bikeroll, planeando rotas de bicicleta

“Olá Paulo,
My name is Botond Bocsi and recently I came across your blog nabicicleta.com
The reason I contact you is that a few month ago I created a simple bike route planning website (https://bikeroll.net) and now I am looking for ways to tell the world it exists. It is completely free, no ads, no hidden costs, its purpose is really just to make cycling more popular and more fun.
[…]
It is completely free, there are no hidden costs, no different user plans, and no ads.
It has a simple, intuitive interface designed to make planning a bike route as easy as possible. The creation of BikeRoll was motivated by the fact the existing apps are unnecessarily complicated.
It has a suggestive color-coded elevation profile that makes easy to understand how difficult are some parts of the planned routes.
The planned routes can be saved and accessed any time.
It can be used for real-time tracking on smartphones from the browser (no app is required).
Instant weather support that tells you the forecast on the planned route for a couple of days.
It can be used on multiple languages (not yet Portuguese until I find someone who can translate it :).
[…]
Tchau,
Botond”
.

Há dias recebi este atencioso e-mail dando-me conta da existencia de um novo site de planeamento de rotas, o bikeroll.net. Estive a testá-lo e logo à partida fiquei fã. É muito simples e funcional. Como diz o autor “é totalmente gratuito, sem anúncios, sem custos ocultos, o seu propósito é apenas tornar o ciclismo mais popular e mais divertido”.

Ao indicarmos o local de partida e o destino, o programa escolhe o trajecto mais curto, o que não é necessáriamente o precurso mais bonito ou o mais interessante, mediante a opção do tipo de bicicleta, de estrada ou de montanha. Tem um grápico de elevação bem sugestivo, com as pendentes codificadas por cores, que facilita a compreensão e antevê a dificuldade do percurso. Outro promenor muito interessante é o suporte instantâneo da previsão do estado tempo, por alguns dias, da rota planeada.

Fiz aqui uma experiência planeando uma rota que cumpro variadas vezes. Foi-me proposto pelo site  o precurso mais directo, embora eu prefira o precurso mais longo e o mais suave, pela beira rio e beira mar.

O site terá ainda alguns aspectos a melhorar, por exemplo falta-lhe a versão em português. Acho que está bem construido, é uma interface bastante simples e de utilização intuitiva, projetada para tornar o planeamento de uma rota de bicicleta tão fácil quanto possível. Recomendo.

 

 

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notícias requentadas

Bicicleta é mais benéfica para a saúde do que caminhar

“Um estudo levado a cabo durante cinco anos por uma equipa de cientistas, no Reino Unido, concluiu que ir de bicicleta para o trabalho pode reduzir o risco de doenças cancerígenas e cardíacas.
Segundo um estudo publicado no “British Medical Journal“, pedalar cerca de 50 quilómetros por semana contribui para a prevenção de doenças cancerígenas e cardíacas.
Os cientistas concluíram ainda que a bicicleta é mais fácil de introduzir numa rotina diária do que ir ao ginásio, por exemplo, e é mais benéfica para a saúde do que caminhar.
“Isto é uma prova clara que as pessoas que vão para o trabalho de forma ativa, especialmente de bicicleta, correm menos riscos de saúde”, disse à estação britânica “BBC” Jason Gill, um dos investigadores.
No mesmo estudo, que contou com a participação de 250 mil voluntários, as pessoas que alternaram entre a bicicleta e os transportes públicos também revelaram melhorias de saúde.”

(fonte: jn.pt/mundo/interior)

Ir às compras de bicicletas dá descontos no comércio do centro

“O repto é lançado pelo Pelouro do Ambiente do Município e pela Associação Comercial de Braga (ACB): ‘Venha de bicicleta às compras ao centro e obtenha descontos nas lojas aderentes’. O estacionamento não é preocupação, na medida em que foi reservada uma área para o efeito junto a cada uma das 45 lojas aderentes.
A iniciativa designa-se Semana da Bicicleta e arrancou ontem, precisamente no Dia Mundial da Bicicleta, prolongando-se até 26 de Abril.
Em termos práticos, quem se deslocar de bicicleta às lojas aderentes, devidamente identificadas com um dístico alusivo à Semana da Bicicleta, beneficia de descontos entre 10 a 20%.” […]

(ler artigo completo: correiodominho.com/noticias)

Património. Uma bicicleta, 11 quilómetros e mil histórias sobre Lisboa

“O i fez-se à ciclovia para um tour criado para mostrar as transformações da cidade à beira-rio. É por isso que nunca deixamos de ter água na margem esquerda deste passeio que começa em Santa Apolónia e termina em Belém
Habituado a levar turistas a conhecer Lisboa, Luís Maio teve apenas de trocar o estímulo dado às pernas, habituadas a calcorrear a cidade. Em vez de subir e descer colinas a pé, hoje é dia de pegar na bicicleta e seguir a direito, sempre ao lado do Tejo.
O percurso, criado pela Europcar para assinalar o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, foi pensado de forma a mostrar as transformações de Lisboa à beira-rio. “O rio serve como uma espécie de fio condutor”, explica, justificando o porquê de o percurso começar em Santa Apolónia. “É o sentido natural, até porque o crescimento de Lisboa se fez do rio para o mar”, acrescenta. Sabemos, por isso, que o tour terá como ponto final Belém, onde o Tejo já está mais perto de ser mar e onde os 11 quilómetros são suficientes para aquecer uma manhã já por si de 30 graus.” […]

(ler artigo completo em: ionline.sapo.pt)

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fotocycle [206] primaverão

Esta agradável temperatura dos últimos dias resulta de um raro fenómeno climatérico, mais natural do estio. Ontem estava uma tarde de Abril convidativa e de novo alterei o meu percurso pós-laboral. Temperaturas superiores a 25 graus, vento quente soprando pelas costas me empurrava a pedalada numa cadência relaxada em direcção à Foz. O mar e o ar estavam perfeitos para que fosse este o primeiro dia de praia do ano, mas eu estava desprevenido, sem calções nem toalha de banho. Continuei a pedalada relaxada, saí da margem e entrei no campo. A beleza de um lugar como o Parque da Cidade não é restrita aos confins da cidade. Desvio-me do caminho e da sombra das árvores para me deitar onde brotam flores silvestres. Não porque me sinta cansado, mas porque quero ser atingido pelo calor do ar, cozido neste solário e encher os pulmões de perfumes. Fico ali deitado por alguns minutos, sonhando acordado, num pensamento libertador. Aproveito cada momento… Ao sul de mim, nuvens negras se formam e o vento amplifica. O clima vira tropical. Volto a casa sob clarões, trovões e folhas verdes a voar. O “primaverão” está no ar.

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reciclando [30] portanto, o Dia Mundial da Bicicleta resulta de uma trip alucinada de um gajo drogado a dar aos pedais!!! Fixe…

Diz que hoje é o Dia Mundial da Bicicleta e que tal efeméride se deve a uma trip psicadélica do criador do LSD, Albert Hofmann, o primeiro químico a sintetizar, ingerir e experimentar os efeitos alucinogénios dessa substância. Portanto, o dia da bicicleta resulta de uma trip alucinada de um gajo drogado a dar aos pedais!!! Fixe…


Da história reza o seguinte: Em 1938, Hofmann conseguiu sintetizar o LSD-25 na intenção de obter um estimulante circulatório e respiratório. Em 16 de Abril de 1943, Hofmann decidiu analisar de novo a amostra, que entretanto havia ficado esquecida. Enquanto trabalhava com o LSD, acidentalmente absorveu uma pequena quantidade através dos dedos e, sem querer, descobriu os efeitos poderosos da substância. Passados três dias, o químico resolveu tornar-se cobaia para determinar os reais efeitos do LSD e ingeriu intencionalmente 250 microgramas da substância, uma quantidade que pensou ser uma dose limite (para efeito de comparação, hoje uma dose limite real é de 20 microgramas!). Menos de uma hora depois, Hofmann sentiu alterações bruscas e intensas da sua percepção. Com receio de que se tivesse envenenado, pediu ao seu assistente de laboratório que o acompanhasse até casa mas, estando em vigor a proibição de veículos motorizados, devido às restrições da 2ª Guerra Mundial fizeram a viagem de bicicleta. Durante a viagem a pedais para casa o seu estado piorou, mas sobreviveu à experiência e parece que chegou depressa, mesmo tendo “a sensação paradoxal que permanecia imóvel”. Posteriormente escreveu no seu diário o que havia observado. Relata as sensações vividas durante a viagem de bicicleta, que o seu campo de visão ficou ondulado e distorcido, como uma imagem num espelho côncavo. As sensações visuais e acústicas se transformaram em imagens com cores fantásticas, surgindo na sua mente “abrindo e fechando em círculos e espirais para depois se expandirem em fontes de cor num fluxo constante, um após o outro”. Depois de um médico observar o seu estado delirante, e após passar várias horas aterrorizado, o Dr. Hofmann ficou bem. Escreveu no seu diário pensar que estava enlouquecido. Estava convencido que um demónio o havia possuído, que o seu vizinho era uma bruxa e os móveis de casa o ameaçavam.

Hofmann viria a morrer de causas naturais em 2008, aos 102 anos de idade. Com mais de 100 artigos científicos publicados, o cientista contou no seu livro “LSD: My Problem Child” a experiência de pedalar sob os efeitos da LSD! Em 2007, os italianos Lorenzo Veracini, Nandini Nambiar e Marco Avoletta produziram um curta-metragem intitulada “A bicyle trip” como trabalho de conclusão do curso no Centro Sperimentale di Cinematografia. No filme, é possível acompanhar um pouco do que pode ter sido a viagem vivida por Hofmann naquele dia.

E pronto, vá se lá perceber porquê, desde então o dia 19 de Abril é celebrado como o Dia Mundial da Bicicleta. A minha experiência matinal a pedalar para o trabalho é em tudo semelhante, alucinado, apenas alterado consoante o meu estado de sonolência!

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carro vs. bicla, quem ganhou?

Na cidade, quem opta por se deslocar de carro justifica a sua preferência por critérios pessoais: o conforto, a segurança e rapidez que supostamente esse veículo lhe confere em relação a outros meios de transporte. Mas será que é mesmo assim!? Pode a opção do automóvel ser vantajosa face às outras formas de mobilidade urbana em curtos percursos? De novo, e sem nenhum esforço, no cumprimento rigoroso do Código de Estrada, provei que não é tanto assim. E, mais uma vez, o “desafio” proporcionou-se com toda a naturalidade: Carro vs. Bicicleta, Ferrari 360 vs. iNBiCLA Tripas, a lebre e a tartaruga.

Depois do expediente tenho o privilégio de diversificar o meu percurso para casa. Quando tenho tempo, e o tempo me convida, alongo-me em frouxas pedaladas pelo Douro, pela Foz, pelo Parque da Cidade, até casa. Semana passada, na minha voltinha anti-stress, deixo a ciclovia e coloco finalmente as rodas no Circuito da Boavista na Avenida da Boavista. Estou parado no semáforo vermelho e ao meu lado pára um cavallino rampante! Não resisto e tiro uma foto dos dois na pole position.

Cai a luz verde e, é claro, o Ferrari não me deu a mínima chance no arranque, e lá foi a roncar avenida acima. Uns minutos e centenas de metros mais à frente, no cruzamento da Fonte da Moura, dei com ele igual a tantos outros da mesma espécie, parado e preso a um semáforo vermelho! Valha a verdade que não é todos os dias que ultrapasso um super carro, daqueles que normalmente alguns futebolistas presunçosos gostam de exibir. Espero de novo a abertura do sinal e viro à esquerda para a Avenida Dr. Antunes Guimarães. No semáforo seguinte volto a parar no vermelho e espero. Entretanto sou surpreendido de novo pelo ronco da máquina! Seguíamos a mesma direcção! Nova oportunidade para uma foto. Encosto a Tripas e espero. Dois quilómetros e cinco minutos depois do primeiro encontro, passa finalmente o bólide a cuspir fogo!

O “desafio” não teve cunho científico, mas serve para mostrar que não é um carro de cento e muitos milhares de euros que enfrenta as diferentes situações modais no trânsito citadino e faz frente a uma reles bicicleta de uns trocados. Acabo apenas por aproveitar mais esta situação, vivida com um rasgado sorriso, querendo simplesmente demonstrar que usar a bicicleta na cidade é mais eficiente e traz vantagens em relação a quem usa um automóvel, qualquer que ele seja, mesmo sem ter considerado a ocupação do espaço urbano, a poluição atmosférica, a emissão de ruídos…

Fica aqui a prova (mais que provada). Ganhou a Tripas 😛

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can’t miss [176] observador.pt

Órbita, as bicicletas portuguesas de outros planetas

[…] “Convencionais, todo-o-terreno, elétricas e partilhadas. Em Águeda há bicicletas para todos os gostos e bolsos. Fomos conhecer a Órbita, uma marca com mais de 45 anos que já é um sucesso lá fora.” […]

[…] ”Recuemos no tempo. A história começa há quase meio século. Estávamos em 1971 quando três sócios de Aveiro formaram uma pequena associação de peças e componentes industriais de velocípedes. Na altura havia mais de 70 empresas de fabrico e montagem de bicicletas em Águeda. A Órbita era uma das marcas e respondia à casa-mãe Miralago, a base industrial do grupo. “A ideia dos fundadores era fazer o produto todo e entrar no mercado com mais valor”, explica um dos atuais responsáveis. Além do fabrico para as marcas próprias, produziam também para a indústria de motociclos e carros, apostando ainda na exportação, principalmente para Espanha e França.” […]

[…] “Quando souberam do concurso de Lisboa em novembro de 2015, não hesitaram em candidatar-se. “Fizemos o desenvolvimento de um novo sistema com base na experiência que havia”, explica. Queriam uma versão que fosse para quem vai de comboio e chega à cidade, para quem vai para o trabalho de bicicleta ou para o turista. “É ainda um modelo que permite uma facilidade em escalar para outros mercados”, acrescenta.” […]

[…] ”“Os nomes dos modelos convencionais continuam a ser inspirados no espaço, os modelos todo-o-terreno em corpos celestes e a linha de estrada em vilas e cidades portuguesas”, explica Jorge. É o caso da Aveiro, uma versão dobrável, urbana e moderna. “Tem muito a ver com a cidade jovem, da mobilidade”, explica. E as bicicletas são vendidas para todo o mundo com este nome. Não há traduções. É made in Portugal mesmo.” […]

Lê o artigo completo sobre esta mítica marca portuguesa em: http://observador.pt/2017/04/15/orbita-as-bicicletas-portuguesas-de-outros-planetas/

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Flèche Minho, na mouche

Decidido a cumprir a minha terceira Flèche, um dia inteiro combinando os prazeres das pedaladas com as exigências do ciclismo de longa distância, respondi afirmativamente ao desafio do Manuel Miranda e fui tentar concluir com êxito esta aventura pela segunda vez. Escolhido o mesmo roteiro que fizemos há três anos, sábado passado bem cedinho juntei-me ao Luís, vindo de Amarante, e ao Óscar, oriundo de Tomar, para irmos de popó ao encontro do Miranda, em Esposende. De lá para o topo norte lusitano, tivemos a amabilidade de uma boleia numa carrinha espaçosa para quatro randonneurs e quatro biclas.

O départ estava marcado para S. Gregório, em Melgaço, um cantinho no norte lusitano com um fuso horário estranho. O lugarejo pouco mudou desde então. O Café Coelho continua sem o carimbo necessário para borratar o primeiro quadrado do cartão brevet. Para fazer prova da nossa presença, serviu um talão da máquina registadora que ainda estava no horário de inverno! O padeiro não entrega o pão a tempo e horas, e o roamming de nuestros hermanos impõe a sua força. Ultimados os preparativos e afinadas as máquinas, não poderia haver melhor diversidade de montadas: a bela titânica Linskey do Miranda, a resistente Bianchi de alumínio do Óscar, a levezinha Orbea em carbono do Luis e a minha peso-pesado Inbicla Tripas, durinha com’o aço.

“- Mas o que é isso da Flèlche?!”, perguntam vocês e muito bem. As Flèches são um evento velocipédico, social e não-competitivo, onde ciclistas que habitualmente participam nos Brevet Randonneur Mondial, têm mais uma oportunidade de pedalar em conjunto. As “Flèches Portugal” têm origem em diferentes locais de saída, são percorridos por várias equipas de randonneurs que se dirigem rumo a um local de chegada comum, em Coimbra. Estes eventos decorrem segundo o padrão estabelecido para as Flèches Vélocio organizadas pelo Audax Club Parisien. Formada a equipe, são os seus elementos (de 3 a 5) que escolhem uma rota superior a 360 km’s, propõem os postos de controlo a cumprir durante vinte e quatro horas de pedalada em completa autonomia. Chegar é a meta, e na meta o prémio é um prato de massa servido à roda com todos os companheiros de estrada. Depois do almoço, metem-se as bicicletas no comboio e regressamos a casa. Resumindo é isto, mas é claro que algumas peripécias aconteceram nestas 24 horas de pedalada.

Às 10 horas em ponto (ou 11h nos nossos telelés) a bem-aventurada equipa Flèche Minho dava tranquilamente o arranque para um dia inteiro de viagem. Rodamos o pedal e descemos em ritmo relaxado para Melgaço, Monção, terras do genuíno Alvarinho, aproveitando a bela manhã de sol, o ar puro e fresquinho misturado com a paisagem minhota e os odores do campo. Um par de horas depois, cumpríamos o primeiro controlo em Valença. Prosseguindo a pedalada com apetite, em Cerveira fizemos a paragem habitual para almoçar bem e barato na Casa Matriz. De barriga farta, a rotação das pernocas a princípio parecia um pouco pesada mas aos poucos foi engrenando. A N13 dirige-se para o mar e de frente a força do vento aumentava e resfriava. Passamos por Caminha com desejo de rodar para sul, onde, estranhamente, nem me deu vontade de lá ficar para uma sesta! Um ténue nevoeiro marinho escondeu o sol, o ar arrefeceu e foi com uma suave Nortada pelas costas, que nos ia animando o ímpeto, que chegamos a Viana do Castelo, mesmo a horas do lanche no programado posto de controlo.

Com a nossa tourné a correr às mil maravilhas, atravessamos o Lima e seguimos rumo pelo habitual desvio pela Foz do Neiva, até reencontrar a estrada nacional. Mais à frente, em Fão, quando finalizávamos a travessia pela sua famosa ponte sobre o Cávado, fomos surpreendidos por um generoso pelotão de homens, mulheres e crianças, em bicicletas clássicas, muitas pasteleiras e outras mais careiras, dress code tradicional, em animado espírito que só um passeio de bicicleta proporciona. Foi uma feliz coincidência nos termos cruzado com aficionados pelas biclas d’outróra, na terra das clarinhas, com um Tweed Ride à moda de Esposende, o Encontro de Bicicletas Antigas de Marinhas, evento que já vai na sua quinta edição.

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Depois de um curto desvio pela marginal da Póvoa de Varzim, à nossa chegada ao Porto tivemos a companhia do amigo Jacinto. Paragem para tentar fazer o controlo num restaurante do Edifício Transparente na Praia de Matosinhos, momento do ocaso que aproveitei para uma bonita foto, semelhante a tantas outras que aqui faço nos meus percursos de comute, do trabalho para casa. Sem mais demoras, bora lá cumprir a parte mais bela do percurso, a que eu já faço de olhos fechados. Com a noite a engolir-nos aos poucos, fomos contornando o Douro, do Porto até Gaia, até a Praia da Medalena onde paramos para jantar. O menu foi uma pratada de massa caseira e uma doce salada de frutas em familiar convívio paternal. Neste momento tinhamos atingido metade do nosso percurso e houve o cuidado de preparar o corpo para a longa e muito fria noite que iríamos atravessar. Next stop: Aveiro

Com as novas e potentes luzes da Tripas apontadas à escuridão, continuamos pela orla marítima de Gaia. Passamos Espinho e encetamos um ritmo bem bom pela N109 (acho que a pratada de massa tinha aditivos),  até nos desviarmos para o centro de Aveiro. Aí, há muito que o corpo ordenava sair do selim. Eu, e falo por mim, já tinha os ovos moles! Lá deu para descansar um pouquinho, comer alguma coisa e tomar outro café. Não tendo a menor pretensão de levar o relógio a sério, continuamos pachorrentos pelo trecho meio urbano, meio rural das Gafanhas. Depois de um pequeno equívoco na rota, e consequente meia volta, reencontramos o rumo e seguimos para Mira. Já disse que estava uma noite muuuuito fria?! Pois estava, e a minha garganta já se queixava disso!

A lua gorda enchia o firmamento, parecia espantada com o que andavam quatro doidos varridos a fazer àquela hora. A planura do chão e a noite banhada pelo luar poderia até nos embalar no sono, mas o ar agreste, os cães, as constantes falhas do asfalto, todos os possíveis estímulos nos mantinham acordados de uma forma inapelável. Passamos Mira às quatro badaladas, dentro do horário portanto, mas teríamos ainda de rodar mais um pouco até à Tocha, que tem café aberto aquela hora, para tirar o rabo do selim e marcar mais uma vez o cartão. Comemos e descansamos. Houve quem dormisse, houve quem roncasse, houve quem tentasse. Às cinco e meia estávamos de novo na estrada para enfrentar a enfadonha recta da Tocha, até a estrada empinar finalmente e ultrapassar a pequena Serra da Boa Viagem, a única serra com nome de serra que apanhamos pelo caminho. O dia despontava a nascente e, porque a serra nos protegia da brisa marítima, agradavelmente a madrugada tornou-se menos fria, pelo menos até começar a descer para a Figueira da Foz. Desta vez não houve pétêtê pelas ranhuras da serra. Cruzamos a cidade e fomos ao mesmo hotel registar o cartãozinho. Mais uma vez tivemos de pedinchar a carimbadela, “era muito cedo”, mas a simpática recepcionista, mesmo ultrapassando directrizes superiores, lá nos fez o obséquio de timbrar a cartolina.

O sono passou, mas o cansaço estava estampado no corpo e nas nossas caras. Foi em modo de piloto automático que rodámos pela marginal, admirando a praia da Claridade e a foz do Mondego. Orientamos a bússola para nascente e enfrentamos o rude vento frontal que entretanto se levantou e a ondulada N111 até Montemor-o-Velho, para o registo da 22ª hora. Uma sandocha e um galão morno reanimaram-me os sentidos. As sensações eram excelentes para o momento. O dia estava fantástico, a manhã aquecia e, tiradas todas as fotografias, apontamos à N347.

Pelas bordas do Rio Mondego, o resto dos trezentos e setenta e tal quilómetros foram cumpridos pela já conhecida espécie de estrada, uma via lunar repleta de crateras, algumas entretanto tapadas com terra, o que não só veio demonstrar a boa resistência da Tripas como também o meu instinto de sobrevivência, do meu assento própiamente dito. Contemplando a paisagem e a natureza ao redor, entre arrozais, água e os sons da passarada, aqui e ali fomos cruzando com ciclistas de fim-de-semana. Bom também foi poder mudar um pouco o foco e deixar-me ficar para trás, comendo mosquitos. Até Coimbra a pedalada foi instintiva, a martelar os pedais quase que com o poder da mente e com a boca fechada.

Coimbra tem mais encanto na hora da Flèche concluída. Foi fantástico ver a nossa chegada ao ponto de encontro, em simultâneo com a chegada de muitos outros companheiros de estrada vindo de variadíssimos lugares, três equipas nacionais e as três equipas de randonneurs oriundos da vizinha Espanha, onde figuravam os amigos dos CC Riazor. Feliz por ter desgrudado a bola de basquete… o rabo do selim, desmontei e não cai no chão. Carimbado o brevet pela última vez, para honra e glória de futuras gerações, já só queria o convívio com a malta e a recompensa prometida, um prato cheio de tagliatelle com salmão.

A vida é feita de instantes e o passado é feito da partiha destes momentos marcantes. Este foi mais um passeio agradável e intenso, vinte e quatro horas de pedalada, espírito de equipe e fantástica convivência. Mais um devaneio a pedais que vai certamente figurar no painel de memórias dos anos mais activos da minha loooonga juventude.

Valeu, Miranda, Luis e Óscar, a valente equipa Flèche Minho, foi um enorme prazer pedalar de novo ao vosso lado. Forte abraço a todos.

Paulo.

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teaser Flèche Minho 2017…

… ou aquele momento inesperado em que uma Tweed Ride (*)  e quatro Randonneurs (**)  se misturam! 😀

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(*) V Encontro de Bicicletas Antigas de Marinhas

(**) Flèches de Portugal

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programa de fim de semana

Amanhã, uma clássica

Depois de amanhã, a clássica das clássicas.

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mexa-se, pela sua rica saúde

O simples facto de podermos mexer as pernas, num curto passeio a pé para ir ao café, numas corridas pelo bairro ou pedalar com os filhos, é saudável e um excelente tónico para melhorar a nossa capacidade física e libertar a mente. Com o acréscimo da sedentarização devido ao estilo de vida automatizado, das escadas rolantes, dos elevadores, dos automóveis, o ser humano amoleceu, relaxou e acomodou-se. Não importa se gordas ou magras, as pessoas andam enfraquecidas. Arfam por subir um simples lanço de escadas, dar umas passadas mais largas para atravessar a rua ou uma corridinha atrás do autocarro.

Uma pessoa que por exemplo dá umas pedaladas nos tempos livres ou aquele que pedala diariamente para a escola ou emprego, sobe uma escada, salta um par degraus sem dificuldade, porque umas simples voltinhas diárias na bicicleta lhe dão capacidade física, pulmão e coração mais fortes. As pessoas que exercitam o corpo poupam muitas visitas ao médico. Os benefícios das pedaladas são imensos, não só queima calorias como melhora a capacidade respiratória, diminui o colesterol e a pressão arterial, previne doenças cardíacas e doenças crónicas, como a diabetes e a hipertensão, activa a circulação sanguínea, auxilia o emagrecimento, atenua o stress e as tensões. O prazer proporcionado pela bicicleta contribui para a sensação de bem-estar. Proporcionando a sustentação do corpo através de uma postura correcta, a bicicleta ajuda a fortalecer o abdómen, fortalece e define os músculos, deixa as pernas e o rabo tonificadinhos.

Mover-se é da nossa essência e, portanto, é estético, pois o belo e atraente é o que a natureza nos ensinou a procurar e desejar, não necessariamente jovem, não necessariamente musculado, mas saudável. Não importa a idade que se começa ou recomeça. A velhice não é desculpa. Desde que consulte o seu médico e faça exames prévios, qualquer pessoa pode-se juntar a alguém, ou então sozinho sair para uns passeios a pedal. A avaliação médica serve sobretudo para identificar algum problema cardíaco, ortopédico, ou ainda de outro tipo de patologias que possa contra-indicar a prática de actividade física intensa. É recomendável que no início das pedaladas encontre o seu ritmo e escolha percursos suaves e calmos. Depois, aumentando gradualmente a distância e o ritmo das pedalas, verá que logo, logo, se estará a sentir cheio de força e vitalidade como um adolescente, num corpo velho mas cheio de energia. E sendo qualquer dia um bom dia para (re)começar, este pode servir para reforçar o estímulo à actividade física.

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