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andei na cola destes dois: A Caminho das Estrelas… Click, cycle with them!
ride your bike to work
Publicado em filme
Tags bicicultura, bike to work, coisas que vejo, filme, humor, motivação
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no Baixo Minho e Barroso (um empeno jeitoso)
Este que aqui escreve não passa de um recém randonneurizado, que quis mais. Como a criança que é atirada ao ar pelo pai brincalhão e que, apesar dos protestos da mãe para que se pare com a brincadeira, adora e pede bis entre gargalhadas. Apesar de alguns incrédulos que atestavam a minha insanidade mental, a que me alarmava era a física, depois da pedalada pelo Ribatejo, depois do Alto Minho, empolgado por ter sobrevivido a uma Flèche, mesmo que incompleta, iria agora tentar completar um brevet de 314 km pelo Baixo Minho e Barroso, com qualquer coisa acima dos 5 mil metros de altimetria, de novo organizado por Via Veteris. Já sabia da altimetria, vi que era complicada, alguns trechos mais íngremes, outros menos, preferi não estudar muito, era melhor não embandeirar e levar a bicla certa.
Bem cedinho lá estávamos de novo, quase todos, na Delegação da Cruz Vermelha de Marinhas, Esposende, na vistoria das biclas: luzes à frente, luzes atrás, com o colete reflector, capacete… Início de aventura. O pelotão rumou a sul, pela bruma da N13, e permaneceu compacto durante muitas horas. Depois de passar Vila do Conde, fez-se a viragem na Azurara para o interior. Foi já com o sol na cara que continuamos a trilhar os tranquilos quilómetros iniciais pelo vale do Ave. Tudo ok, tudo pacífico, cada qual a pedalar no seu próprio ritmo.
Trofa, Santo Tirso, Lordelo, o dia que seria longo estava fantasticamente bonito e a pedalada decorria agradável. Alguns ciclistas já se conheciam, outros estabeleciam pequenas conversas. Foi ao som das nove badaladas, à passagem dos 70km, que entramos em Vizela, para o segundo posto de controlo na Pastelaria Fina. Tempo de carimbar o brevet, descansar as pernas e afinar o mecanismo com um docinho da terra. O ímpeto inicial é pedalar com força, até se sentirem os músculos das coxas e aumentar a média, mas num brevet fazer isso é burrice. Os músculos irão arder, estejamos certos disso, mas é preferível poupar forças e deixá-los arder só no final. A distância é longa, de nada serve forçar para depois sofrer e não aguentar.
Logo à saída de Vizela o primeiro empedrado do dia, que haveriam de ser vários, e longos, e aborrecidos. Para minimizar a trepidação, a melhor forma é passar o mais rápido possível pelos paralelepípedos. Foi num desses pavés rurais que tive a companhia inusitada de um canito, que me fez dar o maior sprint da viagem por uns bons cem metros. O jeco (cão vadio) apareceu do meio do nada, a ladrar e com a dentuça à mostra, numa correria ensandecida a meu lado. Entabulei uma conversa com ele mas não arrisquei levar a mão ao bolso para lhe tirar a fotografia. Acabou por se cansar e lá desistiu. Durante a pedalada a fauna que se cruzou à frente da minha roda foi variada e até uma galinha esganiçada se meteu no meu caminho. As aventuras estavam ainda no começo.
Já dava para notar que aquilo não seria um passeio no parque. O calor já apertava e, bora lá fazer um strip-tease à beira da estrada. Seguiu-se a primeira escalada a sério, passando por Fafe até à Lameira, sempre com a companhia do Tiago. Impulsionados pela fantástica paisagem, passamos por ruas com nomes insólitos, como a rua “Pica de Além” e logo a seguir a “do Rego”! Mas a brincadeira foi ficando progressivamente mais suada, até ao cume, onde paramos para celebrar os 100km com uma golada de água. As sensações eram boas. Um terço estava feito. Depois de algum tempo a petiscar e dar a tradicional mirada no road book, de novo alapados no selim seguimos adiante, descendo agora para Arco de Baúlhe.
A senhora da Padaria Central tinha bonita freguesia, tinha o carimbo mas não tinha sopa! “Se me tivessem avisado…!”. Tal era a fome que precisava de um almoço digno antes do Everest. À segunda tentativa acabamos por encontrar um restaurante onde ataquei ferozmente duas sopas, boroa e uma fresca salada de frutas. Nutridos e hidratados entramos naquela coisa de estrada em direcção a Cabeceiras de Basto para alguns quilómetros à frente começar a subida, pedalando o mais lento e cadenciadamente possível. Resumindo, veio a ser um empeno para lá de jeitoso.
Se no início das hostilidades, até ao Salto, lá bem no alto a mais de 1000 metros de altitude, éramos três, depois ficamos dois, para mais tarde o Tiago acelerar e desaparecer de vista. Tive de me safar sozinho. Nos brevet’s não há competição, apenas se chega dentro do tempo, ou não. Sente-se a aspereza do asfalto como se caminhássemos descalços, sente-se o relevo das estradas como nenhum automobilista poderá sentir. Amaldiçoamos e praguejamos contra quem delineou o percurso, mas vamos em frente. O único oponente a ser vencido é o nosso pensamento. Os pensamentos é que voavam. Absorvido neles, e no meu mundo novo, a serra Barrosã, nem vi as horas passarem. Tudo muito bonito por ali e em toda parte uma tranquilidade bucólica. Montes, vales, o verde, o azul e o castanho. Aquela imensa quantidade de água. Poucos foram os momentos em que não margeamos algum tipo de rio ou canal artificial. Para além do som líquido das ribeiras, do chilreio musical das andorinhas e do latido ameaçador dos cães, era tudo tão calmo como se as pessoas ali não precisassem de trabalhar, mas apenas pescassem, cuidassem do seu gado, das hortas e, no mínimo, dormissem a sesta.
Lembretes dolorosos da minha infinita inferioridade velocipédica não demoraram a aparecer. O primeiro, evidente, era o próprio ritmo, muito longe de ser uma maravilha. Depois foram as minhas costas que resolveram protestar. Eu, para me poupar, fui pedalando bem mais sossegado e dando folga à perna direita, à custa de um tendão distorcido. Se pedalar sozinho pelo Portugal profundo já é bom, pedalar com alguém para cavaquear, partilhar sensações e decidir junto o que fazer, é ainda melhor. Vi que o Manuel Miranda e o Gilberto iam surgindo a cada curva, esperei e com eles formei um grupeto. Percebo que se julgue serem as subidas o que pior pode haver para o ciclista, o calor e o vento também podem ser extenuantes, mas há momentos em que um companheiro à nossa frente, ao nosso lado, nos ajuda a dar força aos pedais.
O José Ferreira, um dos organizadores locais, que desta vez era o responsável pelo temido carro-vassoura (a recolher os restos mortais dos ciclistas que abandonam o brevet), registava a nossa passagem pelo topo da montanha no cartão fotográfico. Depois de uma agradável descida e resultante subida, já no posto de controle seguinte, num hotel em Carreira da Lebre, Alto do Rabagão, e ainda mal refeitos da escalada, fomos surpreendidos por um grupo de animados convivas que, à saída de um regado repasto, nos dedicou um vira minhoto. Naquela altura, precisamente a meio do campeonato, o corpo pedia proteína e estavam abertas as hostilidades. Só que o meu estômago não vinha preparado para atacar aquela travessa de carne barrosã, grelhada com batatas a murro, e consolei-me com uma tigelinha de sopa. Nisto chega a Ângela, que não se fez rogada e ingeriu à colherada uma taça cheia de arroz de feijão, acompanhada pelo grande Jacinto.
Superada a grande dificuldade da etapa, simplesmente pedalamos, pedalamos, pedalamos… contornando a barragem do Alto Rabagão. A Natureza resolveu gozar com panorama e reservou para aquelas paragens uns falsos planos e uns altos-e-baixos bem pronunciados. Vinte quilómetros depois, em S. Vicente da Chã, outro posto de controlo onde se aproveitou para reabastecer as barrigas e vestir os agasalhos, pois a partir dali seriam bem longas e pronunciadas as descidas que teríamos pela frente. Eram boas novas para as nossas pernas, apenas afrouxando nas ladeiras ou para registar o momento numa fotografia. Foi ao longo do lago da Barragem da Caniçada que admiramos um lindo por do sol para além do Gerês. Eu estava a voar.
Geringonça inteligente, das maravilhas modernas, é o tal de GPS. Parece que é a resposta final para a grande questão filosófica humana “de onde viemos?”, “para onde vamos?” Na luz de crepúsculo, àquelas horas de pedalada, chegamos à avisada, pronunciada e perigosa descida para a albufeira da Caniçada. A coisa era quase mística e mesmo com o tal aparelhosinho falhamos o desvio e acabamos desorientados! Dando conta do engano, encontrei um senhor um pouco à frente e o interpelei. O castigo foi ter de subir algumas centenas de metros que antes havíamos gostado de descer, e assim perdemos bom e precioso tempo às voltas com a nossa cartografia internética.
Depois de uma paragem técnica para ligar os holofotes nos permitimos ao luxo de parar num café para voltar a enganar os estômagos. Só o facto de ver na têvê o Lucho aumentar o score do meu FêCêPê ao marcar um penalti (não, não foi um sonho), talvez por isso, me empolguei e a pedalada até Santa Maria do Bouro fez-se com mais satisfação. A chegada à Pousada da Juventude foi tremida. Malditos paralelos! Última paragem para carimbar o cartãozinho. Depois de sapatearmos por uns degraus de granito, nem os belos olhos da menina, nem a convidativa chaise longue da recepção nos fizeram sonhar com outra coisa senão voltar à estrada.
A partir daí a estrada foi ficando mais concorrida. Festa da Família em Amares, não demorou muito para começarmos a ser buzinados. Não que estivéssemos a atrapalhar o trânsito, nem nada. Era uma área movimentada, de gente já bastante animada. No limite das forças, pedalamos forte na última hora, em torno dos 30 Km/h, até que quase à hora de cantar o galo, cruzamos Barcelos. O frio fazia-se sentir à medida que nos aproximávamos de Esposende e autorizamos a fuga do Gilberto “para se aquecer”! Delegação da Cruz Vermelha de Marinhas à vista, mais um BRM completo. Mais de 18 horas a pedalar. Fizemos valer cada segundo, cada metro de estrada. No fim das contas, é claro que deixamos de ver muita coisa que naquela imensidão merecia tempo para ser vista, mas tudo o que vi foi, de qualquer maneira, imperdível.
Pedalar longas distâncias, por montes e vales, tem muito de zen, muito de suor, muito de desvario. Quase não dá para explicar. Contribuiu para essa sensação não só o facto de se alcançar o cocuruto do roteiro, mas o privilégio de estar ali, numa região belíssima, no meio de vales e rios, pontes, terras verdes pontilhadas de animais, de muitas tonalidades e cheiros. A certa altura do caminho, mesmo lá no topo da montanha, todo o sofrimento desaparece e uma sensação de quase euforia nos trespassa o corpo. A fronteira entre a bicicleta e o nosso corpo é a nossa mente, pois a bicicleta torna-se parte integrante de nós, é a extensão do corpo, reage a cada movimento. Talvez por tudo isso, me empolguei e comecei a arrasar a estrada, não respeitando mais subida nenhuma, galgando com fúria tudo o que me aparecia pela frente. Sem alguma racionalização anterior, pedalar tem que ser natural, tão natural como caminhar, e continuar zen para o poder repetir.
Agora vou gozar duas semaninhas de férias e sarar as feridas de um estúpio trambolhão. Os meus amigos randonneiros terão nova aventura velocipédica já no final do mês. Será o Alqueva 400, uma bela estirada por planaltos alentejanos. Estarei com eles. Força rapazes.
Publicado em longas pedalas
Tags bicicultura, fotopedaladas, Gorka, longas pedaladas, Minho, motivação, passeio, randonneur
7 Comentários
fotocycle [82] Leixões
Publicado em fotocycle
Tags bicicultura, ciclistas urbanos do Porto, ciclo chico, fotografia, motivação, Porto de Leixões
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can’t miss [44] bicicletanoporto.blogspot.pt
As ciclovias são como as palavras…
…levam-nas o vento. Ou o Rui Rio.”
“Com entradas mal resolvidas, de modelo centralizado e segregado, não é uma ciclovia muito boa, muito possivelmente por, suponho eu, nunca ter sido pensada de raiz, mas sim como espaço sobrante das obras para a concretização do parque de diversões do Sr. Presidente (ou como também é conhecido, o ultra lucrativo Circuito da Boavista).”…
Nada que já não fosse previsto. Espero que seja a último carrocel.
Publicado em can't miss it
Tags boavista, carrocultura, ciclovia, outras coisas, Porto
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a bicicleta
A bicicleta é um dos ícones da contemporaneidade pelas suas múltiplas possibilidades de uso no espaço público. É a alternativa viável como meio de transporte. A bicicleta reaparece com destaque na vida urbana, na prática da actividade diária, desportiva e no lazer.
Publicado em o ciclo perfeiro
Tags bicicleta, bicicultura, dono babado, fotografia, motivação, Porto, Sua Alteza
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ciclofilia [87] Bikes in the City
Local bicycle shop owners, avid cyclists, and bicycle advocates explain why bikes matter to them in their city.
Publicado em ciclofilia
Tags bicicultura, ciclismo urbano, ciclistas no mundo, coisas que vejo, filme, motivação, testemunho
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