can’t miss [137] ciclaveiro.wordpress.com

Pedalar por uma cidade mais feliz

Ciclaveiro

por Joana Ivónia (Artigo originalmente publicado no Diário de Aveiro de 25/06/2015)

“A bicicleta faz parte da cultura da região de Aveiro, sendo porém também verdade que essa característica se foi desvanecendo ao longo do tempo, muito devido à adopção do automóvel particular, originando uma redução da circulação de bicicletas. Mas o facto é que, na região de Aveiro, ainda é difícil encontrar alguém que não saiba andar de bicicleta ou que não tenha uma ou mais bicicletas na garagem, no arrumo ou na casa do vizinho.

Desde a sua primeira edição, o Relatório da Felicidade Mundial tem vindo a reforçar a importância do bem estar e da felicidade como indicadores fundamentais para o desenvolvimento económico e social, considerando serem estes os indicadores de maior relevância para a implementação de políticas que conduzam nesse sentido. Dados recentes indicam, ainda, um aumento na qualidade de vida e de bem estar dentro de comunidades que são mais próximas, ativas e colaborativas.”…

(podes continuar a ler este artigo e ficar a conhecer mais um interessante espaço em ciclaveiro.wordpress.com)

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fotocycle [166] bronzeador…

toalha bronzeador e bicicleta

Estamos em pleno Verão, o sol aquece os corpos sedentos de vitamina D e o calor convida uma ida até à praia… Então, porque não, levar a bicla a banhos também!? Aproveitando o tema, deixo algumas dicas para pedalares sob o calor:

A hidratação é fundamental. A ingestão de água durante a pedalada mantém a frescura corporal e substitui o que se perdeu na transpiração e respiração.

O uso de roupas leves, de cores claras, ou até das do tipo que retardem a transpiração, vão ajudar a manter o corpo fresco. Arregaçar as mangas, tirar a gravata e abrir um botão à camisa também vai ajudar. Um chapéu na tola é um item a considerar.

Evita levar mochilas às costas. O passeio será mais agradável se as costas e os ombros estiverem livres do peso excessivo. Transportar a toalha, chinelos, o protector solar num cesto, no porta-couves ou em alforges, é o ideal.

Vai sem pressas. Diminui a velocidade e mantém uma pedalada a baixo ritmo, principalmente nas subidas onde o esforço pode ser elevado e a brisa quase nenhuma. Vais chegar lá quase ao mesmo tempo.

Dá tempo para te refrescares. A transpiração continua mesmo depois de terminar a pedalada. Na verdade vai intensificar-se sem a brisa natural da deslocação. Após o passeio, procura um local fresco e tem calma por alguns minutos. Isso vai ajudar a diminuir a transpiração.

Boas pedaladas e boa praia.

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bonne route…

No momento em que sair este postal, 12 audazes ciclotugas (10 da Associação Randonneurs de Portugal)  estarão já a dar ao pedal pelas curvas e contracurvas, subidas e descidas, das routes francesas na mítica Paris-Brest-Paris.

ciclotugas no PBP 2015

O depart do Paris-Brest-Paris (PBP) foi dado ontem, 16 de Agosto de 2015. Pela 22ª vez (18ª edição sob a batuta do Audax Club Parisien, ACP), cerca de 5.000 homens e mulheres de todo o mundo, sem profissionais à mistura, calcaram o pedal e deram ontem início à aventura no velódromo de Saint-Quentin-en-Yvelines em Paris, no rasto das rodas dos pioneiros. Todos eles tiveram anteriormente de completar passeios de 200, 300, 400 e 600 kms. Todos eles pedalam em direcção a Brest, uma cidade na ponta ocidental da Bretanha, todos eles darão a volta e regressarão ao ponto de partida a fim de completar o brevet, como é conhecido, o passeio de bicicletas mais famoso do mundo. Uns singelos 1,200 e picos km’s num tempo máximo de 90 horas.

PBP

Desde a 1ª aventura em 1891 que muita coisa mudou. As bicicletas, as estradas, o avanço tecnológico, mas o espírito, a ousadia, a resistência destes loucos aventureiros e a versatilidade da bicicleta, qualquer que ela seja, manteve-se sempre presente. À época, o jornalista e inveterado ciclista Pierre Giffard reconheceu potencial em tão novel criação e viu ali uma demonstração impressionante do desempenho e do alcance do homem. Deve-se ter em mente que a bicicleta tinha acabado de ser inventada, na forma como a conhecemos actualmente. Giffard formulou então a ideia de uma competição, no uso de uma bicicleta, ir de Paris com destino a Brest e voltar a Paris. O PBP não seria somente uma corrida, mas principalmente uma competição de superioridade, habilidade e resistência. Os médicos da época eram de acordo em que isso não seria possível. Muitos outros condenavam a ideia e achavam que era pura loucura. Poderia um homem realizar apenas por meio da sua força muscular tal acto heróico?! Apesar dessas incertezas e vozes do contra, o PBP começou com muitos aventureiros, exceptuando os estrangeiros e as mulheres.

Le Petit Journal

De modo que, em 6 de Setembro de 1891, 207 ciclistas profissionais e amadores apresentaram-se à partida em Paris montados nas suas loucas máquinas voadoras, das quais constam 10 triciclos, 2 tandem e um monociclo. Em relação ao número de Penny-farthins, não obtive troco! Curiosamente, um dos temas mais ferozmente debatidos à época, havia sido a questão de qual o melhor tipo de pneu a utilizar. Apenas dois anos antes, os irmãos Michelin tinham inventado os pneus e as câmaras-de-ar correspondentes. Para que conste, e porque dos heróis reza a história, Charles Terront, apoiado pela Michelin, venceu com o tempo de 71h35, sem pregar olho! Já o segundo classificado Jiel-Lavel usou os tradicionais pneus de borracha maciça e cortou a meta com mais de 8 horas. Um total de 99 ciclistas cruzaram a linha de chegada e a maioria levou vários dias a completar o percurso porque fizeram várias pausas durante a noite. Pelo caminho só tiveram de gerir o cansaço, reparar as avarias e regressar num prazo de 10 dias.

Terrot

A vitória de Terront foi considerado um exemplo impressionante da valentia do ser humano e a corrida teve um enorme impacto no público. Giffard encheu durante meses as páginas do Le Petit Journal com as façanhas do seu evento. Escreveu, entre outras coisas:

“Pela primeira vez, vimos uma nova forma de viajar, uma nova aventura, uma nova perspectiva de prazer. Estes ciclistas pedalaram por 10 dias, em média 120 km por dia, e ainda chegaram frescos e saudáveis […]”

PBP percurso

Devido à natureza árdua da corrida, à distância tão grande e às dificuldades dos profissionais em gerir os treinos e participações em outras provas de estrada, como o Tour de France surgido em 1903, o PBP só viria a ser repetido uma década depois, em 1901, e a cada 10 anos, até 1931. Em breve o Tour de France viria a ser considerada a corrida de bicicletas mais importante e viria a realizar-se anualmente, mas foi inspirada em última análise pelo sucesso e fama do lendário Paris – Brest – Paris.

Alguns factos curiosos podem ser consultados aqui.

Uma das coisas mais notáveis do ciclismo é o quão pouco mudou. Ok, as bicicletas são mais leves, o vestuário mais confortável, e não há tantos bigodes no pelotão, mas um certo espírito de aventura perdura de quatro em quatro anos num canto do norte da França, onde será para sempre lembrado o esforço e o espírito dos primeiros dias, das bicicletas de aço e das rodas fixas. Se por um acaso Charles Terront, o primeiro vencedor do PBP, fosse transportado através do tempo para 2015, certamente seria capaz de rivalizar muito rapidamente com Froome e com Quintana. Com uma destas biclas modernas xpto provavelmente seria muito competitivo também!

onion seller Mr Buck

Agora o Paris-Brest-Paris ocorre a cada quatro anos. O que tem de especial o PBP é a atmosfera ao longo do extenso percurso e o apoio dos moradores locais. Em muitas vilas os habitantes estão dia e noite com mesas postas, oferecendo água, café e biscoitos. Aqui e ali ouve-se “Bravo!” e vêm-se cartazes com palavras de incentivo aos valorosos ciclistas. São todos amadores do ciclismo e cada um vai abordar a tarefa com a sua pertinaz determinação. Durante a viagem vão passar por aprazíveis estradas, cruzar belas aldeias, registar a sua passagem nos postos de controle, sentar-se à mesa para alimentar o organismo, descansar e dormir por algumas poucas horas, nos pontos de controle ou onde quer que o possam fazer. A sua resistência física e mental será testada. Sabem que terão de enfrentar imensas dificuldades, o clima imprevisível e as noites escuras e tenebrosas, sendo o prémio por tão brava superação o prazer de pedalar e um sentimento de realização por ter concluído o desafio, chegar a tempo a Paris.

Passeie com eles e junte-se ao desafio, deseje-lhes “Bonne Route” e acompanhe estes nossos amigos no Paris-Brest-Paris durante os 1.200 e tal quilómetros de pedalada.

Para as últimas informações detalhadas e, possivelmente, recomendamos para visitar o Clube Audax Parisien (ACP). Aqui pode fazer o download do panfleto oficial de 2015.

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ciclofilia [129] STRAVA, ride with us

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como quem não quer a coisa…

Publicado por Marisa Alves no Ciclismo Urbano em Portugal

“Somos um povo, no mínimo, curioso… vais sózinho, ocupas o teu lugar na estrada e há sempre alguém, aqui ou ali, pronto a competir pela mesma faixa onde tu vais, ou fazer-te sentir que o teu lugar não deve ser aquele – por desconhecimento do CE, ou porque se sente o dono da dita. Para alguns, os ciclistas podem sempre encostar, ir mais devagar, nunca vão trabalhar, nunca têm horários a cumprir, estão sempre em diversão… – nesta última até têm razão 🙂 Vais em paralelo com outro ciclista e corres sérios riscos do mesmo acontecer – aqui não têm grandes hipóteses, caso te queiram ultrapassar, a não ser a ocupação da outra faixa… Mas, se por acaso fores em paralelo e colocares a mão nas costas, ou no ombro da pessoa que vai ao teu lado, no sentido de ajudar, ou ser ajudado, nada disto acontece… (quando um de nós vai numa E-bike e o outro não, fazemos isto com alguma frequência – Não o tentem em qualquer sítio sem treinar primeiro, ou se as duas bicicletas tiverem alturas similares!) – De repente o automobilista passou a ter toda a paciência. Alguém está a precisar de ajuda! – deve ser a miúda 😉 até a polícia já nos congratulou por esta atitude a subir o Freixo – Que bem a entreajuda na estrada. Quando vais com atrelado para transportar crianças, a mesma coisa, o tempo parou… Olha que bonito! – cúcú dádá! Abrandam para ultrapassar e fazem-no sempre pela outra faixa, sem apitar. A última experiência: vais com um atrelado de transporte de carga, a mesma atitude – mesmo indo um pouco mais para a direita, ocupa-se o centro da faixa – não há problema! E se forem dois?? E em fila indiana?!! – Olha, devem ser estrangeiros de viagem! O Porto está mesmo muito turístico – Hello!!! passamos pela outra faixa, afinal é assim que fazemos quando ultrapassamos um carro, não é? Vendo bem até é fácil e a estrada também lhes pertence!!!…”

ciclistas urbanos Porto

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fotocycle [165] Respirar fundo

Ao sabor da corrente, fito a sombra que me deixa meio tosco. Respiro fundo o vento no rosto. A independência, a liberdade, este modo de vida, mais ou menos à nora, porque os caminhos que percorro são os que eu gosto. Mar pachorrento, mais do que seria suposto. E avanço, bem disposto, na firme intenção de seguir uma linha recta, de manter a bicicleta na direcção certa… Aproveito-a a cada momento.

Respirar fundo

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em Portugal, a bicicleta está em alta… onde está a novidade! :)

Vendas de bicicletas em Portugal dispararam 30% num ano

“Portugal produz cada vez mais bicicletas para consumo nacional e para o estrangeiro. O recurso à bicicleta como meio de transporte, e não só lazer, é uma das explicações.

 Os portugueses compraram mais 30% de bicicletas no espaço de um ano, um consumo que gerou mais 31% de receitas no mesmo período. Os dados, do Instituto Nacional de Estatística (INE), indicam que foram vendidas quase um milhão e meio de bicicletas sem motor em 2014 (1.406.302), e contabilizadas receitas de 178,3 milhões de euros, os valores mais elevados, pelo menos, dos últimos três anos.

As bicicletas vendidas em Portugal vieram, na sua quase totalidade, de produção nacional, uma tendência que está a contribuir para a recuperação e mesmo expansão da indústria nacional de produção de bicicletas e componentes. Nos dois anos referidos, a produção nacional cresceu 38%, graças também a um crescimento significativo das suas exportações.

Para a Abimota (Associação Nacional das Indústrias de Duas Rodas), esta nova dinâmica da indústria portuguesa pode levar a um crescimento do sector até 10% até ao final do ano. Segundo Paulo Rodrigues, presidente da Abimota, o sector das bicicletas em Portugal nunca deixou de funcionar como aconteceu em outros países da Europa, o que foi fundamental para o seu desenvolvimento. Em 2013 tinha registado uma quebra de 3% nas vendas nacionais, embora as perspectivas para o mercado externo já fossem melhores, mas ainda longe do boom do ano passado.”[…]

(podes lêr o artigo completo aqui)

Bicicletas: Portugal é 3.º maior produtor europeu

“Com mais de 1,6 milhões de unidades produzidas em 2014, Portugal é atualmente “o terceiro maior produtor de bicicletas na Europa”, divulgou a Associação Nacional das Indústrias de Duas Rodas (Abimota) que prevê um crescimento de 10% do setor até ao final do ano.

“Portugal chegou ao pódio europeu da produção de bicicletas”. A produção nacional exportou 315 milhões de euros de bicicletas. “Só Alemanha e Itália estiveram à frente”, revelou a Abimota.

Esperando um crescimento na ordem dos 10% para 2015, algo que já se tem verificado desde 2011, a associação prepara-se para implementar dois projetos “que, em conjunto, visam essencialmente alargar a fronteira tecnológica das empresas, promovê-las internacionalmente e captar Investimento Direto Estrangeiro”.

“A iniciativa Portugal Bike Value apresenta à indústria das bicicletas todo o potencial do país, onde este setor nunca deixou de funcionar, ao contrário do que aconteceu em vários outros países da Europa”, explica, em comunicado, Paulo Rodrigues, secretário-geral da Abimota.

Com o lançamento deste projeto chegaram ao setor novas propostas de investimento internacional, sendo já certos “três novos investimentos” no valor de 35 milhões de euros que “permitirão criar 400 novos postos de trabalho diretos”.” […]

(podes lêr o artigo completo aqui)

Portugueses andam cada vez mais de bicicleta

“Vendas em Portugal dispararam 30% num ano”

Video-reportagem da TVI sobre a tendência de mercado cada vez mais forte da utilização de bicicletas no nosso país.

(podes vêr a reportagem aqui)

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reciclando [11] o ciclista como agente de mudança

fisheye
Mudanças de hábitos raramente são súbitas. As coisas evoluem ao longo de um certo período de tempo, proporcional à intenção e adaptação pessoal para a mudança. Por outro lado, nem sempre é fácil aceitar a mudança. Mesmo assim, perceptíveis as transformações nas nossas rotinas numa retrospectiva prolongada, optamos pelas alternativas, planeamos o benefício, queremos o melhor para nós. Esta questão continua a assolar-me quando me deparo na estrada com quem desconhece e não tolera a mudança de regras à legislação rodoviária. Recentemente, e num curto espaço de tempo, vivi três experiências incómodas protagonizadas por quem não tolera os ciclistas na estrada. Inclusive em conversas na roda de amigos há sempre quem discorde com as novas regras, mas, meus senhores, o que importa é reforçar os direitos do ciclista, que de alguma forma ficaram mais protegidos.

on my back home
À medida que fui ficando mais velho, o papel desempenhado pelas minhas bicicletas comutaram a minha vida. Deixaram de ser apenas motivo de passeio e aventura para lugares inexplorados, tanto quanto as minhas pernas e pulmões me levariam e, com alguma maturidade à mistura, a bicicleta expandiu outros horizontes e me tornei fino o suficiente para a usar como meio de transporte. O que mudou? Durante a adolescência eu me sentia particularmente invencível. Era um mundo diferente. Naquela época, não eram necessárias tantas precauções. Hoje perde-se muito tempo a considerar questões de segurança relacionadas com o “andar de bicicleta”. Eu andava em todas as condições, chuva, sem luzes na escuridão, sem incidentes. Eu não tinha nenhuma preocupação, nem mesmo um reflector ou um capacete na cabeça. Nada de ruim me aconteceu. Na actual vida diária, não me sinto menos seguro do que fazia quando adolescente. Talvez o mundo seja menos seguro devido à quantidade de informação negativa que estamos constantemente a ser bombardeados através dos meios de comunicação. Acho que foram mais as mudanças doutrinais que levaram a um mundo inseguro. O que quer que tenha mudado tem a ver com o ciclismo? Acho que não. Tem a ver, isso sim, com a forma como se conduz. Tem a ver com a função das estradas, mais especificamente com a actual cultura de estrada que nos faz sentir menos seguros. Tem a ver com o trânsito motorizado onde o automóvel domina e o peão é absolutamente secundarizado. Tem a ver com o nosso mundo sempre em movimento, onde automobilistas sem tempo, peões e ciclistas entram numa corrida desenfreada para chegar a algum lugar.

assim, pedalar sem carros, só mesmo no mês de Agosto, quando todos estão de férias!

O cenário e os actores mudaram, porque, nos tempos modernos, a vida tem necessidade de vários movimentos. A presença de um ciclista na estrada torna-se pouco mais do que uma partícula numa paisagem em constante movimento. A presença de vários ciclistas torna-se mais explícita e o contexto muda. Talvez isso não signifique que a estrada fique mais segura, porque o ambiente em redor do volante tornou-se numa cacofonia de distracções desnecessárias. A presença de pessoas, de ciclistas, não pode ser ignorada, não pode ser vítima de automobilistas distraídos, apressados a acelerar contra o tempo, com os olhos semi-abertos a espreitar para o GPS ou entretidos com o smartphone. A mudança de regras pode significar a necessidade de simplificar a forma como fazemos as coisas. Identificar o que é fundamental na vida, como caminhar, andar de bicicleta, falar com as pessoas. Reduzir o nível de conectividade compulsiva durante a condução. Tornar a estrada um mundo menos atormentado, um espaço seguro, de partilha e responsabilidade.

cheiro de chuva
Em suma, o ciclismo provavelmente não mudará nada e o próprio mundo provavelmente não se tornará significativamente mais seguro com a mudança. Mas o contexto em que os vários utentes operam mudou e coloca os pratos da balança mais equitativos. A consciência dessas mudanças pode ajudar-nos a aumentar a nossa própria segurança, mas a consciência diz-nos também que não é suficiente. O ciclista como agente de mudança poderá ter um papel fundamental na educação sobre as questões culturais, demonstrar no local que todos os utentes deverão ser mais responsáveis e que é necessário induzir a mudança para evoluir a sociedade para melhor.

a humidade faz a força

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can’t miss [136] porto24.pt/cidade

Ciclovias para acabar com o “primado” do carro

texto de Maria Lourenço, publicado a 4 de Agosto em www.porto24.pt

“A bicicleta ainda não é vista como um meio de transporte comum ou útil no dia a dia, como, por exemplo, os automóveis, apesar de serem cada vez mais os que a consideram indispensável para as suas deslocações diárias. Talvez seja por isso que a ‘bicla’ ainda encontra grandes obstáculos na cidade.

Miguel Barbot, proprietário das lojas de bicicletas Velo Culture, explica ao P24 que “o grande problema do Porto são os [seus] presidentes da Câmara”. “Qualquer cidade europeia desenvolvida faz mais pela mobilidade em bicicleta cá, pelo exemplo que dá às pessoas que viajam, do que a Câmara Municipal do Porto”, critica. “Cá está sempre na agenda, mas nunca acontece nada”, lamenta Barbot, acrescentando que “há 20 ou 30 anos” que não se verificam, nesta matéria, alterações significativas na Invicta.

Miguel Barbot, crítico do executivo anterior e do atual, explica que “não há um único projeto visível para a mobilidade em bicicleta” e observa que agora até “as motas podem usar as faixas do bus, mas as bicicletas não”.

É verdade que nos últimos anos surgiram novas ciclovias no Porto, mas essa medida nem sempre é solução para tornar a locomoção dos ciclistas mais segura ou confortável, garante Miguel Barbot. Para o ciclista urbano, a ciclovia deve ser o “último recurso”. “Não faz sentido ir na ciclovia” se se circular a 50 ou 60 km/h, como faz Miguel (isto dos 50 ou 60 quilómetros à hora nas ciclovias é, naturalmente, uma gralha…, emenda entretanto o Miguel) . Essa segurança e conforto passa, na sua opinião, mais pela forma como os automóveis circulam do que pela faixa onde rolam as bicicletas.

Para este ativista em prol de cidades mais amigas das pessoas, que chegou a ter um blogue dedicado a esta temática – ”Um pé no Porto e outro no pedal” –, “o mais urgente é acabar como o primado do automóvel”, pois “todas as políticas de mobilidade estão centradas no automóvel”. Miguel Barbot considera o carro um “luxo”, cuja “contrapartida” é o facto de “ser menos prático”, e, ao mesmo tempo, “uma arma”, cujas caraterísticas o tornam altamente perigoso – “tem duas toneladas e anda a 50 km/h”, explica. É necessário, na sua opinião, “limitar seriamente a utilização do automóvel e comunicar” melhor a mobilidade em bicicleta.

Já Ricardo Cruz, voluntário da Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta (MUBi), diz que as subidas da Invicta são “um mito”. A maior dificuldade para quem quer andar de ‘bicla’ na cidade “não são as subidas”, assevera, “porque as bicicletas atuais permitem desmultiplicar muito as mudanças e tornar a pedalada muito leve”. A maior dificuldade, lamenta Ricardo Cruz, é “o civismo das pessoas”, ou antes, a falta dele.

“Ninguém nos ensinou a usar as ruas de uma forma comunitária. Quando estamos num automóvel ou quando somos peões achamos que temos direito a um espaço e que esse direito é absoluto, quando não é. É sempre relativo ao outro”, sublinha.

Reduzir a velocidade
A redução da velocidade dos automóveis é um ponto essencial para a locomoção segura dos ciclistas: “Tem que haver uma política muito mais forte de reduzir claramente as condições para o automóvel circular – os carros têm de andar mais devagar”, afirma Miguel Barbot. “Não faz sentido nenhum continuarmos a ter carros a 70 km/h no centro da cidade, nem a 50”, acrescenta o dono da Velo Culture.

Para Ricardo Cruz, a solução passa por uma intervenção “em termos de infraestrutura rodoviária” que obrigue à redução de velocidade por parte de quem circula em automóveis. Mas o responsável da MUBi explica que “não é fácil intervir na cidade sem mais nem menos”: “A nossa cultura instituída desde os anos 70 é utilizar o automóvel o mais possível e deixá-lo estacionado o mais perto possível do local onde nós estamos”.

Miguel Barbot acrescenta que é preciso haver “mais sinalização horizontal para as bicicletas, nomeadamente as bike boxes, em que as bicicletas podem chegar mais à frente de forma a arrancarem primeiro”, e fiscalização para impedir “asneiras” dos carros. “A cidade tem de estar desenhada de forma a que haja vias onde se possa circular mais rápido e outras mais lentas”, para que “os ciclistas possam ter sempre a opção de usar as vias mais lentas”, explica.

Para além de intervenções infraestruturais, Ricardo Cruz acredita ser possível “intervir em termos de cultura e civismo, através de bons exemplos e boas práticas”, mas salienta que para isso “é preciso coragem política”. O membro da MUBi acrescenta que é possível “instituir a cultura do respeito pelo outro, pelo mais frágil, pelo peão, pelo ciclista” através de “iniciativas como ações de formação nas escolas”. Barbot concorda: a instituição da cultura da bicicleta “é uma questão de política pública”.

“Se calhar há muita gente que utiliza o automóvel, mas gostava de não o utilizar”, atira Ricardo Cruz, que receia existir hoje uma imagem errada à volta da bicicleta que é preciso “desmistificar”. “Dar um contexto cultural, para tirar a ideia de que a bicicleta é apenas para crianças e para praticar desporto”, justifica. “A bicicleta também é um meio de locomoção banal”, assegura, afirmando que sente que a bicicleta como meio de transporte diário sofreu uma “evolução interessante” nos últimos três anos no Porto.

Ciclovias do Porto foram mal feitas
Há ciclovias perigosas na cidade, que precisam de uma intervenção urgente. É essa a convição de Miguel Barbot e Ricardo Cruz, dois ativistas do uso da bicicleta como meio de locomoção nas cidades. A ciclovia da avenida da Boavista, uma obra recente, é uma das vias dedicadas que merece a crítica de ambos.

Miguel Barbot assegura que, “para além de ser raro o dia em que se passa lá e não estão carros parados em cima, é uma ciclovia que tem erros”. O problema, explicou ao P24, está no facto de a ciclovia se encontrar entre o estacionamento e a estrada, o que pode levar a acidentes graves: “Se alguém abrir uma porta [do carro] de repente ou sair do estacionamento para cima da ciclovia, eu posso morrer ou posso matar alguém”. É uma ciclovia que, segundo o proprietário das lojas Velo Culture, “dá uma sensação de falsa segurança”.

Ricardo Cruz conta que a Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta (MUBi) já entrou em contacto com a Câmara do Porto várias vezes para alertar a autarquia para os perigos que a ciclovia da avenida da Boavista representa e diz que a vereadora da Mobilidade, Cristina Pimentel, “ouviu, concordou” e fez algumas alterações, mas que a ciclovia continua inacabada. “Há uma série de questões que ficaram por fazer, como a sinalização vertical a indicar que é uma ciclovia”, exemplifica. O responsável da MUBi faz suas as palavras de Miguel Barbot: “Colocar uma ciclovia à beira de carros estacionados não é uma boa prática numa cidade e num país onde não há ainda uma cultura de bicicleta profunda e enraizada”.

Para Miguel Barbot, a ciclovia deveria ter sido feita “entre os carros e o passeio e nunca entre os carros e a estrada” e aponta que a solução para a ciclovia da avenida da Boavista seria retirá-la e fazer com que os automóveis circulassem a uma velocidade mais baixa. Ricardo Cruz concorda e acrescenta que “o ideal” seria “não fazer uma ciclovia segregada e colocar uns sinais no pavimento a indicar que podem andar ali ciclistas”. Eventualmente, continua, poderiam ser colocadas ali “plataformas elevatórias de modo a que quem vai de carro andasse mais devagar”.

O polo da Asprela da Universidade do Porto é também “um sítio muito grave”, atalha Ricardo Cruz. “Houve uma intervenção do antigo executivo. Fizeram uma série de ciclovias com uma largura ridícula de 50 cm e as boas práticas indicam que o confortável são 2 metros”, justifica. Um assunto sobre qual, diz, através da MUBi, ter igualmente contactado a Câmara do Porto, que até à data não interveio no local.

Ombros de fora
Miguel Barbot frisa que as ciclovias da Invicta “são terríveis”, pois “são mais estreitas do que os ombros do ciclista”, e dá outro mau exemplo: a ciclovia da avenida Brasil, na Foz do Douro. Esta via dedicada à bicicleta “tem atravessamentos de passadeira e tem obstáculos que limitam a visibilidade” e, como é “partilhada com os peões” e “está ao nível” destes, facilmente alguém passa por cima da ciclovia, podendo chocar com um ciclista.

Ao P24, a vereadora da Mobilidade da autarquia portuense afirmou que, relativamente à ciclovia da avenida da Boavista e à do polo da Asprela, seriam feitas alterações. Cristina Pimentel especificou, no entanto, que ainda não estava definida data para essas intervenções. A autarca acrescentou que as obras em curso na avenida da Boavista ainda não estavam concluídas e que “oportunamente” seriam tomadas medidas relativamente à ciclovia.

Na Invicta
A cidade do Porto tem atualmente 32 km de rede ciclável. Esta rede divide-se em 15 km de ciclovias e 17 km de canais cicláveis.

Matosinhos e Gaia
Em Matosinhos, há 12 km de ciclovias. A sua maioria situa-se na orla costeira do concelho, no entanto, está prevista a construção de mais 10 km de ciclovias “marcadamente urbanas”, como explicou ao P24 fonte oficial da Câmara Municipal de Matosinhos. Em Gaia, há cerca de 25 km de ciclovias. O troço mais recente é inaugurado precisamente hoje: entre o Cais de Quebrantões e o Areinho de Oliveira do Douro.”

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depois, um funcionário público que pedala para o seu posto de trabalho há anos, lê este texto, rasga um sorriso e partilha!…

Bicicleta: Pedalar na função pública

artigo de opinião de Rita Pimenta publicado no Publico (aqui link para o artigo):

“Do francês bicyclette, mas também do latim bis, “duas vezes”, a que se junta, do grego, kyklos, “círculo, roda”. Uma “bicicleta” é um “velocípede de duas rodas, de igual diâmetro, sendo a da retaguarda accionada por um sistema de pedais que actua sobre uma corrente”. Faz maravilhas pela saúde e pelo ambiente. Por isso, os funcionários públicos foram convidados a usar este veículo. Se já havia mobilidade na função pública, agora faz-se de bicicleta, quando não de carrinho…

Esta sugestão integra-se num conjunto de medidas para reduzir em 20% as emissões de C02 dos automóveis do Estado e também os gastos com combustível. É o programa para a mobilidade sustentável Eco.com.

O dicionário explica que uma “bicicleta de montanha” está “especialmente preparada para percorrer caminhos e estradas de montanha” e que uma “todo-o-terreno” está “preparada para resistir a todo o tipo de obstáculos”. Talvez seja esta a mais indicada para a função pública, sempre acusada de todos os males e sujeita a percursos espinhosos. Toca então a pedalar.

Menos tortuosos e mais felizes se tornam os caminhos de quem beneficia em África da iniciativa World Bicycle Relief, em que a distribuição de bicicletas por famílias em espaço rural resulta num grande aumento da qualidade de vida das populações. (E qualquer um de nós pode ajudar.)

No futebol, “bicicleta” “é o mesmo que puxada ou puxeta, porém, estilizada pela atitude do jogador”. “No turfe [corridas de cavalos], diz-se do jóquei que não usa os estribos.” Em Pernambuco, no Brasil, pode chamar-se-lhe “gangorra”. Coloquialmente, a palavra é usada como sinónimo de “esposa”. Com carinho.”

de Cósmica para o trabalho

a pedalar para o trabalho desde 2010

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