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Calças para andar de bicicleta?

asminhasbicicletas

Cada um deve vestir aquilo que quiser para o seu percurso de bicicleta, se for casa/trabalho ou trabalho/padaria ou escola/casa ou outro qualquer… não há vestuário próprio, e não é preciso nem ir todo casual nem todo licrado. O que importa é ir, com o que se sentir bem.

Eu costumo levar a roupa do trabalho da cintura para baixo, e da cintura para cima levo uma tshirt, ou camisola mais quente quando está frio ou impermeável quando está de chuva, e mudo para uma camisa/pólo no destino que transporto na “bagageira” da bicla ou previamente deixei no local de destino em dias anteriores.

Mas uma “maleita” que me tem assolado é que não ganho para calças!”… (para continuar a ler clicar no link)

O postal  aborda um assunto caro a muito ciclista urbano. E o que tem a ver o cu com as calças? A expressão “O que o cu tem a ver com as calças?”, conta a lenda Levi’s, era justificável para os mineiros que não entendiam a razão de se usar brim de barraca para fazer calças. A razão era que as calças durariam mais nos fundilhos.

Ora eu também não ganho para calças, e só umas Lee vintage que me voltaram a servir depois de vinte anos, e vinte quilos, resistem ao meu commuting alapado no selim. Tudo o resto que seja ganga tende a ganhar entradas de ar forçado nos fundilhos das calças. Vai daí, o postal de hoje tem também a etiqueta “passe a publicidade” e passa por recordar uma marca nacional de roupa dedicada ao ciclismo, a Rasto de Geraldo Cirineu veste o ciclista urbano de estilo mas sobretudo com conforto e funcionalidade.

rastoJá está na lista de prendas pró meu aniversário.

 

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reciclando [19] de olho no trânsito

Alguns condutores estão tão acostumados a viver em ruas apinhadas de carros que acreditam ser essa a ordem natural das coisas. Por conta disso, não percebem que uma bicicleta que circula à sua frente, ao seu lado, atrás de si, é possivelmente um carro a menos. Na sua inabilidade de se colocar no lugar do ciclista, eles nem dão conta da nossa presença e, se dão, têm dificuldade em partilhar a via. O ciclista tem o direito de transitar como qualquer outro veículo, porém alguns motoristas parecem ignorar as regras do Código da Estrada, ou mesmo ignorar as recentes alterações, achando-se os donos disto, colocando ciclistas e peões em situações de risco.

Um ciclista experiente sabe ocupar o lugar correcto na viaUm ciclista experiente sabe ocupar o lugar correcto na via, seguindo na direcção do fluxo automóvel, colocando-se na via de modo a estabelecer uma margem de segurança com a qual se sinta à vontade, consoante as condições da estrada, tráfego e demais meio envolvente. Mas mesmo assim não é o bastante para escapar dos automobilistas distraídos ou dos que nem querem saber de nós. Todos sabem diferenciar os comportamentos seguros dos comportamentos incorrectos no trânsito. Geralmente, não conseguimos manter sempre a mesma atenção durante o tempo todo, enquanto dirigimos ou pedalamos. Constantemente o nosso pensamento leva-nos a matutar outras coisas, sejam elas importantes ou não. A concentração nem sempre está presente e é habitual ver algo que nos distrai, e por instantes ficamos a observar o que não devemos enquanto dirigimos.

de-olho-no-transito-1Pedalar o mais à direita possível dá uma falsa sensação de segurança. As razias são facilitadas e o ar deslocado pela ultrapassagem do primeiro carro é um alerta para que os que vêm atrás façam o mesmo. Com receio, somos levados intuitivamente a nos aproximarmos do passeio e a ficarmos entalados entre os carros e a berma, ou o passeio, o que é meio caminho andado para nos colocarmos em risco. Por experiência, tanto ao volante como no pedal, não há um dia em que não assista a todo o tipo de infracções por parte dos automobilistas. O simples acto de ligar o pisca-pisca para indicar a mudança de direcção é muitas vezes esquecido.

de olho no transito 2Há uma situação em particular que resulta muito perigosa para o ciclista. É o caso do chamado “gancho à direita”. Isso acontece quando um automobilista ultrapassa um ciclista para logo a seguir virar à direita, entrando à frente do ciclista. A mudança de direcção é inclusive muitas vezes efecutada sem a devida sinalização, o que coloca o ciclista em sérios riscos. Numa situação de recurso, e para evitar o embate, se o conseguir, o ciclista trava a tempo ou simplesmente desvia-se, virando também à direita. Não devemos contar que reparem sempre em nós e, como tal, é de evitar ficar lado a lado com os carros antes de cruzamentos ou saídas à direita, como os parques de estacionamento, garagens ou bombas de gasolina. O mais sensato é o ciclista ocupar o centro da faixa, com a probabilidade de assim desencorajar o automobilista a ultrapassá-lo. No entanto, não contes muito com facilidades.

de olho no transito 3Quando nos deparamos com congestionamentos na estrada, uma fila de carros, o mais conveniente é passá-los sempre pela esquerda. Assim, pelo menos, o ciclista tem algum espaço de manobra, seguindo em frente e permitindo que outros veículos virem à direita sem colocar a sua integridade física em perigo. O ciclista deve posicionar-se no centro da faixa de rodagem, pois isso dá maior sensação de segurança e permite ao automobilista a oportunidade de perceber o ciclista que segue à sua frente. Ao pedalar pelo centro da faixa de rodagem os ciclistas reivindicam o seu espaço na estrada. As suas intenções são sempre previsíveis e um simples rodar de cabeça e esticar um dos braços para o lado, vai comunicar com os automobilistas, indicando-lhes o que pretende fazer. Eu pedalo no meio da rua, tranquilamente, sem stresses, e vou fazer isso enquanto não houver um espaço decente e dedicado a mim.

infografias: davesbikeblog.squarespace.com
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fotocycle [181] Cósmica

Porto de Carreiros

É amiga, confidente e terapêutica. Leva-me para todo o lado e faz questão de requintar o meu quotidiano. Nela chego ao trabalho bem relaxado e volto a casa menos stressado. Sem sobressaltos, passando por lugares tranquilos, saboreando o tempo, superando limites. Pedalo, porque tenho tempo para desfrutar do ar livre, experimentar uma vida simples, de um modo simples. A bicicleta tem essa capacidade maravilhosa de nos desentorpecer, de nos fazer perceber a real dimensão da distância, do relevo, da temperatura. Em ter os olhos abertos e descobrir outras visões do momento, outras formas de ver o mundo. Aproveito cada momento.

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questionário sobre ciclismo urbano

Questionário sobre ciclismo urbano
“Boa noite,

Vi o seu blog e tomei a liberdade de lhe enviar este email.

Estou a fazer um estudo sobre o ciclismo urbano em Portugal e venho pedir-lhe apoio no preenchimento e divulgação do questionário que servirá de apoio à minha dissertação de mestrado. O objectivo do estudo é entender as motivações, escolhas de percursos e o impacto da inovação no ciclismo urbano em Portugal.
Todos os dados recolhidos são confidenciais e anónimos.

O questionário demora apenas 5 minutos.

http://goo.gl/forms/MpmwMiOcrh

Muito obrigada,
Carlota Léchaud”

Bora amigos, é só colaborar que já, já,  voltam a pedalar!

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as loiras são outro nível

vanMoof by DouroBike

aqui havia falado das VanMoof, bicicletas holandesas com um design elegante e invulgar, designadas como uma bicicleta urbana perfeita, minimalista, enaltecendo o estilo mas mantendo todo o conforto. São biclas resistentes, adaptadas à cidade, com pouca manutenção e a particularidade de esconder alguns dos seus componentes dentro dos seus gorduchos tubos de alumínio.

A empresa VanMoof está a preparar o lançamento de um novo modelo que tenta mudar o referencial do que as pessoas consideram uma bicicleta eléctrica, permitindo inclusive que se conecte à internet. Chamada de ‘Electrified S’, a bicicleta chega ao mercado nos próximos dias e une a tecnologia com o design requintado a que nos habituou. Quem a vê nem imagina que dentro da tubagem esconde um motor eléctrico de 250W e bateria com capacidade para durar até seis horas de pedalada.

Além disso, a bicicleta conta com um ecrã sensível ao toque que permite controlar a velocidade, as luzes, bloquear e soltar o bloqueador num impulso. Através de uma aplicação para smartphone, iOS ou Android, a bicicleta torna-se interactiva, sendo possível ajustar algumas configurações. Entre as varias possibilidades abertas pela conectividade, a bicicleta utiliza tecnologia Bluetooth e um chip 3G, contendo um GPS, onde se realça a possibilidade de localizar a bicicleta, ajudando em casos de roubo, por exemplo. O preço de quase três mil euros também é arrojado.

Quem as quiser admirar em pele e alumínio, sempre pode passar na ciclovia da Foz do Douro e espreitar a montra da DouroBike.

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can’t miss [149] ionline.pt/artigo

Guerra civil em Lisboa

Tiago Mota Saraiva

“Não querendo desvalorizar os quilómetros de ciclovias construídos, estes têm sido projetados preferencialmente como circuitos de lazer e não de trabalho. Nos raros casos em que se encontram em eixos centrais, as ciclovias são afetas aos passeios, transformando-se inevitavelmente nos caminhos preferenciais de cidadãos com mobilidade reduzida em fuga à calçada.

Mas, se este problema de desenho tenderá a ser resolvido com o passar do tempo, há um problema cultural que urge resolver.
A maioria dos automobilistas não sabe conduzir em coexistência com o ciclista. É raro o automobilista que não se cola à bicicleta e até buzina quando o ciclista lhe condiciona a velocidade em vias de sentido único – ainda que em zona residencial ou de velocidade condicionada – ou que tem a perceção de que o ciclista tem uma largura de segurança maior que o espaço que ocupa, pois pode ter de se desviar de um buraco ou de um carril de elétrico que, para o carro, é indiferente.

Se é certo que a condução dos ciclistas não está isenta de erros, aquele erro coloca em causa a sua vida e, na pior das hipóteses, amolga a chapa do automóvel. Os riscos são desequilibrados; por isso, urge desequilibrar a lei. Tal como sucede em tantas cidades, é fulcral assumir a prioridade do ciclista sobre o automóvel nos eixos centrais e, como princípio para resolver conflitos, dar razão ao ciclista. É pela lei que se pode alterar a cultura de que o ciclista deve sair da estrada para deixar passar o automóvel.”

(o artigo completo pode ser lido em  https://www.ionline.pt/artigo/502205/guerra-civil-em-lisboa-?seccao=opiniao_i)

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uma aventura no Oeste

BRM 200 Montejunto ao Atlantico #11
Depois de uma voltinha ensopada mas saborosa pelos encantos do Parque da Peneda-Gerês, lá estava eu de novo a preparar os alforges para repetir a dose. Dez horas em cima do selim. A mesma sensação, o mesmo empenho e entusiasmo de outros brevets, mas quando se trata de inaugurar um brevet Randonneur Mondial dos Randonneur de Portugal a motivação e ambição redobram. Pedalar duzentos e tal quilómetros com a aliciante de escalar a Serra de Montejunto, no novo Brevet Montejunto ao Atlântico 200. Uma aventura à conquista do Oeste… Hiiiiháaaa…

BRM 200 Montejunto ao Atlantico #2
A ideia inicial seria madrugar no Sábado e seguir directo com o amigo Jacinto para o depart, mas a sugestão do Gilberto em alugar uma barraca no Land’s Hause Bungalows veio a ser uma excelente sugestão. Assim a excursão começou de véspera. Chegada a diligência ao ponto de encontro, foi tempo de atrelar os ginetes à carroça, aproveitar o dopping mecânico e acelerar por um bom par de horas a caminho do distante Oeste. Até à Burinhosa. Fazendo jus ao espírito randonneiro, o nosso amigo Miranda havia lá chegado primeiro, uma vez que preferiu fazer o pré aquecimento a pedalar desde Esposende. Aproveito o ensejo para agradecer a amabilidade e simpatia de Pedro Alves e família em nos ter recebido e improvisado um jantar, enquanto a restante comitiva disputava uma renhida partidinha de matraquilhos.

Burinhosa é uma pequena aldeia do concelho de Alcobaça conhecida por reservar um dia por ano para se transformar na Capital da Bicicleta. No mês de Julho a aldeia recebe centenas de bicicletas antigas e seus entusiastas proprietários, numa festa com bastante pedalada. Durante a ENBA a taxa de velocípedes supera largamente a taxa de habitantes. Tratando-se de uma terra de coleccionadores de bicicletas, este encontro anual merece grande destaque, calculando-se em mais de 800 máquinas de outros tempos que são reunidas e depois desfilam com vaidade ao sabor das correntes e das campainhas.

A táctica estava lançada: todos ao Montejunto e fé em São Pedro, mas ao rufar dos tambores tivemos a primeira certeza do dia, pela frente teríamos um brevet bem regado. O rendez-vous estava marcado para o saloon da Associação Nacional de Bicicletas Antigas, anfitriã à partida e à chegada. Tempo para ultimar os preparativos, cumprir as formalidades do bike check, do briefing, aparelhar as montadas e, às oito em ponto, deu-se início à corrida ao ouro, uma aventura digna desse nome. O mote era pedalar do mar à serra, num novo duelo multifacetado. A quadrilha não se intimidou com a chuva, mostrou coragem e deu o peito às balas.

O horizonte mostrava-se cinzento mas a manhã estava amena. Os elementos chuva e vento são conhecidos, porém a forma como estão misturados pode fazer a diferença. E fez, assim como a muito complicada navegação deste brevet. Depois de Pataias, passamos pelas cercanias da Nazaré e de S. Martinho do Porto, zonas de extraordinária beleza natural que ficariam reservadas para o regresso. Cruzamos a linha férrea do Oeste diversas ocasiões, uma delas com as biclas às costas, e chegamos às Caldas da Rainha a meio da manhã, onde não houve tempo para visitar o Museu do Ciclismo que reúne espólio e registo histórico do ciclismo no nosso país. A rolar bem na N8 avistámos a vila medieval de Óbidos, mesmo ali ao lado a convidar uma visita. Mas não, não fomos ao chocolate, estávamos só de passagem. Deu para apreciar ao longe o imponente castelo e as muralhas desta maravilha de Portugal. A pedalada continuava certinha, mas eis que um senão atrapalhou o meu espírito ousado. Aí, ao quilómetro sessenta e tal, com tudo a marchar bem, o alcatrão traiçoeiro foi mais rápido no gatilho e derrubou-me ao chão. Mais ferido no orgulho que no corpo, foi levantar, sacudir as moscas e continuar a pedalar.

Bombarral City convidava a parar e abastecer a cavalgadura, mas o alvo estava marcado. A Serra de Montejunto, que crescia na linha do horizonte, meio encoberta pela neblina. A região Oeste é um todo, vilas e aldeias com um ritmo muito próprio. É uma calma e pacífica região, um mundo a descobrir, um universo longe da azáfama e da agitação, com paisagens salpicadas de castelos medievais, ruínas, solares e moinhos. A estrada empina e dá-nos as boas vindas, avisando do que aí vem. Depois a paisagem abre-se numa esplêndida encosta de vinhas, oferecendo o último descanso para atacar a magnífica Serra de Montejunto, pela subida mais acessível que é por Vila Verde dos Francos.

Entrando na localidade deu-se início às hostilidades. A tarefa previa-se penosa mas a subida é bastante acessível. A Serra de Montejunto é o miradouro natural mais alto da Estremadura, elevando-se a 666 metros de altitude. É uma pequena ilha que emerge uma planície de aluvião, no meio de terras lavradias e florestais. Durante a subida fui ficando para trás, disparando em todas as direcções. Mesmo estando um dia triste, para os olhos foi um regalo. Fui fazendo algumas paragens para recuperar o fôlego e melhor enquadrar as fotografias daquela imensidão e beleza, de todas as perspectivas da varanda. Tanto a subir como a descer, por mim passaram vários ciclistas em modo treino. A inclinação do chão foi sendo suavizada pelo vento, que mesmo aumentando de força soprava pelas costas. Quase no topo, onde se cruzam várias estradas, tiro mais uma foto e piro-me para o parque de merendas, onde pela primeira vez se carimbou o cartão brevet e finalmente se comeu algo quente. Não havia sopa, só um megacardápio de tostas, de megatostas.

Meia hora depois, estava pronto a continuar pra bingo. O restart foi uma tortura, sentia-se um vento frio, desagradável, ainda para mais com uma longa descida pela frente. Virei para Pragança, onde as encostas desta vertente são as mais complicadas e assustadoras, principalmente para a quem as sobe, por isso fui descendo a um ritmo cuidadoso. Não pressenti que o dito cujo homem marreta andasse por ali. Talvez só amedronte os corajosos que vão a penar no sentido inverso, não tenho a certeza. Dei as boas tardes a dois desses corajosos.

Chegado ao povoado, e como não queria dar o ouro ao bandido, na dúvida por onde seguir dei meia volta e esperei que um companheiro de route surgisse ao fundo da curva. Apareceu o Alexandre e juntos seguimos à conversa, pedalando contra a borrasca por muitos e complicados quilómetros. A chuva voltou com toda a força e o amaldiçoado vento, fortíssimo, de frente, com rajadas que quase nos abalroavam, fez com que a nossa progressão fosse penosa. Depois do Cadaval, nova passagem pelo Bombarral, e eu ia avançando de cabeça baixa. Não tendo hipótese de seguir na roda do companheiro de ocasião, deixei-o ir e mantive o meu ritmo, a pensar numa sopinha que saberia que nem gingas. Cheguei finalmente à terra dos dinossauros, e foi já na Lourinhã que num café reencontrei o grupeto que saboreava uma sopa quente, abrigados da maldita chuva que parecia não querer parar.

Depois de uma vista de olhos ao itinerário, e querendo aproveitar a companhia e boleia do grupo, ponho-me a caminho com o objectivo de chegar à Praia da Areia Branca e atacar o forte de Paimogo. Vislumbramos finalmente o oceano e as belas praias da região da Lourinhã. Praias moldadas ao sabor da maré, natureza deslumbrante, falésias e enseadas que definem a linha de costa, a Costa de Prata. Não me deixando intimidar com o monstro, seguimos a rota dos dinossauros até que o temporal lá amainou. Um par de pernas de um T-Rex ter-me-ia feito um certo jeito por essa altura. Depois de um enlameado sterrato à chegada ao forte, e consequente resposta ao questionário do controlo de passagem e registo fotográfico, logo de seguida nos aventuramos pelo constante sobe e desce da típica estrada do Oeste, esburacada e serpenteante.

Voltamos ao interior, mais uma vez pelo sossego do campo. Serras, rios, pomares, um rebanho de ovelhas, tranquilas aldeias que dão um carácter verdadeiramente genuíno à região. A experiência de pedalar torna-se mais desafiante, porque o relevo engana, rompe pernas, baralha de algum modo o sentido de orientação. O esforço é altamente subjectivo, a cabeça é sempre quem manda… e o estômago reclama. A tranquila margem da Lagoa de Óbidos justificou algum descanso às montarias para apreciar outros atractivos da região. Estivesse um dia de sol e calor, não seria de enjeitar um mergulho naquelas águas calmas.

Depois da Foz do Arelho a romaria seguiu para norte, ao longo da Estrada Atlântica. Com boa visibilidade até se avistariam as Berlengas, mas como o sol não quis nada connosco tivemos o Sr. Atlântico como companhia e o vento de sul, que nos foi empurrando até São Martinho do Porto. Esta encantadora vila estende-se ao longo de uma deslumbrante baía, um microcosmos emoldurado pela beleza do Atlântico. Aberta para o oceano através de uma frincha com cerca de duas centenas de metros, entre as colinas de Santana, a sul, e Farol, a norte, a baía foi em tempos conhecida como o “bidé das marquesas”, pelas suas tranquilas águas e areias finas, e por ser uma estância balnear muito concorrida pela burguesia da época. Na avenida marginal, o centro cosmopolita desta encantadora vila, destacam-se o comércio, as moradias tradicionais e toda a movida que é mais movida nos meses de Verão. Tudo muito bonito, mas a navegação exigente e as longas rampas da Serra da Pescaria prendiam-nos toda a atenção. Envoltos em nevoeiro chegamos ao último posto de controlo, para me levantar do selim, carimbar o cartão de brevet e captar um moinho. Dou uma última olhadela mas já não se avistava mais nada.

O vento de sul ao longo do Atlântico é reconfortante, e por esta altura com quase duzentos quilómetros nas pernas as descidas também o são, mas nada se compara a mais uma subida para aquecer a carcaça. Descemos ao nível do mar. Havia já caído a noite quando chegámos à Nazaré, passamos ao largo da praia para enfrentarmos a subida para o Sítio, contornando todas aquelas rotundas. Lá em cima, no Miradouro do Suberco, a 110 metros de altitude, abre-se a um dos mais belos panoramas marítimos de Portugal. Acho que já todos conhecem o Sítio! Não fomos lá e continuamos a pedalada. Seguimos com a pressão nos pedais, pernas queimadas, ácido láctico acumulado no corpo mas com a bicicleta e corpo unidos. A sugestão que nos foi dada no briefing seria a de pedalar pela pista ciclável da Ciclovia Atlântica, devido sobretudo aos excessos dos automobilistas que muito aceleram por ali, mas a nossa opção foi continuar destemidos e aventureiros pela estrada. Durante alguns minutos os focos apontaram o asfalto até nos enfiarmos pelas matas do Pinhal de Leiria, de grande beleza paisagística, mas do qual só se sentiam os aromas a pinheiro e eucalipto. Até à Burinhosa foi um saltinho, onde chegamos descontraidamente a pedalar pelas labirínticas ruas da aldeia até regressar ao saloon da Associação, beber um trago e entregar o cartão à xerife.

BRM 200 Montejunto ao Atlantico #40
E pronto. Mais uma magnífica jornada a dar vida à loucura das serras, que é muito do agrado de alguns pedalantes cá da tribo. Como um sonho acordado onde nunca se percebe bem o que é real e o que é mítico, este western spaghetti à moda randonneur foi uma aventura singular, difícil, que assumiu contornos de satisfação, queda e negociação com a dor, sem problemas para o meu lado aventureiro e sensorial. Senti a exaustão das últimas pedaladas, e só tenho é de estar grato aos companheiros Gilberto, Pedro e Miranda que sabem sempre o sabor de ter chegado, de ter vencido. Mais uma vez a minha admiração ao nosso amigo Jacinto, que passado uns minutos chegava sorridente e triunfante.

Era uma vez no Oeste… That´s all folks

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o nosso amigo Jacinto

BRM200Gerês #14

Há coisa de cinco anos, enquanto escalava o primeiro prémio de montanha das minhas pedaladas matinais, as habituais para o trabalho, já perto do Carvalhido o sonoro dling-dlong e a saudação do Jacinto eram rotineiros. “Bom dia amigo Paulo“. Depois, até à Boavista, seguíamos juntos e a conversa ficava em dia. Entretanto deram-lhe a reforma, mas o Jacinto não se aposentou das pedaladas. Só a minha rotineira pedalada matinal é que passou a ser em modo solitário. Ele agora tem disponibilidade para fazer aquilo que mais gosta, passear nas suas bicicletas. Os nossos encontros na rua tornaram-se mais ocasionais, mas os longos percursos na estrada continuam a bom ritmo. Juntos nas nossas bicicletas já vivemos muitas e boas peripécias, largas centenas de quilómetros pelas estradas de Portugal, até na Galiza, e este jovem rapaz perto das setenta primaveras pedala que é um regalo! Para o acompanhar tenho de suar as estopinhas.

O nosso amigo Jacinto é um alento para todos. É com um contagiante sorriso e permanente boa disposição, com muito suor à mistura, que ele consegue superar as adversidades, transformando a sua alegria num exemplo e incentivo para os preguiçosos de plantão. Demonstra a muito boa gente o que é ser campeão. Se não atingir a média superior a mil quilómetros por mês, pedalando os seus três amores, a Branquinha, a Morena ou o Negrão, ele “faz birra”.

O seu exemplo remete-nos a sentimentos ligados à infância, a um prazer simples e inestimável, pois o acto de andar de bicicleta não tem idade nem preconceitos. Ao contrário do que já lhe disseram variadas vezes, o Jacinto não tem idade para ter juízo. No início do mês superou outra aventura, com mais de duzentos quilómetros e bastante montanha lá pelo meio. Amanhã o Jacinto tem novo desafio para somar às suas conquistas.

Relembro o comentário que me deixou num post antiguinho:

“Eu adoro andar de bicicleta. Quando eu saí da escola isto nos anos 60, eu tinha os meus 17 anos e a prenda da minha mãe foi uma bicicleta, eu quase dormia com ela, na altura morava em Lisboa, e vinha ali para o Campo Grande onde tinha umas grandes pistas para eu andar. É verdade, belos tempos em que as nossas mães nos grandes presentes era a bicicleta a prenda nº 1. Hoje reparo que a maioria das mães o presente nº 1 é oferecer um carro. Tenho um amigo meu que ofereceu ao seu filho por ele passar o 12º ano um carro, para que seu filho vá agora para o instituto de mercedes, sim tinha que ser um mercedes para as miúdas verem. Enfim… obrigado mãe por me teres dado uma bicicleta.”

Quando crescer quero ser com’ó Jacinto.

BRM200Gerês #6

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“Amanhã volto ao metro. Se estiver fechado, vou de bicicleta”

“Desde os atentados terroristas em Paris, a 13 de Novembro, Bruxelas tem registado vários sobressaltos, incluindo ameaças de bomba em estações de metro e rusgas policiais. Esteve vários dias em alerta máximo de segurança, com escolas e superfícies comerciais fechadas. Tornou-se hábito ver militares em zonas chave da cidade, mas os habitantes da cidade conseguiam esquecer-se que eles lá estavam. As rotinas continuaram.

E irão continuar. “Amanhã o plano é voltar a apanhar o metro. Se estiver fechado, vou de bicicleta,” disse Eduardo. “O fundamental é não mudar radicalmente a nossa vida… pois é isso mesmo que o terrorismo quer.””

in Publico, Reportagem de Sílvia Amaro (em Bruxelas)

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porque o tamanho realmente conta

tour de france 2011
Pedalar sempre foi considerado um hábito saudável e a bicicleta tem cada vez mais adeptos dispostos a colocar o rabo no selim para ganhar anos, pedalando a qualquer hora do dia, em todo o lado, sem pensar duas vezes. O que poucos sabem, no entanto, é que pedalar requer cuidados prévios, pessoais e fundamentais, para que o acto de pedalar seja de facto um prazer e não uma fonte de dores cabeça, do rabo bem como em outras partes do corpinho. Escolher uma bicicleta é como escolher um par de sapatos. Cada pessoa tem o seu tamanho certo. Pois, se o sapato é pequeno vai apertar os calos, se o sapato é grande vai saltar do pé, pedalar uma bicicleta que não é do nosso tamanho vai se tornar desconfortável, doer e moer o corpo. O que fazer então para encontrar a bicicleta perfeita para nós? Há pelo menos duas formas para o fazer.

Para quem fez uma recente incursão no ciclismo ou está a pensar pedalar com regularidade, recomenda-se iniciar as pedaladas com uma bicicleta de passeio, nem que seja emprestada. Experimentar e testar as suas necessidades é o primeiro passo para encontrar a bicicleta perfeita, aquela que não só é a nossa cara como a do tipo de modalidade ciclistica que desejamos praticar. Também poderá ser aquela bicicleta que herdamos e pretendemos restaurar. Em todo o caso, antes de comprar/reabilitar/restaurar uma bicicleta devemos sempre observar se o tamanho do quadro é proporcional à altura do pretendente e qual o tipo de ciclismo que deseja praticar, beneficiando assim da sua biomecânica e desempenho. Quando definir o que realmente quer, tamanho e tipo de quadro para melhor desfrutar do ciclismo, devererá observar as medidas anatómicas para melhor adaptação da pessoa ao equipamento. A bicicleta precisa ser personalizada.

bikefit

Para incorporar o ciclista à bicicleta, dependendo da altura e peso do ciclista, é através do bike fit, cuja tradução à letra é ajuste da bicicleta, que se vai “encaixar” na perfeição. A postura e movimentos a serem feitos na bicicleta devem estar alinhados, caso contrário, em pouco tempo, podem surgir diversas dores corporais indesejadas. São detalhes que apenas podem ser corrigidos com o bike fit. Por exemplo, o selim deve estar à altura ideal. Caso esteja, ou muito baixo, ou muito alto, certamente vai ter problemas nas articulações dos joelhos, ligamentos, lombar, cervical, ente outras possíveis mazelas. Há pessoas com tronco comprido e pernas curtas, e vice-versa, por isso, determinar a medida das pernas (cavalo) é fundamental para a escolha do tamanho da bicicleta. Para saber o tamanho de um quadro de estrada, ou mesmo de uma pasteleira, com uma fita métrica mede-se o tubo vertical desde o centro do eixo, do movimento pedaleiro, até ao cruzamento do tubo vertical com o tubo horizontal. Para medir a altura da perna basta ficar descalço(a) e medir desde o entre-pernas, onde senta o selim, até aos pés. Com essa media multiplicada por 0,65 chega-se à medida do quadro. Por exemplo se uma pessoa tem 80cm de perna, (80cm x 0,65 = 52) neste caso um quadro tamanho 52 é o ideal. Também é conveniente saber o tamanho do tubo horizontal, a distância entre o selim e o guiador (guidão), mas a altura é o mais importante no quadro. A altura e comprimento podem depois ser ajustados regulando o selim.
A regra para as bicicletas de montanha é diferente. Geralmente o tamanho destas é tido em polegadas. Obtendo-se o tamanho da perna da mesma forma, a regra é convertê-lo em polegadas e subtrair-lhe 14. Com o exemplo do mesmo tamanho: 80cm = 31,49” – 14 = 17,49. Então o quadro de montanha ideal para mim será um 17 ou 18, que corresponde ao M, o tamanho intermediário e que satisfaz a maioria da estatura da nossa população. Actualmente, em vez da numeração em centímetros ou polegadas, muitas marcas utilizam as medidas S, M, L, XL, tal como uma peça de vestuário.

tamanho da pernaEscolher uma boa bicicleta que se adapte bem ao nosso corpo é, como já vimos, fundamental. E não é num supermercado que a vais encontrar. Para um atendimento profissional e especializado, no sentido de esclarecer todas as nossas dúvidas e obtermos orientação para todos os detalhes, especialmente quando não temos a certeza qual é a bicicleta ideal, o mais recomendável é procurar nas lojas especializadas com profissionais, cujo conhecimento e prática são necessários para prestar um bom aconselhamento e orientação. E pronto, agora que já sabes qual é o teu número de sapatos… de bicicleta, encontra a tua e sê feliz.

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