reportagem TVI “estratégias para o ambiente da Câmara Municipal do Porto”

Chegou-me ao ouvido e fui verificar. Estou no Big Brother da TVI. Vá lá que é por uma boa causa. A CMP percebeu finalmente que a mobilidade suave é o motor para uma cidade sustentável e de futuro. E já que fiquei no boneco da reportagem (até Sua Alteza fez furor), cabe-me agora avaliar as anunciadas transformações e se serão melhorias viáveis.

 

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can’t miss [213] observador.pt

Ruben pedalou 26.000 quilómetros e ficou de quarentena num paraíso angolano

“Depois de pedalar 26 mil quilómetros através de África, percorrendo 17 países num ano e meio, Ruben Alonso Elorza viu a sua aventura chegar ao fim, estando há mais de dois meses numa praia angolana.

Durante ano e meio, Ruben Alonso Elorza pedalou 26 mil quilómetros através de África, percorrendo 17 países, mas a pandemia de Covid-19 acabou com a aventura do viajante, que vive há mais de dois meses numa paradisíaca praia angolana.”

Conhece a fanástica história deste aventureiro em: https://observador.pt/2020/05/25/ruben-pedalou-26-000-quilometros-e-ficou-de-quarentena-num-paraiso-angolano/

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notícia de última hora

“Bicicleta anunciada como novo meio de transporte”

Na edição de hoje do jornal desportivo O Jogo saiu esta “novidade” em parangonas numa página inteira dedicada à bicicleta e ao ciclismo urbano em tempos de pandemia:

CICLISMO Aproveitar a pandemia para revolucionar a forma de viajar, zelando por saúde e clima, é estratégia já em marcha no Reino Unido e em Itália

Será a “idade de ouro para o ciclismo”, disse há dias Boris Johnson, Primeiro-Ministro britânico e não por acaso um fanático da modalidade. O Reino Unido considera ter na bicicleta a resposta para os próximos meses, de regresso à atividade mas ainda com obrigações de distanciamento social, o que coloca restrições na utilização dos transportes públicos. A bicicleta, por outro lado, representa um exercício físico, importante quando em causa está a saúde, e ajudará a manter o planeta limpo, único dado positivo destes meses de pandemia. Em Portugal, a Abimota (Associação Nacional da lndústria das Duas Rodas), enviou na passada semana uma carta aberta ao Primeiro-Ministro, António Costa, na qual lembra que “a Organização Mundial de Saúde recomenda a utilização da bicicleta nas deslocações para o trabalho, porque promove o distanciamento social e o exercício físico”. Gil Nadais, secretário geral da organização, lembra ainda que a atual crise deve ser transformada “em oportunidades para a sociedade”, propondo uma comparticipação de 50% na aquisição de bicicletas convencionais, dedução até 200 euros no IRS dos encargos com ela, custo com bicicletas adquiridas pelas empresas integralmente dedutível até 1000 euros, criar redes de ciclovias em estradas nacionais e ensinar o ciclismo nas escolas, entre uma série de outras medidas. Por enquanto apenas o BE pediu no Parlamento, há uma semana, “ações concretas para estimular a mobilidade pedonal e ciclável no espaço urbano”, com o PAN a fazer idêntica sugestão em Lisboa, mas há países mais avançados na matéria, como Itália, onde já foi aprovada uma ajudade até 60% no valor da compra de uma bicicleta, num máximo de 500 euros – o apoio estende-se a trotinetas elétricas e “segways”. Será uma forma de responder a limitações como as de Roma, onde autocarros e metro só transportam até 25% da sua capacidade, evitando-se um aumento dos automóveis, já utilizados diariamente por 16,5 milhões de pessoas, dois terços da população. Em Itália, apenas três milhões vão a pé ou de bicicleta para o trabalho.

No Reino Unido, foi aprovado um apoio de 2,23 mil milhões de euros para as”viagens ativas”, sendo 280 milhões disponibilizados de imediato, para fazer face ao maior problema: a falta de ciclovias, em estradas geralmente estreitas. Chris Boardman, antigo campeão olímpico e recordista da hora, que trabalha atualmente como consultor da polícia e está a ajudar a mudar as infraestruturas em Manchester, diz que “todas as pesquisas revelam que as pessoas querem pedalar mais e as autoridades têm de aproveitar este momento”. Um estudo indica que 28% dos britânicos andam de bicicleta pelo menos uma vez por mês e o programa #ChooseCycling pretende inflacionar essa frequência, face a dados que impressionam: aumentar o ciclismo para três quilómetros diários e as caminhadas para um quilómetro permitirá poupar 19 mil milhões de euros no serviço nacional de saúde durante os próximos 20 anos!”

O título da notícia é no mínimo estranho. A bicicleta é meio de transporte há mais de cem anos mas agora, que o bicho pega, muitos estão a acordar para esta realidade. Basta fazer uma pesquisa no tio Google para perceber isso

Associado às recomendações da DGS, é evidente que a bicicleta tem sido a opção lógica de mobilidade em distanciamento social por definição. Mas quando isto tudo acalmar, as bicicletas e as trotinetas continuarão uma excelente opção? Vamos ver. 

É importante promover os modos suaves, o andar a pé e de bicicleta. Devem ser promovidos e devem criar-se condições físicas, de infra-estrutura, para a utilização dos meios suaves.

Não há razões para os governos, centrais e municipais, não o fazerem, a não ser que seja por questões financeiras. É uma boa oportunidade de mostrar às pessoas por que é que é um bom investimento público. Para além de dinamizar, provavelmente, toda a actividade socio-económica, com reflexo para o comércio e para o turismo, inexoravelmente, mas também para a qualidade de vida das pessoas.

Para remate, partilho a carta aberta dirigida ao Primeiro Ministro pelo Secretário Geral da ABIMOTA:

“Carta Aberta

Sr. Primeiro Ministro, Dr. António Costa

Dirigimos-lhe esta missiva, numa fase tão importante da nossa vida coletiva, porque entendemos que é um momento de mudança e todos somos poucos para fazer o muito que é necessário.

A ABIMOTA, Associação Nacional da Indústria das Duas Rodas, Ferragens, Mobiliário e Afins, representa entre outros setores o das duas rodas, das bicicletas, que são altamente exportadores.

Mais de 90% da sua produção é enviada para outros países, tendo atingido no ano passado um valor superior a 400.000.000€, que emprega cerca de 9000 pessoas de forma direta e perto de 30.000 indiretamente.

Tal como em outros setores de atividade económica, temos algumas empresas Associadas que estão com dificuldades,mas não é sobre este tema que queremos falar hoje.

Embora não deixe de ser importante enfatizar que o atual clima de incerteza turva a visão de desenvolvimento que o setor tem vindo a trilhar nos últimos anos, com planos e projetos de expansão e desenvolvimento de capacidades tecnológicas e industriais que, podem estar em causa.

Portugal fornece para alguns dos países que mais utilizam a bicicleta no seu modo de vida quotidiana e estamos certos, até tendo por base as políticas Europeias de descarbonização, o Green Deal, Pacto Ecológico Europeu, que estas serão as grandes linhas que orientarão o futuro da Europa, e também do Governo a que preside tendo como objetivo um Portugal mais verde e mais sustentável.

A atual pandemia Covid-19 colocou-nos um conjunto de desafios, mas cumpre-nos a todos resolve-los transformando-os em oportunidades para a sociedade, utilizando novas abordagens, até porque problemas novos não se resolvem com soluções do passado.

Na visão emergente, a procura de soluções para os problemas de mobilidade nas cidades motivados pela utilização do carro para deslocações individuais, veio agora associar-se a necessidade de afastamento social com a consequente diminuição da capacidade dos transportes públicos.

Por estas razões a que se juntam muitas outras já conhecidas, nomeadamente o sedentarismo e a obesidade da população, a bicicleta, em geral e a elétrica em particular, vem dar uma resposta e pode contribuir de forma decisiva para alterar, positivamente, a qualidade de vida dos cidadãos, a saúde e a luta contra a pandemia que é o Covid-19.

Lembremo-nos que é a própria Organização Mundial de Saúde que recomenda a utilização da bicicleta nas deslocações para o trabalho porque promove o distanciamento social e o exercício físico.

Sr. Primeiro Ministro

Decidimos endereçar-lhe esta missiva porque consideramos existirem algumas discriminações negativas e anacrónicas relativas ao uso da bicicleta que não fazem sentido e estamos certos de não serem do seu conhecimento.

Este documento não é, nem pretende ser,um caderno reivindicativo de uma organização empresarial setorial, é mais um alerta e uma apresentação de propostas para uma luta mais eficaz contra a pandemia, correção de anacronismos e abertura de caminhos de futuro.

Não deixamos de ser uma Associação setorial, como tal não somos ingénuos e não vamos afirmar que a introdução de algumas das medidas que descrevemos abaixo não vão beneficiar o setor, porque é inegável, mas estamos certos que contribuirão também para a diminuição do desemprego, expectável redução na despesa em saúde e para que possamos sair da pandemia com valores ambientais e hábitos de vida, mais adequados aos tempos atuais.

Os utilizadores de bicicletas têm merecido menor atenção, na nossa perspetiva, pelos governos ao longo dos tempos, veja-se por exemplo, que o proprietário de uma moto pode ter benefício fiscal nas reparações que efetua, o dono da bicicleta não; se utilizar a bicicleta para fazer entregas e a utilizar como veículo de trabalho, as finanças não permitem a dedução do IVA na aquisição da
bicicleta, mas se adquirir um veículo velho e poluente pode deduzir todo o IVA; mas também na administração pública, o funcionário ou agente tem direito a despesas de deslocação quando de desloca de carro ou a pé; se for de bicicleta não.

São estas e algumas outras propostas que queremos apresentar e que tomaremos a liberdade também de enviar para os diferentes Ministérios porque a mobilidade e a sustentabilidade é transversal, tal como à sociedade, ao Governo.

Neste contexto propomos relativamente a:

•MINISTÉRIO DO AMBIENTE E DA AÇÃO CLIMÁTICA

Fundo Ambiental

» Reforço do apoio à aquisição das rúbricas destinadas à mobilidade ativa;
» Alterar a percentagem da comparticipação de 10%, para 50% nas bicicletas convencionais, mantendo o valor máximo;

•MINISTÉRIO DAS FINANÇAS e
•MINISTÉRIO DA ECONOMIA E DA TRANSIÇÃO DIGITAL                 “

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o ciclista mascarado

Os trabalhadores da saúde, independentemente da função que exercemos, estamos todos a usar máscara no hospital. Se no início estranhei colocar o “açaime”, como lhe chamo, o uso da máscara já se entranhou de tal forma no meu quotidiano laboral que já saí a pedalar com ela na fronha. Hoje só dei conta dela quando chegava a casa! Pensando nisso, resolvi fazer esta selfie e vir aqui falar sobre isso.

Está comprovado, o uso de máscara é uma medida crucial na prevenção da disseminação do coronavírus. Ajuda na nossa protecção, mas é ainda mais crucial na prevenção. Pessoas assintomáticas podem ser portadoras e assim infectar outras pessoas. Quando é difícil evitar contacto próximo com outras pessoas, é sensato usar máscara, como por exemplo em ambientes fechados, nos transportes públicos e supermercados.

E quando estamos a correr ou pedalar ao ar livre? A OMS recomenda o exercício físico, os passeios a pé ou de bicicleta, mas também recomenda o distanciamento físico. Usar uma máscara durante estas actividades apenas substitui um risco à saúde por outro. À primeira vista parece ser recomendável cobrir o nariz e a boca enquanto se está a exercitar, mas essa medida pode levar a outros problemas. Usar máscara durante o exercício, a respiração mais ofegante tende a tornar-se mais difícil. Outro facto é que a máscara ficará molhada e deixa de ser eficaz. As máscaras húmidas perdem a eficiência antimicrobiana, podendo inclusive potenciar um possível contágio.

A recomendação é que os atletas, corredores e ciclistas, se exercitem livremente, devendo contudo manter a maior distância possível dos outros. Não há evidências suficientes para lhes exigir o uso de máscara. Durante a prática desportiva, e no exercício do commute, ou seja do transporte em bicicleta para e do trabalho, o importante é estar sozinho. Mas, se por um acaso encontrar um amigo, é importante socializar, mantendo uma certa distância. É que se estiver de máscara é possível que ele não me reconheça.

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can’t miss [212] mubi.pt

A associação MUBI escreveu ao Governo propondo o plano para fazer da bicicleta uma alternativa no pós-covid, defendendo medidas como a diminuição da velocidade para 30 km/h e o incentivo à construção de ciclovias para evitar o regresso massivo ao uso do automóvel.

A bicicleta, uma aliada na saída do confinamento

“Preparamo-nos para a saída do confinamento e teme-se um incremento da utilização do automóvel individual, com congestionamento e poluição das nossas cidades. Os modos activos de deslocação têm-se provado seguros e saudáveis durante a pandemia, contribuem para a resiliência dos sistemas de transporte e ajudam a descongestionar os transportes públicos. Tal como se observou em 2008, com a degradação das condições económicas, é previsível que a bicicleta assuma um papel importante na mobilidade dos indivíduos. A MUBi propõe um plano de medidas prioritárias para apoiar e fomentar o uso dos modos activos durante a saída do confinamento. […]”

Podes ler aqui no site da MUBI a noticia completa com o plano de medidas propostas ao Governo  para apoiar e encorajar os modos activos de deslocação como modo preferencial de transporte durante o período de saída progressiva do confinamento.

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diários de um ciclista urbano numa cidade (quase) fantasma

Antes da pandemia as palavras significavam o que elas significavam. Agora, não. Agora, os dicionários, assim como o glossário que nos entra em casa, têm outro conteúdo, outra incerteza. Curva epidemiológica; Cerca sanitária; Ventilador; Letalidade; Vírus… A tele-escola da covid-19 obriga-nos a re-alfabetizar. A adoptar conceitos que devem ser explicados e entendidos, sobretudo nos tempos extraordinários como os que vivemos.

Re-alfabetizado, portanto, passei a época da Páscoa e a semana seguinte confinado em casa, em evicção – mais uma palavra a acrescentar ao meu vocabulário. Poderia estar feliz, sentindo-me sadio por estar livre, até ver, do vírus. Poderia estar sereno, em paz, por estar em casa, horas infinitas a ler, a ver filmes, me rendendo ao comportamento bovino e passivo do noticiário e das redes sociais.

“As saudades que eu já tinha da minha
alegre casinha tão modesta quanto eu
Meu Deus como é bom morar no rés do
primeiro andar a contar vindo do céu…”

Um edifício entre muitos edifícios. Um apartamento entre muitos apartamentos. Com os ouvidos percebo o que a vizinha de cima calça, com o olfato sei o que os vizinhos da frente estão a cozinhar. Distanciamento social, o que é isso? Nunca estivemos tão longe uns dos outros, tão apartados, tão separados, e, por incrível que pareça, nunca estivemos tão perto. Passamos agora os dias ao vídeo-telefone com a família.

Desde que a normalidade foi cancelada, em qualquer noite deste Abril apocalíptico que durmo mal. Ando ansioso, meio abatido, com receio do futuro. Tenho alternado “dias sim” e “dias não”. Sem o pretexto de sair a pedalar para o trabalho, evitei a bicicleta. Um verdadeiro ansiolítico, que me poderia atenuar estes dias de quarentena privilegiada, não sentei o rabo no selim. Fiquei em casa, numa espécie de penitência. Com o desejo de pedalar para qualquer lugar, o meu estado de espírito estava longe, do lado de fora da janela.

Respeitando o distanciamento social, o sol permitiu-me escapar de mão dada com a minha mais que tudo, em precárias saídas da prisão domiciliária para as compras essenciais. Ir à padaria, ir à mercearia,  “deitar o lixo”. Esticar as pernas e tomar ar, em curtos momentos de liberdade para fazer os tais “passeios higiénicos”. O privilégio de explorar e usufruir a natureza, os maravilhosos jardins que temos à volta de casa.

A primavera não foi avisada e o planeta está a beneficiar do confinamento dos humanos. O novo coronavírus esvaziou ruas, encerrou negócios e interrompeu milhões de vidas, menos o canto dos pássaros. Com a brusca diminuição da presença humana nas ruas, os animais selvagens urbanos têm caminho livre para reivindicar a cidade.

O tempo mudou de tempo, e o novo tempo é de estar desconfiado, de tudo e de todos. O bicho é cruel e democrático, mas o mundo dividido em dois, entre as pessoas que respeitam as normas pelo bem de todos e as que somente pensam nos seus próprios interesses, a paciência está a esgotar-se. Quanto tempo vai demorar, ninguém sabe. Dia após dia fica cada vez mais difícil, mas não é apenas do ponto de vista económico que os comportamentos irracionais emergem. Há o mecanismo cobiçoso que faz com que pessoas que se dispunham a respeitar as regras, ao ver a tendência de maus exemplos desejam violar também esse compromisso É a teimosia do egoísmo, do “se os outros não cooperam, nós também não cooperamos”. O problema é que estas pessoas incumpridoras são as mais perigosas.

Terminado este período de evicção… Ok, para vos poupar o trabalho de pegar num calhamaço Português-Português, “evicção” é, no caso, mais ou menos isto: a redução do ritmo de trabalho com vista à prevenção do profissional de saúde perante acidentes e doenças profissionais.

Prontes, então, dizia eu, terminado este período de evicção, volto finalmente a alapar o rabo na bicicleta. Noto que as ruas já não estão tão desertas, há mais movimento rodoviário, mas as escolas e as lojas permanecem fechadas. Ao início da manhã, estou a chegar ao local de trabalho no centro da cidade. A corrente ecoa em ruas outrora congestionadas. Não estranho pois o tempo de chuva é aliado com as autoridades nestes tempos de confinamento. Só mesmo quem realmente precisa é que pedala nas ruas. “Pareces um maluquinho!”, ouço à chegada!

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can’t miss [211] randonneursportugal.pt

Voltando a satisfazer o compromisso de aqui partilhar relatos dos aventureiros tugas no Paris-Brest-Pairs de 2019, ao ritmo que vão saindo novos testemunhos do forno dos Randonneur Portugal, chega a vez de dar a conhecer a crónica de Carlos Herlander, um dos randonneurs repetentes do PBP.

Sai mais um excelente relato, leitura apropriada a estes tempos de confinamento e de pouco entretenimento.

“…quando dou por ela estou em Brest, desta vez noite clara a proporcionar uma visão magnífica lá do alto da ponte…”

Carlos Herlander
Randonneurs Portugal Nº20120060
Paris Brest Paris 2019

[…] “Seguia eu de madrugada, mais ou menos congelado, pois tinha acabado de sair de Fougeres onde dormi duas horas (desta vez sob as estrelas que a árvore ficou em Brest) e ainda não tinha conseguido aquecer, quando junto a uma casa tipicamente rural vejo uma luz proveniente dum candeeiro a gás colocado em cima duma mesa onde não faltavam bolachas e bolos de todos os feitios. Assim que paro, aparece-me logo um casal de velhotes, enrolados em mantas. Tinham dado um pulo a casa para renovarem o stock de café quente. Em noite fria, café a ferver acabado de fazer e bolinho caseiro não é para todos. Brevemente, alguém em França irá receber um postal do Ribatejo acompanhado duma garrafa de vinho do Porto. É por estas e por outras que o PBP é o que é!” […]

Podem ler o relato completo do Carlos em: https://www.randonneursportugal.pt/pbp-2019-por-carlos-herlander/

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diários de um ciclista urbano numa cidade fantasma

Esta coisa do coronavírus, codvid-19, quarentena, estado de emergência, virou muitas vidas do avesso. Pessoas confinadas ao domicilio, escolas encerradas, fábricas paradas, comércio de rastos. Uma pandemia com efeitos devastadores imediatos.

Por motivos profissionais, o meu dia-a-dia pouco se alterou. A vida continua, e para que vá trabalhar continuo a pedalar, exclusivamente utilizando a bicicleta como meio de transporte, fazendo os meus percursos habituais, observando o Porto, sentindo o pulsar moribundo de uma cidade (quase) fantasma.

O Porto assim tão deserto é o éden rodoviário para o ciclista urbano tripeiro. Mas não, preferia ver a normalidade de uma hora de ponta. Normalidade aparente que se vive no hospital. Qualquer mensagem de apoio dá motivação e compromisso aos nossos guerreiros. Obrigado Super Dragões.

Hora de ponta do chamado “dia útil” é mais calma que uma manhã de domingo! No commute matinal, a certa altura, numa rua momentaneamente sem carros e sem gente, senti-me como um aventureiro do apocalipse.

Diz que em tempo de guerra não se limpam armas e a nossa arma perante tão malévola ameaça é o distanciamento social, a protecção individual, respeitar e acatar as indicações das autoridades. Mesmo que na tua pedalada solitária passe um colega de trabalho, não te aproximes dele e deixa-o ir.

Fica em casa. No fim de semana não podes ir dar a tua demorada volta recreativa, dá asas à imaginação. Olha, dá uma volta nos rolos… Não tens rolos nem o Zwift, coiso, tive uma ideia mas desde já te aviso, evita o rolo da massa, dá uso aos rolos de papel higiénico que açambarcaste e ainda deves ter aos montes.

Evita ao indispensável necessário as saídas higiénicas, passear o cão, o gato, o piriquito, ou então não imitar gente estúpida como os meus vizinhos que andam a butes na ciclovia em amena cavaqueira. Distanciamento social, o qu’é isso? Deixem-se estar que estão bem, cambada de…

🎼 só eu sei porque fico em casa 🎼, no fim de semana porque segunda feira, bute. Mas…

 

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can’t miss [210] outsideonline.com

Need to Get Around in a Pandemic?
Ride a Bike.

As COVID-19 shuts down buses and trains in cities, we remember that bicycles are the ultimate contingency plan

New Yorkers laughed off the bit about the subway—until social distancing became a way of life, there was no such thing as a New York City subway train that wasn’t packed during rush hour—but they took his bike-to-work advice more seriously. Days later, the New York City Department of Transportation reported a 50 percent surge in cycling over the East River bridges compared to the same time last year. Citi Bike also saw a 60 percent increase in ridership. Certainly, the warm weather and the extra hour of daylight from changing the clocks that weekend contributed to the bumper crop of cyclists, but plenty of people also cited coronavirus as the reason they chose to ride. One rider told the New York Post: “I feel better taking the bike… There are fewer hands touching these handlebars than the subway poles.”

This is by no means the first time people in major cities have turned to the bicycle in a crisis. When Hurricane Sandy knocked out the subway in 2012 and caused gas rationing, people rode bicycles. When the blackout of 2003 plunged New York City and huge swaths of the northeast into darkness, halting trains and causing mass gridlock, commuters scrambled for rental bikes. The bicycle has been a clutch player during transit strikes in New York, Philadelphia, London, and Paris. And on a personal note, during the chaos, confusion, and horror of 9/11, the bicycle got me where I needed to go. When the shit hits the fan, the bicycle is a powerful contingency plan.

[…]

As this pandemic compels us to consider the shortcomings of our healthcare system, the fragility of the economy, and our need for affordable healthcare, we should also give the bicycle its due. Even when you neglect it, it’s always there for you—all it ever needs is a little air in the tires.

Mais alguns artigos de bastante interesse sobre a mesma temática:

“As autoridades belgas estão a encorajar as pessoas a fazerem passeios de bicicleta e caminhadas, desde que mantenham uma distância de segurança de um metro e meio.”  in Jornal Económico

“Em particular, no que diz respeito ao uso da bicicleta, é permitido usá-la como meio de transporte nos movimentos permitidos para chegar ao local de trabalho, ao local de residência, bem como às lojas de primeira necessidade e à prática de desporto ao ar livre.
As condições a serem seguidas, como para todos os movimentos permitidos, não se mover em grupo e mantendo a distância mínima de segurança de 1 metro entre as pessoas.” in: Radiogold.it

“É possível pedalar durante o confinamento anunciado na segunda – feira por Emmanuel Macron , que entrou em vigor por pelo menos duas semanas a partir desta terça-feira. No entanto, várias condições devem ser respeitadas: você precisa andar de bicicleta sozinho e deixar entre 1 e 2 metros entre você e as pessoas que conhece. Finalmente, um certificado de viagem depreciativo será obrigatório para esse passeio, assim como para cada outra finalidade.”  in: liberation.fr

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vivemos dias estranhos

O impacto do surto de coronavírus na realidade lusa é agora evidente. O que parecia estar confinado ao continente asiático se materializou numa ameaça global. O crescimento exponencial do surto do Covid-19 volta a colocar o mundo em estado de guerra contra um microscópico vírus. Ao contrário da primeira pandemia do século, a gripe H1N1, o Covid-19 tem causado uma situação desesperante e de mortalidade muito grande. O cenário é preocupante, e qualquer que seja o desenvolvimento é já um grave problema global de saúde pública.

Se a propagação do coronavírus continuar, na proporção actual, por vários meses, os custos na saúde, na economia e nas condições de vida da população mundial serão terríveis. A perspectiva imediata é de continuidade da pandemia e consequente pandemónio na economia global. Se a pandemia não for controlada e mantiver o ritmo actual, o mundo poderá sofrer uma crise social sem precedentes.

Depois de alguma desvalorização da doença não vamos agora entrar na fase do pandemónio da ignorância e dos medos. Nada de alarmismos, não entremos em pânico. É preciso um esforço colectivo para fazer frente ao inimigo com os nossos comportamentos. Se não forem aceleradas e adoptadas as medidas de contenção da epidemia, estamos bem fodidos… lixados!

Vamos lá malta, cabe a nós, bichos humanos, juntar as mãos… neste caso os cotovelos, e unidos dar cabo deste bichinho, com inteligência, abnegação e civismo. Não lavar daí as mãos, achando que o vírus não nos apanha, mas pelo menos ter as mãos bem lavadas, pois sabe-se que este vírus se transmite com muita facilidade, no contacto próximo com pessoas infectadas ou superfícies e objectos contaminados. Algumas medidas preventivas de higiene pessoal são fundamentais para evitar a propagação da coisa: Evitar o contacto social. Não entupir as linhas de triagem Saúde24. Racionar o consumo de bens essenciais, máscaras de protecção e afins. Seguir as orientações emitidas pelas entidades oficiais. Foi absolutamente recomendado suspender ou adiar eventos com grandes aglomerados, sendo aconselhável ficar de quarentena, restringindo ao indispensável sair de casa.

Mas vida continua, o mundo gira e muitas de nós precisam de se deslocar de um lugar para outro. Ir trabalhar e dar o contributo possível para a sociedade. Diante desta realidade questiona-se qual a forma adequada para o fazer sem se colocar em risco de um possível contágio. Parece óbvio que uma situação de alarme colectivo, viajar de transporte público será o mais arriscado. Basta o sujeito sentado ao lado tossir para causar a dúvida se é seguro entrar num autocarro, comboio ou metro!

O facto é que na mobilidade urbana e interurbana existe uma clara correlação entre o uso do transporte público e a propagação da gripe. A mesma incidência foi verificada em estudos à mobilidade em veículos particulares, como o automóvel, e o risco de contágio com alguém que está com gripe é também presente. Esta evidência é mais um factor para recomendar o uso da bicicleta como a melhor alternativa para o transporte. Obviamente, isso depende da pessoa, da idade, da distância a percorrer, do preparo físico… Não vou dizer a um tipo que leva uma vida sedentária que comece agora a pedalar para o trabalho. Mas, honestamente, quando se têm a opção de se deslocar a pé ou de trotinete eléctrica, acho que é uma prática altamente recomendável e isso reduz significativamente o risco de contágio.

Enquanto durar esta ameaça do Covid-19, continuarei a sair à rua de bicicleta, seja para o meu commute diário, de e para o trabalho, seja para uma pedalada mais demorada e distante. A prática do ciclismo pode ser o antivírus de que precisamos. Desde logo porque todos nós que praticamos ciclismo sabemos que, mentalmente, pedalar é uma actividade lisonjeadora. Não pensamos nas coisas más e nos sentimos mais autónomos e confiantes. Por outro lado, o ciclismo tem benefícios evidentes para o sistema imunitário e pode retardar os efeitos de um possível contágio. Depois, e concordando que é absolutamente recomendado suspender ou adiar eventos com muita gente, não vejo perigo, ou colocar alguém em perigo, ao sair à rua no selim da minha bicicleta. Nesse sentido, não há nada negativo. Não consigo encontrar nada melhor para fazer do que pedalar, mesmo que seja sozinho pois então, para depois, quando chegar a casa, continuar a ser um tipo e cidadão responsável, permanecendo de quarentena, a descansar as pernas.

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