espécie de reflexão pós eleitoral

O candidato, dito independente, e reeleito Presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, defendeu há uns anos, aquando da sua estratégia eleitoral para a mobilidade para o Porto, o seguinte:

“Para resolver os obstáculos criados à circulação pedonal e de bicicletas devido à diferença de cotas na cidade, o candidato propõe a reativação do elevador da Arrábida e ainda a criação de duas ligações mecanizadas intermédias, uma entre a Alfândega e o Palácio de Cristal e outra entre as escadas do Codeçal e a ponte Luiz I.
Rui Moreira garante que estes dois novos elevadores são “muito simples e económicos”, tendo um orçamento global de 750 mil euros.”…

(extraído da notícia do DN: http://www.dn.pt/politica/interior/rui-moreira-apresenta-estrategia-de-mobilidade-para-o-porto-3372314.html)

De lá para cá nada se soube no que toca à resolução dos tais “obstáculos”, até porque a cidade sempre teve e terá os seus obstáculos naturais. Das acções concretas e “políticas promotoras de uma mobilidade urbana sustentável” pouco ou nada foi feito. Das medidas de “redução do grande fluxo de automóveis para dentro da cidade e da criação de incentivos à utilização de outros meios de transporte”, a única que me lembro foi a abertura dos corredores BUS aos motociclistas. Pela mobilidade em bicicleta nada foi feito, apenas se concluíram algumas medíocres intervenções que estavam em execução.

Da petição dos ciclistas às medidas promotoras de uma mobilidade urbana sustentável, como por exemplo a utilização legal dos corredores BUS, do Presidente chegou este argumento:

“Problema mais recente, os conflitos de tráfego entre ciclistas e automóveis e peões levaram o município, por precaução, a não criar canais dedicados para bicicletas nas ruas a intervencionar, tendo em conta que, na maioria dos casos, se trata de eixos estruturantes, com muito movimento automóvel. Rui Moreira considera que a legislação deveria ser revista, pois o facto de as bicicletas não terem matrícula e os ciclistas não serem obrigados a ter seguro têm gerado problemas nalgumas situações, argumentou. E, perante isto, a Câmara do Porto não deverá abrir as faixas bus a este modo de transporte, como fez, com bons resultados, com os ciclomotores, assumiram.“

É claro que não levei a sério aquilo que o Sr. Presidente da CMP considera sobre as bicicletas. Quem não sabe sequer o que é uma bicicleta, não quer ou não sabe pedalar, está longe de perceber o que perde. Da minha parte continuarei a contribuir para a melhoria das condições de mobilidade urbana. Continuarei a utilizar a bicicleta nas ruas da minha cidade. Continuarei a divulgar as vantagens da bicicleta como meio de transporte regular, alternativo, económico, ecológico e saudável. Quem viu o Porto e vê hoje, perceberá que as opções de mobilidade dos seus visitantes e sobretudo dos seus habitantes, mudou para melhor. Hoje, vêem-se muitos utilizadores da bicicleta, alguns esporádicos, vários commuters diários e muitos que só pedalam em lazer. Posso lhe dizer senhor presidente que a mudança engrenou, o Porto melhorou nos hábitos, nos costumes, nos comportamentos e na convivência rumo a um progresso sadio. Há mais gente a pedalar e isso é de salutar. Há uma mudança significativa de mentalidades, na utilização dos recursos e nas opções de mobilidade. Por isso digo que a autarquia, a cidade, só tem a ganhar com isso, contribuindo com uma boa administração dos recursos existentes, implementar melhorias e optar pelas escolhas correctas com medidas concretas do modo como aproveitamos o espaço urbano. Basta avaliar e comparar o espaço que os automóveis ocupam com o que ocupam os ciclistas. As infra-estruturas existentes dirigidas aos ciclistas não incentivam nem estimulam o uso da bicicleta com maior intensidade, por isso reclamamos o nosso espaço para recuperar a qualidade de vida urbana. Os portuenses também reclamam muitas outras mudanças para melhorar a sua vida, na saúde, no trabalho, na educação, nos transportes… Se é possível melhorar a vida da cidade através do ciclismo urbano? É pois!

foto Sónia Arrepia, Massa Crítica Porto, Dezembro de 2011

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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