can’t miss [156] infinitomaisum.com

O Dia em que Aprendi a Andar de Bicicleta

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“Se alguém me dissesse que, aos vinte e três anos, ia aprender a andar de bicicleta eu ia-me rir muito. Porquê? Porque pensaria que nesta altura do campeonato já não haveria nada a fazer e que se não aprendi com dez anos não ia ser agora que ia acontecer. Enganei-me.

A verdade é que eu, Ana Garcês, aprendi a andar de bicicleta graças ao Mário, que tinha feito a promessa de me ensinar mal soube da minha condição de não me conseguir aguentar em veículos a pedal com duas rodas. E é essa a história que vos venho contar hoje.”…

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fotocycle [191] um nevoeiro estranho

está um nevoeiro estranhoEstou aqui de frente ao oceano mas o cenário é estranho. O som anódino das gaivotas, um céu que não é azul, a maresia misturada com um odor defumafo. É tristeza o que se sente nessas ocasiões. Como num fugaz se tornam em cinzas a Natureza, a floresta, lugares tão emblemáticos como a Serra da Freita e a ilha da Madeira. Deixa um sentimento de impotência. Incêndios ateados cruelmente por criminosas intenções, chamas que há dias devastam bens e consomem vidas. Deixam um rasto de destruição. O tempo  e o vento amplificam a desgraça e cobrem a cidade com um manto escuro. O sol está envergonhado, o  ar está pesado. É dificil respirar, mais difícil é entender…

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can’t miss [155] thecityfixbrasil.com

(Para reflexão de todos e acordar os gestores públicos cá da praça)

Fazer da bicicleta uma realidade exige mais do que construir ciclovias

By Paula Tanscheit in thecityfixbrasil.com

thecityfixbrasil.com

“Parte da infância de muitas pessoas, as primeiras pedaladas em uma bicicleta geralmente remetem a memórias positivas. No entanto, aos poucos as magrelas vão ficando sem uso e sendo substituídas por outros meios de entretenimento e de transporte. A questão é que o estabelecimento de uma mobilidade sustentável de centenas de cidades pode, num futuro bem próximo, depender delas. Fazer elas voltarem às ruas só precisa de um pouco de incentivo.

A experiência em muitas cidades sugere que oferecer instalações especiais para o trânsito de bicicletas é apenas uma parte – ainda que de grande importância – do processo de estimular cada vez mais pessoas a pedalar. Políticas mais amplas, que incluem mudanças no desenho urbano das vias, áreas sem carro, regiões de baixa velocidade, todas essas são atitudes vitais para que a população se sinta segura a trocar o transporte particular pela bicicleta. Porém, aproximar a própria bicicleta das pessoas também é necessário. Para isso, cidades podem valer-se das mais diversas iniciativas, desde fechar ruas para o uso da bicicleta aos domingos ou organizar workshops para quem quer começar a pedalar, até a promoção de megaeventos.”

…

(continua ler este excelente artigo em thecityfixbrasil.com)

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sinais de fumo, sinais de alerta

o filtro fumarento

O sol poente de ontem estava deslumbrante, mas a beleza do momento não representa a realidade que quero realçar. O céu está quente, ardente, turvado pela fumaça que cobre a cidade e filtra o sol.

Antes de mais, aos nossos heróis, bravos soldados da paz, muita força e coragem.

O Grande Porto está em brasa e as altas temperaturas combinadas com o vento forte e seco fazem com que chamas imparáveis destruam a floresta e tudo o que apanham pelo caminho. A mão criminosa aliada à falta de limpeza das matas, continua a ser a maior causa do flagelo dos incêndios. Ainda há dias, quando pedalava pelo Monte de Santa Justa, fiquei chocado com a quantidade de pneus velhos, lixo e entulho criminosamente espalhado pela mata. Todos nós sabemos que a floresta só com o calor não arde e que muitos destes incêndios não são obra do acaso. O fogo posto e a falta de limpeza das matas deve ter mão pesada da justiça.

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fotocycle [190] el rei vai de bike

Surpreendentemente, ou não, o dia acordou envolto pela neblina. Um manto cobre as copas das árvores, dilui o firmamento da cidade e tolda-me o horizonte. Gosto deste mistério das manhãs de nevoeiro, deste místico despertar tripeiro, da bruma fresca e parda melancolia que me transporta… até o regresso do tão desejado sol! E eu aproveito cada momento.

el rei vai de bike

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amor é, chegares a “casa” e ouvires a frase: “Que é!? Vais já para a banheira.

“-Vais pedalar? -Vou… -Vai com cuidado.” Este é o diálogo rotineiro a cada minha saída matinal de licra vestido e capacete na tola. Não imaginava a Carla para onde eu ia pedalar esta manhã de Sábado, só havia avisado que não me esperasse para o almoço.

Serra #20

Não é todos os dias que tenho a possibilidade de marcar o rodado dos pneus em trilhos de todo-o-terreno. Sem viatura própria, isto é, sem uma bicla de bêtêtê decente, moderna e funcional guardada na arrecadação, para aceitar o convite do Rui tive de recorrer ao empréstimo da sua BERGolina, assim a baptizei. Ponto de encontro na Ribeira com o Luís e o Tozé, aka W. Wolf, amigos com quem fizemos a recente bicigrinação a Compostela. Também alinharam no desafio o Domingos, o Sérgio e o filho do Luís, num excelente convivo por montes, vales e rios. Um magnífico passeio pelo nosso quintal serrano, comendo pó e bebendo camaradagem.

Depois de uma semana de intenso calor, estranhamente a manhã estava fresquinha e carregada de nuvens, mas estávamos optimistas. Cumprimos nas calmas o percurso alcatroado até às portas de Valongo, para então começarmos a desbravar a Serra e acumularmos bons momentos. Orientados pelo lobo mau, o tal das “subidas lizinhas, sem dificuldade nenhuma”, galgamos trilhos agrestes de pedra solta, ao ponto alto da paisagem se abrir à nossa frente, e depois descer vertiginosamente num downhill alucinante e poeirento. Para não variar, eu era sempre o último a chegar aos cursos de água.

A luz enevoada dos densos arvoredos, a orografia dos trilhos do Paleozóico tornava a coisa quase mística, mas só até ao reencontro com o asfalto. Justamente na íngreme ascensão empedrada do Monte de Santa Justa, aos poucos fomos chegando ao cume para a foto de grupo na escadaria da capela.

É tão agradável a sensação de pedalar no meio do monte, na paz e sossego da floresta, nos misturarmos com a natureza para voltarmos de novo à civilização e, demorado algum tempo, percebemos que não sabemos bem onde estamos! E quando dei por ela já estávamos no alto da Senhora do Salto! Então descemos para finalmente relaxarmos ao sabor da célebre febra no pão, com todos os extras a que tínhamos direito.

Serra #12

Pouco interessado nas mudanças de humor do clima, ao rever aquele “pequeno Canyon”, as escarpas de rara beleza sobre o Sousa, recordei momentos de infância quando os meus pais nos levavam a visitar a capela, merendar e refrescar nas límpidas águas do rio. Gostei de lá ter voltado mas estava triste com o panorama. Aquele mastodonte de cimento, obra do chamado “desenvolvimento”, que paira incongruente sobre um inestimável património natural é demasiado chocante. Os crimes ambientais são facilmente perceptíveis, a poluição do rio e a chamuscada mancha florestal que recentemente foi consumida por mais um incêndio no mínimo duvidoso.

Reparado o estranho furo detectado na minha montada, rápido embalamos pelas margens do rio até reencontrar a estrada e, numa cota bem mais elevada, voltar a sair dela para de novo britar pedra, subir e descer, recarregar os níveis de adrenalina deixando um opaco rasto de pó. O reino da fantasia foi por momentos interrompido pelo roncar do motocross, para logo voltarmos ao silêncio e ao suave zumbido das correntes e dos estalinhos das transmissões das bicicletas… ah, e o rock & roll saído da coluna de som da bicla do Domingos!

Estranhamente, o comandante lobo desorientou-se, enganou-se no caminho até no meio do mato descobrir um autóctone, espécie de gêpêesse humano da terrinha, que nos recolocou no rumo certo. E o rumo era o regresso à estrada, descer ao Douro e à velha nacional 108, para numa cadenciada… vá lá, cansada pedalada, voltar ao ponto de partida. Rebocando quem atrás vinha e ouvia música, a música do vento que se podia ouvir, chegamos a tempo do lanche. Despedidas feitas, cada qual rumou para sua casa…

… e em “casa” me apresentei, feliz da vida, nesta triste figura!… “-Olá amorzinho!” 🙂

Serra #23

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estamos de Volta, temos equipa

ciclista de chumbo FCP

Como portista e adepto do ciclismo, não poderia deixar de afixar um postal do há muito ansiado regresso do Futebol Clube do Porto à Volta a Portugal em Bicicleta. Hoje dão-se as primeiras pedaladas para a 78ª edição da prova. As camisolas azuis e brancas, associadas à W52, voltam a colorir as estradas de norte a sul do país. Da equipa composta por oito ciclistas, sob a direcção desportiva de Nuno Ribeiro, consta o vencedor das mais recentes edições da Volta, Gustavo Veloso, e um grupo de ciclistas experientes e jovens promessas, alguns deles com historial familiar no ciclismo do clube, embaixadores da mística que irão dar tudo para engrandecer o histórico do clube na maior corrida de bicicletas de Portugal, agora com máquinas em carbono.

Ao longo da história da modalidade, alguns dos melhores e mais prestigiados corredores do pelotão português representaram o clube do dragão, destacando-se Emídio Pinto que se tornou um nome incontornável no historial de sucesso azul e branco no ciclismo português. O ciclismo, então praticado em bicicletas de aço e de alumínio, representou um papel importante no crescimento eclético do FêCêPê. O clube deu as primeiras pedaladas na modalidade em 1945 até a suspender em 1984. O FC Porto detem o maior número de títulos de vencedor na mais importante prova velocipédica nacional, doze vezes colectivamente e treze vezes individualmente:

1948 – Fernando Moreira; 1949 e 1950 – António Dias dos Santos; 1952 – Moreira de Sá; 1959 – Carlos Carvalho; 1960 – Sousa Cardoso; 1961 – Mário Silva; 1962 – José Pacheco; 1964 – Joaquim Leão; 1979 – Joaquim Santos; 1981 – Manuel Zeferino; 1982 – Marco Chagas.

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fotocycle [189] livros para sonhar, bicicleta para voar

Há um pintor galego que gosta de andar pelas cidades a desenhar, ilustrar e pintar o que nelas mais o encanta e impressiona. David Pintor, um humorista gráfico, caricaturista, ilustrador e pintor, com várias exposições, prémios e livros publicados. Pois, em Lisboa foram os monumentos, a calçada, as sardinhas e os eléctricos que mais o inspiraram no seu livro de ilustrações, onde David Pintor esboça o seu fascínio pela cidade alfacinha ao longo de cerca de trinta desenhos, um agradável passeio conduzido pelo seu alter-ego que se desloca de bicicleta. Uma forma muito peculiar de convidar conhecer a cidade.

David Pintor - livros para sonhar

No Porto, quem passa pela rua das artes, a Rua Miguel Bombarda, não passa despercebido ao mural assinado por David Pintor onde o próprio surge autoretratado e, enquanto protagonista, sonha nas asas de um livro. E porque os livros são o alimento da imaginação, tal como são as bicicletas, achei por bem emprestar-lhe a minha, aquela que me fazia voar naquela bela manhã.

http://www.davidpintor.com/

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bike to work, um testemunho na primeira pessoa

bike to workSei que a minha opção ainda não é compreendida por algumas pessoas, mas reafirmo, a bicicleta é a melhor opção para a cidade. Gosto de andar de bicicleta, pois! Andar de bicicleta é uma paixão antiga e nada melhor que unir o útil ao agradável. É uma forma de me exercitar e a actividade física é muito importante para a minha saúde. Pensando no bem-estar e na qualidade de vida, a saudável rotina de sair de bicicleta para trabalhar é também uma forma de economizar. Usar a bicicleta ao invés do automóvel só nos traz benefícios. A minha residência fica distante cerca de cinco quilómetros do emprego, levo aproximadamente 15 minutos para chegar ao serviço, no centro da cidade. Fazendo o percurso de carro ou de transportes públicos levaria mais tempo. Apesar de algumas dificuldades ainda sentidas pelos ciclistas, no Porto e arredores, os exemplos multiplicam-se a cada dia. Optar pela bicicleta para ir para o trabalho, para os afazeres diários, para um passeio ou um treino mais exigente, tem conquistado mais adeptos. Gostaria de ver mais gente a deixar o carro na garagem e sair a pedalar. A bicicleta é muito mais que um veículo, é a ferramenta.

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teve graça, e eu ainda não tinha subido à Senhora da Graça!

Sexta-feira à tarde. Está um gajo sossegado a empaliar serviço, a fitar o relógio e magicar um fim de semana de praia a torrar ao sol, chega o Rui e deita água na fervura! “E amanhã, vamos à Senhora da Graça?!…” À resposta mental, “Tem graça, ainda não subi à Senhora da Graça!”, seguiu-se a verbal, “Bora lá combinar isso.”

Senhora da Graça #8

Só conhecia a mítica subida do Monte Farinha à Senhora da Graça das transmissões da Volta a Portugal. Em comentários avulsos com quem já a havia pedalado até ao cume, sabia da dureza da escalada e da deslumbrante paisagem que se pode ir desfrutando. Há muito que esta etapa estava prometida. Consultados os músculos, os astros, e o horário do comboio urbano até Guimarães, tudo se conjugou então para que se cumprisse a conquista da Senhora da Graça.

Senhora da Graça #1

A ideia de aproveitar o comboio foi, basicamente, para atingirmos o objectivo antes da hora do almoço. As previsões de calor intenso aconselhavam-nos fazer a escalada durante a manhã. À tarde, desceríamos o Tâmega até Amarante e, a partir daí, dois planos estariam em análise: o plano A, que previa rumarmos ao Douro e regressarmos ao Porto pela frescura da EN108; ou o plano B, que caso as pernas reclamassem e o calor apertasse, previa darmos um gafunho no rio Tâmega e  fazermos depois o desvio até Caide de Rei, onde um comboio faria o favor de nos dar boleia até casa. Mas mais experiências iriam ser postas em prática, não só de modo a poupar as pernocas para as subidas, mas, sobretudo, aproveitar a acalmia das pistas, ecopistas e afins.

Chegados a Guimarães e consolados os estômagos, a primeira tarefa foi dar com o início da bela e interessante pista de cicloturismo. Em 1986, a linha ferroviária que unia as cidades de Guimarães e Fafe foi desactivada e entretanto transformada em pista de cicloturismo. É uma agradável solução e alternativa sossegada à EN206. Nos seus cerca de 14 km’s, a pista estende-se paralela ao rio Vizela, cruza aldeias típicas, bosques e áreas predominantemente rurais, proporcionando a harmonia perfeita entre a natureza, vários elementos de valor arquitectónico e patrimonial do antigo ramal ferroviário, que conferem um interesse especial ao percurso.

Uma vez em Fafe, pela frente seguiu-se o desassossego da EN206 na ascensão até ao Alto da Lameira. É uma subida pouco pronunciada mas extensa, conhecida desde a minha passagem no Brevet 300 Baixo Minho e Barroso. Deu para me aborrecer com uma ou outra razia automobilista, mas sobretudo deu para aquecer as pernas e o cachaço, pois o calor já se fazia sentir. As eólicas ficaram para trás e veio então a saborosa e longa descida rumo ao Tâmega. À passagem por Gandarela, fêz-se o desvio para a EN304, uma das mais belas estradas deste país, que nos levou descontraídos até Mondim de Basto. A esplendorosa panorâmica do Alvão ia-nos sendo revelada, sempre com o prenunciado Monte Farinha em primeiro plano, engrandecendo e nos provocando ao desafio. Várias paragens foram inevitáveis para deliciar a alma e encher a teleobjectiva de fotografias.

Depois de reabastecer de água e coragem, a pedalada prosseguiu tranquila pela EN312 até ao primeiro desvio para o cume. De peito feito à inclinação inicial do asfalto, deu para perceber a dimensão do esforço exigido a quem sobe até lá acima. São 8,5 km’s de ascensão, intercalados por violentas cotoveladas e pouco descanso. À passagem pelo parque das merendas, o aperitivo era cada vez mais salgado. O suor ia caindo em bica, cada sombra na estrada era disputada e a cada golada o ritmo diminuía. A estrada empinava inapelável à rotação pesarosa dos pedais e a paisagem absorvia a nossa atenção. Após o brinde do bendito fontanário, definitivamente o trigo separou-se do joio. O banho quase integral fez-me bem e regenerou-me para o próximo quilómetro. Parecia estar dentro de um forno, a cozer lentamente.

Passamos dois ciclistas, outros malucos, estes em bicicletas de montanha à rotação de 10 pedaladas por metro percorrido. O termómetro do ciclocomputador marcava 43 graus!!! Os 2 quilómetros finais, se já são demolidores, feitos no pico do calor são um verdadeiro martírio. Como tal, foi em ritmo muuuito descontraído e calmo, que numa hora de pedalada chegamos finalmente à recompensa e ao deslumbramento. Que paisagem, que vastidão. Do alto do Monte Farinha olha-se em redor e dá para perceber porque dizem ser aquele um dos lugares com as vistas mais espectaculares que temos em Portugal. É fantástico, aquilo: o misticismo, o ar puro, as paisagens, as vertigens… mas o corpo já reclamava o almoço, e então descemos com cuidado até à primeira tasca de Mondim. Ficou-me a vontade de lá voltar, quem sabe, num dia de etapa da Volta!

Amarante seria o próximo destino e a ecopista do Tâmega o tapete perfeito para lá chegar. Entramos na pista junto à abandonada e degradada Estação de Mondim. A ecopista resulta também da reconversão de um antigo ramal de comboios, a linha férrea do Tâmega, que ligava Amarante a Arco de Baúlhe. Percorridos cerca de cinco quilómetros, voamos até ao considerado “quilómetro zero”, o centro nevrálgico da ecopista em Celorico de Basto, onde existe um espaço museológico, uma antiga carruagem, equipamentos de descanso e lazer. A estação foi recuperada e é uma relíquia.

Com o Monte Farinha quase sempre presente, o rio bem lá ao fundo, por entre quintas de campos cultivados, áreas florestais e paisagens muito bonitas, menos tolerável é a imensidão de obstáculos desnecessários chamados de “balizas de segurança” que tivemos de ziguezaguear. A cada cruzamento, estradão corta-fogo ou carreiro no meio do nada, existe sempre uma barreira. São verdadeiramente desesperantes para quem pedala…

Durante cinco quilómetros, entre Chapa e Codeçoso, o piso é em terra batida, o que torna a pedalada divertida. Pelo menos ali não existem as tais barreiras nos cruzamentos com os corta-fogo. À parte do pó e de um carreiro escavado pela água, que pisei e me estremeceu todo, o piso é suave q.b. para as nossas rodas finas. As sombras adoçavam as ondas de calor e quando penetramos o granítico Túnel de Gatão, o único nesta ecopista, entramos num agradável frigorífico, onde gostaríamos de ter ficado. A água dos bidons há muito se havia esgotado quando, e onde outrora existiu uma estação com abastecimento de água às locomotivas a vapor, descobrimos um pequeno tanque com bica a deitar água fresca. Foi atestar e tomar banho, de alto a baixo.

Às portas de Amarante já havia unanimidade, o plano B seria posto em prática mal tivéssemos a informação como chegar à praia fluvial. E foi ali mesmo, 37 graus à sombra que, de maillot de bain e superbock na mão, estes dois cicloturistas resolveram ficar de molho. Mais tarde, consultado o horário dos comboios que saíam de Caíde, o percurso aconselhado pelo taxista de praça foi aceite. Evitamos assim a confusa EN15 e optamos pelo desvio por Vila Meã pela mais tranquila EN211-1 e depois pela EM566 por Oliveira. Mas não se julgue que por serem mais tranquilas, com menos trânsito, não fossem as subidas um belo petisco! Ao sábado não há muitos comboios e o das 18h58 não ia esperar por nós. Chegados à estação, entre a compra de bilhetes, uma coca-cola e uma mija, cinco minutos restaram para esticar as pernas e respirar fundo. Um belo passeio com cento e trinta quilómetros nas pernas, um belo dia de convívio acumulado, um banhoca delíciosa, e estávamos de volta a casa.

Senhora da Graça #34

Pode parecer masoquismo pedalar cabeça ao sol e termómetro no vermelho, mas sabe bem uma boa subida, ficar esmagado pela paisagem, para depois sentir a descida e uma banhoca. Venha então a próxima.

 

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