“Amanhã volto ao metro. Se estiver fechado, vou de bicicleta”

“Desde os atentados terroristas em Paris, a 13 de Novembro, Bruxelas tem registado vários sobressaltos, incluindo ameaças de bomba em estações de metro e rusgas policiais. Esteve vários dias em alerta máximo de segurança, com escolas e superfícies comerciais fechadas. Tornou-se hábito ver militares em zonas chave da cidade, mas os habitantes da cidade conseguiam esquecer-se que eles lá estavam. As rotinas continuaram.

E irão continuar. “Amanhã o plano é voltar a apanhar o metro. Se estiver fechado, vou de bicicleta,” disse Eduardo. “O fundamental é não mudar radicalmente a nossa vida… pois é isso mesmo que o terrorismo quer.””

in Publico, Reportagem de Sílvia Amaro (em Bruxelas)

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porque o tamanho realmente conta

tour de france 2011
Pedalar sempre foi considerado um hábito saudável e a bicicleta tem cada vez mais adeptos dispostos a colocar o rabo no selim para ganhar anos, pedalando a qualquer hora do dia, em todo o lado, sem pensar duas vezes. O que poucos sabem, no entanto, é que pedalar requer cuidados prévios, pessoais e fundamentais, para que o acto de pedalar seja de facto um prazer e não uma fonte de dores cabeça, do rabo bem como em outras partes do corpinho. Escolher uma bicicleta é como escolher um par de sapatos. Cada pessoa tem o seu tamanho certo. Pois, se o sapato é pequeno vai apertar os calos, se o sapato é grande vai saltar do pé, pedalar uma bicicleta que não é do nosso tamanho vai se tornar desconfortável, doer e moer o corpo. O que fazer então para encontrar a bicicleta perfeita para nós? Há pelo menos duas formas para o fazer.

Para quem fez uma recente incursão no ciclismo ou está a pensar pedalar com regularidade, recomenda-se iniciar as pedaladas com uma bicicleta de passeio, nem que seja emprestada. Experimentar e testar as suas necessidades é o primeiro passo para encontrar a bicicleta perfeita, aquela que não só é a nossa cara como a do tipo de modalidade ciclistica que desejamos praticar. Também poderá ser aquela bicicleta que herdamos e pretendemos restaurar. Em todo o caso, antes de comprar/reabilitar/restaurar uma bicicleta devemos sempre observar se o tamanho do quadro é proporcional à altura do pretendente e qual o tipo de ciclismo que deseja praticar, beneficiando assim da sua biomecânica e desempenho. Quando definir o que realmente quer, tamanho e tipo de quadro para melhor desfrutar do ciclismo, devererá observar as medidas anatómicas para melhor adaptação da pessoa ao equipamento. A bicicleta precisa ser personalizada.

bikefit

Para incorporar o ciclista à bicicleta, dependendo da altura e peso do ciclista, é através do bike fit, cuja tradução à letra é ajuste da bicicleta, que se vai “encaixar” na perfeição. A postura e movimentos a serem feitos na bicicleta devem estar alinhados, caso contrário, em pouco tempo, podem surgir diversas dores corporais indesejadas. São detalhes que apenas podem ser corrigidos com o bike fit. Por exemplo, o selim deve estar à altura ideal. Caso esteja, ou muito baixo, ou muito alto, certamente vai ter problemas nas articulações dos joelhos, ligamentos, lombar, cervical, ente outras possíveis mazelas. Há pessoas com tronco comprido e pernas curtas, e vice-versa, por isso, determinar a medida das pernas (cavalo) é fundamental para a escolha do tamanho da bicicleta. Para saber o tamanho de um quadro de estrada, ou mesmo de uma pasteleira, com uma fita métrica mede-se o tubo vertical desde o centro do eixo, do movimento pedaleiro, até ao cruzamento do tubo vertical com o tubo horizontal. Para medir a altura da perna basta ficar descalço(a) e medir desde o entre-pernas, onde senta o selim, até aos pés. Com essa media multiplicada por 0,65 chega-se à medida do quadro. Por exemplo se uma pessoa tem 80cm de perna, (80cm x 0,65 = 52) neste caso um quadro tamanho 52 é o ideal. Também é conveniente saber o tamanho do tubo horizontal, a distância entre o selim e o guiador (guidão), mas a altura é o mais importante no quadro. A altura e comprimento podem depois ser ajustados regulando o selim.
A regra para as bicicletas de montanha é diferente. Geralmente o tamanho destas é tido em polegadas. Obtendo-se o tamanho da perna da mesma forma, a regra é convertê-lo em polegadas e subtrair-lhe 14. Com o exemplo do mesmo tamanho: 80cm = 31,49” – 14 = 17,49. Então o quadro de montanha ideal para mim será um 17 ou 18, que corresponde ao M, o tamanho intermediário e que satisfaz a maioria da estatura da nossa população. Actualmente, em vez da numeração em centímetros ou polegadas, muitas marcas utilizam as medidas S, M, L, XL, tal como uma peça de vestuário.

tamanho da pernaEscolher uma boa bicicleta que se adapte bem ao nosso corpo é, como já vimos, fundamental. E não é num supermercado que a vais encontrar. Para um atendimento profissional e especializado, no sentido de esclarecer todas as nossas dúvidas e obtermos orientação para todos os detalhes, especialmente quando não temos a certeza qual é a bicicleta ideal, o mais recomendável é procurar nas lojas especializadas com profissionais, cujo conhecimento e prática são necessários para prestar um bom aconselhamento e orientação. E pronto, agora que já sabes qual é o teu número de sapatos… de bicicleta, encontra a tua e sê feliz.

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fotocycle [180] biking park

É singular a sensação de pedalar no parque e de me misturar com a natureza. Tão agradável e relaxante é o trilho que me leva em ritmo descontraído por um refúgio verdejante, pacato oásis urbano entre cursos de água, denso arvoredo ou em campo aberto, ora escutando a passarada, ora observando patos bravos, sob a luz suave de um final de tarde. Aproveito cada momento…

biking park
… ah, e não apanhei nenhum pato para o jantar!

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can’t miss [148] circulaseguro.pt

Maior parte das localidades portuguesas não estão preparadas para a circulação segura de bicicletas

ciclo-campinas
“Quando cada vez mais se procura que as cidades tenham o menor número de veículos motorizados possível, virando-se a movimentação das pessoas, entre lugares, através dos veículos de transporte público e recurso a bicicleta, percebe-se que as localidades portuguesas não se encontram preparadas para tal.

Sem olharmos meia-duzia de casos de sucesso, onde a estructura da cidade permite a edificacação das ditas ciclovias, facilmente encontramos diversas localidades onde o trânsito de bicicletas está sujeito ao uso da faixa-de-rodagem e de todas vicissitudes que daí advêm.

Uma ciclovia que promova segurança, por favor.

(podes ler este pertinente e reinvindicativo artigo na totalidade em: http://www.circulaseguro.pt/mobilidade-sustentavel/maior-parte-das-cidades-portuguesas-nao-estao-preparadas-para-a-circulacao-segura-de-bicicletas#more-7894)

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ode às pedaladas de Domingo

ode às pedaladas de domingo #1
Assim é, certamente, o meu perfeito começo de dia. Quer dizer, em parte também sinto essa alegria às primeiras horas dos tais dias úteis, mas pedalar pela cidade num Domingo preguiçoso, com este sol a puxar a Primavera, tem um sabor diferente. Sem um caminho obrigatório ou horas a cumprir, apenas um cardápio de lugares tão bonitos à escolha, onde podemos ir e voltar. Qualquer hora é perfeita para começar a pedalar. Logo de manhãzinha tem-se uma sensação de exclusividade dos locais, do momento, do tempo. Na garupa de uma bicicleta, contemplando a cidade, todos os possíveis estímulos abrem demais o apetite: o ar puro que revigora, a frescura do rio que contagia, o sol que aquece e nos dá corda.

ode às pedaladas de domingo #2

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fotocycle [179] circul(ando)

Entram no carro e ficam sozinhos. Motor a trabalhar, o rádio a cantar e lá vão. Pela mesma rua, constantemente, e um pouco mais à frente outro beco sem saída. O trânsito do costume, as paragens do costume, as secas do costume. Automaticamente, empurram-se quando a fila arranca, entram no carrocel e param. Sem um pensamento que os guie, os tontos andam em círculos, fervem até à próxima saída da rotunda! Mas, e se um dia, quando estiver mais uma vez no carro, às voltas a “rotundar”, olhar para o lado de dentro e sair mesmo? E se tiver a coragem de mudar o chip, quebrar a rotina sem nada a perder, e entrar no oásis? Vai sentir algo diferente, um éden urbano que sempre esteve ali. A sombra de uma árvore despida, um cómodo banco do jardim, muita História para contar. Povoada de pessoas que a cruzam a pé, que por ali andam, pedalam, porque seguem o seu caminho.

circulando

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um passeio no parque

 

BRM200Gerês #13
Sábado, cinco e meia da matina e soou o despertador. Aproveitando a disponibilidade de pernoita no albergue de Marinhas, a poucos metros do depart, fui para Esposende de véspera na companhia do jovem Jacinto na tentativa de estender o repouso antes do brevet. A noite pareceu longa mas foi curta. A nortada estava forte e a chuva batia inclemente nas janelas. Parecia que o sono tinha durado apenas 10 minutos. Devorei a aletria caseira enquanto ia dando os últimos retoques na vestimenta, na bicicleta e na malinha a estrear. Após o bikecheck, e mal nos havíamos reunido no reconfortante hall do edifício da Cruz Vermelha para o breefing da praxe, outra bategada de água dava a entender que S. Pedro queria nos refrescar os ânimos para outra aventura randoneira. Era todo um brevet a inaugurar, com a mesma emoção e entusiasmo. Pedalar pelos encantos do Gerês e voltar, coisa para duzentos quilómetros e pouco.

Com uma boa camada hermética a envolver as carapaças, foi numa cadência suave que o cortejo saiu à hora marcada para pedalar. O amanhecer triste e melancólico foi dando lugar às conversas, aos raios de sol e às borrifadelas na cara do companheiro antecedente. O spray vindo da roda do precedente não só ajudava a manter-nos acordados como garantia alguma diversão. Nesse capítulo eu era um dos piores, pois, depois de confirmar o estado em que fiquei, digamos que, com o colete e porta-bagagens todos cagados, percebi que um guarda-lamas para a bicla seria coisa para acrescentar à lista de compras. E umas capas para os sapatos também, pois nem com dois pares de meias grossas eu me safei. Só viria a sentir os pés quando os posei em Amares, na primeira paragem obrigatória do dia. “É uma carimbadela no cartãozinho, uma nata e um café, oh faxabôre”.

Escusado será dizer que o frio estava de rachar, mas a pedalada e o panorama envolventes tinham o condão de me manter que nem pão quente. Acompanhados pelo rio Cávado, depois da passagem por Póvoa de Lanhoso, a certa altura de uma das muitas subidas do dia percebi, e até comentei com o Jacinto, que já havíamos pedalado por aquela estrada, numa outra pedalada épica da qual não cheguei a fazer relatório, mas que ficou bem gravada na nossa mente. O bucólico ambiente rural conferia pujança e enchia a querença de entusiasmo para galgar a subida até à pequena terra de Rossas. Carimbado o papelucho pela segunda vez, desta vez numa farmácia, a receita foi aviada no Nosso Café com uma malga de sopa a ferver e uma sandes de panado verdadeiramente divinais. Era meio-dia.

De barriga cheia, a pedalada avançava sedutora a cada quilómetro. Nada mais tranquilo e estimulante que vadiar por um reduto de silêncio e paz. Depois da passagem por Vieira do Minho viramos ao encontro da bacia hidrográfica do Cávado. A cada curva da saborosa descida íamos descortinando uma vista deslumbrante sobre o rio, a tranquila albufeira da barragem da Caniçada e as serras da Peneda e do Gerês. As paragens para tirar retratos da varanda foram inevitáveis e o sol voltou para saudar o nosso caminho. À nossa passagem na ponte, metade do percurso estava cumprido. Tudo parecia indicar que a subida que teríamos pela frente seria exigente. E foi! As forças ainda estavam intactas à passagem pelo Santuário de S. Bento da Porta Aberta. As previsões dentro do tempo estipulado, boa temperatura, sem trânsito automóvel excessivo, a viagem prosseguia a compasso de trepador. E a subida que não acabava! Parei num miradouro estratégico, esperei para reunir com outros amigos, e juntos pousamos para a fotografia e reforço da escolta. No auge da subida fomos surpreendidos pela chuva… quer dizer, não foi bem uma surpresa. À nossa chegada ao Parque de Campismo do Gerês, terceiro posto de controle, ainda cumprimentamos um outro grupo de randoneiros que já arrepiava caminho. E porque um “home” tem de comer, o prato do dia foi um bom pretexto para conviver à mesa. Depois continuamos para o controle seguinte, que seria uma etapa bem longa e com muita história para contar.

Veio então o encontro com a natureza, na mais natural das formas, selvagem e espinhosa. Perplexos com a grandeza da Barragem de Vilarinho das Furnas, bora lá para novo prémio de montanha. A princípio deu para esticar as pernas e ir admirando uma das mais belas paisagens neste cantinho do nosso Portugal. Entrementes, o céu começou a escurecer, ventava forte, quase sempre contrário à nossa progressão. Para melhorar a coisa, enfrentamos a dura ascensão com uma chuvada da grossa. Uma tempestade no seu pior. A chuva continuou, a inclinação aumentou e a temperatura diminuiu. Nem a beleza granítica da aldeia de Brufe no topo da montanha me fez parar para registar no cartão de memória e ver mais tarde. Diria que me sentia como se estivesse dentro de um cubo de gelo. Iniciamos a descida com o grupo fragmentado, ainda debaixo de chuva que entretanto abrandou, e depois veio a minha grande asneira do dia. Confiei em demasia no meu gêpêesse mental e no entroncamento seguinte, assinalado no roadbook para virar à direita, ao ver uma plaquinha indicando o sentido de Terras de Bouro, o meu sentido de orientação que é o mesmo de uma lombriga mandou-me virar à esquerda! Chegar às margens do rio Homem: check; Passar a ponte: confere. “Mas, cum carago! Não me lembro de ler que teria de ultrapassar inclinações pr’aí de 30%!” Assim, uns meros 300m demoraram uma eternidade a vencer. Confiante, tomei a estrada para Braga mas algo me dizia que a bota não batia com a perdigota. Outro aguaceiro para abrilhantar o momento, fui fazendo a descida de forma lenta com receio de estar perdido. A estrada inundada e deserta de pessoas fez-me aproveitar o abrigo de uma paragem de autocarro para tentar me orientar e alimentar. Entretanto vi um ciclista que me revelou duas coisas: A primeira, que sempre estava no caminho certo; A outra, que tinha cruzado com o meu grupo uns minutos à minha frente! “Eh pá, algures no caminho haviam-me ultrapassado!!!” Como foi, estava ainda a tentar perceber! Recomecei a pedalada com vigor e… novo erro de orientação! Sabendo que deveria seguir para Vila Verde, e teria de atravessar novamente o rio, à primeira sinalética virei à direita, e passei exactamente na ponte que deveria ter atravessado mas em sentido contrário! Continuava a jogar à cabra cega, a pensar no sentido que seguia ou não seguia a minha vida. Na beira da estradinha municipal um rebanho de cabritas que pareciam estranhar ver um tonto por ali. Desdobrei pela enésima vez a folha A4, fixei a N308 como objectivo e segui. “Olha um carro da GNR!” O xôr guarda, no meio de comentários à minha bravura ciclista, lá me confidenciou que eu ainda pisava o asfalto esburacado da M531. Estava ainda longe de retomar o rumo certo, mas lá haveria de chegar. Ao fim de longos minutos dei finalmente com a N308, em Figueirinhas, ao que me parece! Já não sentia os pés, as mãos e o pingo do nariz. Sem gás, um pouco desconfortável com a humidade no corpo pelas roupas molhadas, acompanhado da mais absoluta solidão, fui malhando, quilómetro a quilómetro, numa espécie de contra-relógio. A noite ia caindo lentamente. Paragem para ligar os focos e reforçar a alimentação. Fazendo uso de novas reservas e apertado com a hora limite para o último controlo, pedalei com excelente ritmo. Como o tempo passa depressa em cima de uma bicicleta! Fui invulgarmente rápido a chegar à vila de Punhe, mas… outro erro. Já parecia a defesa do FêCêPê! Falhei a viragem para Alvarães mas ainda fui a tempo de corrigir o engano. Último carimbo no cartão arrancado a ferros, de imediato dei ao pedal até colocar as rodas na N13. Esses últimos quilómetros até Marinhas, Esposende, foram algo como a Avenida Champs Elysees em Paris. A aventura chegou ao fim com inúmeras peripécias para recordar e com o incentivo adicional de saber que eu andei às voltas, andei perdido, reencontrei o caminho e acabei sozinho. 213 km de pura emoção, entusiasmo, sangue quente e pé frio.

 “Há sítios no mundo que são como certas existências humanas: tudo se conjuga para que nada falte à sua grandeza e perfeição. Este Gerês é um deles”… Miguel Torga.

BRM200Gerês

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cheirinho do Brevet Gerês 200

O aviso é amarelo! Claro que preferia um sábado mais colorido, com mais sol e mais azul e branco (a fazer figas). De qualquer forma uma voltinha pelos encantos do Gerês é sempre um prazer, e sendo este um brevet a estrear, nem que amanhã chova a potes. Deixo um cheirinho da minha última passagem a pedais junto à Porta Aberta de São Bento.

no BRM Baixo Minho 300

no BRM Baixo Minho 300

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Se és dos que gostariam de aprender a afinar um cubo de mudanças de uma pasteleira, ou como manter macia a pele do sofá onde sentas o rabo uma boa parte do dia, vais dar ao sítio certo se clicares no play dos tutoriais com boas dicas de manutenção para a tua bicla.

stay tuned

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“tudo bem amigo?!”

à beira da estrada

Á vista de muito “boa gente”, os ciclistas são caracterizados como uns idiotas que se vestem de licra. É um facto acharem que, como malucos imprudentes, os ciclistas violam todas as leis de trânsito! É uma lástima pensarem que, como tipos arrogantes, os ciclistas são os donos da estrada! Perante todo este preconceito de muito “boa gente”, o que me merece trazer à liça é o lado dos ciclistas que os automobilistas nunca parecem ver. Talvez porque simplesmente não sabem o que é ser ciclista, talvez porque eles nem estiveram na disposição de descobrir. Certamente nunca lhes vestiram a licra pele!

Os ciclistas são um grupo variado. Alguns identificam-se pela bicicleta que pedalam. Vestidos no kit completo e estereotipado da licra, os cliclistas formam subgrupos. Pedalam na estrada, na montanha, na cidade, comportando-se de forma consciente das suas convicções e limites. Outros andam de bicicleta por motivos pessoais, vestem roupa comum e envolvem-se no ciclismo mediante as suas necessidades e costumes. A maioria dos ciclistas não é arrogante ou imprudente, e acho que ninguém que pedale seja dono da estrada. Para nós as estradas são feitas para serem partilhadas e essa atitude de partilha transcende visões sobre cujos direitos devem predominar, se automobilistas ou ciclistas.

Os ciclistas têm uma coisa em comum, todos eles andam de bicicleta, e isso cria um vínculo banal entre eles que quem não pedala dificilmente consegue entender. Existem regras no mundo do ciclismo que não estão escritas. Essas regras determinam como os ciclistas interagem uns com os outros e com o mundo ao seu redor. São baseadas na providência, entreajuda, solidariedade. Um vislumbre dentro deste preceito começa com a observação de como os ciclistas reagem a outro ciclista em necessidade. Quando parou na berma da estrada, principalmente quando anda sozinho, um ciclista pode sempre contar com outros ciclistas que lhe perguntam se está bem. Se responder afirmativamente, os ciclistas continuam a sua etapa. Se não, os ciclistas param e oferecem assistência. Essa assistência inclui a troca de um pneu furado, empréstimo de ferramentas para reparar um problema mecânico, cedência do telemóvel para uma chamada de emergência, a simples partilha de comida e água. Se um companheiro ciclista se ferir num acidente param para ajudar. E enquanto uns prestam auxílio outros instintivamente procuram apanhar o carro que provocou o acidente, no intuito de ajudar o ciclista fazer valer os seus direitos. Confesso que já vi de tudo, ciclistas serem auxiliados por automobilistas e ciclistas, inclusive a auxiliar uma automobilista em apuros. Não é novidade, também já fui auxiliado por um automobilista e não foi surpresa nenhuma quando ele disse também ser ciclista!

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