“Desde o Cabo da Roca, em Portugal, ao Nordkapp, na Noruega. Partimos no dia 1 de Março…”
Pelo previsto, devem já estar a pedalar. Podem ler a crónica aqui. Para a Telma e Tiago desejos de boas e agradáveis pedaladas.
“Desde o Cabo da Roca, em Portugal, ao Nordkapp, na Noruega. Partimos no dia 1 de Março…”
Pelo previsto, devem já estar a pedalar. Podem ler a crónica aqui. Para a Telma e Tiago desejos de boas e agradáveis pedaladas.
Tem sido uma semana bastante fria desde que a luz do sol invadiu definitivamente estas derradeiras manhãs de Fevereiro. Às oito e pico, ao ligar o computador ou quando bebo um café, parece-me estranho, suponho, estar sistematicamente a responder que “sim, vim a pedalar!”. Para quem acordou às seis da matina, se arrastou para fora da cama, desceu as escadas e saiu pela garagem sem sentir a temperatura gélida na cara, nem ouvir o som do vento lá fora, olhar pelas janelas do carro e ver-me passar de bicicleta inveja-os, a sensação fantástica e disposição com que chego para trabalhar. Às sete e quarenta e cinco dou-lhe a mão, descemos no elevador, abro-lhe a porta do prédio e fico a ouvir a passarada, respirando o ar fresco e pensando nos prazeres de estar na bicicleta, girando as pernas ao ritmo do meu próprio vapor. Mesmo que aligeirada e rotineira, a pedalada matinal é uma sensação maravilhosa. Frases do tipo, “fazes tu muito bem” ou “gostaria de ter essa sorte” são conversas a que vou estando habituado…

Eu gosto de escrever. Quer dizer, não tanto quanto gosto de pedalar as minhas bicicletas. Ambos são exercícios contemplativos, e ambos são criativos. São para mim uma indispensável válvula de escape. Um bom passeio de bicicleta pós laboral é meio caminho pedalado para a imaginação e para a inspiração. Não escrevo para ganhar a vida nem para tentar satisfazer expectativas, mas simplesmente para brincar com as palavras, pensamentos, e para contar uma história. E a este respeito a minha escrita não é um prazer muito diferente do prazer que tenho de fotografar aquilo que vejo na minha bicicleta. A determinada altura achei que deveria qualificar esta minha tripla paixão, dizendo, divulgando e partilhando num blogue temático tudo o que gosto de ver, de sentir e descobrir na bicicleta. De tudo em tudo, deliciei-me nesta minha excursão de dois anos. Neste hábito de encontrar um motivo, uma novidade, uma amostra do que faço quando rodo os pedais, na ida e na volta ao meu abrigo, depois de um passeio muito bem pedalado. Bora lá para mais um ano nabicicleta.
Os nossos amigos duendes não brincam no ponto e lançaram a Rede Ponto Bicla.
“Quer isto dizer que estamos oficialmente a alugar bicicletas, sejam elas para períodos curtos ou para estadias mais demoradas por esse Portugal abaixo.
E então o que trazemos de novo?
Ao contrário de uma boa parte dos serviços de aluguer que por aí andam, as biclas que oferecemos são máquinas de grande qualidade, contruídas e equipadas a pensar na cidade e não no monte. Para além dos guarda-lamas e guarda-corrente, trazem dois porta-cargas generosos, pneus citadinos largos e ainda um cadeado U-Lock de alta segurança da Kryptonite, não vá tanto atributo espevitar a cobiça de terceiros.
Para já, o serviço arrancou na Megastore do MMM, estando previsto a muito curto prazo o início na Megastore dos Anjos e na Baixa de Faro. Lá mais para o Verão contamos alargar a rede a Espinho, com as meninas a cargo do Greg e do Bigodes e também a outros pontos do Porto.”
Como ciclista e automobilista estou em sintonia com todos os outros ciclistas e automobilistas que comigo partilham a estrada. Às vezes, quando percebo o movimento familiar de um veículo de duas rodas no canto do olho, eu atribuo a uma bicicleta mesmo que o veículo tenha motor e seja afinal uma moto. Essencialmente quando vou ao volante e vejo uma bicicleta nas proximidades a entrar na minha linha de acção, dou-lhe prioridade, partilho e alargo o espaço. É um comportamento instintivo sempre que estou a pedalar, a andar ou a conduzir. É uma segunda natureza.
Avaliar o ciclista e a bicicleta que pedala à minha frente também se tornou uma segunda natureza. Não que esteja à procura de algo em particular quando o observo, apenas utilizo a figura e o seu comportamento para formar algum tipo de opinião. Podemos descobrir muito sobre um ciclista só pela forma como ele ou ela pedala. O modo como se veste e a bicicleta que usa transmite-nos também algo sobre o ciclista que é, ou, pelo menos, que aparenta ser. Na maioria das vezes, não julgo o ciclista de qualquer forma. Sou particularmente perspicaz quando se trata de alguém que utiliza a bicicleta, seja qual for a finalidade, não ligando muito ao tipo de bicicleta, estilo ou de indumentária. Os ciclistas devem seguir os seus próprios instintos, métodos e percursos, até certo ponto!
Digo isto porque, quando no papel de automobilista também me saltam as estribeiras ao presenciar comportamentos arriscados e inconscientes de indivíduos em bicicleta. Alguns fazem coisas tão bizarras que custa imaginar o que estariam a pensar naquele momento. E não falo de ciclistas inexperientes, nem daqueles que estão na via pública como se estivessem no recreio da escola. Falo dos lunáticos que obstinadamente abusam da sorte.
Tome-se, por exemplo, o mau exemplo de um fulano que vi no outro dia. Nesse dia em especial, estava a regressar de uma viagem e conduzia na A1/IC1, já a entrar no Porto. Para meu espanto apercebo-me de um ciclista que pedalava na pista de desaceleração para a saída antes da Ponte da Arrábida. Uma via concedida para tráfego que passa a zunir geralmente acima dos 120km/h, embora o limite de velocidade esteja restrito aos 90km/h, não é propriamente o local ocasional para um maganão com idade para ter juízo estar a pedalar. Para ser claro, o gajo não estava a pedalar ao longo da berma, estava no meio faixa de saída, sem luzes ou reflectores. Poderia isto ser real? Creio ter esfregado os olhos para crer na veracidade daquela visão, mesmo à frente dos meus faróis, e arrepiei-me quando o carro que circulava entre nós dá uma guinada para a esquerda. Para meu espanto, total e absoluto, o tipo não foi atingido, esquivando-se para a entrada do parque de estacionamento do shopping. Os automobilistas surpreendidos por um estranho que pedalava em plena auto-estrada acabaram por ter sorte e rapidez de reacção para não o atropelar.
Entretanto fiquei a matutar no que estaria aquele maluco a pensar? Esse é o problema: ele não estava a pensar. De racional aquele tipo não tinha nada. Não parecia consciente do perigo em que se havia metido. Ou estava!? Não observou a sua própria segurança nem a de todos. Certamente não apareceu ali sem querer, desde a ultima entrada na AE, nas Devesas, são quase 2km. Teria planeado aquilo como demonstração de chico-espertice, aposta ou qualquer outra forma de loucura, vá se lá saber! Estar sentado em cima de duas rodas, accionadas por um conjunto de pedais, pode parecer algo tão fácil de fazer mas que certamente requer não só prática como noção do que se está a praticar. Apenas pedalar uma bicicleta não se qualifica como ciclista. É preciso ter conhecimento da estrada, valorizar a própria e a segurança de toda a gente. Devemos saber os limites da própria bicicleta. Não é tanto uma questão de dizer às pessoas como ou onde devem pedalar, mas sim um meio de informar que é necessário ter alguma responsabilidade. Queremos que os automobilistas respeitem os ciclistas, que partilhem devidamente a estrada, e para isso devemos dar o nosso exemplo de responsabilidade e de noção onde a bicicleta pode e deve estar.
“Pedais Pensantes é uma websérie sobre a mobilidade urbana e a bicicleta como meio de transformação pessoal e coletivo, segundo alguns dos principais cicloativistas paulistanos.
Mais em:
facebook.com/pedaispensantes/”
Long before the resurgence of “handmade everything” Stephen Bilenky started a career as a custom bicycle builder. 30 years later, Stephen is still creating works of art in his gritty north philadelphia workshop.
SUDA, PEDALEA, SIENTE EL VIENTO, explora la viabilidad del uso de la bicicleta como medio de trasporte en la ciudad de San Juan, Puerto Rico; los peligros para el usuario y el potencial de la bicicleta como medio de socialización.
Siguiendo la perspectiva de cuatro usuarios, de diferentes transfondos, edades y género, se presentan su experiencia y necesidad en el uso cotidiano de la bicicleta.
Assim, quando se trata de pneus de bicicleta, daqueles fininhos com grande tendência para furar, é melhor não dar a chance ao infortúnio. Um pneu de 23 milímetros, lisinho, leve, com um toque suave na estrada, é tudo o que se quer para que a bicla rode rapidamente. Tem é o inconveniente de se desgastar mais depressa, propiciando maior risco de furar, como dei conta há dias ao perceber que andava de sola rompida.
Quando se trata da escolha/compra de pneumáticos velocipédicos, temos de investir em mais detalhes para os padrões das ditas bicicletas de estrada/corrida: a qualidade, certas características como boa aderência no piso molhado, a largura, resistência contra furos e, é claro, o preço. Com o novo par de sapatos calçados na veloficina, a gOrka vai já no terceiro jogo de pneus. Desta vez apostei mais no atributo da resistência do que na leveza. Eu sei que certas particularidades, como a borracha rugosa e um perfil mais alto devido à protecção contra furos, afectam o desempenho mas, embora não durem para sempre, dá-me garantias de maior durabilidade e segurança.
As bicicletas de estrada servem para tudo, inclusive para ir para o trabalho. Em comparação às biclas urbanas ou híbridas, parecem realmente um pouco limitadas no conforto e na capacidade de carga, mas não na funcionalidade. Com um pneu de “turismo”, de 25 ou 28 milímetros, com boas características de resistência e protecção anti-furo, as biclas de estrada estão aptas a pisar vidro espalhado pelas ruas da cidade. Mas atenção, nem sempre o inconveniente furinho provém do lado do pneu!
Certa vez, numa saída curta por Leça da Palmeira, tive três furos em menos de uma dúzia de quilómetros. Foi num final de tarde agradável, sob um sol exuberante e constante grasnar das gaivotas a fazer-me companhia que traquejei na minha habilidade de trocar câmaras de ar. Depois, como resultado do terceiro furo consecutivo na mesma roda traseira e sem mais nenhuma câmara sobresselente no kit, nada mais me restou do que rumar a casa, dando à bomba a cada quilómetro pedalado. Não é que seja aborrecido remendar câmaras de ar, isso até sei fazer direitinho, mas porque a interrupção indesejada estraga o bom fluxo das pedaladas e dos pensamentos, que fazem de um giro de bicicleta um puro prazer, ter um furo é das poucas panes que nos fazem perder tempo, ficar com as mãos sujas e dedos doridos à custa da borracha de um pneu teimoso. Já em casa, depois de vistoriado o pneu e as câmaras, que para meu espanto tinham ambas um furito a dois centímetros da válvula e no lado oposto do rodado, voltei a guardar a carteira. Ao contrário do que poderia pensar ser a razão de tanto contratempo, proveniente do pneu, foi a fita de protecção do aro que descolou, deixando a descoberto uma aresta no alumínio. Com a fitinha reposta e reforçada no seu sítio, ficou com uma cama fofinha para acomodar a delicada borracha e, ao menos, nunca mais fui surpreendido por esse lado.