“circular por aí a jogar à cabra cega”

o sol
A visibilidade, ou a falta dela, é muitas vezes um problema para quem anda na estrada. Muitas coisas podem reduzir a visibilidade, algumas situações causadas pela natureza das coisas, mas a maioria sempre da responsabilidade do homem. Nós, como fazendo parte da sociedade, não devemos permitir que a fraca visibilidade seja dada como desculpa para ferir e matar outras pessoas.

Circular no Outono, no início da manhã ou no final do dia, quando o sol está mais baixo no horizonte, pode ser ofuscante e causar um problema a quem anda da estrada, automobilistas, ciclistas e peões. A falta de visibilidade é perigosa na medida em que as pessoas podem, repentinamente, cegar com o sol que brilha directamente nos olhos e tornar impossível enxergar a sinalização e quem se atravessa à sua frente. Embora seja mais perigoso para os condutores, o encadeamento pelo sol pode ser também um problema para os ciclistas. Um ciclista pode ferir um peão ou outro ciclista, mas para os automobilistas a história é bem diferente. Se não forem cuidadosos podem ferir gravemente outras pessoas.

Infelizmente, aconteceu há dias atrás um caso desses, o condutor de um veículo ligeiro, um homem de 91 anos (relevo o factor idade) não se apercebeu que uma mulher atravessava a passadeira à sua frente. Devido ao violento atropelamento, a senhora que seguia acompanhada pelo marido sofreu ferimentos graves (aqui ligação para a notícia).

Aparentemente, foi o brilho solar (encadeamento) o factor que contribuiu para o acidente. Confesso que nem sempre é fácil em tais circunstâncias reagir com rapidez, mas os acidentes influenciados pelo brilho solar podem e devem ser evitáveis. Todos os anos, nesta época a determinadas horas do dia o sol está mais baixo no céu do que em outras épocas do ano. Talvez todos nós já tenhamos vivido uma situação semelhante, subitamente levar com o sol em cheio nos olhos ao ponto de cegar, mas o “talvez” não é desculpa para acções negligentes dos automobilistas.

Como ciclistas, devemos ter em atenção quando lemos ou ouvimos histórias destas. Os ciclistas são vulneráveis na estrada e dependem da capacidade do condutor para vê-los e para evitar derrubá-los. A maioria dos automobilistas não sabe adaptar a sua condução às condições extremas. Não importa o quão ofuscante é o contra-luz ou se chove a potes, eles continuam à mesma velocidade, como sempre. Mesmo que sofram de cegueira momentânea há pouca evidência que tomem precauções extras para evitar acidentes. Baixar a pala do lado do condutor de modo a bloquear o sol ajuda, mas na maioria dos casos a pala proporciona pouca melhoria. Deve-se sempre abrandar a velocidade, sobretudo nestas condições, para tornar mais fácil reagir caso alguém encoberto pela luz do sol se cruze no seu caminho. Não devem haver excepções. Uma casualidade destas pode ser fatal e nunca será em tempo algum desculpa legítima para matar pessoas.

n.d.r: a frase com que titulei o post é de autoria de Gonçalo Guerreiro, referida no fórum MUBI, e retrata com exactidão o que se vê (outros não querem ver) nas nossas ruas e estradas.
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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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6 respostas a “circular por aí a jogar à cabra cega”

  1. Gonçalo Guerreiro diz:

    Não era preciso dar a autoria da frase, mas fiquei contente que o fizesse. 🙂
    Boas pedaladas, todos os dias, a qualquer hora e em qualquer lugar!
    Já agora, nunca tinha comentado aqui, mas sou leitor assiduo da casa, e vale a pena. Por isso espero que continue. Cumprimentos! E que estejamos seguros na estrada.

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  2. este é realmente um problema grave, e não é dada a devida atenção. nem há grande divulgação sobre isto (condições de fraca visibilidade), os riscos e como agir.
    já apanhei um susto valente porque não vi um autocarro devido ao sol. parece incrível, mas não vi mesmo um autocarro!!!!
    bom post!

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  3. Munir A. Ramejanali diz:

    Bom dia!

    Acho que é o assunto de extrema importância, e quase sempre esquecido. Sou condutor habitual e nesta época especialmente, deparo-me com esta situação bastante desagradável e potencialmente perigosa. É de realçar que os condutores continuam a fazer muito pouco ou quase nada para evitar certos acidentes, já sejam eles entre viaturas ou com outros utilizadores da via. Aproveito para lhe felicitar pela qualidade do posto. Muito bom!

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  4. paulofski diz:

    O seu a seu dono 🙂 Obrigado pelo comentário Gonçalo. Sempre nabicicleta. Cumprimentos

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  5. paulofski diz:

    como já diz o ditado, “é melhor prevenir do que remediar”. Medir as condições de luminosidade e moderar a velocidade será sempre a melhor reacção, tanto do automobilista como do motociclista. Enquanto ciclistas uma boa dica para nos tornarmos visíveis até de dia é circular com as luzes da bicla ligadas. Obrigado pelo comentário Paulo.

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  6. paulofski diz:

    Moderar a velocidade, abrandar e até parar, passa sempre por será sempre a melhor acção de um automobilista perante uma situação emergente de falta de visibilidade. Obrigado pelo comentário, volte sempre.

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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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