sem pressão

Para as minhas necessárias pedaladas inter-urbanas, ou simplesmente nas de longo curso que exijam mais velocidade e empenho, a minha escrava de serviço é a Gorka, a glutona bina de estrada. Para além de obrigar que me vista com uma fatiota para a ocasião, levo sempre uma pequena bolsa com um kit de sobrevivência. É aquela história do “seguro morreu de velho”. Melhor prevenir do que remediar, e depois ter de remediar! Numa bicicleta com pneus 700×20/23, ter um furo é um risco assumido, e pode ser um cabo dos  trabalhos se não tiver o kit, ao ponto de ficar num local remoto, a pé. Qualquer pneu furado é um imprevisto que pode não acontecer sempre, mas quando acontece, já era. E voltou a acontecer, desta vez no Sábado passado. Nada de preocupante, atendendo ao facto de ter acontecido num local aprazível, à beira-mar, de ter comigo o kit, uma câmara de reserva para uma reparação rápida e, sobretudo, por ainda não estar a chover. Estarei a exagerar se o faço ao ritmo alucinado de uma troca de pneus de um fórmula 1, mas asseguro que já me tornei um expert quando toca a trocar câmaras de bicicleta! Só não estou ao mesmo nível no que diz respeito a dar à bomba. Pois não bastava ter começado a  cair uma bátega de água em cima do lombo, tinha esquecido de levar a bomba portátil para  terminar a operação e encher o pneu! Recolocada a roda na corrente, restou-me caminhar sob a chuva, levando a bicla com o pneu traseiro vazio ao meu lado, na esperança que um bom samaritano a pedais passasse por mim e tivesse o que me fazia falta. Felizmente não faltou muito para que fosse salvo e assim prosseguir o meu percurso, encharcado até aos ossos. “Quem pedala por gosto não enregela”, não é mesmo!

Então é assim, quando as viagens de bicicleta são mais prolongadas, às vezes por estradas com menos movimento ou até isoladas, o ciclista deve ter algumas precauções. Deve procurar usar equipamentos de protecção, como o capacete, luvas e óculos. A viajem torna-se mais confortável se vestir roupa apropriada, como uma camisola de tecido sintético e uns calções acolchoados no rabo. Melhoram de sobremaneira a comodidade. Numa bolsa poderá colocar ferramentas para a manutenção da bicicleta, para eventuais problemas e avarias que com certeza ocorrerão. Deve levar uma câmara de ar de reserva, bomba portátil e kit de remendos (com cola, remendos e espátula) para reparação de câmara de ar. Isso já o irá ajudar nos imprevistos com furos de pneus e ajustes que venha a ter de fazer na bicicleta durante a pedalada. E também pode levar uma garrafa de água para hidratação, também bastante útil para afugentar com uma esguichadela alguns cães vadios mais afoitos. Conforme for aumentando a distância, é aconselhável levar alimentos que possam repor energias. Frutas são opções saudáveis e muito nutritivas para o propósito.

Boas viagens.

Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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7 respostas a sem pressão

  1. Pedro Portela diz:

    Bom dia.
    Revi-me bastante neste post porque ainda no outro dia me aconteceu a mesma coisa, mas felizmente já estava perto de casa.
    Eu tenho uma Specialized Globe Sport, uma bicicleta híbrida com quadro de BTT e pneus de estrada, de origem. Os pneus são 700×35.
    Foi uma solução de “crise” porque o que eu queria era uma bicicleta de estrada, mas na altura não havia o dinheiro suficiente para tal. Depois, acabou por ser uma boa escolha.
    Mas tenho uma dúvida séria que me tem vindo a atormentar. Mecânicos e malta das lojas das bicicletas não me tem sabido informar porque, em regra, ou usam BTT ou não usam bicicleta de todo. O meu problema diz respeito a circular em cidades como as nossas. Creio que por terras do Norte seja a mesma coisa: a cidade de Lisboa está toda esburacada. Um pneus de 700×35 aguenta-se bem, embora se sinta muita coisa que não se sente num pneu de BTT. Como é enfrentar estradas como as nossas em pneus de 700×23? Será muito doloroso? Danifica a bicicleta ou é uma preocupação sem fundamento?
    Obrigado,
    Pedro Portela

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  2. paulofski diz:

    Bom dia Pedro. Grato pelas tuas palavras.

    Antes de mais convém referir que a tua opção por uma bicicleta híbrida é uma boa escolha, tanto pelo aspecto económico como pelo mix de experiências que uma híbrida proporciona. Pelo que pude ver (http://www.evanscycles.com/products/specialized/globe-sport-2007-hybrid-bike-ec014477), a tua bicla trazia de origem pneus 700x42c. Os pneus que usas, 700×35, já proporcionam outras sensações, um rodar mais suave mas um pouco mais rígido em maus pisos. Ora imagino que a diferença para os 700×23 seja proporcional. Terás vantagens em diminuir o atrito mas em prejudicar algum conforto. São pneus extraordinários e mesmo em pisos piores que o pavé do Paris-Roubaix comportam-se lindamente. É evidente que a bicicleta e os nossos braços sofrem fortes vibrações, mas com algum cuidado e traquejo a coisa faz-se bem.

    Quando comprei a minha bicla de estrada esta trazia de origem pneus Kenda 700×20. Já com mais de 2mil km percorridos fui obrigado a trocar o pneu traseiro mas como não encontrei igual optei por um Maxxis 700×23. Agora tenho 700×20 à frente e 700×23 atrás. A princípio não notei grandes diferenças mas assim que o experimentei em piso molhado percebi que os 700×23 oferecem muito mais estabilidade.

    Conclusão: Se estás satisfeito com os 700×35 o meu conselho é continuares com esses. Oferecem maior estabilidade e conforto. Se pretendes os 700×23 ganhas em leveza e velocidade. Não me parece que danifiquem de alguma forma a bicicleta e como costumo dizer, tudo acaba por ser uma questão de hábito.

    Espero ter-te ajudado de alguma forma.

    Cumprimentos.

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