ciclofilia [49] Summertime

Made in Polland

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“nada muy sofisticado”: Café La Bicicleta

Em Santiago do Chile, foi recentemente criado um novo conceito. Um café! Ou uma loja de bicicletas!? Bem a sério são as duas coisas. O Café La Bicicleta é um espaço distinto na cidade. Fundado pelo casal Romina e Beto, o café junta o conceito do bar, da cultura e da bicicleta. Os fregueses podem, por exemplo, degustar uma sopa enquanto é feita uma revisão à sua bicla por um especialista. Ou, quem sabe, como amigo visitar o espaço para ler um livro ou conhecer gente de diferentes lugares, que se desviam do caminho apenas pelo prazer de ter estado no Café La Bicicleta.

É bué de longe, eu sei, mas para quem queira conhecer o café fica na rua Simon Bolivar, 3742 e funciona de segunda a sábado, das 12h às 21h.

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cortesia a pedais

Com o início do dia é bom ver outros ciclistas ao longo das ruas e ciclovias a desfrutar da liberdade da manhã. É um belo momento do dia, sereno, tranquilo, radioso e com a excepção de um velho hábito para o qual destino as minhas pedaladas matinais, esta mania estranha de ir marcar o ponto, encontro mais madrugadores a pedalar as suas bicicletas numa manhã estranhamente calma de Julho. Eu gosto. E digo estranhamente calma porque com as férias escolares e gente que ainda dorme, muitos carros não saíram das garagens. Não os invejo por isso, bem pelo contrário.

O que não estranho é receber de passagem um sorriso, um aceno, um “olá”. De alguma forma é natural para dois ciclistas que o possam fazer. No percurso para o trabalho, ultrapassar quem se conhece e depois acompanhar a pedalada à conversa. Por conseguinte, o mesmo acontece no ciclismo de estrada onde é natural ouvir uma saudação de “bom dia”, mesmo vinda de estranhos. Às vezes acontece parar para auxiliar um colega ciclista que está parado na berma da estrada, uma cooperação recíproca da irmandade que existe entre a maioria dos ciclistas. E na ciclovia da Foz, onde marés de ciclistas fazem o seu passeio matinal, é frequente cruzar e cumprimentar velhos amigos que pedalam também.

Não estranho, de certa forma, que os automobilistas não se cumprimentem uns aos outros, a menos que sejam camionistas da mesma empresa. E para os peões seria muito incomum para duas pessoas que não se conhecem abrir a boca e trocar saudações alegres. Não me importa se alguém não retribuir a minha saudação. Nem todo mundo é tão agradável.

O ciclismo é sociável. Quando pedalamos na rua, no monte, na estrada, é tão natural ver uma mão aberta, um sorriso, simples acto de cortesia e de simpatia vinda de um outro ciclista. Uma das minhas melhores lembranças da pedalada até Santiago de Compostela foi passar por todas aquelas pequenas vilas e aldeias e cumprimentar todo o peregrino, ciclista ou caminhante. Ouvir e retribuir com um “bom dia, um “bom Camiño”, não só define um tom de simpatia para o resto do dia, como não custa nada. Custa tão pouco ser agradável e acrescenta maior disposição para se enfrentar a jornada. Custa tão pouco ser educado, sorrir e acenar para alguém, num sociável intercâmbio. Um leve aceno, um sorriso, é a afirmação que tudo está bem. Numa fracção de segundos estaremos de volta, concentrados no nosso caminho.

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passe a publicidade [29] A bike called Arnold

“My name is Arnold Bike. I was created by Ad Agency – Arnold Amsterdam as a unique piece to promote the new agency. ” No joke, Arnold ad agency created a nicely curvy red bike called Arnold, that spelled out its own name. Even in Amsterdam, where there’s a million bikes, this bright red bike catches your eye. The team worked with Swiss designer Juri Zaech to create a frame that not only spells the name A-r-n-o-l-d, but is also a functioning bicycle. Throughout the process, the challenge was to engineer a frame which supported the cyclist’s weight, whilst also achieving excellence in typographical design. Sean Thompson, CCO Arnold Amsterdam, said:

“The bike says Arnold, the streets say Amsterdam and the social networks do the rest. It’s advertising in its purest sense. It is both beautifully designed and functional, which pretty much sums up some of the best design this country has to offer”.

The bike was even in Cannes last week, and fans can follow the bike on the Arnold bike website, twitter and the bike even has its own linkedin page, with over 650 connections already… And recommendations, of course. Here’s one from Jorian Murray, Chairman, Arnold Amsterdam:

“I am lucky enough to be a colleague of Arnold Bike and despite his attention-seeking ways I’m a very big fan. He asked me to say a few words so here they are: he is bright (red), creative (a one-off) and well-built. My only criticism is that he never makes the tea.”

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total absurdo

O sentimento anti-bicicleta da sociedade encontra o seu caminho nas mais variadas e disparatadas facetas. Os ciclistas, urbanos e outros, não apenas enfrentam noções preconcebidas e discriminatórias por pedalarem as suas bicicletas nas ruas e estradas, aliás por todo o lado, como até mesmo num consultório médico se pode sofrer uma lesão só por ver por quanto ficou a fractura… ou melhor, a factura!!!

E isso torna-se agudamente evidente quando se lê isto (sim, aquilo ali em cima)! Sob o título “Mais ciclistas, mais acidentes”, a capa de ontem do Diário Oficial do Estado de São Paulo destacava a foto de um ciclista e a frase: “Especialista do HC (Hospital das Clínicas)  recomenda não usar a bike no trânsito, mas sim em parques públicos e ciclovias”.

O que lá vem transcrito é nada mais do que a opinião de apenas um ortopedista, o senhor Jorge dos Santos Silva chefe do grupo de trauma ortopédico do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas. Mesmo sendo a opinião dessa pessoa, à qual tem o direito livre de opinar, a partir do momento em que é publicado por um órgão oficial, no caso do governo do Estado de São Paulo, se responsabiliza por publicação de tal matéria.

Segundo o tal chefe de ortopedia, o aumento de acidentes nos últimos anos ocorre porque há mais ciclistas nas ruas e a cidade de São Paulo tem pouca estrutura para uso de bicicleta como alternativa de transporte. Depois recomenda: “Para não colocar a vida de quem pedala em risco, recomendo não usar a bike no trânsito de São Paulo. É uma opção segura de lazer em cidades menores, parques públicos e em ciclovias instaladas na capital, aos domingos”.

Então, quer dizer, o xôtor baseia a sua observação, estabelecendo uma relação causa/efeito, isto é, acidente rodoviário/lesão traumática, como consequência do ciclista nas rua! Daquilo que julga ser ” uma epidemia”, o aumento de utilizadores regulares de bicicleta nas ruas da cidade. Avalia depois os dados da sua prática assistencial mas inverte o ónus da responsabilidade. Para ele é o ciclista que deve ser retirado das ruas, tanto para assegurar a sua integridade física como para reduzir os acidentes. Não é o automobilista que deve ter o pressuposto da prudência e a tolerância em conviver com o ciclista: “saiba como não fazer parte dessa estatística”.

Em virtude das acesas reacções geradas por essa publicação, a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde, responsável pelo texto, informou que a opinião do médico não representa a opinião desse órgão governamental. Em nota, o Governo do Estado de São Paulo informou que “é absolutamente favorável à ampliação do uso de bicicletas na capital e em todo o Estado, não só para lazer como também para trabalho. Trata-se de meio de transporte não poluente e que traz qualidade de vida às pessoas.” Informou ainda que tem feito esforços para melhorar “a oferta deste tipo de transporte à população”.

Mesmo assim é difícil entender como se permite a publicação dessa reportagem, onde o teor beira mesmo o terrorismo, com dizeres do calibre: “não seja a próxima vítima“, ou “Muitas vezes, os ciclistas são atingidos por automóveis ou por ônibus, o que torna comum a ocorrência de politraumatismos“. O leitor não sabe quem são essas pessoas, sejam elas experientes ciclistas ou automobilistas, responsáveis pelos acidentes. Nem se essa ocorrência é um acaso ou uma tendência. E não é porque esse médico tirou as suas conclusões, as quais acabaram escarrapachadas num artigo oficial, que se lhe deve dar todo o crédito.

Estranhamente, como médico e ortopedista, ignora mencionar os benefícios de saúde do ciclismo e desaconselha os paulistanos a pedalar. Mas a evidência mais anedótica do artigo é quando “a Secretaria de estado da Saúde informa que, no ano passado, 3.4 mil pessoas foram internadas pelo Sistema Único de Saúde paulista, gerando custo de R$ 3,25 milhões à administração estadual.”! Acho que aqui está tudo dito, pois afinal quer se tratar o mal pela raiz. O ciclista é que é o grande causador dos prejuízos advindos dos acidentes rodoviários ocorridos na cidade de São Paulo!!!

Felizmente, para o mundo, que a maioria das cabeças pensadoras não tira conclusões precipitadas. Sabe destrinçar o trigo do joio, a segurança e os benefícios de actividades específicas sobre a responsabilidade e causa dos acidentes. Não recomendam a eliminação deste benéfico e agradável estilo de vida com base em números economicistas nem no pressuposto que o ciclista é o causador de todos os males. Melhor se fosse!

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fotocycle [33] exposição

saindo da parede

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o Bairro das Artes Circuit

Há a Foz, a Casa da Música, há Serralves, o Parque da Cidade, a Ribeira, mas o Porto tem muito mais para oferecer. É na mistura dos tempos que esta cidade me inspira, ou melhor, se inspira. É nos bairros que respira a gente que ali habita e que faz sentir a quem as visita quase como se sentisse em casa. É nas ruas da cidade que se vive o pulsar do Porto.

Uma dessas ruas é Miguel Bombarda, arruamento com história que ganhou notoriedade quando os marchands começaram a localizar ali as suas actividades. A zona circundante já é conhecida pelas suas galerias de arte e lojas alternativas, especialmente em alturas de “Inaugurações simultâneas”. Na Rua do Rosário há outras coisas que complementam a oferta cultural. Há pensões e restaurantes típicos para quando aperta a fome, comércio tradicional, espaços mais ou menos alternativos e multifuncionais, para os mais variados gostos e preços. Dali até à Rua de Cedofeita é um pulinho e nem dá para agora descrever o bulício que ali se vive. E ainda temos a Rua do Breyner, da Maternidade, e o Largo da Maternidade, Adolfo Casais Monteiro, da Boa Nova, D. Manuel II e tudo o que este quarteirão esconde e que ainda está por descobrir.

O ambicioso projecto Bairro das Artes Circuit existe desde Janeiro mas é ainda uma novidade para os tripeiros. É um projecto comunitário para unir e dinamizar a zona envolvente a Miguel Bombarda, o Quarteirão das Artes, onde todos os dias há algo a acontecer. Design, cursos, aulas, oficinas, exposições, visitas guiadas, sons e música, saúde e bem-estar e até mesmo um circuito infantil.

Ontem à noite, pedalávamos junto ao Largo da Maternidade quando eu e o Ricardo fomos atraídos pelo som de boa música. Parámos e ficamos largos minutos a escutar os acordes bem afinados da banda e a conhecer melhor o projecto.

O Bairro das Artes Circuit pretende unir três públicos: os “bairrões” que residem na área, os “bairristas” que lá trabalham e exibem as suas obras, e os visitantes. São quase 50 os “bairristas”que se associaram e ajudam a manter o projecto de pé, ganhando com isso publicidade e novos clientes. Esta colaboração leva ao “conceito de nova aldeia na 2.ª cidade do país”, pretendido pela organização.

Luciano Amarelo, da Associação Terra na Boca, explica como surgiu a ideia de animar o chamado Quarteirão das Artes. “Olhei e constatei que isto era conhecido, mas não se percebe bem o que é. É o Soho do Porto? Existe um potencial que está desorganizado”.

Entre actividades gratuitas e outras pagas, o circuito é uma montra turística aberta ao mundo, com um grande potencial. Une-se a eventos já existentes, como as “Inaugurações simultâneas”, e tenta-se criar uma agenda de eventos conjunta que se cruza com a oferta adequada à procura do público. O Quarteirão ganhou animação e tem, este mês, mais motivos para ser visitado.

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gatos vadios pela noite Imbicta

2ª Alley Cat Racing Rats Crew – Porto

O vídeo foi feito com o apoio da Concept View, com a cinematografia do António Morais e realização e edição de Arlindo Cid.

Apoios da fabulosa Velo Culture PortoPolo & Bike, Menino &Moça, Le Coq Sportif, Lucky Bastërds e etc, etc…

(copypasteado às claras do blogue de Mister Sérgio)

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fotocycle [32] solar bike

Photo credit: Barbara Walton / EPA

A school teacher named Aung Pee, age 56, rides his solar-powered and battery-powered bicycle to school in Twortay township, Myanmar, on July 9, 2012.

hungeree.com

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quem tem medo compra um cão

Maciej Dakowicz photopraphy

Para além de uma certa perícia, pedalar exige bastante equilíbrio. A partir do momento que se fizer da prática uma constante, toda a gente é capaz de adquirir a habilidade necessária para andar de bicicleta. Ou seja, quanto mais pedalar, mais equilíbrio, mais perícia, mais confiança se vai ganhando. Como tudo na vida é um processo evolutivo. As dificuldades iniciais deixarão de existir principalmente de houver insistência e dedicação.

Na prática do ciclismo ter uma queda é normal. Não existe nenhum ciclista, do menos ao mais experiente, que não tenha dado um trambolhão. Ou por insegurança, falta de sorte ou excesso de ousadia, todos já caíram. A insegurança e o medo são factores bloqueadores. Quando dominada pelo medo, a pessoa tende a não raciocinar correctamente, fica insegura e não consegue fazer os movimentos correctos. Para perder o medo e se sentir mais seguro é necessário enfrentar esse medo e praticar. Em local tranquilo, onde ciclistas não compartilham a rua com veículos, com o auxílio de alguém mais experiente, vai-se ganhando auto-confiança. Adquire-se o respeito pela bicicleta, noções e conhecimento das técnicas do pedal: como e quando travar, como trocar de mudanças, saber virar com segurança, etc.

A bicicleta não morde, é nossa amiga. Uma vez sentado no selim, a bicicleta torna-se a extensão do nosso corpo e com ela formamos um conjunto cadenciado. De início não pretenda dominá-la, use apenas o movimento correcto do corpo para ficar em harmonia com a máquina. Muitas vezes o medo advém do meio e trânsito circundantes, dos obstáculos, das descidas… À partida, a bicicleta está preparada para ultrapassar sem dificuldades a maioria desses obstáculos. Portanto, a partir do momento em que pedale sem receios por locais calmos, com um sentimento de segurança e confiança, vai controlar melhor a bicicleta, permitindo que faça o seu percurso livremente.

Por exemplo, na minha mais recente aventura radical no bêtêtismo, confesso que a certa altura fui dominado pelo medo e, em resultado disso, dei um valente trambolhão, felizmente sem consequências para além do valente susto e de uns arranhões. Talvez pelo cansaço acumulado e certamente pela falta de traquejo, apavorei-me com a derradeira descida, por sinal a única com a sinalética de perigo. Com uma inclinação brutal, bastantes buracos e pedra solta, apoderou-se de mim o pavor repentino de cair e precisamente pelo facto de estar a descer e sempre a travar, caí que nem um tordo.

Do lado oposto ao medo e à insegurança está exactamente o excesso de confiança e a negligência. Na medida em que cresce a autoconfiança, em que achamos que já dominamos a bicla, existe a tendência de nos tornarmos confiantes em demasia, sendo até negligentes. Lembro que na minha juventude a razão de muitas quedas que tive foi precisamente pela extrema falta de cuidado e arriscar em demasia. Não há nada mais delicioso do que descer a toda a velocidade. O vento na cara, a adrenalina, o coração disparado, o prazer e a sensação de poder que a bicicleta nos dá. É, tudo isso é muito bonito, mas certamente que as probabilidades de termos um acidente são proporcionais ao risco, embora haja ocasiões em que é o factor imprevisibilidade que nos deita ao chão. Mas que diacho, para isso também não saíamos de casa, não é mesmo!

Apesar das nódoas negras e dos arranhões, o ciclismo trás muitos benefícios. Seja em que estágio se estiver, é importante saber que a bicicleta é um meio de conhecer e dominar os nossos receios. Por vezes são memórias desagradáveis da infância que causam o pavor à bicicleta. Nas competições de ciclismo, como o Tour de France, vemos acidentes durante as corridas, desagradáveis às vezes, mas esses são ciclistas profissionais, que pedalam praticamente encostados uns aos outros, a alta velocidade e por descidas íngremes. Essas ocorrências não devem contribuir para que as pessoas se deixem dominar e ampliem o seu receio em andar de bicicleta.  Substituindo os sentimentos negativos pelos sentimentos positivos, temos o poder e a capacidade de decidir o que fazer com as nossas fobias. A decisão é somente nossa. Como dizia o meu avô, “quem tem medo compra um cão”…

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