das “acções pedagógicas”

Deixando baixar um pouco a poeira, acorrento agora a minha bicla ao poste e opino sobre a tal operação que a Polícia de Segurança Pública realizou, pela primeira vez em todo o país, direccionada aos peões e ciclistas como uma acção pedagógica. A PSP considera que é necessário informar e sensibilizar para as novas alterações ao Código da Estrada, que entrou em vigor no início deste ano, com o objectivo de diminuir o número de acidentes.

pedalar em segurança jpg

Nos dados avançados sobre a operação “Pedalar em Segurança”, mais de 11.000 condutores de automóveis, motos e bicicletas foram fiscalizados em três dias. A PSP fiscalizou 2169 bicicletas, destacando-se que 22 ciclistas não tinham documentos de identificação (BI/CC), 13 foram identificados por desobedecerem ao sinal encarnado dos semáforos, um por conduzir a bicicleta sem as mãos no guiador e outro por circular em paralelo com mais do que uma bicicleta. Pondo de parte os cidadãos que não tinham os respectivos documentos de identificação  (dever obrigatório dos cidadãos), quer isto dizer então que no universo dos autuados apenas 0,7% “condutores” de bicicletas foram “apanhados” em desrespeito às regras. Dos automobilistas multados, o número e tipo de infracções registados infelizmente não me surpreende, continuando no topo a condução sob a influência do álcool.

Os próprios automobilistas admitem que um dos principais problemas da insegurança rodoviária não é exactamente o comportamento dos ciclistas. É a velocidade dos carros. Circulando por algumas ruas das nossas cidades, verifica-se constantemente a flagrante violação às regras por parte dos automobilistas. A partilha da rua com a bicicleta e a consequente acalmia de tráfego são duas condições essenciais para circular em segurança. Um inconveniente do mesmo patamar para quem usa a bicicleta como veículo de transporte, a imprescindível salvaguarda da vida, de todos, principalmente dos elementos mais vulneráveis no asfalto.

“A chegada do bom tempo, convida a comunidade a fazer-se à estrada com a bicicleta e nesse aumento expetável de bicicletas, aumentaremos igualmente a nossa visibilidade nas principais artérias a percorrer pelos ciclistas. É nesse sentido que intensificaremos ao longo de 2014, com o empenho das nossas equipas velocipédicas, este tipo de operações em todo o País.” anuncia a PSP. Pois bem, A acalmia de tráfego pode ser entendida como um conjunto de estratégias para abrandar os efeitos negativos do trânsito e, por conseguinte, criar um ambiente seguro e agradável para todos. A polícia, tanto a PSP como a GNR, deveria direccionar sobretudo as suas “acções pedagógicas” aos excessos dos automobilistas, ao excesso de velocidade especialmente nos centros urbanos, e coagi-los a conduzir os seus veículos de maneira mais lenta e prudente, bem como acentuar a fiscalização na constante violação das regras.

O Código da Estrada define a bicicleta como veículo e confere ao seu utilizador várias normas a respeitar. Não pode pedalar nos passeios, ganha direitos e tem deveres para circular na via. A ausência de ciclovias e ciclofaixas em vias de tráfego intenso e frenético, a falta de redes cicloviárias articuladas ou infra-estruturas cicloviárias, leva a que alguns ciclistas insistam em desrespeitar algumas dessas regras. Daí, uma das cenas que mais vemos são ciclistas que pedalam nos passeios. Questão de segurança? Para mim é claro! Por exemplo, muitas das ruas do Porto como são estreitas e o ciclista não se sente seguro em transitar no centro da via, é arriscado transitar na berma e como tal refugia-se no passeio.

Para além da velocidade dos carros, um dos principais problemas para os ciclistas é o incumprimento da distância de segurança na passagem/ultrapassagem. Deixar de guardar a distância lateral de um metro e meio ao passar ou ultrapassar uma bicicleta é infracção sujeita a multa. Deixar de reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança do trânsito e mesmo assim proceder à manobra de ultrapassagem é infracção grave. Um desequilíbrio qualquer, a deslocação de ar produzida pelos carros ou uma ultrapassagem mal efectuada pode levar ao acidente.

Desprovida do ar hostil que envolve o carro, a bicicleta é utilizada no mundo inteiro, sendo em alguns locais a sua utilização valida para implementar a acalmia de tráfego. Em algumas metrópoles usa-se a figura simpática da bicicleta e a sua promoção para justificar a aplicação das regras e a diminuição da velocidade. Como sustentar a limitação de velocidade e respeito mútuo rodoviário na nossa cidade? Com certeza que é com estas e outras acções pedagógicas, aplicando o respeito das regras aos automobilistas, mas também no seio da própria corporação!

Adenda: “ai esses indisciplinados ciclistas ou do, como virar o bico ao prego!!!”

Depois das “acções pedagógicas” da polícia ao ciclista, diversas são as fontes notícias que, como esta no Diário As Beiras da senhora jornalista Bárbara Jorge, só demonstram a falta de ética de um jornalismo tendencioso e falso.

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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Uma resposta a das “acções pedagógicas”

apenas pedalar ao nosso ritmo.

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