era uma vez…

… uma época em que tudo parecia grande e misterioso. Guardada lá em casa estava uma máquina que nos convidava à aventura. Não tinha asas mas tinha duas rodinhas que nos mantinha aprumados. Não tinha foguetões mas tinha dois pedais suficientemente dóceis para nos transportar no espaço. Tinha guarda-lamas para nos manter limpos. Tinha protecção de corrente que nos poupava as bainhas. Tinha um assento que parecia tão confortável como um sofá. Tinha pneus largos que marcavam riscos nos caminhos de lama. E às vezes furavam-se! Tinha punhos no guiador para que pequenas mãos o segurassem firmes. Travões… tinha, mas caso não a fizessem abrandar, uma sapatilha Sanjo fincada no pneu de trás servia para o efeito. Brincadeiras de criança. Da escola vinha com toda a bolina, pasta ao dependuro e um amigo de pendura. Do campo da bola chegava todo sujo e com os joelhos esfolados, tocando a campainha. Eram bicicletas duras e feitas para durar. Mesmo quando precisava de uma reparação, umas ferramentas da caixa do pai davam para se desenrascar. -Oh, deixa-me dar uma volta? E eu deixava. Se até uma criança de oito anos o podia fazer… numa Órbita!

                      Paulo      Paulo e Tó

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can’t miss [144] investimentosenoticias.com.br

Turismo de bicicleta é a nova tendência do mercado português

Eliane Leite, diretora da Adventure Club

“Segundo pesquisa feita pela Federação Europeia de Ciclismo o mercado de bicicleta, incluindo o cicloturismo, gera mais emprego na Europa do que os de siderurgia, minas e pedreiras. De olho no potencial de crescimento desse mercado, Eliane Leite, diretora da Adventure Club, agência brasileira especializada em programa de cicloturismo, realizou uma famtrip em novembro pela região Alentejo, que fica ao sul de Portugal, para conhecer o mercado de lá.

“Foram quatro dias no destino e realizei percursos diários de bicicleta que variavam de 8 km a 32 km, mesclando ciclovias de terra batida e asfaltada, trilhas leves e pesadas passando por cidades como Arraiolos, conhecida pelo artesanato, e Évora, declarada Patrimônio da Humanidade”, diz Eliane Leite.

O Alentejo tem pontos ecológicos e históricos, cozinha de ponta, rotas de vinícolas, hospedagens que prezam pelo conforto, atmosfera amigável, segurança e passeios guiados em grupos pequenos.

O mercado europeu como um todo tem investido bastante no segmento de turismo e em tornar a bicicleta um dos meios de transporte mais utilizados no continente. Em janeiro de 2015 havia aproximadamente 655 mil pessoas trabalhando na economia ciclística europeia, que inclui produção de bicicletas, turismo, varejo, infraestrutura e serviços, contra 615 mil pessoas nas áreas de mineração e pedreiras, e 350 mil no setor siderúrgico.”

…

(Podes ler o artigo completo em: investimentosenoticias.com.br)

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linha B: Porto – Aguçadoura

Assim é, diariamente, o meu perfeito começo de dia. Quer dizer, em parte  sinto essa satisfação nas primeiras horas dos chamados dias úteis, mas num domingo preguiçoso tem um sabor diferente. 7 é uma hora excelente para começar a pedalar. Tem-se a sensação de exclusividade das ruas nas primeiras horas da manhã. Acontece que na garupa da bicicleta, aquele amanhecer enevoado é contagiante, o ar puro e frio, a luz do sol que desponta e todos os possíveis estímulos abrem demais o apetite para dar ao pedal. Assim lá fomos em grupo animado,  com o Jacinto, o Manuel, o Zé e o Miguel, para em ritmo de passeio e boa disposição, pedalar pela Nacional 13 até à Póvoa de Varzim. Depois da reposição de calorias e fotografias, alongamos um pouco mais as pernas até à vila de Aguçadoura, a terra natal do nosso campeão Rui Costa que promovia mais um passeio solidário com os seus amigos. Infelizmente não pude ficar para o passeio e assim regressei pouco depois. Só, mas bem acompanhado com Sua Alteza, foi em pedalada acelerada que cheguei à Póvoa para depois aproveitar a boleia do metro, regressando assim mais rápido ao Porto para compromissos em casa.

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rafeiros vs ciclistas

Já aqui contei alguns episódios dos meus encontros imediatos com criaturas dentuças, o da velha Sheila do cais da Ribeira, e o de um outro, o pulguento da vizinhança que afinal só queria brincadeira. Por qualquer razão, alguns cães não se dão lá muito bem com os ciclistas. Topam uma bicicleta ao longe, que vai ou não na sua direcção, e desatam logo a ladrar e a rosnar, perseguindo os afoitos ciclistas. Talvez seja apenas para sacudir as pulgas, talvez porque que lhes apetece coçar os caninos num rechonchudo tornozelo (pelo sim e pelo não, o melhor é não depilar as pernas!), talvez porque se sentem intimidados pela bicicleta, o certo é que há cães que não combinam com as bicicletas. Posso dizer até já possuir alguma experiência na temática “como escapar aos pulguentos”, mas, até ver, só um me deitou ao chão.

O Jacinto e o jeco

Ontem, durante o seu treino/passeio, o meu amigo Jacinto apanhou um valente susto provocado por um desses vira-latas eriçados que estava de atalaia na borda da estrada. A câmara de bordo da sua bicla apanhou o jeco em flagrante delito. O cão aparece do nada, não ligando patavina ao Rui, que ia à frente e,  surgindo de súbito ao lado do Jacinto, deixando o nosso amigo gelado e com as pernas a tremer. Felizmente, teve a frieza de manter o seu equilíbrio, não se desviando para a faixa contrária, onde havia circulação automóvel no sentido contrário. Mais tarde, na sua página do facebook, o Jacinto publicou o vídeo e relembrou o acontecimento fatídico com o nosso Joaquim Agostinho, que sucumbiu num hospital dias após a queda provocada pelo atropelamento de um cão que se atravessou à sua frente, numa das etapas da Volta ao Algarve em 1984.

Caso algum cão danado se intrometa no nosso caminho, não demonstrar medo aos caninos é essencial. Se o cão surgir ameaçador na nossa direcção gritar com toda a força pode desmotivar o bicho, senão o melhor é parar. Desmontar da bicla intimida-os e já não mostram tanta coragem. Ladram um pouquinho e vão embora com o rabo entre as pernas, provavelmente a rosnar algo do género: “Olha, este não quer brincar!”. Mas caso os vadios sejam daqueles que não desistem facilmente e exibem os caninos bem pertinho do nosso tornozelo, então só nos resta dar às canetas, antecipar uma vigorosa pedalada, sacar do bidon e esguichar um pouco de água no focinho, na esperança de os ver ficar para trás.

Volto a lembrar, eu tenho cá esta teoria que poderá explicar a mania dos cães correrem atrás das bicicletas: Cá para mim, o que os move são os ciúmes, porque em todo o caso a bicicleta rivaliza com eles, na qualidade de melhor amiga do homem!

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apenas eu e a bicicleta, num momento melancólico

Poderia ir por ali, mas não seria a mesma coisa! Assim, rumo a casa por um caminho mais longo, mais duradouro. Desço a rua, contorno os carris e desvio a rota. Sentindo a bruma nas trombas, algo mágico acontece enquanto deslizo junto ao rio. De repente, sinto de novo aquela sensação de liberdade. Há qualquer coisa em mim que nos empurra até ao mar. E num ápice, absorvendo a vida, envolto na tranquilidade, encontro o vasto oceano, onde só a natureza fala!… É que de outra forma eu não o vejo!

o que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano

“o que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano”… Isaac Newton

 

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reciclando [16] entre o “seguro morreu de velho” e “quem não arrisca não petisca”

É difícil ser-se confiante quando se acha que não se é capaz, que vai correr mal, quando se dá maior importância aos aspectos negativos do que aos positivos. A confiança pode ser medida nas consequências do que o nosso julgamento produz. Algumas pessoas são inerentemente desconfiadas, valorizando o medo e a incerteza, chegando mesmo ao ponto de desencorajar os outros. Boas consequências nos tornam mais confiantes, as más fazem de nós permanentemente desconfiados. Na maioria dos casos o nosso julgamento é o mais acertado, embora haja momentos em que a incerteza, o desconhecido e alguma ingenuidade, se sobrepõe ao verdadeiro risco que assumimos.

bike from work
É muito relativo aquilo que se tem como risco, e para alguns o ciclismo está na categoria de risco iminente. Na realidade os ciclistas correm certos riscos adjacentes, visíveis e invisíveis, cada vez que vão para a estrada, mas que são nada mais que riscos comuns aos utilizadores da via pública. Surgem muitas vezes na forma de situações ou acções alheias: de automobilistas inconscientes, portas de carro que se abrem à sua frente, buracos no piso, detritos espalhados na via, pessoas distraídas que atravessam a rua… Daí o argumento amplamente divagado que andar de bicicleta é perigoso, o que tanto vale em casa própria como opinião abstracta. Mas, e depois!? Se corremos riscos inclusive no recesso das nossas casas, não é por isso que deixamos de prosseguir normalmente as nossas vidas!

cicloviando

Muitos ciclistas não têm o conhecimento formal das regras rodoviárias ou, se têm, insistem em desrespeita-las. Circular nos passeios, em contra-mão, passar nos vermelhos, e contra mim falo, circular à noite sem luzes, é assumir riscos desnecessários. Para os mais novatos, pedalar pode apenas significar saber como se equilibrar uma bicicleta, fazer acrobacias, andar aos saltos no monte, descer a toda a velocidade do ponto A ao ponto B. Uma vez na estrada fiam-se no ambiente que os rodeia, querendo acreditar que têm tudo controlado. Por uma questão de segurança, todos os ciclistas devem andar atentos, confiados mas desconfiados. É que confiar em demasia nos outros nunca é bom e um pingo de desconfiança deve ser uma função automática do ciclista. O cálculo do risco deve estar presente e sempre tomar por princípio que, naquele momento, tudo é estranho. Isto não implica que se tenha de assumir um certo risco, por exemplo quando se partilha a via com veículos pesados, ou escolher os percursos mais exigentes mas menos fiáveis, porque muitas vezes não há nem tempo nem informações que permitam determinar o que é confiável. Consequentemente, o melhor mesmo é não confiar em ninguém.

fisheye

Por outro lado, o acumulando de quilómetros não nos dará necessariamente um reconhecimento amplo de todos riscos. Esta é uma armadilha frequente para ciclistas experientes que acham que conhecem tudo. Alguma auto-confiança é inerente à experiência e com isso determinados riscos, visíveis ou invisíveis, poderão ser minimizados. Infelizmente, não podemos saber o que não sabemos, podemos apenas buscar conhecimento para nos guiar. Serve para tudo na vida. Não nos podemos iludir em acreditar que nada vai acontecer connosco e que as coisas más só acontecem com os outros. Ponto essencial é ser prudente e não confiar cegamente nas nossas aptidões. A antecipação é um bom truque. Saber que o perigo existe, que pode surgir a qualquer momento, torna-nos mais previdentes.

eu

No campo de jogo, na ciclovia como na rodovia, o que a nós diz respeito é sermos assertivos para reduzir a probabilidade de nos envolvermos num acidente. A educação, o respeito, a atenção, são a preparação para seguir com confiança e orientam o ciclista na antecipação de algum “pior cenário”. O ruído de um carro que se aproxima na nossa traseira, uma buzinadela, tanto pode ser um comportamento agressivo iminente para o ciclista como um condutor que nos avisa do que pretende, que é ultrapassar em segurança. A nossa primeira reacção é desconfiar da acção do condutor e, em simultâneo, demonstrar confiança nas nossas aptidões para agir e reagir. Assumir a nossa posição, indicar o que pretendemos fazer, sem arriscar uma manobra que seja perigosa para nós, só para lhes dar o luxo de nos verem sem confiança. Ter a consciência do perigo iminente é crucial para a sobrevivência e assumir a nossa segurança é uma boa ideia.

(para fotomontagem arrisco uma série de selfas, mas das quais não sou exemplo, tá bem!?)

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fotocycle [171] a bicicleta

a bicicleta

Leva-me para todo o lado e faz questão de tornar o meu dia-a-dia mais alternativo. Com ela chego ao trabalho bem relaxado. Com ela chego a casa menos stressado. Nela aprendo a saborear o tempo, a libertar a mente, a focar um instante. Tem essa capacidade maravilhosa de me transmitir a real dimensão da distância, do relevo, da temperatura. Mantêm-me os olhos abertos para descobrir outras visões da cidade, outras formas de ver o mundo. Dá cor a todo o momento.

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toda a via

ciclistas urbanos

Sabendo que estamos bem atrás de outras sociedades europeias no que concerne ao uso da bicicleta, todavia vejo um aumento de ciclistas na cidade. Pessoas a pedalar nas suas deslocações diárias passou a ser coisa rotineira, tanto no Porto, como em Gaia ou Matosinhos. Há muitos novos ciclistas. Há outros que já o eram e que entretanto mudaram o chip para dar uso à bicicleta no seu dia-a-dia, para o transporte. Também há os turistas que nos visitam e alugam uma bicicleta, para fazer turismo, passar a ponte com toda a naturalidade, usufruindo e partilhando das mais belas vistas panorâmicas sobre o Douro. É uma evidência, os ciclistas urbanos estão presentes e em força nas escassas ciclovias, alastram-se pelas ruas, mesmo nas mais íngremes, sinuosas e fustigadas pela opressão automobilística. A mobilidade urbana reclama condições mais favoráveis ao transporte colectivo e aos modos suaves. Embora os automóveis sejam necessários, é incontestável que quem anda a pé ou pedala uma bicicleta tem a liberdade de enfatizar o valor desse extraordinário veículo na redução da poluição e dos malefícios do congestionamento das cidades. Parece-me necessária a redução da motorização individual, melhorar a rede de transportes públicos e dar mais condições à utilização de bicicletas, pelas óbvias razões ecológicas, económicas e de planeamento urbano. Usando a bicicleta para o transporte permite a liberdade de circular em qualquer lugar, não ter preocupações de estacionamento, tornando o ambiente urbano mais natural com o advento do ciclismo.

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ciclofilia [131] A Paris Bike Ride

“La vie, c’est comme une bicyclette, il faut avancer pour ne pas perdre l’équilibre.”

 

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can’t miss [143] webventure.com.br

Transpirenaica: a travessia dos Pirineus de bicicleta

[…] “Passamos 20 dias pedalando entre as serras e vales dos Pireneus. Sei que algumas lembranças e emoções vamos guardar por toda vida. Como acampar sob as árvores de nozes e avelãs (e saboreado suas castanhas diretamente do pé), poder ver o sol nascer no Parque Nacional do Alto Pireneu, conseguimos chegar ao cume nevado do Monte Perdido, enfrentamos subidas de 25 quilômetros, descemos por horas cruzando cânions e acompanhando rios de azul turquesa, fizemos amigos de todos os tipos e idades, conhecemos cicloturistas de muitos países, cozinhamos e saboreamos cogumelos recém colhidos na mata, vimos o eclipse de uma super lua no alto da montanha, e o principal, tivemos um tempo para ficar sem chaves nem senhas, guiados somente pelo tempo da natureza, presos somente ao horário do sol e do frio.” […]

Para os que gostariam de sair assim numa aventura de bicicleta, descobrir a beleza que a natureza tem para dar, pedalar mais perto das estrelas, tem aqui um aliciante aperitivo.

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