
… das várias que “não é bem uma peregrinação” mas que já se tornou uma tradição!

… das várias que “não é bem uma peregrinação” mas que já se tornou uma tradição!
Ontem à tarde, quando me preparava para pedalar depois um dia de trabalho, apercebi-me que tinha um problema. Ora, quando um dos pneus da bicicleta não tem ar, o viajante não deve pendurar-se em cima dela! E porque o regresso a casa pode tornar-se num simples passeio a pé com a bicicleta ao lado, mesmo sob um chuvisco persistente, percorri a curta distância a par com a bicla na mão e fui aproveitar os ares da Veloculture Palácio. Então, a frase: “A União Europeia é uma bicicleta sem ar nos pneus”, que Martin Schulz, Presidente do Parlamento Europeu, atirou esta semana para a imprensa, ecoou na minha cabeça. Sim, na prática, uma bicicleta sem ar nos pneus não vai longe, mas sempre há uma forma de o voltar a encher! E foi o que fiz com a ajuda do Ben.
Contudo, e voltando à frase do dito senhor, a imagem é muito complacente com as questões de equilíbrio, tanto do financeiro como do político, da União Europeia. O problema da UE, é que sendo uma bicicleta anda há muito tempo com a direcção desalinhada, corrente ferrugenta e pedais torcidos. É preciso sermos muito ingénuos para acharmos que a União Europeia é uma bicicleta, e muito menos uma bicicleta de corrida. Lá terá as suas virtudes, que até tem, mas está corroída em diversos pontos, é guiada por incompetentes, anda desafinada por burocratas e tecnocratas, que, mais do que fazer a Europa seguir em frente, andam mais preocupados com o seu umbigo e com o seu pecúlio, e menos com a União e a Europa.
…“No princípio era a solidariedade. No princípio era a ideia de que todos os membros do clube se deveriam entreajudar para caminharem para um nível de vida mais ou menos idêntico – e havia fundos estruturais específicos para isso. No princípio só havia decisões tomadas por unanimidade. No princípio as presidências da União Europeia eram rotativas semestralmente entre os Estados membros. No princípio, a Comissão Europeia era a grande defensora dos países mais pequenos e fazia o contraponto aos interesses dos grandes. No princípio havia o eixo Berlim-Paris, mas as decisões eram depois tomadas nos Conselhos Europeus.”…
Estava marcado para ontem às 18h30 no centro de Lisboa. Objectivo? Protestar buzinando contra as obras de requalificação no Saldanha e em Picoas, projecto da Câmara de Lisboa para o Eixo Central, entre a Avenida Fontes Pereira de Melo e Entrecampos. Partilho algumas noticias, com testemunhos e tudo, dos ruidosos vs a marcha silenciosa:
“O buzinão afinal foi uma buzinadela, isto porque pouco se fez ouvir e menos ainda influenciou o trânsito. Aliás, há quem diga que às 18h30 de uma terça-feira havia menos confusão no Marquês de Pombal do que é habitual. A ação foi promovida por um grupo de lisboetas indignados com as obras de requalificação da Câmara de Lisboa no Saldanha e em Picoas.
Entre os carros apareceram as bicicletas, também em modo de contestação, mas não contra as obras – contra o buzinão. O protesto silencioso foi organizado pela Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta (Mubi). Em contraste com os automobilistas, os ciclistas são a favor das obras na capital, que preveem mais ciclovias.”…
(ler todo o artigo em: expresso.sapo.pt)
…”…“Aquilo que essa manifestação (businão) pretende é manter as coisas como estão. E a situação actual é péssima para quem se desloca de bicicleta para o trabalho ou para ir levar os filhos à escola”, afirma o economista, que pertence à direcção da Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta (Mubi). “Existem muitas pessoas ansiosas por ver uma melhoria”, garante.
Quanto ao projecto que vai ser executado no Eixo Central, entre o Marquês de Pombal e Entrecampos, João Bernardino lamenta “a opção tomada à última hora pela câmara, sem qualquer discussão pública e sem o envolvimento dos utilizadores de bicicleta”. Em causa está o facto de, dias antes ao arranque da empreitada, ter sido divulgado que afinal as duas ciclovias previstas iam ser substituídas por apenas uma, bidireccional, com o objectivo de garantir um maior número de lugares de estacionamento à superfície.
“Não se troca a segurança das pessoas por mais lugares de estacionamento à borla para uns poucos”, condena o economista, que fala numa “troca nada aceitável”.
Para justificar a crítica, João Bernardino sublinha que “as ciclovias bidireccionais em meio urbano de um modo geral são perigosas”, tratando-se de “uma opção que foi abolida há décadas” na maior parte das cidades. Mas são “inseguras” porquê? Essencialmente, diz, porque “os automobilistas não estão à espera de ver ciclistas a aparecer dos dois lados”, situação que “aumenta o risco de acidente”.”…
(ler todo o artigo em: publico.pt)
…”Moradora há mais de 20 anos na Avenida da República – artéria que vai sofrer alterações -, Maria Gonçalves disse que “os constrangimentos das obras são totais”, criticando a falta de planeamento da Câmara de Lisboa por não ter disponibilizado à população informação sobre o projeto.
Para Maria Gonçalves, “não são de todo” necessárias estas obras, acrescentando que “há tanta coisa para fazer” em Lisboa, desde recuperar passeios à pavimentação das ruas.
Com uma opinião diferente, Ladislau Ferreira, morador na zona do Arco do Cego e utilizador de bicicleta, considerou à Lusa que a intervenção “é uma necessidade municipal” e que “há muito tempo que as obras deviam ter sido impostas”, uma vez que vai “facilitar” a mobilidade aos ciclistas.
“Todos somos peões”, leu-se no cartaz do lisboeta Filipe Beja, considerando que todos os cidadãos devem ter o direito à mobilidade pedonal em primeiro lugar, antes mesmo dos ciclistas, dos automobilistas e dos motociclistas.
Vinda de bicicleta, Bianca Jeremias, de 26 anos, que nasceu na Alemanha e vive em Lisboa há cerca de sete anos, disse que quando chegou a Portugal deixou de usar a bicicleta para as deslocações diárias, uma vez que “as condições não são boas”.
Recentemente, Bianca decidiu começar a pedalar por Lisboa, motivo pelo qual decidiu participar no “passeio silencioso em protesto contra o buzinão”, convocado pela Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta (Mubi), considerando que a paragem das obras “é um passo atrás para a evolução” na mobilidade sustentável na cidade.
Cerca de 30 ciclistas pedalaram em torno da rotunda do Marquês de Pombal, enquanto os automobilistas buzinavam.
Para o ciclista Rui Martins, de 68 anos, o protesto dos automobilistas é “absurdo”, argumentando que “qualquer coisa que reduza o tráfego é positivo para toda a gente”.
Um dos promotores da iniciativa dos automobilistas, Francisco Teixeira caracterizou o buzinão como “um ato cívico” para manifestar a “insatisfação a uma obra sobre a qual não foi ouvida a população de Lisboa”, acrescentando que “o objetivo foi plenamente atingido”.
“Estou muito satisfeito, porque foi bem audível a participação das pessoas, o que mostra que nem sempre aquilo que é decidido num gabinete está de acordo com aquilo que a população sente e aquilo que a população deseja”, declarou à agência Lusa Francisco Teixeira, após a realização do protesto.”…
(ler todo o artigo em: noticiasaominuto.com)
Uma das mais maiores aplicações, senão a mais popular usada por ciclistas em todo o mundo para registar as suas viagens, a Strava, reservou o dia 10 de Maio como o Global Bike to Work Day, ou melhor, o dia mundial de bicicleta para o trabalho.
Basicamente, não só mas especialmente, é para quem gosta de pedalar e registar o treino ou passeio na aplicação. Este é o dia para deixar o carro em casa e usar a bicicleta também como meio de transporte. Ir de bicicleta para o trabalho pode ser complicado para alguns, ainda mais se não estiver acostumado com a rotina ou ainda não iniciou este hábito, e é por essa razão que a Strava convocou os seus utilizadores, ciclistas de todo o mundo para participar do Global Bike to Work Day. É uma excelente forma de encorajar velhos e novos ciclistas (afinal não é mais do que já havia sugerido aqui há uns bons anos) a apoiar, difundir e fazer parte da campanha “Commutes Count” (ir para o trabalho também conta), em prol de melhores infra-estruturas, para peões e ciclistas. Alguns países têm um “dia da bicicleta para o trabalho”, outros não. Agora existe pelo menos um para cada ciclista, e é o mesmo dia, independentemente do local onde viva.
O evento faz parte do programa Strava Metro, que usa cada pedalada que registamos no Strava com a tag “Commute” (ida para o trabalho) para gerar uma imagem de quais caminhos os ciclistas mais usam para ir para o trabalho e assim permitir que urbanistas e departamentos de trânsito locais possam trabalhar em melhorias nessas áreas especificamente. Quanto mais idas ao trabalho forem registadas, mais claras serão as análises dos departamentos envolvidos. Mais de 70 organizações em todo o mundo já usaram esses dados para implementar melhorias em ciclovias e infra-estruturas, um movimento global que ajudará na construção de cidades mais amigáveis para os ciclistas.
Ora, como uso regularmente a bicicleta como meio de transporte, e por vezes registo as minhas viagens de pedal na aplicação, também participei no evento registando a minha pedalada matinal para o trabalho. A contribuição é curta mas foi de bom grado: 4,5 km em 15 minutos. É o que faço habitualmente todas as manhãs. Já o regresso, esse pode ser variado, pois a premissa do horário a cumprir não é tão rigorosa. Devido à chuva, hoje a escolha da bicla ideal recaiu na Maria Del Sol, a minha bicla guarda-chuva que me fez chegar sequinho e pronto para mais um dia de trabalho.
Para participar do Global Bike to Work é bem simples. Tudo que precisas fazer é pedalar hoje, do ponto A ao ponto B, e registar a tua pedalada na aplicação usando a tag: #CommutesCount.

Aí estão as primeiras chuvas de Maio, tépidas, que não obrigam à alteração do guarda-roupa, pensava eu! Ao contrário dos hábitos de velhos tempos, nem a “roupa de meia estação” temos como garantia. Isto da Primavera é um eufemismo para falar das alterações climáticas, transições drásticas entre as sucessivas estações do ano. Tão depressa está um típico dia de Verão como no dia seguinte voltamos a calçar as galochas. Passados alguns dias de bom tempo e calor, houve peças que saíram do guarda-roupa e outras que voltaram para lá bem guardadas, não só porque desejava um vestuário mais prático mas também porque pensava que o sol tinha vindo para ficar. Bem me enganei. Lá nos teremos de habituar ao descontrole da nossa atmosfera, às estações do ano que andam ao saltos para o colo umas das outras até se confundirem, confundirem os pássaros e os ciclistas. A desconfiança eterna a que são votados os senhores da meteorologia, esses “mentereologistas”, teremos de dar mais crédito às suas previsões e não arriscar uma valente molha, saindo de casa com a vestimenta e a bicicleta certa. Pois abafem-se, que a semana que aí vem continuará bem fresquinha e demolhada…
Nesta coisa dos dias mundiais, celebrações, efemérides, etecétraetal, ouvi dizer, para meu espanto, que hoje, 5 de Maio, é o Dia Mundial do Trânsito e da Cortesia ao Volante. Concordando plenamente, no motivo reza o seguinte:
“Apesar da cortesia ao volante ser um dever de todos os condutores durante todo o ano, neste dia relembra-se a importância de ser cortês ao volante. Como a estrada pertence a todos, deve-se estar atento a todas as movimentações, respeitar os limites de velocidade e as prioridades, ceder a passagem, dar sinais de mudança de trajetória, entre outros comportamentos.”
Hoje nada tenho a registar, tudo pacífico, mas no meu commuting diário, em ciloviagens e treinos afins, infelizmente nem sempre é assim. A cada dia que passa sou testemunha de todo o tipo de transgressões rodoviárias, de automobilistas que reclamam com outros automobilistas, abespinham-se contra os peões e ciclistas, na correspondente medida ao número dos utilizadores da via. Confesso que nem sempre devolvo com um sorriso os insultos que os automobilistas me enviam. Qualquer “ciclismo agressivo” da minha parte é o resultado de alguma condução agressiva e imprudente que acontece ao meu redor.
É verdade que a bicicleta me dá liberdade mas não toda a que preciso. Não pretendo aqui defender o mau comportamento do ciclista para denunciar a comunidade de automobilistas intolerantes. Eu, como muitos outros, faço da bicicleta o meu estilo de vida e não apenas um exercício. Existem muitos estilos de condução com que temos de contar, o que leva os utilizadores mais vulneráveis, os peões e os ciclistas a várias situações de risco. Num interesse de trazer este assunto para tema de conversa, eu coloquei no papel a minha própria abordagem como viajante regular de bicicleta em determinadas situações. Também, porque a minha abordagem ao ciclismo é um pouco diferente da opinião de outras perspectivas que vou testemunhando, para quem tem de conviver no trânsito com muitos comportamentos errados que transformam o mais pacato cidadão (ao volante, apeado ou num selim) em tudo menos num pacifista.
Eu não utilizaria a faixa de rodagem e o espaço disponível para passar entre os carros engarrafados se não soubesse de antemão as mínimas condições de segurança. Se a minha imprevisibilidade em cima de uma bicicleta faz temer alguém ao volante, então basta que diminua a velocidade e preste mais atenção à minha pessoa. Eu tenho todo o direito de estar ali, utilizando o meu meio de transporte, e não deveria ter de colocar a armadura de cada vez que saio a pedalar. Todos os dias assisto a condutores acomodados ao seu ar condicionado, homens e mulheres de todas as idades tendo o seu momento de cidadania com o dedo na buzina e o pé no acelerador. Valentes destemidos, a emitir gazes, a ouvir música e a falar ao telefone. Mesmo um ciclista com as coxas de um sprinter não pode superar as leis da física. São as leis de Newton que regem o movimento de um veículo de propulsão humana, superando a lei vigente do código de estrada. Uma aceleração dos pedais exige sempre esforço físico e algum ímpeto. A gravidade é uma coisa difícil de superar em cima de uma bicicleta e para evitar uma escalada punitiva eu opto pelo caminho mais longo. Mesmo se a colina constituir ameaça eu posso-a dominar, tenho esse direito de escolha. O que não tenho é o direito de ser mal educado, só que…
Apesar de carros e bicicletas habitarem num ambiente similar, cada qual requer uma forma diferente de utilização. Devemos ser capazes de conviver em conjunto e isso significa mover-se no mesmo caminho, da partilha, do civismo, seguindo à risca as regras de segurança e em alerta perante os veículos e peões ao nosso redor. Com uma massa muito menor, comparado a um carro, cada tampa de saneamento, cada buraco na estrada tem o potencial de arruinar o dia a um ciclista, por isso o metro e meio de distância mínima que o CE prevê como margem de segurança para a ultrapassagem do automobilista ao ciclista faz todo o sentido.
Tenho de admitir que demorou algum tempo para chegar ao ponto de pedalar com confiança, como eu faço actualmente. Devido à minha avaliação do estado actual da cultura ciclista (e cultura da estrada como um todo), devemos usar o direito que nos assiste em utilizar e partilhar as ruas com os carros, sem ficar com raiva dos seus donos e vice-versa. As bicicletas são veículos de pleno direito nas ruas e nas estradas. O road rage não leva a lugar algum. Vamos continuar a fazer da cultura da bicicleta o melhor dos mundos, e se mantivermos a paciência, o respeito e a previsibilidade do nosso comportamento, ajudamos a tornar as estradas mais seguras. Um pouco mais de paciência, civilidade e respeito poderia fazer muito para manter todos seguros e felizes nas ruas e estrada desta terra.
E já agora, como o 5 de Maio também é o Dia da Higiene das Mãos, vamos lavá-las muito bem e evitar usá-las para gestos obscenos e cenas tristes.
Para começar pega nela, qualquer uma, mesmo aquela bicla velha de pneus vazios e corrente enferrujada que tens há muito esquecida. Enche-lhe os pneus, unta-lhe a corrente, monta-a delicadamente e impulsiona os pedais. Dizes que vais ficar com as pernas e o rabo doridos. É bem provável, mas o meu palpite é que ela te vai fazer sorrir, recordar velhos tempos, evocar a criança que explorava o mundo e arredores em aventuras com os amigos. Dá-lhe um par de semanas sentado no selim e verás como o teu corpo se volta adaptar a ela. Redescobres a sua simplicidade, a geometria, o peso, os travões, a largura dos pneus. Uma estrutura simples com duas rodas e um par de pedais, que movidos pelo fogo dos músculos te dão uma sensação de liberdade. Há algo organicamente gratificante sobre o acto de usar a própria força e provocar movimento, velocidade, inclinação, vibrações e vento no rosto. Há a mudança de cenário, o poder ver, sentir e cheirar. Gozar do que a liberdade traz consigo, uma sensação de autonomia, um senso de proeza. E a bicicleta oferece-te tempo. Tempo para alcançar, para conhecer, para acompanhar ou ficar sozinho. Um simples passeio de bicicleta é muitas vezes um momento em que podemos gerar ideias, procurar uma melhor maneira de fazer as coisas, sonhar novas abordagens para a felicidade. As minhas bicicletas são um refúgio, o meu compromisso para uma vida melhor. É a antítese entre ficar enclausurado numa cápsula de anonimato ou, de um modo peculiar, manifestar os meus sentimentos ao mundo.
“Subo e desço este rio
Da Miranda ao Araínho
Sob a torreira e o frio
Faço a escarpa brotar vinho…
Rio abaixo rio acima
A dar aos remos no rabelo
Rio abaixo rio acima
Sayago paira por cima
O sonho vira pesadelo…
Vinha eu no meu caíco
A ouvir das águas do Douro
Velhas lendas de fronteira
Entre o cristão e o mouro”
Foi a letra da canção Sayago Blues escrita por Carlos Tê e cantada por Rui Veloso que me inspirou a voltinha de ontem, uma espécie de Brevet pessoal que repeti na companhia do meu grande amigo Rui. Pedalar de casa à casa da minha mãe, à aldeia dos meus avós, um Lugar cativo no meu coração, conviver com os meus tios para voltar logo a seguir. Rio acima, rio abaixo, acompanhando o Douro que deslizava encorpado, gelatinoso, cor de chocolate, deixando um convite para abalarmos na força da sua corrente.
Com sono e genica, pela N108 segui viagem em boa companhia para um reencontro com a emoção, para um Lugar que tem lugar cativo no meu coração, não me canso de repetir. Freixo, Foz do Sousa, Barragem, Rio Mau, Entre-os-Rios, Alpendorada, Pala. A manhã estava uma delícia e o tempo passou depressa, a viajar suavemente ao despique do vento com as subidas, ritmado pela própria cadência do Douro. A nuance em relação a pedaladas anteriores junto ao rio foi atravessá-lo para a outra banda, para Porto Antigo pela ponte de Mosteirô.
Inspirar o aroma da terra, a pureza e a braveza das encostas, o impulso que sinto ao passar de novo por estes caminhos de solidão com a sensação de estar a sonhar acordado. Chegamos a Resende e logo depois saímos da N222 para descer a toda a velocidade e atravessar de novo o Douro, agora em câmara lenta pela Ponte da Ermida. Lembra-me a minha mãe quando nos dizia: “já cheira a Castelo”. Cheguei a casa, ao Lugar do Castelo, e na casa dos Lírios nos sentamos à mesa com os meus tios, contando as peripécias da aventura e matando saudades.
Regressamos ao Porto pela N108, barrigas saciadas, alma cheia. Balouçando sob um quadro rodado que alberga certezas e ilusões nesta tranquila e deslumbrante liberdade que é pedalar, íamos devegarinho. E como bem sabemos, quem pedala tem a forte probabilidade de encontrar amigos ao contornar uma curva. Foi o que veio a acontecer. Para abrilhantar o passeio, tivemos a companhia por algum tempo da Rita e do Vítor, nossos amigos, cicloturistas fantásticos que pedalam para bué, bué de longe. Num percurso tripartido pelo fim-de-semana prolongado, completavam a última etapa dos 350km que bem pedalaram.

Rico dia, o Dia da Liberdade, da liberdade que é o espaço que a felicidade precisa.