do trânsito e da cortesia ao volante

Nesta coisa dos dias mundiais, celebrações, efemérides, etecétraetal, ouvi dizer, para meu espanto, que hoje, 5 de Maio, é o Dia Mundial do Trânsito e da Cortesia ao Volante. Concordando plenamente, no motivo reza o seguinte:

“Apesar da cortesia ao volante ser um dever de todos os condutores durante todo o ano, neste dia relembra-se a importância de ser cortês ao volante. Como a estrada pertence a todos, deve-se estar atento a todas as movimentações, respeitar os limites de velocidade e as prioridades, ceder a passagem, dar sinais de mudança de trajetória, entre outros comportamentos.”

Hoje nada tenho a registar, tudo pacífico, mas no meu commuting diário, em ciloviagens e treinos afins, infelizmente nem sempre é assim. A cada dia que passa sou testemunha de todo o tipo de transgressões rodoviárias, de automobilistas que reclamam com outros automobilistas, abespinham-se contra os peões e ciclistas, na correspondente medida ao número dos utilizadores da via. Confesso que nem sempre devolvo com um sorriso os insultos que os automobilistas me enviam. Qualquer “ciclismo agressivo” da minha parte é o resultado de alguma condução agressiva e imprudente que acontece ao meu redor.

cortesia ao volante #1

É verdade que a bicicleta me dá liberdade mas não toda a que preciso. Não pretendo aqui defender o mau comportamento do ciclista para denunciar a comunidade de automobilistas intolerantes. Eu, como muitos outros, faço da bicicleta o meu estilo de vida e não apenas um exercício. Existem muitos estilos de condução com que temos de contar, o que leva os utilizadores mais vulneráveis, os peões e os ciclistas a várias situações de risco. Num interesse de trazer este assunto para tema de conversa, eu coloquei no papel a minha própria abordagem como viajante regular de bicicleta em determinadas situações. Também, porque a minha abordagem ao ciclismo é um pouco diferente da opinião de outras perspectivas que vou testemunhando, para quem tem de conviver no trânsito com muitos comportamentos errados que transformam o mais pacato cidadão (ao volante, apeado ou num selim) em tudo menos num pacifista.

cortesia ao volante #5

Eu não utilizaria a faixa de rodagem e o espaço disponível para passar entre os carros engarrafados se não soubesse de antemão as mínimas condições de segurança. Se a minha imprevisibilidade em cima de uma bicicleta faz temer alguém ao volante, então basta que diminua a velocidade e preste mais atenção à minha pessoa. Eu tenho todo o direito de estar ali, utilizando o meu meio de transporte, e não deveria ter de colocar a armadura de cada vez que saio a pedalar. Todos os dias assisto a condutores acomodados ao seu ar condicionado, homens e mulheres de todas as idades tendo o seu momento de cidadania com o dedo na buzina e o pé no acelerador. Valentes destemidos, a emitir gazes, a ouvir música e a falar ao telefone. Mesmo um ciclista com as coxas de um sprinter não pode superar as leis da física. São as leis de Newton que regem o movimento de um veículo de propulsão humana, superando a lei vigente do código de estrada. Uma aceleração dos pedais exige sempre esforço físico e algum ímpeto. A gravidade é uma coisa difícil de superar em cima de uma bicicleta e para evitar uma escalada punitiva eu opto pelo caminho mais longo. Mesmo se a colina constituir ameaça eu posso-a dominar, tenho esse direito de escolha. O que não tenho é o direito de ser mal educado, só que…

cortesia ao volante #3

Apesar de carros e bicicletas habitarem num ambiente similar, cada qual requer uma forma diferente de utilização. Devemos ser capazes de conviver em conjunto e isso significa mover-se no mesmo caminho, da partilha, do civismo, seguindo à risca as regras de segurança e em alerta perante os veículos e peões ao nosso redor. Com uma massa muito menor, comparado a um carro, cada tampa de saneamento, cada buraco na estrada tem o potencial de arruinar o dia a um ciclista, por isso o metro e meio de distância mínima que o CE prevê como margem de segurança para a ultrapassagem do automobilista ao ciclista faz todo o sentido.

cortesia ao volante #2

Tenho de admitir que demorou algum tempo para chegar ao ponto de pedalar com confiança, como eu faço actualmente. Devido à minha avaliação do estado actual da cultura ciclista (e cultura da estrada como um todo), devemos usar o direito que nos assiste em utilizar e partilhar as ruas com os carros, sem ficar com raiva dos seus donos e vice-versa. As bicicletas são veículos de pleno direito nas ruas e nas estradas. O road rage não leva a lugar algum. Vamos continuar a fazer da cultura da bicicleta o melhor dos mundos, e se mantivermos a paciência, o respeito e a previsibilidade do nosso comportamento, ajudamos a tornar as estradas mais seguras. Um pouco mais de paciência, civilidade e respeito poderia fazer muito para manter todos seguros e felizes nas ruas e estrada desta terra.

cortesia ao volante #4

E já agora, como o 5 de Maio também é o Dia da Higiene das Mãos, vamos lavá-las muito bem e evitar usá-las para gestos obscenos e cenas tristes.

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liberta a bicicleta

a UCAL que foi da minha mãe suspensa na casa da aldeia

Para começar pega nela, qualquer uma, mesmo aquela bicla velha de pneus vazios e corrente enferrujada que tens há muito esquecida. Enche-lhe os pneus, unta-lhe a corrente, monta-a delicadamente e impulsiona os pedais. Dizes que vais ficar com as pernas e o rabo doridos. É bem provável, mas o meu palpite é que ela te vai fazer sorrir, recordar velhos tempos, evocar a criança que explorava o mundo e arredores em aventuras com os amigos. Dá-lhe um par de semanas sentado no selim e verás como o teu corpo se volta adaptar a ela. Redescobres a sua simplicidade, a geometria, o peso, os travões, a largura dos pneus. Uma estrutura simples com duas rodas e um par de pedais, que movidos pelo fogo dos músculos te dão uma sensação de liberdade. Há algo organicamente gratificante sobre o acto de usar a própria força e provocar movimento, velocidade, inclinação, vibrações e vento no rosto. Há a mudança de cenário, o poder ver, sentir e cheirar. Gozar do que a liberdade traz consigo, uma sensação de autonomia, um senso de proeza. E a bicicleta oferece-te tempo. Tempo para alcançar, para conhecer, para acompanhar ou ficar sozinho. Um simples passeio de bicicleta é muitas vezes um momento em que podemos gerar ideias, procurar uma melhor maneira de fazer as coisas, sonhar novas abordagens para a felicidade. As minhas bicicletas são um refúgio, o meu compromisso para uma vida melhor. É a antítese entre ficar enclausurado numa cápsula de anonimato ou, de um modo peculiar, manifestar os meus sentimentos ao mundo.

O tempo que tu perdes é o tempo que tu não vives

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fotocycle [182] espelho meu, espelho meu…

espelho meu, espelho meu...

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um Sayago Blues à minha moda

Sayago Blues #7

“Subo e desço este rio
Da Miranda ao Araínho
Sob a torreira e o frio
Faço a escarpa brotar vinho

Rio abaixo rio acima
A dar aos remos no rabelo
Rio abaixo rio acima
Sayago paira por cima
O sonho vira pesadelo

Vinha eu no meu caíco
A ouvir das águas do Douro
Velhas lendas de fronteira
Entre o cristão e o mouro”

Sayago Blues #1

Foi a letra da canção Sayago Blues escrita por Carlos Tê e cantada por Rui Veloso que me inspirou a voltinha de ontem, uma espécie de Brevet pessoal que repeti na companhia do meu grande amigo Rui. Pedalar de casa à casa da minha mãe, à aldeia dos meus avós, um Lugar cativo no meu coração, conviver com os meus tios para voltar logo a seguir. Rio acima, rio abaixo, acompanhando o Douro que deslizava encorpado, gelatinoso, cor de chocolate, deixando um convite para abalarmos na força da sua corrente.

Com sono e genica, pela N108 segui viagem em boa companhia para um reencontro com a emoção, para um Lugar que tem lugar cativo no meu coração, não me canso de repetir. Freixo, Foz do Sousa, Barragem, Rio Mau, Entre-os-Rios, Alpendorada, Pala. A manhã estava uma delícia e o tempo passou depressa, a viajar suavemente ao despique do vento com as subidas, ritmado pela própria cadência do Douro. A nuance em relação a pedaladas anteriores junto ao rio foi atravessá-lo para a outra banda, para Porto Antigo pela ponte de Mosteirô.

Inspirar o aroma da terra, a pureza e a braveza das encostas, o impulso que sinto ao passar de novo por estes caminhos de solidão com a sensação de estar a sonhar acordado. Chegamos a Resende e logo depois saímos da N222 para descer a toda a velocidade e atravessar de novo o Douro, agora em câmara lenta pela Ponte da Ermida. Lembra-me a minha mãe quando nos dizia: “já cheira a Castelo”. Cheguei a casa, ao Lugar do Castelo, e na casa dos Lírios nos sentamos à mesa com os meus tios, contando as peripécias da aventura e matando saudades.

Regressamos ao Porto pela N108, barrigas saciadas, alma cheia. Balouçando sob um quadro rodado que alberga certezas e ilusões nesta tranquila e deslumbrante liberdade que é pedalar, íamos devegarinho. E como bem sabemos, quem pedala tem a forte probabilidade de encontrar amigos ao contornar uma curva. Foi o que veio a acontecer. Para abrilhantar o passeio, tivemos a companhia por algum tempo da Rita e do Vítor, nossos amigos, cicloturistas fantásticos que pedalam para bué, bué de longe. Num percurso tripartido pelo fim-de-semana prolongado, completavam a última etapa dos 350km que bem pedalaram.

Sayago Blues #27
Rico dia, o Dia da Liberdade, da liberdade que é o espaço que a felicidade precisa.

 

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the Purple One just went for a ride

Prince“Just a day after being hospitalized for flu-like symptoms, Prince is healthy enough to host an all-night dance party.
In celebration of “good weather and 4 all the love and support” he received after news broke of his hospitalization, Prince is inviting fans to come by his Paisley Park Estate in Chanhassen, Minnesota Saturday night for a dance party.

2 GIVE THANX 4 THE GOOD WEATHER AND 4 ALL THE LOVE AND SUPPORT… pic.twitter.com/PEcHzLnYvc
Prince (@prince) April 16, 2016

It’s unclear whether Prince will perform this evening, though if his afternoon activities are any indication, the musician is ready to go. The Purple One was spotted riding his Little Red Bicycle around town, which has to be the greatest sight ever witnessed by human eyes.

Prince is literally biking around my work parking lot
kaitlyn powell (@KaitlynPowell6) April 16, 2016“…

tirada daqui: http://consequenceofsound.net/2016/04/one-day-after-being-hospitalized-prince-spotted-riding-his-bike-throwing-all-night-dance-party/

Prince foi fotografado pela última vez a andar de bicicleta e vestido de… roxo.

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serenidade

aqui

Vim, porque sei que posso contar contigo. Aqui, em frente a ti, paro e encontro a serenidade. Sinto a tua presença, leve, que me acalma e me embala. Deixo-me ficar a teu lado, porque me deu uma imensa vontade de assim soltar palavras e prender o tempo. Fixo o horizonte, azul como o teu olhar, filtrado pela Primavera. Aqui desperto de sonhos que o coração me trás em vagas, intimo bater de lágrimas entre nós e as rochas. Vim porque estou tão longe e quero estar perto de ti, da tua força, da minha natureza. É nestes momentos que recupero forças, saudades que me cospem de novo à vida, à minha viagem.

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can’t miss [151] doramatos.com

A minha rota de ciclismo no país das bicicletas

Dora Matos

“Uns dias em Amesterdão não podiam passar sem uma rota fora da confusão da cidade. Apesar de haver pistas próprias no centro da capital para os que andam de bicicleta, há muito tráfico de ciclistas e preferi sair um bocadinho para ver o que havia à volta da capital.

Quando devolvi as bicicletas aos donos e lhes contei o percurso pareceu-lhes estranho que alguém chegasse tão longe num só dia. No entanto, o caminho não é nada difícil! E é uma forma de experimentares por ti próprio a sensação de pedalar num chão tão plano como o dos Países Baixos. Além disso o contacto com a natureza é indescritível. Eu recomendo fazê-lo em bicicleta, totalmente. É uma viagem muito especial.”

Aproveita a deixa de Dora Matos e experimenta este tour a pedais pelos arredores de Amesterdão, numa tradicional bicicleta holandesa onde a narração da jornalista é enquadrada por belíssimas fotografias, em http://doramatos.com/minha-rota-ciclismo-no-pais-da-bicicleta/

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portanto, o Dia Mundial da Bicicleta resulta de uma trip alucinada de um gajo drogado a dar aos pedais!!! Fixe…

Diz que hoje se celebra o Dia Mundial da Bicicleta e que tal efeméride se deve a uma trip psicadélica do criador do LSD, Albert Hofmann, o primeiro químico a sintetizar, ingerir e experimentar os efeitos alucinogénios dessa substância. Portanto, o dia da bicicleta resulta de uma trip alucinada de um gajo drogado a dar aos pedais!!! Fixe…

Albert Hofmann

Da história reza o seguinte: Em 1938, Hofmann conseguiu sintetizar o LSD-25 na intenção de obter um estimulante circulatório e respiratório. Em 16 de Abril de 1943, Hofmann decidiu analisar de novo a amostra, que entretanto havia ficado esquecida. Enquanto trabalhava com o LSD, acidentalmente absorveu uma pequena quantidade através dos dedos e, sem querer, descobriu os efeitos poderosos da substância. Passados três dias, o químico resolveu tornar-se cobaia para determinar os reais efeitos do LSD e ingeriu intencionalmente 250 microgramas da substância, uma quantidade que pensou ser uma dose limite (para efeito de comparação, hoje uma dose limite real é de 20 microgramas!). Menos de uma hora depois, Hofmann sentiu alterações bruscas e intensas da sua percepção. Com receio de que se tivesse envenenado, pediu ao seu assistente de laboratório que o acompanhasse até casa, mas estando em vigor a proibição de veículos motorizados, devido às restrições da 2ª Guerra Mundial, fizeram a viagem de bicicleta. Durante a viagem a pedais para casa o seu estado piorou mas sobreviveu à experiência e parece que chegou depressa, mesmo tendo “a sensação paradoxal que permanecia imóvel”. Posteriormente escreveu no seu diário o que havia observado. Relata as sensações vividas durante a viagem de bicicleta, que  o seu campo de visão ficou ondulado e distorcido, como uma imagem num espelho côncavo. As sensações visuais e acústicas se transformaram em imagens com cores fantásticas, surgindo na sua mente “abrindo e fechando em círculos e espirais para depois se expandirem em fontes de cor num fluxo constante, um após o outro”. Depois de um médico observar o seu estado delirante, e após passar várias horas aterrorizado,  o Dr. Hofmann ficou bem. Escreveu no seu diário pensar que estava enlouquecido. Estava convencido que um demónio o havia possuído, que o seu vizinho era uma bruxa e os móveis de casa o ameaçavam.

Hofmann viria a morrer de causas naturais em 2008, aos 102 anos de idade. Com mais de 100 artigos científicos publicados, o cientista contou no seu livro “LSD: My Problem Child” a experiência de pedalar sob os efeitos da LSD! Em 2007, os italianos Lorenzo Veracini, Nandini Nambiar e Marco Avoletta produziram um curta-metragem intitulada “A bicyle trip” como trabalho de conclusão do curso no Centro Sperimentale di Cinematografia. No filme, é possível acompanhar um pouco do que pode ter sido a viagem vivida por Hofmann naquele dia.

E pronto, vá se lá perceber porquê, desde então o dia 19 de Abril é celebrado como o Dia Mundial da Bicicleta. A minha experiência matinal a pedalar para o trabalho é em tudo semelhante, alucinado, apenas alterado consoante o meu estado de sonolência!

speed

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máquina do tempo, uma máquina intemporal

50 soma e segue
Não é nenhum segredo que estou com 50 anos e especialmente quando estou a pedalar eu não sinto a minha idade… Mas, qualquer que fosse a minha idade, estando alapado no selim das minhas bicicletas era suposto sentir-me como!? Na verdade, sinto-me diferente do que há uns trinta anos atrás, quando andava na minha primeira bicicleta “de corrida”. Bem sei que para qualquer distância já não estou tão rápido, e isso vou sentindo ao pisar os pedais. Mas eu pedalo mais pelo prazer, a pura alegria e sensação de liberdade que isso me dá. Faz-me sentir bem. É, de certa forma, uma terapia espiritual. Os meus pensamentos voam e fazem esquecer o esforço físico. A bicicleta torna-se uma extensão do corpo, é a coisa mais próxima de voar sem realmente sair do chão. Homem e máquina que se tornam um e não há nenhum outro sentimento parecido. Apenas o presente ou o momento é real e a minha bicicleta é como uma máquina do tempo, que me leva de volta a sensações, as mesmas que experimentei há 30 anos e mais.

Andar de bicicleta é uma das minhas muitas paixões na vida. Precisamos de paixões, paixões que nos mantenham verdadeiramente vivos.

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ciclofilia [133] Rastros e Pegadas pela Estrada Real

de Leandro Franco

“Um homem e seu cão, uma bicicleta e uma caixa de feira, 720kms e 18 dias unidos pela fidelidade plena e redescobrindo o modo de viver.”

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