fotocycle [176] relento

relento

Ainda remeloso, espreito a janela enquanto sopro o topo de uma caneca. Não só confirmo a ambiência exterior como me deixo procrastinar mais um pouco. Não soa estranho ao comum mortal que sair de casa cedo, numa manhã fria de inverno, para ir trabalhar, não é a melhor das motivações. No entanto sair à rua de bicicleta nesta época do ano pode ser um desafio. Pedalar ao relento, através da neblina matinal, mais perto da natureza e das sensações, me alimenta a confiança e, meio lento, me faz chegar a tempo ao trabalho. Aproveito cada momento.

Publicado em fotocycle | Etiquetas , , , , , , , , | 4 comentários

um pedal de simpatia

um brinda à amizade

o Rui, amigo de longa data que me reavivou este bichinho das pedaladas

Não sou muito entendido nas relações humanas mas desde que recomecei a pedalar e a frequentar o mundo das bicicletas percebi que os seus utilizadores, embora focados na mesma prática de dar ao pedal, detêm algumas características e comportamentos muito distintos uns dos outros. Antes de optar definitivamente pela bicicleta como meio de transporte, o ciclismo era basicamente para mim um desafio, uma diversão, uma prática desportiva. Pelo menos nas minhas pedaladas, a solo ou em companhia, percebi que quem pedala estrada fora tem uma espécie de conduta, de auxílio e partilha invulgares. Na estrada nunca encontrei uma comunidade tão unida e receptiva quanto a dos ciclistas. Na viagem, os guerreiros do asfalto, os aventureiros de todo o terreno, a malta chique e fixe, toda a massa crítica troca cromos a respeito das biclas, das experiências, rotas, sucessos, dicas, lugares porreiros onde pedalar, e por aí fora. Não se economiza na informação e cada um retira só coisas boas das pedaladas. Por exemplo, quando ciclistas, velocipedistas chamemos-lhes assim, se encontram a fazer um passeio todos parecem ser amigos de infância, quando na realidade muitos deles estão a conhecer-se naquele preciso momento.

os malucos das máquinas voadoras

nem que seja para um passeio de ida e volta a Baiona

Nunca fiz parte exclusiva de um grupo. Gozo do prazer de pedalar sem a necessidade de fazer parte de uma só tribo. No mundo das bicicletas uma característica interessante que me atrai de sobremaneira é que não existe distinção entre nós. Um velocipedista que tenha uma bicla rasca pedala ao lado de outros com verdadeiras máquinas. O gosto pelo pedal é o ponto em comum. O resto não tem tanta importância, por isso e em toda a circunstância, qualquer pessoa que pedale ao meu lado é bem recebido e ateia ainda mais a minha paixão pelo velocipedismo. A única diferença que existe dá-se na diferença de andamentos mas nisso sou eu que terei de me ajustar, porque simplesmente pedalar é quanto me basta.

Pelotão do Arrasto

no Pelotão do Arrasto a jogar cartas na N108

Na bicicleta, e não importa qual, considero-me um privilegiado, pois tenho obtido alegrias e bons momentos com a prática da velocipedia… ok, do ciclismo! E em nenhuma outra prática, me arrisco a dizer que em nenhuma outra área da minha vida, fiz tantas amizades e encontrei tanta gente porreira de bem com a vida. Independentemente de qual tribo possa estar a fazer parte em determinado momento, todos os que pedalam, ou pelo menos todos os que conheci que pedalam, e são bastantes, têm em comum o senso prático, a simplicidade, o gosto pela liberdade, o respeito e a defesa pelo meio ambiente, a solidariedade, a amizade e certamente uma profunda paixão pela bicicleta. Na bicicleta sinto-me bem porque estou em constante movimento, com naturalidade e bom humor.

Linha B Porto Aguçadoura

sempre bem acompanhado de amigos e boa disposição

Publicado em o ciclo perfeiro | Etiquetas , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

pelo Direito a Pedalar em Segurança

O modo como a populaça vê o uso da bicicleta ainda não é amigável. Ver mais cidadãos que pedalam diariamente é o melhor indicador de quão agradável é a nossa cidade. Quanto mais usarmos a bicicleta melhor cidade teremos, para todos, e todos os que enfrentam o trânsito a pedais, sobre duas rodas, são agentes dessa transformação.

A bicicleta é geralmente considerada um meio de lazer mas é em primeira instância um meio de transporte, urbano, limpo, eficaz e barato. É possível aumentar a segurança dos ciclistas se nos soubermos comportar nas ruas e nas estradas. O ciclista tem o direito de circular e partilhar a via pública. Deve cumprir para fazer parte do processo da mobilidade, compartilhando livremente o espaço urbano com os carros, autocarros, motos e demais veículos. Não basta investir apenas em ciclovias, é necessário investir também em campanhas educativas, informar que o Código de Estrada tem novas regras. A ignorância da maioria dos automobilistas da nossa praça é epidémica. Infelizmente, existe ainda muito desrespeito e algum preconceito, o que coloca o ciclista perante dificuldades acrescidas na utilização livre do seu meio de transporte preferido.

A fórmula para pedalar em segurança é a combinação do respeito das regras da condução, educação e partilha, planeamento de rotas e uso adequado do equipamento. Sentindo-se capaz e motivado, na bicicleta economizamos tempo e dinheiro, cooperamos com o meio ambiente e de sobra ainda vendemos saúde, disposição e bem-estar. Andar de bicicleta não é só um estilo, é uma opção sensata e agradável de vida.

pelo direito a pedalar em segurança“As estradas e as ruas em Portugal continuam demasiado perigosas.

Apesar das recentes melhorias significativas conseguidas com a revisão do Código da Estrada em 2014, nomeadamente em relação à proteção dos utilizadores vulneráveis, Portugal continua a apresentar estatísticas vergonhosas no que respeita ao número de vítimas mortais e feridos graves (em particular peões e condutores de velocípedes). Para que Portugal se aproxime do nível de segurança que estes utilizadores merecem, segurança essa que sentem e da qual usufruem no resto da Europa, ainda há muito a fazer ao nível das políticas públicas, legislação, fiscalização e medidas físicas de acalmia de tráfego.

Se a maioria dos condutores de veículos motorizados em Portugal cumprisse o Código da Estrada em vigor, já todos se sentiriam muito mais seguros nas ruas e estradas nacionais e haveria reflexos positivos imediatos nas tristes estatísticas de sinistralidade em Portugal. Convém lembrar que a única razão pela qual quem anda a pé e de bicicleta é considerado “utilizador vulnerável” pela lei é o comportamento na estrada dos condutores de modos de transporte mais rápidos, pesados e perigosos. Por isso mesmo a redução do risco deve focar-se na origem do perigo rodoviário, reduzindo os comportamentos de risco por parte dos condutores dos veículos motorizados.

Vimos assim por este meio apelar ao Governo e demais entidades competentes, o seguinte:” … http://peticaopublica.com
Continuar a ler

Publicado em divulgação | Etiquetas , , , , , , , | Deixe um comentário

fotocycle [175] entra na onda

Pedaladas de fim-de-semana são sempre revigorantes e cumpridas no lombo da ligeirinha. Numa manhã de um inverno tão primaveril, a voltinha à beira mar caiu que nem sopa no mel… vá se lá perceber a expressão! Em boa companhia, com um ventinho saboroso, que entretanto revirou, pernas rijas e pulmões arejados pela maresia fui ganhando apetite para o almoço. Só mesmo o oceano ondulante me fez parar e desfrutar da calmaria hipnotizante. “Entra na onda”, parecia querer insinuar!

entra na onda

Aproveito cada momento.

Publicado em fotocycle | Etiquetas , , , , , , , , | Deixe um comentário

o Dragão está de volta à estrada

Como portista e adepto do ciclismo, não poderia deixar de afixar um postal do há muito ansiado regresso do Futebol Clube do Porto ao pelotão nacional. As camisolas azuis e brancas voltarão a circular pelas estradass de norte a sul do país, envergadas por autênticos embaixadores do clube. Da equipa composta por 12 ciclistas, sob a direcção desportiva de Nuno Ribeiro, consta o vencedor das mais recentes edições da Volta a Portugal, Gustavo Veloso, e um grupo de ciclistas experientes e jovens promessas, alguns deles com historial familiar no ciclismo do clube.

Joaquim Leão, vencedor da Volta a Portugal em1964

Joaquim Leão, vencedor da Volta a Portugal em 1964

O ciclismo representou um papel importante no crescimento eclético do clube. A modalidade deu as primeiras pedaladas em 1945 até ser suspensa em 1984. O FC Porto é o clube com mais títulos de vencedor da mais importante prova velocipédica nacional, a Volta a Portugal, doze vezes colectivamente e treze vezes individualmente:
1948 – Fernando Moreira; 1949 e 1950 – António Dias dos Santos; 1952 – Moreira de Sá; 1959 – Carlos Carvalho; 1960 – Sousa Cardoso; 1961 – Mário Silva; 1962 – José Pacheco; 1964 – Joaquim Leão; 1979 – Joaquim Santos; 1981 – Manuel Zeferino; 1982 – Marco Chagas. Na cidade Invicta, era na pista do Estádio do Lima e posteriormente no Estádio das Antas, que davam início ou terminaram muitas clássicas do calendário velociédico nacional, como é exemplo o Grande Prémio de Ciclismo do FC Porto e a clássica Porto-Lisboa, com a participação de variadas equipas do pelotão nacional e internacional. Nos velódromos dos estádios e nas ruas da cidade estabelecia-se uma grande empatia entre o público e os corredores, estendendo-se depois pelas estradas das várias regiões do país.

FCP UBP campeão nacional

Ao longo da história da modalidade, alguns dos melhores e mais prestigiados corredores da história do ciclismo português representaram o clube do dragão, destacando-se Emídio Pinto que se tornou um nome incontornável no historial de sucesso azul e branco no ciclismo português. A “velha raposa”, como é apelidado no meio, conta 45 edições na Volta a Portugal, primeiro como atleta e depois na condição de director desportivo do F.C. Porto. Um feito inédito na história da Volta a Portugal foi na edição de 1949, os cinco primeiros classificados defendiam as cores do clube tripeiro (António Dias dos Santos, Attíllio Lambertini, Joaquim Sá, Fernando Moreira de Sá e Fernando Jorge Moreira), conquistando ainda o primeiro lugar por equipas.

(Da E-D) Nuno Ribeiro, diretor desportivo, o ciclista espanhol Gustavo Veloso, o presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa,  Adriano Quintanilha, dono da W52,  principal patrocinador da equipa, e Elias Barros, diretor desportivo, durante a apresentação da equipa de ciclismo do FC Porto, no Porto, 23 de janeiro de 2016. foto: José Coelho/LUSA

(da esqª p/ dtª) Nuno Ribeiro, director desportivo, o ciclista espanhol Gustavo Veloso, o presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, Adriano Quintanilha, dono da W52, principal patrocinador da equipa, e Elias Barros, director desportivo, durante a apresentação da equipa de ciclismo do FC Porto, no Porto, 23 de janeiro de 2016.  (foto: José Coelho/LUSA)

“Era um sonho meu, mas que levei avante e fiz tudo para concretizar porque era um sonho de muita gente. Nem calculam! Eram muitas as pessoas que me perguntavam quando iríamos voltar a ter ciclismo e dizia-lhes sempre que um dia iríamos encontrar o parceiro certo para regressar”, afirmou Pinto da Costa, no Auditório Fernando Sardoeira Pinto, na apresentação da equipa à comunicação social, que ocorreu após a visita ao Museu FC Porto. O responsável máximo dos azuis e brancos elogiou a forma como foi possível chegar a acordo com Adriano Quintanilha, o homem forte da W52: “Foi, desde o primeiro contato, exemplar no relacionamento e interesse em que hoje estivéssemos todos aqui. É o parceiro ideal, devo dizer que é uma honra ter esta relação consigo e com a sua admirável equipa, que com certeza vai perdurar para além do contrato que já assinamos”…

“Que hoje a seja a primeira pedalada de muitas que ficarão na história do FC Porto” augurou Pinto da Costa no dia da apresentação.

Publicado em o ciclo perfeiro | Etiquetas , , , , , , , | Deixe um comentário

motivação extra

motivação extra 1

Os dias de invernia estão para durar mas, apesar disso, de algum frio e teimosos pingos de chuva, os dias vão ficando mais longos e iluminados. Lentamente vamos fazendo a contagem regressiva para a Primavera. A nossa silhueta reflete os efeitos natalícios e aproxima-se a altura do ano em que procuramos adelgaçar a figurinha, alterando gradualmente alguns hábitos para então exibir um físico elegante. Há um monte de benefícios que ocorrem no nosso corpo quando pedalamos, não só ajuda a queimar a barriguinha como é também uma boa forma de nos livrarmos das frustrações e da asfixia do stress. De qualquer forma, não digo que pedalar nos transforme automaticamente num mestre zen, mas depressa irás sentir a satisfação de deixar para trás horas perdidas no trânsito, viajar longas distâncias apenas com a tua própria energia. Por certo que terás de lidar com automobilistas, peões, furos e outros ciclistas, no entanto comparar isso a ter que suportar horas a fio no trânsito, autocarros que não chegam ou comboios apinhados em horas de ponta, vai lá vai!…

Na tua bicicleta podes escolher o teu próprio ritmo, traçar o teu caminho, desfrutar da paisagem, ter outra perspectiva e conhecer lugares insondados da tua cidade. Envolver a família, interagir com o ambiente e desfrutar dos bons momentos. Se já foste infectado pelo vírus das pedaladas, parabéns. Se queres dar o clique, tens aqui algumas boas razões para encher os pneus e tirar o pó da velha bicla. Caso estejas a pensar dar uma reviravolta aos teus dias, vai por mim, basta investir uns euros e escolher uma bicicleta nova, ou usada, e força nos pedais que estás no caminho certo. Em pouco tempo lucrarás com o teu investimento. E agora, boas pedaladas.

motivação extra 2

 

Publicado em motivação | Etiquetas , , , , , , , | 3 comentários

“conhece os direitos que o Código da Estrada concede aos ciclistas?”

A pergunta é apropriada, pois tanto é endereçada aos automobilistas como aos ciclistas. Como refere António Henriques no seu pertinente artigo, há por aí muita gente automobilizada que infelizmente ainda desconhece os direitos dos ciclistas  na estrada e, como tal, recorre ao expediente ignorante de que “nós é que somos os donos da estrada”! É que efectivamente não o são. A partilha da estrada é fundamental para um bom ambiente rodoviário, redução dos acidentes e das suas nefastas consequências. E não se esquece de, evidentemente, dar também conta dos deveres dos ciclistas. Mas vamos ao artigo que, e com a devida referência do autor e da publicação, “copypasto” com sublinhados a bold e sem publicidade não endereçada, que aqui partilho:

Carro vs Bicicleta ptjornal

foto: ptjornal.com

“As alterações do Código da Estrada protegem os ciclistas, mas a verdade é que, dois anos depois, ainda há muito desconhecimento sobre as alterações. Saiba mais.

Os ciclistas são os mais vulneráveis utilizadores da via. Nesse sentido, em janeiro de 2014, foram introduzidas alterações, com o objetivo de protegê-los.

Apesar de vigorarem há dois anos, as novas regras não são respeitadas. Pior: nem sequer são do conhecimento de alguns condutores.

Assim, impõem-se algumas perguntas, ao estilo de exame de código, que permitirão ao leitor reforçar conhecimentos ou esclarecer dúvidas.

Em primeiro lugar, quando se apresentam pela direita, os ciclistas têm prioridade?

A resposta é óbvia. Sim, têm prioridade. Mas esta é uma das alterações, já que antes das modificações de 2014 os ciclistas eram obrigados a ceder passagem aos veículos a motor.

Dois ciclistas podem circular lado a lado, ou devem seguir em fila?

Podem, desde que não provoquem embaraço no trânsito. Esta regra também foi alterada, uma vez que o anterior Código da Estrada proibia. A exceção são as vias com visibilidade reduzida ou em caso de engarrafamentos.

E qual é a distância lateral mínima que os automobilistas têm de deixar, relativamente aos velocípedes?

No mínimo, de 1,5 metros. Há o mau hábito de os condutores considerarem que o ciclista tem de seguir fora da berma. Erradamente. A estrada também é sua, por direito.

E será que os ciclistas podem circular nas vias reservadas aos autocarros? A resposta dependerá da regulamentação municipal. Assim, a observação da sinalização torna-se prioritária.

Mas os ciclistas não têm apenas mais direitos.

Há exigências que só os próprios podem cumprir, também em nome da sua segurança. Desde logo, o uso do capacete nos velocípedes com motor (bicicletas elétricas).

E cuidado com a circulação em contramão. É muito comum os ciclistas utilizarem a estrada de forma arbitrária, mas andar em contramão pode dar uma multa até 625 euros.

A sinalização das mudanças de direção também são obrigatórias. E é proibido usar o telemóvel na bicicleta (multa até 150 euros).

E circular nos passeios? A regra é a mais lógica: proibido. Mas igualmente lógica é a exceção: crianças até 10 anos podem circular no passeio.

E nas ciclovias? Quem tem prioridade – ciclistas ou automobilistas?
As ciclovias estão equiparadas às passagens para peões. Os condutores estão, desse modo, obrigados a ceder passagem aos velocípedes.

Também a travessia de uma passadeira em cima de uma bicicleta é proibida, exceto em crianças com menos de 10 anos (nestes casos, são equiparados a peões). Os restantes ciclistas devem fazer a travessia a pé, segurando a bicicleta.

Nas rotundas, a circulação dos ciclistas deve ser feita na via de trânsito mais à direita, sendo que devem permitir a saída dos condutores que circulam no interior da rotunda. Há, no entanto, uma questão: as regras municipais impedem que esta regra seja homogénea. Logo, cuidados redobrados nas rotundas.

Todas as regras que não forem respeitas implicam o pagamento de multas. O desconhecimento das diretivas não dá direito a perdão, como é óbvio. Assim, aconselha-se uma leitura atenta das alterações ao Código da Estrada, no que aos ciclistas diz respeito.

A regra que nem ciclistas nem automobilistas podem descurar é o bom-senso.”

Fonte: ptjornal.com

Publicado em motivação | Etiquetas , , , , , , , | 2 comentários

can’t miss [145] bragaciclavel.pt

Também vais levar aí as batatas?

foto Braga ciclavel tambem vais levar ai as batatas

…”Este pequeno episódio demonstra que ainda existe uma enorme falta de conhecimento no que diz respeito à bicicleta e ao seu uso, e demonstra ainda que existe um preconceito para com a mesma por parte de algumas pessoas. Não é por falta de carro ou de dinheiro que escolho a bicicleta para me deslocar na cidade. É a minha opção por me deixar menos stressado no dia a dia, sem ter que estar em filas de trânsito ou as chatices, por poder desfrutar da cidade, por me poder deslocar mais rápido, por ser mais conveniente. Mas, faltam infraestruturas para que as pessoas se sintam seguras nas suas deslocações. Se queremos realmente aumentar de 0,4% para 10% os utilizadores da bicicleta e reduzir de 65% para 40% o uso do automóvel em Braga, então é preciso investir nas nossas ruas e torná-las ruas completas, onde todos tenham o mesmo direito de circular em segurança.”

Quem faz ou já fez da bicicleta a sua mula de carga, para levar tralha do dia-a-dia ou as compras da mercearia, muito provavelmente já viveu um episódio do género, atraiu olhares inquisidores e comentários idiotas de automobilistas mentecaptos. O nosso amigo Mário Meireles do Braga Ciclável conta-nos o seu encontro imediato com um desses cabeças de batata. Está no Braga Ciclável, para ler, encolher os ombros e sorrir.

(fonte: http://bragaciclavel.pt/2016/01/tambem-vais-levar-ai-as-batatas/)

 

Publicado em can't miss it | Etiquetas , , , , , , , , | Deixe um comentário

fotocycle [174] antecipando a folga

O final de semana augura o lazer. Algo em nós anseia por paz e tranquilidade. Deixar que a mente vagueie, sentir o mundo, relaxar. O nosso estilo de vida determina como vamos aproveitá-lo. Desfrutando o ar livre, pedalando e usufruindo a beleza e o brilho do sol da manhã. Ir de encontro àquele ponto de que os fotógrafos falam, porque é mágico. Recuperar no vai e vem das ondas, deitar na relva de papo pró ar e saborear a boa vida. Aproveito cada momento.

de papo pró ar

Publicado em fotocycle | Etiquetas , , , , , , , | Deixe um comentário

é parar, entrar e pasmar, na Livraria Lello

A Livraria Lello & Irmão, uma pérola do Porto faz hoje 110 anos. Elogiada desde sempre pela sua beleza arquitectónica exterior, sendo a sua fachada em Arte Nova um dos emblemas arquitectónicos da cidade invicta, é no seu interior que quem lá entra não evita dispersar por instantes a atenção aos livros e encantar-se com a sua beleza e estilo ímpar.

lello & irmão
Esta pérola do Porto recebe repetidamente as mais diversas distinções mundiais. Em 2011 o “Planet’s Best in Travel 2011” editado pela Lonely Planet, considerou-a como a terceira mais bela livraria do mundo, pois para mim é a primeira… e mais recentemente a revista Time publicou um artigo dedicado a este espaço icónico da cidade.

A história da livraria remonta a 1869, ano em que é fundada na Rua dos Clérigos a Livraria Internacional de Ernesto Chardron. Após o imprevisto falecimento de Chardron, aos 45 anos de idade, a casa editora foi vendida à firma Lugan & Genelioux Sucessores. Em 1894 Mathieux Lugan vendia a Livraria Chardron a José Pinto de Sousa Lello que possuía então uma livraria na Rua do Almada. Associado ao irmão, António Lello, mantêm a Livraria Chardron, com a razão social de José Pinto de Sousa Lello & Irmão, até 1919, ano em que o nome da sociedade muda para Lello & Irmão Lda. Tendo sido desenhado de raiz para ser uma livraria, o actual edifício foi inaugurado em 1906, com a presença no dia de abertura de, entre outros, Guerra Junqueiro, José Leite de Vasconcelos e Afonso Costa.

Foto Aurálio Paz dos Reis dia inauguração em 1906

Foto Aurélio Paz dos Reis dia inauguração em 1906

“A riqueza de tons do grande vitral, o recorte gracioso das janelas, a balaustrada da galeria e os grandes candelabros situados nos ângulos que demarcam esse espaço, as linhas das ogivas que se entrelaçam no tecto (…), deixam o visitante deslumbrado”. A 13 de Janeiro de 1906, no dia da inauguração, era assim que um jornalista da época classificava a Lello & Irmão.

Em 1994, as obras de restauro a cargo do arquitecto português Vasco Morais Soares permitiram que continuasse a manter todo o seu esplendor neogótico.

De visita obrigatória, à Rua das Carmelitas, nº144, afluem cada vez mais curiosos. Quando lá entram, os visitantes são envolvidos por um ambiente acolhedor, numa viagem instigadora onde se respira história e madeira. Uma ampla sala dominada pela imponente e belíssima escada ornamental, e onde os livros pontificam numa decoração impressiva. A livraria possui um total de 120 mil volumes que podem ser consultados enquanto se ouve música ambiente. Perfilam-se algumas mesas onde estão destacados alguns dos livros, bancos revestidos a couro e estantes a toda a altura da galeria perfazem o espaço próprio de uma livraria moderna, mas que guarda a memória e o ambiente místico de uma livraria antiga, cheia de história nas paredes e nas lombadas dos seus livros. Nos pilares sobressaem os bustos de distintos homens de letras: Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Antero de Quental, Guerra Junqueiro, entre outros. O tecto, lavrado e rendilhado, resguarda no centro uma luminosidade translúcida que provém do amplo vitral. Quem lá entra, fica de tal forma maravilhado que olvida olhar para os livros e deslumbra-se com a divinal estrutura fazendo disparar, incontroláveis, os flashes, para no final da visita soltarem inevitáveis exclamações: “Vês como valeu a pena entrar!”

Publicado em o ciclo perfeiro | Etiquetas , , , , , , , , | 2 comentários