time out, biclas in

A cultura da bicicleta, através das suas subculturas, motiva o significado de andar de bicicleta. Nos actuais padrões culturais da bicicleta, a mobilidade, o estilo de vida, a viagem à descoberta, até a competição desportiva, são algumas das razões que motivam a escolha e a compra de uma bicicleta, nova ou usada.

artigo da TimeOut Porto de março de 2014, foto: biclanoporto.org

artigo da TimeOut Porto de março de 2014. Foto: biclanoporto.org

Por cá, têm surgido lojas com bicicletas para todos os gostos. Na internet abundam sites com uma vasta oferta, e a preços chorudos, desde as pasteleiras dos nossos bisavós, completas ou às peças, até às biclas xpto de “carbónio” em segunda mão e das mais diversas marcas. Anos atrás, a maioria das bicicletas eram compradas no comércio tradicional, em lojas dedicadas ao ramo, oficinas, quase todas com construção e marca próprias. As coisas mudaram drasticamente ao longo dos anos, os artesãos nacionais foram rareando ao ponto de serem espécie em extinção. Agora, para quem tem alguma experiencia nisto das biclas, e nem precisa de ser necessariamente profissional, facilmente constata ao olhar para o equipamento que aquilo não passa de uma chinesice. Muitos clientes, fora da auto-intitulada cultura formal da bicicleta, vão a um supermercado de biclas, dão uma vista de olhos para componentes que não lhes dizem nada, e acabam por escolher/comprar aquela bicicleta que a sua carteira comporta, a que o vendedor lhe apresenta/impinge, mesmo sem o necessário cabimento orçamental. Nem sempre são a qualidade de construção, a qualidade do equipamento ou até o género de bicicleta que mais lhe convém, factores determinantes para a sua decisão final de compra.

As bicicletas têm geometrias, acessórios, finalidades diferentes, no entanto, e de acordo com os actuais padrões culturais da bicicleta, são os quadros de aço que emergem da corrosão do tempo. A moda tem destas coisas. Neste impulso de novas tendências, uma bicicleta que morou no lixo anos a fio volta à vida e torna-se num objecto de qualidade. É possível montar uma bicicleta peça à peça, restaurar-lhe a personalidade, e que fica bem mais barata do que qualquer outra bicicleta de ‘marca’ com o mesmo nível de equipamento.

E no momento de comprar uma bicicleta, terá assim tanta importância a marca!? Tem.
E depois, terá essa marca valor de mercado!? Tem.

Veio esta dissertação a propósito de um artigo publicado na revista TimeOut Porto, deste mês, sobre o negócio emergente das bicicletas no Porto. Não comprei a revista e o pouco que li do artigo foi na diagonal. O Ricardo Cruz fez uma sucinta análise do artigo no seu blogue: “o artigo mistura quem fabrica com quem coloca um mero emblema. Há lojas que apenas vendem e não mexem num parafuso, há outras que encomendam quadros à medida (ou não)”. E porque numa animada troca de argumentos no seio de um grupo do Facebook, o tema veio à baila, onde ciclistas urbanos esgrimiram as suas opiniões sobre a temática que envolve marcas, construtores, alfaiates… lojas de bicicletas, opiniões tão originais quanto suas personalidades onde, fleumático, também entrei no pelotão, a ver no que as modas dão.

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textos de Marcos Paulo Schlickmann [18] A estigmatização da bicicleta

Neste texto vou escrever sobre duas formas distintas de estigmatização da bicicleta como meio de transporte urbano:

  1. A primeira se refere ao comportamento dos jornalistas conservadores que veem o ciclista como minoria de classe média alta que não tem por que reclamar, afinal é rico e o pode ter carro. Este comportamento é mais visível no Brasil que em Portugal;
  2. A segunda se refere aos maus técnicos e ao péssimo costume de fazer ciclovia só por fazer. Porque é bonitinho, é “verde” e não para necessariamente aumentar a procura/demanda ou melhorar a oferta existente.

1:

Acho que já está bem entendido pela maioria da população e decisores políticos que o incentivo ao automóvel e ao rodoviarismo, em detrimento dos outros meios de transporte, foi o principal culpado para chegarmos na situação atual de poluição, consumo excessivo de recursos, aquecimento global (ou não), e principalmente na situação de uso não democrático do espaço urbano.

 Mas há cabeças mais duras que pedra, principalmente jornalistas, personalidades públicas e formadores de (des)opinião que têm grande poder mediático e pouco conhecimento técnico, e acabam por influenciar fortemente o pensamento da “massa”. Esses “jênios” insistem em culpar, ou como eu digo no título, estigmatizar os ciclistas, como se eles fossem os culpados pelo caos urbano, devido em muito às suas baixas velocidades e ao “perigo” que provocam (essa é boa: um veículo de 50 quilos coloca em perigo outro de 2 toneladas).

Regar geral a crítica de jornalistas conservadores se baseia no tratamento dos ciclistas como “mais uma minoria” que quer tirar os direitos da maioria. No Brasil a crítica é mais agressiva que em Portugal. Há um verdadeiro exército de jornalistas que mostram ter pouco conhecimento técnico sobre engenharia de tráfego e planeamento de transportes, mas mesmo assim não se fartam de falar baboseiras. Bem provável que acham lindo ou chique pedalar em Amesterdão ou Copenhaga ou mesmo no calçadão de Ipanema (uiui, este é mesmo o suprassumo), mas acham um horror sequer pensar pedalar em São Paulo. Já cansei de ler colunistas chamando ciclistas de fascistas, nazistas, ambientalistas (!?!?), intocáveis (quem são mesmo os intocáveis?), opressores que querem obrigar (sente o drama) todos a andarem de bicicleta.

A seguir alguns exemplos:

Veja aqui uma resposta interessante: http://outrasvias.wordpress.com/2010/08/08/logica-assassina-ou-carta-aberta-a-barbara-gancia/

Vejam aqui uma boa resposta: http://marcogomes.com/blog/2014/luiz-felipe-ponde-erra-feio-ao-falar-sobre-bikes-carros-e-mobilidade-urbana-em-artigo-da-folha/

Estes 3 exemplos (há muitos mais, se juntarmos a estigmatização dos ônibus/autocarros então nem se fala) mostram a superficialidade do debate e a falta de conhecimento técnico desse pessoal. Mas já refleti muito sobre isso e cheguei a seguinte conclusão: Este é o trabalho deles, criar conflito, polêmica, arranjar leitores para seus jornais e revistas. Vai ver que lá no fundo eles não são tão rancorosos.

Para finalizar este primeiro ponto gostaria de deixar uma frase ilustrativa da mobilidade urbana no Brasil:

“Em 2010, o engenheiro de trânsito Horácio Figueira, com base na pesquisa Origem e Destino, estimou que os carros, que levavam 20% das pessoas, ocupavam 80% do espaço das vias. Trata-se, portanto, do fim do tratamento VIP que a minoria das pessoas tinha em São Paulo: ocupando a maioria dos espaços das ruas.”

Fonte: http://super.abril.com.br/blogs/cidadesparapessoas/2013/12/10/resposta-aberta-a-revista-epoca-sao-paulo/

2:

Há uma falta generalizada de bons técnicos, engenheiros, arquitetos e plane(j)adores de infraestrutura ciclável tanto no Brasil quanto em Portugal. Os maus técnicos acabam então por criar infraestruturas que pouco servem às bicicletas e só criam mais conflito entre ciclistas, pedestres, transporte público e automóveis. Simplesmente porque não consultam os atuais ciclistas (que já usam a bicicleta no lixo viário dedicado a eles) ou porque tem medo de questionar os privilégios de uma minoria sobre os demais. Que tipo de democracia é essa? Parece mais um regime tipo “Animal Farm”: Todos são iguais, mas uns são mais iguais que outros. Uma minoria tem mais direitos que a maioria.

Estes projetos, as ciclocoisas como diria meu amigo Miguel Barbot (http://1penoporto.wordpress.com/), não são feitos verdadeiramente para endereçar a necessidade dos atuais ciclistas ou buscar mais ciclistas através da promoção de melhor oferta. Eles normalmente surgem para dar um ar mais “verde” para a cidade ou porque há dinheiro (fundos europeus por exemplo) e resolve-se então meter uma ciclocoisa naquele espacinho que sobrou, depois de se encaixar vias de tráfego e estacionamento.

Alguns exemplos de estigmatização:

Brasil:

Figura 5 - Falta de respeito com pedestres e ciclistas. Fonte: http://deputadoedilsonmoura.blogspot.pt/2014/02/ciclovia-compartilhada-de-zenaldo-e-uma.html

Figura 5 – Falta de respeito com pedestres e ciclistas.
Fonte: http://deputadoedilsonmoura.blogspot.pt/2014/02/ciclovia-compartilhada-de-zenaldo-e-uma.html

 Portugal:

Figura 7 - Um bom lugar para estacionar. Fonte: http://www.biclanoporto.org/?p=2629

Figura 7 – Um bom lugar para estacionar.
Fonte: http://www.biclanoporto.org/?p=2629

Figura 9 - Pedestres e ciclistas partilham a ciclocoisa pois há pouco espaço na rua... Fonte: GoogleEarth

Figura 9 – Pedestres e ciclistas partilham a ciclocoisa pois há pouco espaço na rua…
Fonte: GoogleEarth

A figura anterior mostra bem o pensamento deturpado sobre prioridades: Ciclistas acabam por incomodar pedestres, apesar de haver muito espaço na rua. Tirando as bicicletas da rua consegue-se manter altas velocidades (50km/h) para o tráfego, obrigando medidas de segregação, aumentando assim a insegurança rodoviária.

Uns pensamentos finais:

1. A bicicleta é simples. Qualquer um pode usá-la, tendo ou não conhecimento das leis de trânsito. Acho que não devemos obrigar os ciclistas a terem uma carta de condução, isso é estúpido. Mas em países como os Países Baixos as crianças desde pequenas são confrontadas com o papel da bicicleta como meio de transporte, os perigos do tráfego, as necessidades de iluminação e sinalização para as bicicletas. Porém no Brasil e em Portugal onde a tradição da bicicleta se perdeu e agora está a voltar, é comum ver ciclistas despreparados sem luzes, sobre passeios, na contramão. A falta treinamento para ciclistas, e de certa forma o mau comportamento de alguns ciclistas autoestigmatiza os demais.

2. Um pedido aos políticos: parem de fazer ciclovias sobre passeios e calçadas! Parem de querer que pedestres e ciclistas compartilhem o mesmo corredor! Bicicleta é veículo e deve estar na estrada (caso não exista infraestrutura dedicada). Diminuam a velocidade do tráfego para que a bicicleta possa fazer parte da rua sem estar em perigo.

3. Os adeptos da tecnologia, do crescimento e do maior consumo como sinónimo de progresso vão ter sempre dificuldade em aceitar a bicicleta. Como um veículo com quase 200 anos pode ser a solução dos problemas causados por outro com pouco mais de meio século, porém com aquecimento, conforto e até televisão e internet dentro? Já vi alguns comentários na internet a dizer: Adotar a bicicleta como solução para o caos do transporte urbano seria um retrocesso civilizacional.

4. Sendo um ciclista urbano quase diário, se não fosse não iria publicar meus textos num blogue chamado “Na Bicicleta”, cada vez mais me convenço que a bicicleta é o verdadeiro transporte individual. No sentido de ser um veículo, pois o andar a pé também se enquadra nesta lógica. Individual pois é de total responsabilidade do individuo que o utiliza os seus custos. Diferente dos automóveis e motos, que os custos externos são suportados por todos, a bicicleta não gera custos externos, pelo contrário gera benefícios externos.

Figura 10 - Da Vinci Revisited. Fonte: http://www.andysinger.com/bikesample2.html

Figura 10 – Da Vinci Revisited.
Fonte: http://www.andysinger.com/bikesample2.html

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fotocycle [119] shade

shade

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a zero cêntimos / hora

Há meses brotaram dispersos, que nem cogumelos, bicicletários pelo Porto. A cultura da bicicleta tem crescido a olhos vistos na cidade e lentamente o município da Invicta vai entrando na onda. A bem da verdade, os bicicletários não têm tido a taxa de ocupação esperada, talvez porque não estejam nos melhores locais, porque têm arestas agressivas à pintura dos quadros, ou simplesmente porque o ciclista urbano continua a dar preferência ao redondinho poste no meio do passeio!

O grupo no Facebook Ciclismo Urbano em Portugal está atento a estas coisas e não deixou escapar a novidade. Há mais um parque de diversões… de bicicletas cá no burgo. Mas este não é um bicicletário qualquer. Foi construído como mandam as regras e, maravilha das maravilhas, está implantado num parque de estacionamento automóvel, no parque municipal da Trindade. O espaço que era destinado ao parqueamento de dois carros, a muitos cêntimos / hora, foi revertido para que pelo menos dez bicicletas possam ali ficar estacionadas, gratuitamente.

Ontem mesmo, com o pretexto de ir deglutir uma torrada à Império, fui lá na Cósmica experimentar a garagem. Perto da estação de Metro da Trindade, do edifício da Câmara Municipal e a dois passos do Bolhão, o parque encheu-me as medidas. Estava vazio, eu sei, mas sei também que aos poucos o pessoal das biclas vai perceber e vai deixar ali as bicicletas. Depois da boa localização, o segundo ponto a favor é a acessibilidade. O acesso faz-se a pé, pelo passeio da Rua Fernandes Tomás e, logo à entrada do parque, dá-se conta do espaço reservado às biclas, bem sinalizado. É um espaço condigno onde estruturas metálicas, dez robustos tubos arredondados em U invertido e chumbados no cimento, podem dar suporte a várias bicicletas, garantindo que se possam prender ordenadamente pelo quadro e pela roda frontal, com um aloquete U-lock ou cadeado. Outras vantajosas particularidades deste parque são a sua segurança (presenciei a permanência física de um funcionário, na maior parte do tempo) e o excelente abrigo contra os elementos da natureza, o sol e a chuva. Ironicamente, mesmo ao lado, está uma máquina de pagamento!

Bicicletário Trindade #2Bicicletário Trindade #3

Depois, bem alimentado e motivado, desci ao rio para pedalar marginal afora, numa volta relaxada até casa. Junto ao Castelo do Queijo resolvi parar e aproveitar para “mudar o óleo”. Ali, no Parque da Cidade, bem junto à parede do Sea Life e às instalações sanitárias públicas, existe um pseudo-bicicletário… um empena rodas mesmo! Está escondido, sem segurança de nenhuma espécie, onde mal se consegue colocar a roda e deixar a bicla estável. Não encontrei forma de usar o U-lock. Aquilo não serve e é o contraponto do que deve ser um bicicletário em condições, do parque onde antes tinha estado. Foi só deixar lá a bicla o tempo suficiente para a fotografia e uma mijinha rápida!

Bicicletário Sea Life

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can’t miss [87] jornalismomundano.wordpress.com

Jardim das bicicletas

Jardim das bicicletas

“A fórmula é simples: você pedala, o corpo e meio ambiente agradecem. Andar de bicicleta facilita a vida de todos, principalmente a do trânsito. Em países jovens, como é o caso do Brasil, essa de pedalar não cola. A economia não sobrevive à base de pedais. Pelo contrário, precisa queimar combustível, movimentar o setor de peças automotivas, inclusive do mercado negro, e arrecadar impostos, muitos impostos. Fica fácil entender o interesse do Estado em ver você de carro novo. Com tanto automóvel circulando, não sobra tempo nem espaço para outro meio de locomoção. Não bastasse isso, a caranga virou objetivo de vida para muitos. Sinônimo de status. Você é o carro que você tem. Nasce, cresce, compra um carro, depois morre. Enfim…

Elogios à parte, a ideia é falar sobre o uso da bicicleta em Dublin. A estrutura existente pelas ruas e parques motiva a pedalar. Há ciclovias por toda a parte e bem projetadas. Em algumas ruas ela é demarcada junto ao meio fio. Em outras, ganha cara de rua mesmo, com duas mãos (foto). Na Irlanda bicicleta é coisa séria e exige-se o cumprimento da lei. É proibido trafegar na contramão, nas calçadas ou cruzar o sinal vermelho. Ignorando as regras, você fica passível de multa. Luz traseira e dianteira também é obrigatória. Capacete e coletes refletores são opcionais, mas muito usados pelos ciclistas. Estima-se que 10 mil pessoas pedalem diariamente pelas ruas da capital. Para uma cidade com 500 mil habitantes, nada mal.”…

(continua a ler aqui este excelente artigo de Felipe Franco)

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one less car!

um carro a menos, ciclitas urbanos do Porto

por PC Silva

PC Silva's avatarCOTTIDIANUS

"Um carro a menos" by Paulo César Silva “Um carro a menos” by Paulo César Silva
Porto, Portugal | February’13

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“stop. a vida parou ou foi o automóvel?”

Desde novinho, ainda eu viajava no banco de trás do Fiat 600, aprendi a identificar a placa octogonal vermelha com quatro letras em branco e que indica paragem obrigatória (um triângulo invertido colocado dentro de um sinal circular onde constava a inscrição “Stop” foi usado durante anos). Desde crianças que todos fomos familiarizados com esse sinal de trânsito e o anglicismo inerente à palavra . Sendo um termo inglês, tem um significado universal e é conhecido praticamente em todo o mundo. Depois, com a licença de condução ainda verde na carteira, cumprimos religiosamente o código quando, ao volante, nos aproximamos de um desses autoritários STOP. Mas, com a prática e o consequente “à vontade”, o cumprimento vai abrandando. Às vezes, ao nos aproximarmos de um cruzamento, apenas calcamos o travão no último segundo. Olhar à esquerda, depois à direita, e, se não vier ninguém, então engrenar a primeira e voltar a acelerar. Se conseguirmos ver se caminho está livre, esquecemo-nos de parar ou, melhor ainda, de dar prioridade a quem a tem. A pretensão de obediência por vezes torna-se inconveniente. Nos sinais de stop, semáforo vermelho ou passadeira, alguns automobilistas hesitam, espreitam, reduzem a engrenagem mais para ver se a polícia está à vista do que para cumprir a regra, como se a simples presença da polícia o obrigasse!  

BikevsBike Photo David Niddrie

Bike vs Bike, Photo David Niddrie

O sinal de paragem obrigatória representa mais do que parece. Mais do que nos fazer parar evitar um acidente, impõe-nos civismo, faz-nos recordar que estamos a jogar um jogo com a vida dos outros. Como ciclistas, devemos desenvolver o hábito de olhar para todos com desconfiança, principalmente nos cruzamentos. Mais agora, que não somos obrigados a ceder prioridade quando nos apresentamos pela direita, mas todos os veículos que se aproximam de um sinal de stop têm de parar. E eu presumo sempre que não vão parar. É raro o dia que testemunho automobilistas a falar ao telemóvel, na conversa com o passageiro do lado, a olhar para algo perdido no interior do carro. Até a comer ou a retocar o rímel no espelho retrovisor. Sinais que não estão a adoptar uma condução segura e que não estão minimamente atentos. A medida cautelar é soltar um pé dos pedais e preparar uma travagem de emergência, ou uma manobra rápida de evasão para evitar o encontro indesejado com a chapa de um carro. Por força do hábito, chamo a atenção dos automobilistas, mesmo que isso os irrite. Seja como for, na estrada, na nossa direcção, num cruzamento, quando não tivermos um sinal de Stop pela frente, nunca confiar. Quem nos diz que eles vão parar? E se não podem parar?!

stop

ndr: “Stop. A vida parou. Ou foi o automóvel?”, é de  leitura obrigatória o artigo de Carolina Toneloto: “O trânsito das grandes cidades faz com que a vida pare como no poema de Carlos Drummond de Andrade. Como viabilizar a mobilidade urbana sem causar tantos danos às pessoas, às cidades e ao meio ambiente?”

 

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fotocycle [118] Street life in Aarhus, Denmark

500px   Raleigh by Michael KnudsenRaleigh by Michael Knudsen via 500px

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é muita areia prá minha biciclete!

De norte a sul, ao longo da costa, os recentes temporais, a agitação e o forte avanço do mar, têm deixado grande destruição nas nossas praias. Um pouco por todo o litoral, têm-se contabilizado danos em infra-estruturas e em equipamentos de praia, passadiços, paliçadas, bares… “É prematuro avançar com valores, mas estamos a falar na ordem de alguns milhares de euros para a reparação da orla costeira”, avançou o vice-presidente da Câmara de Gaia. O mar galgou a marginal urbana de várias localidades e deixou passeios debilitados e ciclovias cobertas de areia.

piso escorregadio na ciclovia de Gaia

piso escorregadio na ciclovia de Gaia

No Porto, na extensão do Parque da Cidade entre o Castelo do Queijo e o Edifício Transparente, a “ciclovia” existente no local está de tal forma soterrada de areia que é praticamente impossível pedalar ali, até para uma bêtêtê.

ciclovia!!! ciclocross, no mínimo!

ciclovia!!! ciclocross, no mínimo!

Em alguns locais a circulação pedonal e de bicicletas continua desaconselhada enquanto decorrem trabalhos de limpeza e remoção dos destroços. É urgente a recuperação dos equipamentos para que tudo possa voltar à normalidade após os estragos causados pelo mau tempo, mas devido à grande extensão de destruição a necessária recuperação da orla marítima vai demorar o seu tempo.

dunas na Praia Matosinhos

O areal da praia de Matosinhos está por estes dias com um relevo invulgar. Com a deslocação e reposição de areias a praia tem dunas, coisa rara na zona.

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