fotocycle [137] Anjos na Terra by Mr. Dheo

A arte é uma mensagem. A mensagem é a visão do seu criador como forma de arte. A arte urbana como forma de homenagem.

“Anjos na Terra” é a mais recente obra de Mr. Dheo, talentoso artífice de representações contemporâneas da sociedade em paredes desgastadas como tela.

“Anjos na Terra” é uma homenagem aos profissionais de saúde que na linha da frente fazem frente a esta perversa pandemia.

Ontem, na minha voltinha de bicla dominical na companhia do meu grande amigo Rui, passamos no local para admirar esta obra de arte e para o respectivo registo fotográfico.

Como profissionais de saúde, no apoio em segunda linha aos colegas que estão na linha da frente, auxiliares, enfermeiros e médicos que combatem sem tréguas e que, no exercício dos cuidados de saúde prestados, sofrem os danos colaterais na luta contra este demónio invisivel.

O mural mostra uma enfermeira armada com um bastão, a acertar em cheio no novo coronavírus. Sofia, “enfermeira no Hospital de S. João”, no Porto, também ela uma vítima do terrível vírus. Muitos profissionais de saúde são os mais vulneráveis ao contágio no exercício das suas funções. Tratam, cuidam e ajudam o próximo, tantas vezes no limite da exaustão, tantas vezes prescindindo de coisas básicas que nós, do lado de cá, damos todos os dias como garantidas.

Deixo a publicação no Instagram, onde o próprio Mr.Dheo deu conta da sua criação:

 

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mais um dia de bicicleta para o trabalho

Mais um dia daqueles, igual a todos os dias de trabalho, excepto na hora de sair de casa. Chove a potes. Conformado, decidiu esperar um pouco, na vã esperança de ver a nuvem passar. Chegou o momento do “não posso esperar mais”, o que coincidiu com o aumento da descarga! São Pedro gosta mesmo dele.

Saiu rápido, se aclimatando ao vento, à borrasca e ao corpo ainda frio. Encoberto na capa impermeável, de olhos semicerrados, ofuscados pelos faróis e pelos borrifos na cara, pedalou determinado, entre o muito trânsito estagnado e vultos sobressaltados, ousados gatos pingados que apressadamente retomam o passeio do outro lado.

O asfalto é um rio e os pneus progridem na enxurrada, espirrando água. Nada de especial para quem tem um bom par de para-lamas. A chuva não dá tréguas. Virando no cruzamento o trânsito oculta-se. Rua escura, vazia de gente e sem iluminações de Natal, a cidade resolve se acalmar. Parado no vermelho, espera ordem para avançar. Sinal aberto, dá as derradeiras pedaladas, forte e apressado. Sem perdas de tempo, travões a fundo, ao local de trabalho chegou.

E a chuva parou! Afinal já era tarde.

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cavalgaduras e outras criaturas

É habitual ver uma dupla de militares da GNR sair do Quartel do Carmo em patrulha a cavalo. É rotineiro ver a dupla de militares da GNR pela cidade, a patrulhar passear de cavalo, nomeadamente no eixo Carmo – Foz – Carmo. Antes ir a cavalo do que ir a pé, pois com certeza, mas hoje em dia faz mais sentido, para mim, que os guardas, os da GNR e os da PSP, façam as patrulhas em bicicleta. Mas, tradições são tradições.

Bom, mas mais do que compreender a necessidade de patrulhar e levar os animais à rua, alcanço ainda menos a lógica do dueto cavalgar em plena ciclovia. Ora, as ciclovias já são tão desadequadas aos ciclistas que, para além de terem de levar com a presença de peões assarapantados, corredores amadores e loucos em trotinetes, se lhe acrescentarmos equídeos de grande porte, pedalar por uma ciclovia do Porto fica um bocado pior.

Depois, para piorar ainda mais o cenário, há a questão dos “presentes” que as cavalgaduras depositam no piso betuminoso / ciclável. Ora, se uma pessoa sai à rua com o seu cãozinho para as necessidades do jeco e depois, civicamente, tem de apanhar os cagalhotos para um saquinho, já os senhores guardas nem dão conta do “aliviar da carga”, continuam garbosamente a sua patrulha / passeio, deixando atrás de si um rasto de bosta. Imagino que seja maçador estar a desmontar do cavalo para apanhar a merda que o animal fez!

E o ecológico do ciclista? Bom, se o ciclista pretende dar uso à ciclovia da Foz, que por si só já é uma cagada, tem de torcer o nariz e fazer uma chincane contornando os “polícias” para não borrar o pneuzinho. E é se quer!

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o outono é um pôr do sol em cada esquina

O sol nasce e se põe todos os dias. São duas experiências visualmente impressionantes, não importa em que parte do mundo se esteja. Faz parte do ciclo do planeta, a cada volta em torno do astro rei. O pôr do sol é uma das experiências mais perfeitas que o mundo natural nos oferece e faz parte do meu ciclo.

Sou um felizardo por despegar a horas decentes e poder vaguear a pedais, pela cidade até ao mar, contemplando o sol poente. É uma explosão de cores, laranjas, rosas, roxos… tonalidades magnetizantes ​​e muitas vezes inspiradoras que me detêm a pedalada e dão magia ao meu desmazelo pós laboral.

Muitas vezes o verdadeiro propósito na minha opção por um regresso a casa mais longo e demorado é para o acompanhar no firmamento. No brilho intenso que se desvanece no horizonte até mergulhar no oceano. Por entre as nuvens que flutuam, não para descarregar chuva mas para adicionar este esplendor aos meus finais de dia, que é quase sempre pode todos os dias.

 

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fotocycle [136] até o sol anda mascarado

As novidades do mundo nada têm de novidade. Nem do coronacoiso, que não nos dá tréguas, nem mesmo as notícias do outro que se barricou na uaitehause e de lá não quer sair. É que nem vamos por aí porque o momento não está para aturar malucos. Nem os dessa estirpe nem os negacionistas que acham que contestam os perigos da Covid-19.

A todo o speed chegamos ao nível avançado da pandemia. Não está fácil terminar este jogo! As coisas não estão a melhorar e o Ser Humano, além de uma estupidez infinita, consegue piorar as coisas, inventando outras coisas igualmente estúpidas. É o oito ou oitenta, pra desgraçar de vez.

Não se esqueçam que amanhã e domingo, às 13 horas, o xôr Costa quer toda a malta em casa, senão levam tau-tau. Bom fim de semana, bom São Martinho, com castanhas e vinho, e acima de tudo divirtam-se, protejam-se e, nunca fiar, façam como o Trump… Fiquem em casa.

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she moves, o coiso… a Anémona

A Praça Cidade S. Salvador, fronteira  dos concelhos do Porto e de Matosinhos, possui uma das mais belas rotundas do país, emoldurada com uma escultura da norte-americana Janet Echelman, que a apelidou de “She Changes”. Também houve quem lhe chamasse “She Moves”, “O Coiso”…

Dedicada aos pescadores e à importância da actividade piscatória em Matosinhos, foi da comunidade local que emergiu a designação que todos carinhosamente usam e para sempre identificará aquele objecto único, a Anémona.

dona Tripas capturada nas redes da Anémona (Janeiro de 2019)

Suportada por três postes metálicos, a gigantesca rede de 42 metros de diâmetro movimenta-se ao sabor do vento, imitando o movimento das anémonas. É uma escultura incompatível com a urgência do olhar. Quem admirava a imponente escultura ficava de imediato preso à ideia do movimento, inconstante, fluído e elástico. Ficava rendido às intermináveis e sempre surpreendentes coreografias provocadas pelo vento, pelas brisas marítimas ou pela Nortada, em constante mutação na ilusão de diferentes formas, outros modos de ver e de medir a gigantesca metáfora das redes de pesca.

Como qualquer corpo vivo, também esta Anémona adoeceu. A abanar lá no alto ao longo dos anos, desde Dezembro de 2004, a escultura rapidamente começou a degradar-se devido às condições climatéricas. Ao longo do tempo foi sendo submetida a pontuais restauros, mas a fragilidade estrutural das redes não resistiu aos elementos.

Nos últimos tempos as redes começaram a desprender-se dos aros e dos postes metálicos, tendo a Câmara Municipal de Matosinhos decidido pela recuperação total da obra. As redes danificadas foram retiradas e uma nova Anémona vai ser feita numa fábrica de Leça do Balio, estando prevista a sua montagem lá para o início da primavera.

Agora a Anémona mais não é do que uma gigantesca roda de bicicleta… de 1635 polegadas.

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não são os grandes planos que dão certo, são os pequenos detalhes

A Câmara Municipal do Porto (CMP) pôs recentemente em prática o chamado plano “resgatar o espaço público”, o qual, para além de várias transformações rodoviárias, prevê o alargamento da rede de ciclovias de 19 para 54 km até ao final do ano. Com efeito, a mobilidade em bicicleta tem sido um dos parentes pobres das políticas de mobilidade da CMP.

Ao contrário de outras cidades, no Porto, o investimento na promoção da bicicleta como modo de transporte tem sido praticamente nulo. Até há pouco tempo, a mobilidade ciclável não tem tido a atenção merecida pela CMP e é vista com algum desprezo por parte dos responsáveis políticos. Por exemplo, Rui Moreira chegou a dizer que não acredita na bicicleta como solução de mobilidade para a cidade. O presidente da CMP chegou inclusive a defender medidas retrógradas como a matrícula e o seguro obrigatório! Enfim…

Ok, o “plano” representa uma aparente inversão nas políticas até agora seguidas pelo município, o que é de salutar. Algumas “ciclovias” têm sido desenhadas em meio rodoviário, onde devem estar, mas muitas outras apresentam evidentes erros de desenho, soluções engenhocas… sim, engenhocas, para tentar dar a volta às estreitas ruas, aos sentidos únicos e ao fluxo rodoviário. Exemplo recente é a “ciclocoisa” desenhada desde a Rotunda da Boavista, pela Av. de França até à Av. de Xangai, para ligar à ciclovia da Prelada. Por exemplo na Rua Vieira Portuense foi suprimido o estacionamento em excesso em benefício de uma via ciclável de dois sentidos, dando assim a possibilidade ao ciclista circular em segurança por uma rua de sentido proibido. Fixe, mas depois a mobilidade encrava com a atitude mesquinha e recorrente de certos automobilistas que acomodados teimam em desrespeitar tudo e todos. Exemplo:

Antes do plano da CMP, assim estava a Rua Vieira Portuense (imagem Google Street de setembro de 2019)

Rua Vieira Portuense, de um único sentido e onde era habitual o estacionamento em ambas as bermas (em cima da passadeira também!)

Depois do “plano” assim está a mesma rua. Imagem de anteontem à tarde, tirada quando eu  pretendia utilizar a “ciclocoisa” da Av. de França cumprindo o sinal de “obrigação”

Agora, na mesma rua, o ciclista terá duas soluções… vá lá, três! Circular pela esquerda na faixa de rodagem em sentido proibido, circular pela direita no passeio… a terceira é passar-lhe por cima!

Para que efectivamente a cidade do Porto desenvolva uma boa rede de ciclovias é essencial tornar a bicicleta uma solução de mobilidade acessível a todos. Não basta avançar com medidas avulsas, é necessário articular um conjunto de medidas coerentes e integradas com vista à promoção da mobilidade em bicicleta, com fiscalização, campanhas de sensibilização e orientações básicas junto dos todos os munícipes, sejam eles automobilistas, ciclistas, ou não.

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fotocycle [253] desconfinado

De volta a casa, pedalo com algum senso de urgência, procurando manter as distâncias. Sensível ao que se passa, fujo do reboliço rodoviário e entro num mundo de lazer. Sigo à  redescoberta enquanto o outono transforma rotas que eu conheço muito bem em novos mundos, caminhos repletos de cores, tapetes de folhas ocre amarelo, paisagens transformadas em ferrugens e ouro. As estações do ano são um momento de transição. Por alguns dias, este mundo existirá magicamente e então desaparecerá, substituído por céus pardos e árvores estéreis. Independentemente da era da pandemia, continuarei a pedalar e a percorrer este mundo revirado, como um observador constante, participante nas mudanças do tempo, readaptado à nova vida, mesmo cheia de limitações e contingências.

 

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can’t miss [219] pplware.sapo.pt

Google Maps já trouxe uma das melhores novidades para quem anda de bicicleta

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“João Almeida, dá-me a tua camisola”

O Giro d’Itália disputado em outubro não é normal. Um ciclista português que veste de rosa no Giro d’Itália é coisa rara. Um ciclista que veste de rosa no Giro d’Itália desde a terceira etapa e ininterruptamente pelas quinze seguintes é absolutamente inédito.

“Quem é o João Almeida”, perguntou este ciclista de trazer por casa, là em casa, à sua expert da modalidade. “É o miudo que foi chamado pela Quick Step para substituir o Remco”, diz-me a Carla. “Não sabias!? Agora ficaste a saber”. Fiquei eu e muita boa gente.

Este jovem de 22 anos, natural de A-dos-Francos, nas Caldas da Rainha, começou a fazer desporto dando uns toques na bola e umas braçadas na piscina, mas foram as pedaladas que se tornaram a sua paixão. Depois de uma breve passagem pelo bêtêtê, em 2016 o João fez-se à estrada e levou para casa os títulos nacionais de ciclismo, de estrada e de contra-relógio, na categoria júnior. A partir daí, os resultados continuaram a aparecer e, em 2018, esteve muito perto de vencer o Giro d’Italia Sub-23.

Primeiro português a vencer a clássica Liège – Bastogne – Liège Espoirs, Almeida é um jovem ciclista versátil e muito talentoso. Em 2019 teve uma temporada fulgurante, vencendo ambas as corridas no Campeonato Nacional de Sub-23, terminando como o melhor jovem ciclista no Tour montanhoso de Utah no racking top-ten. Passou naturalmente para o nível World Tour, passando a fazer parte da fortíssima Deceuninck – Quick-Step. Foi aposta da equipa para este inédito Giro em tempos de pandemia Covid-19.

Num pelotão infestado de tubarões, o nosso Sub-23 estreia-se numa grande volta de três semanas. Destaca-se desde logo com um segundo lugar no CR do prólogo. Assumindo a liderança ‘rosa’ à terceira etapa, tem vindo a brilhar nas estradas transalpinas. Já quebrou todos os recordes lusos e tem gerado uma onda de entusiasmo, virando os holofotes para si e para o ciclismo. A sua prestação, bem como a do Ruben Guerreiro da EF1, actual líder do prémio da montanha, tendo já uma vitória de etapa guardado no bolso do seu jersey azul, têm deixam o país inteiro colado aos écrans. A cada etapa, estas duas promessas do ciclismo nacional fazem por merecer todo o nosso apoio e entusiasmo. Com que o orgulho em torno das suas prestações cresça e encha espaços em telejornais, nos jornais e nas rádios.

O que o João já conquistou, mantendo a “maglia rosa” vestida por tanto tempo, é, por si só, soberbo e histórico. Escrevo no preciso momento em que se disputa a etapa rainha, com passagem pelo icónico Stelvio. Tudo pode acontecer hoje e nos três dias que faltam até Milão. Se o João Almeida for capaz de continuar a fazer o que tem vindo a fazer, manter o seu sonho cor-de-rosa, defendendo a liderança com o suporte de uma equipa algo modesta mas que o apoia e o protege do poderio das outras, qualquer que seja a sua classificação final neste Giro, este nosso herói já está há muito a gravar o seu nome na história do ciclismo nacional e mundial.

Bravo João. Bravo Ruben, vocês são o orgulho de um país.

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