onde há um ciclista há um amigo

Quem se aventura a pedalar estrada fora entende muito bem o verdadeiro sentimento da amizade. Os ciclistas são duros e delicados ao mesmo tempo. São fortes para aguentar a dureza das distâncias, as contrariedades do clima e da estrada. Na sua resiliência, calejados que são na vivência sobre o selim de uma bicicleta, são susceptíveis ao cansaço, ao sofrimento, às quedas e à superação dos desafios. Qualquer que seja a classificação, a lentidão, o tempo que demoram a transpor a montanha, todos são vencedores. Enquanto pedala, o ciclista tem tempo para pensar, reflectir, imaginar, sentir o que o rodeia porque a velocidade da bicicleta assim o permite: o suor, a respiração, a batida do coração, a explosão, a audácia que concede o desejo. Perto de si poderá estar um adversário. Na sua roda trazer um colega de equipa. À sua frente vai um amigo que o auxilia. Qualquer ciclista é um verdadeiro amigo, que entende, que espera, que motiva, que acompanha, que dá, que incentiva, que ajuda…

Nas minhas longas pedaladas existem muitos momentos em que sempre estarei sozinho. Não há um companheiro, um familiar, ninguém por perto. São quilómetros de pedaladas em solitário. Só eu e a bicicleta! E a dado momento, o pensamento corre depressa e até parece que dou em doido. Dou comigo a conversar com ela, porque se há alguém que nos compreende nestes momentos de solidão é a nossa bicicleta. Para alguém que não entenda, na solidão da estrada temos de confiar na bicicleta, naquela que nos leva, que nos restitui o rumo, na ferramenta da nossa liberdade, da maior liberdade que podemos ter. Estranha estrutura construída de forma simplificada e que nunca será ultrapassada. Possessiva e ao mesmo tempo serva. Fiel depositária das nossas energias. Veículo popular em que posso encontrar um qualquer amigo e que me poderá acompanhar, pedalar ao meu lado e não me deixar sentir sozinho.

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a richly detailed illustration of a crazy bicycle race…

…in Ugo Gattoni’s illustrated London bicycle race

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fotocycle [35] fotoGInica

Enviada pela minha amiga Gi:

“Foi uma sorte … íamos no carro para Monsanto, quando a vi … o meu marido lá fez marcha atrás, num sítio complicado, e tirei a foto, mesmo do carro. :)”

FotoGInica

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bici’stória [6] bicycle store

Comprou uma bicicleta. É clássica, confortável, estilo cruiser dos anos 30, preta com cromados, tem selim de cabedal castanho, cesto e campainha. Percorreu com ela as ruas da cidade, com a calma de um passeio. Da loja à Praça não chega a dez minutos. Toma um café e compra o jornal. Depois, daí a casa são cerca de trinta minutos, pela marginal do rio e atravessando a ponte no meio de toda uma multidão de outros ciclistas e peões domingueiros. A cidade é pequena, transversalmente, e a pedalar na bicicleta ainda o é mais. Comprou uma bicicleta. É clássica e modelo de senhora. É para ti. Está à tua espera para quando a quiseres.

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festa Roda Livre, o filme da festa

live fast ride faster

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cardboard bicycles… bicicletas de cartão!!!

Yes, you heard right. While it might sound crazy at first, cardboard bicycles can have some huge advantages over regular ones. To start with, cardboard is very light; imagine a bicycle you can easily carry up and down the stairs to your apartment. Cardboard bicycles are also very cheap to produce, which means they’re also very affordable to buy, and not very worthy of stealing.

Would you buy a bike made out of cardboard?

Curioso? Lê tudo aqui.

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fotocycle [34] the bicycle incident photo

from swanson studio

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… um bom dia pra si também

Quando optamos pela bicicleta, todos os dias para chegar ao trabalho, ou para outro destino habitual, passamos a conhecer cada atalho, cada buraco no asfalto, cada tampa de esgoto, cada frustrado enlouquecido vertendo ódio, entre outros tantos percalços e transtornos que tornam a pedalada uma aventura a toda prova. Mas, como nos viciamos nesta modalidade, nesta opção de vida tão saudável e rentável, não existem transtornos que nos convençam a optar sistematicamente pela latinha de quatro rodas.

Eu, decididamente, sou adepto da bicicleta, já me acostumei com esta visão ampla do mundo. Não me espanto mais por ter visto coisas que os autoimobilizados nunca vêem, conhecer caminhos diferentes e mais interessantes, enfim, ter os olhos abertos, olhos de ver.

Hoje tirei de casa a minha estradeira, para quando encerrar o expediente sair em longas pedaladas. À minha frente pedalava um conhecido amigo. Chego perto, coloco-me a par e saúdo-o. Ao fundo da rua, no cruzamento, uma fila de carros bufarava no vermelho. Continuei a par e à conversa. Uma estridente buzinadela, uma tangente desnecessária, um tipo mal disposto que nos fecha com o carro. Trava logo a seguir no fim da fila. Não seria de esperar outra coisa! Ultrapasso-o pela esquerda. Do Corsa um braço esbracejava. Ouço zurrar qualquer coisa “☚☄➳♨✝””!!! Prossigo a pedalada e passo por ele de polegar levantado “…um bom dia pra si também“!

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festa da Roda Livre, a festa da bicicleta

Obrigado ao Nuno e companhia pela simpática e bonita roda de amigos que nos reservou. Adoramos. Sempre a rodar…

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na rua já vi muita loucura, mas uma coisa assim!!!…

Ao volante, perde-se a cabeça e fazem-se coisas que não lembram o diabo. Pessoas no seu juízo normal não teriam ataques de fúria num outro contexto senão ao volante de um carro. Um volante nas mãos de um cidadão, transformam-no em potencial criminoso. Qualquer evento no trânsito se torna no gatilho para detonar uma raiva desproporcionada que tira as pessoas do sério. O stress, a personalidade, o estado emocional no trânsito é uma receita explosiva. Essa fúria provém não só da frustração e da falta de respeito pelos outros mas também de uma arrogância obtusa. Para piorar, a sensação de anonimato no trânsito confere-lhes um sentimento de hostilidade pelo outro. Comum no congestionamento das grandes cidades tem até uma expressão em inglês: “road rage”.

Quem não pedala regularmente nas ruas e estradas geralmente nem imagina que há quem por mero divertimento coloca propositadamente a vida de ciclistas e transeuntes em risco. São condutores que fecham o caminho aos ciclistas de propósito, outros passam rasantes, alguns vão empurrando lentamente o ciclista contra a berma, e geralmente para mostrar que o ciclista “não devia estar na rua”. Pode parecer que é só tacanhice de alguns indivíduos, ou que estar no trânsito é assim mesmo, mas chegar ao ponto de atentar contra a integridade física de quem calmamente pedala e partilha a rua só pode ser uma doença grave do foro psicológico!

Quem comete infracções e se mostra incapaz de partilhar a via pública, quem tem certos comportamentos agressivos, quem faz da força do automóvel uma forma de auto-afirmação, quem coloca a vida de outras pessoas em risco, mesmo que por pura diversão, o carro é uma arma contra ele e contra os outros. Indivíduos que, influenciados pela ostentação e irresponsabilidade que a sociedade lhes confere, usando para isso o poder de um motor a combustão e uma casca de uma tonelada para agredir alguém sem a defesa de uma armadura de metal, não passam de reles cobardes. Com esses tipos não adianta discutir. A essas pessoas não deveria ser habilitada a condução.

uma tarde tão calma e agradável que até deu para fotografar a pedalar

Na tarde de Sábado houve uma festa porreira e animada. Já o sol ofuscava o horizonte quando meia dúzia de ciclistas pedalava na calmaria do final da Rua da Boavista para a Avenida, sem que nada fizesse prever o que se iria passar a seguir. Parados nos semáforos à entrada da Rotunda da Boavista, ao nosso lado, quase a roçar o cotovelo do Pedro, surge um Mercedes preto. O vidro do passageiro da frente desce e solta-se um cão. O susto foi tremendo. De repente a nossa conversa é sobressaltada pelos latidos e somos quase abocanhados pelos dentes caninos, vindos de dentro de um carro! Não houve palavras nem gestos, apenas espanto. Isso mesmo, fomos atacados por um rafeiro do interior de um carro mas o animal não teve culpa, percebemos claramente que aquilo foi uma provocação. Assim que o semáforo verde cai, o tipo arranca para logo à frente voltar a parar no interior da rotunda. O Pedro e o Nuno surpreendem então o condutor do Mercedes e pedem-lhe explicações por aquela brincadeira de péssimo gosto. Eu sigo com o meu filho a pedalar pelo exterior da rotunda,  para parar um pouco mais à frente e esperar pelos restantes. E é então que o condutor arranca, para inesperadamente e numa atitude cobarde e criminosa, apontar o carro aos dois irmãos, na clara tentativa de os atropelar, e desvia-se no último instante. Instintivamente assumo uma posição defensiva e então torno-me no outro alvo a abater. O agressor acelera e guina na minha direcção, com que intenção ele lá saberá. Não me afasto e em auto-defesa levanto a bicicleta. O cobardolas depois foge com o escape entre as rodas e, ainda que de raspão, acertei-lhe com o pneu da roda dianteira da minha bicla na lata, desaparecendo de vista pela Avenida de França.

Aturdidos com aquela loucura, nós e algumas pessoas que testemunharam tudo, ficamos por alguns minutos tentando perceber o que teria passado pela cabeça do tipo. Felizmente ninguém se magoou, voltei a alinhar a roda da Alteza e, já mais calmos, ao fim de três vãs tentativas para que o 112 nos atendesse a chamada, voltamos a pedalar tranquilamente para casa. Agora e com a cabeça fria dou conta que todo aquele desvario não deixa de ser uma tentativa de homicídio, pois se alguém aponta uma arma a uma pessoa pensando que está descarregada, nem que seja por brincadeira, pode haver uma bala na câmara e ao apertar o gatilho acabar por matar. Mesmo que loucos varridos com um volante nas mãos não tenham neurónios suficientes para perceber que uma brincadeira pode matar, a tentativa de homicídio é clara. E não apenas por dolo, mas por culpa. O veículo é um Mercedes preto (CLS?) com a matrícula 72-BP-58.

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