fotocycle [212] máquina sem mudanças de humor

Não fiquei indiferente aos seus pneus murchos. Sua Alteza permaneceu pendurada e foi negligenciada neste último par de meses. Assim que lhe rodei os pedais, entendi aquele ranger de dentes, e não era desafinação! Era mesmo ferrugem na engrenagem. Algumas lufadas em cada uma das válvulas, uns pingos de óleo na corrente, bastaram para a tirar daquela modorra. Bastou querer para que me deixasse levar pelo seu singular encanto. Voltar a sentir aquela mistura estranhamente convincente de hipster e velocipedista à antiga. Tirei-a do suporte, aperaltei-me e saímos de mão dada para a missa de domingo.

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acção gera reação

Quem ainda não viveu a experiência de estar dentro de um veículo parado no meio do trânsito? Uma enorme seca, não é!? Felizmente estou pouco habituado, mas, um destes dias penei vários minutos ao volante, num vagaroso pára-arranca por eternos minutos que até tive vontade de desprender a bicla que tinha presa ao tejadilho do carro e furar pelo engarrafamento. Mas também não ia longe com a pedalada pois estava “preso” numa auto-estrada. Então, aproveitei para passar da melhor maneira o tempo perdido e fui fazendo alguns estudos informais do que à minha volta ia vendo, especialmente os comportamentos dos condutores e cenas relacionadas com a sua condução e educação.


O que desde logo me desviou do aborrecimento extremo foi observar o tempo de reacção dos que “sofriam” à minha frente. Uma observação interessante e uma constatação que provavelmente não é surpreendente: o mais stressado é aquele que sempre se atrasa mais. Um caso clássico de quem se acha esperto e incapaz de controlar a fleuma, sendo rápido a mudar sistematicamente de faixa, porque acha que ganha tempo com isso, e depois de conquistar o espaço lá vem de novo o extravasar de frustrações quando dá conta que a fila pára e se vê ultrapassado pelos que havia ultrapassado! Torna-se uma espécie de competição, onde ninguém se respeita. Obcecados contra stressados para não dar uma nesga aos aventureiros, não vá o outro ter a mesma ideia, e se o da frente não arranca logo, demora uma eternidade a reagir porque está a pensar na morte da bezerra ou distraído com os seus brinquedos electrónicos, lá sai uma buzinadela e uma caralhada. Daí até ao incongruente road rage é um instante!

 


Além da habilidade natural, o que é uma diferença óbvia entre pessoas ao volante, provavelmente haverá um grau invisível de diferença entre nós, como a acuidade visual, o estado de humor e a saúde física. É interessante notar que as características especiais e pessoais dos condutores respondem pelo seu comportamento, e nem mesmo escondidos por uma caixa metálica que os encobre, os maus condutores são fáceis de reconhecer. Provavelmente, haverá uma disparidade de tempo de reacção mediante a capacidade, reflexos e variáveis extrínsecas à pessoa, mas respeito que é bonito na estrada pouco se vê. Para não facilitar e evitar o acidente, cada qual será sempre responsável em reduzir essa disparidade, melhorar comportamentos, estar atento e antecipar a reacção.

Claro que tenho de comparar esta prática com a minha experiência de condução, sobretudo na perspectiva que tenho do selim. O exemplo mais prático é o que verifico no movimento da Massa Crítica, quando um grupo de ciclistas pára no semáforo vermelho, coloca um pé no chão e aguarda pacientemente. Uns aproveitam para por a conversa em dia, um ou outro aproxima-se da frente e cumprimenta os restantes, cientes que a sua presença é notada. Mal o semáforo fica verde, voltam a colocar o pezinho no pedal e começam a mover-se, quase ao mesmo tempo. Pouco tempo se passa entre a mudança da luz e o início do movimento. As acções dos ciclistas são calmas e coordenadas. O seu tempo de reacção e movimento são diferentes, mais lentos, mas não provocam congestionamento nem conflitos no grupo. Na maioria das vezes um ciclista não espera.

A título de comparação, eu diria que, independentemente de um ou outro não cumprir as regras, os ciclistas estão mais atentos, os seus movimentos estão ajustados ao que observam ao seu redor. Geralmente têm melhores tempos de reacção. O ciclismo no trânsito desenvolve um conhecimento ambiental, maior consciencialização e coordenação com os outros agentes do trânsito, com o que pode esperar dos automobilistas e peões, na variação de reflexos, tempos de reacção, para tudo, inclusive conduzir veículos motorizados.

Nos movendo e cruzando com dezenas de carros, pessoas e outros ciclistas, para o ciclista a atenção e rapidez de reacção pode ser uma questão de vida e de morte. A auto-preservação é, provavelmente, o mais forte motivador quando se trata de melhorar o seu desempenho e segurança, o que pode explicar o maior tempo de reacção dos ciclistas em relação aos automobilistas. Assim, configurar um estudo mental para testar as hipóteses por mim desenvolvidas, enquanto sentado e entediado no interior do meu carro, foi proveitoso, acho! Por agora, vou apenas ser um feliz ciclista a maior parte do tempo, aproveitando todo o tempo.

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can’t miss [179] escritores.online/livro-da-bicicleta

‘O Livro da Bicicleta’

O livro já foi apresentado e é uma excelente proposta de leitura, não só para as férias mas sobretudo para mudar difinitivamente o chip, dar uso à bicla quando voltar às rotinas do quotidiano. Imperdível.

«A pedalar se vai ao longe. Aprenda a dar o melhor uso à sua bicicleta no dia-a-dia – Já se imaginou a ir para o emprego de bicicleta, enquanto sente o vento e o sol no rosto, desfruta calmamente do seu percurso, evita o trânsito caótico e ainda poupa tempo e dinheiro em gasolina e faz muito pela sua saúde? Pode parecer um cenário idílico, mas também difícil de concretizar pois, de repente, começa a pensar como é que vai conseguir levar os seus filhos na bicicleta, como vai fazer nos dias em que chover, como vai transportar as compras que costuma colocar na bagageira do seu carro ou como vai enfrentar aquela subida íngreme que parece impossível de vencer. Miguel Barroso, especialista na área da Mobilidade Sustentável, prova-nos ao longo deste livro que todas estas questões podem ser facilmente resolvidas. Uns simples alforges podem solucionar o problema das compras, e uma cadeira específica, o transporte do seu filho, e vai ver que, passadas umas semanas, a subida já não é assustadora, mas apenas um pequeno declive. A chuva? Nada que um poncho impermeável não resolva, mas se vir bem não chove assim tantas vezes em Portugal. E não tem de vestir uns calções de lycra para andar de bicicleta, é perfeitamente possível vestir o seu melhor fato e pedalar até ao seu destino. Estamos tão presos a uma lógica onde todas estas deslocações são feitas de outros modos (geralmente presos à mobilidade automóvel) que deixar os velhos hábitos nem sempre é fácil. Mas acredite que é possível e este livro vai ajudá-lo a perceber que, depois de ultrapassados estes obstáculos aparentemente intransponíveis, a bicicleta vai passar a ser a sua melhor aliada.»

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apenas andar às voltas

Nenhum destino real em mente, nenhuma rota previamente traçada, apenas uma volta ao bairro. Quase sempre pedalo sozinho e guardo ciumento estes momentos preciosos. É tempo para mim, tempo para os meus pensamentos, e o tempo gasto no selim da bicicleta que também combina com este tempo meio desagradável. Estes últimos dias trouxeram-nos uma canícula outonal, ainda assim, o vento pode soprar forte que eu lhe volto as costas e desfruto do seu impulso, deixando que a minha viagem role nessa direcção. A pedalada despreocupada é libertadora. É a oportunidade para relaxar e deixar a mente vaguear, sem responsabilidades de qualquer tipo, pedalar por horas, apenas às voltas perdido na minha zona. E é particularmente arrebatador o quão depressa o tempo voa, quando de repente me detenho para um gole d’água e uma fotografia, num relance olho para o relógio e dou conta que uma manhã inteira se passou!… “Caramba… por isso estou com fome!”

 

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ciclofilia [141] José Luis Macías a sus 87 años, corre, práctica el ciclismo y canta

“Con el buen humor que lo caracteriza Don José Luis Macías Briceño, explica que el tener buena salud lo motiva a recorrer todos los días en su bicicleta los caminos de Colima de la colonia Fátima donde vive hasta Altozano en Cuauhtémoc, solo por el gusto de pasear.”

 

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fotocycle [211] a chuva não atrapalha

Definitivamente, precisávamos desta chuva. A precipitação é ligeira, porém depois de várias semanas de tempo seco, de calor intenso e condições propícias aos incêndios, que têm devastado sobretudo o interior do país, esta chuvinha é uma bênção.

Assim, numa manhã de verão como a de hoje, quando a névoa cobre a atmosfera, o ar está húmido, as estradas estão molhadas, eu estarei lá fora, preparado para pedalar à chuva.

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uma iluminada reflexão

Sobretudo nestas aprazíveis noites de verão, sabe bem sair de bicicleta para ir tomar café com os amigos, numas pedalas mais demoradas, simplesmente para sentir a brisa fresca na cara. À noite nem todos os ciclistas são parvos, como tal precisamos de redobrar cuidados quanto à nossa visibilidade. Para se circular de bicicleta à noite, a lei obriga a equipar a bicicleta com uma luz de presença à frente e outra à retaguarda, bem como ter um par de reflectores em ambas as rodas! Pois bem, plásticos brilhantes e coloridos presos aos raios é coisa que também não gosto. Os pneus com a faixa reflectora lateral são os mais adequados para que sejamos vistos pelos automobilistas no meio da escuridão. Para andar na cidade, viajar e treinar de noite, existem variadíssimas opções para todos os gostos e bolsos, pneus muito duráveis, resistentes a furos e capazes de nos estragarem a bela da fotografia!

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passe a publicidade [82] Tripla

“TRIPLA [patent pending] is a bike with a low platform between the pedals, creating a new third loading area for goods and people. TRIPLA is:
– Compact. It is 160 cm long, with 20” wheels, connection for folding handlebar, fits easily in your car.
– Spacious. Besides front and rear rack, it has a third loading area on a platform between the pedals.
– Strong and stable. It has the classic “diamond frame”, just lowered.
TRIPLA will be available in two versions: “light” for a max. loading capacity of 130 kg, and “professional” for max. 200 kg. Both will also be available in the electric version.”

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motivações e considerações

Os ciclistas sempre andaram por aí, sempre palmilharam as ruas, descendo e subindo, apesar de muita boa gente achar que subir custa. É que querendo não custa assim tanto! O uso da bicicleta faz parte da cidade e é uma actividade importante para o processo evolutivo da mobilidade urbana, que contribui para a qualidade de vida e consolida uma mudança cultural. Quanto à mudança cultural, é importante ressalvar que a populaça está a consciencializar-se que a bicicleta humaniza a cidade. As pessoas reclamam o espaço urbano, que é seu por direito, exercendo a sua cidadania e contribuindo para uma cidade melhor.

Efectivamente, num curto passeio pela cidade de regresso a casa após o trabalho dou conta do quanto este movimento mudou a cidade. Não são apenas alguns tripeiros que aos poucos tiram a bicicleta do armário e pedalam. São muitos os turistas que calcam os pedais em bicicletas alugadas e circulam pela cidade, dando o exemplo que afinal o Porto é perfeitamente ciclável. É necessário que os gestores municipais percebam isso e renovem as prioridades. Melhorias nos pavimentos, mais circuitos cicláveis, equipamentos adequados ao estacionamento, promoção de eventos, são apenas algumas propostas. Um plano que eu saiba ainda inexistente é o de viabilizar a implantação de um sistema de partilha de bicicletas públicas. Estas são apenas algumas acções que visam sobretudo motivar a malta a deixar o carro na garagem e trocá-lo pela bicicleta com mais frequência.

Volto a insistir na permanente consciencialização dos automobilistas para a nova realidade. Aos que conduzem, aproveito para uma breve reciclagem: quando entrar no seu carro para fazer os seus afazeres lembre-se que, certamente, em menos de cinco minutos vai encontrar um ciclista a caminho do trabalho, da escola, a fazer compras ou a curtir os belos recantos naturais da cidade. E quando o ciclista circular à sua frente, não se esqueça de reduzir a velocidade e manter a distância mínima de metro e meio ao ultrapassá-lo. Ao adoptar estas simples precauções, estará não só a respeitar o ciclista como o tornará visível aos restantes utilizadores da via. Ao mesmo tempo, estará a contribuir para melhorar a mobilidade urbana e fazer da sua cidade uma cidade mais amigável, mais moderna e mais segura para todos.

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fotocycle [210] Fozquices

Como é costume, num sábado de manhã teria feito uma pedalada mais compridota, para treinar ou mesmo para comutar, mas não o fiz. Estava bastante nublado, chegou a chuviscar e tal… Logrei ficar a mandriar e só sai para o almoço. Os céus nunca se abriram de maneira significativa mas a necessidade de digerir o bacalhau foi a oportunidade imprevista para estender o passeio. Apontei a roda à Foz Velha e decidi percorrer ruas nunca antes pedalas. Muitos detalhes, muito paralelo e subidas empinadas. Terminei o meu pequeno passeio banhado em transpiração. O velho burgo tem muitos recantos para descobrir e ir procurá-los para fazer umas fosquices é o melhor proveito quando a preguiça toma conta do corpinho.

(foto: Rua São João da Foz)

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