escritinho* [6] sushi & stuff

(*) sem tirar nem pôr

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passe a publicidade [80] PG Bugatti Bike, a bicicleta mais leve (e provavelmente a mais cara) do mundo

“Consciente de que o Chiron é capaz de não ser o meio de transporte indicado para deslocações em ambientes urbanos, a Bugatti juntou-se ao fabricante alemão de bicicletas de luxo, PG, para desenvolver uma bicicleta citadina. Quando o modelo que serve de inspiração é aquele que está prestes a reclamar o título de automóvel de produção mais rápido do mundo, a PG Bugatti Bike só podia ser especial.

Recorrendo ao carbono e a tecnologias de construção e desenho próprias da competição e da aeronáutica, o fabricante alemão criou uma bicicleta única, com apenas 5kg. Não há mais leve no segmento das bicicletas urbanas. Nem com mais carbono, afinal 95% da PG Bugatti Bike é fibra. Quadro, forqueta, rodas, espigão do selim, pedaleira, guiador e estrutura dos travões, tudo em fibra de carbono e encomendado aos especialistas italianos da Merelli. […]

(podes ler o artigo competo em http://www.turbo.pt/bugatti-duas-rodas/)

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novidades

Já existe um guia para quem gosta de pedalar na região

“Quem gosta de pedalar asfalto fora para descobrir destinos turísticos tem agora um bom motivo para escolher o Algarve. A Região de Turismo do Algarve (RTA) acaba de editar o primeiro guia de percursos de ciclismo de estrada do Algarve, desafiando principiantes e ciclistas experientes a pegarem na bicicleta para desbravarem 16 concelhos durante o ano.
É inédito, tem quase 90 páginas e 41 trajetos definidos para dar uso ao pedal: o guia publicado pela RTA em parceria com a Federação Portuguesa de Ciclismo pretende promover as excelentes condições do destino algarvio para atividades ao ar livre, em especial para o ciclismo e cicloturismo.
Os percursos abrangem todos os concelhos da região e estão segmentados por níveis de dificuldade, do mais fácil ao mais exigente.“Este guia é inovador. Trata-se da primeira publicação do género editada na região e surge um ano depois de termos começado a desenvolver o ‘Cycling & Walking’ no Algarve, um nicho turístico relacionado com o produto de turismo de natureza. Com ela queremos mostrar que temos ótimas condições para a prática do cicloturismo e do ciclismo, responsáveis por vários milhões de viagens anuais na Europa”, afirma o presidente da RTA, Desidério Silva.”

(fonte: http://www.jornaldoalgarve.pt/ja-existe-um-guia-para-quem-gosta-de-pedalar-na-regiao/)

Escola de Educação Rodoviária de Braga ensina a pedalar

“A Escola de Educação Rodoviária de Braga volta a abrir as portas no próximo sábado, 3 de junho, para a realização da segunda sessão do programa ‘A pedalar estamos a exercitar!’.
A iniciativa, promovida em colaboração com a Associação de Cicloturismo, vai decorrer nos primeiros sábados de cada mês, dando a possibilidade a todas as crianças de aprender a andar de bicicleta ou a melhorar a sua performance.
A atividade, dirigida a crianças a partir dos 5 anos, irá decorrer entre as 15h00 e as 17h30.”

(podes ler o artigo completo em https://bragatv.pt/?p=12104 )

World Bike Tour regressa a Lisboa a 23 de Julho

…”É já no dia 23 de Julho e com muitas novidades! Na manhã de 23 de Julho voltamos a percorrer a cidade com milhares de pessoas num passeio de bicicleta inesquecível. Temos um novo percurso e novas modalidades de inscrição.

Modalidades de inscrição:

Opte pelo KIT BIKE OFERTA (75€) e receba uma bicicleta ÓRBITA, mochila, t-shirt, capacete, pochete e dorsal.

Ou então, escolha o KIT BIKE PRÓPRIA (12€), participe com a sua própria bicicleta e receba uma mochila, t-shirt, capacete, pochete e dorsal.

Fique atento, porque vamos abrir as inscrições nos próximos dias.
Mais informações brevemente em www.worldbiketour.pt .”

(podes ler artigo completo em: http://abertoatedemadrugada.com/2017/05/world-bike-tour-regressa-lisboa-23-de.html)

 

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can’t miss [178] ecoescolas.abae.pt

A Serpente Papa-Léguas

“A Serpente Papa-Léguas – Jogo da Mobilidade é uma campanha criada para incentivar as viagens sustentáveis nas idas para a escola (a pé, de bicicleta ou de transportes públicos), e que tem as crianças e os seus pais como o principal público-alvo. A campanha consiste num jogo de fácil implementação e, além de participar no jogo, cada escola aderente é encorajada a organizar outras actividades e a proporcionar acções educativas sobre segurança rodoviária e mobilidade, questões ambientais e de saúde.

Qualquer escola do pré-escolar ao 3º ciclo pode participar. Cada escola define as suas próprias metas de melhoria das viagens em modos de transporte sustentáveis, no início da implementação da campanha. O Jogo é sempre gratuito para as escolas.

Jogar online

Via TSG 2.0 a escola pode jogar online através de um quadro interactivo ou um computador com internet. O TSG 2.0 também inclui um conceito gráfico que varia com a pontuação, o que traz um look interesante na página da escola. Foi introduzido nas páginas da escola como um cabeçalho, que mostra um modelo de uma cidade. Quanto mais viagens sustentáveis forem registadas, mais limpa se tornará a cidade, ao longo do decorrer da campanha. As escolas podem ver e comparar os resultados de todas as edições na página da escola e isso oferece-lhes a oportunidade de acompanhar as mudanças ao longo dos anos.

Veja o vídeo explicativo aqui

O Ponto Focal Nacional é a ACA-M – Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados.

Contactos – e-mail: aca-m@aca-m.org | tlm.: 931406941″

(fonte: https://ecoescolas.abae.pt/projetos-2016-2017/papa-leguas-2/)

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reciclando [31] marcar o ponto

Optar pela bicicleta para o trabalho, para os afazeres diários ou para um simples passeio, tem se tornado mais popular entre as pessoas. No Porto e arredores, apesar de diversas dificuldades enfrentadas pelos ciclistas, os exemplos multiplicam-se a cada dia.

É o meu caso. Todos os dias, após o pequeno-almoço, saio de bicicleta para o trabalho. A saudável rotina de pedalar até ao centro da cidade, faça sol ou faça chuva, já dura há varios anos. A minha residência dista cerca de quatro quilómetros do meu local de trabalho e para chegar ao serviço levo aproximadamente 15 minutos, nas calmas. Além de poupar tempo, o uso da bicicleta tem outros inúmeros benefícios. Ao optarmos pela utilização diária da bicicleta para o trabalho, pensamos na nossa qualidade de vida, poupamos na carteira, contribuímos para o meio ambiente, e é menos um carro a circular na cidade. Ficar preso no trânsito, para além de um contratempo é burrice.

A minha escolha nem sempre é compreendida por algumas pessoas. Depreendo isso pela forma como alguns automobilistas me ultrapassam e viram à minha frente. Outros consideram que pedalar na cidade é bastante perigoso! Crêem que sou louco ao pedalar em dias de temporal! Além das actividades diárias na bicicleta, pedalo dezenas de quilómetros por semana por puro prazer. Acredito que se não fossem as dificuldades que enfrento muitas outras pessoas fariam o mesmo.

O número de automóveis que circula nas cidades aumentou muito. Os gestores municipais perceberam esse problema e olham agora para a bicicleta como uma opção válida de mobilidade. Bem ou mal, existem hoje mais ciclovias, há mais estacionamentos para bicicletas espalhados pela cidade, a legislação rodoviária reconheceu direitos à bicicleta e decretou deveres ao ciclista. Ainda há muitos buracos na estrada mas, mesmo assim, a pedalada vale a pena.

Boa semana e boas pedaladas.

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depois da descoberta, a gastronomia do Maria Rita


Se a longa jornada anterior tinha sido dedicada à descoberta do lugar onde iríamos pernoitar, o dia seguinte seria todo ele para desvendar a aldeia do Romeu e os seus encantos. O sol despertou, a preguiça e a estafa não me prenderam à cama. Fui espreitar pela varanda e… Que manhã incrível! Nem uma nuvem à vista, apenas uma brisa amena e a promessa de um dia fantástico.

Domingo, dia da Mãe… um sorriso e uma lágrima marota de saudade se soltou. Depois de algumas arrumações na bicicleta, a manhã foi reservada para outro tipo de andanças. E por falar em “reservada”, já nos haviam avisado de véspera que a gastronomia no Maria Rita poderia estar comprometida. As mesas do restaurante estavam todas reservadas! – Oh… diacho! Depois do pequeno-almoço saí munido do telelé para fotografar e descobrir a aldeia das rosas. Romeu é um belo povoado de casas graníticas com muitos ex-líbris: a capela, os fontanários, a loja, o Museu das Curiosidades… E eu cheio de curiosidade! A aldeia é pequena, no entanto está repleta de história e histórias. O restaurante Maria Rita, ainda fechado e sem os aromas das panelas, já me abria o apetite.

Não havia dúvidas que a casa secular convidava a entrar e sentar-se à mesa. Antes mesmo de contar qual foi o “prato do dia”, deixo alguns apontamentos sobre a sua origem: Em 1874, após uma viagem de quatro dias até aos montes e planaltos do nordeste transmontano, Clemente Menéres chega a Romeu para comprar sobreirais que, ouviu dizer, por lá havia. Na sua biografia “Clemente Menéres 40 Anos de Trás os Montes, 1915”, escreveu o seguinte:

“Cheguei à povoação do Romeu às 4 horas da tarde do dia 18 de Maio de 1874. Procurei uma estalagem e encontrei a única que lá existia e que era da Sr.ª Maria Rita que, por signal, nada tinha que nos dar de comer. Mandei então assar bacalhau, acompanhado, a primeira vez para mim, de pão negro de centeio…”

Ex-emigrante no Brasil, negociante e empreendedor viajado pelo mundo inteiro, chegou do Porto à procura de negócios e ficou rendido à beleza natural e potencialidades da região. Em Jerusalém do Romeu fixou residência e fundou a Casa Menéres. Criou uma vasta propriedade, a Quinta do Romeu, dispersa por oito concelhos do distrito de Bragança e “de pedras fez terra”. Notabilizou a região com a exploração do sobreiro, refez vinhas que encontrou dizimadas pela filoxera e alargou os olivais que existiam para a produção do azeite. Mobilizou esforços para a construção da linha férrea do Tua. Manteve vários negócios na região do Porto e durante alguns anos dirigiu a Associação Comercial do Porto. Fez também parte dos corpos gerentes de várias instituições de beneficência da Cidade Invicta, onde veio a falecer em 1916. A Câmara Municipal do Porto deu o seu nome à rua que ladeia o Jardim do Carregal, junto ao Hospital de Santo António. Os seus descendentes deram continuidade à Sociedade Clemente Menéres até aos dias de hoje.

Andava eu por ali a meter o nariz em tudo, quando o Couto nos apresenta as binas que nos iriam transportar num tour cicloturístico pela vizinha mata e montes do Quadraçal. Qual coleccionador de biclas, o nosso amigo guarda na sua garagem vários exemplares de duas rodas, clássicas do todo-o-terreno, umas melhorzinhas do que outras, autênticos monos com as mínimas condições para rolar. No bike sharing calhou-me em sorte um exemplar da casa Cosmos, com corninhos no guiador e mudanças engrenadas a murro. Guiados pelo nosso cicerone, partimos numa pedalada pela história.

Mal saímos do paralelo e fiquei logo para trás. Quer dizer, as pernas ainda estavam perras, prontes, e não era lá pela corrente estar sempre a saltar que eu esfarraparia desculpas! O trilho empinado depressa fez aumentar a temperatura e obrigou o Jacinto a tirar o casaco. Os caminhos por entre os sobreirais levaram-nos primeiro a um casario onde em tempos idos pernoitavam os obreiros da cortiça. Vendo as ruínas das instalações, da cozinha e camaratas, deu para imaginar as condições de vida dos corticeiros e a quantidade de pessoal necessário à dura tarefa de extrair a cortiça. Os terrenos rochosos onde proliferam os sobreiros, entre fragas de difícil acesso, acresciam as dificuldades na recolha e transporte da cortiça, que depois tratada seguia quase na totalidade para exportação.

A certa altura o Couto mandou-nos desmontar das binas e seguimos a calcantes por entre o matagal. Cravado num penedo, mostrou-nos uma placa evocativa da função comercial da família Menéres. Mais à frente deixamos as binas encostadas à sombra para empreendermos a escalada de um afloramento rochoso até ao topo. Com meia dezena de metros de altura, emerge um monumento de memória mandado erigir pelos descendentes após a morte do fundador da Sociedade.

Dali a panorâmica é vasta e as vistas são deslumbrantes. Nos sentimos inspirados pela natureza e não paramos de tirar fotos. Entretanto algo me chamou a atenção. Algumas cavidades no granito das enormes rochas, que a princípio julgava serem resultantes da construção do monumento, são vestígios de que há muitos e muitos milhares de anos ali houve mar!

Voltamos aos selins e descemos até às margens da ribeira do Quadraçal, um local bem fresquinho onde pudemos visitar um pequeno açude formado pela barragem da Estrangeira e o dique da Fábrica Velha, local onde outrora se procedia à transformação da cortiça, nomeadamente ao fabrico de rolhas. Depois de passar pelos poucos vestígios da linha do Tua, que ali passava fazendo a ligação entre Mirandela e Macedo de Cavaleiros, foi já com as barrigas a dar horas que voltamos ao preâmbulo da nossa digressão. À medida que galgávamos os trilhos, as nossas bicicletas começaram a dar sinal de si e as avarias não demoraram. Enquanto eu me debatia em voltar a colocar a corrente nos carretos, o Rui desistiu de tanto martelar o eixo da roda traseira e desatou a fazer um corta-mato com a princesa a seu lado! Já só pensávamos na comidinha do Maria Rita, mas iríamos ter uma surpresa antes da sobremesa.

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Estacionada a demoníaca bina Cosmos, fui ao Maria Rita na companhia do Campelo, directos à cozinha, cheirar os tachos e negociar os trâmites gastronómicos. Depois de bem recebidos pelas simpáticas meninas e cozinheiras, garantido o take-away, três doses do típico Bacalhau à Romeu foi o menu escolhido. Na maioria dos lugares, é reconfortante saber que, onde quer que estejas no mundo, sempre encontrarás pessoas afáveis e prestativas. Posta a mesa e trazido o vinho da garrafeira, não me importei nada em ter trocado o almoço na sumptuosa sala do Maria Rita pela fresca sombra da varanda do Couto. Aquele bacalhau é divinal, recomendo. Ainda voltei ao restaurante para tomar um café e apreciar mais detalhadamente a sua história e decoração. A velha estalagem ficou abandonada após a morte da Sr.ª Maria Rita e permaneceu em ruínas até que já na década de 60, Manuel Menéres, o segundo na sucessão, restaurou a velha estalagem, trouxe o recheio de uma das suas quintas e recriou o restaurante Maria Rita com a cozinheira de sua casa e as receitas de família.

Enquanto fazíamos a digestão do saboroso repasto, e o Jacinto, deitado no chão, tirava uma soneca endireitava as costas, ainda nos faltava a prometida sobremesa. Ora, e o que vinha mesmo a calhar para disfarçar o calor que já fazia? Isso mesmo, umas pedaladas e um gelado! O Couto e o Rui já tinham decidido que iríamos dar ao pedal até Macedo de Cavaleiros. A tarde estava quente e convidava-me a ficar para a sesta fazendo companhia ao Jacinto que já passava pelas brasas, só que o apelo da estrada foi mais forte. O Campelo também resolveu ir e eu não resisti à tentação do gelado. Lá fomos, sem que antes a curiosidade nos aguçasse de novo o espírito de descoberta e adiamos a pedalada por mais uma horita num interlúdio cultural.

O Museu das Curiosidades é um espaço museológico fundado por Manuel Menéres, cuja vocação é a divulgação da história, do vasto espólio familiar e da Casa Menéres. Uma interessante colecção de objectos curiosos dos finais do Séc. XIX e princípios do Séc. XX, ora utilizados no dia a dia, relacionados com as aldeias de Romeu, Vale de Couce e Vila Verdinho, ora relacionados com os interesses lúdicos, da influência política, empresarial e obra social da família. Lá pudemos observar diversos documentos e fotografias ligadas à história da terra, vários automóveis e um primitivo carro dos bombeiros. Foi nos dado a ouvir o cristalino som de uma das encantadoras caixas de música. Pudemos admirar um raro e original fonógrafo, patenteado por Thomas Edison, as primeiras máquinas fotográficas, de projecção de cinema, de costura, de engomar, telefonias, as novas tecnologias de comunicação da época, carros de cavalos, bicicletas…

… destacando-se a Penny Frathing amarela, que tive a permissão de fotografar, chamou-nos desde logo a atenção. Bastante curiosa é também a carta do Real Velo-Club do Porto datada de 1898, assim como a humorística litografia bem a propósito da época.

Voltando aos planos para a tarde, fomos finalmente pedalar ao longo das estradas da terra quente transmontana. Se a ideia inicial seria saborear um gelado em Macedo e depois voltar, a demorada visita ao museu, justificada pelo seu significado cultural e histórico, depois a vagarosa pedalada e o calor relógio, não se haviam completado meia dúzia de quilómetros e decidimos parar na aldeia vizinha de Cortiços, onde há também um museu, este dedicado ao azeite, mas desta vez não fomos lá enriquecer a nossa cultura geral. Antes que nos desse os azeites, ficamos sentados à sombra a degustar o tão apetecido gelado e a dar duas de letra com o senhor do café. Recebido o telefonema do Jacinto, que nos tirou da indolência, voltamos a calcar o pedal de regresso à casa, onde já estava a Sónia com o veículo que nos haveria de devolver à procedência. Preparada a carroça e encaixadas as biclas no reboque, um par de horas depois estava a chegar a casa, super satisfeito com o passeio.

Foi um inesquecível fim de semana, uma jornada de descoberta e também de redescoberta, por rotas que conheço muito bem e por novos e tortuosos atalhos. Por dois dias convivemos e partilhamos bons momentos. Observei muita coisa, experimentei e vivenciei imenso.

Um agradecimento especial ao nosso cicerone, obrigado pelo convite Couto, é sempre um prazer pedalar ao teu lado. Outro à simpática e amável Sónia Couto que nos foi buscar para depois nos ter de aturar as cavaqueiras de ciclistas. Um obrigado aos meus amigos Rui, Jacinto, Campelo, Kiko e Wolf pelo esforço e convívio. Venha a próxima aventura.


Sobre a viagem, a descoberta não se trata de chegar lá, é sobre estar lá.

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à Descoberta do Romeu…

A nossa recente pedalada, rodopiando o Douro pela N222 até à aldeia dos meus avós paternos, reavivou no espírito do meu amigo Manuel Couto o desejo de empreender uma viagem de bicicleta ligando as suas casas, entre Vila Nova de Gaia e Romeu de Jerusalém, em Mirandela. O plano estava traçado, sete convivas alinhariam no desafio, faltava apenas escolher o percurso. Em mim, acicatou-se a enorme curiosidade de conhecer uma terra que recentemente vi e ouvi falar, num dos meus programas televisivos favoritos. Foi através do Caminhos da História, notável programa do douto historiador Joel Cleto que semanalmente passa no Porto Canal, que no episódio sobre Mirandela (clicar no link para ver o episódio) fiquei a conhecer a relação da aldeia transmontana do Romeu com Clemente Menéres (e seus descendentes). Clemente Menéres foi um empresário de sucesso da segunda metade do séc. XIX e que dá nome a uma rua do Porto, mesmo aqui ao lado do meu gabinete.

Cinco da manhã de Sábado e já estava pronto para saltar da cama. Com tudo preparado de véspera, apenas a incerteza meteorológica me mantinha inquietado. A adrenalina de mais um convívio e de outra distante pedalada estava nos píncaros. O apelo da velha estrada, explorar novos lugares, a liberdade rodoviária, fugir do reboliço da cidade… Que pensamento libertador! A reunião com o Rui, o Jacinto, o Couto e o Campelo estava marcada para uma das portas de saída do Porto, no Freixo, onde se daria o arranque para a pedalada temática “à Descoberta do Romeu com gastronomia no Maria Rita”. A  parte da “Descoberta” debruço-me nesta crónica, da restante temática do evento, “a gastronomia no Maria Rita”, farei crónica mais tarde.

Sentia-me particularmente revigorado, uma boa noite de sono é importante, e o meu corpo ansiava quilometragem. O passeio de bicicleta é um ritual importante para mim. Depois de alguns minutos a pedalar, as endorfinas começam a surgir, os diabretes a acalmar, mente sã e revigorada. Aos habituais cinco cicloturistas, juntavam-se desta vez o Tozé, aka Wolf, e o Henrique, aka Kiko, para pedalar em conjunto ao longo do mais belo rio, o Douro, pela N108. O nosso amigo Wolf, mais habituado a pneus largos e aos saltos no monte, fazia o seu baptismo com uma bicicleta de estrada. E um baptismo que se preze deve ser com água fria, neste caso um furo, e logo nos primeiros quilómetros de pedalada.

A manhã estava fresquinha, o asfalto molhado da alvorada chuvosa mas as nuvens mantinham-se afastadas. Com as povoações ainda adormecidas, o dia ia despontando, sereno e imenso. No horizonte o sol prometia-nos uma viagem amena, aqui e ali encoberta, mas seca. Rolamos demoradamente até à primeira paragem para trincar e bebericar alguma coisa. Fomos cruzando com um grupo de vespistas e ciclistas conhecidos da malta. Depois da Pala, aceleramos o ritmo cardíaco até fazermos o pit-stop obrigatório na mercearia da Venda Nova para o tradicional brinde com um Moscatel de Favaios. Deixo umas palavras de conforto e o nosso muito obrigado a dona Mariazinha que está a passar uma fase delicada da sua vida.

A N108 é por excelência a via panorâmica do Douro. A estrada serpenteia o rio, contornando-o ao sabor da geografia dos vales. Há pouco tráfego e podemos sentir os sons e aromas da região. A certa altura a humidade adensou-se e começamos a sentir a morrinha na cara e a salpicar os óculos. Após uma breve paragem no Miradouro dos Dízimos para relaxar, admirar a paisagem e registar o momento numa bela fotografia de grupo, aceleramos o ritmo pois a morrinha passara a chuvisco moderado. Estávamos já com as pernas sob a mesa do restaurante Novo Sol, em Loivos da Ribeira, degustando um saboroso e caseiro repasto, quando lá fora de súbito se abateu uma bátega de água. Oh pá… do que nos livramos!

Retomamos a estrada num ritmo calmo, fazendo a digestão da feijoada. Entretanto o tempo havia melhorado e um sol tímido escondia-se nas nuvens. Um pouco mais à frente, na vila de Frende, terra natal da minha mãe, veio uma lágrima rebelde de emoção. Depois de passar Barqueiros, com a descida para a Régua, depressa voltou o sol e todo o esplendor mágico e vigoroso do rio. Coincidiu ser aquele o fim de semana do anual evento velocipédico da região, o Douro Gandfondo e, é claro, não íamos desaproveitar uma visita ao palco do evento, nem que fosse para sentir o clima da festa. “- Isto agora é tudo vosso” ouvi da boca de um automobilista, frustrado por não lhe ser permitida passagem. Temos pena!

De novo no selim da bina, fomos em busca do desconhecido, a Ecopista (!) do Corgo, o trilho deixado para o povo aventureiro da desativada linha férrea que outrora ligou Régua a Chaves. O objectivo era aproveitar os seus suaves 2% de ascensão até Vila Real, em detrimento do alcatrão das empinadas estradas N2 ou N313. Nas pesquisas que havia feito no sentido de obter informação do estado dessa parte da Ecopista, a informação era escassa e desatualizada. Querendo acreditar na melhoria ciclável da via, algumas fotos do último quilómetro de strerrato à chegada a Vila Real faziam-me crer nisso, certo é que a via tem muito de “eco” mas quase nada de “pista”.

Para além das vistas fantásticas do vale do Corgo, das escarpas, das aldeias, do Marão, do Alvão e da belíssima ponte da A4, não é de todo aconselhável andar por ali em bicicleta de estrada com pneu 28, quanto mais 23! Demorámos cerca de duas horas para fazer uns meros 22 quilómetros, o que derrotou todas as nossas previsões de chegar a Vila Real lá pelas 16h, e derrotou também o novato das rodas fininhas. Foi obra termos saído daquele tormento com apenas um furo registado. Eu cá gostei e curti a experiência. A Tripas mostrou-se resistente, capaz de calcar todo o tipo de solo com cascalho solto e pontiagudo, ultrapassar pontes estreitas e vertiginosas… Bem, esta parte foi à minha custa, mas que valeu a experiência, valeu!

Para mim, andar de bicicleta é também companheirismo. Nos momentos em que se sente que já chega e custa continuar, quando algo parece faltar, há que compreender e resignar. Com mais de 150 quilómetros entretanto pedalados, os nossos dois amigos menos habituados às longas distâncias aproveitaram o carro vassoura e deram por fim à aventura. A maneira como eu vejo a coisa, é que com determinação todos podemos concluir aquilo que fixamos como meta. No final do dia, o mais importante é que tentamos, com a dificuldade em desafiar-se e sair da zona de conforto. A parte mais difícil é sempre dar o primeiro passo para fazer algo que nunca se fez antes. Depois disso, tudo é fácil. Quanto ao que algumas pessoas comentam, e não fazem a mínima ideia do que estão a comentar, é deixá-las a falar sozinhas.

Depois de abastecer as locomotivas junto à esquecida estação ferroviária de Vila Real, os duros do pelotão voltaram ao selim e retomaram o caminho. Foi quando, à paragem num semáforo vermelho, em pleno cruzamento no centro vilarealense, o animado diálogo entre o Couto e os ocupantes de um jipe lhe valeu uma inesperada e inusitada oferta. Amarrada a garrafa de vinho, continuamos à procura da N15 para dar seguimento à descoberta.

Faltava ainda um terço de pedalada e as pernas já reclamavam do esforço. Os dez quilómetros seguintes foram apenas diversão. Encontrei o meu ritmo e fui vendo os meus companheiros lentamente se afastando na ascensão do asfalto. Gosto da distância e da companhia, mas eu poderia provavelmente nunca fazer parte da comunidade randonneur se não tivesse também um espírito de lobo solitário. Mais à frente esperaram por mim, reagrupamos, descemos, voltamos a subir, até nos determos num café para um lanchinho. Depois do Pópulo, finalmente tivemos direito a uma longa, serpenteante e deslumbrante descida até à ponte sobre o Rio Tinhela, mesmo às portas de Murça. Ao longo da descida deliciei-me com o enquadramento verdejante das vertentes, salpicadas pelo amarelo vivo das maias, as flores das giestas. De notar também os pouquíssimos carros que passamos e nos passaram.

À medida que o horizonte se pintava com todos os tons de rosa, laranja e violetas, que os pássaros procuravam abrigo, apenas o rugido do vento nos meus ouvidos e a minha abordagem bastante calma ao relevo. Nesses momentos é fácil esquecer o relógio, e a passagem do tempo é uma coisa relativa. Já não sinto se estou a subir ou a descer. Estou no piloto automático e de alguma maneira a rodar os pedais, vendo e absorvendo a maravilhosa metamorfose do mundo ao meu redor. Eis que anoiteceu e o objectivo em mente passou a ser chegar a Mirandela a horas decentes para jantar.

O sistema luminoso que eu tenho instalado na Tripas funciona muito bem. Especialmente no breu da estrada, quando é bastante noite, o feixe frontal clareia todo o asfalto à minha frente dando-me uma agradável sensação de segurança. A luz traseira é visível a longa distância, deixando muito provavelmente intrigados os automobilistas que me seguem e me vêm, muito provavelmente questionando-se “o que diabos está a fazer aquele maluco numa bicicleta àquela hora!”

Depois da nossa entrada em Mirandela, da fotografia à iluminada ponte velha, sentámo-nos à mesa de um restaurante que estava prestes a fechar portas. Finalmente, pudemos acalmar as barrigas e degustar as típicas e saborosas alheiras de Mirandela. Mas a nossa excursão ainda não havia terminado. Até Romeu de Jerusalém, ao duche e à desejada cama, ainda nos separavam pouco mais de uma dezena de quilómetros que foram cumpridos com uma sonolência e cansaço indisfarçáveis, apenas interrompidos pelo empedrado nos quilómetros finais. Ao fim de quase 240 milhares de metros pedalados desde o litoral até ao nordeste transmontano, eis-nos chegados a Romeu com um sorriso e satisfação enormes. Tomados os banhos e distribuídos os leitos, tive o sono dos justos sonhando as aventuras que me esperavam no dia seguinte… e a prometida degustação gastronómica no Maria Rita!

Continua… (aqui a crónica da aventura)

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dicas para uma pedalada com segurança

Na circulação rodoviária, urbana e campestre, há varias situações potencialmente perigosas com que regularmente me deparo, motivadas tanto pela aselhice como pela teimosia de “sérios” automobilistas, entre as quais destaco:

  1. Muitos automobilistas não cumprem a distância mínima de segurança de 1,5m quando ultrapassam o ciclista.
  2. Alguns automobilistas não obedecem aos sinais de “STOP” e adoram entrar “à lá gardère” nos cruzamentos quando avistam um desembestado ciclista na sua direcção.
  3. Alguns automobilistas pelam-se por ultrapassar o ciclista para, de imediato, virarem à direita, interpondo-se na sua linha circulação e arriscando um risco na lateral do veículo.
  4. Num cruzamento ou intersecção, alguns automobilistas quando viram à esquerda (o pisca ligado já é uma sorte) metem-se à frente do ciclista que quer seguir a direito.

Estes erros serão porventura a causa de muitos acidentes e atropelamentos no universo ciclista, nunca “estatistiquei” a fundo, mas já tive várias amostras para um colorido gráfico de barras. Nas recentes semanas tivemos infelizmente várias notícias de atropelamentos de ciclistas, inclusive entre os mediáticos profissionais do World Tour durante os treinos e provocados pelo mesmo denominador comum, o automóvel. A recente morte de Scarponi abalou o pelotão e esta semana foi Froome a sentir na pele a “impaciência” de um automobilizado.

Isto leva-me a reflectir e reservei o post de hoje para  relembrar algumas sugestões defensivas que devemos tomar, seja quando vamos pedalar para o trabalho, seja num treino mais puxadito:

Sê visível

Depois de um ciclista ser obstruído ou mesmo atingido por um automobilista, as primeiras palavras que se ouvem da sua boca geralmente são: “- Eu nem o/a vi!. Para se precaver o ciclista deve ser cauteloso em condições de pouca luz. Equipar a bicicleta com boas luzes, nocturnas e diurnas, usar roupas coloridas e reflexivas, reduz o risco de nos tornarmos invisíveis na estrada e permitir a desculpa de sempre dos automobilistas, que não nos viram!

Sê previsível

Uma vez na estrada o ciclista deve seguir as regras do Código da Estrada! Deve respeitar a sinalização, prestar atenção aos restantes veículos e peões com que pode cruzar e não seguir contra o sentido do trânsito.

Dar um sinal da nossa graça, indicando com os braços para onde queremos virar, vai ajudar os outros utilizadores da estrada a prever o nosso curso de acção. Quanto mais previsíveis forem os nossos movimentos, não ziguezaguear de um lado para o outro da via, manter quanto possível um rumo certinho, deixamos o automobilista mais seguro nas suas decisões e acções

Mantém o contacto visual

Nas intercepções, certifica-te em fazer contacto visual com os automobilistas de forma a ter a certeza de que eles te estão a ver antes de fazeres qualquer manobra. Se eles estão distraídos não tenhas receio de dar o alarme para obteres a sua atenção. Enquanto as buzinas, campainhas e apitos são úteis para algumas situações, uma boa dica é estar sempre pronto para assobiar ou mesmo gritar. É imediato e, assim como assim, nem é preciso usar nenhuma das mãos.

Ponderar e calcular as intersecções

Alguns dos acidentes de carro-bicicleta ocorrem bem no meio dos cruzamentos. Um automobilista que vira para a direita pode não te ver. Outro cenário a considerar é quando um carro vira à esquerda enquanto pretendes seguir em frente. Quando o automobilista pretende mudar de direcção e vê o ciclista a andar devagar, pode pensar de terá tempo suficiente para cruzar na sua frente. Pedalar forte através dos cruzamentos e intersecções pode dissuadi-los, pelo menos, de tentar.

Pedalar no centro da via

Algumas vezes os ciclistas colocam-se demasiado encostados à berma direita da estrada. É um instinto de protecção frequente mas errado. Isso torna mais difícil o ciclista ser visto e convida os automobilistas a ultrapassá-lo demasiado rente.

Dá a ti mesmo uma certa distância das portas de veículos estacionados. A última coisa que vais querer acontecer é “levar” com uma porta por alguém que, sem olhar, decidiu sair do carro! Espreitando os espelhos retrovisores podes conferir se os veículos estão ocupados e potencialmente perigosos.

Fica fora do ângulo morto

Evita parar mesmo ao lado do carro à tua esquerda quando parares num semáforo ou sinal de stop. O automobilista pode não te ver e ter uma atitude surpreendente, virando o carro sobre ti. Procura sempre que possível te colocar à sua frente. Alternativamente, podes parar atrás do carro, assim podes ver para onde o carro vai virar.

Estar sempre pronto para fazer uma manobra rápida ou uma travagem súbita. A capacidade de prever, travar ou virar rapidamente pode salvar o dia. É providencial estarmos com o guiador firme nas mãos, aproveitar algum tempo de reacção e espaço livre para uma manobra de emergência.

Boas pedaladas.

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fotocycle [208] Queima das Fitas

Lembro os incautos que esta tarde há mais um cortejo académico na Baixa do Porto. O cortejo é, por excelência, o momento alto da Queima das Fitas, sendo um símbolo da comunhão dos estudantes com a cidade, no seu maior esplendor, em que os finalistas da Academia se apresentam à cidade. Durante toda a tarde a vivacidade natural dos estudantes e a sua criatividade, bem patente nos carros alegóricos, encherá várias artérias da cidade de cor, alegria e algumas parvoíces estudantis. Daqui a pouco, à saída do trabalho e antes de fugir a sete pedaladas, vou procurar um finalista em particular, um filho em especial, para lhe dar um grande abraço. Espero que se divirtam bastante durante a festança, com comédia, energia e ressaca q.b., mas faxabôre não se metam em engarrafamentos, tudo para que levem a vida sóbria e a sorrir.

 

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can’t miss [177] diarioimobiliario.pt

Cidades não podem ser desenhadas a pensar nos automóveis

“O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, defendeu hoje que as cidades não podem continuar a ser desenhadas a pensar nos automóveis, que acabam por estar parados cerca de 92% do tempo.

O membro do executivo afirmou que “temos, de uma vez por todas, que perceber que o que precisamos é de serviços de mobilidade e não de automóveis. Os carros de cada um de nós estão parados 92% do tempo e, por isso, não podemos continuar a desenhar as cidades e os centros urbanos a pensar no automóvel como rei”.

Durante a inauguração da Ecopista de S. Pedro do Sul, que decorreu esta manhã, João Pedro Matos Fernandes sublinhou a importância de as cidades serem pensadas em função das pessoas.

“Os reis e as rainhas somos nós e a forma como escolhemos nos apropriar do território”, acrescentou.” […]

(Lê o artigo completo em http://www.diarioimobiliario.pt/Actualidade/Cidades-nao-podem-ser-desenhadas-a-pensar-nos-automoveis)

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