can’t miss [175] publico.pt

Quando tem pressa, Ricardo nem pensa em usar as ciclovias

“Os ciclistas já vêem cenários “impensáveis” como o pai que anda de bicicleta com o filho na Avenida da República, mas os erros de construção afastam novos adeptos das ciclovias.”

“O fundamentalismo não fala aqui. Há espaço para todos. “Os peões hão-de se habituar”, como os automobilistas já o têm vindo a fazer. Ricardo Ferreira e um amigo comentam a “extraordinária” viagem que ambos fizeram na Avenida Almirante Reis, ele a descer, o amigo a subir: não houve razias, quase todos os carros mudaram de faixa para os ultrapassar. Não ouviram buzinas a reclamar.

“É óbvio que não é assim em toda a cidade, nem todos os dias”, faz o reparo. Ricardo, web designer de 44 anos, é voluntário da associação para a Mobilidade Urbana em Bicicleta (MUBi) desde a sua fundação, em 2009. Vive em Oeiras e durante anos deslocou-se para o trabalho, em Lisboa, de bicicleta. Não tem carro. “Nem sinto falta”. […]”

Partilho mais um excelente testemunho, no caso o do Ricardo Ferreira que diariamente pedala pelas ruas da capital e encontra algumas melhorias, tanto na rede cicloviária disponível como na adaptação e comportamento dos automobilistas, mas que enfrenta ainda várias dificuldades comuns à maioria da malta ciclomovida pela paisagem… ou seja, pelo resto do país.

Pode ler o artigo completo em: publico.pt/2017/03/20/local/noticia/quando-tem-pressa-ricardo-nem-pensa-em-usar-as-ciclovias-1765645

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fotocycle [205] metamorfoses

Ontem a camélia estava em plena floração. Hoje o chão está cheio de pétalas cor-de-rosa, espalhadas pela relva e pela rua! O meu curto caminho para o trabalho oferece-me destes momentos. Há um certo fascínio nas mudanças do quotidiano, que muitos nem dão conta. Uma espécie de metamorfose do que me rodeia, pura bisbilhotice, porque na bicicleta é uma boa maneira de o fazer. Lenta o suficiente para que possa parar e usar a câmara do telemóvel para anotar o que me atrai a atenção. Rápida quanto baste para recuperar o meio minuto que despendi no semáforo vermelho. Aproveito cada momento.

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luminosidades

Conforto-me com o pensamento de que os dias estão oficialmente, e celestialmente, ficando mais longos. O solstício de inverno passou, no próximo final de semana o relógio irá avançar uma hora, teremos luz solar por mais tempo e as noites serão mais curtas. Vai daí, decidi presentear a Tripas com um farolim e uma roda geradora de electricidade! Pode soar estranho o momento escolhido para tal investimento, mas o dia sempre tem 24 horas.

Em termos de iluminação, a minha bicla para todo o serviço está agora munida de um farol Busch & Müller Lumotec IQ-X. Alimentado por dínamo de cubo com 100 Lux, oferece uma iluminação excelente e homogénea da estrada. Emite um foco luminoso de alcance próximo, com um campo de luz extenso que aumenta a visibilidade lateral. O revestimento atraente do IQ-X  é feito de alumínio com o interruptor de alimentação assinalado por um anel azul cintilante. Possui uma luz diurna controlada por sensor, uma função de luz de suporte, um reflector de rosca e um suporte flexível.

Esta poderosa lanterna deixa confiante o ciclista que necessita de um foco luminoso permanente, perfeito para garantir a independência nas longas distâncias, fácil de usar em qualquer momento e sem aborrecimentos em mudar pilhas. Já faz duas semanas que uso esta iluminação e estou convencido. Inclusive entre a mística iluminação da neblina matinal, durante o meu commute para o trabalho pedalo com o farol ligado, o que me dá de imediato maior sensação de segurança. Mesmo no encandeamento dos primeiros raios de sol os automobistas percebem a minha presença.  E porque segurança nunca é demais, a próxima ideia luminosa será a de investir numa luz traseira vermelhinha e da mesma espécie. Ah… falta referir que servicinho foi assegurado com a reconhecida competência iNBiCLA.

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can´t miss [174] lifestyle.publico.pt

Hoje tenho o prazer de partilhar e divulgar este excelente artigo de autoria de Pedro Teixeira (director do Programa Nacional para a Promoção da Actividade Física da DGS e professor universitário) e Ana Santos (professora universitária) que comprova o uso frequente da bicicleta como uma das respostas para a sustentabilidade das cidades e para o aumento dos níveis de actividade física.

A bicicleta na cidade saudável e fisicamente activa

“Muitas das crianças deixaram de brincar na rua por falta de espaço seguro para o fazer. Esta situação deve-se ao aumento da população urbana na Europa (de 90% entre 1950 e 2009), que se fez à custa da redução da densidade e aumento da extensão e do espaço consumido. Este crescimento das cidades, considerado descontínuo e extensivo, foi promovido e acompanhado pelo investimento em maior número de infraestruturas viárias o que, por sua vez, levou a um aumento das distâncias entre a residência, local de trabalho e centros de compras e/ou lazeres. Toda a deslocação pendular entre estes três centros de vida passou a ser feito preferencialmente de automóvel.

Este modelo de mobilidade assente no automóvel privado tem acarretado um custo elevado para o ambiente e para a saúde, uma vez que aumentou muito a poluição das cidades e reduziu a actividade física nas deslocações diárias. Contudo, a maior parte das cidades está a alterar o design do seu espaço de modo a resolver estes problemas. Promover a mobilidade activa, andar a pé e de bicicleta, está agora na lista das prioridade das Grandes Opções do Plano e é uma proposta central nos Planos de Acção de Mobilidade Urbana Sustentável (PAMUS). É também uma das prioridades das políticas de promoção da actividade física.

“O uso frequente da bicicleta é uma das respostas para a sustentabilidade das cidades e para o aumento dos níveis de actividade física.

[…]

[…]

Como é que a bicicleta torna as cidades activas e mais saudáveis?

Através do aumento das deslocações diárias, diminui o congestionamento urbano e contribui para a redução da poluição; cidades com mais bicicletas são mais seguras e propiciadoras de mobilidade activa por crianças e jovens tornando todos mais autónomos; a bicicleta está associada à liberdade e facilidade de movimento e maior proximidade com o meio envolvente promovendo a boa disposição, reduzindo o stress e evitando estados depressivos; de bicicleta, a geografia da cidade estimula a musculatura do corpo, queimando calorias e aumentando a aptidão física.”[…]

(podes ler o artigo completo em http://lifestyle.publico.pt/pesomedida/371337_a-bicicleta-na-cidade-saudavel-e-fisicamente-activa)

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prazeres simples

Há coisa de cinco anos, quando o digníssimo proprietário da velha, afamada e, provavelmente, a mais antiga casa de bicicletas do Porto, Velo Invicta Capas Peneda, mestre Barbosa me apresentou este quadro de aço Reynolds 531 com forqueta Vitus 888 a condizer, logo percebi o que iria fazer com ele. Mantê-lo simples e elegante, sem frescuras. Na minha mente, queria uma bicicleta clássica para levá-la comigo a qualquer lado, desde que fosse por vias aplanadas. Nela iria desfrutar a liberdade singular da velocidade única, à moda antiga, uma espécie de regresso às origens, para o que realmente importa, dar umas voltas.

Para que o projecto ganhasse forma precisava de mais qualquer coisa. Devo agredecer a ajuda prestimosa, tanto do mestre Barbosa como do amigo Luís Silva, perito em desenrascar perfeitas raridades. Aos poucos fui juntando algum material NOS necessário para me servir os intentos: as rodas, os travões, o guiador… Depois, pensando em acomodar bem as nádegas e deixando-me levar pelas tendências da moda, investi num selim Brooks, bem como na fitinha de guiador do mesmo fabricante, para fazer pendant e lhe dar aquele toque vintage cycle chic. Da novel loja dos duendes das bicicletas bonitas veio também importada a transmissão singlespeed para me dar cabo das pernocas.

Reunidos os ingredientes, numa noite de copos, ao relento no pátio da Praça Filipa de Lencastre, em pleno centro da movida tripeira, a menina saiu finalmente do forno. Batizada de Sua Alteza, é uma bicicleta de linhas simples e construção graciosa, bem vestida no seu azul turquesa. Ostenta vaidosa uma das marcas simbólicas da mui nobre e invicta loja de bicicletas. Mesmo que sem aquele carisma de velha oficina carcomida pelo tempo, mantém vivo o espírito da velocipedia tripeira. As cicatrizes que entretanto Sua Alteza juntou às que já trazia têm mais beleza e carácter do que uma superfície perfeitamente impecável.

Muitas peripécias vivemos juntos nestes cinco aninhos que entretanto passaram a voar. Assim de repente, recordo o meu primeiro Brevet Randonneur Mondial. Ahhh, antes disso lembro-me de a ter levado em longas pedaladas, num pelotão casual por um doce roteiro. – “E aquela manhã em que a levaste para pedalar junto com o nosso campeão Rui Costa?” Ah, pois foi! E olha que não foi há muito que com ela passei um belo dia a solo e a levei a passear  num lugar especial. Sua Alteza está hoje de parabéns e teve direito a todas as mordomias, inclusive ser levada ao colo!

E bib’o luxo!

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um casaco feito a preceito

Uma geringonça com ligação à Internet é coisa do passado, mas um casaco ligado à rede global parece coisa de filme que profetiza o futuro. Assim parece, e a verdade é que está aí presente o primeiro resultado da parceria entre a Google e a Levi’s, o Levi’s Commuter Jacket, assim se chama a peça de vestuário inteligente. Trata-se de um casaco de ganga feito à medida para quem, por exemplo eu, utiliza diariamente a bicicleta. Assim sendo, um gajo veste o casaco e sai a pedalar, tendo ao alcance de um toque subtil na manga esquerda toda a informação, como por exemplo as horas, o estado do tempo, atender chamadas, obter direcções de GPS e controlar a musiquinha que está a ouvir (embora, como sabemos, não é producente usar phones durante a pedalada). Uma falha grave é que não tira fotografias, digo eu! Também não se pode ter tudo, né?! A missão da Google, com o seu grupo de Tecnologia e Produtos Avançados, é criar inovações como o Projecto Jacquard, que pode transformar objectos banais em superfícies interactivas controladas por gestos. Neste casaco, a tecnologia ganha vida através de um tecido condutor e um dispositivo Bluetooth ligado ao vestuário. A área conectada consiste em 15 linhas na manga esquerda, apenas visíveis o suficiente para saber onde tocar e accionar um smartphone emparelhado. O próprio Inspector Gadget já está a pensar trocar a velha gabardina coçada pelo blusão de ganga especial, mas vai ter que esperar pelo Outono, juntar 328 euros e fazer fila à porta das lojas para o comprar.

“E quando tiver de mandar o casaco para a lavagem?” Boa pergunta! Para saberes mais lê aqui o artigo do Público, que tem pano para mangas, explica tudinho.

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pneu sobresselente

Quando se trata da escolha e compra de pneumáticos velocipédicos, temos de investir em vários detalhes, tendo em conta os padrões das bicicletas que os vão calçar. Especialmente numa bicicleta de uso misto, commute diário e longas distâncias, que serve basicamente para tudo, inclusive carregar o dono o que já é uma carga de trabalhos, temos de considerar certas características como o conforto, a segurança, boa aderência especialmente em piso molhado, resistência contra furos, qualidade e, é claro, o preço. A escrava do dia-a-dia já vai no segundo jogo de pneus Schwalbe Delta Cruiser (se contar com o par que herdou da Cósmica) mas se me lembrar que com esses quatro pneus fiz mais de cinco mil quilómetros, diria que ganho bem para solas de sapatos. Desde que apostei mais no atributo da resistência e segurança, na borracha rugosa de 28 milímetros e num perfil mais alto, que me dá melhor protecção contra a eventualidade de um furo, ganhei no conforto, na funcionalidade e capacidade de carga, em detrimento da velocidade. E pronto, aqui vão sapatos novos para a menina Tripas derreter.

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eichhh!… “Your photos reached a new record on Google Maps!”

3,000

views

Your photo is a big hit!
Your photos helped people over 3,000 times, a new record for you on Google Maps
3,040 views
SEE YOUR PHOTOS ON MAPS
Congratulations! Millions of people rely on photos like yours when they search for places. Thanks for sharing your photos with the world.
 Receber um mail destes logo pela manhã é motivo de consolação. Embora este blogue não tenha nascido para ganhar absolutamente nada, seria um grande mentiroso se não admitisse que este prémio, de consolação, em si mesmo, não é bom! É claro que é! Ainda para mais, estando nos preparativos para daqui a uns dias lá voltar a pedais, só me satisfaz. Eichhh…
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numa voltinha pelas notícias

De Vila Franca de Xira a Lisboa de bicicleta? Em 2018 vai ser possível

“Ciclovia vai ligar Vila Franca de Xira a Lisboa já no próximo ano.

A Câmara Municipal de Vila de Xira anunciou hoje que quer construir uma rede de ciclovias com ligação a Lisboa, mais precisamente ao Parque das Nações, com uma extensão de 44,5 quilómetros.

O presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita (PS) explicou à agência Lusa que, no total, a autarquia pretende implementar uma rede de ciclovias que cubra todo o concelho, numa extensão de 100 quilómetros, constituindo a ligação a Lisboa, com passagem também pelo município de Loures, segundo divulga a comunicação.” […]

(ler artigo em: http://www.jornaleconomico.sapo.pt)

Paraibano pedala 40 km todos os dias para levar filha para a escola

“Bicicleta utilizada foi adaptada para dar mais segurança à criança

[…] A rotina do pai começa por volta das 5h20 e dura uma hora e meia, passa por estrada de terra, rodovia e trânsito urbano. Depois de deixar a filha na escola, o pai retorna para casa e faz novamente o trajeto no final da aula, para buscar a menina. “Quero dar a ela o que eu não tive, porque eu não tive essa oportunidade”, declarou Souza.

Para levar a filha para a escola, Juracir fez algumas adptações na bicicleta. Ele instalou uma cadeirinha para a criança e fez uma cobertura na bicleta usando madeira de reciclagem e uma cortina de banheiro.” […]

(ler artigo em: http://www.jornaldaparaiba.com.br)

Ciclistas pedalam com ‘respeitômetro’ para conscientizar motoristas a manter distância de 1,5 m

[…] “Por ser integrante do coletivo Mobicidade, Martinez participou nesta quinta-feira (9) do ato de lançamento do “respeitômetro”, uma campanha conjunta do Detran e de grupos de defesa dos direitos do ciclista que busca conscientizar a população sobre a necessidade de se respeitar o artigo 201 do Código de Trânsito Brasileiro, que afirma que o motorista, ao ultrapassar um ciclista, deve reduzir a velocidade e guardar ao menos 1,5 m de distância. Para isso, um grupo de ciclistas realizou nesta manhã um passeio pela Av. Wenceslau Escobar, no bairro Tristeza, zona sul de Porto Alegre, com um estrutura acoplada à bicicleta marcando justamente a distância que os veículos devem manter dos ciclistas. A data para o lançamento da campanha foi escolhida em razão do Dia de Mobilização pela Segurança de Ciclistas. […]

[…] Martinez concorda que essa questão é fundamental. “É reconhecer o espaço que existe para a bicicleta na rua. O 1,5 m é o espaço mínimo. É apenas uma das faixas de uma avenida que fica reservada, quando tem um ciclistas, para fazer a ultrapassagem. Se fazemos isso quando ultrapassamos um carro, porque não fazemos isso quando ultrapassamos o ciclista?”, questiona. “É um e metro e meio pela vida. Quando você encosta no ciclista, é a vida dele”.” […]

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rios, pontes e vinho verde, a crónica CaMinho200

Os caminhos são criações humanas, vestígios de uma civilização, das necessidades existentes das populações, facilitando a rápida afluência de bens, comércio, pessoas e correio. Desde a Pré-História, da rede viária romana, que os nossos antepassados calcorrearam trilhos para a ligação entre várias civitate, foram rasgadas estradas medievais, simples caminhos antigos de transumância, onde desde tempos idos os peregrinos para Santiago de Compostela caminhavam, paravam e descansavam.

O mote do Brevet CaMinho 200 era o de percorrer alguns desses caminhos antigos e velhas estradas nacionais do presente, onde muita poeirada se levantou. Para além das inevitáveis estradas principais, iríamos seguir o traçado de várias estradas secundárias, de 3 ª classe, assim definidas no primeiro Plano Rodoviário Nacional, que surgiu em 1945. Foi afinal mais um pretexto para novo encontro randonneur no Posto da Cruz Vermelha de Marinhas, Esposende.

Formalidades concluídas, bicicletas veneradas e reunião de esclarecimento cessada, “vamos lá antes que chova!”. E não demorou muito. Seguramente não haveria melhor forma de iniciar a pedalada competindo contra o vento e a chuva, que nos haveria de acompanhar durante os primeiros trinta e tal quilómetros pela sensaborona N13, em direcção ao Porto. Em Vilar, revertemos a marcha e entramos na bucólica N306, em direcção ao Minho.

À chega ao primeiro posto de controlo, em Gião, a malta deu com a cara na porta do Café. Enquanto ia diminuindo a fila para o visto no cartão amarelo chega a patroa, desculpando-se com o despertador. Quando viu os primeiros possíveis clientes virarem costas ao Café Costa, lamentou-se! “Olhe, abrisse cedo e teria vendido a pastelaria, assim!…” lembrei-lhe e pus-me a caminho.

Para além da chuva a manhã estava fria. Normalmente eu me envolvo em camadas de roupa térmica para evitar o frio, mas normalmente quando chove a solução é recorrer a vestuário impermeável. O problema é a humidade. O corpo aquece, sua, e sob o efeito estufa a roupa fica molhada, deixando aquela sensação de estar embrulhado em papel absorvente. A leva de uma muda de jersey tornou-se uma boa solução e, mais tarde despi o ensopado casaco térmico que foi secando pendurado no estendal do rack traseiro.

Depois de uma paragem técnica junto à estação de comboios de Barcelos, deambulamos pela cidade e retomamos a N306 em direcção a Ponte de Lima. Se bem se lembram, há duas semanas, havia feito com os compinchas Jacinto e Couto uma voltinha recreativa por ali, mas na altura, a partir dali, as bicicletas levaram-nos pela N204, estrada também muito bonita, também pouco concorrida, mas bem mais amiga das pernas dos ciclistas.

Não há, talvez, nada tão omnipresente na tradição do cicloturismo como a noção romântica de pedalar ao longo de uma estrada rural numa bicicleta inglesa. A Tripas é uma bicla bem à portuguesa, tem anca e bagagem larga para levar carregos. Num passeio pelo campo, parecia apropriado ter levado nos alforges um garrafão de tinto, um tacho com arroz de tomate e bolinhos de bacalhau. Mas não! Sentia a bicicleta mais pedalada mas era eu que estava perro e mais lento! Fiquei calmo e tentei não me preocupar. Mesmo assim, fiquei um pouco surpreso com a minha aparente falta de velocidade.

Os céus nunca se abriram de maneira significativa, e quando finalmente atravessamos as pedras da velha ponte romana de Ponte de Lima, reencontramos a N306. As nuvens deixavam passar alguns raios de sol que, aliados ao empinar do asfalto, aumentaram gradualmente a temperatura.

Uma das coisas agradáveis das estradas secundárias do interior é a calma com que sentimos o carácter das aldeias por onde passámos, os lugares com nomes incomuns ou nomes confortavelmente conhecidos, mas que ali estão fora de contexto. Ao longo da velha estrada vemos florestas, mas a paisagem rural é na sua maioria agrícola, pasto entregue às vacas, porcos e galinhas. Os cães, às vezes levantavam um olho desinteressado, quando passávamos.

Até chegar a Paredes de Coura faltavam dez íngremes quilómetros, e os meus músculos, aparentemente em desacordo com o cérebro, ditavam a cadência, muuuuuito lenta. Mas havia um propósito no meu ritmo, desfrutar vagarosamente da manhã, parando aqui e ali para dar uso ao meu telemóvel, que nestes passeios não tem servido para outra coisa senão como uma oportuna câmara fotográfica. Quando paro para “reflectir”, o suor escorre pelo meu rosto e aproveito o momento para fazer uma fotografia, evaporar algum suor e arrefecer o motor. Prosseguia em transe mental, desprezando as pernas doridas, deliciando-me com as belas paisagens minhotas, o verde e o azul, os lugarejos aparentemente esquecidos mas bem cuidados, o prazer de estar ali a usufruir de um dos subprodutos mais atraentes de ciclismo, o cicloturismo. Quanto mais lento melhor para desfrutar da viagem. Quem quer que a subida termine!?

E lá terminou, em Rendufe… ufe! E eu agradeci, especialmente por estar já bem pertinho do posto de controlo nº 4 em Paredes de Coura, onde uma ou duas sopinhas e um prato de comida iriam me dar novo vigor. Mas a malta que primeiro chegou à Pizzaria Romântica acabou com a panela da sopa – vá lá que ainda tive direito à última colherada – e, depois de carimbar o passaporte, o quarteto de cordas foi tirar a barriga de misérias com uns saborosos filetes de pescada, a preço muito mais romântico, no Restaurante Snack-Bar “O Furão”. Repostos os níveis, iríamos digerir os próximos quilómetros de uma longa descida pela N303 ao encontro do Rio Lima, em São Pedro da Torre. Depressa chegamos à Linha do Minho e ao seguinte posto de controlo, no Café da Estação, mas achei que ainda era cedo para o lanche.

Sempre se enalteceu a engenharia e imponência da rede viária construída pelos romanos. O rigor técnico do traçado; a sólida colocação do piso; a majestade das pontes; o domínio gravado nos miliários… Grandiosa e eterna. Mas do que estes romanos não se lembraram foi construir uma ecopista fofinha ao longo do Rio Minho. Eu e o Jacinto já havíamos experimentado o tapete vermelho ocre desta bonita e tranquila Ecopista, entre o arvoredo, campos de cultivo e as águas do Minho, de Valença a Gondarém, passando por Cerveira. Habitualmente muito concorrida, cruzamos com poucos ciclistas e peões que habitualmente povoam e circulam na Ecopista, provavelmente desanimados pela instabilidade climática.

Pedalávamos à conversa, tão relaxados que a certa altura os relógios das bússolas electrónicas davam cinco horas e meia! Apertados com o tempo arrepiamos caminho e, uma hora depois à passagem por Caminha, os relógios das bússolas electrónicas continuavam nas cinco horas e meia!!! Mau… Quer dizer, fomos enganados pelo fuso horário de nuestros hermanos! Fixe.

O que não foi fixe foi quando percebemos que não íamos tirar proveito da Nortada ao longo da N13. O vento contra, de sul, era absolutamente feroz e tornou a viagem de retorno pela orla marítima um teste no túnel de vento, num ritmo difícil e lento. O quarteto separou-se e eu estava sozinho, quando sou surpreendido – pois para mim deveriam estar bem mais à frente – e ultrapassado pelos CC Riazor com o Jacinto na cauda do mini-pelotão. Aproveito o comboio por um par de minutos. É fácil aumentar a velocidade aproveitando a força do grupo rasgando o ar, mas quando se está no elástico e no limite das forças depressa se acaba a gasolina e voltei de novo a ficar só, contra o vento. Por essa altura um lanche ajantarado vinha a calhar. Reagrupamos mais à frente e paramos em Viana do Castelo para comer qualquer coisita. Depois, foi pedalar o que faltava pedalar, e até chegar/voltar ao ponto de partida nada de assinalável houve para contar.

Tenho no entanto de falar maravilhas e dar foco ao extra que a Tripas ganhou e testou neste brevet. Montado um mecanismo de rotação, o cubo SP VP-8 36H, numa roda da frente nova, alimentando um farol Busch+Muller IQ-X, tão útil quanto fácil e divertido de usar, não só melhorei o alcance luminoso, como me proporciona maior independência em todos os períodos de obscuridade, permitindo que enfrente a noite com protecção e segurança. Um upgrade fantástico, encaixa bem na harmonia estética da bina e acabaram-se as pilhas, baterias e arrelias. Obrigado iNBiCLA, excelente trabalho.


Mais uma vez foi um prazer pedalar ao lado do Jacinto do Manuel e do Campelo. A todos os randonneur participantes, velhos e novos conhecidos, um abraço e até breve(t).

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