o plano B

O plano A de automóvel já era! Sem comprometer o futuro do planeta, o que interessa é discutir alternativas de energia dirigidas para as pessoas. As pessoas são o nosso combustível. Vamos partir de um ponto para outro da maneira mais simples. Porque acreditamos que o nosso planeta precisa de um plano B. B como uma bicicleta. Vamos por o plano B de bicicleta em prática.

O plano é B de bicicletas. O trocadilho faz parte do filme acima, uma das peças da campanha criada para o renovado site da Caloi, lançado estrategicamente a 22/09/2010, no Dia Mundial Sem Carro. Segundo Juliana Grossi, directora de marketing da Caloi, o objectivo é promover a bicicleta como meio de locomoção, lazer e desporto. 
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nos Caminhos do Romântico

A tarde estava convidativa e eu carente de um arejo. Encerrado o expediente, aproveitei para dar uma volta numa zona que é uma autêntica ilha de tranquilidade no Porto, uma cidade de contrastes que contribui para ser uma cidade tão especial. Os Caminhos do Romântico seriam o cenário perfeito para desopilar e testar a resistência dos travões à Etielbina que me levará por outros caminhos até Santiago.

O Porto tem esta primazia, tem duas faces bem diferentes entre si. De repente sai-se da confusão das ruas de D. Manuel II e de Júlio Dinis para a tranquilidade de cenários distintos e esplêndidos, com uma vista bucólica sobre o rio Douro. Há pequenas hortas, matas, muros de pedra, quintas da nobreza e burguesia, fontes, chafarizes, lavadouros, gatos sem dono e um silêncio que impressiona. É a aldeia em plena cidade. Mas iniciado o passeio o cenário piora e a decepção rompe o encanto. Aquela que foi considerada uma das obras marcantes da Porto 2001, mereceu relevância no programa eleitoral do edil camarário, posterior promessa de reabilitação desta zona. nunca teve o prometido seguimento. A ambição de transformar este espaço privilegiado num pólo de atracção turística e urbana desvaneceu-se por entre os meandros da burocracia da autarquia portuense. A atracção turística passaria pela delimitação de cinco percursos pedonais, cada qual com um tema ligado à história de Massarelos.

Sem se conseguir decifrar as informações das placas, a curiosidade determina a rota a seguir. Os Caminhos do Romântico apresentam um pouco das contradições do Porto de oitocentos: Romântico e burguês, rural e industrial. Tendo como ponto de partida os jardins do Palácio de Cristal, escolhi o primeiro percurso o “Porto do Romantismo”. Os outros percursos são: O Aproveitamento da Água; Arqueologia Rural e Industrial; do Gólgota a Massarelos.

Num local abrigado do ruído citadino, protegida por grandes muros, encontra-se a Quinta da Macieirinha, um dos mais belos espaços verdes da cidade, e a Casa Tait que serve como Gabinete de Numismática municipal. Na estreita Rua de Entrequintas há um painel a indicar o início do caminho. Pouco ou nada se consegue ler, dada a quantidade de riscos e rabiscos que o cobrem. Aliás, os rabiscos são uma epidemia nestes caminhos. Não há parede, poste de iluminação ou balde do lixo que tenha resistido às tintas e canetas de quem se esconde. São os grupos que à noite se esgueiram para os recantos dos estreitos Caminhos do Romântico.

Os sinais de abandono e vandalismo roubaram parte do romantismo das ruas e trajectos pedestres traçados no vale de Massarelos. A zona encontra-se muito degradada, multiplicando-se as casas abandonadas e os actos de vandalismo. Já lá não mora quase ninguém, as casas foram ficando em ruína e as pessoas realojadas em bairros. Nos terrenos que escaparam ao abandono resistem pequenas hortas, preservadas para a subsistência das pessoas pobres que lá vivem.

Prossegui o caminho que vai desembocar à Rua da Restauração. Desci-a e segui a marginal, dando lugar à panorâmica privilegiada ao meu passeio, na companhia de um velho e leal amigo, o Douro.

A autarquia reconhece a degradação e abandono dos Caminhos do Romântico, no entanto romanaia outras paixões do seu inquilino e esbanja recursos noutros caminhos, barulhentoe e poluentes, reservados a elites das corridas dos carrinhos de choque!

a aBUSar da sorte na Avenida da Boavista

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no próximo Domingo

… será dia de eleições e por acaso é o dia mundial em que se celebra o meio ambiente.

O voto é um acto cívico e em democracia o eleitorado escolhe pelo voto o seu representante político. Muitos factores influenciam na nossa decisão mas num mundo moderno, que supostamente partilhamos, a meu ver deve se dar a primazia a quem defenda o meio ambiente e reclame a carência de uma política específica, com medidas concretas, que promova a mobilidade sustentável. A adequação do código nacional de estrada às novas exigências ambientais e um plano de promoção da bicicleta que seja posto em prática, são apenas duas ideias que seriam um sinal de evolução, no entanto não tenho ideia de as ver previstas nos programas eleitorais dos diversos partidos. E se as há são muito ténues. Os únicos projectos de lei que eu conheço, propostos na anterior legislatura e muito provavelmente já esquecidos nas gavetas dos gabinetes, são as iniciativas dos Verdes e do Bloco.

Também gostaria de ver incluídos outros temas como a activação de redes cicláveis na rede rodoviária, bem como a sua articulação com redes de transportes colectivos, o incentivo para a constituição de parques de partilha de bicicletas, a modernização e reactivação de linhas ferroviárias, a viabilidade financeira do Metro do Porto, mas isso já são troikas de outro rosário.

Colocar na mesa da assembleia a necessidade da revisão do código de estrada, que definitivamente promova a utilização da bicicleta em contexto de mobilidade urbana, já não é uma necessidade, é uma exigência.

Qualquer que seja o partido de simpatia ou militância, vamos nas nossas bicicletas até às mesas de voto exercer o nosso dever cívico pois tanto o pé direito como o pé esquerdo são ambos necessários para uma vigorosa pedalada. Por isso pedalem até lá e votem, e por muito que vos custe tentem levá-los a sério.

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haja saúde

Certo dia uma colega avistou-me a chegar de bicicleta ao jardim da instituição onde trabalhamos. Mais tarde, numa pausa para o cimbalino, o tema “pedalar para o trabalho” foi assunto de conversa e ela, com um certo ar fascinado, saiu-se com esta: “Hummm, a pedalar tanto assim deves estar com umas boas pernas!”. Não desconversei e respondi: “Sim, e menos barrigudas!”. Ok, eu percebi onde ela pretendia chegar com o “boas”. Será que se nota assim tanto? É que eu uso calças largas!

O facto de pedalar de bicicleta para o local de trabalho sempre gera os mais diversos comentários, o que não acho estranho pelos diferentes hábitos que adquirimos, de práticas que achamos “normais”. Pondo de parte a questão económica e ecológica, a bicicleta chama para si muitos outros ecos de interesse: capacidade física, liberta a mente, dá saúde.

Com o acréscimo de sedentarização no estilo de vida, as escadas rolantes, os elevadores, os automóveis, o ser humano amoleceu, relaxou e acomodou-se. Não importa se gordas ou magras, as pessoas estão enfraquecidas. Ofegam ao subir um vão de escada, enquanto um ciclista a sobe de dois em dois degraus sem dificuldade. Num mundo de pessoas medrosas muitas vezes passa a imagem de poder, que os ciclistas urbanos são enérgicos, fortes e vigorosos, de ser muito corajoso enfrentar o trânsito. Impera algum cagaço na sociedade mas a cultura da bicicleta vai, aos poucos, se sobrepor à indústria cultural do medo. Por isso suamos as estopinhas também a provar que não é preciso assim tanta coragem em pedalar no meio de carros blindados. Eu não pedalo diferente dos demais ciclistas. Não sou super, sou apenas um humano que pedala e, como qualquer outro ciclista, assim o meu corpo funciona melhor.

As pessoas que andam regularmente de bicicleta poupam muitas visitas ao médico. Na saúde, os benefícios das pedaladas são imensos: o exercício aumenta a capacidade respiratória, alivia dores nas costas, diminui o colesterol e a pressão arterial, auxilia o emagrecimento, atenua o stress e as tensões. O prazer proporcionado pela bicicleta contribui para a sensação de bem-estar. Proporcionando a sustentação do corpo através de uma postura correcta, a bicicleta ajuda a fortalecer o abdómen, fortalece e define os músculos, deixa as pernas e o rabo tonificadinhos.

Mover-se é da nossa essência e, portanto, é estético, pois o belo e atraente é o que a natureza nos ensinou a procurar e desejar, não necessariamente jovem, não necessariamente musculado, mas saudável. E mais a mais pedalar é sexy. Não importa a idade, se gordo ou magro, se homem ou mulher, se adolescente ou adulto, querendo ou não, o ciclista é sempre objecto de curiosidade e motivo de desejo… rhummm… rhummm… desculpem, foi a Liz Hatch que me caiu no goto…


E ainda há quem que não goste de bicicletas!!! Haja saúde.

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desafios a pedal são comigo

Desta vez a provocação foi-me dirigida pelo nosso amigo tasqueiro. O Miguel sugeriu-me fazer em grupo o Porto-Santiago a pedal, o que de imediato topei.

Para uma viagem tripartida por vários dias e km’s q.b., atravessando bosques, passando por aldeias minhotas e paisagens galegas, o calçado que a Etielbina usa para as minhas urbanidades não se coaduna com calhaus soltos e caminhos de cabras. Vai daí, matutei qual seria o pneumático mais em conta dos chamados “cross country”. Pesquisei e encontrei umas solas em conta para empreender tal viagem. E antes mesmo de dar ao pedal até à mega-superfície-das-coisas-jeitosas, dei um pouco mais às teclas até encontrar os alforges (coisa que já havia pensado sem ter ainda encontrado as ideais). A velha mochila que usava pendurada no bagageiro lá ia desenrascando mas o que eu preciso é de uma coisa de qualidade, razoável capacidade de carga, que desse para se separar e usar um de cada vez. Touché.

– E porque não vais lá!? Olha, até que não é mal pensado, não senhor! Depois do propósito, bastava-me delinear o percurso até à dita cuja mega-coisa para as bandas de Santa Cruz do Bispo. Como entretanto me dava jeito passar por casa, tomei o percurso habitual. De lá segui pela nova via até à movimentada Estrada da Circunvalação para rumar em direcção ao mar. Passado o cabo das tormentas da Rotunda AEP, a bicicleta já voava impulsionada pela gravidade e, aqui e acolá, pelas minhas pernas. Ao largo do Parque da Cidade entrei em Matosinhos, tendo o bónus de mais à frente poder apreciar as barraquinhas montadas para as festas do Senhor do mesmo. Em Leixões desviei para a ponte móvel que, se estiver aberta, atravessa-se na maior das facilidades. Já do lado de lá, em Leça, coloquei as rodas na única ciclóvia existente e rumei em direcção à Quinta da Conceição para depois esbaforir avenida da Exponor acima.  Um pouco mais à frente entrei na wonderland para muitos, na quase  neverland para mim. E como já sabia ao que ia, demorei pouco tempo às compras e num instantinho deixei a bina de ancas largas.

De sacolas instaladas no lombo da bicha, pneus novos lá dentro e tudo, retornei pelo mesmo caminho e, como tudo o que sobe também desce, quando dei por mim já estava de novo a atravessar o porto de Leixões. Sem pressas, aproveitei para ver as modas na praia de Matosinhos e também deglutir um suplemento energético. O magnum de amêndoa nem teve hipóteses, glup, e o ar do mar ajudou também a absorver energias para a última fase da jornada.

Já a pedalar pelos carreiros do Parque da Cidade deu para notar que a Etielbina, a continuar assim, um dia terá de ir ao “peso pesado”. E pronto, tocou subir avenida da Boavista e ainda me dispus a uma boa suadeira numa sã competição com automobilistas de ocasião quase até casa. Assim, a preparação física e o test-drive à máquina prosseguem ao melhor dos ritmos.

E quem quiser espreitar está aqui o mapa da etapa do final do dia.

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de deixar os olhos em bico

A bicicleta é de longe o transporte mais sustentável que existe. É amiga do ambiente e proporciona uma actividade física ao utilizador, no entanto, o seu uso pode ser limitado ao necessário esforço para locomover a quinga entre grandes distâncias (vocês não viram mas acabei de encolher os ombros). E prontos, para atender a essa necessidade, algumas empresas de componentes electrónicos, e até mesmo fabricantes de automóveis, embarcaram nesse nicho de mercado das bicicletas eléctricas. A multinacional japonesa, Panasonic, desenvolveu um modelo com características próprias de transporte sustentável e deve ser lança-lo em Junho, no mercado japonês. Apresento-vos a Lithium Bibi.
A Lithium Bibi é uma bicicleta leve para uma eléctrica, com apenas 19,9 kg, caracterizando-a como das e-bikes mais leves do mercado, segundo a Panasonic. Para conseguir isso, foi usado alumínio na estrutura e uma bateria pequena. A bicla, que por sinal é bastante giraça, tem três modos de funcionamento, que controlam o uso de energia e a força. No modo ecológico, a Bibi gasta menos energia e tem autonomia até 20 Km, mais adequado para um passeio suave. No automático roda até 15 Km e no modo Power, que é quando o motor funciona em sua força máxima, a bateria permite apenas uma corridinha de11 km. Fica feita a apresentação

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já ouviram falar em ciclóvias portáteis?

Eu também não, até ver este vídeo:

Os iluminados ciclistas Vladimir Turner e Ondřej Mladý, cansados da falta de vias públicas destinadas a bicicletas na República Checa, resolveram o problema de uma maneira criativa. Usando um projector de LED’s colocado na parte frontal da bicicleta, inventaram uma forma de construir suas próprias ciclovias portáteis. Assim, o projector emite uma faixa em movimento constante que avisa outros veículos da presença de um ciclista na rua durante a noite. O acessório serve também como uma fonte de luz adicional o que proporciona mais segurança em locais com pouca iluminação pública.

Segundo os inventores, o objectivo é evitar acidentes e dar mais espaço aos ciclistas, que são esquecidos quando se projecta a construção de novas vias. Que eu saiba o dispositivo serve apenas para uso pessoal dos dois amigos, e não há provas que comprovem sua eficiência no trânsito. Porém, não seria nada surpreendente se alguma marca de acessórios se interessasse pela ideia e passasse a incorporar a novidade nos acessórios para bicicletas. Até pelo colorido e chamativo apelo ao uso das binas nas nossas cidades.

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uma questão de mentalidade

A cada dia que passa, quando saio a pedalar nas ruas do Porto e arredores, dou conta que o número de ciclistas com que me cruzo aumenta a cada pedalada. O contraponto disso, a diminuição de tráfego, é que já não se vê assim tanto! Confesso que nem sempre devolvo com um sorriso os insultos que os automobilistas me enviam. É verdade que a bicicleta me dá liberdade mas não toda a que preciso. Não pretendo defender o mau comportamento do ciclista para denunciar a comunidade de automobilistas intolerantes. Eu, como muitos outros, faço da bicicleta o meu estilo de vida, não apenas um exercício. Este  argumento do xôr presidente dos popós de Portugal não pega e é um argumento falso. É claro que se podem melhorar e adaptar as regras de segurança e de prioridade, e considerar que a deslocação diária de bicicletas nas ruas e estradas nacionais é uma realidade. Existem várias opiniões que se encaixam na prática desse senhor, mas para quem tem de conviver no trânsito muitos comportamentos errados transformam o mais pacato cidadão (apeado ou num selim) em tudo menos num pacifista. Existem muitos estilos de condução com que temos de contar, o que pode levar a algumas das imprevisibilidades dos peões e ciclistas. Num interesse de trazer esse assunto para tema de conversa, eu coloquei no papel a minha própria abordagem como viajante regular de bicicleta, em determinadas situações, e também, porque a minha abordagem ao ciclismo é um pouco diferente da opinião de outras perspectivas que vou testemunhando.

Qualquer “ciclismo agressivo” da minha parte é o resultado de alguma condução agressiva e imprudente que acontece ao meu redor. Eu não utilizaria uma faixa de rodagem e uma boa quantidade de espaço para passar entre os carros se não soubesse que teria as mínimas condições de segurança. Se a minha imprevisibilidade em cima de uma bicicleta faz temer alguém basta diminuir o ritmo e fazer com que prestem mais atenção em mim. Eu tenho todo o direito de estar ali, usando o meu meio de transporte e me divertindo, e não deveria ter de colocar a armadura de cada vez que pedale pelas ruas. Todos os dias assisto a condutores acomodados ao seu ar condicionado, homens e mulheres de todas as idades tendo o seu momento de cidadania com o dedo na buzina e o pé no acelerador. Valentes destemidos, a emitir gazes, ouvir música e a falar ao telefone. Mesmo um ciclista com as coxas grossas de um sprinter não pode superar as leis da física. São as leis de Newton que regem o movimento de um veículo de propulsão humana, superando a lei vigente do código de estrada. Uma aceleração dos pedais exige sempre esforço físico e algum ímpeto. A gravidade é uma coisa difícil de superar em cima de uma bicicleta e para evitar uma escalada punitiva eu vou pelo caminho mais longo. Mesmo se a colina constituir ameaça eu posso-a dominar, tenho esse direito de escolha.

Por vezes eu gosto de pedalar rápido, com confiança. Final de tarde ou de semana para mim costuma ser sinónimo de longas pedaladas. Pegar na bicicleta de estrada e rodar alguns quilómetros, com uma música no ouvido e um trajecto quase nunca previsto, são momentos em que me desligo do mundo e aproveito para colocar o pensamento em ordem, quase como num ritual de meditação. Na maior parte das vezes costumo rodar sozinho e sigo à risca as regras de segurança e sobrevivência, capacete, óculos, câmara suplente, a preocupação constante em rodar sempre encostado à direita, alerta para todos os veículos e peões ao meu redor. Com uma massa muito menor comparado a um carro, cada tampa de saneamento e buracos na estrada tem o potencial para arruinar o dia de um ciclista, por isso é conveniente tomar precauções a fim de evitar esses perigos. Apesar de carros e bicicletas habitarem num ambiente similar, cada qual requer uma forma diferente de utilização. Devemos ser capazes de conviver em conjunto e isso significa mover-se no mesmo caminho da partilha.

Tenho que admitir que demorou algum tempo para chegar ao ponto de pedalar com confiança, como eu faço nesta cidade. Devido à minha avaliação do estado actual da cultura da bicicleta (e cultura da estrada como um todo), devemos usar do direito que nos assiste em utilizar e partilhar as ruas com os carros, sem ficar com raiva dos seus donos e vice-versa. As bicicletas são veículos de pleno direito nas ruas e nas estradas. Vamos continuar a fazer da cultura da bicicleta o melhor dos mundos, e se mantivermos a paciência, respeito e a previsibilidade do nosso comportamento, ajudamos a tornar as estradas mais seguras. Hoje, no final do dia, em muitos locais do mundo, as massas reunirão as suas bicicletas e transformarão as cidades em algo surpreendente. Um pouco de paciência, civilidade e compaixão poderia fazer muito para manter todos seguros e felizes nas ruas e estrada desta terra.

Espero que esta conversa toda tenha proporcionado alguma inspiração nas mentes de outros companheiros de viagem e que um dia decidam, porque não, trocar a condução pela pedalada.

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velo… cidade vs pontualidade

a Etielbina sabe nadar, Yooo…

As razões pelas quais se pode incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte são as mais variadas. No entanto, uma delas mereceu-me maior relevo quando adquiri o hábito de pedalar para o trabalho, a pontualidade. Entendo que esse motivo possa parecer um pouco estranho mas só será para quem ainda não pedala.

Mais do que um dado evidente, trata-se acima de tudo da razão aprovada e comprovada por qualquer ciclista urbano no seu quotidiano. A dedução é  simples: um ciclista que pedale por vias urbanas a uma velocidade média de 15 km/h. e preveja fazer um percurso de 5 km, a sua experiência diária demonstra de uma forma convincente que demorará cerca de 20 minutos a chegar ao destino, sem pressas. Um semáforo vermelho, a mais ou a menos, as subidas, o vento, a chuva, tudo isso interfere pouco. As variantes estarão sempre dentro de uma margem de erro razoável.

Salvo algum acidente de percurso, a relação distância/tempo acaba por tornar o ciclista um cidadão cumpridor dos seus horários, algo que para os habitantes automobilizados, no carro ou em transportes colectivos, nem sempre é exequível. Com as facilidades trazidas pelos mapas, disponíveis nas novas tecnologias, um ciclista precisa apenas delinear qual o melhor percurso para saber a distância, e com um simples cálculo matemático avaliar assim o tempo necessário para a viagem pretendida.

Com congestionamentos ou sem constrangimentos, durante as horas de ponta ou a altas horas da madrugada, quem pedala saberá sempre quanto tempo demora para ir daqui para acolá, e voltar do ponto B ao ponto A. Com as contrariedades de quem diariamente depende de combustíveis para se locomover, o ciclista urbano torna-se um pouco numa personagem mítica. Ela é capaz de dominar o tempo. A grande verdade é que com a bicicleta se socializa e se promove a qualidade de vida. Dita alguma experiência das pedaladas pela minha cidade que, com a bicicleta, o andar a pé e o Metro, juntos sustentam a mobilidade urbana.

 

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um roteiro de bicicletas pelos caminhos de Portugal


Uma boa notícia para todos os amantes das pedaladas, cicloturistas, bêtêtistas, enfim, ciclistas… Portugal terá um roteiro para circulação de bicicletas. Este é o objectivo de Paulo Guerra dos Santos, que depois de em 2010 ter percorrido 4500 quilómetros pelo país, saiu este domingo da Torre de Belém a pedalar pelos caminhos de Portugal e a promover a mobilidade ciclável.

O projecto “Ecovias de Portugal” pretende sinalizar, em mapa e em GPS, as vias de reduzido tráfego automóvel ou só para bicicletas, onde se pode pedalar em segurança, e incorporar informações úteis, como números de emergência, oficinas de bicicleta e pontos de interesse turístico ou onde comer e dormir.

O percurso inicial, até Monsaraz, será a Ecovia nº 1. “Vou pedalar cerca de 200 quilómetros em seis dias, com paragens em Vila Franca de Xira, Coruche, Mora, Arraiolos e Évora. Por dia farei cerca de 30 quilómetros, está ao alcance de qualquer um”, disse o Paulo. Já tem reuniões marcadas com as autarquias por onde passará e com clubes de BTT, dos quais espera receber contributos sobre os melhores percursos. O objectivo é abranger todo o País em dois anos. “O roteiro vai ser positivo para as regiões porque agregará a oferta turística que está dispersa”. “Na última década, houve uma explosão do BTT e do cicloturismo e se houver informação sobre os melhores caminhos mais pessoas vão aderir. Os tempos de crise também fazem as pessoas reequacionar o que gastam em transporte e a bicicleta é um meio económico, faz bem à saúde e fica a conhecer-se muito melhor os sítios por onde se passa”, diz este apaixonado das duas rodas, professor e Mestre em Vias de Comunicação de 28 anos que usa sempre a bicicleta para se deslocar em Lisboa, até mesmo quando vai sair à noite.

Para avançar com o projecto, Paulo Guerra dos Santos teve de recorrer a patrocínios. A viagem até Monsaraz pode ser acompanhada no site http://www.ecovias.pt.vu/ ou no Facebook, em “Ecovias de Portugal”.

Fonte: CM
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