a passadeira mata, atravessá-la pode prejudicar a sua saúde!

Pelo simples facto de ter nascido munido de duas pernas e ao fim de alguns meses de vida ter aprendido a andar, circulando na via pública eu sou considerado um peão. Depois de atingida a maioridade, de ter suportado durante 25 aulas o mau humor do trânsito e do instrutor, e ter sido aprovado em 10 minutos num exaustivo exame de condução, passei a ser mais um automobilista. Estes dois factores incluem-me na classe dos humanos que, mediante a situação em que se encontram, se tornam numa espécie de Dr. Jekyll and Mr. Hyde das ruas e estradas nacionais. Ao que parece estamos englobados num país civilizado, em que algumas ruas têm passadeiras que servem para indicar aos automobilistas e aos peões onde uns devem parar para que outros as possam atravessar. Em Portugal as passadeiras têm, para uma parte de nós os peões, um carácter místico a roçar o sobrenatural. Torna-nos invencíveis. Na perspectiva do peão, desde o momento que coloca o pezinho sobre o tracejado branco sujo e gasto, nada o impede de empreender a hercúlea tarefa de atravessar a rua. A maioria nem se dá ao trabalho de parar, rodar a cabeça e olhar. A perspectiva assertiva de ficar para ali parado, a olhar de um lado para o outro à espera que algum condutor tenha a amabilidade de abrandar e parar, mói-lhes a paciência. E eles correm, correm o risco de encastrar os dentes num qualquer capôt metalizado. Não adianta explicar aos peões que a passadeira não dá garantias de sobrevivência e que tem de haver um compromisso tácito entre eles e os automobilistas. Afinal de contas, a maioria dos peões portugueses também são condutores e sabem o que a casa gasta quando estão atrás do volante. A estrada é deles e os carrancudos peões que se cuidem. Conduzem perfeitamente alheados ao que os rodeia porque, ora estão a olhar para o retrovisor, ora acendem um cigarro, ora sintonizam o rádio e programam o GPS, ora têm que atender o telemóvel, e isso são muitas tarefas para um condutor só. Preocuparem-se com regras de prioridade, limites de velocidade, os ciclistas (tinhas que nos meter ao barulho pá!?), passadeiras ou circular com o mais básico do civismo, são meros detalhes para um alienado condutor ter de controlar tudo com os seus olhinhos, dois bracinhos e dois pezinhos. Saiam da frente ou passo-vos a ferro, grunhem ostensivamente enclausurados nos seus estilosos e potentes popós.

Descontraído a caminho do metro, parei no passeio junto à passadeira do costume. Àquela hora a rua tem pouco movimento, o que quer dizer que é convidativa aos aceleras, sempre atrasados para o que quer que seja. E disso eu já sabia. É uma rua com boa visibilidade, a passadeira encontra-se assinalada mas está mal visível na parte mais estreita da rua, junto a uma velha casa que a estrangula. Do lado direito não vêm carros, do lado esquerdo vislumbro um veículo ao longe com os faróis ligados. Dá mais que tempo para passar, penso. Desço o passeio e empreendo a travessia voltando a olhar para a direita. Mal dou dois passos, viro a cabeça e aquele carro passa mesmo à frente do meu nariz, a toda a velocidade e fora de mão. A deslocação de ar que provocou à sua brutal passagem levanta-me os cabelos e, instintivamente, eu dou um salto para trás, pondo as mãos na cabeça e tentando perceber se ainda estava vivo. Petrificado com o susto, miro para a traseira da viatura que não me deu passagem, e percebi então que os artistas já aprenderam um novo esquema. Num displicente acenar de braço, desculpam-se com o ar mais descontraído do mundo, género a referir, deixe lá, não o vi, ou então aguenta pá, era só o que faltava, travar para o deixar passar!. Por um triz não fui mais um número a acrescentar ao rol de vítimas por atropelamento no Porto. Por um pequeno triz teria de concordar com os fumadores que dizem, sabe-se lá se não morro primeiro debaixo de um carro!

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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7 respostas a a passadeira mata, atravessá-la pode prejudicar a sua saúde!

  1. Sandra. diz:

    >:)Imagino o susto, bolaaaaaaaaas!!Tambem já vi esse escrito imediatamente antes de uma passadeira, ali na avenida dos aliados. Por falar nela: se tu desceres a avenida dos aliados vindo dos correios até ao cruzamento da rua q te leva à praça d. joão I, e tiveres q seguir, a butes obebiamente, pá porto editora, já reparas te na jingajóga q tens q fazer para, no minimo, atravessares com alguma segurança?? Palavra de honra q só me apetecia deitar as mãos a qm fez semelhante. Mas deve ser pq sou tótó q sempre q para lá vou faço esse percurso.Outra cena, num há avisos para os nossos queridos condutores irresponsáveis pk?? só os peões é q têm q ter em cuidado a condução desses ases do volante??Maizuma: eu n conduzo, mas andei a fazer o código, digamos q serei uma meia condutora ou uma condutora pela metade, isso faz com q n seja incluida na classe dos humanos??Por acaso sou mui do cuidadosa ao atravessar qq rua, tentei e continuo a tentar passar esse mesmo cuidado aos meus filhos, e tirando uma ou outra vez, quase sempre me cedem passagem para atravessar, logo até nem sou daquelas q tem mui razão de queixa, talvez pq n atravesso, por exemplo, quando o sinal está vermelho para os peões :)) Mas Paulito…há por aí tanta cabecinha xeia de vento q até me assusta imaginar o sofrimento de q poderão vir a sofrer. O ppl n aprende, só depois de as coisas acontecerem é q VALHAMADEUS!!!besuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuus

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  2. >Eu confesso que sou daqueles que, a partir do momento que piso na passadeira (depois de me ter certificado que o posso fazer) considero-a como um domínio meu. Há uns tempos um tipo num Audi não foi da minha opinião e, vendo-me em cima da dita, toca de acelerar, desviar-se ligeiramente e passar a rasar-me os pés. Levou com a pasta na porta, com tal força que fez uma mossa. Parou de imediato e queria explicações. Foi-se embora quando eu lhe disse "Com certeza, chamamos a Polícia para o senhor lhes fazer queixa de que eu atropelei o seu carro na passadeira". Abraço e cuidado, pois todo ainda é pouco!

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  3. BlueVelvet diz:

    >Embora relates isto num tom divertido, apesar do susto, é sempre bom alertar as pessoas porque de facto, todos nós temos um pouco a tendência para achar que por estarmos em cima de uma pasadeira nos tornamos não só intocáveis como imortais.Não é o caso. Há que parar e olhar, mesmo que esteja verde para os peões, porque devemos sempre contar com a incúria ou distracção dos condutores.Beijokas

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  4. Teté diz:

    >Ainda bem que não passou de um susto. Sempre lamentável, mas um susto!Tenho para mim que os portugueses quando estão de mal com a vida – trabalho, familiar, etc. e tal – se vingam ao volante, pisando no acelerador e gritando impropérios a todos os outros automobilistas, julgando que a estrada é só deles. Nos tempos que correm, com a malta tão deprimida (por razões mais que óbvias), a coisa piora um pouco.Lembro-me sempre do pai de um amigo meu, que tinha uma teoria sobre a importância da massa na circulação automóvel. Que, resumidamente, tratava do seguinte: o sujeito ou veículo de menor massa deve ter atenção em duplicado, porque caso haja embate ele fica sempre a perder. E não é que tinha razão??? 🙂

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  5. redonda diz:

    >E também pode suceder que numa rua só com um sentido um carro resolva vir em marcha-atrás para cima da passadeira. Está-se a olhar só para a esquerda ou para a direita e lá vem o carro em marcha-atrás do lado oposto.

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  6. >Quando da publicidade feita para que os peões ficassem a saber que os carros devem parar antes das passadeiras para deixarem passar as pessoas, esqueceram-se de acrescentar que as passadeiras não são o mesmo que os passeios nem são auto estradas para peões!Há muitos condutores que se estão a …, que não respeitam as passadeiras. É verdade.Mas há também muitas pessoas que "entram" nas passadeiras "à la balda" sem se darem ao trabalho de olharem para terem a certeza que é "aconselhável" por o pézinho de fora…Afinal, para uns e outros a coisa resume-se a: civismo.Mas com a situaçõn actual, é possível que também esteja em crise…1 abraço pah!§-e fazes o favor de abrir bem os olhos (também) quando andares a "penantes". É que não pode acontecer o gabinete ficar abandonado a criar pó eternamente!

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  7. >Na cidade sou sempre peão e, por aqui, as cenas são as mesmas. No entanto- e vou escrever um post sobre o assunto um destes dias- a loucura dos peões e o desrespeito pelas passadeiras e sinais vermelhos é assustador.

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