can’t miss [184] bragaciclavel.pt

Bracarenses no mundo: a pedalar em Aarhus – Capital Europeia da Cultura 2018

“Recentemente viajei até à Dinamarca. Aarhus era destino desconhecido e agora admirado. Podia ter ido a Copenhaga, mas a Copenhaga é mais fácil de ir de avião do que a Aarhus. Podendo ir até lá de carro (estou temporariamente a trabalhar na Alemanha) e aproveitar a paisagem dinamarquesa é para aproveitar.
Coincidentemente Aarhus é Capital Europeia da Cultura 2017 e, portanto, mais um motivo para lá ir.

No caminho para Aarhus é fácil de perceber que a cultura da bicicleta é isso mesmo, cultura. Não é um incentivo governamental nem tão pouco um desporto, é algo intrínseco nos dinamarqueses.
Assim que chego a Aarhus, percebo que distância entre o uso de automóvel e da bicicleta é muito pequena. O espaço é partilhado de forma igual (com as devidas proporcionalidades) e a cidade respira mobilidade com espaço para peões, bicicletas, transportes públicos e automóveis a coexistirem harmoniosamente.

No caso específico da bicicleta, foi interessante notar que apesar de existirem bastantes infra-estruturas orientadas ao uso da mesma, as pessoas basicamente parecem utilizar o bom senso quando circulam de bicicleta. As regras existem, são de forma geral cumpridas, mas se tiverem que quebrar uma regra o bom senso impera e as pessoas são cautelosas e atentas a quem está à sua volta. Acho que Aarhus transparece um pragmatismo (já observado por mim na Alemanha) em que a primazia é dada ao sentido prático no uso da bicicleta e no não uso do automóvel. Um certo pragmatismo, quanto a mim, valiosíssimo. Que talvez merecesse uma importação para Portugal.” […]

(Podes ler na íntregra o excelente artigo de Luis Silva, publicado no blog Braga Ciclável, em: http://bragaciclavel.pt/author/luissilva/)

Publicado em can't miss it | Etiquetas , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

fotocycle [219] na rota da Terra Fria

Passar alguns dias de férias fora do bulício, longe das rotinas e sem a bicicleta, também me faz bem. Nesta altura do ano, e aproveitando os feriados, procuro o frio e a magnificente beleza do Douro. Vamos para a aldeia e dali abalamos na rota da Terra Fria transmontana, para trás dos montes conquistando castelos, lendas e histórias.

A neblina e o gelo matinal faziam-nos desencorajar levantar cedo, no entanto calhou que a visita a Miranda do Douro fosse no dia mais frio da semana. Enfrentamos os zero graus à porta de casa e os 3 negativos à nossa chegada ao Fresno. Parado o carro em frente às fragas de Miranda, bem de fronte para o Douro Internacional, ousamos entrar no frigorífico. Apesar da neblina e do ar gelado, lentamente o dia clareou e um tímido sol foi nos aquecendo as orelhas. Depois de confortar os estômagos com a tradicional posta à mirandesa, continuamos o passeio a tilintar o dente. Visitamos a belíssima Sé Catedral, contornamos a muralha e o castelo, percorremos o centro histórico, admiramos as casas quinhentistas, as ruas empedradas, entramos nas lojas tradicionais e percebemos a lhéngua mirandesa.

E foi numa dessas ruas, bem junto à Igreja de Santa Cruz, que algo me chamou a atenção. Uma velha bicicleta, deixada propositadamente ao ar livre, à soleira da porta e encostada à parede de pedra, capturou logo o olhar a quem aprecia este tipo de coisas. E então, depois de um pequeno inquérito, foi convidada a participar no meu álbum fotográfico.

Publicado em fotocycle | Etiquetas , , , , , , , , | 1 Comentário

céu pardacento: ou chuva ou vento

De volta a casa depois de um dia de trabalho, eu gosto de arredondar a cidade, alongar o meu percurso e aproveitar o crepúsculo final de um dia solarengo. Isso significa que eu vou tirar algumas fotografias na atracção radical do pôr-do-sol, do mar e da minha bicicleta, que é a marca registada em quase todas as minhas imagens.

Ontem, quando saí à rua, as nuvens cobriam o céu numa camada grossa, como uma enorme colcha toldada e pardacenta. As árvores dançavam ao sabor da ventania, as folhas douradas flutuavam loucas, para cima e para baixo, cobrindo todos os recantos, dando finalmente um ar de Outono.

Desço ao rio, dou o peito ao vento e sigo a minha volta, por Matosinhos. Chegado à Foz, paro por alguns minutos para observar o mar revolto, fotografar, e fico a conversar com um amigo que me encontra. Visivelmente invejoso, eu estou em duas rodas e ele não, olha para o céu carregado e me pergunta se estou a voltar. No seu melhor palpite a chuva apanhava-me antes de entrar em casa. Respondo à sua pergunta sem pensar duas vezes: “Nããã, eu estou apenas a começar a minha dança da chuva!”.

Pois que venha ela, a chuva, que tanta falta tem feito.

Publicado em o ciclo perfeiro | Etiquetas , , , , , , , , , , , , , | 3 comentários

can’t miss [183] dm.com.br/cotidiano

Diário de muitos ciclistas

O repórter que começa este diário compartilhado por muitos, inúmeros ciclistas de Goiânia: solidariedade e ativismo caracterizam movimento que não para de crescer (Foto: Arquivo pessoal)

[…] “Técnicos e gestores não pensam bicicletas no ambiente urbano e quando elas surgem chamam tanta atenção que se tornam “alvos” e sujeitos resignificados: pobres, vagabundos, otários e agora “bichas”, por usarem equipamento de segurança e roupas adequadas – e, sim, muitas vezes fashionistas.

Nas pedaladas, o ciclista tem a exata noção de seu papel no trânsito: exercitar, transitar, percorrer espaços de forma a impactar o mínimo possível o espaço urbano e o trânsito. Sobretudo, permitir que o exercício de sua cidadania não impeça o conjunto de direitos do outro.

“Reconhecer a bicicleta como modal é, antes de tudo, um desafio para a democracia nas cidades”, diz o sociólogo e cientista político Lehninger Mota. Ele afirma ao DMOnline que a reação dos ciclistas é típica das minorias críticas.”[…]

Natasha Rocha, deficiente visual, ao lado do marido Ricardo Veríssimo no “Na Bike com DV”: adrenalina, descoberta do ciclismo e da cidadania da mobilidade (Foto: André Costa)

Ciclistas de Goiânia, vêm a sua cidade e a sua mobilidade de forma diferente.
Os seus testemunhos num excelente artigo em: https://www.dm.com.br/cotidiano/2017/11/diario-de-muitos-ciclistas.html

Publicado em can't miss it | Etiquetas , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

espalhando as boas ideias, partilhando as boas acções


Uma fotografia tirada por acaso resultou num sorteio solidário. Tiago Costa quer restaurar uma bicicleta “toda chamuscada” e doar o dinheiro angariado ao sr. Almerindo, o antigo dono que perdeu tudo nos incêndios de 15 de Outubro

Texto de Renata Monteiro

Uma bicicleta estava estacionada nos escombros da casa, em Arganil, Coimbra. O telhado da habitação, completamente consumida pelo fogo, tinha caído em cima da bicicleta. Tiago Reis encontrou-a quando andava com o sr. Almerindo, dono da casa e da pasteleira, a ver os estragos de um dos incêndios de 15 de Outubro último. Estava junto “a uma série de peças de ferro que o senhor ia, talvez, tentar vender à sucata”, conta. Sem pensar muito, fotografou-a.

Tiago não sabe o último nome do vizinho. É amigo há muitos anos da família que também tem casa na aldeia de Vale do Moinho onde, naquele dia, arderam cinco casas, duas de habitação própria, recorda. O que também não sabia é que ao publicar aquela fotografia no Facebook estava na verdade a arranjar quem ajudasse o vizinho depois de este ter perdido quase tudo o que tinha para o fogo.

A ideia veio de outro Tiago, Costa, dono de uma loja de restauro de bicicletas do Porto, a Sub 954. “Nem ela [a pasteleira] escapou… Pergunta ao dono quanto quer por ela que eu salvo-a e penduro lá na loja! Pelas circunstâncias merece uma nova vida!”, comentou na publicação. “Amanhã pergunto-lhe!”, respondeu-lhe Tiago Reis. No dia seguinte, disse-lhe o que tinha dito o sr. Almerindo: “Não quero nada, ofereço-lha, pode levá-la.” E Tiago Costa não aguentou. “Estamos a falar de uma pessoa de 80 anos que perdeu tudo: casa, carros, animais e material agrícola. Ficou com um porco, um cavalo e uma pick up velha. Foi isto que ele conseguiu salvar”, diz ao P3, à volta de uma bicicleta que começa a ganhar vida nas suas mãos.

O plano inicial — quando perguntou o preço — era restaurar a bicicleta, vendê-la e doar o dinheiro a uma organização de apoio às vítimas de incêndios. Mas quando Almerindo disse que lhe oferecia a pasteleira, a causa tornou-se pessoal. Decidiu “deixá-la como nova”, tal como o planeado, para depois a sortear. A ideia é entregar a totalidade do dinheiro angariado — juntamente com ração para animais e outros bens essenciais (que não sejam roupa, mobília ou electrodomésticos, pedem) — ao antigo dono da pasteleira EFS.

Para isso decidiu vender 200 números, dos quais já só restam cerca de 50, a dez euros cada. O objectivo é surpreender o sr. Almerindo e entregar-lhe as doações, em Arganil, entre os dias 15 (o prazo para participar no sorteio) e 20 de Dezembro. Tiago Costa gostava que fosse o antigo dono da “bicla” a sortear o nome do vencedor, caso este aceite, em directo para o Facebook.

Noticia P3 (http://p3.publico.pt/actualidade/sociedade/24974/incendios-como-uma-bicicleta-ardida-pode-ajudar-o-antigo-dono)

Publicado em divulgação | Etiquetas , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

escritinho* [7] ora…

devagar, devagarinho

(* sem tirar nem por)

Publicado em escritinho | Etiquetas , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

can’t miss [182] jn.pt

O Jornal de Notícias trás hoje publicado um excelente artigo de divulgação das diferentes mobilidades da cidade, no caso testemunhos de quem não anda de carro no Porto. Desmistificando algumas ideias preconcebidas de quem só utiliza o automóvel nas suas deslocações, para e do trabalho, quatro testemunhos demonstram com o seu exemplo que a utilização de outros meios de transporte (a correr, de trotinete, em skate ou de bicicleta) são não só mais saudáveis, ambientalmente sustentáveis, mais económicos, como ajudam a criar medidas na redução do grande fluxo e como enganam o congestionamento automóvel na cidade. De uma forma simples, provam como é possível tornar-se menos dependente do automóvel, podendo-se usufruir de uma cidade diferente, de uma cidade viva e moderna.

Fintar o trânsito de trotineta, bicicleta ou a correr

Deixam o carro em casa porque não querem enfrentar o trânsito. Poupam tempo, paciência e ainda subtraem na conta do final do mês. Na cidade do Porto, há quem escolha ganhar qualidade de vida na ida para o trabalho. Vão de trotineta, bicicleta, de skate ou a correr, para evitar o carro a todo o custo. São apenas 16,5% dos portuenses, face aos mais de 60% que continuam a usar o carro como meio de transporte. […]

 

(lê o artigo completo em: https://www.jn.pt/nacional/reportagens/interior/fintar-o-transito-de-trotineta-bike-skate-ou-a-correr-8913194.html)

Já agora, e aproveitando a oportunidade desde postal, volto à minha cartilha e deixo o testemunho diário de um ciclista urbano:

“Optar pela bicicleta para o trabalho, para os afazeres diários ou para um simples passeio, tem se tornado mais popular entre as pessoas. No Porto e arredores, apesar de diversas dificuldades enfrentadas pelos ciclistas, os exemplos multiplicam-se a cada dia.

É o meu caso. Todos os dias, após o pequeno-almoço, saio de bicicleta para o trabalho. A saudável rotina de pedalar até ao centro da cidade, faça sol ou faça chuva, já dura há vários anos. A minha residência dista cerca de quatro quilómetros do meu local de trabalho e para chegar ao serviço levo aproximadamente 15 minutos, nas calmas. Além de poupar tempo, o uso da bicicleta tem outros inúmeros benefícios. Ao optarmos pela utilização diária da bicicleta para o trabalho, pensamos na nossa qualidade de vida, poupamos na carteira, contribuímos para o meio ambiente, e é menos um carro a circular na cidade. Ficar preso no trânsito, para além de um contratempo é burrice.

A minha escolha nem sempre é compreendida por algumas pessoas. Depreendo isso pela forma como alguns automobilistas me ultrapassam e viram à minha frente. Outros consideram que pedalar na cidade é bastante perigoso! Crêem que sou louco ao pedalar em dias de temporal! Além das actividades diárias na bicicleta, pedalo dezenas de quilómetros por semana por puro prazer. Acredito que se não fossem as dificuldades que enfrento muitas outras pessoas fariam o mesmo.

O número de automóveis que circula nas cidades aumentou muito. Os gestores municipais perceberam esse problema e olham agora para a bicicleta como uma opção válida de mobilidade. Bem ou mal, existem hoje mais ciclovias, há mais estacionamentos para bicicletas espalhados pela cidade, a legislação rodoviária reconheceu direitos à bicicleta e decretou deveres ao ciclista. Ainda há muitos buracos na estrada mas, mesmo assim, a pedalada vale a pena.”

 

Publicado em can't miss it | Etiquetas , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

circular por aí a jogar à cabra cega

Circular nesta altura do ano, no início da manhã ou no final do dia, quando o sol está mais baixo no horizonte, pode ser ofuscante e causar problemas a quem anda da estrada, estejamos na qualidade de automobilistas, peões ou ciclistas. Todos os anos, nesta época, a determinadas horas do dia, o sol está mais baixo no céu e pode provocar encandeamentos. A visibilidade, ou a falta dela, é muitas vezes um factor que pode contribuir para o acidente. Confesso que nem sempre é fácil em tais circunstâncias reagir com rapidez, mas os acidentes influenciados pelo brilho solar podem e devem ser evitáveis.

Talvez todos nós já tenhamos vivido uma situação semelhante, levar subitamente com o sol em cheio nos olhos ao ponto de nos “cegar”, mas o “talvez” não é desculpa para acções negligentes dos automobilistas. A falta de visibilidade é perigosa na medida em que as pessoas podem, repentinamente, deixar de ver com o brilho do sol que incide directamente nos olhos e tornar impossível enxergar a sinalização, quem segue ou se atravessa à sua frente. Embora seja mais perigoso para os condutores, o encadeamento pelo sol pode ser também um problema para os ciclistas. Um ciclista pode ferir um peão ou outro ciclista, mas para os automobilistas a história é bem diferente. Se não forem cuidadosos podem ferir gravemente outras pessoas.

Como ciclistas, devemos ter em atenção quando vivemos situações destas. Somos vulneráveis na estrada e dependemos da capacidade do condutor para nos ver e evitar nos derrubar. Alguns automobilistas não sabem adaptar a sua condução às condições climáticas extremas. Não importa o quão ofuscante é o contra-luz, se está nevoeiro ou chove a potes, eles continuam à mesma velocidade, como sempre. Registo demasiadas vezes a pouca evidência de tomada de precauções extras para evitar acidentes. Baixar a pala do lado do condutor de modo a bloquear o sol ajuda, mas na maioria dos casos a pala proporciona pouca melhoria. Deve-se sempre abrandar a velocidade, sobretudo nestas condições, para tornar mais fácil reagir caso alguém encoberto pela luz do sol se cruze no seu caminho. Não deve haver excepções. Uma casualidade destas pode ser fatal e nunca será em tempo algum desculpa legítima para aumentar a sinistralidade.

Publicado em outras coisas | Etiquetas , , , , , , , | Deixe um comentário

ciclofilia [142] Fabrico Nacional

Episódio 11: Órbita

Continuar a ler

Publicado em ciclofilia | Etiquetas , , , , , , , , , , , , , , | 3 comentários

fotocycle [218] impressões

Na bicicleta desfruto das ruas, das mesmas ruas que me guiam para o trabalho. Na bicicleta olho o Porto como uma cidade em movimento. Desvendo nas paredes da minha cidade a arte urbana que sai à rua. Arte provisória, tradicional e abstracta, camuflagem do desocupado e do decrépito. A pé e na bicicleta invado os recantos, apodero-me das paredes como as heras ou as mãos de um artista. Aproveito cada momento.

Publicado em fotocycle | Etiquetas , , , , , , , , , , , , | 2 comentários