mexa-se, pela sua rica saúde

O simples facto de podermos mexer as pernas, num curto passeio a pé para ir ao café, numas corridas pelo bairro ou pedalar com os filhos, é saudável e um excelente tónico para melhorar a nossa capacidade física e libertar a mente. Com o acréscimo da sedentarização devido ao estilo de vida automatizado, das escadas rolantes, dos elevadores, dos automóveis, o ser humano amoleceu, relaxou e acomodou-se. Não importa se gordas ou magras, as pessoas andam enfraquecidas. Arfam por subir um simples lanço de escadas, dar umas passadas mais largas para atravessar a rua ou uma corridinha atrás do autocarro.

a pedalar para o trabalho

Uma pessoa que por exemplo dá umas pedaladas nos tempos livres ou aquele que pedala diariamente para a escola ou emprego, sobe uma escada, salta um par degraus sem dificuldade, porque umas simples voltinhas diárias na bicicleta lhe dão capacidade física, pulmão e coração mais fortes. As pessoas que exercitam o corpo poupam muitas visitas ao médico. Os benefícios das pedaladas são imensos, não só queima calorias como melhora a capacidade respiratória, diminui o colesterol e a pressão arterial, previne doenças cardíacas e doenças crónicas, como a diabetes e a hipertensão, activa a circulação sanguínea, auxilia o emagrecimento, atenua o stress e as tensões. O prazer proporcionado pela bicicleta contribui para a sensação de bem-estar. Proporcionando a sustentação do corpo através de uma postura correcta, a bicicleta ajuda a fortalecer o abdómen, fortalece e define os músculos, deixa as pernas e o rabo tonificadinhos.

Mover-se é da nossa essência e, portanto, é estético, pois o belo e atraente é o que a natureza nos ensinou a procurar e desejar, não necessariamente jovem, não necessariamente musculado, mas saudável. Não importa a idade que se começa ou recomeça. A velhice não é desculpa. Desde que consulte o seu médico e faça exames prévios, qualquer pessoa pode-se juntar a alguém, ou então sozinho sair para uns passeios a pedal. A avaliação médica serve sobretudo para identificar algum problema cardíaco, ortopédico, ou ainda de outro tipo de patologias que possa contra-indicar a prática de actividade física intensa. É recomendável que no início das pedaladas encontre o seu ritmo e escolha percursos suaves e calmos. Depois, aumentando gradualmente a distância e o ritmo das pedalas, verá que logo, logo, se estará a sentir cheio de força e vitalidade como um adolescente, num corpo velho mas cheio de energia. E sendo qualquer dia um bom dia para (re)começar, este pode servir para reforçar o estímulo à actividade física.

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das notícias

CCDR-N promove seminário “Mais Bicicletas, Melhores Cidades”

“A CCDR-N, em parceria com o “Compromisso pela Bicicleta” – Plataforma Tecnológica da Bicicleta da Universidade de Aveiro, promove, no próximo dia 19 de abril, o seminário “Mais Bicicletas, Melhores Cidades – A Promoção do Uso da Bicicleta no âmbito do PAMUS – Plano de Ação de Mobilidade Urbana Sustentável 2014-2020”.

O aumento do número de utilizadores de bicicleta, alinhado com preocupações da sociedade contemporânea no que respeita à dependência dos combustíveis fósseis e as consequentes repercussões ao nível da poluição e alterações climáticas justificam uma oportunidade com vista à consolidação da bicicleta como um meio de transporte pendular, alternativo e válido.

É nesse âmbito que este seminário surge, permitindo a reflexão sobre a prioridade “Mobilidade Urbana Sustentável” /Promoção do uso da bicicleta no NORTE 2020. Está previsto ainda a exposição de Boas Práticas Nacionais e Internacionais sobre a Promoção do Uso da Bicicleta, assim como a apresentação da Iniciativa “NORTE ON BIKE”” […]

(lê o artigo completo em http://www.ccdr-n.pt/regiao-norte/902/ccdr-n-promove-seminario-mais-bicicletas-melhores-cidades)

Assinado acordo para promover o uso da bicicleta em contexto escolar

“A Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) e a Direção-Geral da Educação (DGE) assinaram esta segunda-feira um protocolo de cooperação que tem como objectivo promover o uso da bicicleta em contexto escolar. […]

[…]O acordo vai permitir que os jovens praticantes de BTT-XCO no Desporto Escolar participem em corridas dos calendários nacionais e regionais da Federação Portuguesa de Ciclismo.

A parceria entre a FPC e a DGE pretende “contribuir para a sustentabilidade ambiental e humanização das localidades, potenciando o uso da bicicleta em contexto escolar e, consequentemente, fomentar padrões de mobilidade mais seguros, saudáveis e empoderadores”, estabelece o protocolo. […]”

(lê o artigo completo em: https://descla.pt/2017/04/03/assinado-acordo-para-promover-o-uso-da-bicicleta-em-contexto-escolar/)

5 dicas para começar a andar de bicicleta na cidade

“Cada vez vemos mais bicicletas nas cidades portuguesas, principalmente em Lisboa e Porto. Cidadãos que vão para o emprego, escolas ou universidades e que escolhem as duas rodas (sem motor) para se deslocarem. Nós no LiAM somos fãs e agrada-nos tudo o que nos permite viver as cidades com uma escala mais humana, como é o deslocar de bicicleta no dia-a-dia.

Assim, e em vésperas da CM de Lisboa começar a colocar a rede de bicicletas partilhadas na cidade (com e sem motor), fomos pedir a um especialista em matéria de bicicletas na cidade quais as 5 dicas para começar a andar de bicicleta em Lisboa. Vejam o que João Camolas, dono do Velocité tem para vos dizer […]”

(lê o artigo em: (http://bloglikeaman.com/5-dicas-para-comecar-a-andar-de-38836)

 

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reciclando [29] condicionado, engarrafado, um enfado!…

Quem melhor me conhece sabe que sou um ferrenho ciclista mas também pego num volante quando dele necessito, assim numa espécie de condutor de fim-de-semana. Esta dualidade me dá um ponto de vista que não é visto por quem anda exclusivamente de cú tremido. Na bicicleta ando sempre com mil olhos, atento aos automobilistas. Observo-os enquanto pedalo ao lado deles. Analiso o seu comportamento, tento ter alguma noção do que pensam, se estão atentos ou se têm a cabeça noutro lugar. Este é o meu procedimento típico quando estou a pedalar mas é também este o hábito que retenho quando entro no meu carro e por alguns momentos visto a pele de automobilista. Aí, procuro não ver apenas carros mas quem os conduz e os seus ocupantes, especialmente quando estamos a penar num engarrafamento.


Certo dia dei à chave e fiz-me à estrada. Sendo um Domingo de manhã esperava apanhar pouco trânsito. Pois sim, quando dei por mim lá estava eu, no meio de um engarrafamento, no acesso à auto-estrada e à ponte. Uma fila de carros parados à frente, outros ao meu lado. Ninguém se mexia. Numa rápida espreitadela no espelho uma fileira crescente de carros se formava atrás de mim. A massa moveu-se e eu arranco, lentamente para rodar só um par de metros. O condutor em linha, atrás de mim, deixa espaço e logo uma alma aventureira acelera e surripia-lhe a vaga. Para/arranca. Para/arranca. Naquele momento pensava na sorte que teria caso estivesse na minha bicicleta. Estar parado na fila com um motor em marcha lenta é estranho às minhas práticas de ciclista. Comecei a agitar-me com a impaciência. Trocava de estação no rádio para passar o tempo e murmurava contra o tipo que, dois carros à minha frente, deixava os espertos da faixa esquerda entrar na fila. Um quarto d’hora naquilo e nem duzentos metros havia rodado. Por um par de vezes o telefone e a sua teleobjectiva quebrou-me a monotonia. Caem umas pingas… mas não eram de chuva! A condutora à minha frente decidiu lavar o pára-brisas e borrifar o meu. Neste ponto, começo a bater os dedos no volante de impaciência. Olhei para ela com o meu olhar mais penetrante, sem sucesso. A fila ressuscita, mas a tipa não! Acha necessário olhar para si mesma no espelho e retocar o rouge antes do que meter a primeira! E lá vai buzinadela para lhe chamar a atenção, antes que lhe chame outra coisa qualquer. Lentamente a fila começa a andar, começo a ter mais espaço e passados alguns minutos, finalmente, já havia passado a ponte e acelerava na auto-estrada. Na outra faixa vejo carros batidos e ambulâncias. Na faixa onde sigo nada de anormal. A razão do condicionamento do tráfego: O costumeiro hábito tuga, da curiosidade, abrandar, dar palpites e fazer orçamentos!

Piso molhado, desatenção, velocidade, excesso de confiança, qualquer que tenha sido o ingrediente é sempre a mesma a receita. A experiencia da condução aprende-se com a prática. Um jovem atinge a maioridade e pode se habilitar à condução, fazer parte do trânsito, mas o hábito não faz o monge e como tal também se aprendem os maus hábitos. A convivência na estrada trás à tona todos os nossos defeitos. A intolerância, a arrogância, a falta de civismo, que transforma as pessoas, toma conta das nossas acções onde qualquer motivo irreflectido é rastilho de pavio curto e um ateio para o desastre. O veículo é a extensão do condutor, uma ferramenta que ele ou ela pode usar para intimidar, uma arma para matar. Uma vez na estrada, como peão e ciclista, a minha vida depende da vontade e das acções de terceiros. Dentro dos limites do aço não temos imunidade contra a casualidade, lembrem-se disso.

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um dia perfeitamente normal

Sexta-feira, 18 horas. Depois de comprar pão quente e no preciso momento que coloca as rodas da bicicleta no hall do prédio, cai uma valente chuvada. O ciclista urbano arruma a bicicleta e prepara o lanche. Espreita pela janela e vê o suficiente para se sentir confortavelmente relaxado. “- Ufa, foi por um triz!”. Senta-se no sofá e liga o gira-discos…

Sexta-feira, 19 horas e qualquer coisa. Toca o telefone. Chamada urgente do trabalho. O funcionário responsável não tem alternativa. “- Ok, vou já pr’aí”. O ciclista urbano olha de novo pela janela e faz cara feia. Veste o impermeável, pega na bicla e sai a pedalar na confusão da hora de ponta. Cinco quilómetros para lá, outros cinco para cá. Fura entre carros nas filas, finta o trânsito estático e a chuva que cai certinha. Assunto resolvido….

Sexta-feira, quase 20 horas. “- O que vamos jantar?”

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pedale em paz Mike Hall

https://watch.inspiredtoride.it/

MIKE HALL
1981-2017

“Mike died today at 6.30 on the Monaro Highway out of Canberra racing the Indian Pacific Wheel Race doing what he used to call  “his thing“.

His thing was riding bikes.
It was riding bikes in a way that nobody was able to.
His thing was to inspire people from all over the world through this.
His thing was “to make something unique and culturally significant in the hearts and minds of cyclists, an expression of all virtues of cycling and of adventure and of sport.”
His thing was to grow a community of people and cyclists around this idea.
His thing was a burning fire

and it was doing all of this on his bike.

Thank you Mike”

From PEdAL ED @pedaled.com

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das acções pedagógicas: «Andar de bicicleta em Faro em segurança – Do desejo à concretização»

Grupo de cidadãos «Faro à Conversa» promove debate em movimento sobre andar de bicicleta em segurança

«Andar de bicicleta em Faro em segurança – Do desejo à concretização» serve de mote para o «debate em movimento» que o grupo informal de cidadãos Faro à Conversa organiza no próximo domingo, dia 2 de Abril, às 15h00, com ponto de encontro na rampa de entrada do Teatro das Figuras, em Faro.

[…] “O grupo informal «Faro à Conversa» apresenta-se: «Como cidadãos de Faro temos de nos assumir como responsáveis por este nosso cantinho à beira-mar plantado.
Acreditamos que para responder aos desafios atuais, urge alimentar processos de mudança de forma colaborativa e participada.
Juntos temos a capacidade e o poder de gerar essas mudanças.
Reconhecemos que não temos todas as respostas e que temos muitas interrogações.
Estamos conscientes que devemos encontrar novas formas de intervenção enquanto comunidade.
Desafiamo-nos a despertar iniciativas experimentais de democracia participativa e de cooperação entre cidadãos.
Precisamos de assumir este compromisso com Faro».”

Fonte: http://www.sulinformacao.pt/2017/03/grupo-de-cidadaos-faro-a-conversa-promove-debate-em-movimento-sobre-andar-de-bicicleta-em-seguranca/

 

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rodopiando o Douro

Há uns dias voltei a estender o convite a mais amigos para rodopiar o Douro. O plano seria repetir o roteiro de outras aventuras, às aldeias dos meus avós, pelas estradas nacionais N108 e N222 quase até Vila Nova de Foz Côa, e depois voltar. Às tantas deixei-me levar pela vontade de fazer a N222 “melhor estrada do mundo”, desde o quilómetro zero em Vila Nova de Gaia. “-Bamos a isso!” Estabeleceu-se a data, foram-se preparando as pernas, carregaram-se as biclas, e às 7 da matina do Sábado passado lá estávamos junto à estação de metro D. João II, ao cimo da Av. da Republica em Gaia, prontos para dar inicio à viagem.

Eu e o Rui, amigo de longa data, já levávamos o aquecimento feito desde casa, subindo a avenida ao encontro do Manuel Couto e do Paulo Campelo, oriundos de Avintes e de bicicletas carregadas, mas não traziam broas! Depois de uma semana de incertos boletins meteorológicos, estávamos um pouco apreensivos com este “Primaverno” com que Mãe Natureza nos tem brindado. Embora bastante fria, a manhã despontou com algumas nuvens e um sol cintilante. Apontamos para leste e nos deixamos levar pelo apelo da velha estrada.

A primeira rajada bate-me no rosto ainda antes de eu rodar o pedal. O vento de Leste é bom presságio para tempo seco, mas é um valente desafio para quem quer pedalar e avançar para o interior. Desta vez pareceu-me apropriado levar a minha bicla mais levezinha, a gOrka, o que achei extremo foi tentar pegar na carbónica KTM do Campelo e não a conseguir sequer levantar do chão! Ele trazia a casa toda, mas, conhecendo-o bem, não seria o peso daquele carrego que o faria demorar. Bem pelo contrário, a locomotiva estava preparada para nos arrastar.

Andar pelas curvas do Douro é pura alegria. A estrada empina e desempina, tão depressa se levanta o rabo do selim como baixamos o queixo e se fincam as mãos nos drops, em alta velocidade. A bicicleta tem asas. Foi óptimo, e os primeiros quilómetros passaram a voar. Mesmo com um vento resistente a tentar travar-nos, sentia-me no controle e era capaz de girar os pedais como queria. Entre Raiva e Castelo de Paiva, a velha estrada é subalternizada pela sua moderna alternativa, o que pode levar a algum tipo de confusão para quem se quer manter e prosseguir no seu desgastado asfalto. Pelo menos a Variante à N222 retira algum tráfego automóvel, o que só beneficia o ciclista.

Uma transpiração boa e saudável surgiu rapidamente enquanto se pedalava pela subida para Cinfães. Por esta altura, em termos de resistência física sentia-me mais forte do que o habitual! Talvez fosse o resultado da minha excitação por estar novamente neste troço da estrada! Talvez o entusiasmo pelo clima agradável! Talvez pelo ambiente, o verde exuberante! Talvez… Não, acho que tinha mais a ver com a música “prapular” debitada pelo sistema sonoro que o DJ Campelo trazia na bicla! Tenho a certeza.

Quando rapidamente a estrada se desviou e desceu para Porto Antigo, foi com o ímpeto do vento na cara, do clima agradável do meio-dia, do Douro exuberante, do som ambiente do Rio Bestança no fundo do vale, que redobravam a excitação. De vez em quando, uma pausa para as selfies, depois os convivas faziam-se ao caminho e eu ficava para trás para mais uma fotografia, capturando coloridos lembretes da encantadora manhã, do cenário, das cerejeiras floridas e da neve no cocuruto do Marão. A partir dali, e por longos e fascinantes quilómetros, a companhia do Douro conduziria a malta de pernas doridas mas com um fôlego renovado.

No Brevet do Douro, parte do percurso pela 222 é feito em sentido inverso. Previ o almoço à passagem por Resende e escolhi o mesmo local que serve de posto de controlo no BRM200 Douro Vinhateiro, o Restaurante 4 Irmãos. Saciados pelo arroz de feijão e animados pelo sorriso simpático da menina de Minhães (atenção que o namorado estava na sala), depois do repasto voltamos tranquilamente ao selim das bicicletas e ao esplendor mágico e vigoroso miradouro que é a N222. Da outra banda visualizava a sua congénere, a estrada N108 que serpenteia a margem direita do rio, e o Lugar que tem um lugar cativo no meu coração, o Lugar do Castelo em Frende. Mais à frente, ao quilómetro 120, onde um marco rodoviário histórico assinala o meio da velha estrada, fizemos uma pequena festa.

Começam a surgir os vinhedos da Região Demarcada do Douro, o Alto Douro Vinhateiro, e aproveita-se o momento e a longa descida para um deslumbre da panorâmica do rio, do Peso da Régua e das suas pontes. Entramos no troço da considerada “melhor estrada do mundo”, entre a Régua e o Pinhão. Ao contrário do que pintam no artigo que “linquei”, o troço que bordeja o rio só é mágico se for percorrido a pedalar, ou no mínimo ao volante de um 2 CV. Os carros passam ali tão rápido que quem vai lá dentro nem sabe o que perde. De carro, a velha E.N. só era mágica quando eu ficava enjoado de tantas curvas e contracurvas no banco de trás do Fiat 127!

Naquela parte aplanada da estrada…

[…] Até Pinhão, onde se exibe uma belíssima estação de comboios, vestida de preto e azulejos espalhados pelo corpo, há miradouros que servem de boa desculpa para interromper o passeio. Há uma ponte romana, uma senhora a estender a roupa, um ciclista ou outro armado em Mario Cipollini e interrupções na estrada para cortar árvores. Veem-se também alguns velhotes à conversa, quem sabe a recordar histórias malucas naquela estrada. Ou, simplesmente, boas memórias […]

…para além de me preocupar em não levar com um bólide em cima, tentava manter o ritmo aproveitando a roda dos companheiros. Acontece que foi tudo preocupação em vão. Depois de três ou quatro paragens para as inevitáveis fotografias, depois de quase uma hora de pedalada contra o vento, depois de uns tímidos pingos de chuva, reencontrei a malta recolhida na tasca nas Bateiras, na bifurcação das estradas N323 para o Pinhão e a N222. Em direção a S. João da Pesqueira, a estrada empina e bem. De novo a sobejamente conhecida subida de 14km pela frente, um segmento longo e de agradáveis vistas, dos vinhedos, do rio e dos montes. Entretanto percebi que deveria ter-me alimentado melhor!

Do Alto Douro Vinhateiro, não importa quantas vezes eu pedale por ali, nunca serei capaz de compor tudo numa só imagem, nunca serei capaz de exprimir tudo num só parágrafo. Ao ritmo de um cágado, eu ia girando os pedais e pingando suor. A subida não estava fácil. Parecia a minha primeira vez. A companhia do Rui, o seu incentivo e entreajuda, com todo aquele cenário à minha volta cheio de vida e em movimento, foi um reforço motivacional e energético. O meu coração estava acelerado! Os músculos latejavam. Os meus “diabretes” estavam a desvanecer-me. Dezoito horas em ponto, à hora do lanche, chegámos finalmente a São João da Pesqueira.

Com pelo menos mais uma hora de luz natural, um manto de nuvens negras escondeu o sol e subitamente a temperatura caiu. Com um reforço na vestimenta, pois só voltaríamos a subir depois de Vilarouco, de luzes ligadas e dentes cerrados, envolvido numa espécie de mantra, procurei no meu ritmo lento e nos meus pensamentos abstrair-me do desconforto do selim e do protesto das pernas. Depois do chegar ao alto de Castanheira do Vento, tivemos pela frente uma descida demorada. Com cautelas redobradas pelo breu, avistamos a iluminação urbana de Horta do Douro a cintilar no meio da escuridão. Vale da Teja, Sebadelhe, seguiu-se uma subida doce mas que parecia mais uma subida à Torre. Entretanto vi-me envolvido numa série de questões e dúvidas existenciais dos meus companheiros de route: “quantos km’s faltam?”; “onde vamos jantar?”; “e se o restaurante estiver fechado!!!?”… Não liguei, e sem que eles percebessem sorri de maroto. O conta-quilómetros já havia passado dos 200.

Chegamos a Touça e avisei-os que não tardava, iríamos virar à esquerda para Freixo de Numão. Feitas as despedidas à mítica estrada que nos trouxe até ali, entramos na N324. Depois de passar próximo a Vila Nova de Foz Côa, a N222 continua até Almendra. “-Apertem bem os colarinhos pessoal, até ao rio é sempre a descer e isto vai arrefecer”. Com mais uma camada na carcaça, vestia quase tudo o que levava, passamos “a abrir” pelo centro da vila e entramos na escuridão completa. É espantoso o barulho do ar que nos rodeia as orelhas quando embalamos na descida, dobrando as curvas, sentindo as notas doces das rodas no pavimento, pisando folhas e galhos, algo solto no asfalto, uma espécie de caos coreografado na escuridão, apenas concentrados no foco de luz à nossa frente. Que pena não podermos apreciar a paisagem, ia pensando. A certa altura um prenúncio de civilização, a aldeia de Murça, mas ficamos de novo embrenhados na escuridão. Enregelados e a delirar, que aquilo nunca mais tinha fim, os meus companheiros já duvidavam de mim. Mas claro que teve um final… e triunfal!

Com 220 quilómetros rodados chegámos esplanada da Petiscaria Preguiça, recebidos pelos latidos espantados de um bando de cães e indo directos à mesa de iguarias, onde a famosa sopa de migas de peixe, a posta com arroz de feijão (fogo de artifício prometido para mais tarde) e as doces sobremesas nos esperavam. A simpatia dos cicerones e dos meus primos, com festa e bolo de aniversário incluídos, alimentaram-nos o corpo e hidrataram-nos o espírito com um cálice de vinho fino da região. Mós do Douro dormia quando estes malucos estranhos se instalaram numa alegre casinha para a merecida noite de descanso. Ainda para mais a noite tinha menos uma hora, pois escolhemos logo a passagem dos ponteiros do relógio para o chamado horário de Verão! Mas que Verão!? Esgotou-se o stock de cobertores.

Para o dia seguinte, para regressar ao Porto, várias hipóteses se levantavam. Isso caso chovesse muito, ou não! Mais lentos e mais pesados, saímos da cama para espreitar a janela. O Domingo amanheceu com a promessa de um dia bem húmido, mas não chovia. Tínhamos a previsão de chuva apenas para a tarde, o suficiente para, pensávamos, chegarmos “secos” à Régua! Alguns ajustes depois, bicicletas apetrechadas, tudo arrumado, café e fotografia tirada, retomamos a manhã fazendo o caminho inverso. Portanto, foi basicamente subir o que de véspera havíamos descido, com a aliciante, desta vez, de poder apreciar tudo aquilo que nos rodeava. Os dez quilómetros a subir pela N324 até Freixo de Numão foi um bom tónico para acordar definitivamente. Sempre aquele vento do contra, que desta vez soprava de sudeste, o que significava termos ventinho pelas costas quando voltássemos a pisar a N222.

Sugeri a passagem pelo interior de Horta do Douro e o Couto não se fez rogado em estacionar a bicla e, à sua maneira, pilotar o avíão. De volta à estrada, chegámos a S. João da Pesqueira à hora do almoço na companhia dos primeiros pingos de chuva. Por sugestão de um motard, fomos comer um bacalhau à moda do Carocha. A promessa de chuva cumpriu-se e a descida para o Douro foi bem molhada e cuidadosa. A pedalada de retorno teve o benefício do vento que nos ia empurrando a um ritmo mais rápido. Na Régua saboreamos o rebuçado do carro vassoura e, com mais de 300 quilómetros nas pernas, demos por terminado o nosso passeio de bicicleta.

Mais uma vez deixo agradecimentos aos meus companheiros de route, pelo convívio e boa disposição, prometendo desde já a disponibilidade para outros devaneios no selim e pernas debaixo da mesa. Todos os bons caminhos vão dar à N222. Todos os meus desejos vão dar às Mós. Obrigado e até ao próximo.

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passe a publicidade [79] Um dia no Porto com a Brompton laranja

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teaser – rodopiando o Douro

Para quem por ele passa e nem se apercebe, este marco encontra-se ao quilómetro 120 da mítica estrada nacional 222, exactamente a meio da sua ziguezagueante extensão de asfalto, entre Vila Nova de Gaia e Vila Nova de Foz Côa [prox].

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can’t miss [175] publico.pt

Quando tem pressa, Ricardo nem pensa em usar as ciclovias

“Os ciclistas já vêem cenários “impensáveis” como o pai que anda de bicicleta com o filho na Avenida da República, mas os erros de construção afastam novos adeptos das ciclovias.”

“O fundamentalismo não fala aqui. Há espaço para todos. “Os peões hão-de se habituar”, como os automobilistas já o têm vindo a fazer. Ricardo Ferreira e um amigo comentam a “extraordinária” viagem que ambos fizeram na Avenida Almirante Reis, ele a descer, o amigo a subir: não houve razias, quase todos os carros mudaram de faixa para os ultrapassar. Não ouviram buzinas a reclamar.

“É óbvio que não é assim em toda a cidade, nem todos os dias”, faz o reparo. Ricardo, web designer de 44 anos, é voluntário da associação para a Mobilidade Urbana em Bicicleta (MUBi) desde a sua fundação, em 2009. Vive em Oeiras e durante anos deslocou-se para o trabalho, em Lisboa, de bicicleta. Não tem carro. “Nem sinto falta”. […]”

Partilho mais um excelente testemunho, no caso o do Ricardo Ferreira que diariamente pedala pelas ruas da capital e encontra algumas melhorias, tanto na rede cicloviária disponível como na adaptação e comportamento dos automobilistas, mas que enfrenta ainda várias dificuldades comuns à maioria da malta ciclomovida pela paisagem… ou seja, pelo resto do país.

Pode ler o artigo completo em: publico.pt/2017/03/20/local/noticia/quando-tem-pressa-ricardo-nem-pensa-em-usar-as-ciclovias-1765645

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