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Todos Pedalean // Everybody bikes

“Si hay algo que nos emociona más que ver niñxs y familias en bicicleta es ver gente adulta que usa la bicicleta como su medio de transporte diario, esto habla de una cultura ciclística madura y de una infrastructura inclusiva. Fue un deleite en nuestro paso por Italia estar en ciudades como Mestre, Mantova, Bologna, Cremona, Pavía y por supuesto Ferrara, ciudad ciclística por excelencia, donde la presencia de la bicicleta es tan fuerte.

Basta con sentarse en un café o un escaño de plaza para ver pasar ciclistas uno tras otro, niñxs, abuelxs, hombres, mujeres, madres, jóvenes…”

[…]

(read more in: https://unotrocamino.wordpress.com/2018/01/22/todos-pedalean-everybody-bikes/)

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é na boa!

Ainda a pensar que estaria melhor na caminha, estava eu esta manhã estático no semáforo vermelho do Carvalhido a limpar a remela. No canto do olho percebo uma jovem senhora que pára mesmo ao meu lado, tira o rabo do selim e pousa o pé no chão.

Bom dia”! Saúda-me simpaticamente, arreganhando a taxa como que a desafiar-me. Bom dia, retribuo, e tiro-lhe a pinta: Capacete rosa choque, farpela adequada à época invernal, bicicleta urbana xpto, e um par de volumosos alforges…

Mal cai o vermelho para os peões e lá vai ela toda lampeira a pedalar! Mas eu ainda não tinha pressionado o pedal e ela já levava uns bons vinte metros de avanço. Cum carago, fui comido de cebolada. Fiquei pior que estragado e dei ao pedal, suando as estopinhas até a apanhar no semáforo seguinte.

Ahhhaaa… Bem me parecia. A pedalar uma ova! A bateria encapotada no porta-couves  entre o par de volumosos alforges denunciava a caranguejola eléctrica.

Ainda o vermelho iluminava o semáforo, e sem sinais de carros a cruzar a rua, a afoita moçoila voltou a accionar o mecanismo de assistência no arranque e deixou-me outra vez ali plantado, a comer pó. Desapareceu ao fundo na curva, e só depois de um bom esforço extra, quando estava a chegar ao meu destino, é que voltei a recuperar a auto-estima.

Ora, eu e os meus dois ou três leitores, bem sabemos que pedalar é sinónimo de prazer. Prazer por estar a praticar exercício físico, por a bicicleta nos transportar de uma forma activa, livre e recompensadora. Com a bicicleta tem-se uma relação íntima da qual se retira prazer psicológico por todas as sensações que uma boa pedala pode gerar. Às vezes parece masoquismo mas sabe bem uma boa subida para depois, atingido o clímax, descontrairmos na descida.

Já li em qualquer lado que a bicicleta é o equivalente a um consolo na mesinha de cabeceira! Será que a bicicleta com auxílio a motor eléctrico é como aquele selim… o Annie! Um vibrador com sete níveis de velocidade!?

Eu acho que é na boa. Uma bicla eléctrica terá a sua utilidade para quem dela precisa. Para quem vai trabalhar, para quem não quer suar, para quem tem de transpor as subidas sem se cansar muito. As bicicletas eléctricas terão o seu público. Por enquanto apenas sigo pedalando com o motor das minhas pernas, sem algum auxílio extra nem recurso às energias renováveis. Mas que fiquei feliz por ter mais uma parceira do pedal no meu precurso habitual casa-trabalho, lá isso fiquei.

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diz que é no Porto que se perde mais tempo no trânsito

És condutor na Invicta, vives enlatado, perdes demasiado tempo e lês-te este artigo? Gostarias de optimizar o stress no trânsito? Então lê as dicas que aqui deixo e faz a tua contribuição, porque tudo o que está mau pode ficar péssimo.

1. Estás a circular na faixa da esquerda. É à esquerda que a malta gosta de acelerar. Lá a geringonça manda. Olha, o gajo atrás de ti a dar-te máximos! Não o deixes passar. Ultrapassar é muito feio, e mais a mais já vais para além dos limites de velocidade!!! Se o espertinho guinar para a direita, vais também para a direita. Se passar para a esquerda voltas também para a esquerda. Deixar passar, nunca! É uma questão de honra! Se estás à frente é porque chegaste primeiro.

2. Engarrafado outra vez? “Que chatice, pá! Esta cidade assim não vai a lado nenhum. Há minutos que a bicha não se mexe!” A faixa do meio está a parar e arrancar mais vezes? Força, mete lá o carro, não sejas piegas nem agradeças ao morcão que te deu a benesse. Tem cuidado, os gajos da direita estão sempre atentos a folgas. Não dês hipótese. Protege os flancos e mantêm-te atento, não vá teres de recuperar a vez à bruta. Quem disse que no meio está a virtude é parvo. Há minutos que não andas um metro e a fila da esquerda voltou a andar! Mostrar que estás impaciente é sinal de fraqueza. A pressa é inimiga da perfeição.

3. A gaja na faixa da direita deixou o Smart ir abaixo! Anda, acelera, aproveita a vaga e mostra-lhe que és macho. Quem a mandou distrair-se com o blush, o rímel, ou lá o que é aquilo? Aquilo não é um carro! Olha, olha, o espertinho que se quer meter à tua frente. Rrrrrrhhhhiiii… “Oh pá, tem lá calma que o mundo não vai acabar!”. Abre a janela e grita amigavelmente para que o gajo saia mais cedo de casa. Em caso de necessidade usa o vernáculo como forma de comunicação. A exibição do dedo médio é sempre um meio a ter em conta.

4. Queres sair da VCI (Bué de Carroças Imóveis) mas só em cima da saída deves dar isso a entender. Porquê? É simples. Já pensaste se dás pisca a 2 metros da saída que pretendes e, de repente, te lembras de algo que te faz desistir? Isso poderia gerar um erro de entendimento e defraudar as expectativas do condutor que te persegue em se chegar mais à frente.

5. No semáforo vermelho nunca deixes a primeira engatada. Fica tranquilo, fuma um cigarrito, tira aquele macaquinho acumulado, aumenta o volume do auto-rádio e ouve as notícias do trânsito. Não desanimes. Tira uma selfa e actualiza o Face. Depois, quando o sinal verde dos peões começar a piscar engata a primeira e acelera em falso. Isso deixa os de trás bem felizes e evita buzinadelas precoces.

6. Vais deixar os filhos à escola? Então salta para o ponto 2.

6.1 Vais deixar a(o) namorada(o) ou a esposa(o) a meio do caminho? A despedida no carro pode ser uma boa altura para preliminares. Certamente quererás aproveitar cada momento como se fosse o último. Não tenhas pressas e que não se excitem porque um gajo não é de ferro!

6.2 Pára o carro em segunda-fila, liga os quatro piscas só para legitimar a coisa e demora o tempo que entenderes. Se buzinarem por estares a empatar, solta um dedinho maroto e diz que estás ocupado, a trabalhar, ou coisa assim.

7. És motociclista? És o rei da estrada e tens de dar nas vistas. Há que evidenciar a potência do teu maquinão. Todos têm de notar a tua presença. Ziguezagueia e fura pelos carros. Demonstra a tua destreza e técnica. Motoqueiro que é motoqueiro nunca fica parado no trânsito. E depois, que piada tem andar de moto e não fazer uns rateres? Vrummmm…vrummm, traque…traque…traque…

8. Viste um acidente? Sê solícito. Abranda, pára mesmo. Deixa todo trânsito atrás de ti a passo de caracol. Aguça a curiosidade e aproveita para, logo ali, fazer o teu orçamento. Mas não percas tempo com ajudas e assistências. Sempre virá outro entendido no assunto e que terá mais tempo para isso.

9. O teu carro morreu no meio daquele trânsito caótico? Sempre é uma boa altura para se fazer uma prece à sua alma. Sim, porque os carros também têm alma, que diacho! Se tiveres um terço pendurado no retrovisor, utiliza-o. Uma reza bem feita, para aí umas 100 Avé Marias e uns 10 Padre Nossos devem ser suficientes. Depois faz figas e liga o carro. Pode ser que haja um milagre, ou um reboque.

10. Se não queres fazer essas figuras tristes, vai de bicicleta!

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fotocycle [223] friday mood

Empoleirado em tubos de geometria elementar, impulsiono-me através do espaço, deslizando na constrição urbana, driblando os auto(i)mobilizados. O minimalismo envolvido em usar uma bicicleta para o transporte dá-me tempo. Tenho liberdade. Pedalar para o trabalho a uma segunda-feira é meio caminho andado para se chegar com disposição a sexta-feira. Aproveito cada momento.

 

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“às vezes uma etapa de montanha é como uma fantasia sexual, sonha-se sonha-se e não acontece nada” Olivier @ Eurosport

Ao longo dos tempos, desde a sua invenção que muitas e variadíssimas suposições foram sendo criadas sobre a bicicleta. No democrático uso da velocipedia, tanto no aproveitamento deste fantástico meio de locomoção como na prática de um desporto ao alcance de todos, o ciclismo é pródigo em gerar mitos sobre possíveis inconvenientes. As bicicletas multiplicam-se e com elas brotam os mitos relacionados com o ciclismo.

Um dos maiores mitos no ciclismo é sobre a relação de intimidade entre o selim e a virilidade dos ciclistas. Pedalar afecta ou não a vida sexual reprodutiva da raça velocipédica? Não faltam estudos/pesquisas/teorias por esse vasto universo enciclopédico, que relacionam as longas horas em cima de um selim com a possibilidade dos seus utilizadores poderem vir a ter problemas de saúde, como a disfunção eréctil, sexual e urinária.

Quer dizer, anda um gajo todo animado a incentivar a malta a pedalar na ciclovia ou no meio da turba automobilizada, e depois vêm estes intelectuais querer impingir ao pessoal que quanto mais andar de bicicleta maior é o risco de impotência ou perda de libido! Ora, têm falta de sensibilidade naquela zona onde o sol não chega ou têm de recorrer à pílula azul para dar conta do recado, poderão ser sintomas de outras maleitas? Eu cá tenho tudo a funcionar na perfeição, mas cada um sabe de si.

Agora, porém, uma nova investigação veio a terreno para defender a tese que não existe ligação entre andar de bicicleta e a degradação das funções urinárias e sexuais nos homens. O xotôr Benjamin Breyer, do departamento de urologia da Universidade da Califórnia, desenvolveu novo estudo sobre o tema, o qual trouxe nova esperança à linhagem velocipédica mundial. Conclusão do xotôr: “Andar de bicicleta é uma óptima actividade física e não causa disfunção eréctil nem problemas urinários”. Ufa…

Se estudos anteriores criaram mitos à actividade do pedal, de acordo com as recentes avaliações esses estudos não tinham levado em conta medidas validadas ou grupos de comparação e eram limitados por pequenos tamanhos de amostra. Segundo os novos estudiosos da matéria, esta é a maior observação comparativa até o momento, usando questionários validados, examinando os praticantes de ciclismo, utilizadores da bicicleta, características das estradas, etc. Além das comparações entre actividades atléticas similares, com e sem o cagueiro no selim, os pesquisadores examinaram como a intensidade do ciclismo, a configuração da bicicleta e até as condições das ruas e estradas podem afectar os homens de alguma forma.

Numa análise transversal, esta nova investigação contemplou três grupos atléticos: 2.774 ciclistas, 539 nadadores e 789 corredores. Os participantes responderam a questionários sobre vários aspectos da sua saúde sexual e genital. Os ciclistas foram divididos em grupos de intensidade: os que pedalam mais de três vezes por semana por dois anos e que percorrem em média 40 km por dia, os que pedalam menos regularmente e os não-ciclistas (nadadores e corredores). Curiosamente, os ciclistas de alta intensidade apresentaram os melhores resultados da função eréctil do que os que não pedalam com intensidade. Nem a bicicleta nem as características da estrada pareciam ter um impacto negativo entre os dois grupos.

Os ciclistas não estão pior do que os praticantes de natação e de corrida, nas áreas estudadas. Benjamin Breyer assegura no seguimento do estudo que quanto maior a intensidade na prática do ciclismo, menos são os caos de disfunção eréctil. “A minha sensação é que, para muitos, os benefícios cardiovasculares do exercício vão apoiar e potencialmente melhorar a performance sexual, não afectá-la”. Alerta, no entanto, que devem ser evitados os comportamentos na bicicleta que levem ao adormecimento da zona do períneo. “O assunto tem mais nuances do que simplesmente saber se o ciclismo causa ou não disfunção eréctil. Certamente que sentar-se no sofá ou à frente do computador oito horas por dia é a pior coisa para a saúde sexual”.

Malta, desde que não andem sem selim não creio que venham a ter algum tipo de problemas com a vossa virilidade. Bora lá pedalar.

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só porque me apetece…

… fica aqui um filmezinho do tipo convite fimdesemanal para ser degustado onde e sempre que vos apetecer. Chears.

Boas pedaladas qu’eu vou tentar fazer o mesmo.

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isto é jogar à roleta russa

Abundam os estereótipos sobre os ciclistas. Estereótipo, cliché, chavão, qualquer que seja o palavrão, existe o preconceito generalizado sobre o pessoal que pedala na estrada. A característica frequentemente mais depreciativa é de que todos os ciclistas são um perigo. São acusados das coisas mais aberrantes e incompreensíveis pelos enlatados que não nos querem na estrada e nos vêm como o supremo de todas as coisas más, ora porque estamos no caminho, ora porque somos uns incumpridores, ora porque representamos uma mudança, o que para eles parece ser difícil de aceitar. E o exagero é a norma. Todos os estereótipos impõem exagero, é um elemento chave do preconceito, e daí até generalizar a coisa é um instantinho.

Sinceramente, compreendo o porquê de em determinadas situações quem pedala não se sentir obrigado, por exemplo a parar perante um qualquer sinal vermelho! Até porque muitos dos semáforos instalados nas cidades estão ali mais para regular a velocidade dos veículos motorizados. O semáforo tornou-se o sinal vermelho de tudo o que há de crendice contra os ciclistas. E quando nos apontam o dedo demonstram muito da sua ignorância e do seu carácter, pois perante o mesmo incumprimento, constantemente observado no comportamento abusivo de todos os automobilistas, estes desviam a conversa, devolvendo com o falso argumento da pretensa obrigatoriedade de um seguro para os ciclistas, de matriculas para as bicicletas, bláblá… de penalizações só porque há quem se atreva a usar corpinho na mobilidade, querendo o pé da igualdade nos direitos à estrada.

Bem ou mal, o comportamento adoptado pela maioria pédica e velocipédica é parte da mesma cultura rodoviária que observamos por todo o lado. Nesta estrada da vida da loucura já nada me espanta. Já testemunhei comportamentos e acções que me deixaram de tal maneira atónito que me fizeram avaliar se realmente vale a pena arriscar. Ao volante, como ciclista no papel de automobilista, também me saltam as estribeiras quando presencio comportamentos arriscados e inconscientes de indivíduos a pedais. Alguns fazem coisas tão bizarras que me custa imaginar o que estariam a pensar naquele momento. E não falo de ciclistas inexperientes, nem daqueles que estão na via pública como se estivessem no parque de dversões. Falo dos lunáticos que obstinadamente abusam da sorte.

Desde aquele final de dia, quando fui testemunha da loucura de um indivíduo que pedalava à minha frente em plena auto-estrada A1, tenho dado o dedo mindinho a torcer sempre que ouço/leio criticas do mau comportamento dos ciclistas na estrada. Contradigo-os que esse não é o meu comportamento, nem o da maioria, mas sou obrigado a reconhecer que há muitos por essas estradas a jogar à roleta russa.

Se hoje recordo esse episódio, da quase fatalidade de um lunático a pedalar numa auto-estrada, a colocar-se e a colocar outros num perigo tão estúpido como desnecessário, é porque acabo de ler esta notícia: “Ciclista na A1 causa surpresa”

O homem encontra-se já referenciado pelas autoridades por causa desta prática. (Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/ciclista-na-a1-causa-surpresa?ref=portugal_outras)

Desde aquele episódio que certo dia testemunhei até à “surpresa” de ontem, medeiam cinco anos! Será que é o mesmo tipo que eu vi e evitei atropelar e continua a querer fintar a sorte!? Se é, como pode o mesmo indivíduo arriscar a pele assim há tanto tempo, sem levar um susto ou um piparote de um pára-choques!?

Eu cá se pudesse ter conversado com este anormal ter-lhe-ia pedido os números do euromilhões, ou perguntado se é um tipo com tendências suicidas e anda com um azar do caraças! É que para se matar bem que o poderia fazer sozinho e não esperar a que a bala esteja no cano.

Apenas pedalar uma bicicleta não se qualifica como ciclista. É preciso ter conhecimento da estrada, valorizar a própria e a segurança de toda a gente. Devemos saber os limites da própria bicicleta. Não é tanto uma questão de dizer às pessoas como ou onde devem pedalar, mas sim um meio de informar que é necessário ter alguma responsabilidade. Queremos que os automobilistas respeitem os ciclistas, que partilhem devidamente a estrada, e para isso devemos dar o nosso exemplo de responsabilidade e de noção onde a bicicleta pode e deve estar.

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ciclista vs motociclista

À pergunta que já me fizeram quando me viram a pedalar pela cidade:

“Não é perigoso andar de bicicleta?”.

Oh pá, depende, respondi. Mas também te digo, se me fazes essa pergunta é porque tens a noção que o comportamento dos condutores não é o melhor. Mais a mais, sendo tu um condutor de um veículo de duas rodas com motor lá pelo meio já deves ter dado conta disso.

À terceira é de vez, costuma-se dizer. E porque hoje voltei a ser incomodado por um motociclista que me quis deitar fumo aos olhos, o gajo deixou-me pior que uma lesma quando me respondeu: “Eu também sou ciclista”!

Se a ignorância em relação às regras do Código da Estrada é um mal epidémico da trupe colectiva que segue a morte lenta do pára-arranca, aparentemente a peçonha do “sai da minha frente” buzinado é extensivo aos condutores de secadores de cabelo.

Ora bem, se há tempos a Câmara do Porto alargou a circulação de motociclos e ciclomotores em corredores BUS, eu não tenho culpa que os mesmos estejam constantemente ocupados por automóveis, uns estacionados, outros a tentar entrar ou a querer sair de um parque de estacionamento. Como deveria saber, sendo ciclista como diz, às bicicletas não é permitida essa benesse.

Seguia na minha, ocupando o eixo da via, numa via que tem dupla faixa de rodagem no mesmo sentido. Finda a via reservada a alguns veículos, tomo a minha posição na faixa mais à direita e percebo a buzina esbaforida de alguém atrás de mim. Um ciclomotorizado ultrapassa-me nem a meio metro do meu cotovelo e com a luva direita aponta para o lado, agita a mão dando-me a entender que eu deveria sair da sua frente e ir para o passeio, ou coisa assim!

Imediatamente à paragem no semáforo vermelho, de dedo em riste acenei-lhe um rotundo não e disse-lhe: Olhe lá, não estou obrigado a circular encostado ao passeio…

Hummffmummmffff…, resmungava-me o gajo de dentro do capacete.

Hããã, o quê? Não meu amigo, não sou obrigado a prestar-lhe vassalagem rodoviária. Circulo no eixo da faixa de rodagem o mais à direita possível, conservando das bermas, dos passeios e dos carros estacionados uma distância suficientemente segura para mim. Mais a mais, você deveria ter mantido uma distância lateral mínima de 1,5m. quando me ultrapassou, e em vez disso quase me vazou a vista apontando-me para o passeio!

Hummffmummmffff…

Hããã, o quê? Então o gajo lá levantou o capacete para me perguntar se eu sou ciclista!

Bem… olho para a bicicleta, encolhendo os ombros. O que é que acha?

“É que eu também sou ciclista e digo-lhe que tem de pedalar encostado ao passeio”, ripostou.

Você é ciclista!? Deve ser, deve, tipo ciclista de fim-de-semana! Abriu o verde… Olhe, passe bem… e cada qual foi à sua vida.

Acho que sei o que foi. O gajo terá ficado piurso quando, à entrada da rua de D. Manuel II, eu ocupei o espaço livre demarcado entre a faixa de retenção e a passadeira, um espaço existente na parte final da rua Adolfo Casais Monteiro, seguro para os ciclistas se posicionarem à frente dos demais veículos a motor enquanto aguardam o semáforo verde para transitar. E digo já que deveria ser assim em todas as intercepções.

Na estrada um ciclomotor não prevalece em relação ao velocípede. Ambos estão sujeitos às regras. Comummente são biciclos, dotados de duas rodas portanto, sendo que na rua as bicicletas e os ciclomotores ocupam sensivelmente a mesma largura de ombros dos seus utilizadores. E esta é basicamente a única semelhança entre a espécie ciclo, pois o apenso motor, a combustão ou eléctrico, faz toda a diferença. Obrigatoriedades, registos, seguros, são impostos à circulação na via pública, sejam motociclos, triciclos, quadriciclos, Mobiletes, Solex’s, com ou sem carro lateral, enfim a todo o tipo de veículos de duas rodas motorizados com pedais.

O ciclista saberá melhor que ninguém ocupar a melhor posição na faixa de rodagem. A actual estrutura rodoviária privilegia quase exclusivamente os motorizados, fornecendo aos utilizadores dos motores uma utilização desmesurada e egoísta do espaço público. Os ciclistas, como utilizadores vulneráveis da via, privilegiam a vida e zelam pela sua integridade física.

A manobra da ultrapassagem aos velocípedes por parte dos ciclomotores obedece às mesmas regras. Esperar uns segundos para depois voltar a infligir esse enorme esforço físico, que é pressionar ligeiramente o acelerador, deve ser penoso para os motorizados. A falta constante de se colocar no lugar do outro, o pensar no bem-estar do outro que circula à sua frente, só aumenta a falta de respeito e a agressividade.

Resumindo: para o motorizado, os ciclistas fazem o que querem, e ainda por cima não pagam nada. O motorizado, seja qual for o tipo de veículo, para o que sente o aumento dos impostos de circulação, o preço dos combustíveis, as crescentes limitações de circulação em centros urbanos, os controlos policiais, os engarrafamentos e a falta de estacionamento ilimitado, entre outras coisas, o ressentimento obtuso perante os ciclistas é espontâneo. E alguns ciclistas alinham nesse pensamento! Com pontos de vista profundamente contraditórios, dizem que uma vez ao volante cumprem escrupulosamente o código. Dizem que o cumprem sem saber que o mesmo já foi revisto e alterado, faz quatro anos. Acham que tendo um acelerador no pé ou na mão têm o direito a usufruir do mesmo a seu belo prazer. Mas, se nem os ciclistas se entendem, como vou esperar que os utilizadores da estrada se entendam uns com os outros? Ninguém cumpre nada e ponto final, parágrafo.

Também cumpriria a cem por cento se de facto as infra-estruturas rodoviárias fossem construídas a pensar em todos. Se houvesse uma fiscalização de facto efectiva e que devolvesse o sentimento de segurança às estradas. Se cada vez que pedalo numa estrada não tivesse de conviver com gente profundamente inconsciente. Manobras perigosas, excesso de velocidade, uso do telemóvel na condução, estacionamento ao deus-dará… Alguns ciclistas não cumprem as regras porque acham que as regras não se aplicam a eles. Pois bem, o sistema não foi feito a pensar neles, como tal sentem-se mais seguros assim. O presenciamento constante dos atropelos rodoviários aumenta a sensação de impunidade e de insegurança. Por isso mesmo alguns ciclistas dizem jogar pelas mesmas regras. Sendo confrontados diariamente com os abusos dos automobilistas, não admira que alguns sintam a necessidade de, por razões de segurança, fintar o CE.

Mas voltando à pergunta inicial, a minha resposta é: “Não. Pedalar na cidade ou na estrada não é perigoso, se forem tomadas algumas medidas a que se pode chamar de condução defensiva”. Isto significa uma condução prudente, atenta e sem precipitações, que não se limita a seguir as regras do código da estrada, mas que também tenta prever as possíveis situações perigosas antes que estas aconteçam. A diminuição da sensação de insegurança constante nas nossas ruas e estradas trará cada vez mais utilizadores de bicicleta.

isto sim é uma mota

Boas pedaladas.

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reciclando [37] é uma espécie de quente e frio

Na bicicleta o frio não se estranha, entranha-se. Afinal estamos no Inverno, o que não é de estranhar portanto que mesmo enchouriçado de roupa mal coloque o nariz fora da porta sinta um arrepio na espinha. O dia desponta bonito, mas não eram aqueles imberbes raios de sol reluzindo no alumínio da bicicleta que me fariam aquecer. Ao pedalar bem cedo para o trabalho, ou outro sítio qualquer, estamos livres e ao mesmo tempo expostos aos elementos matinais. De luvas térmicas e gorro enfiado a tapar as orelhas, mais que preparado para enfrentar este briol, dou as primeiras pedaladas do dia. O ar gelado morde-me a pele, penetra nas narinas e arrefece os pulmões. Rajadas de vento d’Este esbofeteiam-me o rosto e acordam-me de vez. Automaticamente levanto o rabo do selim, activo as pernas para dar ritmo aos pedais. Escalo ao topo da montanha, neste caso o viaduto sobre a VCI. Encolho-me no cachecol e prossigo, fungando. Lentamente a energia da pedalada reconforta, o movimento pedaleiro revigora e equilibra-me os níveis de humor. Ao arredondar a primeira curva já sinto a diferença com o corpo a aquecer, mas que está um frio do carago, lá isso está!

Quinze minutos depois, uma vez chegado ao destino, estou pré-aquecido e mais que pronto para começar a trabalhar.

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ciclofilia [144] A freira e a bicicleta: apoio a mulheres e meninas congolesas

“A irmã Angélique Namaika recebeu o Prêmio Nansen para os refugiados em 2013 por ajudar mulheres e meninas deslocadas na República Democrática do Congo. A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) está à procura de uma nova heroína ou herói que apoie os refugiados.

O Prêmio Nansen do ACNUR visa reconhecer o trabalho de indivíduos e/ou grupos para ajudar pessoas em situação de refúgio. Você conhece alguém com esse perfil? Não perca! As inscrições vão até dia 8 de fevereiro! unhcr.org/nominate

Saiba mais sobre o trabalho da irmã Angélique em https://goo.gl/bgvajy e https://goo.gl/7MW1se

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