar o peso da área do períneo e distribuí-lo para as nádegas e ísquios. O conforto vale mais na pedalada do que o peso total da bicicleta. Estas são pelo menos as básicas dicas para o início de um casamento ideal com a nossa bicicleta, pois lembrem-se que quando se dá ao pedal é no selim que se passa a maior parte do tempo.

Boas pedaladas

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reciclando [45] céu pardacento: ou chuva ou vento

De volta a casa depois de um dia inteiro a laborar, eu gosto de arredondar a cidade, alongar o meu percurso e aproveitar o selim pelo crepúsculo final de um dia solarengo. Isso significa que eu vou tirar algumas fotografias na atracção radical do pôr-do-sol, do mar e da minha bicicleta, que é a marca registada em quase todas as minhas imagens.

Ontem, quando saí à rua, as nuvens cobriam o céu numa camada grossa, como uma enorme colcha toldada e pardacenta. As árvores dançavam ao sabor da ventania, as folhas douradas flutuavam loucas, para cima e para baixo, cobrindo todos os recantos, dando finalmente um ar de Outono.

Desço ao rio, dou o peito ao vento e sigo a minha volta, por Matosinhos. À passagem pela Foz, paro por alguns minutos para observar o mar revolto, fotografar, e fico a conversar com um amigo que me encontra, visivelmente invejoso, eu de duas rodas e ele não. Olha para o céu carregado, olha para mim e me pergunta: “Estás de a caminho de casa?”. No seu melhor palpite a chuva apanhava-me forte e feio antes de lá chegar. Respondo-lhe sem pensar duas vezes: “Nããã, eu estou apenas a começar a minha dança da chuva!”.

Pois que venha ela, a chuva, que tanta falta faz.

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