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Uma fotografia tirada por acaso resultou num sorteio solidário. Tiago Costa quer restaurar uma bicicleta “toda chamuscada” e doar o dinheiro angariado ao sr. Almerindo, o antigo dono que perdeu tudo nos incêndios de 15 de Outubro

Texto de Renata Monteiro

Uma bicicleta estava estacionada nos escombros da casa, em Arganil, Coimbra. O telhado da habitação, completamente consumida pelo fogo, tinha caído em cima da bicicleta. Tiago Reis encontrou-a quando andava com o sr. Almerindo, dono da casa e da pasteleira, a ver os estragos de um dos incêndios de 15 de Outubro último. Estava junto “a uma série de peças de ferro que o senhor ia, talvez, tentar vender à sucata”, conta. Sem pensar muito, fotografou-a.

Tiago não sabe o último nome do vizinho. É amigo há muitos anos da família que também tem casa na aldeia de Vale do Moinho onde, naquele dia, arderam cinco casas, duas de habitação própria, recorda. O que também não sabia é que ao publicar aquela fotografia no Facebook estava na verdade a arranjar quem ajudasse o vizinho depois de este ter perdido quase tudo o que tinha para o fogo.

A ideia veio de outro Tiago, Costa, dono de uma loja de restauro de bicicletas do Porto, a Sub 954. “Nem ela [a pasteleira] escapou… Pergunta ao dono quanto quer por ela que eu salvo-a e penduro lá na loja! Pelas circunstâncias merece uma nova vida!”, comentou na publicação. “Amanhã pergunto-lhe!”, respondeu-lhe Tiago Reis. No dia seguinte, disse-lhe o que tinha dito o sr. Almerindo: “Não quero nada, ofereço-lha, pode levá-la.” E Tiago Costa não aguentou. “Estamos a falar de uma pessoa de 80 anos que perdeu tudo: casa, carros, animais e material agrícola. Ficou com um porco, um cavalo e uma pick up velha. Foi isto que ele conseguiu salvar”, diz ao P3, à volta de uma bicicleta que começa a ganhar vida nas suas mãos.

O plano inicial — quando perguntou o preço — era restaurar a bicicleta, vendê-la e doar o dinheiro a uma organização de apoio às vítimas de incêndios. Mas quando Almerindo disse que lhe oferecia a pasteleira, a causa tornou-se pessoal. Decidiu “deixá-la como nova”, tal como o planeado, para depois a sortear. A ideia é entregar a totalidade do dinheiro angariado — juntamente com ração para animais e outros bens essenciais (que não sejam roupa, mobília ou electrodomésticos, pedem) — ao antigo dono da pasteleira EFS.

Para isso decidiu vender 200 números, dos quais já só restam cerca de 50, a dez euros cada. O objectivo é surpreender o sr. Almerindo e entregar-lhe as doações, em Arganil, entre os dias 15 (o prazo para participar no sorteio) e 20 de Dezembro. Tiago Costa gostava que fosse o antigo dono da “bicla” a sortear o nome do vencedor, caso este aceite, em directo para o Facebook.

Noticia P3 (http://p3.publico.pt/actualidade/sociedade/24974/incendios-como-uma-bicicleta-ardida-pode-ajudar-o-antigo-dono)

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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