o Caminho são caminhos

Aviso prévio. Caso queiram mesmo queimar as pestanas e ler este relato sensaborão de três mil e muitas palavras, assim à média de 10 por quilómetro pedalado, não sei quantas fotos, com oito, ou melhor, seis bicigrinos e outros dois peregrinos automobilizados até Santiago de Compostela, então estão no bom caminho.

Quando, há coisa de cinco anos, concretizei a minha primeira aventura ciclística até Santiago de Compostela, o que falou mais alto foi mesmo o lado aventureiro. Desafiado pelo Velho Lau, fomos em autonomia, bicicletas atafulhadas e a arrastar duas parteneres com pouca pedalada por um caminho exigente. Não levamos credenciais para carimbar, nem tão pouco teve o condimento da Serra da Labruja, apenas aldrabamos o caminho o quanto baste, o bastante para prometer a mim mesmo “tenho de voltar a fazer isto, mas como deve de ser”. Quando me falaram em voltar a fazer o Camiño, imaginei-me a arrastar-me algures no traçado da estrada real Porto-Barcelos-Valença.

o Caminho são caminhos #01Costuma-se dizer que o Caminho de Santiago se inicia quando se dá o primeiro passo, quando se tem um apelo interior, o que é pura verdade. Fi-lo de novo pela menos espiritual das razões: fui desafiado. O click motivacional foi dado quando o meu amigo Rui me apresentou um plano, com data marcada e tudo. O grupo Gaiabikers fazia-nos a papinha toda, a organização, a logística para a viagem, eu só tinha de desenrascar uma bicicleta coincidente com a aventura e carregar com ela. Com a Dona Etielbina em pré-reforma, tive de raptar a Metallica ao meu filho, dar-lhe uns retoques de afinação e trocar-lhe os sapatos. O grupo formou-se. Dos que aceitaram o desafio, só conhecia o Rui, o Tózé, aka Wolverin Wolf, e o Luís. No desenrolar dos preparativos, fiquei a conhecer os restantes companheiros, o Humberto, o Kiko, que nos acompanhou durante a primeira jornada até Ponte de Lima. Para o apoio moral e abastecimento em troca de umas monumentais secas, o Gaspar e o Ilídio fizeram o esforço de conduzir o carro vassoura com os víveres e bagagens.

o Caminho são caminhos #0

Às 8h da manhã da quinta-feira santa, na Sé Catedral do Porto, saudámos a primeira seta. De credencial na mão e um pé no pedal, prontos a dar inicio à dita “bicigrinação”, não estávamos sós. Muitos, mesmo muitos, outros como nós, davam também inicio à pedalada, numa espécie de Massa Crítica rumo a Santiago. E é aqui que começa o encanto do Caminho. Sejam as vezes que o façamos, de qualquer forma, trata-se sempre de um novo caminho. Um caminho de iniciação, numa experiência que tem tanto de místico e telúrico como de aventura e teste aos limites físicos e psicológicos de cada um.

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O primeiro dia roçou a perfeição. Com boa disposição e sem grandes pressas, fomos brindados com um excelente dia primaveril. Depois das despedidas ao Porto, uma imensa estrada, todos com aquela sensação de sermos capazes de dar a volta ao mundo. Em grupo, foi fantástico perceber e conhecer melhor os restantes companheiros. Fomos conversando sem nos determos nos pequenos desafios que fomos encontrando, apenas as mentes abanaram com o infortúnio de dois camaradas ciclistas envolvidos num acidente. Receios à parte, cumprimos outra vez aquilo que viria a ser uma constante, uma paragem com o pretexto de carimbar o passaporte de peregrino, esticar as pernas e deitar abaixo uma mini e uma sande de queijo. E a cada pit-stop, o descanso com que presenteei a Metallica, não só fez furor no grupo como lhe deu aquela pose fotogénica. Depois daquele que foi o único arrufo mecânico da tournée, um furo, chegamos a Barcelos para o merecido almoço. Saciados os estômagos, estávamos preparados mentalmente para os troços mais inclinados. Guiados pelas setas amarelas, pintadas no chão, em árvores, postes, muros, casas, não há como errar. Ao ritmo sincopado de cada um, os quilómetros e muitos peregrinos foram ficando para trás. Depois da troca de cumprimentos, saudações de “Bom Caminho”, vinham as perguntas de onde vínhamos, quem éramos e para onde íamos. Cada um seguia o seu caminho. Nas imediações de Ponte Lima, uma jovem peregrina alemã amoleceu o coração dos nossos companheiros automobilizados. Com dificuldades aparentes na marcha, tinha os pés em brasa, lá acabou por ceder a oferta de uma boleia até ao albergue mais próximo, atenuando-lhe o martírio. Chegamos cedo a Ponte de Lima, onde a residencial Pinheiro Manso nos vendeu, duche, o deleite da gastronomia local, saborosa e caseira, e o repouso. O final do dia foi dedicado a um pequeno passeio pela zona histórica da mais antiga vila de Portugal.

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Toque de alvorada às sete. As tropas apresentam-se com o moral elevado, acordaram com a disposição em alta para continuar a senda. Com uns raios de sol a reservar-nos uma agradável e fresca manhã, fiquei por breves instantes a mirar o rio, os arcos da famosa ponte romano-gótica sobre o Lima, e a imaginar-me Decius Junius Brutus tentando convencer os seus soldados a atravessar o tal rio Lethes, o rio do esquecimento. Devidamente reanimados por uma boa dose de cafeína, regressamos ao Caminho e registamos a travessia na ponte para memória futura. Com o Minho a proporcionar-nos um belo carrossel por entre campos verdejantes, igrejas, aldeias milenares, e a orografia acidentada do caminho, já adaptados aos diferentes ritmos, ninguém reclamou andamentos rápidos ou lentos, ninguém se inibiu de parar para um ou outro mergulho na natureza. Houve tempo para fotografar e para aliviar a carga. O rio Labruja, afluente do Lima, acompanhou-nos durante alguns quilómetros, oferecendo a sua partitura musical e alguns recantos e cascatas agradáveis, à vista e às máquinas fotográficas, num ambiente bucólico e preparatório para o nosso calvário, a Serra da Labruja. Percebe-se bem porque o Caminho passa aqui! Icónico!

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Ao longo destes dias de viagem para o santuário jacobino tivemos a oportunidade de encontrar levas de andarilhos backpack, peregrinos do mundo inteiro, solitários ou em grupo, pessoas normais como nós (há, há, há!)…. Há de tudo: desportistas, turistas, esotéricos, devotos, pessoas de todas as idades e nacionalidades, místicos, religiosos, malucos, acima de tudo, felizes. Coisa nenhuma a eles escapará, ao encontro consigo mesmos. O Caminho é muito pessoal, e os sentimentos de cada um em relação a ele variam em alguns aspectos. Todos convivem, nas tascas, nos cafés, refúgios, momentos de repouso onde se bebe um copo, uma bejeca para eliminar os ácidos lácticos. Serra acima, tivemos a companhia de um simpático e alegre grupo de brasileiros. A certa altura da escalada, invejei as mochilas que transportavam, bem mais leves e fofinhas do que a desajeitada bicicleta que eu carregava aos ombros. Pedra a pedra, passo a passo, pausa a pausa, a subida foi-se fazendo. Passagem pela cruz dos mortos. Inevitável foto e seguimos caminho para celebramos a conquista do Colle dell’Agnello do Camiño Xacobeu Português com uma fotografia de grupo tirada por uma bonita peregrina de sotaque germânico.

Todos sentimos o Caminho em conjunto, mas todos o sentimos de uma forma diferente. O rumo escolhido é aparentemente o mesmo, mas só seguimos as mesmas setas. Cá dentro, de onde tirámos a motivação para o fazer, seguimos caminhos mais ou menos diversos, mais ou menos tortuosos, mais ou menos floridos, carregados de rosas com espinhos, em busca do “eu”. Acho que este foi o dia de cada um sentir o seu e eu estava no bom caminho. Nova paragem mesmo a tempo de um reforço do pequeno almoço com uma mega sande de presunto e a cervejinha da praxe. O caminho prossegue domado pelo característico povoamento disperso do Minho, por entre campos, arvoredos, veredas estreitas, riachos, caminho de pedras desordenadas. Ao longo do percurso vamos confirmando a diversidade deste país, as suas riquezas, cultura, paisagem, usos e costumes. Uma mulher que lava a roupa no rio, e devolvendo a nossa saudação retorquiu ser preciso alguém que mantenha as tradições. É bem verdade! Inevitável foto e seguimos caminho.

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Ao longo do Caminho fomos encontrando outros bicigrinos, entabulando conversas com um “de onde vêm”, reencontrando-os amiúde, onde um oportuno café nos permitisse descolar do selim, matar a sede e deixar um “adeus, até ao próximo café”. Em Valença do Minho, depois de recuperarmos um pouco as forças, a chuva ameaçadora apareceu e aconselhou o impermeável que não mais largaríamos durante a etapa. Mas os bicigrinos não se atemorizaram com tal minudência e atacaram o caminho, cuidando apenas em rodar os pedais. Passamos a ponte, entramos em Tui e estávamos na Galiza. Depois uma breve voltinha por algumas ruas estreitas na bem conservada zona histórica de Tui, e depois de furarmos o túnel sob o Convento das Clarissas, o caminho retomou a vida rural, os bosques e o rio Louro. Faltavam 115 km. “Buen Camiño”.

o Caminho são caminhos #59

À entrada d’O Porriño, a ideia seria encontrar o percurso alternativo (devidamente homologado) que cruza um parque que bordeja o rio Louro. O desvio da rota tradicional traria claras vantagens em vez da pedalada sobressaltada pelo alcatrão ao longo da congestionada e extensa zona industrial. Só que falhamos a indicação, e a (minha) solução foi ligar o turbo e carregar no pedal, o mais que pude, aproveitando o ventinho pelas costas. Resultado disso, deixei o grupo para trás e mais à frente esperei pela malta, tanto que até deu para actualizar o Instagram! Antecipamos as hostilidades para a íngreme Rua dos Cavaleiros com uma demorada paragem técnica. A divisão do grupo, onde uns aceleravam e outros se atrasavam, o Pazo de Mos testa as nossas forças. Aprendíamos logo ali como gerir todos os sentimentos e vontades. No topo, a reunião do grupo é importante para manter o espírito e motivação. Depois de Redondela e após o sobe e desce, às vezes pronunciado do terreno, chegamos às cercanias de um braço da ria de Vigo. Após ligeira subida, num dos locais mais místicos de todo o caminho, reunimos novamente o pelotão enquanto nos íamos fotografando com as vieiras e outras lembranças deixadas pelos peregrinos em pano de fundo. “Oh pá, espera!… É só mais esta foto!” Não há subida que, depois, não nos regale com uma saborosa descida. Assim recuperamos energias com a formidável panorâmica sobre a Ria de Vigo.

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A luminosidade baça das águas acompanhou-nos até Árcade, onde erramos a ponte a atravessar. Refeitos do engano, e assim que pisamos as pedras da Ponte Sampaio de origem romana e traça medieval, vivemos um dos muitos momentos agradáveis, daqueles prováveis de quem anda no mesmo caminho: o encontro imprevisto com malta amiga, os Javalis de Gaia. De repente o pelotão aumentou e foi tudo na galhofa até darmos com os calcantes nos penedos gastos da via XIX, a estrada romana que nos acompanhou por muitos e árduos caminhos. Estes romanos eram mesmo loucos. À nossa penosa progressão multiplicavam-se os bicigrinos. Ora passávamos por uns, ora éramos ultrapassados pelos memos, muitas caras já eram bem conhecidas. E foi numa esplanada com vistas para a estrada que reencontramos os excelentíssimos carrogrinos Gaspar e Ílidio, bastante eficazes a tirar caricas às Estrela Galicia 1906. A etapa relativamente longa concluiu-se à porta do Hotel Virgen del Camiño. Foi com intenso algum alívio que chegamos a Pontevedra. Depois da banhoca e do repasto, um passeio nocturno pelo centro histórico de Pontevedra ajudou a esmoer o chuleton da casa. A cidade apresentava uma movida interessante, praças bonitas de fruição pedonal património rodeado de paredes graníticas, mas poucas geladarias para saciar a gulodice do Ilídio.

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O dia amanheceu com chuva da grossa e meteorologia não estava para introspecções. Ainda remelados de sono, sentamos o rabo nos selins e atravessamos Pontevedra em câmara lenta. Continuámos em modo molhado durante algum tempo. Entretanto a chuva lá deu tréguas e nos embrenhamos nos bosques com uma pedalada tranquila e bem disposta, aqui e ali invadida por um odor, mas que não era bem a fragrância do campo! Eram ecos longínquos de um som suplicante, aulidos de um lobo com problemas flatulentos. E prosseguimos, cada vez mais lentos. Notava-se que o Caminho estava diferente, mais concorrido e animado. Estávamos a precisar de um reforço de cafeína. À passagem por San Amaro de Portela, paramos no renovado café Mesón Don Pulpo, dirigimo-nos ao balcão para carimbar e não mais tirei os olhos dos lindos olhos da simpatica nena. Até o café solo teve sabor a cimbalino bem tirado. Retomamos os pisos de terra, atravessados por cursos de água e fomos progredindo com cuidado, não que o Caminho tenha mudado muito, apenas havia mais lama, mais civilização e mais atravessamentos da N-550. Ziguezagueamos entre inúmeras poças de água, a compasso, atrás de uma grande comitiva de peregrinos a cavalo, o que é bastante raro de ver nos dias de hoje, disseram-me.

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Uma das coisas que prezo enquanto ciclista é o respeito pelos outros. Numa fase do caminho, com trilhos estreitos, enlameados, perigosos e apinhados de gente, cavalos e bicicletas, apareceu um bando de ciclistas tugas a praticar downhill. Ora, isso é meio caminho pedalado para o acidente, e disse-lhes isso mesmo e que há outros trilhos mais adequados para se ser radical. “A tartaruga conhece melhor o caminho que a lebre”. Mas também foi um dia de surpresas agradáveis. Mais à frente encontrei antigos colegas de trabalho, uns a pedais, outros a penantes. Quando o empedrado não massacrava o rabo no selim, dava-se lugar às anedotas e às brincadeiras. Depois de um spa, ou melhor, do vosso narrador e do Rui, atabalhoados na nossa falta de prática bêtêtista, enfiarem as patas numa mega poça, valeu a galhofa que nos fez recalibrar as forças. Prosseguíamos com os sentidos já adaptados aos achaques do corpo, mas a alma mais perto de encontrar o que todos buscaram no Caminho. Numa fase de trilhos de lama fomos brindados com a animação e sorrisos de um grupo de jovens peregrinas conterrâneas. Veio também o agrado de passar pelos pueblos, e, por fugazes instantes, o ar ficou invadido pelo aroma de leitões a serem assados e o som de uma gaita de foles galega com a batida aflita de uma pandeireta. Dava vontade de parar a bicicleta e ficar para a festa.

Os marcos galegos indicam a proximidade de Santiago e começam a tomar conta da sensação de chegar. À passagem por Carracedo impunha-se outra paragem para devorar um mega bocadilho de ramon… Ah, e uma Superbock, que é coisa para abrir o apetite. Uma peregrina oriunda da África do Sul mereceu a nossa admiração, não só pela sua simpatia e simplicidade, mas, ao contrário da maioria que carregava autênticos armários às costas, esta apenas levava uma pochete e um bidon de água! Os sons da natureza, um rio que corre, o som dos corvos, pegas e melros, o olhar intrigado de um gato, foram interrompidos para a passagem pela movimentada estrada nacional e áreas suburbanas. Nos arredores de Padrón, o Humberto, ou melhor, a bina do Humberto foi engolida por um Renaul Clio. Este inusitado episódio fez-nos perder algum tempo para desencravar o pedal da bicla completamente enfiado no plástico do para-choques! Apesar da chuvada intermitente continuamos para Padron e, para nosso alívio, mais uma vez demos permissão ao lobo mau para ir ao café aliviar a carga. Uffaaa…

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Sob uma espessa cortina de nuvens, finalmente, ao longe, já se vislumbravam as pontas cimeiras das torres da Catedral de Santiago. Descida rápida em direcção à Ponte Velha sobre o Sar, serpenteando na lama movediça da subida da Choupana, entramos nas matas dos arrabaldes de Compostela que respira Caminho e acarinha os peregrinos. Eram de alegria e ansiedade as manifestações vindas de um numeroso grupo de peregrinos portugueses que nos saudava. “Bom Caminho”, respondíamos. Com calma e já num processo de interiorização, lá fomos pedalando até entrarmos na cidade, acabando desorientados e meio perdidos! Seria normal passarmos pela porta Faxeira, a entrada tradicional do Caminho Português na velha praça, mas acabamos baralhados pelo labirinto medieval e foi pela Porta do Caminho, também chamada Francígena ou de São Pedro, por nela desembocar o Caminho Francês, onde, direitinhos e sem vacilar, sob uma chuvinha abençoada, tivemos a nossa entrada triunfal na Praza do Obradoiro. Eis-nos em Santiago, convencidos e orgulhosos.

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A chegada foi o culminar geral de um desejo, superação e satisfação. Vás as vezes que fores, chegas e ficas contemplativo, inebriado pelo ambiente e pelas sensações. Ainda estou a sentir a comoção dos peregrinos, oriundos de todo o mundo, emocionados na concretização de tamanha andança, do brio e fé, certezas que ali não seria o fim mas o início de outro caminho, sem setas para seguir. Só não sei se alguém encontrou respostas para algumas das questões que acarretava. Quanto a nós, foi enquanto grupo um caminho de sucesso. Venham mais caminhos, novos caminhos que apesar de sinuosos, às vezes penosos, serão seguramente transitáveis.

Depois rumamos ao Convento de Belvis para a banhoca final…  afinal não foi bem a última! Quando chegou a hora de voltar à Oficina de Acogida al Peregrino, onde antes havíamos estado para certificar a Credencial e receber a Compostela, e graças a São Pedro, apanhei o último banho, vestido e tudo. Só então entrei no carro e voltei a casa.

o Caminho são caminhos #42
Assim, pedalamos qualquer coisa como 250 quilómetros, sob sol, chuva, por subidas e descidas alucinantes. Foram três dias de aprendizagem, amizade, liberdade, vida em grupo, introspecção, misticismo, zen mental e físico, uma rotina bastante diferente da do dia-a-dia. É incrível como as energias cósmicas e terrestres da rota facilitam estas coisas. Nos deparamos com nossos horizontes e limites. Descobrimos pequenas coisas que não notamos na vida diária. Nos perdemos. Deixamos que o Caminho nos conduzisse. Nos encontramos e avançamos. Apreciamos e desfrutamos cada metro percorrido. Chegar é apenas um detalhe. O caminho que ficou para trás é o troféu que se guardará na memória.

Agradecimentos:

RuiAo Rui, grande amigo que me lançou o repto, desafiou e me ajudou.

TozéAo Tozé, experimentado explorador de outros trilhos, trilhas sonoras, descidas a abrir e boa disposição.

HumbertoAo Humberto, demonstrou que ao andar depressa não se usufrui de tudo o que o Caminho proporciona.

LuisAo Luís, pelas excelentes fotografias, simpatia e cordialidade.

KikoAo Kiko, que nos deu o prazer da sua excelente companhia.

Gaspar e IlidioAo Gaspar, sempre atento às necessidades de todos, e ao Ilídio, que mesmo lesionado e impedido de pedalar, nos acompanhou e proporcionou um espírito fantástico de partilha de boas anedotas.

Obrigado a todos por estes fantásticos 3 dias. Os Caminhos de Santiago são assim, únicos, mesmo quando revisitados.

 

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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7 respostas a o Caminho são caminhos

  1. Nelson Branco diz:

    muuuuuiiiiiito bom… fiquei um bocadinho cansado! eheheh

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  2. paulofski diz:

    eheh… eu avisei 🙂

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  3. PC Silva diz:

    tenho de experimentar 1 dia!!! 🙂

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  4. AACS diz:

    Parabéns pelo artigo

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  5. paulofski diz:

    é uma experiência única

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  6. Pingback: amor é, chegares a “casa” e ouvires a frase: “Que é!? Vais já para a banheira. | na bicicleta

apenas pedalar ao nosso ritmo.

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