Assim que vi este cartaz no metro pensei cá com os meus botões: “olha pá, chegas atrasado 30 anos”. No tempo em que eu calcorreava Fânzeres e Rio Tinto, de casa para o colégio na camioneta da Gondomarense e do colégio para casa de autocarro e troleicarro, ou então era assim, fazia longas caminhadas, entre aventuras e coisas de rapaz, só para poupar umas moedas para gulodices. Nesse tempo é que o metro me teria dado jeito, pensei eu! Bom, é certo que agora também me dá, e que jeito, só que a viagem é na direcção oposta. A finalidade da mobilidade, de um sistema de transportes eficaz nas cidades, é a movimentação de pessoas e não de veículos. É sempre bom saber que a mobilidade urbana se está a expandir para um dos concelhos mais populosos da área metropolitana e muito deficitado em meios de transporte.
Segundo a Metro do Porto, ao longo de cerca de 60 quilómetros de extensão da rede, nestes oito anos o metro transportou 275 milhões de passageiros e percorreu cerca de 32,7 milhões de quilómetros, o que corresponde a 2.500 voltas ao diâmetro da Terra. A nova Linha Laranja (Linha F), a sexta linha do Metro do Porto é inaugurada e entra em operação comercial regular no próximo Domingo, dia 2 de Janeiro, ligando O Estádio do Dragão a Fânzeres e passando a servir o concelho de Gondomar mas, conforme se previa, não chega ainda à sede do concelho. Com o novo percurso, que representa um investimento de 135 milhões de euros, a Metro do Porto totaliza 80 estações ao longo de 67 quilómetros de linhas. As estimativas indicam que a Linha Laranja implicará mais de 12 milhões de passageiros por quilómetro, apontando benefícios sociais e ambientais na ordem dos 176 milhões de euros, ao longo de 20 anos.
Durante esta semana, entre o Natal e o Ano Novo, as viagens são gratuitas nos sete quilómetros de extensão e visam permitir à população das zonas servidas pela nova linha um primeiro contacto com o metro. As composições circulam sobre um tapete de relva, projectado pelo arquitecto Bernardo Távora, tendo sido criados 123 mil metros quadrados de zonas verdes. Estão a ser plantadas 2241 árvores e 3693 arbustos e trepadeiras ao longo da nova linha. O objectivo é sempre aumentar a qualidade de vida e a mobilidade de toda a população da zona envolvente. Hoje mesmo vou experimentar esta nova linha e voltar a calcorrear alguns dos locais da minha infância. E muito provavelmente, um destes dias voltarei lá com mais calma a passear na minha bicla.
























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