e bibó Porto, carago

Por ocasião da apresentação de Sérgio Conceição como treinador do Futebol Clube do Porto para a época de 2017/18, não pediamos um treinador de outro mundo mas eu pedia ao mister um Porto de honra.

Em quase um ano à frente do FC Porto, sem reforços ao seu dispor mas com um plantel reciclado e que foi potencializando, Sérgio Conceição levou o meu FêCêPê à conquista do 28º campeonato nacional. Assumiu desde logo o seu modelo de jogo, as suas escolhas e metodologia de treino. «Vim para ensinar, não vim para aprender!» Com o trabalho que foi desenvolvendo, deu pedalada à equipa, conseguiu impor os seus conceitos num grupo de jogadores algo descrentes e até desvalorizados. «Temos de ter paixão por aquilo que fazemos!» Em pouco tempo, reabilitou e potenciou um grupo de jogadores, que não eram mancos mas andavam na mó de baixo, num plantel forte, unido e de qualidade. «Vim por amor ao FC Porto!» Arriscou e ganhou. Foi reforçando o estatuto de ídolo entre a massa adepta portista, motivou a malta com o seu estilo frontal, determinado e exigente, concluindo uma época difícil e conturbada, e que fica ao nível do melhor de sempre do clube. «Uma das nossas forças é o espírito solidário!»

 

 

 

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prato do dia: Tripas…

Depois descobri esta foto dela e bateu aquela saudade…

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isto é Lousã

Por desafio do Rui voltei a trilhar calhaus e terra, salpicar de lama o traseiro, atirar-me de cabeça, literalmente, duas das vezes para o meio do silvado para depois ter de ser resgatado, senão ainda lá estava a servir de pasto às formigas.

Foi numa bicicleta desenrascada a preceito, na companhia do Rui, do Couto, do Sérgio e do Pimenta, bem como de outros entusiastas do bêtêtismo nacional, que participei na 4ª etapa do Circuito NGPS 2018, “Isto é Lousã”. O evento teve como principal ponto de interesse as Aldeias do Xisto e ficar a conhecer alguns dos recantos mais bem guardados da “montanha mágica”.

Voltei à Serra da Lousã, para desta vez ir mesmo ao coração da dita, que pouco ou nada conhecia. Deixei-me levar por trilhos sinuosos e recônditos, saltar socalcos e escadas entre paredes de xisto, embrenhar-me pelos verdejantes vales a jorrar água por todos os poros, subir às varandas donde se pode desfrutar paisagens de cortar a respiração. Deixei-me guiar pelas geringonças orientadoras dos restantes, numa de tentar não me perder.

Foi um ziguezaguear por trilhos de prazer, pelas encostas de uma serra que esconde sorrisos de sofrimento. São subidas e descidas húmidas e sombrias, polvilhadas de beleza natural e trabalho manual, pelo labor dos que dela vivem em cada pingo de esforço tentando dar equilíbrio e amor a um modo de vida duro num chão armadilhado de xisto escuro e frio.

Foi dar ao pedal por um belíssimo traçado que retrata fielmente o que a Serra esconde. Para cima e para baixo, pelo monte de terra que nos fez explodir todos os sentidos. Abrimos os olhos de espanto com a imponência das montanhas, quase a tocar nas nuvens. Aliviamos a farda quando o sol a pique nos aquecia o lombo. Vociferamos com um granizo inesperado que furava capacetes. Aguentamos imponentes as quedas de água do céu que arrefecia os músculos. Empurrei e carreguei a burra sempre que para trás mijava a burra. Que dia fantástico, efeitos do ambiente. Não houve um único momento desperdiçado em todo o passeio.

A organização premiou os participantes com 2 percursos principais, de 53 e 89 Kms, e uma terceira opção que passou por intercalar ambos os traçados, que totalizava cerca de 60 Kms e que teve a nossa opção. Mesmo com uma arreliadora constipação trazida de véspera, a minha condição física não me deixou ficar mal. Mas nesta coisa do bêtêtê o meu ponto fraco são mesmo as descidas. É que já não tenho idade para descidas à maluca, e a falta de confiança fez-me travar o ímpeto, ao ponto de paranóia, ao ponto de cair quase parado, e não foi por uma vez, nem por duas. Caí três vezes! Acho que bati o recorde! Trouxe nos braços e nas pernas alguns pequenos arranhões, medalhas para me recordar que isto do todo-o-terreno é só para  arriscar de vez em quando.

Mesmo assim gostei bastante. Gostei de estar presente, trouxe-me memórias do passado, revi receios e terei “feito as pazes” com algo, não sei bem com o quê, talvez com uma parte de mim próprio. Obrigado aos meus amigos por me ajudarem nisso.

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é preciso ter galo

Acordado e cheio de pica, abro a porta do elevador e cumprimento o sol que me encandeia pelo envidraçado da porta. Pode soar estranho dizer que me sentia motivado, sair bem cedinho para o trabalho, mas acrescentando ser véspera de feriado, por si só e por ser a meio da semana, cumprir a minha rotina diária no selim da bicicleta augura a melhor das motivações. Assim, antecipando a folga, pedalo cheio de confiança pelo habitual percurso, desfrutando o ar livre, calmamente e usufruindo do brilho solarengo da amena manhã…

Pummm… Crashhhh… fo….. ahhh seu filho de uma cadela!!!

A escassas dezenas de metros da instituição laboral, um jeco sai do meio de carros estacionados, atravessa-se à minha frente e não me deu tempo, nem mesmo de gritar. Quando dei por mim estava estatelado no alcatrão com a bicla em cima de mim, atarantado, tentando perceber o que me tinha acertado.

Paulo… ouvi chamar! Era um colega que seguia para o trabalho a pé, assistiu a tudo e assistiu-me.

Oh pá, foi um cão não foi!? perguntava-lhe enquanto ele me ajudava a levantar.

Foi pá. Estás bem?… O gajo ia atrás de outro cão… ou cadela, sei lá. Estás mesmo bem? Tu vê lá pá!

Ahhh… cão danado. Sacudi a capota, analisei o esqueleto, registei o acumulado de cicatrizes na Sua Alteza, snifff…, ajustei-lhe a direcção e fui a butes, só para confirmar se não ia a andar de lado comó Machado.

Quem é ciclista regular terá certamente peripécias vividas com os rafeiros. Posso dizer que já tenho algum traquejo neste desaguisado entre cães e ciclistas. Tenho algumas teorias para o motivo de tanta animosidade, o que não tenho é imunidade quando os pulguentos se atravessam à minha frente e me atropelam. Com este já é o segundo vadio que me deita ao chão. Um doloroso déjà vu! Outra vez um cão! Caso para dizer, é preciso ter galo!

A dolorosa experiência anterior já aqui a relatei, relembrando a minha infância e adolescência, passadas nos selins do meu crescimento velocipédico, às voltas pelo bairro:

“Durante vários anos, para a grande maioria dos rapazes da minha idade, o prazer de sair à rua a pedalar uma bicicleta resumia-se praticamente a dar a volta ao bairro ou arriscar aventuras pelos bosques. Era uma festa formidável. Um mini-pelotão de ciclistas sem prática reunia-se em frente a minha casa e pedalava horas a fio pelo empedrado, pelo cimento dos passeios, por terras de pó e lama. No dia seguinte estávamos de rastos mas era uma ressaca saborosa. Esse dia era o primeiro dia das férias grandes.

Pedalar naquela época, anos 70 e 80, era maravilhoso. Havia pouquíssimos carros nas ruas e os espantados automobilistas tinham um cuidado redobrado com aqueles loucos. E apelidar-me de louco é pouco. Eu era como as minhas bicicletas, rijo como o aço. A minha segunda bicla oferecida pelo meu pai era de corrida, uma Vilar vermelha, roda 24 de cinco velocidades. Nela eu simplesmente perdia a noção do perigo e a busca da adrenalina algumas vezes não encontrava limites. Alegria, felicidade, prazer em procurar caminhos novos, alguns deles tortos, e não raro o tombo que se dava no meio do trajecto. Fica um exemplo: Já passava da hora de jantar e a noite caía num crepúsculo de Setembro. Pedalávamos a todo o gás. Ultrapasso o Ernesto num contra-relógio irracional pela Rua Dr. Oliveira Lobo, a oposta à minha. Não tive a mínima hipótese. É que nem enxerguei o animal a saltar do passeio e surgir por entre os carros estacionados à esquerda. Quando dei por ele já a roda lhe acertava em cheio no estômago. Desamparado, caí sobre o meu braço e coxa direita. Do cão só lhe ouvi um estridente ganido de dor. Estatelado no chão em cima da bicicleta, surgiu ao pé de mim o esbaforido Ernesto com as seguintes palavras de encorajamento:

“Xiiii Paulo, até fez faísca!!!”.

Invariavelmente esse era o meu estado de corpo, aqui e ali tatuado de mercurocromo.” […]

Outra vez um cão! É mesmo preciso ter galo… e este vai cantar à meia noite.

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fotocycle [226] dois adultos, três crianças e o bobi…

… o cicloturismo em contexto familiar.

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can’t miss [189] mundoportugues.pt

A história do cicloturismo em Portugal

“O Cicloturismo (passeios turísticos em bicicleta com os amigos, com a família ou individualmente) constitui uma atividade lúdica, recreativa e desportiva que contém uma filosofia de comunhão com a natureza e de respeito pelo ambiente. Os cicloturistas sempre privilegiaram, ao longo dos anos, regiões de grande valor paisagístico, biológico e cultural.

Em Portugal, a partir de 1890, surgem pessoas que usam a bicicleta para deslocações turísticas, não havendo, no entanto, dados conhecidos sobre a sua evolução até aos anos 20. Nessa altura as voltas a Portugal em cavalo, de grande impacte popular e cobertura pelos jornais da época, eram acompanhadas também por cicloturistas.

O Cicloturismo ressurge nos anos 40 e 50 em Portugal pela mão de António Duarte Laureano que cria o Grupo “Os Quinze” – Lisboa, percorre o país e desenvolve as ideias do Cicloturista francês Velócio, fez palestras em várias academias culturais e sociedades recreativas, usando a bicicleta para percorrer o país nas suas deslocações. A polícia política confundiu, varias vezes, as suas atividades com ações políticas, tendo sido detido ao longo dos anos pela PIDE. Deslocava-se de bicicleta frequentemente nas suas viagens a Espanha e a França.” […]

Podes ler o artigo completo em https://www.mundoportugues.pt/a-historia-do-cicloturismo-em-portugal/ e saber mais sobre a história do cicloturismo no nosso país.

Bom fim de semana e boas pedaladas

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como de pão para a boca

Imagina ires de bicicleta para o trabalho. Imagina não teres de te preocupar com o trânsito e onde estacionar o carro. Imagina poupares dinheiro nos transportes públicos. Imagina só, deixar de imaginar desculpas esfarrapadas sempre que chegas atrasado. Imagina depois regressares do trabalho sem o remorso de teres desistido do ginásio. Suas as estopinhas, desopilas pelo parque, encontras amigos, vais às compras, ao pão…

A sensação de liberdade quando pegas na bicicleta e sais para treinar ao fim de semana é a mesma, não é só imaginação… Então, morcão, e porque não fazes isso mesmo, pegas na bicla e pedalas uns dez quilómetros diários, nas tuas idas e voltas do trabalho?

E assim, mais ou menos por esta altura ano, já lá vai uma década que libertei este meu delírio. Diariamente, bem cedo, passei a sair de casa com uma bicicleta na mão. Rasgando ganga no selim, untando a baínha na corrente, vento nas trombas, fazendo sol ou fazendo chuva.

“… Gingando pela rua ao som do Lou Reed. Sempre na sua, sempre cheio de speed…”

Gradualmente, as minhas bicicletas foram mudando os meus hábitos, como o meio ideal de transporte, saudável e sustentável. A bicicleta tornou-se tão banal quanto imprescindível. Na minha vida quotidiana, a dependência e o deslumbramento na bicicleta têm sido como de pão para a boca.

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sempre a meter àgua

Sempre que o vento sopra irado e trespassa o arco metaliforme da ponte, faz-me supor a perversa tentação que por aí vem. Como um menino traquinas que espia a catraia no meio da maralha, a tímida fotografia tirada do outro lado do rio tem um certo grau bisbilhoteiro.

Vista daqui, a cidade rebelde e apertada, onde os telhados ocres se encavalitam na confusão, tem sempre diferentes formas de me surpreender. Travestindo-se, assemelha-se a uma velha rabugenta no rumor que perpassa por entre o casario, através do seu semblante severo. – Põe-te a andar daqui p’ra fora, senão…!

As ameaçadoras nuvens, cinzentas, vêm atestadas de água vinda do mar, cujo pranto se antevê abundante ao primeiro ribombar do trovão… Iludindo-me através do reflexo no lençol, dramatizo o quadro que aqui reproduzo. Aperto o gasganete com o fecho do agasalho hermético e deixo cair o inspirador sonho. – Sim, é melhor começar a dar ao pedal!

Vou agora ao despique com a vagarosa corrente do rio que é feito de ouro. Aligeiro a pedalada rumo à agitação salgada do mar. O vento frio colora-me as bochechas, enquanto o poderoso Atlântico se aproxima decididamente do meu nariz. A morrinha salpica-me a face como se estivesse na proa elevada de uma heróica embarcação. As gotas suspensas aglomeram-se, densas e compactas como que formando um corpo só, prontas a saltar borda fora.

E depois de superadas as batidas fortes do vento de sul, a turva orla marítima entre o Cabedelo e a Madalena, passo o portão, encosto a bicla à parede e recebo as boas vindas de um pai embevecido pelo regresso do filho pródigo… – Tu és maluco, vires de bicicleta com este temporal?! Vai já trocar essa roupa…

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reciclando [39] diário de um guerreiro urbano

Tanto faz, seja num dia quente e solarengo ou debaixo de chuva, como está lá fora, eu saio montado na bina para trabalhar e quero lá chegar ligeiro, voando entre os carros engarrafados, gozando com os idiotas lá dentro. Hoje o dia está bem feio.

É segunda-feira, acabaram-se as férias da Páscoa, para quem as teve, e com isso surgiram os retardatários e os preguiçosos. Amaldiçoo os automobilistas estúpidos. Espero o inesperado a cada esquina, a cada momento. A competição nas ruas é feroz, e na luta pelo espaço tenho a necessidade constante de passar à frente dos cardumes de automóveis imobilizados, a fim de ter caminho livre e seguro pela frente. Devem estar a pensar que eu sou o tipo de ciclista que passa os semáforos vermelhos. Claro que eu não vejo isso como parte do desafio. Comporto-me apenas com todo o cuidado necessário e procurando salvar a minha pele.

Ao aproximar-me de um semáforo vermelho, procuro passar os carros parados à minha frente, pelo lado esquerdo, pelo centro da via, e afirmar a minha presença. É vital que me chegue à frente. No cruzamento, abrando, paro e olho. Espero. Às vezes hesito, outras vezes não. Defendo o pensamento geral que os veículos são diferentes e, por tanto, defendo regras diferentes. O direito à estrada do utente velocipedista está em conformidade com os nossos próprios limites. Regras específicas e adequadas para as bicicletas que permita ao ciclista manter a sua dinâmica para se sentir mais seguro, passando por uma luz vermelha para evitar o conflito com os carros. Embora outros julguem que o que fazemos requer um certo grau de bravura, essa bravura só está nos olhos de quem nos vê.

Boa semana.

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fotocycle [225] caso para dizer…

Se a primavera não vem até nós, vou eu ter com a primavera!

 

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