can’t miss [234] https://expresso.pt/sociedade

Alcina nunca conduziu, mas pedala desde “canalha” e não imagina a vida de outra forma: na Murtosa, a bicicleta é a rainha da estrada

Continua a ser o concelho onde mais se pedala. Mulheres são a maioria

Quinta-feira é dia de mercado e as senhoras de mais idade vêm todas logo cedo pela manhã até à vila. Muitas chegam a pedalar e, ainda antes de irem às compras, aproveitam para deixar as bicicletas à porta da cicloficina de José Pedro, que fica logo com o dia arrumado com tantos pedidos. Para se despacharem, têm o hábito de deixarem no cesto da bicicleta o recado com o que precisam: um remendo num pneu, uma câmara de ar ou um jeito nos travões. Algumas pedalam há mais de 50 anos, quer para fazer compras, carregando os sacos no guiador e no cesto, quer para trabalhar ou passear, perpetuando a fama da Murtosa como o concelho onde mais se anda de bicicleta.

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reciclando [48] a todos um Bom São João

O “pobo” inventou a noitada de São João e a festa tinha início nas Fontainhas. À hora marcada, respondendo ao chamamento inebriante de aromas fortes e quentes, lá estávamos nós famintos de uma noite inteira de euforia. O cheiro a sardinhas e pimentos assados, cada vez mais intenso e atraente, fazia crescer a água na boca. À mesa chegava o caldo verde com broa, as fêveras e o frango assado, tudo muito bem regado com o verde branco da casa. Ritmados ao som da música popularucha, alta e distorcida, misturada com a algazarra de apitos, cantorias e risadas, o espírito festivo tripeiro ganhava força. Depois da barriga farta, pequenos grupos de todas as idades juntavam-se espontaneamente, formando rusgas de foliões cada vez maiores, de mãos dadas, serpenteando em correrias animadas entre mares de gente com ramos de cidreira e martelos de plástico na mão. Ao virar da esquina, logo se descobriam os arredondados bolbos de alho-porro a dançar sobre as cabeças, irritando narizes. Das Fontaínhas à Ribeira era um tirinho. Descia-se em louca correria para assistir à largada de balões e ao fogo-de-artifício junto ao rio. Sem antes atestarmos bem de carburante, de Super Bock, subiamos alegremente para a Praça. No palco montado, o conjunto musical levava a populaça à loucura total, e nem esse bailarico todo deixava o pessoal com sinais de cansaço. A noite ainda era uma criança e muito havia a percorrer. “- Bora lá para o Palácio?”. “- Bora lá!” E a noite prosseguia nas voltas dos carrocéis, das cestas, à volta da mesa das barracas de farturas. Entretanto dava-se início ao mini campeonato sanjoanino de matraquilhos. Quem chegasse primeiro tinha o direito de escolher o parceiro, os restantes matrecos ficavam para a equipe adversária. A cada moeda de 5 paus o pessoal dava o seu melhor e o bota-fora era o esquema implantado, para que ninguém reclamasse do árbitro. Enquanto alguns jaziam deitados nos jardins do Palácio de Cristal, sucumbindo aos namoricos, os restantes agarravam no manjerico, e entre chuvadas de marteladas rumavam alegremente para a Rotunda da Boavista. Nova rodada de divertimentos e de louras fresquinhas. Às tantas, já a luminosidade e a orvalhada tradicional se faziam sentir, os bravos guerreiros erguiam-se da ressaca e davam início à última e longa caminhada, abraçados aos pares, Avenida da Boavista abaixo. No areal das praias, desde o Castelo do Queijo à Foz, jaziam os arrojados foliantes, sucumbidos ao cansaço e aos extremos báquicos, assim numa espécie de desfrute final da noitada festiva.

Diversos rituais vividos na noite de São João foram desaparecendo. Este nosso tradicional modo de percorrer metade da cidade, numa longa e bem regada noitada, deixei-a para outros mais jovens que herdaram a tradição e a farão perdurar às mudanças do tempo. Hoje em dia, envelhecido e mais tranquilo, percorro a cidade com outros olhos, recolho-me com o meu amor em casa de amigos, numa mais intima noitada de São João. Só mais uma coisa. Ontem à tardinha, enquanto esperava pelo semáforo verde numa das ruas do centro da cidade, não resisti ao sorriso meigo e à petição tímida de uma menina, com o tradicional: “- Ó senhor, dê uma moedinha para o São João!”

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fotocycle [270] farolim da Cantareira

“O farolim da Cantareira, construído no século XVIII, situa-se no Cais do Marégrafo, na Cantareira, junto ao antigo farol de S. Miguel-o-Anjo, na freguesia da Foz do Douro, no Porto. Juntamente com o farolim das Sobreiras servia para definir o enfiamento da barra do rio Douro, fundamental na ajuda à navegação.

​Com a nova configuração da entrada da barra e com a construção dos molhes Norte e Sul, foi apagado e desativado em 2009, por não ser essencial na ajuda à navegação. Atendendo ao facto de esta estrutura fazer parte da paisagem ribeirinha e um ponto de referência turística da área envolvente, foi considerado manter a estrutura no local, embora sem iluminação.”

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can’t miss [233] bttlobo.com

Ride For Your L1fe” conta a história de superação de 18 ciclistas profissionais que vivem com Diabetes

“Documentário tem como objetivo sensibilizar para a doença e dá conhecer os desafios diários dos elementos que integram a Team Novo Nordisk, a primeira equipa de ciclistas profissionais do mundo onde todos os atletas vivem com Diabetes Tipo 1…

No dia 3 de Junho, Dia Mundial da Bicicleta, será exibido em Lisboa e no Porto, o documentário “Ride For Your L1fe”, uma história inspiradora e de superação que acompanha o dia-a-dia da Team Novo Nordisk, a primeira equipa de ciclistas profissionais do mundo, onde todos os atletas vivem com Diabetes Tipo 1.

A exibição do documentário decorre nos cinemas NOS do Centro Colombo, em Lisboa e do NorteShopping, no Porto, às 11h00, e será seguido de um debate onde atletas da equipa se juntam a convidados especiais para abordar a importância do exercício físico, enquanto parte essencial de um estilo de vida saudável, e inspirar todas as pessoas que vivem com diabetes a perseguir, sem limites, as suas aspirações.”

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Podes ler o artigo completo em: https://bttlobo.com/ride-for-your-l1fe-conta-a-historia-de-superacao-de-18-ciclistas-profissionais-que-vivem-com-diabetes/

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um Dia da Liberdade ao longo da EN222

As estradas de Portugal, sobretudo as antigas estradas nacionais, são um testemunho da geografia do nosso país, revelando recantos magníficos do interior de Portugal, bem como a história do povoamento e despovoamento do território nacional. Criadas pelo Plano Rodoviário Nacional em 1945 como eixos de desenvolvimento económico, muitas das estradas sofreram alterações nos seus traçados, foram sobrepostas por outras vias modernizadas ou simplesmente desapareceram dos mapas. Hierarquizadas em três classes, da importância das cidades e vilas que ligavam, estas vias asseguravam as acessibilidades rodoviárias de quase todo o país. As velhinhas EN’s e EM´s são as estradas onde nos é permitido pedalar e, como tal, são aquelas que na qualidade de ciclistas mais preservamos.

Das mais belas estradas de Portugal, não só pela sua magnífica panorâmica ao longo do rio, omnipresente em grande parte do percurso, do vale do Douro mas também pelos povoados que atravessa, curvas e declives, a N222 é uma das mais míticas e desejadas estradas a percorrer pelos ciclistas. Ligando Vila Nova de Gaia a Almendra, no concelho de Vila Nova de Foz Côa, quase que atravessa Portugal de lado-a-lado, (de Oeste para Este e vice-versa) Sendo uma das estradas mais longas do nosso país, nos seus reais 226 km de extensão, é sem dúvida alguma uma das mais interessantes estradas a pedalar na sua totalidade com maravilhosas vistas panorâmicas do Douro e Alto Douro Vinhateiro.

Uma imagem típica deste roteiro, muitas vezes observado à passagem por aldeias plantadas nas margens do Douro, bem como em muitas localidades do Portugal profundo, o saquinho de pão fresco deixado pelo padeiro à porta de casa, pendurado numa árvore ou num poste junto à estrada, é absolutamente icónico.

A velha estrada preserva muito do traçado original, tendo o ciclista que pretende seguir o seu serpenteado e primitivo pavimento o cuidado de não se deixar enganar pelas indicações dirigidas aos automobilistas, sobretudo aos mais apressados que “atalham caminho” pelas Variantes à EN222. O primeiro desses “desvios” é logo ao km 7. A estrada segue pela esquerda por Seixo Alvo até Sandim, onde retoma o traçado original. Mais à frente, ao km 31 nova Variante à EN222 surge no caminho. O antigo traçado passa à porta das antigas Minas do Pejão e ao atravessar Pedorido é partilhada com a Variante, sendo natural que por instantes o ciclista possa ficar baralhado e indeciso ao percorrer asfalto renovado e bem mais largo. Mais à frente, ao km 39 em Oliveira do Arda, desviando à esquerda para Raiva vai ficar descansado ao retomar toda a calma e cenário da velha estrada até Castelo de Paiva.

Ao km 73, em Santiago de Piães, subitamente o asfalto desaparece, revelando um enorme buraco que aguarda reparação. Com as recentes chuvas de Fevereiro e Março, este pedaço de estrada desmoronou em resultado da força da água de um ribeiro encanado sob o pavimento. Os sinais de perigo foram identificados, a estrada foi encerrada a tempo, para poucas horas depois suceder o há muito temido pela população residente, evitando-se assim uma possível trajédia. O transito automóvel está interrompido por um prazo não determinado, mas aqui o ciclista com um pouco de destreza consegue ultrapassar os obstáculos, aproveitando depois para uma bucha e uma bebida fresca no Café Santiago.

Após fugaz passagem por Cinfães, surge a saborosa descida até Porto Antigo. O asfalto desta parte da estrada já teve melhores dias, obrigando o ciclista a cuidados redobrados. Se quiser admirar todo o espectáculo cénico que o Douro nos apresenta, aqui é um bom pretexto para apertar os travões. Por alguns minutos nos determos no Miradouro da Foz do Bestança. Até apetece ficar por ali.

Para além de uma ou outra paragem para mais uma fotografia de ocasião, a necessidade de encher o bidão numa das fontes onde brota água fresca ou um buraco na estrada que o Couto não conseguiu evitar, furando assim a roda dianteira, concedeu-nos uns minutinhosos de descanso às pernas. A ansiada paragem para o almoço estava programada para Resende no habitual restaurante da Fonte Luminosa, mas a presença de um faminto grupo de jovens tenistas de mesa fez com que a atarefada empregada de mesa demorasse imenso tempo a servir-nos, o respasto e a sobremesa! A fotografia de cabeçalho deste postal foi tirada em frente à CM de Resende onde fizemos a nossa pequena revolução dos cravos.

De Porto Antigo até avistar o Peso da Régua, depois de conquistarmos várias subidas, a N222 tanto nos oferece um priveligiado miradouro lá dos altos para subitamente nos fazer descer e mergulhar para as margens do Douro, onde quase que dá vontade de largar os pedais e por os pés de molho, a refrescar. Resumidamente, é um sobe e desce constante num saboroso rompe pernas e que arregala as vistas.

Nesta fase da viajem, algum desgaste físico se apodera dos convivas e as paragens para as diabruras multiplicam-se. O relógio não pára e quero ignorá-lo, mas não dá para aligeirar. Tenho de dar corda aos pedais, seguir o objectivo, proseguir com os companheiros e o vento a ajudar. Já não há Rabelos a navegar de vela enfonada mas sempre temos a concorrência dos barcos repletos de turistas para desafiar.

Nos cerca de 20 quilómetros de troço plano, que liga as pontes do Peso da Régua quase até ao Pinhão, onde o rio e a estrada se fundem num exuberante panorama dos socalcos, dos vinhedos e da linha ferroviária com o espelho de água, a N222 foi eleita como a estrada mais bonita do mundo para conduzir. Pois para mim é realmente fascinante se for a pedalar a minha bicicleta, ou então, no mínimo, a conduzir um carro clássico de capota aberta.

Na boa companhia dos meus amigos Manuel Couto e Pawel Pesz desde o km 0, em Vila Nova de Gaia, chegamos ao km 158,5, ao Miradouro de Ventozelo, para as despedidas dos meus companheitos de route e das vistas do Rio Douro. Depois, enquanto os meus amigos desciam para a estação do Pinhão e voltavam para casa de comboio, prossegui sozinho, ao sabor do vento e dos sons da Natureza, em mais um commute para uns dias de férias na aldeia, com cénicas pedaladas programadas pelo Alto Douro e Trás-os-Montes.

A N222, grande parte dela, é chão para chegar à minha aldeia mais longínqua, Mós do Douro em Vila Nova de Foz Côa. Muitas vezes associando a N108 ao roteiro, com passagem (e almoço) pela outra minha aldeia, Frende, que curiosamente fica a meio caminho, pedalo as cerca de duas centenas de quilómetros que separam a minha casa no Porto até à casinha que foi dos meus avós. Invariavelmente, chegado ao km 197, em Touça, despeço-me da velha estrada e troco-a por outra, a EN324, para descer a todo o gás para o Douro, até às Mós. Mas neste dia o destino da pedalada era outro.

Nunca antes havia concluído na integra o percurso da mítica N222. Com o desvio prévio para outras paragens, ainda me faltavam somar os últimos 29 quilómetros até às portas de Almendra. Oficialmente a estrada termina ao quilómetro 222,9, mas na realidade são 226, se lhe somarmos os 3 quilómetros que partilha com a N102 à entrada em V.N. Foz Côa. Depois da descida rápida até curzar o Rio Côa, a estrada parece outra, não só pelo asfalto renovado e pela largura que entretanto ganhou, mas sobretudo pela longa e massacrante subida que se nos apresenta até Castelo Melhor.

Perante a visão das placas quilométricas que lentamente me iam surgindo, mentalmente ia fazendo a contagem descrescente dos quilómetros que faltavam. Maravilhado com o deslumbrante ocaso que podia observar por detrás das montanhas, ia rebobinando os bons momentos vividos neste Dia da Liberdade, nesta longa jornada de pedalada e do fantástico convivio que desfrutei. Ora, estando garantido o meu resgate após a conclusão da viagem, (mais uma vez obrigado Carla) fiquei supreendido que a Carla (sorridente, como sempre) me aguardasse junto à placa com mais números 2 que conheço na berma de alguma estrada. “Anda daí que ainda me faltam novecentos metros”, disse- lhe e continuei a lamber o prato naqueles saborosos novecentos metros que alguma vez pedalei.

Cheguei… e nem mais um metro!

Em união perfeita com a velhinha gOrka, a bicla que me atura nestes pedaladas mais esticadas, posamos junto à enorme placa de xisto cravejada de autocolantes ali plantada pelo Moto Clube do Côa, celebrando o términus oficial da Estrada Nacional 222, “que une Portugal de lado-a-lado”. Dali em diante foi tempo de disfrutar alguns dias de férias na aldeia, relaxar as pernas mas sem lhes dar muito descanso, pois os Passadiços do Côa estavam mais uma vez no menú e outras pedaladas estavam programadas por “desertas e fascinantes” estradas nacionais… e municipais.

Piadas à parte… “Oh Couto, a senhora do Tasco não desarmou, pá!”, espero que seja para breve.

Aqui o registo no Strava

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outra volta BRM pelo Alto Minho e outro Voltaren

Quinta-feira após o almoço ela apareceu sorrateira e o desconforto foi gradualmente aumentando durante as minhas rotinas laborais.

“Ai, tu queres ver…!?”

Sentado sentia-me bem, mas quando pretendia me levantar parecia um velho à procura da bengala. Era a P.D.I. no seu pior momento.

Vá lá que ao dar força aos pedais não a sentia tanto, mas quando chegava o momento de montar e desmontar da bicicleta, e no curto espaço de caminhada até à porta de casa, a popular “dor nas costas” fazia-se sentir.

 “Eh pá, esta merda tem de melhorar até sábado! Ai tem, tem…”

À noite a postura mais confortável que encontrava era ficar deitado de rabo para o ar. A minha enfermeira, ainda a contas com os danos colaterais de uma gripe das boas, fez-me uma massagem e estendeu uns quantos paninhos quentes.

– “Olha lá, tu vais te meter a pedalar mais de 200kms nestas condições?!… Tens a certeza?”

Este tipo de contratura, que se inicia com um ligeiro desconforto no lombo, pode piorar gradualmente, causando dor intensa e atrapalhar as atividades do dia-a-dia. A minha expectativa era tratar-me o melhor que pudesse e ver como iria estar na madrugada de sábado.  

Na manhã da véspera do brevet, alguns sinais ténues de melhoria. Depois de uns jactos de água bem quente na zona queixosa, os nervos afectados estavam menos doloridos e tinha uma maior amplitude de movimentos.

Como habitualmente, fui a pedalar para o trabalho, tentando fazer uma avaliação em movimento.

O alívio da dor e os 7,74€ que deixei na farmácia por uma caixa de Voltaren 25, deram-me alguma esperança de marcar presença às 7h da manhã de sábado em Esposende, para o depart do BRM Alto Minho 200.

“Bora lá pedalar qu’isto não mata… Mas mói.”

Pedalar longas distâncias é o desejo de muitos ciclistas e não iria ser uma arreliadora moedeira que me iria retirar da “competição”.

Mais uma vez a pedalada pelo Alto Minho apresentava-se como uma extraordinária forma de desfrutar dos diversos enquadramentos paisagísticos, os quais são indiscutivelmente definidos pelos cursos dos rios, das pontes que os atravessam, das aldeias nos vales ou nas montanhas, da biodiversidade e das cénicas estradas.

Do mar até às montanhas e das montanhas até ao mar. A manhã estava fantástica, o sol marcou presença e o vento de sudoeste também. Os vinte e sete cicloturistas seguiam a bom ritmo até ao primeiro posto de controlo em Ponte de Lima. O rio Lima manteve-se à vista até ser transposto em Ponte da Barca, orientando as bicicletas para norte rumo a Arcos de Valdevez.

Na companhia do rio Vez, percorreríamos agora o seu vale de uma notável beleza paisagística, qualidade ambiental e uma ampla rede de trilhos pedestres sinalizados. Com a passagem para a outra margem pela ponte medieval de Vilela, a estrada subiria gradualmente ao longo de umas dezenas de quilómetros deslumbrantes, com passagem pelo ponto alto do dia, o Sistelo.

Socalcos verdejantes, paisagem genuína moldada por mão humana ao longo dos tempos e preservada por uma comunidade rural perfeitamente adaptada ao declive da montanha, onde ao longo deste troço da mítica estrada N304, depois de uma curva nos podemos cruzar com animais autóctones de grande porte a pastar livremente.

Tibete português? Que me desculpem os “marqueteiros” turísticos, mas o Sistelo não é o “nosso pequeno Tibete”. Se em termos de marketing turístico resulta na perfeição, a bem da verdade o Sistelo é único. Quanto muito, comparável aos asiáticos terraços de arroz Sapa, digo eu!


O cicloturismo no Alto Minho já tem história longa. Desde logo pela importância no contexto do ciclismo aliado ao turismo sustentável, enquanto factor de dinamização económica das comunidades, dos territórios rurais, com pouco impacto sobre o ambiente natural e no modo de vida diário das populações, potenciando os pequenos negócios, protegendo da vulnerabilidade da biodiversidade, diminuindo os impactos negativos que o turismo também pode ter. O Caminho Português para Santiago, sendo percorrido de bicicleta, é um desses exemplos.

Duas bicicletas recumbentes destacavam-se do pelotão, aguçando a minha curiosidade e o julgamento que um sofá com pedais até seria uma boa ideia para pedalar sem forçar demasiado o lombo. Digo até que se o ciclista tiver perícia dá para tomar o seu cafezinho e ir lendo o jornal! Na preparação de alguns intervenientes tendo em vista o Paris-Brest-Pais deste ano, a posição de condução parecia-me confortável e bem veloz, tanto no plano como em perfil de descida. A aerodinâmica é talvez o melhor argumento deste tipo de bicicleta. Já nas subidas e a exposição aos ventos laterais é provavelmente o seu maior handicap.

Tenho de voltar a falar do vento. Em termos climáticos este brevet foi muito semelhante ao BRM pelo Alto Minho 200 @2013, no qual participei pela primeira vez há dez anos a bordo da velha Cósmica. Com um vento de sudoeste, a arrastar nuvens carregadas do Atlântico para o interior, se de manhã a pedalada teve a sua ajuda, assim que estava a subir para a Portela do Alvite as rajadas de vento de frente eram o sinal que se acabaram as benesses. Na mesma estrada em péssimo estado, até Monção desci com cuidado para não ser levado pelo ar.

No retorno à estrada após o almoço, um curioso acontecimento foi ver patrulhas da GNR a parar o trânsito automóvel. Na falta de informação fui pedalando devagarinho e, mais à frente, foi me dado livre trânsito: “pode ir com cuidado pela berma”. Ao fundo uns pirilampos amarelos desvendaram dois camiões de enormes dimensões que transportavam, cada um a passo de caracol, uma daquelas pás gigantescas das eólicas.

Em Valença foi só de passagem, ficou para trás, e na subidita virado a sul dei as más vindas à primeira chuvada a sério. Embora estivesse algo protegido pelo arvoredo um vendaval soprava agora com toda a fúria. Depois da paragem no posto de controle em Rubiães, já com o corpo enfiado no impermeável e a garganta a querer me avisar de qualquer coisa, tive a partir desse ponto a boa companhia do Miranda e do nosso amigo polaco, o Pawel.

Voltei a reviver uma das mais belas estradas deste país, a N301, que acompanha o curso do rio Coura até à sua foz, em Caminha. Com o penúltimo carimbo obrigatório no cartãozinho e com a barriguinha reconfortada, até à chegada a Marinhas, Esposende, para a conclusão do brevet foi uma briga destemida contra o forte vento nas trombas. Foi na parceria de fragrâncias marítimas, chuviscos manhosos, de cabeças baixas, mãos firmes nos dropes, esforçando os pedais, que os três heróis foram se revezando para estampar o último carimbo no cartão e concluir mais um brevet, onde cada qual chegou ao termo a seu ritmo, a seu tempo. Tal e qual o BRM Alto Minho 200 @2018. Cum carago, que rico doce!

Depois em casa…

“Então, como estão as tuas costas?” Quais costas! Tenho é de curar esta maldita gripe!

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can´t miss [232] www.topcycling.pt/

Carbon Team – Quadros em carbono do World Tour Made in Portugal

“Durante e após a pandemia as marcas de bicicletas e componentes aperceberam-se de que ter a sua produção inteiramente dependente do mercado asiático é limitado, algo que o panorama económico atual continua a confirmar. A Carbon Team é uma empresa portuguesa que oferece atualmente uma alternativa a esses mercados.

O Topcycling esteve à conversa com Emre Ozgunes, diretor geral da Carbon Team. A empresa de fabrico de quadros em carbono sediada em Vouzela, tem tido um crescimento notável, apesar de ainda não ser conhecida pela maioria dos portugueses, amantes das duas rodas.”

[…]

Podes ler o artigo completo em: https://www.topcycling.pt/carbon-team-quadros-em-carbono-do-world-tour-made-in-portugal/

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Miguel Cycling Iceland

“Era uma vez um menino de 6 anos que percorreu a Islândia de bicicleta. Mais tarde, com 8 anos, toca no piano uma música que o pai escreveu para ele. E assim nasceu este vídeo.”

Mário Chan

(pubilado no grupo Cicloturismo em Portugal)

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can’t miss [231] https://lisboaparapessoas.pt

“Parlamento Europeu quer bicicleta como “um modo de transporte de pleno direito”

[…]

“O Parlamento Europeu aprovou, no passado dia 16 de Fevereiro, uma proposta de resolução para fazer da bicicleta um “modo de transporte de pleno direito” e, através deste texto, “convida a Comissão [Europeia] a desenvolver uma estratégia europeia específica para a utilização da bicicleta, com o objectivo de duplicar o número de quilómetros percorridos em bicicleta na Europa até 2030″.

Apesar de não ter um carácter vinculativo (é apenas uma recomendação), a execução da proposta está agora do lado da Comissão Europeia, o braço executivo do Parlamento (que tem funções meramente legislativas). O texto parlamentar tem como redactora principal Karima Delli, eurodeputada francesa pelo grupo Verdes/Aliança Livre Europeia e presidente da Comissão dos Transportes e do Turismo.”

[…]

Podes ler o artigo completo abrindo o link: https://lisboaparapessoas.pt/2023/02/28/bicicleta-proposta-parlamento-europeu/

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fotocycle [269] a paragem

Adivinho a sua aproximação, ao fundo, na escuridão repentina do firmamento. Acelero a cadência, entre o trânsito estagnado e o vento agitado. Pelas minhas contas terei pelo menos mais dez minutos a descoberto. Esparsas e geladas, pingam grossas as gotas que se desfazem na minha testa. Não estranho que nos cruzemos num ponto indefinido a meio do percurso, mas desta vez eu não estava precavido para os humores do clima. “Fogo… ainda agora estava sol, carago!”. Já muito perto do destino refugio-me num exíguo resguardo, lotado e embaciado. Fico a salvo da repentina enxurrada. Uma roliça senhora invade também o abrigo. Dando pequenos passos para trás, vai-me empurrando com o rabo. Com um olhar indiscreto fita o ciclista e questiona-me, com firmeza.

“Sabe se demora muito para passar o 205”?

Não sei minha senhora! Eu não estou à espera do autocarro… só estou à espera que a chuva passe.

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