reciclando [15] evolução, transformação, socialização, teorias para a revolução

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Ainda não se passaram muitos anos que, salvo raras excepções, a bicicleta não era considerada socialmente aceitável como meio de transporte nas estradas nacionais. Alguns a entendiam como um mero objecto infantil, um passatempo que de certa forma interferia com as actividades adultas da condução. Alguns condutores abordavam quem pedalava à sua frente com impropérios. Julgavam as razões porque alguém estava numa bicicleta a ocupar a via pública. Quem pedalava era visto como um irresponsável, apenas pelo facto de se colocar entre eles e os seus veículos velozes e espaçosos. Buzinavam porque lhes estavam a barrar o caminho! As conotações negativas à bicicleta sempre foram associadas à questão do perigo e da percepção dos riscos decorrentes, mas de quem conduz, nem uma autocrítica, o reconhecimento da forma como se comporta e não partilha a estrada.

Depois, lentamente, a bicicleta voltou a ser vista com outros olhos. Mesmo entre aqueles que tinha uma esquecida a um canto da garagem, a foi adoptando como forma de lazer. Andar de bicicleta é frequentemente recomendado como um exercício de baixo impacto, uma excelente forma de exercitar o corpo, aumentar a capacidade aeróbica, fortalecer o coração e os músculos. Pedalando num parque, no campo ou num rua sem trânsito, aprendendo ou reaprendendo a pedalar, aumentou a probabilidade do “novo ciclista” desfrutar das pedaladas. Depois percebeu que dar umas pedaladas entre amigos, aos fins de semana, é uma maneira agradável de desfrutar do ar livre, de conviver e socializar. A bicicleta ampliou a actividade física, o tempo em família, transformou preconceitos e ao mesmo tempo abriu ciclovias.

Uma bicicleta pode ser comprada por relativamente pouco dinheiro, dependendo, é claro, do tipo de bicicleta que se pretende comprar. É, à partida, bem mais barata do que frequentar um ginásio. E uma vez que a bicicleta está ali, à mão de semear, é susceptível de ser utilizada em qualquer momento, para exercitar o corpo e a mente. Gradualmente, o ciclismo passou a ser uma actividade do agrado de muita gente e a formação de grupos de ciclistas, de clubes de ciclismo para o todo-o-terreno, para o cicloturismo, até para jogos de tacos e bolas, com biclas lá pelo meio, como que se reinventou a roda e o modo de dar a volta aos pedais.

Nesse ponto, algo interessante acontece. O ciclista que usa a bicicleta para o exercício físico, como uma actividade socialmente aceitável, como que perde a vergonha e passa a usar a bicicleta como meio de transporte. Usa-a para o trabalho, para a escola, para os recados do dia-a-dia, uma maneira natural de combinar o exercício com as tarefas diárias. É neste contexto que, mesmo os mais fervorosos dependentes do automóvel, dão a volta e consideram a bicicleta como algo mais do que um brinquedo. Afinal a bicicleta sempre é um veículo de transporte! A mudança é tão subtil que nem se dá conta da transformação no seu conceito da coisa mas dá logo coma a diferença na sua carteira, lá isso faz.

Ao contrário de um carro, que tem um só propósito, as bicicletas são máquinas multifacetadas. Eles fortalecem o corpo e a mente, pois permitem a qualquer pessoa viajar, sob seu próprio poder, a partir de um local para outro. Dão prazer e trazem a alegria de estar ao ar livre. Proporcionam que se aprecie a sensação do vento contra a pele, a soprar através do cabelo enquanto nos deixamos ir ao sabor de uma descida. Algum dia a sociedade vai esquecer o momento em que as bicicletas eram estranhas na estrada. Com massa crítica, como parte do tecido urbano, o uso da bicicleta será socialmente aceitável por pessoas de todas as idades, condições e estratos sociais, sem restrição e sem hostilidade. Simplesmente porque não existem distinções artificiais entre os utilizadores da bicicleta, criados por uma sociedade obcecada pelo carro e que vai ser ultrapassado e visto no futuro como mais uma relíquia antiga de tempos idos.

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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