histórias de Natal

foto: "A bicicleta" in http://www.tribunadamadeira.pt/

foto: “A bicicleta” in http://www.tribunadamadeira.pt/

A bicicleta

[…]

“Era o dezembro de 1966. Lá longe havia uma guerra que eu não conhecia. No agosto do ano seguinte nasceria o irmão que eu ainda não sabia. Em maio de 1969 a irmã que já ninguém imaginava. E passados alguns anos o momento em que o Estado Novo deu lugar a uma outra forma de situacionismo. Mas isso seriam futuros omitidos daquele meu presente despreocupado de então. E naquela noite entrava-me pelo quarto, obscurecido pela penumbra da noite e das luzes apagadas, a minha primeira bicicleta. Era vermelha, de selim imaculadamente branco. Trazia duas rodinhas de ilharga para me ajudar a equilibrar-me. Foi minha companheira inseparável, de aventuras e travessuras, durante uns bons tempos. Ficou de castigo, assim como eu. Magoou-se diferentes vezes, assim como eu. Viveu intensamente, assim como eu. Passaram anos, 47 para ser mais preciso. Mas por cá continuamos todos. Os passos mais arrastados, é certo. As paciências mais desgastadas. Os sentidos mais baralhados, mas sempre atentos às luzes que cintilam em todos os natais que cumprimos e que esperamos vir a cumprir. As palavras, essas, saem-nos por vezes mais a custo, ou em chicotadas inesperadas. Como que inquietas por se fazerem ouvir. Como que decididas a resgatar algumas importâncias de outras décadas.”

[…]
(ler aqui toda a história)

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e Sua Alteza volta a reinar

touchdown

Já lá vai meio ano que não sentava o rabo no trono de Sua Alteza. Desde que tive a infeliz ideia de tentar captar uma bela imagem em movimento, deslumbrado com o contra-luz crepuscular no visor da teleobjectiva, desatento, saí de pista e fui acertar em cheio com a roda numa boca de incêndio (na foto acima a reconstituição da burrice). Sua Alteza foi rebocada para a casa-mãe e por lá ficou de quarentena, em lista de espera para desempenar a forqueta. Eu também fiquei meio empenado, os óculos, esses, não tiveram conserto. Assarapantado, envergonhado, eu sei lá, pela grande asneira, não tive vontade de relatar aqui a ocorrência. Confesso que a teimosia é uma das minhas teimosias e não dando ouvidos a ninguém, não havia sequer curado as feridas, já estava de volta aos malabarismos de telemóvel na mão, a pedalar e a fotografar tudo o que me apetece (não, não aprendi com o tropeção).

Embora a lesão da bina não fosse grave, a forqueta tinha um belo empeno. A solução podia passar pela simples substituição da peça mas, não havendo nenhuma igual, não me importei de aguardar o tempo que fosse necessário para o “endireita” ter tempo de lhe botar as manápulas. Depois de muitos alguns contratempos, a peça lá chegou e voltou cinco estrelas, como nova. Ao fim da tarde de ontem foi dada alta à paciente e a correr pedalar fui buscar a beldade para a juntar às amigas lá em casa. Só que entretanto tinha duas biclas pra levar. Não querendo levar peso extra às costas, precisava isso sim de duas pernas extra. Assim, a solução prática foi requisitar o pronto-socorro de serviço, ou seja o meu filhote (todo o contente o manganão) 🙂

Alteza está nos trinques  

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monster bikes

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eis a Roda de Copenhaga. Lembram-se?!

Copenhagen wheel

A Superpedestrian.com anunciou ontem o lançamento comercial da Copenhagen Wheel, a e-roda aqui dada a conhecer já lá vão dois aninhos e meio. A “Roda de Copenhaga” é um mega cubo que se encaixa facilmente numa ordinária roda de bicicleta e a transforma numa híbrida para um passeio confortável, pedaladas relaxadas por longas distâncias, bem como a transposição de declives mais íngremes com a maior das facilidades.

Revolucionando positivamente o transporte, a mobilidade e a qualidade de vida urbana, os inventores desenvolveram esta inovadora tecnologia, mantendo as bicicletas atraentes, para dar potência extra às pernas dos humanos, poder de travagem e sistemas de controlo avançados. Esta “roda inteligente” foi originalmente concebida no MIT- Instituto de Tecnologia de Massachusetts. A Superpedestrian Inc.  tem uma equipe criativa de designers e engenheiros, que visam proporcionar novas formas de mobilidade de tracção humana e transformar a qualidade de vida nas cidades.

A Roda pode ser montada numa bicicleta normal. A força da pedalada actua automaticamente nas fases de resposta do pequeno motor. A Roda reconhece intuitivamente o quanto ele ou ela pedala, bem como a topografia do percurso para determinar quanto apoio deve fornecer. Não existem aceleradores adicionais, fios ou botões, mantendo a pura simplicidade da bicicleta. A Roda apresenta também um sistema de bloqueio inteligente que trava a bicicleta quando o ciclista a desmonta para a voltar a abrir no seu regresso. A sua bateria recarregável permite que seja removida facilmente e carregada onde quer que o utilizador vá. A Roda pode ser personalizada para atender às necessidades do utilizador. Ao conectá-la a um smartphone, o aplicativo móvel permite manter um perfil pessoal, acompanhando as estatísticas de uso pessoal, como distância percorrida, calorias queimadas, ganho de elevação, etc. Também o coloca online, reunindo-o com pessoas de afinidades comuns, abrindo o caminho para uma vida “ciclo-social”, disse Carlo Ratti, co-inventor da Roda de Copenhaga e director da Cidade Lab MIT SENSEable.

“Podemos fazer das bicicletas uma alternativa competitiva para os carros, autocarros e metro, para as pessoas que vivem e se deslocam para trabalhar nas grandes cidades? Essa é a nossa missão”, disse Assaf Biderman, fundador e director da Superpedestrian, da Cidade Laboratório MIT SENSEable. “Para os milhões de residentes das grandes cidades que estão cansados ​​de ficar sentados nos engarrafamentos ou longas esperas pelo autocarro ou comboio, a Roda de Copenhaga oferece uma maneira mais fácil, mais ambientalmente amigável para a sua mobilidade, dando uso à bicicleta que têm guardada na garagem ou no hall de entrada.”

Principais especificações da Roda de Copenhaga:
Preço: A partir de 515€
Velocidade:  32 Km/h
Alcance: 30 km
Peso: 13 kg
Tipo de Bateria: recarregável de iões de lítio, 1.000 ciclos de carga.
Tensão de funcionamento: 48V
Potência do Motor BLDCopções de 250W e 350W
Tamanhos roda suportados: 26 “e 700C
Opções de rodagem suportados: Única velocidade; desviador multi-velocidades.
Tipo de travões: Travões convencionais (calços ou disco); contra-pedal electrónico regenerativo.

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can’t miss [70] bbc.co.uk/news

Bicycles outsell cars in most EU countries in 2012

BBC news

“Figures from industry bodies indicate that bicycles outsold cars in 26 of the European Union’s 28 states in 2012.”

“There are more and more people cycling, as a fashion thing, but also for economic reasons,” Pedro Carvalho, head of a magazine for cyclists in Portugal, told AFP.”

(ler o artigo aqui)

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“ó senhor, o que é uma bicicleta gourmet?”

a pasteleira 1Quem passa em frente ao nº 563 da Rua de Santa Catarina suspeita do que ali existe, para lá das vitrinas. Uma pastelaria!? Mas não, lá dentro são outros os doces que nos adocicam a gula. “Bicicletas & Gourmet”! Um café, uma mercearia ou uma loja de bicicletas, acertou quem pensou que o estabelecimento comercializa um pouquinho de tudo isso. Produtos de qualidade e coisas boas à volta das bicicletas.

a pasteleira 2 a pasteleira 3Ao entrar, os clientes podem deixar as biclas estacionadas e desfrutar de um ambiente acolhedor e familiar. Soalho de madeira, diversas mesas e bicicletas espalhadas pela sala. A Mafalda e o João recebem o visitante com o propósito de oferecer simpatia, doces momentos e ajuda a entusiastas das bicicletas.

a pasteleira 4 a pasteleira 5Inaugurada há alguns dias, a Pasteleira – Bicicletas & Gourmet tem na cave bicicletas bem charmosas, equipamentos com foco no ciclismo urbano, acessórios e muito mais. E quem sabe não fará a sua visita inaugural a este belo espaço na próxima sexta-feira! Vamos estar à conversa com Ricardo Cruz e Sérgio Moura numa tertúlia sobre mobilidade urbana em bicicleta. Experiências, mitos e desafios.

A Pasteleira

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apeteceu-me…

outono

Apresei o Outono. Porque ele é esquivo, fugaz prelúdio do último floreio. Derradeiro suspiro do que está prestes a cessar de existir. Origem de um tapete tecido de folhas em momentos de cor, de amor. Guardei o Outono, para mais tarde, na Primavera, emergir rebento, explodir de vida e renascer.

à minha mamã
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passe a publicidade [55] Pull&Bear Freewheel Club – Technical fashion for the urban cyclist

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can’t miss [69] biclanoporto.org

Porto – Cidade Ciclável

Merckx inbicla

… “Amo este granito em cada meu respirar e em cada seu pulsar. Cada pedra de paralelo. Cada grasnar de gaivota. Cada onda que bate no paredão do Molhe ou que se enrola nas areias do Homem do Leme ou da praia de Matosinhos. Cada ondulação dos barcos rabelos em Gaia. As pinturas do Hazul – e há cada vez mais. As pessoas de Miragaia e da Ribeira, na sua franqueza e frontalidade. Se me revoltam os prédios abandonados, amo a sua nostalgia de tempos idos. A Santa Catarina a fervilhar de atividade e de agitação. As  lojas de bicicletas. A Pasteleira, o Banco de Bicicletas e a Nas Calmas, a Sub 954, o Barbosa do Velo Invicta Capas Peneda, O Sr. Luís! a iNBiCLA, a Douro Bike e a Velo Culture. A massa crítica (ou bicicletada). A noite. As escapadelas noturnas a meio da semana em cima do selim. O nascer do sol no tabuleiro superior da ponte Luiz I – e que luz! E cada pedalada que dou pelas suas ruas. E quanto mais sobe mais prazer sinto. E quanto mais desce mais vontade me dá de abraçar estas pedras escuras e toda esta cidade que se deita, indolente, tombando melancolicamente para o Douro e para o Atlântico.

O Porto é ciclável. E é bonito.”

por Ricardo Cruz (ler o artigo aqui)

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textos de Marcos Paulo Schlickmann [5] Alguns conceitos básicos do transporte urbano de passageiros (2ª parte)

link para a 1ª parte do texto

Agora explico os meios de transporte apresentados na figura abaixo.

1. Comboio/trem suburbano: Sistema presente em quase todas as áreas metropolitanas com mais de um milhão de habitantes. É um meio de transporte ferroviário que faz ligações radiais periferia-centro e partilha a infraestrutura com os demais serviços regionais e internacionais ferroviários. É um sistema que consegue fornecer grandes capacidades pois normalmente tem via sempre exclusiva (não cruza com a rede rodoviária), pratica altas velocidades, em média 60km/h, e pode ser composto por até 10 vagões/carruagens. Suas estações são geralmente integradas com os demais meios de transporte, lojas, estacionamento de carros e bicicletas, bom acesso pedonal, táxis.

2. MRT (Mass rapid transit) /HRT (Heavy rail transit) /metro enterrado/aéreo: Este sistema, o modelo subterrâneo principalmente, se tornou o sonho de qualquer político desinformado. É um sistema que comporta grande capacidade e não atrapalha o tráfego automóvel na superfície, que muitos políticos desinformados considera como sagrado. Surgiu em Londres há mais de 150 anos, depois Paris, Nova Iorque e Berlim e hoje em dia está presente em quase todas as metrópoles com 2 milhões de habitantes ou mais. Normalmente apresenta configuração enterrada, soluções aéreas são pouco comuns, exceto nos EUA. Por muito tempo não se investiu em soluções de média capacidade tais como BRT e LRT, e se acreditou que depois da rede de ônibus a solução era o metrô, que é sem dúvida um excelente sistema, porém extremamente caro e só se justifica para corredores de altíssima densidade populacional. Megalópoles como São Paulo, Seul, Tóquio e Cidade do México obviamente precisam de redes extensas de metrô, mas já outras cidades precisam de sistemas média capacidade como BRT e LRT.

Agora uma curiosidade para mostrar como a falta de vontade política pode destruir uma cidade: Em 1974 foi fundado o metrô de São Paulo, Brasil e o metrô de Seul, Coreia do Sul. Estas duas cidades são muito semelhantes, as duas fazem parte de uma gigantesca área metropolitana (20 milhões de habitantes), têm elevada densidade populacional e são poderosos centros económicos que tiveram um crescimento semelhante. Hoje em dia o metrô de São Paulo tem 74 km e 5 linhas e o metrô de Seul tem 526 km e 19 linhas. Tirem suas próprias conclusões.

3. LRT (Light rail transit) /VLT (Veículo leve sobre trilhos): O LRT é um sistema de média capacidade presente em quase todas as cidades europeias com mais de 500 mil habitantes. Quase sempre em superfície, tem via separada longitudinalmente do tráfego rodoviário, porém pode ter cruzamentos transversais. É sem dúvida o sistema que mais consegue se integrar com o ambiente urbano pois não gera poluição local, é silencioso e pode passar pelo meio de praças e zonas pedonais.

fig 3

Figura 3 – Karlsruhe, Alemanha. Fonte: http://www.railforthevalley.com/tag/tram-train/

4. BRT (Bus rapid transit): O BRT, em português Ônibus de trânsito rápido, é um sistema que surgiu em 1974 em Curitiba com o intuito de prover à cidade um serviço de ônibus com características de metrô. Durante as décadas de 80 e 90 teve um crescimento modesto, com algumas soluções interessantes no Canadá e na Austrália por exemplo, até que em 2000 foi lançado em Bogotá, Colômbia o sistema TransMilenio, hoje o BRT com maior capacidade no mundo (o valor 43.000 que aparece no gráfico é referente a Bogotá). É um sistema em forte crescimento, sendo largamente adotado na América Latina e Sudeste Asiático. É de certa forma considerado um “concorrente” ao LRT (apesar de eu não gostar dessa comparação) pois é substancialmente mais barato e consegue fornecer capacidades semelhantes. Porém muitos políticos, decisores e de certa forma a população em geral é ainda muito sética sobre o BRT, achando que é um sistema ruim, que não vai agradar os sempre exigentes utilizadores do automóvel e que vai roubar o espaço sagrado do automóvel (infelizmente os políticos ainda se preocupam em fazer um sistema que agrade os possíveis futuros passageiros que possam vir do automóvel e se esquecem das necessidades dos atuais passageiros, como se uns fossem melhores que outros).

Na minha opinião esse descrédito pelo BRT se deve a 3 fatores:

A)     As pessoas preferem trem a ônibus, muitas vezes preferem descer 20 metros dentro da terra para entrar num metrô ao invés de esperar num ponto de ônibus na calçada;

B)      Os políticos, quando vão de férias, vão a Paris, Nova Iorque e Londres, e não a Bogotá, Curitiba ou Guangzhou (China), portanto simplesmente não conhecem tal solução;

C)      É uma solução criada no terceiro mundo e não no primeiro, logo é provavelmente ruim, mas muitos não sabem que o BRT também existe na Europa com o nome de BHLS – Bus with High Level of Service.

5. Pedestres: Uma vez ouvi dizer que em Los Angeles, provavelmente a cidade mais carro-dependente dos EUA, a polícia tem costume de abordar as pessoas que andam a pé. Por ser tão incomum andar a pé naquela cidade, tal comportamento se tornou suspeito. Mas falando do “andar a pé” como meio de transporte posso dizer que é a forma mais sustentável de se mover. Apesar de ser lento, calçadas e passeios e ruas exclusivas para pedestres, largas, com mobiliário urbano organizado, sem lixeiras, sem carros, sem publicidade, sem postes, sem ciclovias, sem entradas e saídas de garagem para atrapalhar, conseguem comportar elevado volume de tráfego de pessoas. Para viagens curtas, até 2km em terreno plano ou até 1km em terreno acidentado, sem dúvida que andar a pé é a melhor opção. Além de ser barato é bom para a saúde.

fig 5

Figura 5 – O “andar a pé” na visão de alguns. Fonte: Andy Singer

6. Ciclistas: Eu não vou aqui me alongar falando sobre a bicicleta como meio de transporte pois pretendo dedicar um ou mais textos somente a esse meio de transporte tão belo, simples, funcional, barato, inteligente e amigo do meio ambiente, das pessoas e das cidades. O que posso aqui dizer é que a humanidade está a acordar dessa intoxicação, sem trocadilhos, causada pelo excessivo uso do rodoviarismo como solução universal de transporte e está começando a perceber que a bicicleta pertence ao futuro das cidades. Só quero deixar aqui uma frase do Gonçalo Cadilhe, um escritor-viajante português que provavelmente conhece o mundo inteiro, e sua opinião sobre a bicicleta1:

“Vejo regularmente bicicletas a circular pelas ruas das cidades do planeta. Nos países pobres é um sintoma de subdesenvolvimento, nos países ricos é uma opção de desenvolvimento.”

7. Ônibus/Autocarro: O Ônibus! Sem dúvida o meio de transporte mais injustiçado, rechaçado e desvalorizado. O ônibus sistematicamente é associado, principalmente num país como o Brasil onde ostentar é a regra, à pobreza. Quem anda de ônibus é pobre, falido, um perdedor. Semelhante à bicicleta o ônibus está sendo redescoberto, em muito devido ao crescente interesse pelo BRT, pois é versátil tanto na configuração do veículo, de 20 a 200 lugares, e no combustível, diesel, biodiesel, elétrico, gás natural, quanto no seu serviço. Pode muito bem trafegar em ruas estreitas ou grandes avenidas, túneis e viadutos. Em termos operacionais é barato e consegue atender as necessidades de transporte desde aldeias até metrópoles.

8. Automóvel: Não vou também aqui me alongar sobre o automóvel. Posso vos dizer que é uma solução que sozinha é excelente mas em conjunto é uma tragédia. Custa caro, ocupa muito espaço, consome muitos recursos escassos, produz muitos custos diretos (para o seu dono) e indiretos (para a sociedade) e não consegue, sozinho, fornecer capacidade suficiente necessária para um sistema de transporte sustentável, portanto deve ser pensado como parte de um sistema maior, integrado com os demais meios de transporte.

Tendências e desafios para o transporte urbano do século XXI

Vou enumerara 3 grandes áreas, que estão ligadas entre si, que englobam as principais tendências e desafios para o futuro do transporte urbano de passageiros. São elas: Integração, sustentabilidade e tecnologia.

Integração: Apesar de ser comum na Europa desde há muito tempo, integração ainda está longe de atingir a maturidade no Brasil. A integração pode ser dividida em três áreas:

  • Integração entre meios e modos de transporte: Integração espacial, de bilhética e de operação com o objetivo de tornar a viagem e suas trocas entre veículos o mais confortável possível;
  • Integração com o uso do solo: Uma tendência que tenta capitalizar os contributos dos transportes no uso do solo e vice-versa. O termo da moda é TOD: Transit Oriented Development;
  • Desincentivos ao automóvel: Também conhecida como TDM: Transport Demand Management são medidas diversas, tais como diminuição e regulação do estacionamento, rodízio por placa/matrícula do automóvel, acalmia de tráfego e portagem/pedágio urbano, que visam diminuir o uso do automóvel.

Sustentabilidade/Otimização do automóvel: Depois da “borga rodoviarista” que foi a segunda metade do século XX, atualmente começa a se discutir o impacto das más decisões do passado e sua (in)sustentabilidade. Hoje em dia os transportes são responsáveis por aproximadamente um quinto da emissão dos gases de efeito estufa2, logo há uma grande preocupação nesse sentido. O termo sustentabilidade ganhou diversos significados e hoje em dia já se tornou quase vulgar. Porém acredito que a melhor definição é a mais tradicional: O tripé da sustentabilidade3: pessoas, planeta e lucro. Dentro desta área a otimização do automóvel, seu uso e a sua tecnologia de construção, fazem parte de uma viva discussão. Carros híbridos, elétricos, sistemas de car sharing4 (aluguel à hora) e car pooling (boleia/carona) são as áreas que recebem atualmente grande atenção pelos pesquisadores.

Tecnologia: Com a disseminação de smartphones, GPS, Bluetooth e a internet muito se tem pesquisado em como estas tecnologias podem ajudar o bom funcionamento dos sistemas de transporte. Há atualmente aplicações que por exemplo, testam o uso dos celular/telemóvel para pagar passagem/bilhete ou o Bluetooth para contagens de tráfego. O teletrabalho (trabalhar de casa) e horários alternativos, apesar de essa última não estar diretamente ligada com tecnologia, são também áreas que começam a receber alguma atenção, principalmente com o objetivo de quantificar qual o impacto de tais decisões (trabalhar de casa ou ir para o trabalho/voltar para casa mais cedo/tarde) na redução do tráfego automóvel. Há ainda muita pesquisa sendo feita na área dos veículos sem motorista. Mais avançada em sistemas ferroviários pois o percurso é fixo e mais facilmente controlado, tal solução está agora a ser estudada nos automóveis.

Um termo que apareceu recentemente é o Fifth Mode5 (quinto modo). Um termo que tenta abranger os novos paradigmas do transporte e a necessidade de uma abordagem integrada, sustentável e com recurso ao que a tecnologia tem de melhor para oferecer.

Referências:

1 http://anossaterrinha.blogspot.pt/2010/05/elogio-da-bicicleta.html

2 Rothengatter, W., Hayashi, Y., Schade, W., 2011. Transport moving to climate intelligence: new chances for controlling climate impacts of transport after the economic crisis. Springer, New York.

3 http://en.wikipedia.org/wiki/Triple_bottom_line

4 http://antp.org.br/website/noticias/show.asp?npgCode=4A6D675A-A4D8-475F-9636-482B864785F4

5_http://www.europarl.europa.eu/document/activities/cont/201111/20111118ATT31837/20111118ATT31837EN.pdf

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