farrapo velho

Antes de mais nada espero que os meus amigos tenham passado uma noite de Consoada e um dia de Natal com uma pontinha adoçada de satisfação. E o meu, perguntam vocês? Pois parece que me portei bem este ano e fui afortunado por mais um BOM NATAL, por mais uma celebração familiar que me permitiu retemperar energias de felicidade, todos à volta da mesa acompanhando o mastigar compassado das batatas e do bacalhau (ou da pescada para os mais esquisitos) e das doçuras da mamã.

E na calma do dia seguinte, até para “esmoer” as calorias natalícias, saí pela manhã enregelada a pedalar para me aquecer e deixar-me esvoaçar com as recordações da noite anterior. Deixar o pensamento percorrer na presença das grandes figuras do presépio da nossa existência, no sorriso lindo da avó Nanda, na sua constante preocupação que tudo estivesse bem saboroso, e do avô Eduardo que desta vez recebeu uma prenda minha para ler o Porto. Da cada vez mais amorosa e necessária companheira da minha vida e do meu filhote. Tudo num ambiente pachorrento de paz e amor, com o desembrulhar das prendas entre as traquinices da cadela Fofa e do gato Cookie.

Mas passados estes dias frenéticos de sorrisos, de compras, de barretes, de essémesses, de televisivas mensagens hipócritas de bom Natal, vai voltar tudo ao mesmo… vai voltar a crise, o debate político de tasca de aldeia, as manchetes televisivas qual “carrinha do peixeiro”, os jornais de caserna, o miserabilismo nacional, a falta de confiança, a falta de ideias, e a culpa que é sempre dos outros… o farrapo velho de sempre!

 

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um bom passeio

Passear é já de si uma experiência agradável, mas se o fizermos num Domingo de manhã, na companhia do rio, do mar e da natureza, é ainda mais rico. A frescura matinal, o frenesim dos pássaros, o caminho que convida, o povo que circula num ritmo diferente da semana, o ambiente descontraído de ciclistas e turistas num passeio em família de maquinas fotográficas em punho. Para além de todos esses dados de interesse, o meu passeio de ontem teve um acrescento de novidade no regresso a casa: uma imensidão de pais-natais, vestidos a preceito, que vagueavam pelas ruas e iam enchendo as esplanadas dos cafés.

O passeio traz vários benefícios, não só à nossa saúde mas também ao ambiente. Tal pressupõe deixar o automóvel na garagem e circular a pé, ou de bicicleta no caso de se percorrer distâncias maiores. Num simples percurso a pé abrandamos o ritmo acelerado do motor e ganhamos tempo para apreciar a paisagem, respirar ar puro, assentar ideias, apanhar sol, aproveitar esse momento íntimo que é uma caminhada, a sós ou com uma bela companhia. Num passeio de bicicleta a nossa vida pode melhorar consideravelmente, pois enquanto o fazemos abstraímo-nos do dia-a-dia e os problemas passam para segundo plano, ou tendem a não parecer tão relevantes. E, se assim não for, há que fazer um esforço para que as distâncias não cansem tanto acompanhando e comunicando com outros amantes da arte do pedal.

Muito provavelmente algumas das grandes ideias de grandes génios devem ter surgido enquanto apreciavam um passeio, vendo e assimilando o mundo que os circundava, vivendo cada forma, cor, brisa, aroma, experimentando cada sensação.

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valsa azul num palco branco

Quase 24 anos depois do calcanhar de Madjer e da arma secreta de Juary terem dado a volta ao Bayern, com dois golos que depois deram a volta ao Mundo, os heróis de Viena voltaram ontem ao antigo Prater. E foi de memória, de recordações e de uma alegria genuína que se tratou este regresso ao palco que lançou o Futebol Clube do Porto para a primeira linha do futebol europeu. E de memória guardo bem as circunstâncias em como vivi esse momento.


Havia assentado praça na Escola Prática de Engenharia, em Tancos, uma semana antes para o serviço militar obrigatório (só mesmo obrigado!). Naquele dia, 21 de Maio de 1987, depois da alvorada, as tropas recrutas formaram na parada do aquartelamento do Casal do Pote com o equipamento de ginástica vestido. A manhã despontou soalheira, mas de leste, por entre as camaratas, soprava uma fresca brisa ribatejana de fazer arrepiar o esqueleto. O meu estado de espírito não seria dos melhores, não só porque estava ali numa triste figura mas porque sabia não haver muitas hipóteses de poder a assistir à grande final. Aos recos, apenas lhes cabia a disciplina e prestar obediência, para só ao fim de seis semanas de recruta serem “promovidos” a maçaricos e conquistar o direito a entrar no bar de praças, local onde havia um televisor disponível. Restava-me pois um rádio a pilhas para me dar notícias das incidências da partida. Depois do rancho, já a caminho das camaratas, deram-nos a melhor das notícias. O Sargento Soares, indefectível portista que mal conhecia mas que a partir desse dia não mais esqueci, havia desenrascado uma autorização superior e mandou colocar um aparelho de televisão no refeitório. Após a ceia, impreterivelmente servida às 18:30h, arrumou-se a sala, alinharam-se as cadeiras e sintonizou-se a antena para vermos a transmissão da bola. Quando deram o pontapé de saída já todos os requinhos, ou feijões verdes, como preferirem, estavam a dar palpites e insultos ao árbitro. A larga maioria era adepta de outras cores, e poucos, muito poucos, roíam as unhas. A primeira parte não nos correu de feição. Eu e o Neves saímos ao intervalo para um cigarro retemperador, verter águas e refazer as fezadas. Para a etapa complementar, ao apito do árbitro, voltaram apenas três fiéis adeptos azuis e brancos crentes numa reviravolta. Eu o Neves e o Sargento Soares que se juntou a nós dizendo estar farto de ouvir bocas dos mouros! Todos os outros ou foram engraxar botas ou espreitavam para nos fazer troça com umas piadas. Mal eles sabiam que esses treze heróis (os onze iniciais mais o Juary e o Frasco) iriam voltar ao campo de batalha para conquistar a mais bela vitória frente aos bávaros. No fim do jogo nem é preciso dizer mais nada. Exultámos em delírio, abraçados num choro de incontida alegria e a soluçar como uns meninos, enquanto alguns dos descrentes voltavam incrédulos, curiosos com o que havia sucedido. O capitão João Pinto corria agora louco pelo relvado, com a taça bem segura pelas mãos, pousada na cabeça, e eu imitava-o, empunhando firme as garrafas de cerveja mini que iam parar à minha mão em substituição do vasilhame. Subitamente um estranho sentimento, misto de euforia e tristeza, se abateu sobre mim quando me apercebi de que faltava mais qualquer coisa. Não poderia estar na festa dos dragões, a festejar pelas ruas da Invicta rodeado das gentes tripeiras. E ali fiquei, sentado na soleira da porta a nortear o olhar no horizonte que escurecia, de pensamento perdido até ouvir o soar da corneta para o recolher.

Ontem, o jogo do Porto no Prater fez-me soltar sorrisos e memórias, até de uma outra final, a de Dezembro do mesmo ano, às três da matina, com neve e temperaturas negativas. O cenário branco e gelado de Viena fazia recordar outro palco glorioso, o de Tóquio, onde ganhamos a Taça Intercontinental aos uruguaios do Peñarol, mas aí eu já estive a assistir em casa, a torcer e a festejar com os meus melhores amigos.

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a livraria mais bela

Ainda um outro dia, depois de encerrar o expediente no gabinete e dirigindo-me à Praça Carlos Alberto, na esquina da Igreja do Carmo, fui solicitado a dar indicações. Desta vez, um casal de turistas espanhóis munidos de um mapa da cidade me perguntaram: La librería Lello? Dime donde? E lá tive eu de desenferrujar o meu portinhol, apontando o dedo na direcção da livraria mais bela do mundo, pois para mim é!

Elogiada desde sempre pela sua beleza arquitectónica exterior, sendo a sua fachada em Arte Nova um dos emblemas arquitectónicos da cidade invicta, é no seu interior que quem lá entra não evita dispersar por instantes a sua atenção dos livros e encantar-se com o estilo ímpar da Lello. Esta pérola do Porto recebe repetidamente as mais diversas distinções mundiais. Ainda este mês, um guia australiano, o “Planet’s Best in Travel 2011” editado pela Lonely Planet, considerou-a como a terceira mais bela livraria do mundo, sendo mesmo descrita como “uma pérola de arte nova”.

A história da livraria remonta a 1869, ano em que é fundada na Rua dos Clérigos a Livraria Internacional de Ernesto Chardron. Após o imprevisto falecimento de Chardron, aos 45 anos de idade, a casa editora foi vendida à firma Lugan & Genelioux Sucessores. Em 1894 Mathieux Lugan vendia a Livraria Chardron a José Pinto de Sousa Lello que possuía então uma livraria na Rua do Almada. Associado ao irmão, António Lello, mantêm a Livraria Chardron, com a razão social de José Pinto de Sousa Lello & Irmão, até 1919, ano em que o nome da sociedade muda para Lello & Irmão Lda. Tendo sido desenhado de raiz para ser uma livraria, o actual edifício foi inaugurado em 1906, com a presença no dia de abertura de, entre outros, Guerra Junqueiro, José Leite de Vasconcelos e Afonso Costa.

 

(Foto de Aurélio Paz dos Reis no dia inauguração em 1906)

“A riqueza de tons do grande vitral, o recorte gracioso das janelas, a balaustrada da galeria e os grandes candelabros situados nos ângulos que demarcam esse espaço, as linhas das ogivas que se entrelaçam no tecto (…), deixam o visitante deslumbrado”. A 13 de Janeiro de 1906, no dia da inauguração, era assim que um jornalista da época classificava a Lello & Irmão.

Em 1994, as obras de restauro a cargo do arquitecto português Vasco Morais Soares permitiram que continuasse a manter o seu esplendor.

De visita obrigatória, à Rua das Carmelitas, nº144, afluem cada vez mais curiosos. Quando lá entram, os visitantes são envolvidos por um ambiente acolhedor, numa viagem instigadora onde se respira história e madeira. Uma ampla sala, onde os livros pontificam numa decoração impressiva, dá acesso a uma belíssima escada ornamental. Perfilam-se algumas mesas onde se expões alguns dos livros, bancos revestidos a couro e estantes a toda a altura da galeria perfazem o espaço próprio de uma livraria moderna, mas que guarda a memória e o ambiente místico de uma livraria antiga, cheia de história nas paredes e nas lombadas dos seus livros. Nos pilares destacam-se os bustos de distintos homens de letras: Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Antero de Quental, Guerra Junqueiro, entre outros. O tecto, lavrado e rendilhado, resguarda no centro uma luminosidade translúcida que provém do amplo vitral. Quem lá entra, fica de tal forma maravilhado que olvida olhar para os livros e deslumbra-se com a divinal estrutura fazendo disparar, incontroláveis, os flashes, para no final da visita soltarem inevitáveis exclamações: “Vês como valeu a pena entrar!”

 

http://www.360cities.net/javascripts/krpano/krpano.swf
livraria-lello in Portugal

Então e tu? Entra, vá lá… Mesmo aí sentado nessa cadeira só tens de clicar na seta e rodar o cursor em todas as direcções, para que possas também passear pela livraria e apreciar a beleza deste mágico espaço de cultura. Desejo-vos uma boa semana.

(fonte: http://www.boasnoticias.pt ; http://www.360cities.net)

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o jogo…

…foi de mão cheia. Cinco estrelas. O espectáculo mais parecia um monólogo em que de um lado se apresentou uma equipa mágica, demolidora, inspirada, precisa, soberba. Do outro, bem, do outro lado estava um conjunto de onze, chegaram a ser doze mas acabaram dez jogadores derrotados e vergados perante a mais emblemática vitória de todas as vitórias. E é o resultado que fica para a história:

 

Porto – 5, Bisitante – 0
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é relativo!

Desceu à garagem e pegou na bicicleta para ir trabalhar. Assim evitava ficar sem exercício e deixava o carro em casa, caso a mulher fosse às compras, buscar as crianças, ter que ir a um ou outro encontro que tivesse combinado. Já de saída lembrou-se que agora era um director de departamento. Não que desse muita importância às aparências, mas sabia que as pessoas que mais interessava impressionar desaprovariam vê-lo de fato e gravata a pedalar uma bicicleta de estrada, e se o fizesse teria de enfrentar olhares e comentários corrosivos. Então voltou ao quarto e trocou o fato e a gravata por uma camisola e um calção de licra. A esposa veio da sala e perguntou o que tinha acontecido. “Nada”, respondeu. “É uma pesquisa que estou a fazer sobre a teoria da relatividade aplicada à empresa.” “Que teoria é essa?” “É assim: vou chegar lá cedo, desmontar da bicicleta e, o mais certo, eles ainda não estacionaram os seus carros”. E partiu a pedalar pela manhã de sol, sob o olhar um pouco apreensivo mas muito terno da mulher.

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a passadeira mata, atravessá-la pode prejudicar a sua saúde!

Pelo simples facto de ter nascido munido de duas pernas e ao fim de alguns meses de vida ter aprendido a andar, circulando na via pública eu sou considerado um peão. Depois de atingida a maioridade, de ter suportado durante 25 aulas o mau humor do trânsito e do instrutor, e ter sido aprovado em 10 minutos num exaustivo exame de condução, passei a ser mais um automobilista. Estes dois factores incluem-me na classe dos humanos que, mediante a situação em que se encontram, se tornam numa espécie de Dr. Jekyll and Mr. Hyde das ruas e estradas nacionais. Ao que parece estamos englobados num país civilizado, em que algumas ruas têm passadeiras que servem para indicar aos automobilistas e aos peões onde uns devem parar para que outros as possam atravessar. Em Portugal as passadeiras têm, para uma parte de nós os peões, um carácter místico a roçar o sobrenatural. Torna-nos invencíveis. Na perspectiva do peão, desde o momento que coloca o pezinho sobre o tracejado branco sujo e gasto, nada o impede de empreender a hercúlea tarefa de atravessar a rua. A maioria nem se dá ao trabalho de parar, rodar a cabeça e olhar. A perspectiva assertiva de ficar para ali parado, a olhar de um lado para o outro à espera que algum condutor tenha a amabilidade de abrandar e parar, mói-lhes a paciência. E eles correm, correm o risco de encastrar os dentes num qualquer capôt metalizado. Não adianta explicar aos peões que a passadeira não dá garantias de sobrevivência e que tem de haver um compromisso tácito entre eles e os automobilistas. Afinal de contas, a maioria dos peões portugueses também são condutores e sabem o que a casa gasta quando estão atrás do volante. A estrada é deles e os carrancudos peões que se cuidem. Conduzem perfeitamente alheados ao que os rodeia porque, ora estão a olhar para o retrovisor, ora acendem um cigarro, ora sintonizam o rádio e programam o GPS, ora têm que atender o telemóvel, e isso são muitas tarefas para um condutor só. Preocuparem-se com regras de prioridade, limites de velocidade, os ciclistas (tinhas que nos meter ao barulho pá!?), passadeiras ou circular com o mais básico do civismo, são meros detalhes para um alienado condutor ter de controlar tudo com os seus olhinhos, dois bracinhos e dois pezinhos. Saiam da frente ou passo-vos a ferro, grunhem ostensivamente enclausurados nos seus estilosos e potentes popós.

Descontraído a caminho do metro, parei no passeio junto à passadeira do costume. Àquela hora a rua tem pouco movimento, o que quer dizer que é convidativa aos aceleras, sempre atrasados para o que quer que seja. E disso eu já sabia. É uma rua com boa visibilidade, a passadeira encontra-se assinalada mas está mal visível na parte mais estreita da rua, junto a uma velha casa que a estrangula. Do lado direito não vêm carros, do lado esquerdo vislumbro um veículo ao longe com os faróis ligados. Dá mais que tempo para passar, penso. Desço o passeio e empreendo a travessia voltando a olhar para a direita. Mal dou dois passos, viro a cabeça e aquele carro passa mesmo à frente do meu nariz, a toda a velocidade e fora de mão. A deslocação de ar que provocou à sua brutal passagem levanta-me os cabelos e, instintivamente, eu dou um salto para trás, pondo as mãos na cabeça e tentando perceber se ainda estava vivo. Petrificado com o susto, miro para a traseira da viatura que não me deu passagem, e percebi então que os artistas já aprenderam um novo esquema. Num displicente acenar de braço, desculpam-se com o ar mais descontraído do mundo, género a referir, deixe lá, não o vi, ou então aguenta pá, era só o que faltava, travar para o deixar passar!. Por um triz não fui mais um número a acrescentar ao rol de vítimas por atropelamento no Porto. Por um pequeno triz teria de concordar com os fumadores que dizem, sabe-se lá se não morro primeiro debaixo de um carro!

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exercício de imaginação

Encerrado o expediente dos chamados dias úteis, desligo o computador e saio na tarde luminosa deste sol outonal, a tempo de aproveitar o tempo. Poderão dizer que sou um sortudo. Pois sou, e ainda que me seja difícil narrar com fidelidade toda a gama de sensações, cheiros, cores, sons, temperaturas, paisagens, descobertas, reflexões e alguns sustos pela azelhice dos automobilistas, tenho um chão imenso à minha frente para as rodas tocarem.


Sempre gostei de ter a minha solidão. Uma pequena necessidade de me encontrar só por uns momentos, só meus. E na bicicleta encontro as forças que necessito para pensar, reflectir com destino, o mesmo de sempre. O caminho poderá ser longo, a estrada tortuosa, mas esta minha via verde incentiva-me a seguir, a prosseguir no pedal e a chegar lá, apreciar um olhar, absorver as alegrias que recebo nos seus sorrisos. Olá Mãe, olá Pai.

E o Sol contempla-me agora com os seus braços de fogo, com o cheiro morno de mar, e nem o vento perturba essa paz e toda a perfeição da natureza. O tempo parece caminhar lentamente e o astro despede-se com o seu lindo espectáculo, enxergando-me o caminho de volta. As pessoas deviam aprender a apreciar estas maravilhas. Reclamam sempre das suas vidas, têm medo da solidão e procuram qualquer coisa que lhes dê sentido aos dias. Não percebem a arte que é viver, simplesmente viver, sem precisar procurar tesouros perdidos nem… hããã, o qu’é isto! Desculpem, fui acordado pelo telemóvel!…

Estou…

 

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de molho!

 

O alerta era amarelo e agora já é laranja. Qualquer que seja a cor que a Protecção Civil queira dar a este mau tempo, pelo menos já estou no bem-bom. Deixei o guarda-chuva a pingar, larguei os sapatos à porta, todos ensopados naquela poça da fotografia, e estendi as calças a secar. Roupão e chinelos nos pés! Ora venha de lá esse chá aromático e não esquecer as torradinhas, ó faxabôre. Vão-me saber muito bem, como estes próximos dois dias inteirinhos a chonar. Bem, lá se foram os planos das pedaladas, mas também não se pode ter tudo, né?

Bom fim de coiso…

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pelas ruas do Porto

Há a Foz, a Casa da Música, há Serralves, o Parque da Cidade, a Ribeira, mas o Porto tem muito mais para oferecer. Sou um fã incondicional do Porto mas eu sou suspeito. Aqui nasci, aqui trabalho e moro desde há alguns anos. É na mistura dos tempos que esta cidade me inspira, ou melhor, se inspira. É nela que respira a gente que aqui habita e que faz sentir a quem o visita quase como se sentisse em casa. É nas ruas da cidade que vive o pulsar do Porto. Uma dessas ruas é a Rua Miguel Bombarda onde as galerias de arte são o seu grande pólo de atracção. A sua história tem muitos anos e começou quando os marchands começaram a localizar aí as suas actividades. Depois chegaram os artistas e as lojas alternativas. O edifício Artes em Partes é uma espécie de centro comercial alternativo com projectos interessantes onde as pessoas se cruzam para alternar o estilo. Na Rua do Rosário, que a cruza, há outras coisas para ver e um dos melhores hotéis da cidade, o Hotel das Artes, que é também um complemento à oferta cultural do bairro. Dali até à Rua de Cedofeita é um pulinho e nem dá para aqui descrever o bulício que ali se vive. A noite é sem dúvida coisa a não perder na Invicta, e quando aperta a fome, no quarteirão entre a Igreja do Carmo e o Jardim da Cordoaria, pode-se encontrar uma grande variedade e oferta. As refeições são simples, na elaboração e na combinação de sabores, e uma introdução progressiva à gastronomia tripeira. Na praça em frente ao Café Piolho, nas Ruas Galerias de Paris e Cândido dos Reis, são um antro de animação, boa disposição e convívio, sempre de copo na mão. E a pé, até onde for possível, pode-se caminhar e conhecer ruas soturnas, monumentos e locais de história. Com o dia e o sol a despontar nada melhor do que acordar saboreando um aromático café de saco acompanhado de um croissant ou de uma torrada bijou no Café Progresso.

 

 

Não há melhor forma de dizer bom dia. 

 

(no Dia Mundial do Turismo)

 

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