apenas eu e a bicicleta, num momento melancólico

Poderia ir por ali, mas não seria a mesma coisa! Assim, rumo a casa por um caminho mais longo, mais duradouro. Desço a rua, contorno os carris e desvio a rota. Sentindo a bruma nas trombas, algo mágico acontece enquanto deslizo junto ao rio. De repente, sinto de novo aquela sensação de liberdade. Há qualquer coisa em mim que nos empurra até ao mar. E num ápice, absorvendo a vida, envolto na tranquilidade, encontro o vasto oceano, onde só a natureza fala!… É que de outra forma eu não o vejo!

o que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano

“o que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano”… Isaac Newton

 

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reciclando [16] entre o “seguro morreu de velho” e “quem não arrisca não petisca”

É difícil ser-se confiante quando se acha que não se é capaz, que vai correr mal, quando se dá maior importância aos aspectos negativos do que aos positivos. A confiança pode ser medida nas consequências do que o nosso julgamento produz. Algumas pessoas são inerentemente desconfiadas, valorizando o medo e a incerteza, chegando mesmo ao ponto de desencorajar os outros. Boas consequências nos tornam mais confiantes, as más fazem de nós permanentemente desconfiados. Na maioria dos casos o nosso julgamento é o mais acertado, embora haja momentos em que a incerteza, o desconhecido e alguma ingenuidade, se sobrepõe ao verdadeiro risco que assumimos.

bike from work
É muito relativo aquilo que se tem como risco, e para alguns o ciclismo está na categoria de risco iminente. Na realidade os ciclistas correm certos riscos adjacentes, visíveis e invisíveis, cada vez que vão para a estrada, mas que são nada mais que riscos comuns aos utilizadores da via pública. Surgem muitas vezes na forma de situações ou acções alheias: de automobilistas inconscientes, portas de carro que se abrem à sua frente, buracos no piso, detritos espalhados na via, pessoas distraídas que atravessam a rua… Daí o argumento amplamente divagado que andar de bicicleta é perigoso, o que tanto vale em casa própria como opinião abstracta. Mas, e depois!? Se corremos riscos inclusive no recesso das nossas casas, não é por isso que deixamos de prosseguir normalmente as nossas vidas!

cicloviando

Muitos ciclistas não têm o conhecimento formal das regras rodoviárias ou, se têm, insistem em desrespeita-las. Circular nos passeios, em contra-mão, passar nos vermelhos, e contra mim falo, circular à noite sem luzes, é assumir riscos desnecessários. Para os mais novatos, pedalar pode apenas significar saber como se equilibrar uma bicicleta, fazer acrobacias, andar aos saltos no monte, descer a toda a velocidade do ponto A ao ponto B. Uma vez na estrada fiam-se no ambiente que os rodeia, querendo acreditar que têm tudo controlado. Por uma questão de segurança, todos os ciclistas devem andar atentos, confiados mas desconfiados. É que confiar em demasia nos outros nunca é bom e um pingo de desconfiança deve ser uma função automática do ciclista. O cálculo do risco deve estar presente e sempre tomar por princípio que, naquele momento, tudo é estranho. Isto não implica que se tenha de assumir um certo risco, por exemplo quando se partilha a via com veículos pesados, ou escolher os percursos mais exigentes mas menos fiáveis, porque muitas vezes não há nem tempo nem informações que permitam determinar o que é confiável. Consequentemente, o melhor mesmo é não confiar em ninguém.

fisheye

Por outro lado, o acumulando de quilómetros não nos dará necessariamente um reconhecimento amplo de todos riscos. Esta é uma armadilha frequente para ciclistas experientes que acham que conhecem tudo. Alguma auto-confiança é inerente à experiência e com isso determinados riscos, visíveis ou invisíveis, poderão ser minimizados. Infelizmente, não podemos saber o que não sabemos, podemos apenas buscar conhecimento para nos guiar. Serve para tudo na vida. Não nos podemos iludir em acreditar que nada vai acontecer connosco e que as coisas más só acontecem com os outros. Ponto essencial é ser prudente e não confiar cegamente nas nossas aptidões. A antecipação é um bom truque. Saber que o perigo existe, que pode surgir a qualquer momento, torna-nos mais previdentes.

eu

No campo de jogo, na ciclovia como na rodovia, o que a nós diz respeito é sermos assertivos para reduzir a probabilidade de nos envolvermos num acidente. A educação, o respeito, a atenção, são a preparação para seguir com confiança e orientam o ciclista na antecipação de algum “pior cenário”. O ruído de um carro que se aproxima na nossa traseira, uma buzinadela, tanto pode ser um comportamento agressivo iminente para o ciclista como um condutor que nos avisa do que pretende, que é ultrapassar em segurança. A nossa primeira reacção é desconfiar da acção do condutor e, em simultâneo, demonstrar confiança nas nossas aptidões para agir e reagir. Assumir a nossa posição, indicar o que pretendemos fazer, sem arriscar uma manobra que seja perigosa para nós, só para lhes dar o luxo de nos verem sem confiança. Ter a consciência do perigo iminente é crucial para a sobrevivência e assumir a nossa segurança é uma boa ideia.

(para fotomontagem arrisco uma série de selfas, mas das quais não sou exemplo, tá bem!?)

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fotocycle [171] a bicicleta

a bicicleta

Leva-me para todo o lado e faz questão de tornar o meu dia-a-dia mais alternativo. Com ela chego ao trabalho bem relaxado. Com ela chego a casa menos stressado. Nela aprendo a saborear o tempo, a libertar a mente, a focar um instante. Tem essa capacidade maravilhosa de me transmitir a real dimensão da distância, do relevo, da temperatura. Mantêm-me os olhos abertos para descobrir outras visões da cidade, outras formas de ver o mundo. Dá cor a todo o momento.

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toda a via

ciclistas urbanos

Sabendo que estamos bem atrás de outras sociedades europeias no que concerne ao uso da bicicleta, todavia vejo um aumento de ciclistas na cidade. Pessoas a pedalar nas suas deslocações diárias passou a ser coisa rotineira, tanto no Porto, como em Gaia ou Matosinhos. Há muitos novos ciclistas. Há outros que já o eram e que entretanto mudaram o chip para dar uso à bicicleta no seu dia-a-dia, para o transporte. Também há os turistas que nos visitam e alugam uma bicicleta, para fazer turismo, passar a ponte com toda a naturalidade, usufruindo e partilhando das mais belas vistas panorâmicas sobre o Douro. É uma evidência, os ciclistas urbanos estão presentes e em força nas escassas ciclovias, alastram-se pelas ruas, mesmo nas mais íngremes, sinuosas e fustigadas pela opressão automobilística. A mobilidade urbana reclama condições mais favoráveis ao transporte colectivo e aos modos suaves. Embora os automóveis sejam necessários, é incontestável que quem anda a pé ou pedala uma bicicleta tem a liberdade de enfatizar o valor desse extraordinário veículo na redução da poluição e dos malefícios do congestionamento das cidades. Parece-me necessária a redução da motorização individual, melhorar a rede de transportes públicos e dar mais condições à utilização de bicicletas, pelas óbvias razões ecológicas, económicas e de planeamento urbano. Usando a bicicleta para o transporte permite a liberdade de circular em qualquer lugar, não ter preocupações de estacionamento, tornando o ambiente urbano mais natural com o advento do ciclismo.

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ciclofilia [131] A Paris Bike Ride

“La vie, c’est comme une bicyclette, il faut avancer pour ne pas perdre l’équilibre.”

 

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can’t miss [143] webventure.com.br

Transpirenaica: a travessia dos Pirineus de bicicleta

[…] “Passamos 20 dias pedalando entre as serras e vales dos Pireneus. Sei que algumas lembranças e emoções vamos guardar por toda vida. Como acampar sob as árvores de nozes e avelãs (e saboreado suas castanhas diretamente do pé), poder ver o sol nascer no Parque Nacional do Alto Pireneu, conseguimos chegar ao cume nevado do Monte Perdido, enfrentamos subidas de 25 quilômetros, descemos por horas cruzando cânions e acompanhando rios de azul turquesa, fizemos amigos de todos os tipos e idades, conhecemos cicloturistas de muitos países, cozinhamos e saboreamos cogumelos recém colhidos na mata, vimos o eclipse de uma super lua no alto da montanha, e o principal, tivemos um tempo para ficar sem chaves nem senhas, guiados somente pelo tempo da natureza, presos somente ao horário do sol e do frio.” […]

Para os que gostariam de sair assim numa aventura de bicicleta, descobrir a beleza que a natureza tem para dar, pedalar mais perto das estrelas, tem aqui um aliciante aperitivo.

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reciclando [15] evolução, transformação, socialização, teorias para a revolução

bicycle-dribbble

Ainda não se passaram muitos anos que, salvo raras excepções, a bicicleta não era considerada socialmente aceitável como meio de transporte nas estradas nacionais. Alguns a entendiam como um mero objecto infantil, um passatempo que de certa forma interferia com as actividades adultas da condução. Alguns condutores abordavam quem pedalava à sua frente com impropérios. Julgavam as razões porque alguém estava numa bicicleta a ocupar a via pública. Quem pedalava era visto como um irresponsável, apenas pelo facto de se colocar entre eles e os seus veículos velozes e espaçosos. Buzinavam porque lhes estavam a barrar o caminho! As conotações negativas à bicicleta sempre foram associadas à questão do perigo e da percepção dos riscos decorrentes, mas de quem conduz, nem uma autocrítica, o reconhecimento da forma como se comporta e não partilha a estrada.

Depois, lentamente, a bicicleta voltou a ser vista com outros olhos. Mesmo entre aqueles que tinha uma esquecida a um canto da garagem, a foi adoptando como forma de lazer. Andar de bicicleta é frequentemente recomendado como um exercício de baixo impacto, uma excelente forma de exercitar o corpo, aumentar a capacidade aeróbica, fortalecer o coração e os músculos. Pedalando num parque, no campo ou num rua sem trânsito, aprendendo ou reaprendendo a pedalar, aumentou a probabilidade do “novo ciclista” desfrutar das pedaladas. Depois percebeu que dar umas pedaladas entre amigos, aos fins de semana, é uma maneira agradável de desfrutar do ar livre, de conviver e socializar. A bicicleta ampliou a actividade física, o tempo em família, transformou preconceitos e ao mesmo tempo abriu ciclovias.

Uma bicicleta pode ser comprada por relativamente pouco dinheiro, dependendo, é claro, do tipo de bicicleta que se pretende comprar. É, à partida, bem mais barata do que frequentar um ginásio. E uma vez que a bicicleta está ali, à mão de semear, é susceptível de ser utilizada em qualquer momento, para exercitar o corpo e a mente. Gradualmente, o ciclismo passou a ser uma actividade do agrado de muita gente e a formação de grupos de ciclistas, de clubes de ciclismo para o todo-o-terreno, para o cicloturismo, até para jogos de tacos e bolas, com biclas lá pelo meio, como que se reinventou a roda e o modo de dar a volta aos pedais.

Nesse ponto, algo interessante acontece. O ciclista que usa a bicicleta para o exercício físico, como uma actividade socialmente aceitável, como que perde a vergonha e passa a usar a bicicleta como meio de transporte. Usa-a para o trabalho, para a escola, para os recados do dia-a-dia, uma maneira natural de combinar o exercício com as tarefas diárias. É neste contexto que, mesmo os mais fervorosos dependentes do automóvel, dão a volta e consideram a bicicleta como algo mais do que um brinquedo. Afinal a bicicleta sempre é um veículo de transporte! A mudança é tão subtil que nem se dá conta da transformação no seu conceito da coisa mas dá logo coma a diferença na sua carteira, lá isso faz.

Ao contrário de um carro, que tem um só propósito, as bicicletas são máquinas multifacetadas. Eles fortalecem o corpo e a mente, pois permitem a qualquer pessoa viajar, sob seu próprio poder, a partir de um local para outro. Dão prazer e trazem a alegria de estar ao ar livre. Proporcionam que se aprecie a sensação do vento contra a pele, a soprar através do cabelo enquanto nos deixamos ir ao sabor de uma descida. Algum dia a sociedade vai esquecer o momento em que as bicicletas eram estranhas na estrada. Com massa crítica, como parte do tecido urbano, o uso da bicicleta será socialmente aceitável por pessoas de todas as idades, condições e estratos sociais, sem restrição e sem hostilidade. Simplesmente porque não existem distinções artificiais entre os utilizadores da bicicleta, criados por uma sociedade obcecada pelo carro e que vai ser ultrapassado e visto no futuro como mais uma relíquia antiga de tempos idos.

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fotocycle [142] dia de S. Martinho

S. Martinho

A hora é de ponta, mas não significa ir de ritmo acelerado, stressado, para picar o ponto. Pedalar para o trabalho como rotina diária pode ser uma experiência agradável. Se o fizermos num acrescento de novidade, aproveitando a manhã amena de Outono, podemos apreciar o passeio, vendo e assimilando a cidade, sentindo o caminho e o que nos circunda. Assim, o dia-a-dia e as preocupações passam para segundo plano, ou tendem a não parecer tão relevantes. Aproveito cada monumento.

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can’t miss [142] sicnoticias.sapo.pt

Dois ciclistas decidem gravar o comportamento dos automobilistas

Dois ciclistas decidem gravar o comportamento dos automobilistas
“As novas regras de circulação para os ciclistas estão em vigor há quase dois anos, mas ainda há muitas queixas dos comportamentos dos automobilistas. Dois ciclistas decidiram, por isso, começar a gravar os percursos de bicicleta para se perceber do que se queixam.”

podes ver a videoreportagem da SIC Notícias aqui

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amamentar e andar de bicicleta

Uma publicação que se espalhou recentemente pelo Facebook tem inflamado as redes sociais brasileiras. Num texto absolutamente preconceituoso, de censura ignorante, uma mulher de seu nome Karina Moreno, expôs de forma hipócrita e sem autorização da visada, a foto de uma mulher que amamentava naturalmente uma criança enquanto pedalava. O teor desse texto é digno de uma novela brasileira.

amamentacao_polemica_facebook_valeesteDa indignação grosseira pelo acto de amamentar em público (em São Paulo a legislação garante o aleitamento materno em qualquer local) à insinuação estúpida do que é natural, em resposta, muitas pessoas, especialmente mães, já se revoltaram com a publicação, tendo sido massivamente partilhada, a grande maioria criticando a pobreza de espírito da autora.

Não entendo quem se incomode tanto com mamas. Ok, sou homem e gosto de vê-las, particularmente os peitinhos que na têvê balançam ao ritmo do samba num desfile de carnaval. Muito menos fico incomodado quando vejo uma mãe a amamentar, um acto de amor e nunca de exibicionismo. O que me leva a trazer para aqui este episódio é que coisas inusitadas são possíveis basta amor, coragem e determinação. É a mamã que naturalmente amamenta a sua filha, é a senhora que tranquilamente se desloca de bicicleta, é a criança que segue na bicicleta da mãe em segurança e tem fome! O resto são futriquices.

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