bora lá medir pilas

O Strava tem a importância que tem e a utilidade que cada um lhe queira dar, nem mais, nem menos. É uma ferramenta engraçada que nos permite fazer algumas contabilidades, comparações e avaliações. Atendendo ao facto de não possuir nenhuma geringonça de conta quilómetros nem velocímetro montado nas minhas bicicletas, safo-me com o que tenho e uso o telemóvel para registar as minhas voltas, sejam elas deslocações casa/trabalho/casa ou brevets randonneur. É pelo Strava que controlo os percursos por onde pedalo, é pelo Strava que partilho rotas com amigos, é pelo Strava que contabilizo os quilómetros que faço a cada volta velocipédica. É por aí também que vejo a minha evolução de ano para ano. E no ano que passou foi este o meu balanço em cima do selim:

Atendendo ao facto de algumas das minhas voltas não terem ficado registadas no Strava, terei porventura ultrapassado os 9 mil quilómetros no pedal em 2017, sendo que cerca de 70% das viagens registadas foram em modo commuting, nas minhas actividades diárias. Fazendo uns cálculos por alto, em média percorro cerca de 15 quilómetros de bicicleta por dia, só em deslocações casa/trabalho/casa, o que perfaz um consumo de 800 calorias. Assim na minha pegada de carbono livro a atmosfera de cerca de 4,12kg de CO2 e poupo no bolso algo como 1,2 Euro por dia.

(dados obtidos através da calculadora iniciativa verde).

 

 

 

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2018, ano novo velhos hábitos

Bom Ano e Boas Pedaladas

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2017, uma espécie de balanço no selim da amizade

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receita para a doçaria natalícia

Véspera da véspera da véspera de Natal, recebo uma prenda antecipada, em forma de desafio, do meu amigo Rui: “Sábado, como é que é? Dámos uma volta para preparar a consoada?” Bora lá, mas tem de ser uma boa volta, retorqui. E assim fiquei incumbido de delinear um percurso variado para saborear o doce sábado que se previa, ensolarado e com temperaturas amenas, para comer pedalar até fartar.  Vai daí lembrei-me que ainda não havia provado uma especialidade cá da região, a Ecopista do antigo ramal ferroviário entre a Póvoa e Famalicão.  Espreitei o sitío do Nelson para reler e rever o postal, o que achei uma boa ideia fazermos algo do género.

Assim, na véspera da véspera de Natal raptei a Metallica, a bicla do meu rapaz, e fui na companhia do Rui dar a voltinha preparatória para a doçaria natalícia. Ninguém diria que já é Inverno… pronto já é Inverno, mas o Sábado estava excelente. Um céu azul luminoso, a manhã que aquecia lentamente, nem uma pontinha de vento. O passeio foi fantástico. Até à primeira paragem para um cafezinho, em Famalicão, deslizamos pelo asfalto das EN’s 13, 306 e 309.

Encontrada a estação de combóios, pisamos pela primeira vez os calhaus do antigo ramal ferroviário, transformado numa Ecopista e nos deliciamos com as belíssimas paisagens rurais, desfrutamos dos aromas campestres, do cheiro a bosta mesmo, deixamo-nos levar pela tranquilidade e pasmaceira que um trilho no meio da floresta, um ambiente de grande beleza pode oferecer, aqui e ali interrompida pelos vários atravessamentos de arruamentos e estradas que nos aconselhavam ter cuidados redobrados.

 

 

Antes da paragem para almoço, aproveitamos o embalo e subimos ao cocuruto do Monte S. Félix para apreciar a belíssima panorâmica em redor. Depois do repasto, completamos o que faltava do trilho da velha ferrovia, atravessamos a Póvoa para, depois de Vila do Conde, regressar ao Porto bem juntinho ao mar. Também para mim foi uma estreia fazer a pedais o percurso entre Azurara e Lavra por arruamentos e passadiços. Tudo ciclável, exepto no passadiço daa Praia de Angeiras onde fomos obrigados a desmontar para subir e descer uns lanços de escada com as biclas às costas!

Passeio a repetir, e deixo o registo feito no Strava para quem quiser ter uma ideia da volta.

Obrigado pelas dicas Nelson.

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curto o dia mais curto

Num ritual de mobilidade, uma rota em nada aleatória entre o útil e o agradável, despego e sigo em rota de colisão com o pôr do sol. É 21 de Dezembro, o hemisfério norte entra na estação mais fria devido ao solstício de inverno, naquele que é o dia mais curto do ano. Já estamos no Inverno!… cum carago! Perante esta paz e serenidade, curto o dia mais curto…

E como já estamos no Natal, aproveito então o momento para desejar a todos os meus amigos visitantes um Feliz Natal, de preferência com bicicletas no sapatinho ou a distribuir prendas com os sapatinhos na bicicleta mas, atenção, o Natal não se resume a trocar prendas, muito pelo contrário! Há rabanadas, bolo rei, pão de ló, aletria… Feliz Natal

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ciclofilia [143] Why We Cycle

Lets look at a trailer

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fotocycle [220] a máquina do tempo

“Every time I see an adult on a bicycle, I no longer despair for the future of the human race.”

H. G. Wells

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can’t miss [184] bragaciclavel.pt

Bracarenses no mundo: a pedalar em Aarhus – Capital Europeia da Cultura 2018

“Recentemente viajei até à Dinamarca. Aarhus era destino desconhecido e agora admirado. Podia ter ido a Copenhaga, mas a Copenhaga é mais fácil de ir de avião do que a Aarhus. Podendo ir até lá de carro (estou temporariamente a trabalhar na Alemanha) e aproveitar a paisagem dinamarquesa é para aproveitar.
Coincidentemente Aarhus é Capital Europeia da Cultura 2017 e, portanto, mais um motivo para lá ir.

No caminho para Aarhus é fácil de perceber que a cultura da bicicleta é isso mesmo, cultura. Não é um incentivo governamental nem tão pouco um desporto, é algo intrínseco nos dinamarqueses.
Assim que chego a Aarhus, percebo que distância entre o uso de automóvel e da bicicleta é muito pequena. O espaço é partilhado de forma igual (com as devidas proporcionalidades) e a cidade respira mobilidade com espaço para peões, bicicletas, transportes públicos e automóveis a coexistirem harmoniosamente.

No caso específico da bicicleta, foi interessante notar que apesar de existirem bastantes infra-estruturas orientadas ao uso da mesma, as pessoas basicamente parecem utilizar o bom senso quando circulam de bicicleta. As regras existem, são de forma geral cumpridas, mas se tiverem que quebrar uma regra o bom senso impera e as pessoas são cautelosas e atentas a quem está à sua volta. Acho que Aarhus transparece um pragmatismo (já observado por mim na Alemanha) em que a primazia é dada ao sentido prático no uso da bicicleta e no não uso do automóvel. Um certo pragmatismo, quanto a mim, valiosíssimo. Que talvez merecesse uma importação para Portugal.” […]

(Podes ler na íntregra o excelente artigo de Luis Silva, publicado no blog Braga Ciclável, em: http://bragaciclavel.pt/author/luissilva/)

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fotocycle [219] na rota da Terra Fria

Passar alguns dias de férias fora do bulício, longe das rotinas e sem a bicicleta, também me faz bem. Nesta altura do ano, e aproveitando os feriados, procuro o frio e a magnificente beleza do Douro. Vamos para a aldeia e dali abalamos na rota da Terra Fria transmontana, para trás dos montes conquistando castelos, lendas e histórias.

A neblina e o gelo matinal faziam-nos desencorajar levantar cedo, no entanto calhou que a visita a Miranda do Douro fosse no dia mais frio da semana. Enfrentamos os zero graus à porta de casa e os 3 negativos à nossa chegada ao Fresno. Parado o carro em frente às fragas de Miranda, bem de fronte para o Douro Internacional, ousamos entrar no frigorífico. Apesar da neblina e do ar gelado, lentamente o dia clareou e um tímido sol foi nos aquecendo as orelhas. Depois de confortar os estômagos com a tradicional posta à mirandesa, continuamos o passeio a tilintar o dente. Visitamos a belíssima Sé Catedral, contornamos a muralha e o castelo, percorremos o centro histórico, admiramos as casas quinhentistas, as ruas empedradas, entramos nas lojas tradicionais e percebemos a lhéngua mirandesa.

E foi numa dessas ruas, bem junto à Igreja de Santa Cruz, que algo me chamou a atenção. Uma velha bicicleta, deixada propositadamente ao ar livre, à soleira da porta e encostada à parede de pedra, capturou logo o olhar a quem aprecia este tipo de coisas. E então, depois de um pequeno inquérito, foi convidada a participar no meu álbum fotográfico.

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céu pardacento: ou chuva ou vento

De volta a casa depois de um dia de trabalho, eu gosto de arredondar a cidade, alongar o meu percurso e aproveitar o crepúsculo final de um dia solarengo. Isso significa que eu vou tirar algumas fotografias na atracção radical do pôr-do-sol, do mar e da minha bicicleta, que é a marca registada em quase todas as minhas imagens.

Ontem, quando saí à rua, as nuvens cobriam o céu numa camada grossa, como uma enorme colcha toldada e pardacenta. As árvores dançavam ao sabor da ventania, as folhas douradas flutuavam loucas, para cima e para baixo, cobrindo todos os recantos, dando finalmente um ar de Outono.

Desço ao rio, dou o peito ao vento e sigo a minha volta, por Matosinhos. Chegado à Foz, paro por alguns minutos para observar o mar revolto, fotografar, e fico a conversar com um amigo que me encontra. Visivelmente invejoso, eu estou em duas rodas e ele não, olha para o céu carregado e me pergunta se estou a voltar. No seu melhor palpite a chuva apanhava-me antes de entrar em casa. Respondo à sua pergunta sem pensar duas vezes: “Nããã, eu estou apenas a começar a minha dança da chuva!”.

Pois que venha ela, a chuva, que tanta falta tem feito.

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