Há coisa de 15 anos, era a gOrka uma jovem bicicleta, fiz com ela uma espécie de bici-teste à ciclovia que entretanto crescia ao fundo da Avenida da Boavista. O plano de uma cidade futurista, amiga das mobilidades suaves e sustentáveis, começava lentamente a sair do papel, fazendo crer que poderíamos sonhar com coisas bem feitas. Só que não! Chamei ao postal “A terceira via”, e para além da prometida extensão até à entrada nascente do Parque da Cidade mais nada se fez.

Como sabemos o chamado projecto MetroBus na Avenida da Boavista e Marechal até à Praça do Império entrou em funcionamento tarde e a más horas. O seu polémico planeamento, construção e falta de alternativas veio confirmar as fragilidades inerentes à circulação dos utilizadores vulneráveis e desenvolvimento de infraestruturas para as mobilidades suaves na cidade.
Paralela com a Casa da Música, a Avenida da Boavista tinha uma ciclovia mal resolvida, integrada na circulação automóvel. Mesmo assim existia e, pelo menos, assegurava algum espaço à circulação das bicicletas e outras mobilidades suaves. Com a primeira fase de obras do MetroBus toda essa infraestrutura desapareceu.
Entretanto e com o enorme atraso para se dar o inicio de exploração do MetroBus, as bicicletas e as trotinetas tomaram conta do canal BRT, apareceram e prosperaram, demonstrando assim que essa via dedicada em exclusivo às mobilidades suaves não só beneficiaria a segurança dos seus utilizadores como os restantes utilizadores da estrada.
Mas finalmente deu-se o inicio da circulação dos novos autocarros articulados, e as bicicletas e trotinetes foram empurradas para o meio dos automóveis, sendo obrigadas a partilhar uma artéria com um tráfego intenso, múltiplos cruzamentos e entradas laterais constantes.
Numa medida sem qualquer estratégia de integração numa rede ciclável, a solução apresentada pela autarquia assentou na sinalização e limite de 30 km/h, o que não é satisfatória, principalmente em termos de segurança, pois representa na prática o fim da mobilidade suave naquele eixo estruturante da cidade, aumentando o risco para todos os utilizadores.
Se o anterior executivo teve tempo para planear e não o fez, o actual executivo camarário apenas lhe deu continuidade. A segunda fase do projeto MetroBus foi submetido pela Metro do Porto à Câmara Municipal do Porto, que prevê a construção de um canal segregado ao longo do eixo viário da Avenida da Boavista, nomeadamente entre o cruzamento da rua António Aroso/Parque da Cidade e a Rotunda do Castelo do Queijo.
Para além de não corrigir os erros da solução anterior, mesmo com queixas de associações várias e providências cautelares, mesmo assim avançaram com o abate de árvores e as obras da segunda fase estão já a destruir o troço inicial da ciclovia junto à rotunda como se vè na foto que encima o post.
O MetroBus foi-nos apresentado como uma solução de transporte público mais sustentável, no entanto considero que a sua concretização embora seja um serviço utilidade pública. não pode ser feita à custa do espaço verde e da mobilidade que promove alternativas.
Existem, no entanto, alternativas tecnicamente viáveis e com menor impacto, nomeadamente retirar apenas uma das quatro faixas destinadas ao tráfego automóvel, libertando o espaço necessário para a faixa dedicada ao MetroBus e para a ciclovia segregada. Dessa forma, seria possível preservar a ciclovia, mantendo as árvores e garantindo o equilíbrio entre transporte público, mobilidade ativa e a propriedade ambiental.
Aqui podes também assinar a Petição “Por uma Avenida da Boavista Verde, Humanizada e Sustentável”







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