teaser – Flèche Minho

Flèche Minho

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textos de Marcos Paulo Schlickmann [24] LUTI (5): Transit Oriented Development

TOD (Transit Oriented Development ou Desenvolvimento Orientado ao Transporte Público) constitui um conjunto de conceitos que visam a ocupação do solo em torno de uma estação ou corredor de transporte público (geralmente de sistemas com média ou alta capacidade, como BRTs, VLTs e metros/metrôs). A sigla TOD é recente (anos 90), porém a lógica de usar o transporte público para orientar os usos do solo é antiga (fim do século XIX). Alguns exemplos interessantes são planos de reconstrução e expansão de cidades europeias depois da Segunda guerra, entre eles o “Finger Plan” de Copenhaga (Dinamarca).

Figura 1: Copenhaga. Fonte: http://goo.gl/9o2QUB

Figura 1: Copenhaga.
Fonte: http://goo.gl/9o2QUB

Portanto os desenvolvimentos urbanos junto aos corredores mas principalmente junto às estações de transporte público, que ali nascem devido ao benefício da maior acessibilidade trazida pelo sistema de transporte, podem ser enquadrados como TOD. Um típico arranjo TOD tem uma estação ferroviária ou BRT no centro, rodeada por edifícios de uso misto e de média a alta densidade, espalhados em torno de 1 a 1,5 km, distâncias facilmente percorridas a pé ou de bicicleta1. O conceito de “Vila Urbana” é a solução mais comum de TOD2,3.

Figura 2 – Um exemplo teórico de uma Vila Urbana. Fonte: 3 – BRT Planning Guide

Figura 2 – Um exemplo teórico de uma Vila Urbana.
Fonte: 3 – BRT Planning Guide

As principais características que podem integrar um plano TOD são1,4,5:

– Densidade: O transporte público trabalha melhor em ambientes urbanos com maior densidade. A densidade cria uma economia de escala, aumentando o IPK, índice de passageiros por quilómetro. Maior densidade populacional e de emprego próximo das estações pode trazer mais passageiros, diminuir os tempos de viagem e os custos de viagem, permitindo que pessoas façam outras coisas ao invés de dirigir ou usar o transporte público5.

– Uso misto: Misturando usos mistos compatíveis pode melhorar as amenidades dos bairros, reduzir os tempos de viagem, custos e poluição, pois permite um maior uso da bicicleta e do andar a pé1, devido à proximidade das origens e destinos. Para o desenho das redes de transporte público, é muito mais financeiramente sustentável ter origens (casas e apartamentos) e destinos (empresas e escolas) misturados pela cidade. Isto ajuda a evitar picos de demanda/procura numa direção de manhã e outro pico na direção contrária a noite, criando um distribuição multidirecional da demanda, facilitando a gestão das frotas e motoristas5.

– Outras características importantes que podem fazer parte de planos TOD são: Boas infraestruturas para pedestres e ciclistas; prédios com entradas recetivas aos pedestres (sem muros e estacionamento frontal); medidas de acalmia de tráfego; boa gestão dos estacionamentos e carga e descarga.

Os esquemas TOD podem trazer muitos benefícios para a cidade, aumentando o uso do transporte público, diminuindo a poluição e o consumo de petróleo, melhorando a saúde das pessoas e a economia local. Cabe aos municípios a decisão de apoiar este tipo de desenvolvimento ou continuar num desenvolvimento que acaba por incentivar e subsidiar o uso do automóvel. Mesmo quando o município não promove os usos junto ao transporte público, os esquemas tipo TOD acabam sempre por aparecer, pois os benefícios da acessibilidade trazidos pelo transporte público de média e alta capacidade são substanciais, principalmente em meios urbanos congestionados.

No Brasil há um exemplo interessante que pode ser considerado TOD. É o sistema trinário de vias6 de Curitiba, que foi implantado junto com o sistema de corredores BRT da cidade iniciado em 1974, ainda hoje uma referência mundial:

Figura 3 - Curitiba.  Fonte: Própria

Figura 3 – Curitiba.
Fonte: Própria

Figura 4 - Curitiba.  Fonte: Própria

Figura 4 – Curitiba.
Fonte: Própria

Referências:

  1. Litman, T. (2012). Land Use Impacts on Transport.
  2. Litman, T. (2012). Online TDM Encyclopedia – Transit Oriented Development.
  3. Wright, L., and Hook, W. (2007). ITDP | Bus Rapid Transit Planning Guide.
  4. Meyer, M.D., and Miller, E.J. (2001). Urban Transportation Planning: A Decision-Oriented Approach (McGraw-Hill Higher Education).
  5. Petersen, R. (2004). Land Use Planning and Urban Transport.
  6. http://cleanairinstitute.org/download/curso_gdt/clinica/jose_twardowsky_curitiba.pdf

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P.S:: Estou aberto a sugestões para próximos textos. Caso os leitores queiram posso abordar questões específicas relativas aos transportes de passageiros, temas atuais ou antigos, ou simplesmente explicar alguns conceitos.

 

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das “acções pedagógicas”

Deixando baixar um pouco a poeira, acorrento agora a minha bicla ao poste e opino sobre a tal operação que a Polícia de Segurança Pública realizou, pela primeira vez em todo o país, direccionada aos peões e ciclistas como uma acção pedagógica. A PSP considera que é necessário informar e sensibilizar para as novas alterações ao Código da Estrada, que entrou em vigor no início deste ano, com o objectivo de diminuir o número de acidentes.

pedalar em segurança jpg

Nos dados avançados sobre a operação “Pedalar em Segurança”, mais de 11.000 condutores de automóveis, motos e bicicletas foram fiscalizados em três dias. A PSP fiscalizou 2169 bicicletas, destacando-se que 22 ciclistas não tinham documentos de identificação (BI/CC), 13 foram identificados por desobedecerem ao sinal encarnado dos semáforos, um por conduzir a bicicleta sem as mãos no guiador e outro por circular em paralelo com mais do que uma bicicleta. Pondo de parte os cidadãos que não tinham os respectivos documentos de identificação  (dever obrigatório dos cidadãos), quer isto dizer então que no universo dos autuados apenas 0,7% “condutores” de bicicletas foram “apanhados” em desrespeito às regras. Dos automobilistas multados, o número e tipo de infracções registados infelizmente não me surpreende, continuando no topo a condução sob a influência do álcool.

Os próprios automobilistas admitem que um dos principais problemas da insegurança rodoviária não é exactamente o comportamento dos ciclistas. É a velocidade dos carros. Circulando por algumas ruas das nossas cidades, verifica-se constantemente a flagrante violação às regras por parte dos automobilistas. A partilha da rua com a bicicleta e a consequente acalmia de tráfego são duas condições essenciais para circular em segurança. Um inconveniente do mesmo patamar para quem usa a bicicleta como veículo de transporte, a imprescindível salvaguarda da vida, de todos, principalmente dos elementos mais vulneráveis no asfalto.

“A chegada do bom tempo, convida a comunidade a fazer-se à estrada com a bicicleta e nesse aumento expetável de bicicletas, aumentaremos igualmente a nossa visibilidade nas principais artérias a percorrer pelos ciclistas. É nesse sentido que intensificaremos ao longo de 2014, com o empenho das nossas equipas velocipédicas, este tipo de operações em todo o País.” anuncia a PSP. Pois bem, A acalmia de tráfego pode ser entendida como um conjunto de estratégias para abrandar os efeitos negativos do trânsito e, por conseguinte, criar um ambiente seguro e agradável para todos. A polícia, tanto a PSP como a GNR, deveria direccionar sobretudo as suas “acções pedagógicas” aos excessos dos automobilistas, ao excesso de velocidade especialmente nos centros urbanos, e coagi-los a conduzir os seus veículos de maneira mais lenta e prudente, bem como acentuar a fiscalização na constante violação das regras.

O Código da Estrada define a bicicleta como veículo e confere ao seu utilizador várias normas a respeitar. Não pode pedalar nos passeios, ganha direitos e tem deveres para circular na via. A ausência de ciclovias e ciclofaixas em vias de tráfego intenso e frenético, a falta de redes cicloviárias articuladas ou infra-estruturas cicloviárias, leva a que alguns ciclistas insistam em desrespeitar algumas dessas regras. Daí, uma das cenas que mais vemos são ciclistas que pedalam nos passeios. Questão de segurança? Para mim é claro! Por exemplo, muitas das ruas do Porto como são estreitas e o ciclista não se sente seguro em transitar no centro da via, é arriscado transitar na berma e como tal refugia-se no passeio.

Para além da velocidade dos carros, um dos principais problemas para os ciclistas é o incumprimento da distância de segurança na passagem/ultrapassagem. Deixar de guardar a distância lateral de um metro e meio ao passar ou ultrapassar uma bicicleta é infracção sujeita a multa. Deixar de reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança do trânsito e mesmo assim proceder à manobra de ultrapassagem é infracção grave. Um desequilíbrio qualquer, a deslocação de ar produzida pelos carros ou uma ultrapassagem mal efectuada pode levar ao acidente.

Desprovida do ar hostil que envolve o carro, a bicicleta é utilizada no mundo inteiro, sendo em alguns locais a sua utilização valida para implementar a acalmia de tráfego. Em algumas metrópoles usa-se a figura simpática da bicicleta e a sua promoção para justificar a aplicação das regras e a diminuição da velocidade. Como sustentar a limitação de velocidade e respeito mútuo rodoviário na nossa cidade? Com certeza que é com estas e outras acções pedagógicas, aplicando o respeito das regras aos automobilistas, mas também no seio da própria corporação!

Adenda: “ai esses indisciplinados ciclistas ou do, como virar o bico ao prego!!!”

Depois das “acções pedagógicas” da polícia ao ciclista, diversas são as fontes notícias que, como esta no Diário As Beiras da senhora jornalista Bárbara Jorge, só demonstram a falta de ética de um jornalismo tendencioso e falso.

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passe a publicidade [61] Презентация “Class Bike”

à parte da pedalada nos passeios, tem classe…

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pela sua rica saúde

pedalar acompanhado

O simples facto de mexer as pernas, dar um passeio a pedais com os filhos, uma volta pelo bairro para ir às compras, pedalar diariamente para o local de trabalho, é um excelente tónico que nos melhora a capacidade física, liberta a mente e nos dá saúde. Com o acréscimo da sedentarização devido ao estilo de vida automatizado, das escadas rolantes, dos elevadores, dos automóveis, o ser humano amoleceu, relaxou e acomodou-se. Não importa se gordas ou magras, as pessoas andam enfraquecidas. Arfam por subir um simples lanço de escadas, dar umas passadas mais largas para atravessar a rua ou uma corridinha atrás do autocarro.

João Correia

 Um ciclista rotineiro sobe uma escada, salta um par degraus sem dificuldade porque umas simples voltinhas diárias na bicicleta lhe dão capacidade física, pulmão e coração mais fortes. As pessoas que andam regularmente de bicicleta poupam muitas visitas ao médico. Na saúde, os benefícios das pedaladas são imensos: pedalar regularmente não só queima calorias como melhora a capacidade respiratória, diminui o colesterol e a pressão arterial, previne doenças cardíacas e doenças crónicas, como a diabetes e a hipertensão, activa a circulação sanguínea, auxilia o emagrecimento, atenua o stress e as tensões. O prazer proporcionado pela bicicleta contribui para a sensação de bem-estar. Proporcionando a sustentação do corpo através de uma postura correcta, a bicicleta ajuda a fortalecer o abdómen, fortalece e define os músculos, deixa as pernas e o rabo tonificadinhos.

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fotocycle [125] moving

moving… in the cardoom 😛

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textos de Marcos Paulo Schlickmann [23] LUTI (4): Impactos dos transportes nos usos do solo

A questão da relação entre os usos do solo e os transportes se assemelha ao problema do ovo ou da galinha. Quem “nasceu” primeiro? Ou, quem realmente é produto de quem? Os transportes influenciam e moldam a ocupação do solo ou a ocupação do solo molda os transportes?

Esta pergunta não tem uma resposta simples. O desenvolvimento dos bairros, cidades e países teve a participação de diversos atores em momentos de escassez e de fartura. Decisões públicas e privadas boas e más levaram com que muitos fatores influenciassem a ocupação do solo, o desenho das redes de transporte e das demais redes de comunicação e utilidades. Para ilustrar quão importante um recurso (pois o transporte também é um recurso) pode influenciar fortemente as decisões de localização, que por consequência moldam as cidades, veja o mapa do Egito com sua densidade populacional.

Figura 1 - Egito: Densidade Populacional 2010 (hab/mi2). Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Egypt_2010_population_density1.pngl

Figura 1 – Egito: Densidade Populacional 2010 (hab/mi2).
Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Egypt_2010_population_density1.pngl

Este mapa não tem nada a ver com a teoria LUTI mas ao mesmo tempo tem tudo a ver! O principal motivo para esta ocupação singular e invulgar do território egípcio se dá pela necessidade de se estar perto da principal fonte de água no interior, o rio Nilo! Afinal acho que o verdadeiro ciclo a ser estudado não é Interação Uso do Solo e Transportes mas sim interação Uso do Solo e Água. O mais incrível disso tudo é que, em pleno século XXI, com todo a tecnologia disponível os egípcios preferem ainda viver junto ao Nilo, exatamente como seus antepassados faziam.

Os sistemas de transporte podem ter impactos positivos ou negativos nos usos do solo.

Como impactos negativos podemos citar principalmente a degradação física, visual e a poluição sonora e do ar causada pelos corredores de transporte. Porém o impacto mais sentido é o chamado Efeito Barreira. O efeito barreira faz exatamente o que o nome diz: cria uma barreira real, que impede a passagem de pedestres e outros veículos, ou virtual, que não impede propriamente a passagem mas traz considerável desconforto. No Brasil há dois exemplos muito conhecidos desse efeito e suas consequências desastrosas nos edifícios lindeiros: O Minhocão em São Paulo e a Perimetral no Rio de Janeiro que está finalmente a ser desmantelada. Em Portugal o caso que mais me chama atenção é a linha de trem/comboio ao longo do Rio Tejo em Lisboa, um efeito barreira que prejudica substancialmente a mobilidade suave naquela zona.

O intenso tráfego automóvel também cria um efeito barreira, impedindo o atravessamento natural de uma rua e as relações de proximidade e vizinhança.

Figura 2 - Minhocão em São Paulo. Fonte: GoogleEarth

Figura 2 – Minhocão em São Paulo.
Fonte: GoogleEarth

Figura 3 - Florença (Itália) …  Fonte: GoogleEarth

Figura 3 – Florença (Itália) …
Fonte: GoogleEarth

Figura 4 - e Atlanta (EUA). As duas figuras estão na mesma escala.  Fonte: GoogleEarth

Figura 4 – e Atlanta (EUA). As duas figuras estão na mesma escala.
Fonte: GoogleEarth

Os positivos geralmente são aumento do valor das propriedades, densificação e atração de comércios e serviços. Estes impactos acontecem maioritariamente a volta das estações de transporte público ou em torno das saídas de autoestradas, e podem variar bastante de acordo com as características do sistema, padrões de ocupação urbana e o comportamento das pessoas, suas vontades e preferências. No entanto é historicamente associado que sistemas ferroviários atraem mais desenvolvimento, devido à “sensação de permanência” que eles trazem. Diferente de um sistema de ônibus/autocarro, mais flexível e de menor capacidade, o ferroviário é “mais fixo”, principalmente se for enterrado. Este é um dos motivos que, a meu ver, os planos diretores devem incentivar a construção de habitação e trabalho junto às estações, para aumentar o volume de passageiros e por consequência diminuir os subsídios, pois o sistema não vai sair dali, logo seu uso deve ser otimizado.

No próximo texto irei falar sobre TOD: Transit Oriented Develpment, ou Desenvolvimento orientado pelo transporte público. Vou apresentar alguns projetos conjugados de uso do solo e transportes que conseguiram trazer desenvolvimento a volta ou mesmo dentro das estações e também manter bons volumes de passageiros nos sistemas de transporte.

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the mythbusters

Daniel Marques, & irmão, produziram este excelente vídeo para um concurso do Banco Mundial sobre sustentabilidade ambiental. O tema escolhido foi a vantagem de usar a bicicleta num meio urbano. Filmado no Porto.

“As the global impact of climate change is escalating and we are starting to feel the effects in our own backyard, we must start to act locally. So what can you do to help our planet?”

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velo love

via megastore: “O homem que não tem um nome com três letras e a sua senhora protagonizam um momento de amor louco em bicicleta na foto de capa da página do FB da Câmara Municipal do Porto.

foto CMP Sérgio e sua senhora

“O Dia Nacional dos Centros Históricos foi comemorado no passado sábado no Porto. A Câmara Municipal e a Porto Lazer prepararam festa um pouco por todo o lado, com especial incidência nas renovadas ruas do Centro Histórico, atraindo milhares de pessoas. A política de animação da baixa do Porto vai prosseguir numa estratégia de dinamização do comércio local e estímulo à reabilitação urbana. — em Rua Das Flores.”

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what it looks like, Anselmo Custer

brincadeira do dia dos enganos…

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