uma aventura no Oeste

BRM 200 Montejunto ao Atlantico #11
Depois de uma voltinha ensopada mas saborosa pelos encantos do Parque da Peneda-Gerês, lá estava eu de novo a preparar os alforges para repetir a dose. Dez horas em cima do selim. A mesma sensação, o mesmo empenho e entusiasmo de outros brevets, mas quando se trata de inaugurar um brevet Randonneur Mondial dos Randonneur de Portugal a motivação e ambição redobram. Pedalar duzentos e tal quilómetros com a aliciante de escalar a Serra de Montejunto, no novo Brevet Montejunto ao Atlântico 200. Uma aventura à conquista do Oeste… Hiiiiháaaa…

BRM 200 Montejunto ao Atlantico #2
A ideia inicial seria madrugar no Sábado e seguir directo com o amigo Jacinto para o depart, mas a sugestão do Gilberto em alugar uma barraca no Land’s Hause Bungalows veio a ser uma excelente sugestão. Assim a excursão começou de véspera. Chegada a diligência ao ponto de encontro, foi tempo de atrelar os ginetes à carroça, aproveitar o dopping mecânico e acelerar por um bom par de horas a caminho do distante Oeste. Até à Burinhosa. Fazendo jus ao espírito randonneiro, o nosso amigo Miranda havia lá chegado primeiro, uma vez que preferiu fazer o pré aquecimento a pedalar desde Esposende. Aproveito o ensejo para agradecer a amabilidade e simpatia de Pedro Alves e família em nos ter recebido e improvisado um jantar, enquanto a restante comitiva disputava uma renhida partidinha de matraquilhos.

Burinhosa é uma pequena aldeia do concelho de Alcobaça conhecida por reservar um dia por ano para se transformar na Capital da Bicicleta. No mês de Julho a aldeia recebe centenas de bicicletas antigas e seus entusiastas proprietários, numa festa com bastante pedalada. Durante a ENBA a taxa de velocípedes supera largamente a taxa de habitantes. Tratando-se de uma terra de coleccionadores de bicicletas, este encontro anual merece grande destaque, calculando-se em mais de 800 máquinas de outros tempos que são reunidas e depois desfilam com vaidade ao sabor das correntes e das campainhas.

A táctica estava lançada: todos ao Montejunto e fé em São Pedro, mas ao rufar dos tambores tivemos a primeira certeza do dia, pela frente teríamos um brevet bem regado. O rendez-vous estava marcado para o saloon da Associação Nacional de Bicicletas Antigas, anfitriã à partida e à chegada. Tempo para ultimar os preparativos, cumprir as formalidades do bike check, do briefing, aparelhar as montadas e, às oito em ponto, deu-se início à corrida ao ouro, uma aventura digna desse nome. O mote era pedalar do mar à serra, num novo duelo multifacetado. A quadrilha não se intimidou com a chuva, mostrou coragem e deu o peito às balas.

O horizonte mostrava-se cinzento mas a manhã estava amena. Os elementos chuva e vento são conhecidos, porém a forma como estão misturados pode fazer a diferença. E fez, assim como a muito complicada navegação deste brevet. Depois de Pataias, passamos pelas cercanias da Nazaré e de S. Martinho do Porto, zonas de extraordinária beleza natural que ficariam reservadas para o regresso. Cruzamos a linha férrea do Oeste diversas ocasiões, uma delas com as biclas às costas, e chegamos às Caldas da Rainha a meio da manhã, onde não houve tempo para visitar o Museu do Ciclismo que reúne espólio e registo histórico do ciclismo no nosso país. A rolar bem na N8 avistámos a vila medieval de Óbidos, mesmo ali ao lado a convidar uma visita. Mas não, não fomos ao chocolate, estávamos só de passagem. Deu para apreciar ao longe o imponente castelo e as muralhas desta maravilha de Portugal. A pedalada continuava certinha, mas eis que um senão atrapalhou o meu espírito ousado. Aí, ao quilómetro sessenta e tal, com tudo a marchar bem, o alcatrão traiçoeiro foi mais rápido no gatilho e derrubou-me ao chão. Mais ferido no orgulho que no corpo, foi levantar, sacudir as moscas e continuar a pedalar.

Bombarral City convidava a parar e abastecer a cavalgadura, mas o alvo estava marcado. A Serra de Montejunto, que crescia na linha do horizonte, meio encoberta pela neblina. A região Oeste é um todo, vilas e aldeias com um ritmo muito próprio. É uma calma e pacífica região, um mundo a descobrir, um universo longe da azáfama e da agitação, com paisagens salpicadas de castelos medievais, ruínas, solares e moinhos. A estrada empina e dá-nos as boas vindas, avisando do que aí vem. Depois a paisagem abre-se numa esplêndida encosta de vinhas, oferecendo o último descanso para atacar a magnífica Serra de Montejunto, pela subida mais acessível que é por Vila Verde dos Francos.

Entrando na localidade deu-se início às hostilidades. A tarefa previa-se penosa mas a subida é bastante acessível. A Serra de Montejunto é o miradouro natural mais alto da Estremadura, elevando-se a 666 metros de altitude. É uma pequena ilha que emerge uma planície de aluvião, no meio de terras lavradias e florestais. Durante a subida fui ficando para trás, disparando em todas as direcções. Mesmo estando um dia triste, para os olhos foi um regalo. Fui fazendo algumas paragens para recuperar o fôlego e melhor enquadrar as fotografias daquela imensidão e beleza, de todas as perspectivas da varanda. Tanto a subir como a descer, por mim passaram vários ciclistas em modo treino. A inclinação do chão foi sendo suavizada pelo vento, que mesmo aumentando de força soprava pelas costas. Quase no topo, onde se cruzam várias estradas, tiro mais uma foto e piro-me para o parque de merendas, onde pela primeira vez se carimbou o cartão brevet e finalmente se comeu algo quente. Não havia sopa, só um megacardápio de tostas, de megatostas.

Meia hora depois, estava pronto a continuar pra bingo. O restart foi uma tortura, sentia-se um vento frio, desagradável, ainda para mais com uma longa descida pela frente. Virei para Pragança, onde as encostas desta vertente são as mais complicadas e assustadoras, principalmente para a quem as sobe, por isso fui descendo a um ritmo cuidadoso. Não pressenti que o dito cujo homem marreta andasse por ali. Talvez só amedronte os corajosos que vão a penar no sentido inverso, não tenho a certeza. Dei as boas tardes a dois desses corajosos.

Chegado ao povoado, e como não queria dar o ouro ao bandido, na dúvida por onde seguir dei meia volta e esperei que um companheiro de route surgisse ao fundo da curva. Apareceu o Alexandre e juntos seguimos à conversa, pedalando contra a borrasca por muitos e complicados quilómetros. A chuva voltou com toda a força e o amaldiçoado vento, fortíssimo, de frente, com rajadas que quase nos abalroavam, fez com que a nossa progressão fosse penosa. Depois do Cadaval, nova passagem pelo Bombarral, e eu ia avançando de cabeça baixa. Não tendo hipótese de seguir na roda do companheiro de ocasião, deixei-o ir e mantive o meu ritmo, a pensar numa sopinha que saberia que nem gingas. Cheguei finalmente à terra dos dinossauros, e foi já na Lourinhã que num café reencontrei o grupeto que saboreava uma sopa quente, abrigados da maldita chuva que parecia não querer parar.

Depois de uma vista de olhos ao itinerário, e querendo aproveitar a companhia e boleia do grupo, ponho-me a caminho com o objectivo de chegar à Praia da Areia Branca e atacar o forte de Paimogo. Vislumbramos finalmente o oceano e as belas praias da região da Lourinhã. Praias moldadas ao sabor da maré, natureza deslumbrante, falésias e enseadas que definem a linha de costa, a Costa de Prata. Não me deixando intimidar com o monstro, seguimos a rota dos dinossauros até que o temporal lá amainou. Um par de pernas de um T-Rex ter-me-ia feito um certo jeito por essa altura. Depois de um enlameado sterrato à chegada ao forte, e consequente resposta ao questionário do controlo de passagem e registo fotográfico, logo de seguida nos aventuramos pelo constante sobe e desce da típica estrada do Oeste, esburacada e serpenteante.

Voltamos ao interior, mais uma vez pelo sossego do campo. Serras, rios, pomares, um rebanho de ovelhas, tranquilas aldeias que dão um carácter verdadeiramente genuíno à região. A experiência de pedalar torna-se mais desafiante, porque o relevo engana, rompe pernas, baralha de algum modo o sentido de orientação. O esforço é altamente subjectivo, a cabeça é sempre quem manda… e o estômago reclama. A tranquila margem da Lagoa de Óbidos justificou algum descanso às montarias para apreciar outros atractivos da região. Estivesse um dia de sol e calor, não seria de enjeitar um mergulho naquelas águas calmas.

Depois da Foz do Arelho a romaria seguiu para norte, ao longo da Estrada Atlântica. Com boa visibilidade até se avistariam as Berlengas, mas como o sol não quis nada connosco tivemos o Sr. Atlântico como companhia e o vento de sul, que nos foi empurrando até São Martinho do Porto. Esta encantadora vila estende-se ao longo de uma deslumbrante baía, um microcosmos emoldurado pela beleza do Atlântico. Aberta para o oceano através de uma frincha com cerca de duas centenas de metros, entre as colinas de Santana, a sul, e Farol, a norte, a baía foi em tempos conhecida como o “bidé das marquesas”, pelas suas tranquilas águas e areias finas, e por ser uma estância balnear muito concorrida pela burguesia da época. Na avenida marginal, o centro cosmopolita desta encantadora vila, destacam-se o comércio, as moradias tradicionais e toda a movida que é mais movida nos meses de Verão. Tudo muito bonito, mas a navegação exigente e as longas rampas da Serra da Pescaria prendiam-nos toda a atenção. Envoltos em nevoeiro chegamos ao último posto de controlo, para me levantar do selim, carimbar o cartão de brevet e captar um moinho. Dou uma última olhadela mas já não se avistava mais nada.

O vento de sul ao longo do Atlântico é reconfortante, e por esta altura com quase duzentos quilómetros nas pernas as descidas também o são, mas nada se compara a mais uma subida para aquecer a carcaça. Descemos ao nível do mar. Havia já caído a noite quando chegámos à Nazaré, passamos ao largo da praia para enfrentarmos a subida para o Sítio, contornando todas aquelas rotundas. Lá em cima, no Miradouro do Suberco, a 110 metros de altitude, abre-se a um dos mais belos panoramas marítimos de Portugal. Acho que já todos conhecem o Sítio! Não fomos lá e continuamos a pedalada. Seguimos com a pressão nos pedais, pernas queimadas, ácido láctico acumulado no corpo mas com a bicicleta e corpo unidos. A sugestão que nos foi dada no briefing seria a de pedalar pela pista ciclável da Ciclovia Atlântica, devido sobretudo aos excessos dos automobilistas que muito aceleram por ali, mas a nossa opção foi continuar destemidos e aventureiros pela estrada. Durante alguns minutos os focos apontaram o asfalto até nos enfiarmos pelas matas do Pinhal de Leiria, de grande beleza paisagística, mas do qual só se sentiam os aromas a pinheiro e eucalipto. Até à Burinhosa foi um saltinho, onde chegamos descontraidamente a pedalar pelas labirínticas ruas da aldeia até regressar ao saloon da Associação, beber um trago e entregar o cartão à xerife.

BRM 200 Montejunto ao Atlantico #40
E pronto. Mais uma magnífica jornada a dar vida à loucura das serras, que é muito do agrado de alguns pedalantes cá da tribo. Como um sonho acordado onde nunca se percebe bem o que é real e o que é mítico, este western spaghetti à moda randonneur foi uma aventura singular, difícil, que assumiu contornos de satisfação, queda e negociação com a dor, sem problemas para o meu lado aventureiro e sensorial. Senti a exaustão das últimas pedaladas, e só tenho é de estar grato aos companheiros Gilberto, Pedro e Miranda que sabem sempre o sabor de ter chegado, de ter vencido. Mais uma vez a minha admiração ao nosso amigo Jacinto, que passado uns minutos chegava sorridente e triunfante.

Era uma vez no Oeste… That´s all folks

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o nosso amigo Jacinto

BRM200Gerês #14

Há coisa de cinco anos, enquanto escalava o primeiro prémio de montanha das minhas pedaladas matinais, as habituais para o trabalho, já perto do Carvalhido o sonoro dling-dlong e a saudação do Jacinto eram rotineiros. “Bom dia amigo Paulo“. Depois, até à Boavista, seguíamos juntos e a conversa ficava em dia. Entretanto deram-lhe a reforma, mas o Jacinto não se aposentou das pedaladas. Só a minha rotineira pedalada matinal é que passou a ser em modo solitário. Ele agora tem disponibilidade para fazer aquilo que mais gosta, passear nas suas bicicletas. Os nossos encontros na rua tornaram-se mais ocasionais, mas os longos percursos na estrada continuam a bom ritmo. Juntos nas nossas bicicletas já vivemos muitas e boas peripécias, largas centenas de quilómetros pelas estradas de Portugal, até na Galiza, e este jovem rapaz perto das setenta primaveras pedala que é um regalo! Para o acompanhar tenho de suar as estopinhas.

O nosso amigo Jacinto é um alento para todos. É com um contagiante sorriso e permanente boa disposição, com muito suor à mistura, que ele consegue superar as adversidades, transformando a sua alegria num exemplo e incentivo para os preguiçosos de plantão. Demonstra a muito boa gente o que é ser campeão. Se não atingir a média superior a mil quilómetros por mês, pedalando os seus três amores, a Branquinha, a Morena ou o Negrão, ele “faz birra”.

O seu exemplo remete-nos a sentimentos ligados à infância, a um prazer simples e inestimável, pois o acto de andar de bicicleta não tem idade nem preconceitos. Ao contrário do que já lhe disseram variadas vezes, o Jacinto não tem idade para ter juízo. No início do mês superou outra aventura, com mais de duzentos quilómetros e bastante montanha lá pelo meio. Amanhã o Jacinto tem novo desafio para somar às suas conquistas.

Relembro o comentário que me deixou num post antiguinho:

“Eu adoro andar de bicicleta. Quando eu saí da escola isto nos anos 60, eu tinha os meus 17 anos e a prenda da minha mãe foi uma bicicleta, eu quase dormia com ela, na altura morava em Lisboa, e vinha ali para o Campo Grande onde tinha umas grandes pistas para eu andar. É verdade, belos tempos em que as nossas mães nos grandes presentes era a bicicleta a prenda nº 1. Hoje reparo que a maioria das mães o presente nº 1 é oferecer um carro. Tenho um amigo meu que ofereceu ao seu filho por ele passar o 12º ano um carro, para que seu filho vá agora para o instituto de mercedes, sim tinha que ser um mercedes para as miúdas verem. Enfim… obrigado mãe por me teres dado uma bicicleta.”

Quando crescer quero ser com’ó Jacinto.

BRM200Gerês #6

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“Amanhã volto ao metro. Se estiver fechado, vou de bicicleta”

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“Desde os atentados terroristas em Paris, a 13 de Novembro, Bruxelas tem registado vários sobressaltos, incluindo ameaças de bomba em estações de metro e rusgas policiais. Esteve vários dias em alerta máximo de segurança, com escolas e superfícies comerciais fechadas. Tornou-se hábito ver militares em zonas chave da cidade, mas os habitantes da cidade conseguiam esquecer-se que eles lá estavam. As rotinas continuaram.

E irão continuar. “Amanhã o plano é voltar a apanhar o metro. Se estiver fechado, vou de bicicleta,” disse Eduardo. “O fundamental é não mudar radicalmente a nossa vida… pois é isso mesmo que o terrorismo quer.””

in Publico, Reportagem de Sílvia Amaro (em Bruxelas)

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porque o tamanho realmente conta

tour de france 2011
Pedalar sempre foi considerado um hábito saudável e a bicicleta tem cada vez mais adeptos dispostos a colocar o rabo no selim para ganhar anos, pedalando a qualquer hora do dia, em todo o lado, sem pensar duas vezes. O que poucos sabem, no entanto, é que pedalar requer cuidados prévios, pessoais e fundamentais, para que o acto de pedalar seja de facto um prazer e não uma fonte de dores cabeça, do rabo bem como em outras partes do corpinho. Escolher uma bicicleta é como escolher um par de sapatos. Cada pessoa tem o seu tamanho certo. Pois, se o sapato é pequeno vai apertar os calos, se o sapato é grande vai saltar do pé, pedalar uma bicicleta que não é do nosso tamanho vai se tornar desconfortável, doer e moer o corpo. O que fazer então para encontrar a bicicleta perfeita para nós? Há pelo menos duas formas para o fazer.

Para quem fez uma recente incursão no ciclismo ou está a pensar pedalar com regularidade, recomenda-se iniciar as pedaladas com uma bicicleta de passeio, nem que seja emprestada. Experimentar e testar as suas necessidades é o primeiro passo para encontrar a bicicleta perfeita, aquela que não só é a nossa cara como a do tipo de modalidade ciclistica que desejamos praticar. Também poderá ser aquela bicicleta que herdamos e pretendemos restaurar. Em todo o caso, antes de comprar/reabilitar/restaurar uma bicicleta devemos sempre observar se o tamanho do quadro é proporcional à altura do pretendente e qual o tipo de ciclismo que deseja praticar, beneficiando assim da sua biomecânica e desempenho. Quando definir o que realmente quer, tamanho e tipo de quadro para melhor desfrutar do ciclismo, devererá observar as medidas anatómicas para melhor adaptação da pessoa ao equipamento. A bicicleta precisa ser personalizada.

bikefit

Para incorporar o ciclista à bicicleta, dependendo da altura e peso do ciclista, é através do bike fit, cuja tradução à letra é ajuste da bicicleta, que se vai “encaixar” na perfeição. A postura e movimentos a serem feitos na bicicleta devem estar alinhados, caso contrário, em pouco tempo, podem surgir diversas dores corporais indesejadas. São detalhes que apenas podem ser corrigidos com o bike fit. Por exemplo, o selim deve estar à altura ideal. Caso esteja, ou muito baixo, ou muito alto, certamente vai ter problemas nas articulações dos joelhos, ligamentos, lombar, cervical, ente outras possíveis mazelas. Há pessoas com tronco comprido e pernas curtas, e vice-versa, por isso, determinar a medida das pernas (cavalo) é fundamental para a escolha do tamanho da bicicleta. Para saber o tamanho de um quadro de estrada, ou mesmo de uma pasteleira, com uma fita métrica mede-se o tubo vertical desde o centro do eixo, do movimento pedaleiro, até ao cruzamento do tubo vertical com o tubo horizontal. Para medir a altura da perna basta ficar descalço(a) e medir desde o entre-pernas, onde senta o selim, até aos pés. Com essa media multiplicada por 0,65 chega-se à medida do quadro. Por exemplo se uma pessoa tem 80cm de perna, (80cm x 0,65 = 52) neste caso um quadro tamanho 52 é o ideal. Também é conveniente saber o tamanho do tubo horizontal, a distância entre o selim e o guiador (guidão), mas a altura é o mais importante no quadro. A altura e comprimento podem depois ser ajustados regulando o selim.
A regra para as bicicletas de montanha é diferente. Geralmente o tamanho destas é tido em polegadas. Obtendo-se o tamanho da perna da mesma forma, a regra é convertê-lo em polegadas e subtrair-lhe 14. Com o exemplo do mesmo tamanho: 80cm = 31,49” – 14 = 17,49. Então o quadro de montanha ideal para mim será um 17 ou 18, que corresponde ao M, o tamanho intermediário e que satisfaz a maioria da estatura da nossa população. Actualmente, em vez da numeração em centímetros ou polegadas, muitas marcas utilizam as medidas S, M, L, XL, tal como uma peça de vestuário.

tamanho da pernaEscolher uma boa bicicleta que se adapte bem ao nosso corpo é, como já vimos, fundamental. E não é num supermercado que a vais encontrar. Para um atendimento profissional e especializado, no sentido de esclarecer todas as nossas dúvidas e obtermos orientação para todos os detalhes, especialmente quando não temos a certeza qual é a bicicleta ideal, o mais recomendável é procurar nas lojas especializadas com profissionais, cujo conhecimento e prática são necessários para prestar um bom aconselhamento e orientação. E pronto, agora que já sabes qual é o teu número de sapatos… de bicicleta, encontra a tua e sê feliz.

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fotocycle [180] biking park

É singular a sensação de pedalar no parque e de me misturar com a natureza. Tão agradável e relaxante é o trilho que me leva em ritmo descontraído por um refúgio verdejante, pacato oásis urbano entre cursos de água, denso arvoredo ou em campo aberto, ora escutando a passarada, ora observando patos bravos, sob a luz suave de um final de tarde. Aproveito cada momento…

biking park
… ah, e não apanhei nenhum pato para o jantar!

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can’t miss [148] circulaseguro.pt

Maior parte das localidades portuguesas não estão preparadas para a circulação segura de bicicletas

ciclo-campinas
“Quando cada vez mais se procura que as cidades tenham o menor número de veículos motorizados possível, virando-se a movimentação das pessoas, entre lugares, através dos veículos de transporte público e recurso a bicicleta, percebe-se que as localidades portuguesas não se encontram preparadas para tal.

Sem olharmos meia-duzia de casos de sucesso, onde a estructura da cidade permite a edificacação das ditas ciclovias, facilmente encontramos diversas localidades onde o trânsito de bicicletas está sujeito ao uso da faixa-de-rodagem e de todas vicissitudes que daí advêm.

Uma ciclovia que promova segurança, por favor.”

…

(podes ler este pertinente e reinvindicativo artigo na totalidade em: http://www.circulaseguro.pt/mobilidade-sustentavel/maior-parte-das-cidades-portuguesas-nao-estao-preparadas-para-a-circulacao-segura-de-bicicletas#more-7894)

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ode às pedaladas de Domingo

ode às pedaladas de domingo #1
Assim é, certamente, o meu perfeito começo de dia. Quer dizer, em parte também sinto essa alegria às primeiras horas dos tais dias úteis, mas pedalar pela cidade num Domingo preguiçoso, com este sol a puxar a Primavera, tem um sabor diferente. Sem um caminho obrigatório ou horas a cumprir, apenas um cardápio de lugares tão bonitos à escolha, onde podemos ir e voltar. Qualquer hora é perfeita para começar a pedalar. Logo de manhãzinha tem-se uma sensação de exclusividade dos locais, do momento, do tempo. Na garupa de uma bicicleta, contemplando a cidade, todos os possíveis estímulos abrem demais o apetite: o ar puro que revigora, a frescura do rio que contagia, o sol que aquece e nos dá corda.

ode às pedaladas de domingo #2

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fotocycle [179] circul(ando)

Entram no carro e ficam sozinhos. Motor a trabalhar, o rádio a cantar e lá vão. Pela mesma rua, constantemente, e um pouco mais à frente outro beco sem saída. O trânsito do costume, as paragens do costume, as secas do costume. Automaticamente, empurram-se quando a fila arranca, entram no carrocel e param. Sem um pensamento que os guie, os tontos andam em círculos, fervem até à próxima saída da rotunda! Mas, e se um dia, quando estiver mais uma vez no carro, às voltas a “rotundar”, olhar para o lado de dentro e sair mesmo? E se tiver a coragem de mudar o chip, quebrar a rotina sem nada a perder, e entrar no oásis? Vai sentir algo diferente, um éden urbano que sempre esteve ali. A sombra de uma árvore despida, um cómodo banco do jardim, muita História para contar. Povoada de pessoas que a cruzam a pé, que por ali andam, pedalam, porque seguem o seu caminho.

circulando

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um passeio no parque

 

BRM200Gerês #13
Sábado, cinco e meia da matina e soou o despertador. Aproveitando a disponibilidade de pernoita no albergue de Marinhas, a poucos metros do depart, fui para Esposende de véspera na companhia do jovem Jacinto na tentativa de estender o repouso antes do brevet. A noite pareceu longa mas foi curta. A nortada estava forte e a chuva batia inclemente nas janelas. Parecia que o sono tinha durado apenas 10 minutos. Devorei a aletria caseira enquanto ia dando os últimos retoques na vestimenta, na bicicleta e na malinha a estrear. Após o bikecheck, e mal nos havíamos reunido no reconfortante hall do edifício da Cruz Vermelha para o breefing da praxe, outra bategada de água dava a entender que S. Pedro queria nos refrescar os ânimos para outra aventura randoneira. Era todo um brevet a inaugurar, com a mesma emoção e entusiasmo. Pedalar pelos encantos do Gerês e voltar, coisa para duzentos quilómetros e pouco.

Com uma boa camada hermética a envolver as carapaças, foi numa cadência suave que o cortejo saiu à hora marcada para pedalar. O amanhecer triste e melancólico foi dando lugar às conversas, aos raios de sol e às borrifadelas na cara do companheiro antecedente. O spray vindo da roda do precedente não só ajudava a manter-nos acordados como garantia alguma diversão. Nesse capítulo eu era um dos piores, pois, depois de confirmar o estado em que fiquei, digamos que, com o colete e porta-bagagens todos cagados, percebi que um guarda-lamas para a bicla seria coisa para acrescentar à lista de compras. E umas capas para os sapatos também, pois nem com dois pares de meias grossas eu me safei. Só viria a sentir os pés quando os posei em Amares, na primeira paragem obrigatória do dia. “É uma carimbadela no cartãozinho, uma nata e um café, oh faxabôre”.

Escusado será dizer que o frio estava de rachar, mas a pedalada e o panorama envolventes tinham o condão de me manter que nem pão quente. Acompanhados pelo rio Cávado, depois da passagem por Póvoa de Lanhoso, a certa altura de uma das muitas subidas do dia percebi, e até comentei com o Jacinto, que já havíamos pedalado por aquela estrada, numa outra pedalada épica da qual não cheguei a fazer relatório, mas que ficou bem gravada na nossa mente. O bucólico ambiente rural conferia pujança e enchia a querença de entusiasmo para galgar a subida até à pequena terra de Rossas. Carimbado o papelucho pela segunda vez, desta vez numa farmácia, a receita foi aviada no Nosso Café com uma malga de sopa a ferver e uma sandes de panado verdadeiramente divinais. Era meio-dia.

De barriga cheia, a pedalada avançava sedutora a cada quilómetro. Nada mais tranquilo e estimulante que vadiar por um reduto de silêncio e paz. Depois da passagem por Vieira do Minho viramos ao encontro da bacia hidrográfica do Cávado. A cada curva da saborosa descida íamos descortinando uma vista deslumbrante sobre o rio, a tranquila albufeira da barragem da Caniçada e as serras da Peneda e do Gerês. As paragens para tirar retratos da varanda foram inevitáveis e o sol voltou para saudar o nosso caminho. À nossa passagem na ponte, metade do percurso estava cumprido. Tudo parecia indicar que a subida que teríamos pela frente seria exigente. E foi! As forças ainda estavam intactas à passagem pelo Santuário de S. Bento da Porta Aberta. As previsões dentro do tempo estipulado, boa temperatura, sem trânsito automóvel excessivo, a viagem prosseguia a compasso de trepador. E a subida que não acabava! Parei num miradouro estratégico, esperei para reunir com outros amigos, e juntos pousamos para a fotografia e reforço da escolta. No auge da subida fomos surpreendidos pela chuva… quer dizer, não foi bem uma surpresa. À nossa chegada ao Parque de Campismo do Gerês, terceiro posto de controle, ainda cumprimentamos um outro grupo de randoneiros que já arrepiava caminho. E porque um “home” tem de comer, o prato do dia foi um bom pretexto para conviver à mesa. Depois continuamos para o controle seguinte, que seria uma etapa bem longa e com muita história para contar.

Veio então o encontro com a natureza, na mais natural das formas, selvagem e espinhosa. Perplexos com a grandeza da Barragem de Vilarinho das Furnas, bora lá para novo prémio de montanha. A princípio deu para esticar as pernas e ir admirando uma das mais belas paisagens neste cantinho do nosso Portugal. Entrementes, o céu começou a escurecer, ventava forte, quase sempre contrário à nossa progressão. Para melhorar a coisa, enfrentamos a dura ascensão com uma chuvada da grossa. Uma tempestade no seu pior. A chuva continuou, a inclinação aumentou e a temperatura diminuiu. Nem a beleza granítica da aldeia de Brufe no topo da montanha me fez parar para registar no cartão de memória e ver mais tarde. Diria que me sentia como se estivesse dentro de um cubo de gelo. Iniciamos a descida com o grupo fragmentado, ainda debaixo de chuva que entretanto abrandou, e depois veio a minha grande asneira do dia. Confiei em demasia no meu gêpêesse mental e no entroncamento seguinte, assinalado no roadbook para virar à direita, ao ver uma plaquinha indicando o sentido de Terras de Bouro, o meu sentido de orientação que é o mesmo de uma lombriga mandou-me virar à esquerda! Chegar às margens do rio Homem: check; Passar a ponte: confere. “Mas, cum carago! Não me lembro de ler que teria de ultrapassar inclinações pr’aí de 30%!” Assim, uns meros 300m demoraram uma eternidade a vencer. Confiante, tomei a estrada para Braga mas algo me dizia que a bota não batia com a perdigota. Outro aguaceiro para abrilhantar o momento, fui fazendo a descida de forma lenta com receio de estar perdido. A estrada inundada e deserta de pessoas fez-me aproveitar o abrigo de uma paragem de autocarro para tentar me orientar e alimentar. Entretanto vi um ciclista que me revelou duas coisas: A primeira, que sempre estava no caminho certo; A outra, que tinha cruzado com o meu grupo uns minutos à minha frente! “Eh pá, algures no caminho haviam-me ultrapassado!!!” Como foi, estava ainda a tentar perceber! Recomecei a pedalada com vigor e… novo erro de orientação! Sabendo que deveria seguir para Vila Verde, e teria de atravessar novamente o rio, à primeira sinalética virei à direita, e passei exactamente na ponte que deveria ter atravessado mas em sentido contrário! Continuava a jogar à cabra cega, a pensar no sentido que seguia ou não seguia a minha vida. Na beira da estradinha municipal um rebanho de cabritas que pareciam estranhar ver um tonto por ali. Desdobrei pela enésima vez a folha A4, fixei a N308 como objectivo e segui. “Olha um carro da GNR!” O xôr guarda, no meio de comentários à minha bravura ciclista, lá me confidenciou que eu ainda pisava o asfalto esburacado da M531. Estava ainda longe de retomar o rumo certo, mas lá haveria de chegar. Ao fim de longos minutos dei finalmente com a N308, em Figueirinhas, ao que me parece! Já não sentia os pés, as mãos e o pingo do nariz. Sem gás, um pouco desconfortável com a humidade no corpo pelas roupas molhadas, acompanhado da mais absoluta solidão, fui malhando, quilómetro a quilómetro, numa espécie de contra-relógio. A noite ia caindo lentamente. Paragem para ligar os focos e reforçar a alimentação. Fazendo uso de novas reservas e apertado com a hora limite para o último controlo, pedalei com excelente ritmo. Como o tempo passa depressa em cima de uma bicicleta! Fui invulgarmente rápido a chegar à vila de Punhe, mas… outro erro. Já parecia a defesa do FêCêPê! Falhei a viragem para Alvarães mas ainda fui a tempo de corrigir o engano. Último carimbo no cartão arrancado a ferros, de imediato dei ao pedal até colocar as rodas na N13. Esses últimos quilómetros até Marinhas, Esposende, foram algo como a Avenida Champs Elysees em Paris. A aventura chegou ao fim com inúmeras peripécias para recordar e com o incentivo adicional de saber que eu andei às voltas, andei perdido, reencontrei o caminho e acabei sozinho. 213 km de pura emoção, entusiasmo, sangue quente e pé frio.

 “Há sítios no mundo que são como certas existências humanas: tudo se conjuga para que nada falte à sua grandeza e perfeição. Este Gerês é um deles”… Miguel Torga.

BRM200Gerês

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cheirinho do Brevet Gerês 200

O aviso é amarelo! Claro que preferia um sábado mais colorido, com mais sol e mais azul e branco (a fazer figas). De qualquer forma uma voltinha pelos encantos do Gerês é sempre um prazer, e sendo este um brevet a estrear, nem que amanhã chova a potes. Deixo um cheirinho da minha última passagem a pedais junto à Porta Aberta de São Bento.

no BRM Baixo Minho 300

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