fotocycle [190] el rei vai de bike

Surpreendentemente, ou não, o dia acordou envolto pela neblina. Um manto cobre as copas das árvores, dilui o firmamento da cidade e tolda-me o horizonte. Gosto deste mistério das manhãs de nevoeiro, deste místico despertar tripeiro, da bruma fresca e parda melancolia que me transporta… até o regresso do tão desejado sol! E eu aproveito cada momento.

el rei vai de bike

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amor é, chegares a “casa” e ouvires a frase: “Que é!? Vais já para a banheira.

“-Vais pedalar? -Vou… -Vai com cuidado.” Este é o diálogo rotineiro a cada minha saída matinal de licra vestido e capacete na tola. Não imaginava a Carla para onde eu ia pedalar esta manhã de Sábado, só havia avisado que não me esperasse para o almoço.

Serra #20

Não é todos os dias que tenho a possibilidade de marcar o rodado dos pneus em trilhos de todo-o-terreno. Sem viatura própria, isto é, sem uma bicla de bêtêtê decente, moderna e funcional guardada na arrecadação, para aceitar o convite do Rui tive de recorrer ao empréstimo da sua BERGolina, assim a baptizei. Ponto de encontro na Ribeira com o Luís e o Tozé, aka W. Wolf, amigos com quem fizemos a recente bicigrinação a Compostela. Também alinharam no desafio o Domingos, o Sérgio e o filho do Luís, num excelente convivo por montes, vales e rios. Um magnífico passeio pelo nosso quintal serrano, comendo pó e bebendo camaradagem.

Depois de uma semana de intenso calor, estranhamente a manhã estava fresquinha e carregada de nuvens, mas estávamos optimistas. Cumprimos nas calmas o percurso alcatroado até às portas de Valongo, para então começarmos a desbravar a Serra e acumularmos bons momentos. Orientados pelo lobo mau, o tal das “subidas lizinhas, sem dificuldade nenhuma”, galgamos trilhos agrestes de pedra solta, ao ponto alto da paisagem se abrir à nossa frente, e depois descer vertiginosamente num downhill alucinante e poeirento. Para não variar, eu era sempre o último a chegar aos cursos de água.

A luz enevoada dos densos arvoredos, a orografia dos trilhos do Paleozóico tornava a coisa quase mística, mas só até ao reencontro com o asfalto. Justamente na íngreme ascensão empedrada do Monte de Santa Justa, aos poucos fomos chegando ao cume para a foto de grupo na escadaria da capela.

É tão agradável a sensação de pedalar no meio do monte, na paz e sossego da floresta, nos misturarmos com a natureza para voltarmos de novo à civilização e, demorado algum tempo, percebemos que não sabemos bem onde estamos! E quando dei por ela já estávamos no alto da Senhora do Salto! Então descemos para finalmente relaxarmos ao sabor da célebre febra no pão, com todos os extras a que tínhamos direito.

Serra #12

Pouco interessado nas mudanças de humor do clima, ao rever aquele “pequeno Canyon”, as escarpas de rara beleza sobre o Sousa, recordei momentos de infância quando os meus pais nos levavam a visitar a capela, merendar e refrescar nas límpidas águas do rio. Gostei de lá ter voltado mas estava triste com o panorama. Aquele mastodonte de cimento, obra do chamado “desenvolvimento”, que paira incongruente sobre um inestimável património natural é demasiado chocante. Os crimes ambientais são facilmente perceptíveis, a poluição do rio e a chamuscada mancha florestal que recentemente foi consumida por mais um incêndio no mínimo duvidoso.

Reparado o estranho furo detectado na minha montada, rápido embalamos pelas margens do rio até reencontrar a estrada e, numa cota bem mais elevada, voltar a sair dela para de novo britar pedra, subir e descer, recarregar os níveis de adrenalina deixando um opaco rasto de pó. O reino da fantasia foi por momentos interrompido pelo roncar do motocross, para logo voltarmos ao silêncio e ao suave zumbido das correntes e dos estalinhos das transmissões das bicicletas… ah, e o rock & roll saído da coluna de som da bicla do Domingos!

Estranhamente, o comandante lobo desorientou-se, enganou-se no caminho até no meio do mato descobrir um autóctone, espécie de gêpêesse humano da terrinha, que nos recolocou no rumo certo. E o rumo era o regresso à estrada, descer ao Douro e à velha nacional 108, para numa cadenciada… vá lá, cansada pedalada, voltar ao ponto de partida. Rebocando quem atrás vinha e ouvia música, a música do vento que se podia ouvir, chegamos a tempo do lanche. Despedidas feitas, cada qual rumou para sua casa…

… e em “casa” me apresentei, feliz da vida, nesta triste figura!… “-Olá amorzinho!” 🙂

Serra #23

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estamos de Volta, temos equipa

ciclista de chumbo FCP

Como portista e adepto do ciclismo, não poderia deixar de afixar um postal do há muito ansiado regresso do Futebol Clube do Porto à Volta a Portugal em Bicicleta. Hoje dão-se as primeiras pedaladas para a 78ª edição da prova. As camisolas azuis e brancas, associadas à W52, voltam a colorir as estradas de norte a sul do país. Da equipa composta por oito ciclistas, sob a direcção desportiva de Nuno Ribeiro, consta o vencedor das mais recentes edições da Volta, Gustavo Veloso, e um grupo de ciclistas experientes e jovens promessas, alguns deles com historial familiar no ciclismo do clube, embaixadores da mística que irão dar tudo para engrandecer o histórico do clube na maior corrida de bicicletas de Portugal, agora com máquinas em carbono.

Ao longo da história da modalidade, alguns dos melhores e mais prestigiados corredores do pelotão português representaram o clube do dragão, destacando-se Emídio Pinto que se tornou um nome incontornável no historial de sucesso azul e branco no ciclismo português. O ciclismo, então praticado em bicicletas de aço e de alumínio, representou um papel importante no crescimento eclético do FêCêPê. O clube deu as primeiras pedaladas na modalidade em 1945 até a suspender em 1984. O FC Porto detem o maior número de títulos de vencedor na mais importante prova velocipédica nacional, doze vezes colectivamente e treze vezes individualmente:

1948 – Fernando Moreira; 1949 e 1950 – António Dias dos Santos; 1952 – Moreira de Sá; 1959 – Carlos Carvalho; 1960 – Sousa Cardoso; 1961 – Mário Silva; 1962 – José Pacheco; 1964 – Joaquim Leão; 1979 – Joaquim Santos; 1981 – Manuel Zeferino; 1982 – Marco Chagas.

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fotocycle [189] livros para sonhar, bicicleta para voar

Há um pintor galego que gosta de andar pelas cidades a desenhar, ilustrar e pintar o que nelas mais o encanta e impressiona. David Pintor, um humorista gráfico, caricaturista, ilustrador e pintor, com várias exposições, prémios e livros publicados. Pois, em Lisboa foram os monumentos, a calçada, as sardinhas e os eléctricos que mais o inspiraram no seu livro de ilustrações, onde David Pintor esboça o seu fascínio pela cidade alfacinha ao longo de cerca de trinta desenhos, um agradável passeio conduzido pelo seu alter-ego que se desloca de bicicleta. Uma forma muito peculiar de convidar conhecer a cidade.

David Pintor - livros para sonhar

No Porto, quem passa pela rua das artes, a Rua Miguel Bombarda, não passa despercebido ao mural assinado por David Pintor onde o próprio surge autoretratado e, enquanto protagonista, sonha nas asas de um livro. E porque os livros são o alimento da imaginação, tal como são as bicicletas, achei por bem emprestar-lhe a minha, aquela que me fazia voar naquela bela manhã.

http://www.davidpintor.com/

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bike to work, um testemunho na primeira pessoa

bike to workSei que a minha opção ainda não é compreendida por algumas pessoas, mas reafirmo, a bicicleta é a melhor opção para a cidade. Gosto de andar de bicicleta, pois! Andar de bicicleta é uma paixão antiga e nada melhor que unir o útil ao agradável. É uma forma de me exercitar e a actividade física é muito importante para a minha saúde. Pensando no bem-estar e na qualidade de vida, a saudável rotina de sair de bicicleta para trabalhar é também uma forma de economizar. Usar a bicicleta ao invés do automóvel só nos traz benefícios. A minha residência fica distante cerca de cinco quilómetros do emprego, levo aproximadamente 15 minutos para chegar ao serviço, no centro da cidade. Fazendo o percurso de carro ou de transportes públicos levaria mais tempo. Apesar de algumas dificuldades ainda sentidas pelos ciclistas, no Porto e arredores, os exemplos multiplicam-se a cada dia. Optar pela bicicleta para ir para o trabalho, para os afazeres diários, para um passeio ou um treino mais exigente, tem conquistado mais adeptos. Gostaria de ver mais gente a deixar o carro na garagem e sair a pedalar. A bicicleta é muito mais que um veículo, é a ferramenta.

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teve graça, e eu ainda não tinha subido à Senhora da Graça!

Sexta-feira à tarde. Está um gajo sossegado a empaliar serviço, a fitar o relógio e magicar um fim de semana de praia a torrar ao sol, chega o Rui e deita água na fervura! “E amanhã, vamos à Senhora da Graça?!…” À resposta mental, “Tem graça, ainda não subi à Senhora da Graça!”, seguiu-se a verbal, “Bora lá combinar isso.”

Senhora da Graça #8

Só conhecia a mítica subida do Monte Farinha à Senhora da Graça das transmissões da Volta a Portugal. Em comentários avulsos com quem já a havia pedalado até ao cume, sabia da dureza da escalada e da deslumbrante paisagem que se pode ir desfrutando. Há muito que esta etapa estava prometida. Consultados os músculos, os astros, e o horário do comboio urbano até Guimarães, tudo se conjugou então para que se cumprisse a conquista da Senhora da Graça.

Senhora da Graça #1

A ideia de aproveitar o comboio foi, basicamente, para atingirmos o objectivo antes da hora do almoço. As previsões de calor intenso aconselhavam-nos fazer a escalada durante a manhã. À tarde, desceríamos o Tâmega até Amarante e, a partir daí, dois planos estariam em análise: o plano A, que previa rumarmos ao Douro e regressarmos ao Porto pela frescura da EN108; ou o plano B, que caso as pernas reclamassem e o calor apertasse, previa darmos um gafunho no rio Tâmega e  fazermos depois o desvio até Caide de Rei, onde um comboio faria o favor de nos dar boleia até casa. Mas mais experiências iriam ser postas em prática, não só de modo a poupar as pernocas para as subidas, mas, sobretudo, aproveitar a acalmia das pistas, ecopistas e afins.

Chegados a Guimarães e consolados os estômagos, a primeira tarefa foi dar com o início da bela e interessante pista de cicloturismo. Em 1986, a linha ferroviária que unia as cidades de Guimarães e Fafe foi desactivada e entretanto transformada em pista de cicloturismo. É uma agradável solução e alternativa sossegada à EN206. Nos seus cerca de 14 km’s, a pista estende-se paralela ao rio Vizela, cruza aldeias típicas, bosques e áreas predominantemente rurais, proporcionando a harmonia perfeita entre a natureza, vários elementos de valor arquitectónico e patrimonial do antigo ramal ferroviário, que conferem um interesse especial ao percurso.

Uma vez em Fafe, pela frente seguiu-se o desassossego da EN206 na ascensão até ao Alto da Lameira. É uma subida pouco pronunciada mas extensa, conhecida desde a minha passagem no Brevet 300 Baixo Minho e Barroso. Deu para me aborrecer com uma ou outra razia automobilista, mas sobretudo deu para aquecer as pernas e o cachaço, pois o calor já se fazia sentir. As eólicas ficaram para trás e veio então a saborosa e longa descida rumo ao Tâmega. À passagem por Gandarela, fêz-se o desvio para a EN304, uma das mais belas estradas deste país, que nos levou descontraídos até Mondim de Basto. A esplendorosa panorâmica do Alvão ia-nos sendo revelada, sempre com o prenunciado Monte Farinha em primeiro plano, engrandecendo e nos provocando ao desafio. Várias paragens foram inevitáveis para deliciar a alma e encher a teleobjectiva de fotografias.

Depois de reabastecer de água e coragem, a pedalada prosseguiu tranquila pela EN312 até ao primeiro desvio para o cume. De peito feito à inclinação inicial do asfalto, deu para perceber a dimensão do esforço exigido a quem sobe até lá acima. São 8,5 km’s de ascensão, intercalados por violentas cotoveladas e pouco descanso. À passagem pelo parque das merendas, o aperitivo era cada vez mais salgado. O suor ia caindo em bica, cada sombra na estrada era disputada e a cada golada o ritmo diminuía. A estrada empinava inapelável à rotação pesarosa dos pedais e a paisagem absorvia a nossa atenção. Após o brinde do bendito fontanário, definitivamente o trigo separou-se do joio. O banho quase integral fez-me bem e regenerou-me para o próximo quilómetro. Parecia estar dentro de um forno, a cozer lentamente.

Passamos dois ciclistas, outros malucos, estes em bicicletas de montanha à rotação de 10 pedaladas por metro percorrido. O termómetro do ciclocomputador marcava 43 graus!!! Os 2 quilómetros finais, se já são demolidores, feitos no pico do calor são um verdadeiro martírio. Como tal, foi em ritmo muuuito descontraído e calmo, que numa hora de pedalada chegamos finalmente à recompensa e ao deslumbramento. Que paisagem, que vastidão. Do alto do Monte Farinha olha-se em redor e dá para perceber porque dizem ser aquele um dos lugares com as vistas mais espectaculares que temos em Portugal. É fantástico, aquilo: o misticismo, o ar puro, as paisagens, as vertigens… mas o corpo já reclamava o almoço, e então descemos com cuidado até à primeira tasca de Mondim. Ficou-me a vontade de lá voltar, quem sabe, num dia de etapa da Volta!

Amarante seria o próximo destino e a ecopista do Tâmega o tapete perfeito para lá chegar. Entramos na pista junto à abandonada e degradada Estação de Mondim. A ecopista resulta também da reconversão de um antigo ramal de comboios, a linha férrea do Tâmega, que ligava Amarante a Arco de Baúlhe. Percorridos cerca de cinco quilómetros, voamos até ao considerado “quilómetro zero”, o centro nevrálgico da ecopista em Celorico de Basto, onde existe um espaço museológico, uma antiga carruagem, equipamentos de descanso e lazer. A estação foi recuperada e é uma relíquia.

Com o Monte Farinha quase sempre presente, o rio bem lá ao fundo, por entre quintas de campos cultivados, áreas florestais e paisagens muito bonitas, menos tolerável é a imensidão de obstáculos desnecessários chamados de “balizas de segurança” que tivemos de ziguezaguear. A cada cruzamento, estradão corta-fogo ou carreiro no meio do nada, existe sempre uma barreira. São verdadeiramente desesperantes para quem pedala…

Durante cinco quilómetros, entre Chapa e Codeçoso, o piso é em terra batida, o que torna a pedalada divertida. Pelo menos ali não existem as tais barreiras nos cruzamentos com os corta-fogo. À parte do pó e de um carreiro escavado pela água, que pisei e me estremeceu todo, o piso é suave q.b. para as nossas rodas finas. As sombras adoçavam as ondas de calor e quando penetramos o granítico Túnel de Gatão, o único nesta ecopista, entramos num agradável frigorífico, onde gostaríamos de ter ficado. A água dos bidons há muito se havia esgotado quando, e onde outrora existiu uma estação com abastecimento de água às locomotivas a vapor, descobrimos um pequeno tanque com bica a deitar água fresca. Foi atestar e tomar banho, de alto a baixo.

Às portas de Amarante já havia unanimidade, o plano B seria posto em prática mal tivéssemos a informação como chegar à praia fluvial. E foi ali mesmo, 37 graus à sombra que, de maillot de bain e superbock na mão, estes dois cicloturistas resolveram ficar de molho. Mais tarde, consultado o horário dos comboios que saíam de Caíde, o percurso aconselhado pelo taxista de praça foi aceite. Evitamos assim a confusa EN15 e optamos pelo desvio por Vila Meã pela mais tranquila EN211-1 e depois pela EM566 por Oliveira. Mas não se julgue que por serem mais tranquilas, com menos trânsito, não fossem as subidas um belo petisco! Ao sábado não há muitos comboios e o das 18h58 não ia esperar por nós. Chegados à estação, entre a compra de bilhetes, uma coca-cola e uma mija, cinco minutos restaram para esticar as pernas e respirar fundo. Um belo passeio com cento e trinta quilómetros nas pernas, um belo dia de convívio acumulado, um banhoca delíciosa, e estávamos de volta a casa.

Senhora da Graça #34

Pode parecer masoquismo pedalar cabeça ao sol e termómetro no vermelho, mas sabe bem uma boa subida, ficar esmagado pela paisagem, para depois sentir a descida e uma banhoca. Venha então a próxima.

 

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parabéns Portugal…

Hoje não podia ser de outra forma: Portugal deu a volta à França e é campeão da Europa de futebol, após ter batido a anfitriã por 1-0, graças a um golo de Éder, no prolongamento da final, no Stade de France. É um grande triunfo do futebol português e de todos os portugueses. Biba Portugal.

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sobre as “estratégias de mobilidade para o Porto”

Há três anos, Rui Moreira, então candidato independente à Câmara Municipal do Porto, defendia na sua estratégia de mobilidade para o Porto o seguinte:

“Para resolver os obstáculos criados à circulação pedonal e de bicicletas devido à diferença de cotas na cidade, o candidato propõe a reativação do elevador da Arrábida e ainda a criação de duas ligações mecanizadas intermédias, uma entre a Alfândega e o Palácio de Cristal e outra entre as escadas do Codeçal e a ponte Luiz I.

Rui Moreira garante que estes dois novos elevadores são “muito simples e económicos”, tendo um orçamento global de 750 mil euros.”…

(extraído da notícia do DN: http://www.dn.pt/politica/interior/rui-moreira-apresenta-estrategia-de-mobilidade-para-o-porto-3372314.html)

Sem grandes novidades, pelo menos de lá para cá no que toca a acções concretas e “políticas promotoras de uma mobilidade urbana sustentável”. Efectivamente a CMP está a fazer um bom trabalho em muitas áreas mas não soube criar medidas de reduzir o grande fluxo de automóveis para dentro da cidade e criar incentivos à utilização outros meios de transporte. Para além da revolução que o Metro trouxe à área metropolitana, poucas intervenções realizadas traduziram apenas intenções de mudança. Como diz o ditado “de boas intenções está…” toda a gente sabe o resto. Até ver, pela mobilidade em bicicleta nada foi feito, apenas se concluiu as medíocres intervenções que estavam em execução.

Agora sai esta notícia:

“Câmara intervém em 40 ruas do Porto até ao final do ano

Problema mais recente, os conflitos de tráfego entre ciclistas e automóveis e peões levaram o município, por precaução, a não criar canais dedicados para bicicletas nas ruas a intervencionar, tendo em conta que, na maioria dos casos, se trata de eixos estruturantes, com muito movimento automóvel. Rui Moreira considera que a legislação deveria ser revista, pois o facto de as bicicletas não terem matrícula e os ciclistas não serem obrigados a ter seguro têm gerado problemas nalgumas situações, argumentou. E, perante isto, a Câmara do Porto não deverá abrir as faixas bus a este modo de transporte, como fez, com bons resultados, com os ciclomotores, assumiram.“

Por precaução, vou não levar a sério aquilo que li. Deixo um texto já por aqui publicado para educadamente dar a minha resposta a esta oportunidade perdida e contraditória:

A cidade pouco tem facilitado o modo como aproveitamos o espaço e o tempo. O ritmo urbano tornou-se rápido, apressado, urgente. O espaço foi ficando apertado, engolindo os portuenses pela voracidade de um quotidiano cada vez mais competitivo. Em grande medida, isso deve-se às “regras” impostas pela sociedade: comer rápido, trabalhar mais, ter um carro… Os portuenses reclamam uma série de mudanças em várias áreas da sua vida: saúde, trabalho, educação, mobilidade…. É possível um melhor estilo de vida através do ciclismo urbano? É pois!

Lentamente, as cidades procuram soluções de transformação social e cultural, modernização com implicações no desenvolvimento de infra-estruturas urbanas. As propostas de mobilidade não motorizada surgem e propõem uma mudança de hábitos. A poluição ambiental, o mau planeamento urbano, a deterioração do espaço, o aumento da circulação automóvel, são ameaças a essas pretensões. As vantagens da bicicleta como meio de transporte regular, alternativo, económico, ecológico e saudável, são imensas. É uma das formas de recuperar o bom ritmo da cidade, do tempo e espaço que escasseiam na sociedade. A bicicleta é um elemento de união. Traz agilidade, felicidade, resgata o espaço público para as pessoas e permite-lhes apreciar as ruas, a cidade, se deslocar para o trabalho e escola, ao mesmo tempo reúne famílias, os cidadãos e os turistas numa convivência saudável.

Mas para que seja uma opção e ajude na mobilidade, a bicicleta pode exigir um pouco de dedicação. Pedalar todos os dias e ir para as ruas circular, espremido entre os veículos nas estreitas ruas, não é nada fácil. Eu percebo que é um pouco arriscado driblar o trânsito das grandes cidades, atendendo às várias dificuldades que se depara a um pretendente commuter: a falta de vias que sejam cicláveis, os obstáculos naturais, os elementos da natureza, a exigência física. Infelizmente são muito poucas as ruas que oferecem espaço dedicado ou reservado aos ciclistas, o que obriga a uma convivência por vezes atribulada entre todos. Basta avaliar e comparar o espaço que os automóveis ocupam nas cidades com o espaço utilizado pelos ciclistas. O grande problema é que as infra-estruturas dirigidas aos ciclistas não incentivam e não estimulam nem mesmo os ciclistas esporádicos a fazerem uso da bicicleta com maior intensidade, muito menos conseguem atrair os que utilizam outros meios de transporte.

Para que ocorra uma mudança significativa na mobilidade nas nossas cidades, seria necessário traçar metas ousadas para os próximos anos. Urge contribuir para recuperar a qualidade de vida urbana. Não é uma utopia, tanto que muitas cidades no mundo inteiro já o fizeram. Mas isso depende dos governos, de uma boa administração dos recursos existentes e das escolhas correctas por parte do poder camarário. Aí sim, saberemos que a mudança engrenou, que as cidades melhoraram e corrigiram o caminho, rumo a um progresso sadio. Mas sabemos a que velocidade essas mudanças ocorrem. Apesar de tudo, há mais gente a pedalar nas ruas e isso é de salutar. Devemos ocupar o nosso espaço, perder o medo, discutir se for o caso, viajar de bicicleta e aprender a respeitá-las no trânsito.

Amanhã vai estar no CidadeMais 2016 pelo menos uma pessoa da CMP para ouvir o que se tem a dizer sobre Melhor Mobilidade, Mais Sustentabilidade.

Cidade Mais

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can’t miss [154] 1penoporto.tumblr.com

Sim, já tinha saudades das rubricas do 1PNP.

Serve o mais recente postal do Velho Lau para anunciar em parangonas que a Adega está de balcão aberto à freguesia.

CRÓNICAS DO PRIMEIRO MUNDO III

umpénoportoumpénoporto.

“Enquanto cidades como Lisboa ou Matosinhos engataram, finalmente, em direcção ao Séc. XXI, com planos ambiciosos a irem com obra para o terreno, o Porto continua a marcar passo.

Podem escrever-se muitas teorias bonitas nos jornais da Autarquia (ponto.), fazer reuniões simpáticas com “activistas” (que se multiplicam desde, pelo menos, 2011) e apoiar conferências sobre mobilidade com a presença de vereadores, mas enquanto os sinais dados às pessoas que utilizam a cidade não forem no sentido certo, nada está de facto a acontecer.

Sempre que faço o trajecto entre Matosinhos e o Palácio, o que acontece um par de vezes por semana, às vezes menos, são sempre as mesmas coisas que me deixam enervado.

A primeira, ali em cima, é em Júlio Dinis e D. Manuel II, dois sítios separados por 50 metros. Os postes que há são estes. Também são os únicos sítios em que se pode guardar uma bicicleta.

Estás em 2016 e tens que pensar se vais encontrar lugar para parar a bicicleta antes de sair de casa? A sério? Não estará a escapar alguma coisa assim muito básica?”…

E para que nada escape, que tal uma espreitadela à Adega (http://1penoporto.tumblr.com) para ler toda a crónica? Linka aí: http://1penoporto.tumblr.com/post/146916596930/cr%C3%B3nicas-do-primeiro-mundo-iii

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fotocycle [188] à descoberta

Só, por rotas aleatórias ou pelo mesmo caminho de todos os dias, na bicicleta lucro dos mistérios do meu Porto. Dos recantos e segredos, do velho charme do seu casario. Da aura romântica de uma cidade europeia onde a roupa colorida seca à janela. Não é difícil ignorar tudo o que é magnífico e histórico da urbe onde vivemos e trabalhamos. Por mais que a nossa cidade tenha uma torre afamada e paredes ladrilhadas de história a gente deveria aprender a se aventurar. À descoberta, aproveito cada momento.

à descoberta Continuar a ler

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