textos de Marcos Paulo Schlickmann [4] Alguns conceitos básicos do transporte urbano de passageiros (1ª parte)

Neste texto vou explicar alguns conceitos básicos relacionados ao transporte urbano de passageiros. Primeiramente a diferença entre tráfego e trânsito, meios e modos de transporte, transporte público e privado, coletivo e individual. Depois uma apresentação dos principais meios de transporte existentes na atualidade, descritos de forma decrescente de capacidade, ou seja primeiro o sistema de maior capacidade (comboio/trem suburbano) até menor capacidade (automóvel). E para finalizar apresento as tendências e desafios para o transporte urbano do século XXI, onde vou explicar os serviços de car sharing e car pooling, comentados no texto anterior.

Devido à extensão este texto será dividido, a primeira parte neste sábado e a segunda no próximo sábado.

Tráfego e trânsito: Na língua portuguesa estes termos são várias vezes empregados como sinônimos. Normalmente as pessoas usam o termo tráfego para se referir ao funcionamento do sistema de transporte urbano e trânsito ao engarrafamento do dia-a-dia. De certa forma está certo pois o ramo que estuda esse sistema é a engenharia de tráfego. Tal ramo da ciência analisa e dimensiona tempos dos semáforos, sinalização, cruzamentos, estacionamentos na via, capacidade de escoamento das vias, segurança rodoviária e outros conceitos, visando que o tráfego flua, teoricamente de modo o mais equitativo possível para todos os usuários: pedestres, ciclistas, usuários de transporte coletivo e individual. Já o termo trânsito foi importado do inglês, que ganhou outro sentido na língua portuguesa. No inglês, trânsito (transit) significa transporte coletivo, ou seja autocarro/ônibus, metro/metrô, elétrico/bonde e outros. Portanto nas siglas BRT, LRT e MRT, que irei explicar mais a frente, a letra “T” se refere sempre a “transit”.

Meios e modos de transporte: Novamente estas palavras acabam por ser utilizadas como sinônimos. Modos de transporte são as categorias em que o transporte é dividido. São os 4 grandes grupos: Modo Rodoviário, Ferroviário, Aéreo e Fluvial/Marítimo. Os meios de transporte são os veículos que compõem cada modo. No modo rodoviário: Carro, autocarro/ônibus, moto, bicicleta, peão/pedestre. Ferroviário: Trem/comboio, metro/metrô, elétrico/bonde. Aéreo: Avião, Balão, Helicóptero, Dirigível (exceto o helicóptero, desconheço o uso dos outros no meio urbano). Fluvial/Marítimo: Barcos diversos, jet-ski (transporte de passageiros por via fluvial é comum em, por exemplo, Lisboa, Istambul, Rio de Janeiro, Veneza, Amesterdão, Manaus). O quinto modo (fifth mode), que começou a ser discutido nos últimos anos, refere-se à integração entre os demais modos com o uso do solo e com tecnologias diversas, que irei explicar mais a frente.

Transporte coletivo, individual, público e privado: A diferença entre transporte público e privado se refere ao usuário (cliente) do transporte e não à empresa/organização/parceria público-privada que fornece o serviço à população. Transporte público é um serviço que todos podem usar, pagando ou não, e alguns podem ser positivamente discriminados através de passes sociais, para deficientes, idosos e estudantes. Transporte privado só pode ser usado pelo seu dono e por quem ele permite e não constitui um serviço aberto ao público. Transporte coletivo refere-se a todo meio de transporte partilhado por pessoas que não necessariamente se conhecem. Transporte individual se refere ao transporte de somente uma pessoa.

Alguns exemplos:

Transporte público coletivo: Serviço de autocarro/ônibus, metro/metrô, barco, comboio/trem com um percurso, horário e tarifa fixo fornecido por uma empresa de transporte. Esta empresa pode ser pública ou privada.

Transporte público individual: táxi, moto-táxi, bike-táxi, barco-táxi, riquexó, car-sharing (aluguel à hora), aluguel de carro. Apesar de mais de uma pessoa poder usar um táxi ou um carro alugado, você e seus amigos por exemplo, se considera transporte individual na mesma. Táxi partilhado, muito comum em países árabes, é incluído nesta categoria, apesar de ser um serviço de transporte coletivo. Táxi privado, comum em países da antiga União Soviética onde você usa seu carro particular como táxi, pode ser enquadrado nesta categoria.

Transporte privado coletivo: Autocarro/ônibus escolar/de e para o aeroporto/ para levar trabalhadores para uma fábrica. Car pooling (carona/boleia).

Transporte privado individual: carro particular, bicicleta, moto, jet-ski, helicóptero, patins, patinete/trotinete, sapatos (andar a pé).

Principais meios de transporte atuais: A figura abaixo apresenta os modos que vou explicar. Há outros modos mais incomuns que não vou comentar aqui, tais como monorail, PRT (Personal Rapid Transit), vans e micro-ônibus, funicular, teleférico, elevadores e escadas rolantes urbanas e segway. Quem se interessar por estudar mais profundamente esses modos recomendo o livro do Professor Vukan Vuchic: Urban Transit Systems and Technology. John Wiley & Sons, 2007 e o tio Google.

Mas antes vou explicar como é medida a capacidade de cada meio de transporte. A capacidade é a quantidade de passageiros por hora por sentido que um sistema consegue transportar. Por exemplo, a capacidade máxima do Metro do Porto na hora de ponta/pico é de, aproximadamente, 9.000 passageiros por hora por sentido. Para fornecer tal capacidade são precisos dois veículos conjugados (composição dupla) a cada 3 minutos, totalizando 20 composições duplas em uma hora. Cada veículo do Metro do Porto transporta 216 passageiros, multiplicando por dois dá 432 passageiros, que multiplicando por 20 dá 8.640 passageiros por hora por sentido. Na figura a seguir as capacidades são apresentadas no gráfico.

A explicação detalhada dos principais meios de transporte atuais e as tendências e desafios para o transporte urbano do século XXI serão discutidas no próximo sábado.

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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2 respostas a textos de Marcos Paulo Schlickmann [4] Alguns conceitos básicos do transporte urbano de passageiros (1ª parte)

  1. Pingback: textos de Marcos Paulo Schlickmann [5] Alguns conceitos básicos do transporte urbano de passageiros (2ª parte) | na bicicleta

  2. excelente artigo, mesmo muito bom. Muito pedagógico. Obrigados

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