fotocycle [137] garoa, morrinha, cacimbo…

… chuvisco de verão!

Publicado em fotocycle | Etiquetas , , , , , , , , | Deixe um comentário

isso, ou pelo simples prazer de pedalar

O ciclismo pode ter várias formas de prática, diferentes desempenhos, diversas bicicletas, diversificadas necessidades, n estilos, no entanto é, para mim, tudo ciclismo. Os ciclistas desportivos, os amadores tipo ciclista de fim-de-semana, em spandex mode de estrada ou montanha, são ou não são tão diferentes dos ciclistas comuns?


Só se parecem com os outros por estarem numa bicicleta, mas não definitivamente não montam numa bicicleta qualquer. Profissionais, atletas e entusiastas do ciclismo na sua vertente desportiva, que usam bicicletas leves, roupas específicas para o desporto, pernas rapadas e formam pelotões. O seu principal objectivo é o desempenho físico, o suor, a altitude, a velocidade é conseguida através de um controle incrível do funcionamento do próprio corpo. Não tendo nunca rapado as pernas, confesso que tenho o frequente hábito de fazer um treininho na minha speed, muitas vezes ao fim de semana ou no horário pós laboral. Tenho o bichinho de competir e pedalar em velocidade, mesmo que no momento esteja de calças de ganga a bordo da minha singlespeed, raramente resisto a um desafiozinho vindo de um qualquer licrado em modo carbono.

Quanto aos ciclistas de estrada, é vê-los a pedalar por estradas planas que permitem uma velocidade constante e sem interrupções. Pedalam a mais de 30km/h, podendo passar dos 50km/h em condições favoráveis e facilmente ultrapassam os 60km/h nas descidas. Geralmente escolhem percursos específicos, por isso é comum ver pequenos pelotões pelas nacionais à volta do Porto, a N108, N109, N13. Também somos vistos por outras paragens, onde as pernas nos levam a transpor íngremes declives e apreciar fantásticas paisagens. As ciclovias não são as vias mais adequadas ao ritmo veloz dos ciclistas desportivos mas também não lhes escapam, apenas porque são adequadas, servem para fazer um aquecimento no início do treino ou porque simplesmente estão no caminho de casa.

modo speed na ciclovia

Entre os ciclistas desportivos, existe um imenso abismo entre profissionais e amadores. Enquanto um amador faz um treininho de 30 a 50km com uma velocidade média inferior ou próxima de 30km/h, um profissional tem de manter o mais alto nível de desempenho e pedala bem acima de 100km por dia, com velocidades médias superiores ou próximas a 40km/h. Para se fazer uma simples comparação, eu no meu commuting diário com a minha bicicleta de aço habitual, pedalo numa média inferior a 20km/h. A simples tentativa de alcançar os 30km/h já exige um bom esforço. E quando quero levar a coisa mais a sério, fazer mais de 50km, por exemplo o que equivale a ir e vir da barragem de Crestuma, ir e vir de Vila do Conde, ou ir e vir de Espinho, e feito num bom ritmo já é um excelente treino.

Publicado em o ciclo perfeiro | Etiquetas , , , , , , | 3 comentários

can’t miss [102] wp.clicrbs.com.br/ciclosdevida

…tens que andar no cantinho!

Interessante testemunho de Naiara Lima, ciclista de Floripa, que” usa a Bicicleta como transporte e lazer (e Plano de saúde)”

“Bicicleta não atrapalha o fluxo de veículos, apenas transita em velocidade segura para todos.”

ciclos de vida

“Eu não sou nada zen e confesso que a minha vontade é de arremessar uma pedra na testa de cada ser humano desaforado que me aparece pela frente, mas não dá. Só me resta tentar me colocar no lugar da pessoa e tentar entender que raios passa na cabeça duma pessoas destas. Eu explico: quando em vias que os motoristas assumem altas velocidades, ciclistas experientes (normalmente) ocupam 1/3 (ou até mais) da pista, para que o motorista precise reduzir e ocupar um pouco da outra faixa para nos ultrapassar. Não é por birra ou para medir forças, é para nos proteger de levar finas e acabar caindo e sendo esmagado por outro veículo que vem logo atrás. Você pode ou não concordar, mas todo ciclista tem o direito de fazê-lo perante o código de trânsito. Por outro lado, o motorista vê um desaforado em cima duma bicicleta, ocupando um espaço que “não é dele” e o atrasando em doze segundos a chegada do mesmo até o próximo congestionamento.
Eis que hoje, enquanto eu tentava manter meu espaço sem ser esmagada, tive que ouvir motoristas gritarem comigo e dizerem o quão errada eu estava, o que me faz crer em duas possibilidades: não conhecerem o código de trânsito ou serem uns completos babacas.”…

(lê o texto na íntegra aqui)

Publicado em can't miss it | Etiquetas , , , , , , , , | 2 comentários

fotocycle [136] free surfer

free surfer… big rider

Publicado em fotocycle | Etiquetas , , , , , , , | Deixe um comentário

minuto verde: Carteiros dos CTT já pedalam em bicicletas elétricas

Publicado em filme | Etiquetas , , , , , , , , , | 1 Comentário

é possível ir às compras de bicicleta, já estacionar…!!!

Quando regresso do trabalho às vezes preciso de fazer umas compras pelo caminho. Uma garrafa de vinho, um pack de cerveja, amendoins ou tremoços, coisas do género. Comigo, de bicicleta, a lógica é inversa, não tenho a tarefa de fazer as compras do mês. Essas deixo-as para a minha cara-metade trazer no porta bagagens do carro, o seu único meio de transporte casa-trabalho-casa possível. O ideal seria parar à porta da mercearia da rua, entrar e regatear com o merceeiro, quem sabe se não venderia fiado, como fazia a D. Emília na sua antiga mercearia que apontava no livrinho para a minha mãe pagar no final do mês! Os hipermercados são uma invenção sensaborona, sem personalidade, feitos para quem só anda de carro. Depressa os belmiros e jerónimos deste país quase acabaram com o pequeno comércio. A mercearia da rua está fechada faz tempo.

Sé é para comprar pão eu não vou ao hipermercado, mas para adquirir géneros de mercearia em falta a grande superfície que construíram perto de casa tornou-se um mal menor. Deixar a bicicleta amarrada a um poste não é, nem de longe, a melhor alternativa. No entanto, e não havendo alternativa, o abrigo dos carrinhos de compras tem servido de desenrascanço.

bike park improvisado no Pingo Doce
O crescente uso das biclas deveria incitar o comércio a querer fidelizar clientela usando bicicletários para garantir o acesso do consumidor e para ser usado por funcionários. Para além de atrair novos consumidores, que aproveitam para parar, entrar no estabelecimento e comprar algo, também fideliza a clientela, já que os ciclistas tendem a dar prioridade a locais onde possam deixar suas bicicletas em segurança. E isto vale para todo o tipo de comércio. Havendo estacionamento para carros e motos, porque não um espaço para as bicicletas? É uma forma de agradar aos clientes. Cafés, restaurantes, lojas, supermercados e shoppings são alguns dos locais que já oferecem espaço de estacionamento ao automóvel e que poderiam reservar um pequeno espaço para deixar os seus clientes tranquilos enquanto fazem as suas refeições ou compras. Instalar um suporte adequado para bicicletas (o do tipo U invertido) não exige um investimento avultado. Um espaço exclusivo para as bicicletas deixa o estabelecimento com uma imagem muito positiva, mostra que tem a consciência ambiental e de incentivo à mobilidade sustentável. Vale muito a pena pensar e investir nisso.

Publicado em motivação | Etiquetas , , , , , , , , | 2 comentários

textos de Marcos Paulo Schlickmann [28] Conversa com um Engenheiro de Tráfego

O vídeo a seguir é muito interessante. Apesar de ser relativamente antigo (2010) e retratar a realidade americana, ele se aplica ao que se passou nos últimos anos e ainda se passa no Brasil e em Portugal, no que tange ao planejamento urbano e dos transportes excessivamente focado no automóvel.

O vídeo está em inglês e sem legendas em português. No entanto, traduzi-o e coloquei o diálogo abaixo.

Vejam então o vídeo ou leiam o diálogo e depois eu volto para fazer algumas observações.


_____________________________________________________________________________

Engenheiro: Olá, eu sou o engenheiro de tráfego. Eu soube que você tem algumas dúvidas a respeito das obras rodoviárias previstas para o seu bairro.
Moradora: Sim. Eu soube que vocês planejam melhorar minha rua. O que isso vai significar para o meu bairro?
E: Nós vamos corrigir deficiências de nivelamento e também problemas no alinhamento existente. Nós também vamos aumentar os acostamentos/bermas com o objetivo de melhorar os níveis de segurança.
M: Então vocês vão tornar a rua mais segura?
E: Sim, com certeza.
M: E como vocês vão tornar a rua mais segura?
E: Bem, primeiro vamos corrigir deficiências de nivelamento e também problemas no alinhamento existente.
M: O que isto significa?
E: Significa que o nivelamento e alinhamento atuais não cumprem os níveis de segurança e então nós vamos corrigir isso.
M: Qual são os níveis de segurança?
E: Basicamente a rua deve ser plana e reta.
M: Então vocês vão tornar a rua plana e reta?
E: Sim
M: Como isso melhora os níveis de segurança?
E: Vai permitir que o tráfego flua melhor tornando-o mais seguro.
M: Eu não entendo.
E: Juntamente com corrigir deficiências de nivelamento e alinhamento nós também vamos alargar as vias de tráfego.
M: O que isso vai causar?
E: Vai melhorar a segurança.
M: Como alargar as vias de tráfego melhora a segurança?
E: Juntamente com corrigir deficiências de nivelamento e alinhamento, vai permitir que o tráfego flua melhor.
M: O que você quer dizer por permitir que o tráfego flua melhor? Como isso melhora a segurança?
E: Os carros vão poder passar sem se preocupar em bater em coisas e então vai ser mais seguro e por isso nós também estamos aumentando o acostamento/berma.
M: O que você quer dizer por aumentar o acostamento/berma?
E: Nós vamos remover obstáculos do acostamento/berma para melhorar os níveis de segurança.
M: O que é o acostamento/berma?
E: É a área em cada lado da rua que devemos manter livre de obstáculos caso algum carro saia da rua.
M: Que tipo de obstáculos?
E: Principalmente árvores.
M: Então vocês vão retirar as árvores do acostamento/berma para melhorar os níveis de segurança?
E: Sim exatamente.
M: Qual o tamanho do acostamento/berma?
E: O acostamento tem 7 metros em cada lado da rua.
M: 7 metros…isto é todo o meu jardim!
E: Me desculpe, mas para atender os níveis de segurança todos os obstáculos devem ser removidos do acostamento/berma.
M: Você entende que meus filhos brincam no acostamento/berma?
E: Eu não recomendaria isso, não seria seguro!
M: Mas é seguro hoje. Eu pensei que este projeto serviria para melhorar os níveis de segurança. Como uma rua se torna mais segura se meus filhos não podem brincar nela?
E: Melhorando a rua para torná-la mais segura assim permitindo que o tráfego flua melhor.
M: Flua melhor… Os carros só vão ir mais rápido, não é verdade?
E: Nós vamos colocar um limite de velocidade depois de fazer um estudo de velocidade e determinaremos a velocidade segura para a rua.
M: Mas os carros vão devagar hoje, “devagar” é o mais seguro aqui para o meu bairro, onde as crianças brincam no jardim. Como ter uma “pista de corrida” em frente à minha porta melhora os níveis de segurança?
E: Vai melhorar os níveis de segurança pois o tráfego fluirá melhor.
M: Eu não estou ciente de nenhuma morte ou acidente nesta rua e eu vivo aqui há 30 anos. Você tem conhecimento de alguma morte?
E: Não, não tenho.
M: Eu nem sequer tenho conhecimento de nenhuma ocorrência de acidentes nesta rua. Você tem conhecimento de algum acidente?
E: Não, não tenho.
M: Então porque você diz que a rua não é segura hoje em dia?
E: A rua não é segura porque não atende aos níveis de segurança.
M: Então hoje os carros vão devagar e é seguro mas você quer nivelar a rua, endireitar a rua, alargar a rua e remover todas as árvores, para os carros poderem ir mais rápido e depois colocar um limite de velocidade para então eles irem mais devagar. E você diz que isso é mais seguro?
E: Sim. Vai atender os níveis de segurança e por favor entenda que há projeções de elevado crescimento de tráfego para a sua rua.
M: O que você quer dizer: projeções de elevado crescimento de tráfego?
E: Nós projetamos que muitos carros irão passar por esta rua nos próximos anos.
M: Por que muitos carros irão passar por esta rua? Ela é pequena e estreita e de baixa velocidade.
E: Por causa disso que devemos melhorá-la, para se enquadrar nos padrões de segurança.
M: Isso não vai simplesmente encorajar mais pessoas a usá-la?
E: Nós já prevemos isso e vamos adicionar 2 vias de tráfego para comportar os futuros carros.
M: Você vão acrescentar mais 2 vias?
E: Sim.
M: Para carros?
E: Sim. 2 vias a mais vão permitir que a rua se enquadre nos níveis de segurança.
M: Deixe-me ver se entendi: você projeta um elevado crescimento no tráfego sendo que não há quase nenhum hoje e vai aumentar a rua para comportar este tráfego. Assim você não está simplesmente encorajando mais pessoas a dirigir?
E: Não. Nós estamos antecipando o crescimento e precisamos fazer esses melhoramentos para dar conta do crescimento.
M: E onde esse crescimento vai ocorrer?
E: O novo crescimento ocorrerá na zona livre de impostos.
M: E onde é essa zona livre de impostos?
E: A zona livre de impostos é na periferia da cidade.
M: Que tipo de crescimento vai ocorrer na zona livre de impostos na periferia da cidade?
E: Há propostas para uma mercearia, um restaurante drive-thru e um posto de combustível.
M: OK, Mas eu vou à mercearia aqui do bairro no outro lado da rua e eu como no restaurante subindo o quarteirão e eu não dirijo muito, logo não preciso de outro posto de combustível.
E: Sim nós sabemos, por isso nós planejamos uma passagem pedonal aérea para este quarteirão.
M: O que é uma passagem pedonal aérea?
E: É uma ponte que lhe vai permitir atravessar a rua com segurança.
M: Mas eu posso atravessar a rua em segurança agora! Meus filhos podem atravessar a rua com segurança agora! Porque eu irei precisar de uma passagem pedonal aérea?
E: Com 4 vias de tráfego você não vai conseguir atravessar a rua sem atrasar o tráfego. E atrasar o tráfego não seria seguro.
M: Mas eu não vou conseguir empurrar o meu carrinho de bebê na passagem pedonal aérea toda vez que eu queira atravessar a rua para comprar leite! Como isso me beneficia?
E: Você se beneficiará com a arrecadação extra de imposto proveniente do novo crescimento.
M: Mas o novo crescimento não é numa zona livre de impostos? Com quanto eles vão contribuir de impostos?
E: Nada atualmente, mas em 10 a 15 anos eles vão contribuir muito com impostos.
M: Por que nós vamos fazer um investimento que não vai começar a se pagar em 10 a 15 anos? Até lá a mercearia vai virar numa Loja de 1,99/Loja 300 e haverá uma outra zona livre de impostos.
E: Se nós não provermos os subsídios e não investirmos no melhoramento das ruas o crescimento não iria acontecer. Sem crescimento a cidade pode morrer.
M: Mas se eu não posso atravessar a rua a pé até a mercearia ela irá fechar. Se eu não posso caminhar até ao restaurante ele irá fechar. Ninguém vai querer comprar minha casa com uma autoestrada à porta. Você se importa que o meu bairro está morrendo?
E: Sim, é por isso que nós estamos investindo em novo crescimento, é por isso que estamos melhorando a rua.
M: Mas afinal quanto vai custar esta obra?
E: O custo total do projeto é de 9 milhões de dólares.
M: 9 milhões de dólares…nossa cidades está falida, nós não temos dinheiro para manter a iluminação pública à noite, nós despedimos 4 bombeiros e metade da força policial. De onde vamos tirar 9 milhões de dólares?
E: 7 milhões de dólares são do governo estadual e federal. Os outros 2 milhões de dólares serão coletados das propriedades beneficiadas pelo projeto.
M: O que isso significa: coletados das propriedades beneficiadas pelo projeto?
E: Significa que as propriedades que se beneficiam irão pagar uma parcela dos custos do projeto.
M: Quem se beneficia do projeto?
E: Todo mundo que está nesta rua.
M: Calma. Você está dizendo que eu beneficio do projeto e irei pagar uma parte?
E: Sim. Você é um dos proprietários beneficiados que terão de contribuir com o projeto.
M: Você deve estar de brincadeira! Eu tenho uma rua calma e sossegada hoje em dia. Meus filhos podem brincar no jardim e é seguro. Eu posso caminhar até a mercearia do outro lado da rua e ao restaurante e é seguro! Para tornar mais seguro vocês vão nivelar, alargar e endireitar minha rua e acrescentar mais duas vias de tráfego. Isso é feito por causa das projeções de tráfego porque queremos novo crescimento na zona livre de impostos na periferia da cidade. E enquanto meu bairro degrada-se e a minha casa perde valor você ainda me obriga a pagar uma parte!
E: Me desculpe, mas as projeções necessitam de 4 vias de tráfego e nós devemos cumprir os níveis de segurança.
M: E você se pergunta porque nosso país está falido! Nós precisamos parar com estes absurdos e começarmos a construir cidades fortes! Para aprender mais visite http://www.strongtowns.org.
_____________________________________________________________________________
Como vocês puderam perceber, no vídeo uma moradora de uma rua “de bairro”, tranquila e com pouco tráfego confronta o engenheiro de tráfego responsável por um projeto de “melhoramento” na rua da moradora.

O projeto basicamente consiste numa intervenção viária com o objetivo de aumento da capacidade de escoamento do tráfego: 4 vias de tráfego, aumento dos acostamentos/bermas, melhorias ao nível do pavimento e alinhamentos. O principal objetivo do projeto é preparar tal rua “de bairro” para um futuro tráfego proveniente de novos usos do solo (que o engenheiro chama de “crescimento”) numa zona livre de impostos na periferia.

É verdade que o diálogo é um pouco absurdo. Um acostamento de 7 metros não existe e um aumento de capacidade e velocidade que obrigue a passagens aéreas numa rua de bairro é pouco provável acontecer tudo de uma vez. Mas isso não invalida a premissa principal do vídeo: Beneficia-se um desenvolvimento subsidiado na periferia, que só vai criar tráfego e não vai trazer benefícios fiscais a curto/médio prazo para a cidade, em detrimento do ambiente urbano à volta, que se estraga e perde sua amenidade, valor, permeabilidade pedestre e habitabilidade, tornando a rua em questão, antes verdadeiramente segura para adultos e crianças, “segura” exclusivamente para os automóveis.

Estes projetos infelizmente ocorreram e ainda ocorrem tanto no Brasil quanto em Portugal. A ilusão do crescimento a todo custo, da viabilização da mobilidade automóvel em detrimento dos modos suaves e da “vida de bairro” ainda persiste e é cada vez mais copiada pelos países em desenvolvimento.

Mas há outras soluções! Nos Países Baixos1 desde 1973(!!!) esse tipo de desenvolvimento é proibido. Talvez tal posição dos holandeses seja um pouco extrema, pois realmente alguns empreendimentos (tipo IKEA) precisam de terrenos grandes e baratos na periferia e com boa acessibilidade automóvel. Mas definitivamente não é justo acabar com o sossego de uns em favor do progresso de outros.

Devemos construir cidades para pessoas e não para automóveis!

Referências:

  1. Schwanen, Tim, Martin Dijst, and Frans M. Dieleman. 2004. “Policies for Urban Form and Their Impact on Travel: The Netherlands Experience.” Urban Studies. 41, 579–603.
Publicado em parceria público-pedalada | Etiquetas , , , , | Deixe um comentário

o Porto

miradouro
O turista chega à Cidade Invicta oriundo de mil e uma paragens, mais as do Metro que o transporta do aeroporto ao hotel. O Verão convida-o a acomodar o estio na Ribeira que fervilha de gente a emborcar fluidos sob o calor do sol. O recém chegado denota um certo misticismo na ambiência descuidada das labirínticas e estreitas ruas, o deslumbre da majestosa ponte, o ar do rio que reflete dourado nas pedras do cais, os sons musicais que ressoam das arcadas da muralha. Tudo parece um sonho, um lugar em que ninguém o conhece mas onde há sempre alguém que com simpatia ouse meter conversa. Pode navegar pelo Douro num dos muitos barcos castiços e apreciar as margens repletas de cor e movimento. Entre sorrisos e poses, para máquinas fotográficas que passam de mão em mão, pode passear a pé e apreciar as várias bancas e lojas de artesanato com muitas peças artísticas de interesse. Pode alugar uma bicicleta e pedalar ao longo do rio, admirando o casario colorido de roupas estendidas ao vento, que assiste indiferente a tudo o que passa. Pode até experimentar a típica francesinha numa das muitas esplanadas do cais. Saborear um cimbalino bem tirado e deliciar a vista enquanto beberica um cálice de Porto. Sentir a história desta bela e mui nobre cidade, património mundial, tendo sempre a noção que ali algo mágico está sempre a acontecer.

Publicado em Porto | Etiquetas , , , , , , | Deixe um comentário

da blogosfera

writing for publication

... “Há duas coisas do trânsito de Chaves que nunca entendi:

1. Bicicletas

Nunca percebi porque é que numa cidade como Chaves, que é bastante plana, ninguém usa a bicicleta para se deslocar. Já sei que agora há uma ciclovia e muita gente a andar de bicicleta por aí. Mas não estou a falar do pessoal que anda para aí a mostrar a bicicleta de 1500 euros, o fato de licra, e o saco às costas com a ração de combate. Não tenho nada contra a malta da licra, sempre fazem algum desporto ao fim de semana. Admiro-me é que não haja gente a acordar de manhã, vestir-se, pegar na bicla e ir do Bairro Verde para o trabalho na Madalena, por exemplo. Porque é que a maior parte da população pega no carro para fazer apenas 500m? Numa cidade tão plana, com um clima muito mais ameno que Amesterdão ou Copenhaga, é estranho que não haja mais gente a usar a bicicleta. Será que é por vergonha? Mas as bicicletas até são tão caras e chiques…

2. Parquímetros…” (ler + aqui)

A mãe, a mulher e a empregada maluquinha

“Este poderia ser um resumo do meu dia ou o pressuposto do que vai na cabeça das pessoas que me veêm e que falam comigo mas que não expressam verbalmente o que acham na realidade… Quer dizer, nem todas ou talvez até nenhuma, podem ser coisas da minha imaginação…

Comecei o dia por ir levar o filhote ao sítio onde está agora nas férias da Escola de… bicicleta… Ele e eu, os dois a pedalar e devidamente equipados e de mochilas às costas. A mochila dele com um lanche, a minha com uma espécie de lanche e uma muda de roupa…

Achei que quando deixei o meu filho as pessoas que o receberam pensariam que mãe maluquinha tem este menino, desta idade e anda para aqui de bicicleta…

😛

Deixo o meu filho e sigo para trabalhar… Contudo, pelo caminho faço uma pausa onde está o meu marido com uns colegas.

Tento ‘desafiar’ algumas pessoas para combinarmos noutro dia uma volta porque gosto de “incutir” nas pessoas a vontade de pedalar, sendo que em 99% dos casos não tenho sucesso algum. As pessoas acham que não conseguem, que dói, que não dá, que não têm tempo, que não sabem andar de bicicleta, enfim, é só problemas… E depois eu remato com um de que a primeira vez que comecei a pedalar, há uns (poucos) anos atrás, fiz 14 kms que me pareceram muitos e regressei para casa de boleia…
Silêncio.”… (ler + aqui)

Blog pessoal, às vezes humorístico e quase sempre bicicletário

“O meu blog é acima de tudo pessoal, acontece-me que um das minhas grandes paixões é uma bicicleta e tudo o que vem através dela e acontece-me também de ser essa parte da minha vida que em determinadas alturas mais me inspira a escrever. Ler sobre bicicletas e sobre viagens a pedalar pode ser uma seca para quem vem cá parar e não tem interesse nenhum sobre o assunto, mas isso nunca me importou muito, do blog não espero visitas, não espero seguidores, não espero comentários, só espero que ele esteja sempre disponível, com espaços em branco para eu preencher com pedaços meus, coisa que não me parece muito difícil. Ainda assim, por causa do blog e da bicicleta, ou por causa de escrever sobre a bicicleta no blog surgiu a Susana que encontrou o meu blog por acaso na altura em que estava a dar as primeiras pedaladas e que teve a excelente ideia de me enviar um e-mail, ainda que indirectamente com ela surgiu a Joana (um dia conto-vos a história). E depois a minha Didi também começou a pedalar e a trocar e-mails comigo e a deixar-me muito feliz. Um dia fui reconhecida no meio do monte por alguém que lia o meu blog e também pedala por aí.  Um destes dias a Maria fez questão de me contar que o marido também foi a Santiago de bicicleta mais ou menos na mesma altura que eu, mas parece que ele não viu por lá nenhuma loira de bicicleta cor-de-rosa.”…

(ler + aqui)

 

Publicado em divulgação | Etiquetas , , , , , , , , | 1 Comentário

can’t miss [101] absolute-motors.com

O novo Código da Estrada e os ciclistas

João Moura PSPO artigo de opinião é de João Moura, Chefe do Núcelo de Protocolo, Marketing e Assessoria Técnica do Gabinete de Imprensa e Relações Públicas da PSP:

“Com o novo Código da Estrada (CE) que entrou em vigor a 1 de janeiro de 2014, foram introduzidas algumas importantes alterações quanto à circulação rodoviária e aos seus “atores”. Algumas delas são relativas aos velocípedes (as chamadas bicicletas) que são considerados veículos para todos os efeitos do CE e também “utilizadores vulneráveis” das vias. Temos, portanto, no meio do asfalto e dos motores, um novo elemento perante o qual, de acordo com o artigo 18º nº 3 do CE, os automobilistas devem ter cuidados especiais e são obrigados a manter uma distância lateral de segurança de pelo menos 1,5 metros, mantendo essa distância em caso de ultrapassagem. São considerados utilizadores vulneráveis, por serem os utentes mais frágeis na via em caso de embate/colisão e estarem mais expostos às condições climatéricas, às da via e dos outros veículos.

… trazemos à reflexão algumas questões. Vejamos:
a) Para conduzir uma bicicleta não é necessária qualquer licença/documentação. Isto significa uma responsabilidade acrescida para os condutores de veículos a motor e demais utentes das vias;
b) Nenhum país europeu obriga as bicicletas a possuir matrícula ou seguro, pois são vistas como vulneráveis e como uma massa não causadora de danos avultados em ambiente rodoviário, ou seja, não geradoras de risco para terceiros se comparadas com veículos motorizados. No entanto coabitam e circulam lado a lado com veículos a motor;
c) Os ciclistas podem agora optar por circular nas ciclovias ou na faixa de rodagem, junto do restante trânsito;
d) Gozam da regra da prioridade à direita, deixando assim de terem de observar a cedência de passagem perante veículos a motor”…

(ler aqui o artigo na íntegra)

Publicado em can't miss it | Etiquetas , , , , , , , | Deixe um comentário