c’è una nuova bamBina in città

As bicicletas com aquele charme clássico italiano, o L’Eroica style, ainda são apreciadas e procuradas em todo o mundo. Marcas históricas que nasceram das ideias e determinação de ex-ciclistas, que marcaram presença no ciclismo ao longo dos tempos.

Tubos de aço soldados e pintados à mão, embelezados com cromados, pantografados e acabamentos personalizados, que nos remete aos tempos das autênticas obras de arte sobre duas rodas. Aquele material antigo com o qual as bicicletas foram feitas há mais de cem anos e que continuam a dar alegrias e muita satisfação a muitos ciclistas, exactamente como acontece comigo.

Recriar uma bicicleta vintage requer uma lista de componentes de época. Peças mecânicas de tecnologia requintada, de criação italiana ou outra, estão entre as mais procuradas pelos entusiastas das clássicas fiéis aos modelos originais. Verdadeiras “máquinas” intemporais, cada uma delas com muito para contar, com pormenores que são pistas para encontrar a sua história. No entanto outros sobreviventes escondem bem os seus segredos.

Para substituir o danificado quadro da Tripas iNBiCLA, a minha intenção inicial era construir de raiz um quadro à minha medida com atributos Tourer/Randonneur.  Por vicissitudes várias a soldadura dos tubos Reynolds não se completou, o que me obrigou a colocar o plano B em acção: encontrar um quadro de aço que simplesmente me enchesse o olho e as medidas corporais. Descobri um puro-sangue italiano de tubos Columbus bem longe de casa.

Sendo uma das marcas velocipédicas mais carismáticas, a Cicli Pinarello implementou muitas das novas ideias na construção manual dos seus quadros. Com geometria mais apropriada à corrida, que permitiu um historial vitorioso nas míticas estradas de França e Itália, este Columbus KL modelo Super Prestige é elegante e pede componentes clássicos a condizer. Tenho tudo aqui: Cinelli, Mavic, e um mix de genuína joalharia mecânica com aquele logotipo alado que deu asas ao ciclismo, a Campagnolo.

O quadro, que, no fundo, é a base de tudo, é uma tela em branco que possibilita juntar o gosto pessoal à inspiração do master das pinturas. É isso que aprecio no mundo das bicicletas customizadas, a originalidade que as faz fugir dos padrões que são impostos no catálogo. E para inspirar o verdadeiro artista, pedi-lhe um acabamento de catálogo, o efeito defumado do modelo da TT Asolo Prólogo.

Com a sua perícia e criatividade, o meu amigo Vitor Machado deu-lhe o seu toque especial. Para lá da mestria na pintura, da perfeição nos acabamentos, a ilusão pretendida foi conseguida com a chama de um maçarico. A escolha de um lettering incandescente tornou esta bicicleta exclusiva ainda mais “especial”. Esta bina é uma brasa. 

Para mim não há de todo uma regra a seguir na geometria de um quadro. Acho que, em grande parte, o acerto pretendido está mesmo nessa liberdade e criatividade em fazer algo diferente do que seria suposto. Neste ponto é natural que existam toda uma série de limitações, ao nível de roscas, espaçamentos, e pequenos pormenores que possam complicar um pouco a coisa. Nesse sentido, a aposta foi não só manter o formato original como adaptar o material existente, misturando conceitos dentro das possibilidades para se chegar ao resultado pretendido, uma espécie híbrida: uma “commuter” diária, uma “estradeira” para as voltas ao fim-de-semana e uma “randonneur” para as longas distâncias, com a matéria prima herdada da defunta Tripas iNBiCLA, mesmo que não fosse garantido o conforto de uma endurance de gema.

Aprecio ver uma bicicleta recuperada e fiel à sua origem. Há quem dê mais valor à pintura original mesmo que exiba as cicatrizes do tempo, a “patina”. Também respeito quem desaprove quando se desvirtua um conceito. As bicicletas clássicas no seu estado original não deixam de evidenciar a sua história se porventura lhes for montado material contemporâneo. Não me choca ver a mistura do antigo com o moderno. O material vintage, original, em bom estado e de qualidade é caro. Isto tudo para dizer que, basicamente, não há fronteiras nem regras nisto das bicicletas antigas. O que manda mesmo é o gosto pessoal e a possibilidade de o pôr em prática.

Certamente que o metal tem o seu peso, mas desde quando as emoções são pesadas numa balança? Pedalar uma velha bicicleta de aço certamente nos fará redescobrir sabores e emoções antigas. Decididamente, os progressos notáveis ​​da tecnologia nos agrada. Assim é em tudo na vida, o que poderá fazer pensar que uma moderna bicicleta de carbono, cheia de fibra, teve uma querida avó de aço, tão bela e fascinante…

Esta é a bamBina, uma Pinarello com o sabor do passado e que promete satisfação por muitos e bons quilómetros.

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can´t miss [236] Crónicas do Sr. Ribeiro

Partilho porque faço minhas as palavras das Crónicas do Sr. Ribeiro

“Mea Culpa, Mea Culpa

Eu ciclista me confesso, Mea Culpa, Mea Culpa! Vou já deixar aqui, eu não paro nos semáforos de velocidade da marginal. Nem sequer hesito. Eu não os fechei, não paro. Ora pensem lá comigo. Estou de bicicleta, um veículo fininho onde o pára-choques sou eu, vou arriscar parar num semáforo onde há uma larga percentagem de carros que não o fazem? E se um deles vem distraído ou furioso a ultrapassar pela direita o marreta que fechou o semáforo? Ele vê-me? E vai conseguir parar? Não arrisco. Não paro. Podem mandar a multa para minha casa.

Também vou já adiantar que só deixo peões passarem nas passadeiras se os tiver visto à distância.Os que aparecem mais em cima, ou que estão escondidos por carros, peço desculpa e sigo. Uma vez mais, estou com os pés presos, se eu travar de repente, a probabilidade de cair, no meu caso que sou nabo, é de 80%, no caso de um craque é de 30%. Acresce que as bicicletas, por melhor que sejam, ainda não têm abs, nem aquele sistema anti derrapagem, normalmente, uma travagem muito brusca implica um mínimo de perda de controlo. O resultado potencial é eu espetar-me e levar o peão comigo. Prefiro o insulto. Podem mandar a multa lá para casa.

Mais… Ah! Nas rotundas, quando há duas faixas, normalmente entro assim que tenho espaço e circulo bem por fora, escondido. (a circulação pela direita é em cumprimento do artigo 14-A n.º 2 do Código da Estrada) Aqui são várias as questões, o medo que o carro atrás de mim não trave na entrada da rotunda e a ausência de destreza com os pés e tirá-los dos pedais, etc. Já sabem, vivo tranquilo com isso, é só enviar a multa.

Por fim, quando paro nos semáforos arranco sempre antes do verde. Logo que o semáforo da intersecção fecha, eu vejo se não vem ninguém e arranco. É mesmo uma questão de segurança. Primeiro, é perigoso, como já expliquei estar parado num semáforo numa bicicleta. Segundo, dá-me tempo para arrancar e encaixar nos pedais antes que o carro atrás de mim arranque nas minhas costas e me aperte para passar. Siga, multa lá para casa.

Estes são os ilícitos que eu cometo e que podem irritar os automobilistas, vivo tranquilo com isso.Quais é que não cometo (porque não são ilícitos)?
1 – Andar fora das ciclovias Raramente uso ciclovias, são estreitas, normalmente em mau estado e cheias de peões. Acresce que a lei não obriga – artigo 78.º, n.º 1 do Código da Estrada:
“Quando existam pistas especialmente destinadas a animais ou veículos de certas espécies, o trânsito destes deve fazer-se preferencialmente por aquelas pistas”. Preferencialmente significa que não é obrigatório. Ou seja, ando quando sinto que é mais seguro, se não for, não ando. Escusam de mandar para lá, não vou.

2 – Andar sem estar encostado à berma O artigo 90.º do Código da Estrada é claro:
“Os condutores de velocípedes devem transitar pelo lado direito da via de trânsito, conservando das bermas ou passeios uma distância suficiente que permita evitar acidentes.” Eu conservo esse espaço, por causa de valetas, tampas de esgoto, e buracos – mais habituais nas bermas. Acresce que se for uma via de só uma faixa, com traço contínuo, os carros não me podem ultrapassar, por isso e para me proteger ocupo o meio da faixa.
Porque não me podem ultrapassar? Eu explico. Ora, imaginemos uma faixa de rodagem. Qual a sua largura? Vamos dizer 3 metros. Eu vou a cerca de 50 cms da berma, para evitar as tais valetas, etc., tenho mais de 40 cms de largura de ombros, sobrando 2 metros até ao dito traço contínuo. Como o artigo 38.º, n.º1 e do Código da Estrada exige “Na ultrapassagem de velocípedes ou à passagem de peões que circulem ou se encontrem na berma, guarda a distância lateral mínima de 1,5 m e abranda a velocidade”. Assim, a não ser que o carro que me ultrapassa tenha apenas 50cm de largura, não é possível ultrapassar-me numa faixa com traço contínuo. Como, normalmente, quando o fazem, acabo eu a ser empurrado para a berma, vou logo no meio da faixa para evitar essa situação.

3 – Andar a dois na faixa. Esta é das que mais irrita os automóveis, mas atentem para o artigo 90.º, n.º 2 do Código da Estrada:
“Os velocípedes podem circular paralelamente numa via, exceto em vias com reduzida visibilidade ou sempre que exista intensidade de trânsito, desde que não circulem em paralelo mais que dois velocípedes e tal não cause perigo ou embaraço ao trânsito.”. Vamos a isto.Podem andar a dois é o princípio. Excepto: 
1 – vias com reduzida visibilidade –  concordo e quando ando de bicicleta, chegando a estradas com pouca visibilidade, eu acelero sempre ou deixo ficar para trás para ir sozinho. Trata-se de prudência e segurança – acresce que é normal, nestas vias, ser ultrapassado por um selvagem que sem ver anda a mil à hora. Prefiro sempre não arriscar a ter razão.
2 – sempre que exista intensidade de trânsito – não compreendo, a utilização de um conceito vago e indeterminado não devia ser aceite em termos legais, menos ainda numa questão de segurança. Muita intensidade? Pouca intensidade? Intensidade são quantos carros? São carros parados? Marcha lenta?
Aqui vai ter de imperar o bom senso. Uma vez mais, muitas vezes em filas de trânsito, opto por não partir as duas filas, por uma questão de maior visibilidade. Filas de trânsito significam, quase sempre, manobras bruscas, e uma bicicleta facilmente cai num ângulo morto. Gramava que esta questão fosse de alguma forma melhor contextualizada.
3 – desde que não circulem em paralelo mais que dois velocípedes – aceito. Até porque aqui, no limite, impossibilitaria, sempre a ultrapassagem, porque seria 50cms da berma, mais 50cm do primeiro ciclista, 1,5m de distância, 50cm do segundo ciclista, 1,5 de distância, 50 cms do terceiro, quando chegássemos à distância de segurança de ultrapassagem estaríamos a levar com um carro em cima.
4 – tal não cause perigo ou embaraço ao trânsito – claro que sim, mas com atenção a uma dúvida que tenho. Imaginemos um pelotão grande, são 40 ciclistas, vão paralelos, tranquilos, fica um pelotão de 20 de comprimento. Reduz a uma faixa, mas dá para ultrapassar, por isso seria o sítio para encaixar um a um.  Mas é mais fácil e seguro ultrapassar 40 em comprimento ou 20? Não tenho resposta, nestas situações tenho só medo. E, para já, são estas as questões que me lembro. No fim do dia, só gostava que não me fizessem tantas razias. Eu não vou andar de bicicleta para chatear automobilistas, juro que não. Encosto sempre que posso, e até sinalizo, quando tenho melhor visibilidade, quando já fica seguro ultrapassar. Agradeço sempre que percebo que esperam para não me apertar.

Por favor, não me matem por causa das minhas transgressões, além de as ter explicado, prendem-se com segurança, acho que não é proporcional

“Usas lycra e arrancas antes do verde, vou mas é passar-te por cima!!””

fonte: https://www.facebook.com/share/p/N44vfTZ8Zb3pPCVx/?mibextid=K35XfP

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fotocycle [272] dose dupla

A bicicleta é o meu meio de transporte. É o meu meio para ir e voltar do trabalho. É um meio de lazer e descontracção. É o meu ginásio. É gratuito… quer dizer, anda a sandes e a cerveja, mas é barato. É ecológico e está sempre disponível, de manhã e à noite, faça sol ou faça chuva, haja ou não transportes públicos… Já nem sei o que é andar de transportes públicos!

Todos os dias vou de bicicleta para qualquer lado. Como tenho tempo, à tarde no pós-laboral concilio duas horas e qualquer coisa para regressar a casa, tempo suficiente para pensar, descarregar e parar de pensar, só pedalar. Ao fim-de-semana lá vou eu, ao sábado e ao domingo, licra no corpo para mais quilómetros de satisfação, com outra disposição, bem mais rápido, mais longo e mais suado.

De qualquer forma, com qualquer bicicleta, nada é melhor que levar com mosquitos na testa.

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Rapha Festive 500. If it’s not on Strava, it didn’t happen

Todos os anos, desde 2010, naquela semana estranha entre a véspera de Natal e o Ano Novo, a marca de roupas de ciclismo Rapha desafia os ciclistas a pedalar 500 quilómetros em oito dias. Para além do marketing associado, o desafio proposto pelo Clube Rapha é uma forma de incentivar o derradeiro esforço velocipédico para se atingir metas anuais, queimar calorias natalícias em excesso… ou, simplesmente, arranjar uma desculpa e fugir de casa por algumas horas!

Em 2023 o desafio entrou no seu 13º ano de existência. Se pedalar uma média de 62,5 km por dia durante 8 dias não é nada de outro mundo, eu que até nem sou muito destas coisas, quando há uma bela Cannondale bike XPTO em jogo, cliquei no botão e fiz a inscrição. Não meti férias nem me socorri do rolo, coisa que nem tenho, mas com determinação e empenho, sem comprometer rotinas e compromissos natalícios, teria as condições necessárias para o sucesso da coisa.

Há sempre uma forte probabilidade dos afazeres da quadra natalícia virem a atrapalhar a pedalada, como o facto da época festiva envolver muitas comezainas e algumas bebedeiras. Depois, temos os compromissos familiares a que não conseguimos fugir. Ir fazer compras de última hora também não nos dá o livre-trânsito de desaparecer porta fora e ir pedalar durante um bom par de horas. As festividades têm de ser bem negociadas, lá em casa e com as bicicletas disponíveis.

Se poderia fazer tudo de uma vez… eh pá, há quem o faça, mas para quê!? O objectivo aqui seria aproveitar o tempo livre nas folgas e vésperas dos feriados para umas voltas mais esticadas, e ir dando ao pedal consoante a possibilidade ao longo dos dias de trabalho. Infelizmente, para mim, o Natal não é sinónimo de férias, nem no Algarve e muito menos nas Caraíbas, e, caso assim fosse, a bicicleta seria mesmo a última coisa a ser incluída na bagagem.

Quando se trata de dia útil para pedalar, à partida o dia de Natal estava para mim fora de questão. Mesmo assim, com a desculpa de ir fazer o papel de Pai Natal, lá consegui sair no dia 25 para uma mini-micro volta de 15km (foram mais, mas o Strava stravou e mais não contou). Já foi muito bom para “desmoer” as rabanadas. Por acaso até foi o dia mais agradável no que ao clima dizia respeito, mas sabendo que no dia seguinte iria abrir o presente da tolerância de ponto governamental, não me preocupei e programei o dia para a voltinha mais extensa.

Chova ou faça sol, as pedaladas casa-trabalho vs. trabalho-casa diárias, o “#commutescount”, são para cumprir. São Pedro tem sempre uma palavra importante a dizer e eu sabia à partida que teria de lidar com o senhor Inverno. Se não é frio é chuva, se não é o vento é tudo misturado. O melhor é não contar com as alterações climáticas no… e estruturar bem a coisa. Mas, com três dias de chuva inclemente, precisamente nos chamados dias úteis, isto nas previsões mais otimistas, a coisa ira resumir-se aos mínimos indispensáveis, o que não daria para acumular quilometragem em metade do prazo disponível. Feitas as contas, no derradeiro fim de semana do ano civil de 2023 teria de pedalar contra o prejuízo. 

Pedalar, seja para cumprir 500 quilômetros em 8 dias, seja para pedalar os 4 que separam a casa do trabalho, a bicicleta tem de estar preparada e afinadinha. Na estrada estamos sempre sujeitos a avarias e não temos uma oficina ao virar de cada esquina e que nos desenrasque. O selim da gOrka teimava em desapertar e por mais aperto que lhe ia dando, o parafuso ia me moendo a paciência e as costas. Esse handicap teve influência na escolha de percursos para os derradeiros dias, pois a cada paragem lá ia eu fazer fosquinhas com a chave umbraco. As voltas basearam-se num raio de acção mais curto do que inicialmente pretendia.

Um parafuso de titânio é coisa para resolver definitivamente o problema, só que não! O busílis da questão estava na base do espigão. Depois de tanto apertar e reapertar, no final da volta de sábado, forçadamente encurtada, decidi atacar o problema pela raiz. Assim que parei a actividade no Strava e entrei na arrecadação, de roupa suada colada ao corpo, estive mais de uma hora para solucionar o problema à boa maneira McGuyveriana. Quando entrei no chuveiro estava certo que no derradeiro dia do desafio não iria sentar as nalgas num baloiço. Eis o último dia do ano que veio a ser um 31!  

A manhã estava bastante sombria. Pouco depois de me fazer à estrada, uns pingos de chuva misturavam-se com alguns pingos do meu nariz. A ressaca de uma noite tremida e a perspectiva de 90 km pela frente não foram, no mínimo, as melhores motivações para sair da cama. Para além disso, pernas fraquejadas e vento contrário não combinam bem. “Oh diacho, tu queres ver!” Não era minha pretensão repetir rotas, então optei pela monotonia perto de casa em vez de arriscar e morrer na praia. Assim, com o ritmo adequado à energia, segui o plano da praia, aproveitando para passar pela casa do velhote e lhe dar um abraço.

Assim, quando finalmente entrei em casa e pendurei a bicicleta havia acumulado mais quatro quilómetros para além dos mínimos exigidos. Ena… Para lá da satisfação pessoal de concluir o dito cujo desafio, ficando assim habilitado à tal máquina que, só em sonhos, me poderá sair na rifa – quem não arrisca não petisca, não é mesmo? A medalhinha digital da Rapha Festive 500 vai permanecer na sala de troféus como o resultado do esforço e da minha teimosia tenacidade. De que me posso queixar quando se ganha um prémio bónus acrescido. Para lá de ter tido um reveillon 2024 de molho, uma noitada bem suada, ainda tive direito à participação, nos dias seguintes, no Brufen 600! Ca Categoria, hein…

Bom Ano e Boas pedaladas.

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Pai Natal, conta-me histórias

Sua Alteza é crente, ainda acredita no Pai Natal. Viu o velhote e, numa de Operação Influencer, parou e intercedeu para que eu receba no sapatinho de encaixe a bicicleta há muito pedida. Mas eu sei o que ela quer. O caruncho e a ferrugem já lhe estão a emperrar a pedaleira. O que ela realmente deseja é dividir as minhas nádegas com outro selim. O senhor das barbas riu-se… “Oh Oh Oh… tu queres é que te conte uma história. Pois bem: Há muito, muito tempo, que depois do Natal e do Ano Novo, três magos em camelos chegam de um reino longínquo, e trazem presentes… Sabe-se lá se não é desta que tens o teu presente de volta, que um desses reis venha a pedalar na velha nova bicla do Paulo!!!”

Com ou sem presentes no sapatinho de encaixe, o que interessa é que todos tenham um Feliz Natal.

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can’t miss [235] www.randonneursportugal.pt

Júlio Caroça
Randonneurs Portugal Nº 20200553
Paris Brest Paris 2023

O meu primeiro PBP

“A pergunta que vale um milhão, Why Paris Brest Paris?

Pois …..Em 2017 com 47 anos e mais de 100kg de peso, decidi retomar o hábito de andar de bicicleta, isto é, desde os meus 13 anos que não andava, o meu objetivo era emagrecer e me sentir melhor, foi com um grande espanto meu que após uma volta de 4 km estive uma semana para recuperar.”

[…]

Podes ler o relato do Júlio em: https://www.randonneursportugal.pt/pbp-2023-por-julio-caroca/

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fotocycle [271] no espírito da coisa

Aproveitando a sinalética espalhada na estrada N108 pela organização da prova de triatlo “Spirit of 78”, deixo algumas considerações a respeito de uma regra que muito condutor desconhece: o limite mínimo de 1,5 metros de distância lateral para ultrapassar o ciclista em segurança. Infelizmente, ainda é raro o dia em que eu não sofra aquela razante desnecessária. Com uma massa e pneus muito menores se comparado a um carro, cada buraco na estrada, cada objecto estranho no asfalto tem o potencial de arruinar o dia de um ciclista. Como tal, o metro e meio de distância mínima que o CE prevê como margem de segurança para a ultrapassagem do automobilista ao ciclista faz todo o sentido. Obrigado pela atenção.

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mercearia Mariazinha

Em Vila Nova, no topo da subida da Pala, no cruzamento de estradas onde a N108 começa a descer para o Douro, mesmo num domingo à tarde a porta da mercearia aberta convida-me a parar. Encosto a bicicleta à parede de granito e entro na loja… (como lhe chamo)

– Ora muito boa tarde.

– Outra vez, por aqui! Então, vai para cima ou volta para baixo? E os seus amigos, não vieram?

Dona Mariazinha tem o seu jeito simpático de receber o cliente. Ali há um modo de atender mais pessoal. Há convivência, há conversas. São relações que perduram no tempo…

– E volta a pedalar para o Porto, sabiam? Satisfaz ela a curiosidade da freguesia presente, mesmo que não me tenham perguntado nada!

Nem sempre está nos seus melhores dias. A tristeza de ter perdido um irmão vestiu-a de negro por uns tempos. Os achaques do corpo também não a largam, mas é preciso manter o negócio aberto. Atrás do balcão não há nenhum espaço vazio. Tem de tudo, à medida das necessidades da pequena povoação que serve.

– Então, e o que vai ser hoje?

O ciclista chega sempre com sede, e também traz fome. Uma sandes de queijo, uma ou duas bananas, mesmo daqueles pretas de tão maduras que estão, saciam o desgaste da pedalada.

– Ah, obrigado, mas é melhor deixar o Moscatel para outra ocasião. Com este calor, hoje vai ser uma cola fresca e… já agora, encher a garrafinha d’água, sefaxabôre? Tenho de seguir viagem.

Alheios à voragem do tempo, são ainda alguns, poucos mas bons, os comerciantes que teimam em manter a sua taberna, loja, mercearia ou mini-mercado em actividade, só pela força da subsistência.


Ahhh… e continua a não gostar muito que lhe tirem fotografias!
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MiraDouro

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Lá vai o cavalo de ferro, Douro acima, pelas curvas do rio.

Se eu podia ir também? Podia, mas, já se sabe, não seria a mesma coisa!

Quando estou sentado no selim de uma bicicleta, não há nada entre mim e o mundo que me rodeia. Não há vidro, não há metal, não há interior climatizado que me contenha a liberdade e o tempo. Apenas o devaneio e o espaço. Apenas o ar que respiro, que me torna vivo. Livre, a ambiência chega natural e envolve-me nas variáveis condições. Nos humores do vento e na ambiguidade da estrada. Os sentidos, esses, são seduzidos a cada curva, enquanto miro o Douro na clássica ida e volta ao Castelo, o Lugar que tem um lugar cativo no meu coração.

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de bicla nos coretos do Porto

No passado mês de Junho, mês de festas populares, à passagem pelo Jardim do Passeio Alegre no meu habitual percurso pós-laboral, fui agradavelmente surpreendido pela animação do Concerto do Coro da União de Freguesias do Centro Histórico do Porto, do “Projecto Musica no Coreto”. Presentes nos mais emblemáticos jardins da cidade, os coretos estão há muito esquecidos pela população. “Nascidos” num tempo em que se vivia a época do Romantismo, o Porto conserva ainda vários coretos, pequenos palcos de formato circular ou octagonal, especialmente criados como espaços comunitários de lazer, onde os portuenses podiam conviver e ter acesso à cultura.

O Coreto do Jardim do Passeio Alegre, foi o primeiro coreto a ser construído no Séc. XX, em 1902. Estrutura de ferro “plantada” no centro de um jardim romântico oitocentista à beira-rio. Passeio Alegre de seu nome, jardim de grandes dimensões com uma vasta colecção de espécies arbóreas raras, assim como plantas ornamentais, foi apetrechado com um coreto, equipamento muito em voga na época áurea do Romantismo. A poucos metros das praias, a Foz do Douro tinha mais animação. Em dias de festa, sobretudo na época balnear, o espaço era frequentado pela nova burguesia, pela comunidade inglesa residente no Porto, que ia a banhos e assim podiam assistir a actuações musicais de bandas filarmónicas.

Em 1833, D. Pedro IV ordena construir o primeiro jardim público do Porto, dedicando-o às mulheres da Invicta para, de alguma forma, as compensar pelas duras provações enfrentadas durante o Cerco do Porto. Nos meados do século XVIII era apenas um campo nos arrabaldes da cidade, onde existia um hospital de lázaros (leprosos) cujo santo padroeiro, S. Lázaro, deu o nome a esta zona da cidade. Oficialmente, Jardim Marques de Oliveira, permanece como um típico jardim romântico. A sua localização central, envolvido por um gradeamento com quatro portões e rodeado por edificios de interesse histórico, é nos dias de hoje um dos jardins mais frequentados da cidade. O Coreto do Jardim de S. Lazaro, datado de 1869, provavelmente o coreto mais antigo da cidade, apenas foi oficialmente inaugurado em 1873.

Encosto agora a bicicleta no Coreto da Arca d’Água. Situado na Praça 9 de Abril, o Jardim da Arca d’Água foi aberto ao público em 1928, devendo o seu nome aos reservatórios de águas de Paranhos ali existentes, e que até aos finais do século XIX alimentavam as fontes e chafarizes da cidade. Sendo um dos jardins mais aprazíveis do Porto, destacam-se o lago e um conjunto de frondosas magnólias. O mais recente dos coretos da cidade, datado de 1929, é todo ele construído em betão armado e apresenta as características da Arte Nova, muito em voga na época. Mas não só de música dão os coretos palco. Em algumas ocasiões foram tribunas para solenidades festivas ou momentos de intervenção política e social. Facto curioso ocorrido em 1866, muito antes de existir o jardim e o coreto, ali se enfrentaram num duelo de espada os escritores Antero de Quental e Ramalho Ortigão, saindo este último ferido num braço.

O Coreto do Jardim João Chagas, ou da Cordoaria, como é popularmente conhecido, está bem no centro da movida portuense. Palco de uma excelente acústica, é dos coretos mais utilizados actualmente. Localizado entre o casario do Campo Mártires da Pátria e a linha do eléctrico, o bulício das esplanadas, dos copos de cerveja e da malta mais animada, não lhe são nada estranhos. Do lado mais tranquilo abre-se a famosíssima avenida dos plátanos, gigantes exemplares cujos troncos ficaram deformados pela moléstia. Conhecido na idade média como o Campo do Olival, a sua designação popular deveu-se à actividade que os cordoeiros ali executaram durante 200 anos. O processo de ajardinamento do espaço tomou forma a partir de 1865, tendo sofrido várias remodelações ao longo dos anos, sobretudo na sequência da devastação provocada pelo ciclone de 1941, quando foi replantado. O Jardim da Cordoaria é caracterizado por um lago e diversas estátuas que lhe conferem o tradicional ambiente romântico. Algumas espécies arbóreas raras deram-lhe em tempos o “título” de jardim botânico. Tendo sido controversa a última intervenção, está prevista para breve nova reabilitação geral… diz-se!

Antes de se denominar Praça do Marquês de Pombal (1882), o local era conhecido como Largo da Aguardente, por ali existirem alambiques de aguardente e, posteriormente, um mercado com a mesma designação. Localizado num dos pontos mais altos do burgo, a 150 metros de altitude, foi local estratégico de defesa da cidade, tanto no tempo das invasões francesas como durante o Cerco do Porto. Facto curioso, a existência de uma praça de touros nesse local (1870), que, sem o sucesso pretendido junto dos tripeiros, não durou muito tempo a desaparecer e acabou queimada. Já com a configuração actual, em 1898 uma frondosa alameda foi ajardinada e rodeada de plátanos. No ano seguinte a praça recebeu o seu coreto tradicional oitocentista, em ferro fundido, que foi oferta dos habitantes da zona, onde nele podiam assistir a concertos de música e outras festas. Ao longo dos tempos, o jardim foi tendo alguns acréscimos, como é o caso do quiosque Art Déco e, em 1948, da biblioteca popular Pedro Ivo. Das mais importantes intervenções, registo para a construção da Estação do Metro do Porto, em 2006, e a posterior requalificação do jardim com a fonte redonda que durante décadas iluminou, literalmente, a Praça D. João I.

Nos jardins do Palácio de Cristal, o requintado Teatro-Coreto, popularmente conhecido como a Concha Acústica, embeleza a Avenida das Tílias. Construído em alvenaria, com decorações em bronze provenientes da fundição francesa do Val d’Osne, destaca-se a lira ao cimo do palco e, a ladear, duas esculturas de figuras femininas, uma negra e uma egípcia. Uma placa faz a alusão à ‘Fundição de Massarelos’, onde se produziu o restante bronze da decoração. O característico formato abaulado do palco, permite a amplificação da emissão de sons ao ar livre. A inauguração do ‘teatro-coreto’, como lhe chamava ‘O Primeiro de Janeiro’, foi feita em 10 de Junho de 1886. Para além da actuação de bandas filarmónicas, a burguesia oitocentista pode ali assistir a peças de teatro e recitais de índole cultural. Na foto ainda se pode admirar a intervenção da artista portuense RAFI die Erste (Teresa Rafael) no âmbito do “Natal no Porto com Muita Música”, onde a Concha Acústica foi o palco principal.

Mas não é só o Porto que tem belíssimos coretos. Poderia pôr os pedais ao caminho em romaria pelos arredores e visitar o fascinante Coreto de Canelas, passar pelos belíssimos coretos de Matosinhos, o do Jardim Basílio Teles e o da Igreja do Bom Jesus, ou até ir jantar ao Coreto da Maia, que agora é um restaurante. Mas Sua Alteza foi mais longe, à Póvoa de Varzim, e pousou o pedal na escadaria do deslumbrante Coreto da Praça do Almada.

Inaugurado em 1905, dizem as crónicas com a actuação da Banda Povoense, o palco deste icónico coreto tornou-se no coração dinamizador da povoação, com actuações musicais, reuniões e discussões de índole variada. Edificado em dois níveis, o piso térreo em alvenaria é ocupado por instalações sanitárias, onde o acesso ao palco se faz por uma imponente escadaria. De gosto marcadamente romântico, planta hexagonal, segue uma tipologia Arte Nova, comum a algumas estruturas semelhantes, onde a harmoniosa cobertura em tom escuro e cercadura rendilhada o torna num dos mais belos coretos que conheço.

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