à volta d’a Aldeia Velha

Mós é uma primitiva povoação rodeada de montes, virada a sul na vertente oposta ao preguiçoso e pachorrento Rio Douro. A aldeia dos meus avós, como lhe costumo chamar, é lugar de gente alegre e laboriosa que atenua a velhice vestindo de encanto a passagem do tempo. Terra quente, agreste mas produtiva, nas suas encostas e vales, entre camadas de xisto crescem hortas, pomares, olivais, vinhas e amendoais. Especialmente por esta altura do ano são as amendoeiras que dão o seu florido espectáculo, num deslumbrante colorido e candura ao vale duriense.

O Passeio Pedestre Amendoeiras em Flor, organizado pela Associação Cultural e de Recreio “As Mós”, tornou-se um importante evento para a aldeia, pois ao longo das suas anteriores dezassete edições tem atraído um número crescente de visitantes. Na edição deste ano a pequena aldeia recebeu mais de 400 pessoas vindas de vários pontos do país para animar o XVIII passeio sob o tema “à Volta d’Aldeia Velha”.

As expectativas elevadas, reflexo de experiências passadas, não foram defraudadas. O domingo fintou o inverno e amanheceu num belo dia de primavera. A ACR “As Mós” voltou a bem receber os seus convidados e após as boas-vindas deu-se início à caminhada. Um percurso bem exigente ao longo de 8kms por belos cenários com a flor da amendoeira no seu auge. O declive acentuado dos caminhos, pelos montes que ladeiam o casario e o rio, foi de progressão difícil mas saborosa com tão perfeita combinação de paisagens e cenários.

O sol, quase que estival, acalorou o ritmo das passadas e amplificou a banda sonora da passarada que já anuncia a primavera. As pernas cansadas dos caminhantes não distraíram os sentidos apurados da audição e da visão, o que permitiu a captação de inúmeras fotografias, partilhadas pouco depois nas redes sociais, exibidas perante amigos reais e virtuais que ainda não tiveram o privilégio de participar nesta experiência repetida todos os anos.

No fim do passeio, todos se juntaram à mesa, de estômagos a reclamar atenções mas com a sensação boa de uma manhã bem passada. Era difícil ignorar os aromas do almoço servido pelos infatigáveis voluntários que não tiveram mãos a medir para atender todos os pedidos. A sopinha de cebola, seguida de saborosas febras de porco no espeto a acompanhar o arroz e feijão preto, foram o estímulo perfeito para os paladares e o restabelecimento dos moídos caminhantes.

Mais uma vez um grande bem-haja às pessoas das Mós que tão bem sabem acolher os seus visitantes. De felicitar mais uma vez a ACR, que voltou a maravilhar os participantes com uma excelente organização do passeio. Um agradecimento também aos voluntários que tudo fizeram para que esta iniciativa satisfizesse todos aqueles que nela participaram. Até para o ano.

 

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do tipo, “percebes ou queres que faça uma foto?”

Diálogo numa destas manhãs no local de trabalho:

– Ó Paulo, o qu’é isso do comute?

– “Commute” quererás dizer!

– Hããã! Ou isso…  Essa coisa que tagas nas tuas fotos com a bicla!

– Ora bem, como te vou explicar… Sabes o que é uma ponte aérea?

 

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can’t miss [198] mubi.pt

Estratégia Nacional para a Mobilidade em Bicicleta, em 2019

“O Secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, José Mendes, anunciou há dias que o Governo apresentará este ano a Estratégia Nacional para a Mobilidade em Bicicleta.

Depois de constar das Grandes Opções do Plano para 2018 e para 2019 e da nota explicativa do Ministério do Ambiente e Transição Energética sobre o Orçamento do Estado para 2019 (não especificamente para a bicicleta, mas para os modos activos), de ter sido no passado dia 1 de Fevereiro uma das medidas recomendadas ao Governo pela Assembleia da República e da MUBi por diversas vezes, junto do Governo e dos Grupos Parlamentares e através da comunicação social, ter vindo a alertar para a sua necessidade e a defender a sua implementação no breve prazo, tudo parece indicar que Portugal passará a contar brevemente, à semelhança do que existe na maioria dos restantes países europeus, com um plano estratégico nacional para a mobilidade em bicicleta.

A MUBi tem vindo a defender uma estratégia nacional abrangente, integrando o investimento em infraestruturas para circulação e de apoio à utilização da bicicleta com outras medidas complementares, como programas de incentivo à aquisição de bicicletas (convencionais e eléctricas), programas de incentivo às deslocações pendulares em bicicleta, programas nacionais de promoção da bicicleta, e abordando ainda questões como a redução da sinistralidade rodoviária, a qualidade do espaço urbano, a educação para a mobilidade sustentável, mudança de comportamentos, formação de técnicos, entre outras.”

[…]

(Lê o artigo completo em: https://mubi.pt/2019/02/13/estrategia-nacional-para-a-mobilidade-em-bicicleta-em-2019/)

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fotocycle [240] namoricos

olha-me esta… agora quer é namorar!

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isso ou uma pilha de nervos!

O passeio de bicicleta é um ritual importante para mim. Depois de alguns minutos de pedalada, as endorfinas entram em acção, começo a recarregar as baterias e a sentir a energia acumular. É especialmente nas primeiras horas da manhã que melhor me sabe o vento a cortar as orelhas. À medida que o horizonte brilha e se torna deslumbrante, nesses momentos é fácil esquecer a fadiga, o relógio e as responsabilidades. Estou no comando, só, no piloto automático, vendo e absorvendo a maravilhosa metamorfose da manhã e do mundo ao meu redor. Mas algo me desperta a atenção e não resisto parar. Aparentemente, quando se gosta de fotografar a sua bicicleta, o ciclista deve, pelo menos uma vez, usar uma pilha de troncos como pano de fundo para alinhar a sua menina e partilhar uma icónica foto com a comunidade.

Click

Mas atenção onde se pára a bicicleta para sacar a tão bela da fotografia! Não basta ter bom olho para o motivo fotográfico, tem se ter cautela com a fauna que vive nas redondezas. Não fosse o irritadiço pastor alemão ter uma resistente coleira à volta do pescoço presa por uma firme corrente, que o manteve fora do meu raio de alcance, o que eu arranjava era lenha para me queimar… como bem me lembrou o xôr que passeava de camelo 😀 !

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não, ainda não é a minha pré reforma!

Chegou a hora da minha pedalada pós-laboral. Encerrado o expediente, arrumo o kit do dia-a-dia na mala de selim, solto-a do aloquete, ligo o contador e entro em modo solitário. Só eu e a minha bicla. Mesmo debaixo de um temporal, me embrenhando no meio do trânsito, a perspectiva de um período de “tempo sozinho” agrada-me. Quando a chuva dá tréguas e a agenda me permite, o passeio de volta a casa torna-se mais alargado e demorado. O caminho a escolher será sempre por minha conta.

Pedalando pelas ruas da cidade, na mobilidade simplificada para resolver certos assuntos, encarando as subidas e aproveitando as descidas, sigo o rio enquanto vou pondo os pensamentos em ordem. Numa hora, ou mais, antes de rodar a fechadura para me resguardar, finjo estar a fazer uma grande viagem, pelas montanhas ou numa fuga solitária, e ser o primeiro a cortar a meta!

É importante distinguir aqui a palavra “solitário”. Em contraste com a pessoa sentada ao volante de um carro, engarrafado no pára-arranca urbano, a não ser que se pedale uma bicicleta tandem, a opção para mim é seguir na minha, por conta própria. Não se está num ambiente fechado, isolado, mas estou só, em modo solitário, a usufruir da liberdade que a bicicleta me confere.

A verdade é que eu gosto de pedalar em grupo ou mesmo seguir a par com um amigo de ocasião. Assim como acenar para outros colegas entusiastas do ciclismo com quem me vou cruzando. Esta é uma ideia que acho atraente no ciclismo, a camaradagem. Como é maravilhoso pedalar, não importa a desculpa: exercício, lazer, trabalho… o que for! O passeio é que conta.

A propósito, ontem a meio do commute voltei a encontrar o Jacinto, velho companheiro de longas pedaladas, e o simpático grupo de amigos no seu passatempo diário, para pedalar em conjunto o que restava da minha rota.

 

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can´t miss [197] dn.pt/lusa

Parlamento aprova projetos de resolução sobre segurança para utilizadores de bicicletas

Nesta notícia tomei conta que hoje seria apresentada uma proposta do CDS e PEV na Assembleia da República para o seguro escolar passar a cobrir acidentes com velocípedes. Já o PAN propôs um grupo de trabalho sobre mobilidade relacionada com as bicicletas.

Entretanto saiu ao fim da manhã a confirmação que o parlamento aprovou na generalidade os projectos de resolução que recomendam ao Governo o alargamento da cobertura do seguro escolar às deslocações em bicicleta, bem como a adopção de medidas que aumentem a segurança.

Podem ler a notícia na íntegra aqui: https://www.dn.pt/lusa/interior/parlamento-aprova-projetos-de-resolucao-sobre-seguranca-para-utilizadores-de-bicicletas-10520966.html

Muito boas notícias, portanto.

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da Baixa à Cantareira

No meu commute pós laboral, fujo dos gases de escape e do rugido mecânico para um pequeno refúgio de paz e sossego, a Cantareira. Quase a chegar à Foz do Douro, esta zona histórica da cidade do Porto resguarda um pequeno cais, porto de abrigo de pequenas embarcações onde pescadores ribeirinhos preservam tradições, concertam e arrumam as suas artes de pesca. Diz que o local deve esse nome a um tempo em que por ali existiam muitas fontes que traziam as pessoas a buscar água com as suas cantaras.

Testemunha de tantos perigos ao longo de séculos, assenta no cais a capela renascentista de São Miguel-o-Anjo, dantes com a função de farol, de fogo e facho, que orientava os navios manobrados pelos experientes pilotos na arriscada e temerosa correnteza do rio. Guarda memórias das façanhas e calamidades náuticas de que o Marégrafo foi sentinela. Da inquietação das marés que ao longo de séculos regulava o ritmo de entrada dos barcos na barra do Douro.

Então, dizia eu, desvio as rodas da bicla do meu habitual rumo e, sem incomodar as gaivotas, calco as gastas pedras do cais para ser capaz de sentir o som do rio, do vento e do faro. Dos putos das redondezas que em dias de calor vão para ali se refrescar com mergulhos destemidos para as águas do Douro, dos gabirus nem vê-los.

Dali tenho uma das vistas mais encantadoras do Porto e do largo correr do Douro, onde as águas se misturam com o sal do mar. Ao fundo, o imponente arco da Arrábida faz a ponte harmoniosa com a bela paisagem ribeirinha, de onde se avista da outra banda a Afurada e o Cabedelo. Deixo dona Tripas a reluzir sob um espelho d’agua. O Porto é uma cidade que me surpreende a cada instante e fico ali a matutar, que muitas vezes a maior beleza está em olharmos para um local de sempre e reparar na sua beleza como se fosse a primeira vez.

[Click]

Aproveito cada momento – onde é que eu já ouvi isto!:

…Com a merda na algibeira
O Chico Fininho …
Da Cantareira à Baixa,
Da Baixa à Cantareira…

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reciclando [42] o Senhor António das Bicicletas

É com mágoa que leio nesta notícia, que o Sr. António das bicicletas está prestes a fechar a sua oficina.

“Há mais de seis décadas que António Maria Pereira, agora com 85 anos, repara bicicletas e motorizadas, no centro da cidade de Leiria. Uma história que está prestes a chegar ao fim.”

É a lei da vida! Em jeito de homenagem, reciclo um postal com seis anos onde podes assistir a um pequeno filme do dia-a-dia do Senhor António, mecânico de bicicletas e motorizadas.

“Lembram-se dos tempos em que ter uma bicicleta era um luxo? E que para aprender a andar numa só alugando? Nós também não, mas António Pereira lembra-se como se fosse ontem. Ele próprio deu as primeiras pedaladas em bicicletas alugadas e depois fez disso negócio.”

Podes ler o resto da notícia em: preguicamagazine.com/2013/02/07/3703/

Deixo ainda outro filme sobre o Sr. António, este bem mais recente.

Bem haja Sr. António.

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cabeça na Lua

Como é costume, depois do trabalho estou a pedalar de regresso ao lar, antes que o sol se deleite no oceano. Apesar de resplandecente, a tarde estava um pouco fria. Maldita nortada. Em busca de um quebra vento, saio da rua e sujeito os pneus ao caminho ondulante do Parque da Cidade, circundado por árvores e passarada. Deixo o meu rastro marcado na terra humedecida. Contemplo e rodo, em modo câmara lenta.

O sol estava se entregando, mas a minha camada superior já me aquecia e um fulgor de transpiração brilhava na minha testa. Um banco de jardim no meio do verde torna-me o passeio mais longo do que o previsto. Ali, o tempo parece dar um tempo. Luvas para fora. A pausa para relaxar e absorver a iluminação deu-me a oportunidade de inclinar a bicicleta e tirar-lhe mais uma fotografia.

Eu adoro esta hora do dia mais do que qualquer outra: a quietude, a solidão, a Lua que lentamente cresce. Ouvi dizer que naquela noite a sombra da Terra fará o seu brilho desvanescer!Não acordei para ver.

Retorno ao selim e esboço o regresso a casa, desenhando linhas no chão, continuando perdido em devaneios, seguindo as sombras que cresciam rápidas. Sem pressas sigo a cidade, explorando ruas escurecidas e esquecidas, de paralelo e asfalto lascado, onde poucas pessoas parecem coabitar. Ainda há muito inverno de sobra. Os dedos frios e o pingo no nariz dão um senso de alerta. Retrocedo e acelero a cadência. Abandonadas no banco de jardim, reencontrei as minhas luvas e lampiões, tristes e sós!

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