o Caminho são caminhos

Aviso prévio. Caso queiram mesmo queimar as pestanas e ler este relato sensaborão de três mil e muitas palavras, assim à média de 10 por quilómetro pedalado, não sei quantas fotos, com oito, ou melhor, seis bicigrinos e outros dois peregrinos automobilizados até Santiago de Compostela, então estão no bom caminho.

Quando, há coisa de cinco anos, concretizei a minha primeira aventura ciclística até Santiago de Compostela, o que falou mais alto foi mesmo o lado aventureiro. Desafiado pelo Velho Lau, fomos em autonomia, bicicletas atafulhadas e a arrastar duas parteneres com pouca pedalada por um caminho exigente. Não levamos credenciais para carimbar, nem tão pouco teve o condimento da Serra da Labruja, apenas aldrabamos o caminho o quanto baste, o bastante para prometer a mim mesmo “tenho de voltar a fazer isto, mas como deve de ser”. Quando me falaram em voltar a fazer o Camiño, imaginei-me a arrastar-me algures no traçado da estrada real Porto-Barcelos-Valença.

o Caminho são caminhos #01Costuma-se dizer que o Caminho de Santiago se inicia quando se dá o primeiro passo, quando se tem um apelo interior, o que é pura verdade. Fi-lo de novo pela menos espiritual das razões: fui desafiado. O click motivacional foi dado quando o meu amigo Rui me apresentou um plano, com data marcada e tudo. O grupo Gaiabikers fazia-nos a papinha toda, a organização, a logística para a viagem, eu só tinha de desenrascar uma bicicleta coincidente com a aventura e carregar com ela. Com a Dona Etielbina em pré-reforma, tive de raptar a Metallica ao meu filho, dar-lhe uns retoques de afinação e trocar-lhe os sapatos. O grupo formou-se. Dos que aceitaram o desafio, só conhecia o Rui, o Tózé, aka Wolverin Wolf, e o Luís. No desenrolar dos preparativos, fiquei a conhecer os restantes companheiros, o Humberto, o Kiko, que nos acompanhou durante a primeira jornada até Ponte de Lima. Para o apoio moral e abastecimento em troca de umas monumentais secas, o Gaspar e o Ilídio fizeram o esforço de conduzir o carro vassoura com os víveres e bagagens.

o Caminho são caminhos #0

Às 8h da manhã da quinta-feira santa, na Sé Catedral do Porto, saudámos a primeira seta. De credencial na mão e um pé no pedal, prontos a dar inicio à dita “bicigrinação”. Não estávamos sós. Muitos, mesmo muitos, outros como nós, davam também inicio à pedalada, numa espécie de Massa Crítica rumo a Santiago. E é aqui que começa o encanto do Caminho. Sejam as vezes que o façamos, de qualquer forma, trata-se sempre de um novo caminho. Um caminho de iniciação, numa experiência que tem tanto de místico e telúrico como de aventura e teste aos limites físicos e psicológicos de cada um.

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O primeiro dia roçou a perfeição. Com boa disposição e sem grandes pressas, fomos brindados com um excelente dia primaveril. Depois das despedidas ao Porto, uma imensa estrada, todos com aquela sensação de sermos capazes de dar a volta ao mundo. Em grupo, foi fantástico perceber e conhecer melhor os restantes companheiros. Fomos conversando sem nos determos nos pequenos desafios que fomos encontrando, apenas as mentes abanaram com o infortúnio de dois camaradas ciclistas envolvidos num acidente. Receios à parte, cumprimos outra vez aquilo que viria a ser uma constante, uma paragem com o pretexto de carimbar o passaporte de peregrino, esticar as pernas e deitar abaixo uma mini e uma sande de queijo. E a cada pit-stop, o descanso com que presenteei a Metallica, não só fez furor no grupo como lhe deu aquela pose fotogénica. Depois daquele que foi o único arrufo mecânico da tournée, um furo, chegamos a Barcelos para o merecido almoço. Saciados os estômagos, estávamos preparados mentalmente para os troços mais inclinados. Guiados pelas setas amarelas, pintadas no chão, em árvores, postes, muros, casas, não há como errar. Ao ritmo sincopado de cada um, os quilómetros e muitos peregrinos foram ficando para trás. Depois da troca de cumprimentos, saudações de “Bom Caminho”, vinham as perguntas de onde vínhamos, quem éramos e para onde íamos. Cada um seguia o seu caminho. Nas imediações de Ponte Lima, uma jovem peregrina alemã amoleceu o coração dos nossos companheiros automobilizados. Com dificuldades aparentes na marcha, tinha os pés em brasa, lá acabou por ceder a oferta de uma boleia até ao albergue mais próximo, atenuando-lhe o martírio. Chegamos cedo a Ponte de Lima, onde a residencial Pinheiro Manso nos vendeu, duche, o deleite da gastronomia local, saborosa e caseira, e o repouso. O final do dia foi dedicado a um pequeno passeio pela zona histórica da mais antiga vila de Portugal.

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Toque de alvorada às sete. As tropas apresentam-se com o moral elevado, acordaram com a disposição em alta para continuar a senda. Com uns raios de sol a reservar-nos uma agradável e fresca manhã, fiquei por breves instantes a mirar o rio, os arcos da famosa ponte romano-gótica sobre o Lima, e a imaginar-me Decius Junius Brutus tentando convencer os seus soldados a atravessar o tal rio Lethes, o rio do esquecimento. Devidamente reanimados por uma boa dose de cafeína, regressamos ao Caminho e registamos a travessia na ponte para memória futura. Com o Minho a proporcionar-nos um belo carrossel por entre campos verdejantes, igrejas, aldeias milenares, e a orografia acidentada do caminho, já adaptados aos diferentes ritmos, ninguém reclamou andamentos rápidos ou lentos, ninguém se inibiu de parar para um ou outro mergulho na natureza. Houve tempo para fotografar e para aliviar a carga. O rio Labruja, afluente do Lima, acompanhou-nos durante alguns quilómetros, oferecendo a sua partitura musical e alguns recantos e cascatas agradáveis, à vista e às máquinas fotográficas, num ambiente bucólico e preparatório para o nosso calvário, a Serra da Labruja. Percebe-se bem porque o Caminho passa aqui! Icónico!

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Ao longo destes dias de viagem para o santuário jacobino tivemos a oportunidade de encontrar levas de andarilhos backpack, peregrinos do mundo inteiro, solitários ou em grupo, pessoas normais como nós (há, há, há!)…. Há de tudo: desportistas, turistas, esotéricos, devotos, pessoas de todas as idades e nacionalidades, místicos, religiosos, malucos, acima de tudo, felizes. Coisa nenhuma a eles escapará, ao encontro consigo mesmos. O Caminho é muito pessoal, e os sentimentos de cada um em relação a ele variam em alguns aspectos. Todos convivem, nas tascas, nos cafés, refúgios, momentos de repouso onde se bebe um copo, uma bejeca para eliminar os ácidos lácticos. Serra acima, tivemos a companhia de um simpático e alegre grupo de brasileiros. A certa altura da escalada, invejei as mochilas que transportavam, bem mais leves e fofinhas do que a desajeitada bicicleta que eu carregava aos ombros. Pedra a pedra, passo a passo, pausa a pausa, a subida foi-se fazendo. Passagem pela cruz dos mortos. Inevitável foto e seguimos caminho para celebramos a conquista do Colle dell’Agnello do Camiño Xacobeu Português com uma fotografia de grupo tirada por uma bonita peregrina de sotaque germânico.

Todos sentimos o Caminho em conjunto, mas todos o sentimos de uma forma diferente. O rumo escolhido é aparentemente o mesmo, mas só seguimos as mesmas setas. Cá dentro, de onde tirámos a motivação para o fazer, seguimos caminhos mais ou menos diversos, mais ou menos tortuosos, mais ou menos floridos, carregados de rosas com espinhos, em busca do “eu”. Acho que este foi o dia de cada um sentir o seu e eu estava no bom caminho. Nova paragem mesmo a tempo de um reforço do pequeno almoço com uma mega sande de presunto e a cervejinha da praxe. O caminho prossegue domado pelo característico povoamento disperso do Minho, por entre campos, arvoredos, veredas estreitas, riachos, caminho de pedras desordenadas. Ao longo do percurso vamos confirmando a diversidade deste país, as suas riquezas, cultura, paisagem, usos e costumes. Uma mulher que lava a roupa no rio, e devolvendo a nossa saudação retorquiu ser preciso alguém que mantenha as tradições. É bem verdade! Inevitável foto e seguimos caminho.

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Ao longo do Caminho fomos encontrando outros bicigrinos, entabulando conversas com um “de onde vêm”, reencontrando-os amiúde, onde um oportuno café nos permitisse descolar do selim, matar a sede e deixar um “adeus, até ao próximo café”. Em Valença do Minho, depois de recuperarmos um pouco as forças, a chuva ameaçadora apareceu e aconselhou o impermeável que não mais largaríamos durante a etapa. Mas os bicigrinos não se atemorizaram com tal minudência e atacaram o caminho, cuidando apenas em rodar os pedais. Passamos a ponte, entramos em Tui e estávamos na Galiza. Depois uma breve voltinha por algumas ruas estreitas na bem conservada zona histórica de Tui, e depois de furarmos o túnel sob o Convento das Clarissas, o caminho retomou a vida rural, os bosques e o rio Louro. Faltavam 115 km. “Buen Camiño”.

o Caminho são caminhos #59

À entrada d’O Porriño, a ideia seria encontrar o percurso alternativo (devidamente homologado) que cruza um parque que bordeja o rio Louro. O desvio da rota tradicional traria claras vantagens em vez da pedalada sobressaltada pelo alcatrão ao longo da congestionada e extensa zona industrial. Só que falhamos a indicação, e a (minha) solução foi ligar o turbo e carregar no pedal, o mais que pude, aproveitando o ventinho pelas costas. Resultado disso, deixei o grupo para trás e mais à frente esperei pela malta, tanto que até deu para actualizar o Instagram! Antecipamos as hostilidades para a íngreme Rua dos Cavaleiros com uma demorada paragem técnica. A divisão do grupo, onde uns aceleravam e outros se atrasavam, o Pazo de Mos testa as nossas forças. Aprendíamos logo ali como gerir todos os sentimentos e vontades. No topo, a reunião do grupo é importante para manter o espírito e motivação. Depois de Redondela e após o sobe e desce, às vezes pronunciado do terreno, chegamos às cercanias de um braço da ria de Vigo. Após ligeira subida, num dos locais mais místicos de todo o caminho, reunimos novamente o pelotão enquanto nos íamos fotografando com as vieiras e outras lembranças deixadas pelos peregrinos em pano de fundo. “Oh pá, espera!… É só mais esta foto!” Não há subida que, depois, não nos regale com uma saborosa descida. Assim recuperamos energias com a formidável panorâmica sobre a Ria de Vigo.

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A luminosidade baça das águas acompanhou-nos até Árcade, onde erramos a ponte a atravessar. Refeitos do engano, e assim que pisamos as pedras da Ponte Sampaio de origem romana e traça medieval, vivemos um dos muitos momentos agradáveis, daqueles prováveis de quem anda no mesmo caminho: o encontro imprevisto com malta amiga, os Javalis de Gaia. De repente o pelotão aumentou e foi tudo na galhofa até darmos com os calcantes nos penedos gastos da via XIX, a estrada romana que nos acompanhou por muitos e árduos caminhos. Estes romanos eram mesmo loucos. À nossa penosa progressão multiplicavam-se os bicigrinos. Ora passávamos por uns, ora éramos ultrapassados pelos memos, muitas caras já eram bem conhecidas. E foi numa esplanada com vistas para a estrada que reencontramos os excelentíssimos carrogrinos Gaspar e Ílidio, bastante eficazes a tirar caricas às Estrela Galicia 1906. A etapa relativamente longa concluiu-se à porta do Hotel Virgen del Camiño. Foi com intenso algum alívio que chegamos a Pontevedra. Depois da banhoca e do repasto, um passeio nocturno pelo centro histórico de Pontevedra ajudou a esmoer o chuleton da casa. A cidade apresentava uma movida interessante, praças bonitas de fruição pedonal património rodeado de paredes graníticas, mas poucas geladarias para saciar a gulodice do Ilídio.

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O dia amanheceu com chuva da grossa e meteorologia não estava para introspecções. Ainda remelados de sono, sentamos o rabo nos selins e atravessamos Pontevedra em câmara lenta. Continuámos em modo molhado durante algum tempo. Entretanto a chuva lá deu tréguas e nos embrenhamos nos bosques com uma pedalada tranquila e bem disposta, aqui e ali invadida por um odor, mas que não era bem a fragrância do campo! Eram ecos longínquos de um som suplicante, aulidos de um lobo com problemas flatulentos. E prosseguimos, cada vez mais lentos. Notava-se que o Caminho estava diferente, mais concorrido e animado. Estávamos a precisar de um reforço de cafeína. À passagem por San Amaro de Portela, paramos no renovado café Mesón Don Pulpo, dirigimo-nos ao balcão para carimbar e não mais tirei os olhos dos lindos olhos da simpatica nena. Até o café solo teve sabor a cimbalino bem tirado. Retomamos os pisos de terra, atravessados por cursos de água e fomos progredindo com cuidado, não que o Caminho tenha mudado muito, apenas havia mais lama, mais civilização e mais atravessamentos da N-550. Ziguezagueamos entre inúmeras poças de água, a compasso, atrás de uma grande comitiva de peregrinos a cavalo, o que é bastante raro de ver nos dias de hoje, disseram-me.

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Uma das coisas que prezo enquanto ciclista é o respeito pelos outros. Numa fase do caminho, com trilhos estreitos, enlameados, perigosos e apinhados de gente, cavalos e bicicletas, apareceu um bando de ciclistas tugas a praticar downhill. Ora, isso é meio caminho pedalado para o acidente, e disse-lhes isso mesmo e que há outros trilhos mais adequados para se ser radical. “A tartaruga conhece melhor o caminho que a lebre”. Mas também foi um dia de surpresas agradáveis. Mais à frente encontrei antigos colegas de trabalho, uns a pedais, outros a penantes. Quando o empedrado não massacrava o rabo no selim, dava-se lugar às anedotas e às brincadeiras. Depois de um spa, ou melhor, do vosso narrador e do Rui, atabalhoados na nossa falta de prática bêtêtista, enfiarem as patas numa mega poça, valeu a galhofa que nos fez recalibrar as forças. Prosseguíamos com os sentidos já adaptados aos achaques do corpo, mas a alma mais perto de encontrar o que todos buscaram no Caminho. Numa fase de trilhos de lama fomos brindados com a animação e sorrisos de um grupo de jovens peregrinas conterrâneas. Veio também o agrado de passar pelos pueblos, e, por fugazes instantes, o ar ficou invadido pelo aroma de leitões a serem assados e o som de uma gaita de foles galega com a batida aflita de uma pandeireta. Dava vontade de parar a bicicleta e ficar para a festa.

Os marcos galegos indicam a proximidade de Santiago e começam a tomar conta da sensação de chegar. À passagem por Carracedo impunha-se outra paragem para devorar um mega bocadilho de ramon… Ah, e uma Superbock, que é coisa para abrir o apetite. Uma peregrina oriunda da África do Sul mereceu a nossa admiração, não só pela sua simpatia e simplicidade, mas, ao contrário da maioria que carregava autênticos armários às costas, esta apenas levava uma pochete e um bidon de água! Os sons da natureza, um rio que corre, o som dos corvos, pegas e melros, o olhar intrigado de um gato, foram interrompidos para a passagem pela movimentada estrada nacional e áreas suburbanas. Nos arredores de Padrón, o Humberto, ou melhor, a bina do Humberto foi engolida por um Renaul Clio. Este inusitado episódio fez-nos perder algum tempo para desencravar o pedal da bicla completamente enfiado no plástico do para-choques! Apesar da chuvada intermitente continuamos para Padron e, para nosso alívio, mais uma vez demos permissão ao lobo mau para ir ao café aliviar a carga. Uffaaa…

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Sob uma espessa cortina de nuvens, finalmente, ao longe, já se vislumbravam as pontas cimeiras das torres da Catedral de Santiago. Descida rápida em direcção à Ponte Velha sobre o Sar, serpenteando na lama movediça da subida da Choupana, entramos nas matas dos arrabaldes de Compostela que respira Caminho e acarinha os peregrinos. Eram de alegria e ansiedade as manifestações vindas de um numeroso grupo de peregrinos portugueses que nos saudava. “Bom Caminho”, respondíamos. Com calma e já num processo de interiorização, lá fomos pedalando até entrarmos na cidade, acabando desorientados e meio perdidos! Seria normal passarmos pela porta Faxeira, a entrada tradicional do Caminho Português na velha praça, mas acabamos baralhados pelo labirinto medieval e foi pela Porta do Caminho, também chamada Francígena ou de São Pedro, por nela desembocar o Caminho Francês, onde, direitinhos e sem vacilar, sob uma chuvinha abençoada, tivemos a nossa entrada triunfal na Praza do Obradoiro. Eis-nos em Santiago, convencidos e orgulhosos.

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A chegada foi o culminar geral de um desejo, superação e satisfação. Vás as vezes que fores, chegas e ficas contemplativo, inebriado pelo ambiente e pelas sensações. Ainda estou a sentir a comoção dos peregrinos, oriundos de todo o mundo, emocionados na concretização de tamanha andança, do brio e fé, certezas que ali não seria o fim mas o início de outro caminho, sem setas para seguir. Só não sei se alguém encontrou respostas para algumas das questões que acarretava. Quanto a nós, foi enquanto grupo um caminho de sucesso. Venham mais caminhos, novos caminhos que apesar de sinuosos, às vezes penosos, serão seguramente transitáveis.

Depois rumamos ao Convento de Belvis para a banhoca final…  afinal não foi bem a última! Quando chegou a hora de voltar à Oficina de Acogida al Peregrino, onde antes havíamos estado para certificar a Credencial e receber a Compostela, e graças a São Pedro, apanhei o último banho, vestido e tudo. Só então entrei no carro e voltei a casa.

o Caminho são caminhos #42
Assim, pedalamos qualquer coisa como 250 quilómetros, sob sol, chuva, por subidas e descidas alucinantes. Foram três dias de aprendizagem, amizade, liberdade, vida em grupo, introspecção, misticismo, zen mental e físico, uma rotina bastante diferente da do dia-a-dia. É incrível como as energias cósmicas e terrestres da rota facilitam estas coisas. Nos deparamos com nossos horizontes e limites. Descobrimos pequenas coisas que não notamos na vida diária. Nos perdemos. Deixamos que o Caminho nos conduzisse. Nos encontramos e avançamos. Apreciamos e desfrutamos cada metro percorrido. Chegar é apenas um detalhe. O caminho que ficou para trás é o troféu que se guardará na memória.

Agradecimentos:

RuiAo Rui, grande amigo que me lançou o repto, desafiou e me ajudou.

TozéAo Tozé, experimentado explorador de outros trilhos, trilhas sonoras, descidas a abrir e boa disposição.

HumbertoAo Humberto, demonstrou que ao andar depressa não se usufrui de tudo o que o Caminho proporciona.

LuisAo Luís, pelas excelentes fotografias, simpatia e cordialidade.

KikoAo Kiko, que nos deu o prazer da sua excelente companhia.

Gaspar e IlidioAo Gaspar, sempre atento às necessidades de todos, e ao Ilídio, que mesmo lesionado e impedido de pedalar, nos acompanhou e proporcionou um espírito fantástico de partilha de boas anedotas.

Obrigado a todos por estes fantásticos 3 dias. Os Caminhos de Santiago são assim, únicos, mesmo quando revisitados.

 

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fotocycle [185] ainda o dia é uma criança

ainda o dia é uma criança

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o Camiño são caminhos – teaser

Parque de Belvis

Parque de Belvís, Santiago de Compostela

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Guias de Santiago: a coleção do JN que vai querer guardar

Esta é uma interessante iniciativa do JN. Sou um atento aluno das aulas de história do “professor” Joel Cleto. Semanalmente não me escapa um programa dos Caminhos da História no Porto Canal, e desde há muito tempo, desde a sua “peregrinação” de bicicleta a Santiago de Compostela, que o tenho seguido. Interessante coincidência, já que amanhã parto em mais uma “bicigrinação” pelo Caminho Português com um grupo de amigos.

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qualquer semelhança será mera aparência…

… ou estarei mesmo a ficar com pneus a mais!?

 

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can’t miss [153] forum.mubi.pt/

Andar de bicicleta: um desígnio colectivo

forum MUBI

(clica na foto para aumentar)

via: forum Mubi (Café Central)

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can’t miss [152] br.blastingnews.com

‘Na pior’? Cardozo perde carro oficial e pega bicicleta de Dilma para ir trabalhar

DF - DILMA/BICICLETA - POLÍTICA - A presidente Dilma Rousseff anda de bicicleta nos arredores do Palácio do   Alvorada, em Brasília (DF), na manhã deste domingo, 17. O pedido de   impeachment da oposição contra a presidente Dilma passará pela votação dos   deputados federais em sessão marcada para a tarde deste domingo, 17, na   Câmara dos Deputados.   17/04/2016 - Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

“O defensor da presidente Dilma Rousseff está indo trabalhar de bicicleta. Isso mesmo. José Eduardo Cardozo já não tem mais direitos a “regalias” de Ministro (ele ocupou o Ministério da Justiça durante o governo da petista), tampouco de Advogado-Geral da União. Ele foi exonerado do cargo assim que o Senado deu seus 55 votos que afastaram Dilma. Com a perda do cargo, Cardozo também ficou sem o carro oficial. Ele também perdeu o direito à residência oficial está morando em um flat em Brasília. De acordo com a jornalista Monica Bergamo em nota publica nesta quarta-feira, 18, Cardozo agora anda pela capital brasileira com a bicicleta, que pasmem, teria sido emprestada pela própria Dilma.”

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fotocycle [184] a marinar

A pitoresca vila piscatória da Afurada fica a meio caminho entre a cidade invicta e a casa paterna. Nas minhas pedaladas pela “margem sul”, na ida ou na vinda, nas voltinhas que dou em passeio ou nas pedaladas mais aceleradas, a Douro Marina é um dos locais de eleição para uma breve paragem. Para além dos barcos, do rio e do corrupio do “lado de lá”, há um banquinho patrocinado que é a eloquência para relaxar e deixar a mente navegar.

a marinarAproveito cada momento.

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o legado de Vhils

foto: Público

Alexandre Farto, AKA Vhils (foto: Público)

Alexandre Farto, digo, Vhils, é um obreiro a céu aberto, um artista português gerador de arte urbana. As suas obras captam a atenção a quem passa, a quem pára, a quem levanta os olhos para a cidade. Anda pelo mundo a esburacar paredes, a enobrecer muros com retratos, expressões, carácter. Criador na destruição, o trabalho de Vhils tem essa capacidade de transformar espaçõs consumidos pelo tempo num espaço de diálogo. Reconhecida globalmente, a sua obra já o levou a vários cantos do mundo, a espalhar arte pelas paisagens urbanas, por onde passa, em Aveiro, Nova Iorque, Açores, Paris, Moscovo, Hong Kong… até na estação espacial internacional.

Ontem recebeu o prémio personalidade do ano da Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal (AIEP), por “levar o nome do país ao exterior”. Na sessão de entrega do prémio Martha de La Cal, que decorreu no IADE – Instituto de Arte e Design, em Lisboa, a presidente da AEIP, Alison Roberts, enalteceu o trabalho de Vihls e o seu importante contributo na afirmação do país como um centro da Arte Urbana. Para Alison Roberts, no trabalho de Vhils “impressiona não só a sua habilidade com métodos e materiais, simbolicamente aliando a destruição à criação, mas a sua sensibilidade, a história do meio urbano e as vidas humanas nas comunidades onde ele trabalhou”.

“A forma como interpela os cidadãos e as cidades assume uma linguagem universal e sobre a condição humana, que a APEI lhe reconhece na atribuição do prémio, vai continuar a aprofundar-se cada vez mais e a engrandecer a nossa arte”.

Vhils, ou melhor, Alexandre Farto, 28 anos, cresceu no Seixal onde começou por pintar paredes e comboios com graffiti, aos 13 anos, antes de rumar a Londres, para estudar Belas Artes, na Central Saint Martins, depois de não ter conseguido média para uma faculdade portuguesa. A técnica que o notabilizou consiste em criar imagens, em paredes ou murais, através da remoção de camadas de materiais de construção, criando entulho e uma imagem em negativo. Além das paredes, já aplicou a mesma técnica em madeira, metal e papel, nomeadamente em cartazes que se vão acumulando nos muros das cidades.

“É interessante perceber como a arte tem o poder de criar uma relação com o ser humano e, a partir daí, criar diálogo e por o foco em situações nas quais a arte serve quase como uma arma para essas pessoas. É nesse sentido que o trabalho se tem espalhado e tem feito sentido em diversos sítios do mundo”, afirmou.

Da sua extensa obra, há também a realçar a sua primeira grande exposição em Portugal, em 2014, no Museu da Eletricidade, em Lisboa. “Dissecação/Dissection” atraiu mais de 65 mil visitantes em três meses. Outro trabalho marcante foi a sua colaboração com a banda irlandesa U2, para quem criou um vídeo incluído no projeto visual “Films of Innocence”, que foi editado em dezembro de 2014, e é um complemento do álbum “Songs of Innocence”. No ano passado o trabalho de Vhils também chegou ao espaço, à Estação Espacial Internacional (EEI), no âmbito do filme “O sentido da vida”, do realizador Miguel Gonçalves Mendes. No passado mês de Março, inaugurou a primeira exposição individual em Hong Kong, “Debris”, no topo do Pier 4 (Cais 4), uma mostra que reflecte a cidade e a identidade de quem nela habita, para ver e, sobretudo, “sentir”.

Vhils no Porto... e como sempre Sua Alteza quis ficar no retrato

Vhils no Porto… e como sempre Sua Alteza quis ficar no retrato

A primeira obra do artista português no Porto, a primeira num espaço privado, foi um “retrato” exposto na Fábrica Social – Fundação José Rodrigues há alguns anos. A segunda intervenção com a assinatura Vhils no Porto tornou mais visível um edifício histórico do século XIV, situado junto à Alfândega. Enquadrada numa zona de grande dinamismo e exposição, a obra está integrada num projecto inovador, o Look at Porto. A face e um olhar que se abre para um largo e possibilita a quem passa apreciar esta primeira obra pública, a primeir a céu aberto do artista no Norte.

“A peça combina elementos naturais e humanos, com o olho da figura a contemplar poeticamente a cidade e os seus velhos bairros, humanizando o espaço construído enquanto sublinha a riqueza do seu património humano”, escreveu Vhils na sua página no Facebook.

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reciclando [20] entre o “seguro morreu de velho” e “quem não arrisca não petisca”

cycling

É difícil ser-se confiante quando se acha que não vai conseguir, que vai correr mal, quando se dá maior importância aos aspectos negativos do que aos positivos. A confiança pode ser medida nas consequências do que o nosso julgamento produz. Algumas pessoas são inerentemente desconfiadas, valorizando o medo e a incerteza, chegando mesmo ao ponto de desencorajar os outros. Boas consequências nos tornam mais confiantes, as más fazem de nós permanentemente desconfiados. Na maioria dos casos o nosso julgamento é o mais acertado, embora haja momentos em que a incerteza, o desconhecido e alguma ingenuidade, se sobrepõe ao verdadeiro risco que assumimos.

É muito relativo o que se tem como risco, e para alguns o ciclismo está na categoria de risco iminente. Na realidade os ciclistas correm certos riscos adjacentes, visíveis e invisíveis, cada vez que vão para a estrada, mas que são nada mais que riscos comuns aos utilizadores da via pública. Surgem na forma de situações ou acções alheias: de automobilistas inconscientes, portas de carro que se abrem a qualquer momento, buracos no piso, detritos espalhados na via, pessoas distraídas que atravessam a rua… daí o argumento divagado que andar de bicicleta é perigoso, o que tanto vale em casa própria como opinião abstracta. Mas, e depois! Se corremos riscos inclusive no sossego das nossas casas, não é por isso que deixamos de prosseguir normalmente as nossas vidas!

Muitos ciclistas não têm o conhecimento formal das regras rodoviárias ou, se têm, insistem em desrespeita-las. Circular nos passeios, em contra-mão, passar nos vermelhos, e contra mim falo, é assumir riscos desnecessários. Para os mais novatos, pedalar pode apenas significar saber como equilibrar uma bicicleta, em acrobacias, andar aos saltos no monte ou descer a toda a velocidade do ponto A ao ponto B. Uma vez na estrada fiam-se no ambiente que os rodeia, querendo acreditar que têm tudo controlado. Por uma questão de segurança, todos os ciclistas devem andar atentos, confiados mas desconfiados. É que confiar em demasia nos outros nunca é bom e um pingo de desconfiança deve ser uma função automática do ciclista. O cálculo do risco deve estar presente e sempre tomar por princípio que, naquele momento, tudo é estranho. Isto não implica que se tenha de assumir um certo risco, por exemplo quando se partilha a via com veículos pesados, ou escolher os percursos mais exigentes mas menos fiáveis, porque muitas vezes não há nem tempo nem informações que permitam determinar o que é confiável. Consequentemente, o melhor é não confiar em ninguém.

Por outro lado o acumulando de quilómetros não nos dará necessariamente um reconhecimento amplo de todos riscos. Esta é uma armadilha frequente para ciclistas experientes, que acham que conhecem tudo. Alguma auto-confiança é inerente à experiência e com isso determinados riscos, visíveis ou invisíveis, poderão ser minimizados. Infelizmente, não podemos saber o que não sabemos, podemos apenas buscar conhecimento para nos guiar. Serve para tudo na vida. Não nos podemos iludir em acreditar que nada vai acontecer connosco e que as coisas más só acontecem com os outros. Ponto essencial é ser prudente e não confiar cegamente nas nossas aptidões. A antecipação é um bom truque. Saber que o perigo existe, que pode surgir a qualquer momento, torna-nos mais previdentes.

No campo de jogo, tanto na ciclovia como na rodovia, no que nos diz respeito, devemos ser assertivos para reduzir a probabilidade de nos envolvermos num acidente. A educação, o respeito, a atenção, são a preparação para seguir com confiança e orientam o ciclista na antecipação de algum “pior cenário”. O ruído de um carro que se aproxima na nossa traseira, uma buzinadela, tanto pode ser um comportamento agressivo iminente para o ciclista, como um condutor que nos avisa e pretenda ultrapassar em segurança. A nossa primeira reacção é desconfiar da acção do condutor e, em simultâneo, demonstrar confiança nas nossas aptidões para agir e reagir. Assumir a nossa posição, indicar o que pretendemos fazer, sem arriscar uma manobra que seja perigosa para nós, só para lhes dar o luxo de nos verem sem confiança. Ter a consciência do perigo iminente é crucial para a sobrevivência e assumir a nossa segurança é uma boa ideia. Boa semana e boas pedaladas.

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