bicicletários e… outros que “tálios”(!)

novos bicicletários da Invicta

novos bicicletários da Invicta – Biblioteca Municipal (foto: Grupo Ciclismo Urbano Portugal)

Apesar do evidente crescimento no uso da bicicleta para transporte, estacionar a bicla é ainda um sério problema com que o ciclista urbano se depara diariamente, seja pela ausência de bicicletários, seja pelo uso abusivo dos poucos que existem por utilizadores de outro tipo de veículos motorizados. É muito comum para o ciclista improvisar, parquear a sua bicicleta em qualquer lugar, de qualquer forma num cantinho qualquer. A bicicleta pode ser vista como um instrumento para a busca da sustentabilidade na medida em que promove a interacção social, é saudável, economicamente viável, e ambientalmente correcta. Além disso, os ciclistas colaboram para a redução do trânsito nas cidades. Por essas razões gradualmente têm havido investimentos no incremento do uso da bicicleta. Assim como as políticas públicas voltadas para o transporte não motorizado, um bicicletário pode ser considerado sustentável porque incentiva o uso da bicicleta.

bicicletário (!) Afurada

exemplo do que um bicicletário não deve ser – Afurada

Um bicicletário nada mais é do que um espaço reservado ao estacionamento de bicicletas (ver aqui como se deve construir um bicicletário). São estruturas metálicas, fixadas ao chão, com a finalidade de dar suporte a várias bicicletas, de modo que se possam prender ordenadamente com um aloquete (U-Lock) ou cadeado, garantindo a sua segurança contra furtos. Este mobiliário urbano pode ter vários formatos, acomodar várias bicicletas em simultâneo, permitindo o estacionamento de longa duração, facilitar a vida dos ciclistas e oferecer segurança aos peões. A existência de um local apropriado para se estacionar a bicicleta com segurança e conforto devolve dignidade a este modo de transporte suave. Os bicicletários são grandes estimuladores ao uso da bicicleta como modo de transporte. São bem-vindos em espaços públicos e em todos os lugares considerados pólos atractivos de pessoas, como por exemplo em escolas, terminais de transportes colectivos, hospitais, mercados, lugares que recebem diariamente muitas pessoas e que lá poderão chegar facilmente por bicicleta.

bicicletário- Velo Culture Matosinhos

exemplo de um bicicletário em condições -Matosinhos (foto: Velo Culture Porto)

A implantação de um bicicletário requer uma área equivalente a um lugar de estacionamento automóvel. Num espaço de 6m2 podem ser parqueadas até 8 bicicletas. Os suportes adequados devem ser suficientemente robustos para neles se encostar a bicicleta na sua posição normal. Os modelos mais indicados devem permitir prender a bicicleta pelo quadro e pela roda frontal. Devem ser em formato de “U” invertido, mas o “O” ou o “R” também servem para o efeito. Os famigerados suportes “empena rodas”, que apenas suportam a roda, não são indicados pois não permitem o estacionamento de todos os modelos e tamanhos de bicicleta, obrigam o ciclista a utilizar cadeados maiores, ficando a bicicleta em rico de tombar e danificar a roda. A forma como o ciclista prende a sua bicicleta dá a medida do apreço do ciclista à sua bicicleta e, portanto, explica porque o ciclista prefere encostar a sua bicicleta a um poste na rua e deixá-la bem presa por um U-lock, a deixar a bicicleta num empena-rodas qualquer

nortegreen empena rodas

exemplo errado de um bicicletário, o “empena-rodas” do Norte Shopping

Ordenar o estacionamento das bicicletas não é uma arte. Para quem não pedala, instalar o parque num lugar qualquer, onde a bicicleta não chega a ele ou simplesmente está tão mal instalado que não dá para prender a bicicleta, mais valia que estivesse quieto! O bicicletário também não precisa de ser uma obra de arte. Para quem pedala e quer estacionar a sua bicla em segurança, apenas precisa que tenha o caminho desobstruído e que o bicicletário permita que prenda a bicicleta em segurança. Como se já não bastasse a pouca quantidade de bicicletários na cidade, os poucos que existem são ocupados de forma abusiva e irregular.

bicicletário casa da música

bicicletário “partilhado” da estação de Metro da Casa da Música

A infraestrutura das cidades deve ser projectada para abrigar as diferentes formas de transporte das pessoas (a pé, de bicicleta, transporte colectivo sob pneus e sobre trilhos e transporte individual) com qualidade, conforto e segurança. Com esse objectivo, as cidades devem desenvolver planos cicloviários para que a bicicleta se torne uma opção de transporte para todos. Um planeamento cicloviário projecta onde, quando e como é implantada uma ciclovia, com o objectivo de formar diversas ligações em rede possibilitando a circulação de ciclistas por toda a cidade. Para garantir um bom uso do sistema cicloviário devem ser implantadas infra-estruturas auxiliares como bicicletários, para além de uma adequada sinalização que lhe dê viabilidade.

monsieur André

porque o ciclista prefere encostar a sua bicicleta a um poste na rua e deixá-la bem presa por um U-lock (na foto a Monsieur do André)

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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2 respostas a bicicletários e… outros que “tálios”(!)

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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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