dicas para uma pedalada com segurança

Na circulação rodoviária, urbana e campestre, há varias situações potencialmente perigosas com que regularmente me deparo, motivadas tanto pela aselhice como pela teimosia de “sérios” automobilistas, entre as quais destaco:

  1. Muitos automobilistas não cumprem a distância mínima de segurança de 1,5m quando ultrapassam o ciclista.
  2. Alguns automobilistas não obedecem aos sinais de “STOP” e adoram entrar à lá garder nos cruzamentos quando avistam um desembestado ciclista na sua direcção.
  3. Alguns automobilistas pelam-se por ultrapassar o ciclista para, de imediato, virarem à direita, interpondo-se na sua linha circulação e arriscando um risco na lateral do veículo.
  4. Num cruzamento ou intersecção, alguns automobilistas quando viram à esquerda (o pisca ligado já é uma sorte) metem-se à frente do ciclista que quer seguir a direito.

Estes erros serão porventura a causa de muitos acidentes e atropelamentos no universo ciclista, nunca “estatistiquei” a fundo, mas já tive várias amostras para um colorido gráfico de barras. Nas recentes semanas tivemos infelizmente várias notícias de atropelamentos de ciclistas, inclusive entre os mediáticos profissionais do World Tour durante os treinos e provocados pelo mesmo denominador comum, o automóvel. A recente morte de Scarponi abalou o pelotão e esta semana foi Froome a sentir na pele a “impaciência” de um automobilizado.

Isto leva-me a reflectir e reservei o post de hoje para  relembrar algumas sugestões defensivas que devemos tomar, seja quando vamos pedalar para o trabalho, seja num treino mais puxadito:

Sê visível

Depois de um ciclista ser obstruído ou mesmo atingido por um automobilista, as primeiras palavras que se ouvem da sua boca geralmente são: “- Eu nem o/a vi!. Para se precaver o ciclista deve ser cauteloso em condições de pouca luz. Equipar a bicicleta com boas luzes, nocturnas e diurnas, usar roupas coloridas e reflexivas, reduz o risco de nos tornarmos invisíveis na estrada e permitir a desculpa de sempre dos automobilistas, que não nos viram!

Sê previsível

Uma vez na estrada o ciclista deve seguir as regras do Código da Estrada! Deve respeitar a sinalização, prestar atenção aos restantes veículos e peões com que pode cruzar e não seguir contra o sentido do trânsito.

Dar um sinal da nossa graça, indicando com os braços para onde queremos virar, vai ajudar os outros utilizadores da estrada a prever o nosso curso de acção. Quanto mais previsíveis forem os nossos movimentos, não ziguezaguear de um lado para o outro da via, manter quanto possível um rumo certinho, deixamos o automobilista mais seguro nas suas decisões e acções

Mantém o contacto visual

Nas intercepções, certifica-te em fazer contacto visual com os automobilistas de forma a ter a certeza de que eles te estão a ver antes de fazeres qualquer manobra. Se eles estão distraídos não tenhas receio de dar o alarme para obteres a sua atenção. Enquanto as buzinas, campainhas e apitos são úteis para algumas situações, uma boa dica é estar sempre pronto para assobiar ou mesmo gritar. É imediato e, assim como assim, nem é preciso usar nenhuma das mãos.

Ponderar e calcular as intersecções

Alguns dos acidentes de carro-bicicleta ocorrem bem no meio dos cruzamentos. Um automobilista que vira para a direita pode não te ver. Outro cenário a considerar é quando um carro vira à esquerda enquanto pretendes seguir em frente. Quando o automobilista pretende mudar de direcção e vê o ciclista a andar devagar, pode pensar de terá tempo suficiente para cruzar na sua frente. Pedalar forte através dos cruzamentos e intersecções pode dissuadi-los, pelo menos, de tentar.

Pedalar no centro da via

Algumas vezes os ciclistas colocam-se demasiado encostados à berma direita da estrada. É um instinto de protecção frequente mas errado. Isso torna mais difícil o ciclista ser visto e convida os automobilistas a ultrapassá-lo demasiado rente.

Dá a ti mesmo uma certa distância das portas de veículos estacionados. A última coisa que vais querer acontecer é “levar” com uma porta por alguém que, sem olhar, decidiu sair do carro! Espreitando os espelhos retrovisores podes conferir se os veículos estão ocupados e potencialmente perigosos.

Fica fora do ângulo morto

Evita parar mesmo ao lado do carro à tua esquerda quando parares num semáforo ou sinal de stop. O automobilista pode não te ver e ter uma atitude surpreendente, virando o carro sobre ti. Procura sempre que possível te colocar à sua frente. Alternativamente, podes parar atrás do carro, assim podes ver para onde o carro vai virar.

Estar sempre pronto para fazer uma manobra rápida ou uma travagem súbita. A capacidade de prever, travar ou virar rapidamente pode salvar o dia. É providencial estarmos com o guiador firme nas mãos, aproveitar algum tempo de reacção e espaço livre para uma manobra de emergência.

Boas pedaladas.

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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4 respostas a dicas para uma pedalada com segurança

  1. Automobilistas a ultrapassar o ciclista para, de imediato, virarem à direita é o Pão Nosso de cada dia no final da Av. Lusíada, em Lisboa. Infelizmente, mesmo assinalando que vamos seguir em frente, e mesmo seguindo a 30 km/h, há alguns que ignoram e se atravessam…

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  2. paulofski diz:

    é verdade, infelizmente, e o testemunho desta ciclista é a mostra desse desrespeito http://www.ciclosfera.com/harta-de-los-coches-video-ciclista/.

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  3. A questão é que é geralmente verdade, quem diz que “não te vi”. Os que fazem as asneiras tendo-nos visto normalmente defendem-se acusando-nos de algo (chega-te para a direita, etc). A questão é saber em que situações a pessoa poderá não nos ver e procurar evitá-las. A grande maioria das pessoas não tem desejo nenhum de ferir ou matar ninguém. Tem que haver mais e melhor educação, claro, e fiscalização, dos automobilistas (que são quem traz a ameaça e o perigo para as ruas e estradas) mas está nas nossas mãos, ciclistas, aprender a evitar armadilhas, independentemente do conceito inútil (porque não previne, só remedeia) de culpa.

    Alguns conceitos úteis aqui: http://escola.cenasapedal.com/blog/

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  4. paulofski diz:

    Origado pelo comentário Ana, e pelo vosso trabalho e incentivo em prol da utilização da bicicleta.

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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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