dias de “trumpestade”

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Os ventos são perversos e as águas estão agitadas. Rapidamente o tempo está a mudar. À medida que surgem as vagas desta “trumpestade”, aqui deste nosso cantinho vamos assistindo às diatribes do imbecil que, como que por encomenda, se tornou no homem mais poderoso do mundo. Trump é o esterco baseado na arrogância e, como seria de esperar, já encarnou o seu papel de herói misógino do típico redneck, racista e xenófobo, que o elegeu. Na sua demanda em esmagar qualquer outra religião, povo ou pessoa que não concorde com as suas idiotices, estamos perante uma nova era de uma nova tirania. Já se percebeu que é basicamente uma questão do que ele considera ser o bem contra o que ele acredita ser o mal, o que se traduz, basicamente, na América contra o resto do mundo. O embrutecimento do sonho americano está em curso. Num ápice, um turbilhão de medidas proteccionistas inundou a conjuntura mundial. Quando o alvo é o mínimo denominador comum, o ser humano, e as políticas extremistas sobrepõem-se às reformas económicas ou ecológicas em curso, vamos levar por tabela, não tenhamos ilusões. A crescente maré nacionalista e populista, comum a sinistros círculos da Europa, a escalada da tensão diplomática e ameaça global, é assustadora. Os muros que construímos deveriam ser apenas para nos abrigar dos elementos da Natureza. E eu sigo, desafiando-a, auxiliado por uma bicicleta!

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noticias do dia… enquanto isto, no Porto nicles, batatoides!

Rede de bicicletas partilhadas chega a Lisboa em Junho

“A partir de Junho, Lisboa vai ter uma rede de bicicletas partilhadas. Em Março, o projecto avança para a zona do Parque das Nações ainda num registo experimental.

A novidade foi partilhada por Luís Natal Marques, presidente da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL), que informou que a rede vai contar com 1410 bicicletas por toda a cidade.

Destas 1410 bicicletas, 940 serão eléctricas e 470 convencionais, e estarão distribuídas por 140 estações ao longo da cidade. 92 bicicletas estarão no planalto central da cidade, 27 na baixa e frente ribeirinha, 15 no Parque das Nações e 6 no Eixo Central, nas avenidas Fontes Pereira de Melo e da Liberdade.

Em Outubro de 2015, a EMEL lançou um concurso público para “aquisição, implementação e operação do Sistema de Bicicletas Públicas Partilhadas na cidade de Lisboa”. 23 milhões de euros serão investidos nesta nova rede de bicicletas partilhadas, com a empresa Orbita a ficar responsável pela aquisição do sistema e pela manutenção nos próximos nove anos.”

(fonte: http://greensavers.sapo.pt/2017/01/29/rede-de-bicicletas-partilhadas-chega-a-lisboa-em-junho/)

Braga alinha estratégia para Mobilidade Urbana

“Estando já oficializada a integração de Braga na Rede CityMobilNet, o Município de Braga promoveu uma sessão de trabalho, no âmbito do programa URBACTIII, com os diversos agentes da Rede Local para a Mobilidade, no sentido de discutir, partilhar e executar as acções previstas.

Na ocasião, o presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, referiu que a visão para a cidade está vincada, a rede e o local de discussão estão definidos e os projectos de execução estão em curso. “Estamos alinhados e concertados na visão que temos para o Concelho. Até 2025, temos a ambição de duplicar o número de passageiros nos transportes públicos; reduzir em 25% o número de automóveis; atingir os 10 mil utilizadores de bicicleta e proporcionar uma urgente diminuição da velocidade praticada na cidade, assim como intervir na rede pedonal”, referiu

Nesta sessão, que decorreu no edifício gnration, o Município deu início aos trabalhos de desenvolvimento do Plano de Mobilidade Sustentável que, por oportunidade do quadro comunitário vai acompanhar, participar e monitorizar a execução dos projectos previstos pela autarquia no âmbito do PEDU e que envolvem a construção/beneficiação na rede ciclável, pedonal e de transportes públicos.”

(ler mais em: https://www.cm-braga.pt/pt/0201/home/noticias/item/item-1-5191)

Mobilidade urbana em bicicleta com encontro marcado para Lisboa

“Nos próximos dias 4 e 5 de Fevereiro, o Mercado do Forno do Tijolo, em Lisboa, vai receber o Encontro Nacional de Grupos Promotores da Mobilidade Urbana em Bicicleta. Nesta segunda edição, o evento pretende a criação de uma estratégia nacional no âmbito do activismo pela mobilidade em bicicleta e a sua defesa e promoção.

A agenda para o primeiro dia do encontro terá como oradores a presidente da junta de freguesia de Arroios, Margarida Martins (por confirmar), o presidente da câmara municipal de Lisboa, Fernando Medina (por confirmar) e Elina Baltazi, da Federação Europeia de Ciclistas (ECF).

O encontro de dois dias vai proporcionar dinâmicas de trabalho em grupo e deverá abordar assuntos como a melhoria da comunicação entre as diferentes organizações de promoção do uso da bicicleta e uma maior articulação de iniciativas e temas relevantes no contexto da mobilidade urbana em bicicleta e da sua promoção.

Este será o segundo encontro nacional de grupos promotores da mobilidade urbana em bicicleta, tendo o primeiro sido realizado em Aveiro, em Fevereiro de 2016. A edição deste ano é organizada pela MUBi (Associação para a Mobilidade Urbana em Bicicleta), que convida os interessados, através de comunicado, a inscreverem-se no evento.

O primeiro encontro, realizado em Aveiro, foi descrito como “uma primeira experiência muito positiva”, tendo agora sido traçado o objectivo de estabelecimento de “uma rotatividade e organização periódica destes encontros nacionais”.”

(fonte: http://www.smart-cities.pt/pt/noticia/mobilidadeurbana-encontro-bicicletas3101/)

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reciclando [28] 10 razões para não pedalar

Calçada das Carquejeiras
… eh pá, não sou (só) eu que o digo, são estes senhores:

“Todos sabemos que está na moda pedalar, para o trabalho, por desporto, para estar com os amigos e até para competir. Mas há também razoes fortes para não o fazer e vou deixar aqui algumas das mais pertinentes.

1. Pedalar torna as pessoas mais atraentes. Sabemos bem que a determinada altura se torna aborrecido ser o centro das atenções, especialmente numa coisa que é difícil de reverter depois de conseguido.

2. Pedalar torna as pessoas mais saudáveis. É feio andar a vender saúde hoje em dia, com todos os colegas do escritório a queixarem-se da obesidade, das varizes, da falta de ar e outras que tal, é quase ofensivo sermos o único com saúde no meio deles, arranje um problema de saúde e conviva mais com os seus colegas.

3. Pedalar faz as pessoas inevitavelmente mais felizes e com auto-estima elevada. Num pais onde a venda de anti-depressivos aumentou consideravelmente nos últimos anos, chegar ao trabalho a sorrir é quase como por um alvo nas costas, pior é que o sorriso tem tendência a ser constante durante o dia, não ofenda os seus colegas com alegria desnecessária.

4. Pedalar não gera impostos. A bicicleta não usa gasolina, diesel, ou GPL, não tem seguros obrigatórios, nem inspeções obrigatórias, a manutenção é ridiculamente baixa e não paga taxas de estacionamento. Num momento difícil em que o pais atravessa é egoísmo não contribuir com as carradas de impostos como as que os automóveis pagam. Contribua com muitos impostos, vá de carro, o pais agradece.

5. Pedalar irá prolongar a sua vida na velhice e com mais qualidade de saúde. O problema do pais é a sustentabilidade da Segurança Social por ter de pagar reformas até muito tarde, alem do mais ao envelhecer com mais saúde não irá deixar a reforma na farmácia todos os meses.

6. Pedalar dá má fama na vizinhança. Por mais que aumente a sua qualidade de vida financeira depois de abdicar do automóvel, os vizinhos nunca saberão, pensarão que é pobre. Esqueça essa ideia de viver bem e até poupar dinheiro para as alturas difíceis, compre um bom carro de alta cilindrada, mesmo que não tenha dinheiro para dar de comer aos seus filhos, os seus vizinhos pensarão sempre o melhor de si, o que se passa dentro de portas ninguém sabe.

7. Pedalar para o trabalho é entediante. Chegar sempre a horas, demorar sempre o mesmo tempo no trajeto casa-trabalho-casa é entediante. Todos sabemos como sabe bem passar 30, ou 45 minutos fechados no carro a ouvir comerciais no meio de um engarrafamento, nunca saber a que horas chegaremos ao trabalho, ficar bloqueados por acidentes, trânsito inconstante e ainda ter de procurar o tão difícil local para estacionar.

8. Pedalar tonifica o corpo. Rapidamente as suas amigas vão espalhar o boato de que esse corpinho tonificado, o desaparecimento da celulite e o sorriso constante no rosto se deve a um colossal investimento numa cirurgia estética e de que a bicicleta é apenas a tentativa de encapotar isso.

9. Pedalar favorece o comercio local. As visitas aos estabelecimentos locais tornar-se-ão mais frequentes, as pessoas que pedalam deslocam-se mais vezes aos estabelecimentos perto de casa, os cuscos das redondezas podem começar a falar da sua vida.

10. Pedalar para o trabalho contagia os amigos e colegas. Tenha cuidado para que não lhe sigam o exemplo, é que as pessoas que pedalam tem uma auto-estima mais elevada e têm tendência a não se deixarem acomodar, em breve a vida ai no escritório pode começar a ficar agitada.”

Está bom não está? Ainda pra mais vindo de onde vem, de um site (“o melhor online”) de venda de carros, até dá pra rir 😀

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“é um astronauta!”…”é um super-herói!”…”não, é o Paulofski”

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Durante várias semanas de tempo seco, definitivamente precisávamos da chuva. Se até ontem o Inverno vinha fazendo as delícias de quem pedala, com belos dias banhados pelo sol, gélidos bem certo mas soalheiros, o tempo mudou rapidamente. O céu cobriu-se de nuvens bem atestadas para agora despejar o autoclismo sobre as nossas cabeças! Ontem e hoje tem caído chuva da grossa, chuva que já fazia falta e, como tal, não me chateia nada. A vida diária de um ciclista urbano avança. Não é por causa de umas gotas d’água que vou ficar em casa ou recorrer ao popó porque posso ficar molhado encharcado! Com alguns truques na manga, mesmo debaixo de uma tempestade, podemos viver fora da concha, livres para pedalar uma bicicleta nas deslocações necessárias.

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Normalmente eu me envolvo em camadas de roupa para evitar o frio. Depois, à medida que a temperatura vai aumentando e vou aquecendo, vou descascando camada após camada, como se fosse uma cebola. Quando chove põe-se a questão de como estancar a água, e a solução é recorrer a vestuário impermeável. Com a humidade a temperatura do ar tende a ser mais amena e tenho dificuldade em descobrir como vestir-me adequadamente para pedalar sem sobreaquecer. Normalmente o vestuário de inverno do ciclista urbano, casaco e calças impermeabilizadas, é desconfortável, pouco prático e exageradamente abafado. Após cinco minutos de pedalada, e por mais lento que vá, o calor corporal ressoa rapidamente. Depois de despir a fatiota, demora a secar e ocupa muito espaço nos alforges. O conjunto impermeável que usei durante algum tempo pecava por esses falhas. Outra falha era não encontrar nas lojas cá da terra um fato, de facto, impermeável, leve e prático. Foi então que na grande loja chinesa encontrei a jaqueta e calças espaciais ideais para os dias chuvosos, um produto adequado às minhas necessidades. Leve, vistoso e realmente impermeável. Seca em três tempos e, dobrando-se separadamente, cabe em duas bolsas de pouco volume.

surfista-prateado
Sou comprador neste site há algum tempo e até agora todas as encomendas chegaram-me às mãos Umas vieram rápido, outras demoraram mais tempo, todas foram entregues em casa ou tive de as levantar no posto dos correios da rua, sem problemas. Todas chegaram em perfeito estado, com as medidas correctas e a qualidade esperada. Os produtos são muito baratos. Como são vários vendedores, isso estimula a concorrência e leva-os a oferecem vantagens. Com alguma pesquisa facilmente encontramos descontos e promoções dos mesmos produtos. Por exemplo este fato custou-me 22€. Depois, qualquer dúvida, podemos falar directamente com o vendedor e a maioria deles não cobram taxas nem portes. Assim, embora tenha a sensação de me confundirem com um astronauta, ou no mínimo tenha parecenças com o boneco da Michelin, o Surfista Prateado ou até o Kenny, o facto é que tenho sido capaz de pedalar nestes dias invernais com conforto e chego sempre ao meu destino completamente sequinho.

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ribatejando, a crónica L’Antique 200 versão 2017

lantique-383 horas. 3 graus! Enfiado debaixo de camadas de algodão e licra, a custo lá me ia mantendo quente. Aguardei que o Jacinto me recolhesse à porta de casa para abalarmos ao encontro do Manuel Couto e do Paulo Campelo, em Avintes, V.N. Gaia. Uma hora depois, com as quatro biclas acomodadas no tejadilho da viatura, seguíamos pela madrugada afora rumo ao sul. Esta seria a minha terceira aventura no suave L’Antique 200, brevet que anualmente marca o arranque da temporada dos Randonneur tugas.

À chegada a Vila Franca de Xira, não muito surpreendentemente, deparei-me dentro de uma arca frigorífica! O meu nariz foi o primeiro a dar o aviso. Após os derradeiros preparos na minha bicicleta para todo o serviço, Dona Tripas InBicla, vesti toda a roupa quente que levava:  duas camisolas e dois pares calças térmicas, o jersey de inverno, uma camada superior extra com uma jaqueta leve windstopper e o indispensável colete laranja. Dois pares de meias, cobre sapatos, gorro na cabeça e um par de luvas térmicas. Vendo-me assim ao espelho era uma aproximação similar a uma paiola tradicional… uma espécie de chouriça! Enquanto isso, ia observando o termómetro com expectativa. Zero graus!!! Xiça…

Um maravilhoso sol despontava e ampliava o desejo de começar a pedalada. Na rápida descida ao encontro da N1 as minhas bochechas até batiam palmas. O pelotão esticou-se e adoptei desde logo um ritmo rápido para ir aquecendo o corpinho. O exercício é um ritual importante para mim. Depois de alguns minutos a pedalar, as endorfinas começam a surgir e eu me sinto revitalizado. Percebi entretanto que havia esquecido de encher a garrafa de água, mas acho que nem valeria a pena pois não iria precisar de gelo. Alguns minutos depois já se rolava pelas estradas agrícolas da lezíria. É muito lisonjeiro chamar aquilo de estradas, estão bastante desleixadas, esburacadas, autênticas crateras lunares.

Primeiro posto de controlo, primeira paragem para um bike quiz. À medida que passávamos pelos campos via-se a vegetação rasteira que rodeava a estrada ainda revestida de alva geada. As sombras do início da manhã cobriam a superfície do asfalto com todas as formas. Recordava alguns locais que retive dos anteriores brevets. Ainda assim, há uma beleza renovada para ser redescoberta nas ondas e padrões congelados no tempo. Meus pensamentos vagueavam e eu começo finalmente a sentir-me mais fogoso. Paro para libertar algum carrego do corpo. Tiro as luvas e guardo-as nos bolsos. Chegados a Porto de Muge para novo controlo, a luva esquerda é me devolvida depois de resgatada do asfalto por um colega retardatário, a quem agradeci fervorosamente. Esta minha mania de ir perdendo lastro pelo caminho!…

Ao longo do passeio, em alguns momentos ia-se descortinando o Tejo. A estrada em torno do rio é moderadamente suave, com excelentes vistas, caminhos simplesmente fantásticos, onde o mau estado do piso só torna o passeio mais interessante. Gosto de pedalar por estradas velhas e isoladas ao longo do rio, de qualquer rio. Adoro pedalar, ponto. Vaguear calmamente trocando histórias com velhos amigos, ouvir e aprender o que ouvi inúmeras vezes. Não importam os destinos ou as distâncias, sentir a inspiração de uma nova viagem com novos companheiros de viagem.

Desvio ao encontro de outro local para resposta de novo questionário, ponte do Cação sobre o rio Alviela. Desacordo ortográfico em terras de Saramago ou como a falta de um acento faz toda a diferença! As experiências, a cultura, a história dos lugares, tudo isso faz com que a pedalada seja memorável.

Voltar à planície ribatejana com a bicicleta com que aprendeu a pedalar, na bem estimada pasteleira de 40 anos que foi do pai, e nela pedalar por terras onde outrora aprendeu a gostar de pedalar. Este foi o desafio a que se propôs o Super Randonnée José Ferreira. Parabéns Zé, mais um desafio superado.

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Memorável para mim foi, mais à frente, voltar a bater pala à porta-de-armas do desactivado aquartelamento BTm3 Casal do Pote,  Escola Prática de Engenharia, em Tancos. Cumprem-se trinta redondos anos que por lá vivi três memoráveis meses durante a recruta do serviço militar obrigatório. Sinto uma certa nostalgia, não tanto pela experiência de vida que lá vivi, mas de ver o pequeno complexo votado ao completo abandono. Afinal de contas foi ali que assisti via têvê à primeira vitória internacional do meu FêCêPê.

Com pouco ou nenhum trânsito, primeiro nas cercanias da Quinta da Cardiga através de carreiros de terra e mais tarde pela estrada pavimentada que segue ao lado da Linha do Leste, para recuperar algum atraso da pedalada lenta e relaxada da última hora, fomos lestos a chegar a Constância. Com uma sandes trazida de casa e a boa sopa que apreciei com uma mini preta, estava pronto a dar a volta. Antes de nos despedirmos da vila, no riso saudável do convívio e na alegria do momento tivemos tempo para ir chatear o Camões!

Atravessando o Tejo pela ponte de ferro, percorrendo a N118, a rota continua para Oeste. É reconfortante pedalar e sentir-se ligado a lugares baseados em momentos ali vividos. À distância, enquanto as pernas iam girando, podia ver balançando no horizonte o lendário Castelo de Almourol. Alguém me disse uma vez que, como ciclista, explora monumentos, paisagens e destinos como se estivesse a observar objectos num grande museu. No selim da minha bicicleta, daquele poleiro eu aprecio a fusão da história com visões esplêndidas. Em Alpiarça, o cartãozinho amarelo do brevet colecciona outro carimbo e o cartão de memória mais fotografias. Foto de grupo ali mesmo junto ao conjunto escultórico concebido para perpetuar emblematicamente o ciclismo de Alpiarça.

Retirado da página da Internet do Clube Desportivo “Os Águias: “O Ciclismo foi, e é, a modalidade de maior destaque em Alpiarça. Reflexo deste destaque, é a existência de uma das melhores pistas de ciclismo do País e da sede da Associação de Ciclismo de Santarém. O Clube Desportivo “Os Águias”, foi, desde sempre, um grande impulsionador desta modalidade…”. Agradecimentos endereçados às meninas alpiarcenses pela simpatia e gentileza da fotografia.

Não há, talvez, nada tão omnipresente na tradição do ciclismo como a noção romântica de uma corrida ao longo de uma estrada no selim de uma bicicleta. Assim que fomos alcançados pelo grupeto galego dos CC Riazor, encetámos com eles um saboroso despique pelas estradas pouco concorridas e esburacadas da lezíria, até nos determos sob a ponte Salgueiro Maia para resposta a novo questionário, e uma mija.

O céu azul ia perdendo o brilho, a tarde tingia-se de uma cobertura laranja, amarelo e ouro. A cortina de Inverno flutuava suavemente através da planície. Os pneus trituravam terra, areia e pedaços de alcatrão gasto. Ligamos as luzes e por momentos ficamos meio perdidos. Ao longe, a estrutura metálica da Ponte D. Amélia servia de farol para nos orientar no crepúsculo. Já não estavamos a pedalar em ritmo de corrida, mas há um propósito na nossa cadência. Seguimos pelo corredor apertado e barulhento da ponte, deixando a via livre aos motoqueiros.

O passeio, devo dizer, estava bastante agradável. Caiu a noite e arrefeceu abruptamente. De alguma forma, quando está frio, cada protuberância na estrada parecia ser ampliada ao ponto das minhas pernas se aquecerem. Pedal, pedal, pedal. Sobe-se uma pequena colina e já não estou ciente do cansaço e do frio, excepto os meus dedos dos pés. Esses estão sempre gelados. Percorrendo a mesma rota matinal em sentido inverso, aproveitou-se para uma paragem técnica num café em Valada do Ribatejo. Foi então que me ocorreu aliviar alguma carga, mas não sei se terá sido boa ideia. Por um lado fiquei mais leve, por outro deu-se início a um certo desconforto ao nível do tubo de escape! Retomamos o caminho.

Mais dez quilómetros pelos buracos da estrada e recomeçava a ficar quente. No breu da noite ia-se vislumbrando dois pontos vermelhos ao fundo, e um pouco mais à frente dois companheiros randonneurs foram alcançados, engrossando assim o mini pelotão. Por um breve instante, a nossa pedalada bucólica pelas estradas rurais foi interrompida para permitir a ultrapassagem de dois veículos monstruosos. Quando voltávamos à calma, uma cratera no asfalto interpõe-se e três de nós desmoronaram-se no pavimento. Depois de desencaixar as bicicletas e sacudir o esqueleto, apenas se registou algum abalo e um pneu furado. Uma hora depois, chegamos juntos ao ponto de partida, entregamos o passaporte devidamente carimbado e preenchido, felizes e contentes por completar mais uma aventura.

No final ficamos para o convívio à mesa, partilhamos fotografias, recordamos todos os momentos, planeamos novas aventuras, porque juntos andámos de bicicleta. Um grande obrigado, ao Jacinto pela amizade e inspiração, ao Manuel pela simpatia e boa onda e, ao Campelo pela disponibilidade e força. A todos os randonneur participantes, velhos e novos conhecidos, um abraço e até breve(t).

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can’t miss [170] dnoticias.pt/

Governo avança com plano nacional para a utilização da bicicleta

O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, anunciou hoje em Caminha a elaboração, este ano, de um Plano Nacional para a Promoção da Bicicleta e Outros Modos de Transporte Suaves para estimular a utilização daquele meio de transporte.

“O plano nacional para a bicicleta é um plano que estamos agora a começar a desenhar, que iremos trabalhar ao longo deste ano para integrar o Plano Nacional das Infraestruturas porque os investimentos que podem estar em causa, sem adiantar valores, podem ter bastante expressão”, afirmou o governante.

O governante adiantou que o objetivo daquele plano é que “cada vez mais as pessoas utilizem os meios de transportes suaves, entre eles a bicicleta, para as deslocações quotidianas, entre casa e a escola ou a casa e o trabalho”.

“O que queremos é que as bicicletas deixem de ser utilizadas só para lazer e passem a ser utilizadas no dia a dia”, sustentou.

(podes ler a noticia completa em: http://www.dnoticias.pt/pais/governo-avanca-com-plano-nacional-para-a-utilizacao-da-bicicleta-MG796178)

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teasear – ribatejando (ou um momento David Attenborough)

Em 2013, na L’Antique200,  foi avistado um espécime autóctone no seu veículo de eleição. Veja-se como evoluiu a espécie desde então!

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passe a publicidade [77] OSOB + VELO CULTURE CARGO BIKE

Uma homenagem ao nosso bairro e a uma forma mais sustentável de viver a cidade // Celebrating our neighbourhood and a more sustainable way of living the city.

OSOB + VELO CULTURE – Handmade in Porto, Portugal
Realização, edição e sonoplastia: João Bento Soares – joaobentosoares.com/
Filmado em Matosinhos, Porto
veloculture.cc
Agradecimento: Manifesto | omanifesto.pt/

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isto é assim…

isto-e-assim

A uma semana do tradicional L’Antique, o brevet suavezinho que dará início às hostilidades dos randonneiros tugas, já era mais que tempo de perceber como reagiriam as pernocas a uma sova das boas, num dia inteirinho a dar ao pedal . Sem grandes planos quanto ao destino ou à distância, o encontro estava marcado bem cedo com o amigo Jacinto, um pouco receoso da sua capacidade física após uma arreliadora gripe que o atirou para a cama durante três semanas, e com o sempre bem disposto Manuel Couto, mais acostumado aos raids pelo monte e que fará deste o seu primeiro BRM homolgado.

Que dia maravilhoso para um passeio! Fora de casa um frio de rachar, a erva é verde estava branca, o céu azul e o sol a girar. Mas quem presta atenção ao termómetro e ao vento gélido quando é hora de pedalar?! A malta encheu-se de roupa e coragem, e fez-se à estrada com a firme intenção de cumprir um roteiro à imagem e semelhança da planície ribatejana, planinho quanto baste. As estradas do litoral são generosamente rolantes, como tal a opção foi rumar a sul junto ao mar.

“Isto é assim…” , “Isto é assim!…” , o Jacinto repetia a cada meio minuto, qual papagaio da Fabrina, até que o Couto liga a aparelhagem da bicla e enche o ar, debitando notas musicais ao ritmo da pedalada e da simpatia. Com o vento a soprar pelas costas, tudo a correr às mil maravilhas, quando demos por ela já deslizávamos pela agradável ecopista da mancha florestal de Esmoriz, com a Mãe Natureza a proporcionar um belo espectáculo de cores e odores. Entretanto, mais pessoal se juntou e engrossou o pelotão até ao Furadouro.

A extensão do nosso plano era pedalar até quando nos desse a fome, ir parando, convivendo e tirando fotografias. Foi entretanto decidido um plano A. Uma vez chegados a São Jacinto seria o ponto de retorno, mas depois de reconfortar os estômagos numa esplanada ao sol a observar o ferry, ancorado e pronto a zarpar, sugeri então um plano B, estender o passeio pela Costa Nova até Mira. Voltar a visitar a belíssima lagoa, apresentar o Magic Bench aos meus companheiros de route para registar a nossa passagem com a foto da praxe no banquinho mágico.

Depois das tropelias apontamos as biclas para norte, pela velha rabugenta N109, e foi com o vento a bater nas fuças que cumprimos a segunda etápa da viagem. Os carros e camiões que ocasionalmente passavam não foram muito incomodativos. Apenas à nossa passagem por Aveiro, e já no cair da noite, o tráfego impunha-nos uma maior concentração na pedalada. Com os músculos a reclamar, e de luzes ligadas, a vontade de comer uma sopinha não me saía do pensamento. Mas às 18h30 ainda não havia panelas ao lume. Só mesmo à entrada de Espinho é que se parou para aquecer o bucho com uma dose dupla de boa sopa. Bem nutridos e agasalhados, o regresso à estrada foi a custo, com pedaladas mais sonolentas, demorando um bom bocado a  reaquecer o motor, mas o ânimo era grande.

Chegamos a casa, noite alta e de alma cheia. A nossa voltinha, que de início seria de aferição/preparação/… e foi uma grande curtição. No final das contas, completou-se um brevet de 200 quilómetros simplesmente incríveis. Ainda melhor do que isso foi sentir a boa resposta do corpinho à distância e às diferentes amplitudes térmicas, algo semelhante ao que certamente iremos encontrar no próximo sábado. As dúvidas que acossavam o Jacinto esvaneceram-se, ficando mais confiante para o próximo desafio, o L’Antique 200. Um dia rende mais quando é pedalado em boa companhia. Estamos em forma pessoal.

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reciclando [27] pare, escute e olhe

Os semáforos visam regular o fluxo do trânsito, garantir a segurança dos peões, controlar limites de velocidade. Tanto faz se vamos de carro, de bicicleta ou a pé, os riscos de incumprimento são claros e quem já apanhou um susto a sério sabe que sim. Quem quer que seja que passe um semáforo vermelho num cruzamento coloca-se em perigo, expondo-se a um acidente. Apesar da cidade ser perfeitamente ciclável, está sobretudo feita e regulada para o tráfego automóvel. Uma vez inseridos no car doom, os ciclistas terão sempre de cumprir as mesmas regras, mesmo que por vezes as julguem inadequadas às bicicletas. É ponto assente que quem anda na estrada tem obrigações e, uma vez na bicicleta, se o semáforo está vermelho, no cumprimento da lei temos de parar.

cheiro de chuva
Abundam no entanto vários estereótipos sobre os ciclistas. Chavão, cliché, estereótipo, qualquer que seja o palavrão, há um preconceito generalizado sobre este grupo social. A característica frequentemente mais depreciativa é de que todos os ciclistas são uns incumpridores, uns “fora-da-lei”! Ainda para mais, com a aprovação da Lei 72/2013, que actualizou alguns artigos do Código da Estrada, tenho lido nas redes sociais das coisas mais aberrantes e incompreensíveis de que os ciclistas são acusados. Algumas pessoas, automobilistas ou não, têm sobre nós uma espécie de fobia doentia. Não nos querem na estrada e vêem-nos como todas as coisas más, ora porque estamos no caminho, ora porque somos uns incumpridores, ora porque representamos uma mudança, o que para eles parece ser difícil de aceitar. E o exagero é norma. Todos os estereótipos impõem exagero, é um elemento chave do preconceito, e daí até generalizar a coisa é um instantinho. Basta estar atento ao não tema da actualidade, obrigatório enfiar o capacete!

Sinceramente, compreendo o porquê de quem pedala não se sentir obrigado em determinadas situações a parar perante um sinal vermelho! Até porque muitos dos semáforos instalados nas cidades estão ligados mais para regular a velocidade dos veículos motorizados. O semáforo tornou-se o sinal vermelho de tudo o que há de crendice contra os ciclistas. E apontam o dedo à ignorância, demonstrando muito do seu carácter, pois perante o mesmo incumprimento, constantemente observado no comportamento abusivo dos automobilistas, estes desviam a conversa, devolvendo com o falso argumento da pretensa obrigatoriedade de um seguro para os ciclistas, de licenças para as bicicletas, de penalizações só porque há quem se atreva a usar corpo na mobilidade em pé da igualdade de direitos na estrada. Eu já ouvi e li isto, infelizmente demasiadas vezes, e isto é o que enfrentamos nas estradas todos os dias. É raro escutar um não ciclista discutir desafogadamente o papel da bicicleta na mobilidade sem ouvir esse chavão que os ciclistas são uns fora-da-lei. A aceitação dos factos faz com que as pessoas tenham razão para reclamar, mas afirmar que os ciclistas são todos uns bandidos que escapam impunes às regras da sociedade é ter a cegueira permanente do que vejo com muito maior frequência, ou seja, automobilistas a acelerar no amarelo para cruzar a intersecção sob o semáforo vermelho, colocando-se a si e aos outros num risco muito mais elevado.

Como qualquer pessoa que anda na rua pode atestar, os ciclistas não são diferentes dos peões ou dos automobilistas. Bem ou mal, o comportamento por eles adoptado é parte da mesma cultura urbana que observamos por todo o lado. “Achas que eu sou parvo, havias de me ver ali plantado!” Uma vez parado num STOP, após confirmar que a via está desimpedida e sem trânsito, perante a “via verde”, não correndo o risco de atrapalhar os peões numa passadeira, da mesma forma que os peões o fazem, porque não atravessar com cautela, continuando em segurança o seu caminho!? Outro exemplo, que sei legal em vários países, é a possibilidade de avançar sob o semáforo vermelho nas viragens à direita. Confesso que também cometo as minhas infracções e assumo que não sou exemplo para ninguém. Até corri o risco de ser multado por passar num vermelho enquanto pedalava! Valeu-me o facto de o agente da autoridade me ter visto parado no vermelho antes de eu decidir avançar e entrar na rotunda. “Sim, eu passei no vermelho, mas se não havia trânsito!” O polícia condescendeu. Não estou com isto a dizer que fiz bem e que todos o devam fazer, sei bem que o quão fraco sou como elo nesta via, mas o facto é que por vezes me sinto mais em perigo ficando ali, na pole position, à espera do arranque da manada motorizada. Mas o melhor é mesmo respeitar as regras do código de estrada ao máximo, cumprir o código para receber em troca alguma dose de compreensão de quem connosco partilha a estrada, evitando constrangimentos e prejuízos, principalmente para nós.

pare, escute e olhe

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