
Bom Ano e Boas Pedaladas

Bom Ano e Boas Pedaladas
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Num ritual de mobilidade, uma rota em nada aleatória entre o útil e o agradável, despego e sigo em rota de colisão com o pôr do sol. É 21 de Dezembro, o hemisfério norte entra na estação mais fria devido ao solstício de inverno, naquele que é o dia mais curto do ano. Já estamos no Inverno!… cum carago! Perante esta paz e serenidade, curto o dia mais curto…

E como já estamos no Natal, aproveito então o momento para desejar a todos os meus amigos visitantes um Feliz Natal, de preferência com bicicletas no sapatinho ou a distribuir prendas com os sapatinhos na bicicleta mas, atenção, o Natal não se resume a trocar prendas, muito pelo contrário! Há rabanadas, bolo rei, pão de ló, aletria… Feliz Natal
Lets look at a trailer

“Every time I see an adult on a bicycle, I no longer despair for the future of the human race.”
H. G. Wells

“Recentemente viajei até à Dinamarca. Aarhus era destino desconhecido e agora admirado. Podia ter ido a Copenhaga, mas a Copenhaga é mais fácil de ir de avião do que a Aarhus. Podendo ir até lá de carro (estou temporariamente a trabalhar na Alemanha) e aproveitar a paisagem dinamarquesa é para aproveitar.
Coincidentemente Aarhus é Capital Europeia da Cultura 2017 e, portanto, mais um motivo para lá ir.No caminho para Aarhus é fácil de perceber que a cultura da bicicleta é isso mesmo, cultura. Não é um incentivo governamental nem tão pouco um desporto, é algo intrínseco nos dinamarqueses.
Assim que chego a Aarhus, percebo que distância entre o uso de automóvel e da bicicleta é muito pequena. O espaço é partilhado de forma igual (com as devidas proporcionalidades) e a cidade respira mobilidade com espaço para peões, bicicletas, transportes públicos e automóveis a coexistirem harmoniosamente.No caso específico da bicicleta, foi interessante notar que apesar de existirem bastantes infra-estruturas orientadas ao uso da mesma, as pessoas basicamente parecem utilizar o bom senso quando circulam de bicicleta. As regras existem, são de forma geral cumpridas, mas se tiverem que quebrar uma regra o bom senso impera e as pessoas são cautelosas e atentas a quem está à sua volta. Acho que Aarhus transparece um pragmatismo (já observado por mim na Alemanha) em que a primazia é dada ao sentido prático no uso da bicicleta e no não uso do automóvel. Um certo pragmatismo, quanto a mim, valiosíssimo. Que talvez merecesse uma importação para Portugal.” […]
(Podes ler na íntregra o excelente artigo de Luis Silva, publicado no blog Braga Ciclável, em: http://bragaciclavel.pt/author/luissilva/)
Passar alguns dias de férias fora do bulício, longe das rotinas e sem a bicicleta, também me faz bem. Nesta altura do ano, e aproveitando os feriados, procuro o frio e a magnificente beleza do Douro. Vamos para a aldeia e dali abalamos na rota da Terra Fria transmontana, para trás dos montes conquistando castelos, lendas e histórias.
A neblina e o gelo matinal faziam-nos desencorajar levantar cedo, no entanto calhou que a visita a Miranda do Douro fosse no dia mais frio da semana. Enfrentamos os zero graus à porta de casa e os 3 negativos à nossa chegada ao Fresno. Parado o carro em frente às fragas de Miranda, bem de fronte para o Douro Internacional, ousamos entrar no frigorífico. Apesar da neblina e do ar gelado, lentamente o dia clareou e um tímido sol foi nos aquecendo as orelhas. Depois de confortar os estômagos com a tradicional posta à mirandesa, continuamos o passeio a tilintar o dente. Visitamos a belíssima Sé Catedral, contornamos a muralha e o castelo, percorremos o centro histórico, admiramos as casas quinhentistas, as ruas empedradas, entramos nas lojas tradicionais e percebemos a lhéngua mirandesa.
E foi numa dessas ruas, bem junto à Igreja de Santa Cruz, que algo me chamou a atenção. Uma velha bicicleta, deixada propositadamente ao ar livre, à soleira da porta e encostada à parede de pedra, capturou logo o olhar a quem aprecia este tipo de coisas. E então, depois de um pequeno inquérito, foi convidada a participar no meu álbum fotográfico.

De volta a casa depois de um dia de trabalho, eu gosto de arredondar a cidade, alongar o meu percurso e aproveitar o crepúsculo final de um dia solarengo. Isso significa que eu vou tirar algumas fotografias na atracção radical do pôr-do-sol, do mar e da minha bicicleta, que é a marca registada em quase todas as minhas imagens.
Ontem, quando saí à rua, as nuvens cobriam o céu numa camada grossa, como uma enorme colcha toldada e pardacenta. As árvores dançavam ao sabor da ventania, as folhas douradas flutuavam loucas, para cima e para baixo, cobrindo todos os recantos, dando finalmente um ar de Outono.
Desço ao rio, dou o peito ao vento e sigo a minha volta, por Matosinhos. Chegado à Foz, paro por alguns minutos para observar o mar revolto, fotografar, e fico a conversar com um amigo que me encontra. Visivelmente invejoso, eu estou em duas rodas e ele não, olha para o céu carregado e me pergunta se estou a voltar. No seu melhor palpite a chuva apanhava-me antes de entrar em casa. Respondo à sua pergunta sem pensar duas vezes: “Nããã, eu estou apenas a começar a minha dança da chuva!”.

Pois que venha ela, a chuva, que tanta falta tem feito.

O repórter que começa este diário compartilhado por muitos, inúmeros ciclistas de Goiânia: solidariedade e ativismo caracterizam movimento que não para de crescer (Foto: Arquivo pessoal)
[…] “Técnicos e gestores não pensam bicicletas no ambiente urbano e quando elas surgem chamam tanta atenção que se tornam “alvos” e sujeitos resignificados: pobres, vagabundos, otários e agora “bichas”, por usarem equipamento de segurança e roupas adequadas – e, sim, muitas vezes fashionistas.
Nas pedaladas, o ciclista tem a exata noção de seu papel no trânsito: exercitar, transitar, percorrer espaços de forma a impactar o mínimo possível o espaço urbano e o trânsito. Sobretudo, permitir que o exercício de sua cidadania não impeça o conjunto de direitos do outro.
“Reconhecer a bicicleta como modal é, antes de tudo, um desafio para a democracia nas cidades”, diz o sociólogo e cientista político Lehninger Mota. Ele afirma ao DMOnline que a reação dos ciclistas é típica das minorias críticas.”[…]

Natasha Rocha, deficiente visual, ao lado do marido Ricardo Veríssimo no “Na Bike com DV”: adrenalina, descoberta do ciclismo e da cidadania da mobilidade (Foto: André Costa)
Ciclistas de Goiânia, vêm a sua cidade e a sua mobilidade de forma diferente.
Os seus testemunhos num excelente artigo em: https://www.dm.com.br/cotidiano/2017/11/diario-de-muitos-ciclistas.html