retratos na bicicleta

Às vezes, muitas vezes, gosto de registar aquilo que vejo. São instantâneos do meu agrado que abrilhantam determinado momento do meu caminho. Pessoas, objectos, situações vagamente satisfatórias que querem expressar beleza, design, eficiência, velocidade, graça, o sentimento de liberdade. Do romantismo de uma estrada aberta a todas as coisas juntas que animadas nos falam de bicicletas e de pessoas a pedalar.

A expressão das imagens que registo não pretende apenas me fazer lembrar mas me dar a perceber o que tinha em mente, ao longo do rio, a fazer algo que faço todos os dias. Usar a vaidade, desfocar o supérfulo, atrair os olhos no objecto que me mantem em movimento.

O sensor da câmara é muito insensível e a arte tem as suas limitações. Os olhos humanos têm os bits de minúcias que uma câmara digital não consegue captar. A foto não saiu bem, digo a mim mesmo. Felizmente, quando mais tarde vejo que a fotografia sempre faz jus à emoção, e de alguma forma me envaidece ao retratar na exacta medida o que sentia quando olhei através do visor e dei o click.

Mas existem maneiras de ver e demonstrar aquilo que quero mostrar. Nem sempre o foco do meu pensamento está no objecto de interesse, numa bicicleta, mas literalmente na paisagem que compõe a imagem. Na desordem estranha ao encontrar um cenário efémero. Considerando a cor e o brilho, a textura e o contraste, o plano de fundo, as diferenças de luz e de sombra. Um quadro que pode chamar a atenção imediatamente para o momento, para uma imagem apropriada ao ambiente, ao cenário que relaciona o ciclismo com o quotidiano.

E depois há infinitas possibilidades de uma fotografia ser algo irreal e evocativo, uma sensação de fuga e saudade. Uma forma de expressar o nosso próprio e particular estilo no relacionamento com o que nos rodeia. Uma praia, calhaus, aquele pôr-do-sol que brilha no horizonte, o mar e a bicicleta. Algo que represente isso e que sugira também um sentido de localização. Que configure um final de dia entre a luz, a lua e as estrelas. Que capture uma sensação de magia com uma série de imagens.

Apenas demonstrar que fotografar com uma reles câmara fotográfica de telemóvel enquanto pedalo se consegue o suficiente para a ter a criatividade necessária ao registar um luminoso regresso a casa.

(retratos que retratam a passada terça-feira)

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um postal para Merkel

“O ‘From Portugal, With Love’ também convidou Angela Merkel a visitar Portugal no dia 12 de Novembro. Enviámos-lhe um postal para que, mesmo à distância, a chanceler alemã sinta um cheirinho de portugalidade.”

From Portugal, With Love

postcardsfromportugalwithlove.tumblr.com

facebook.com/fromportugalwithlove

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a uma espécie de silogismo ou um raciocínio pouco dedutivo

Silo-Auto, conjugado com minibus, pode servir para atrair ainda mais gente à noite da baixa
Foto: DR. Fonte: JPN Porto

Diz o PS que é para simplificar as coisas. A ideia é  “dar uso ao Silo-Auto e permitir estacionamento mais barato a quem quer sair à noite e levar o carro”. Depois, uma linha de Minibus poupa as pernocas aos noctívagos e leva de volta o pessoal dos Clérigos ao parque automóvel! Mais do que o facilitismo, o cerne da questão, que não a solução, é a ideia de incentivar mais pessoas a virem de carro para a Baixa. Pelos vistos não leram a minha reflexão… profunda, ou melhor, proelevada!

A “movida” do Porto tornou-se um bálsamo para a noite tripeira. A recente oferta cultural, turística e de lazer da cidade revitalizou e rejuvenesceu a velha Invicta. O centro da cidade ganhou animação à noite, com muita gente a encher as ruas de boa disposição e de outras coisas, fazendo lembrar algumas cidades espanholas. Porém não dá para virar a cara a muitos exageros. É o outro lado da animação que tomou conta das ruas do Porto: são carros estacionados onde calha, vómito, urina, miúdas de 13, 14 anos, completamente embriagadas e deitadas no chão!… No fim da festa, as ruas ficam cheias de lixo. Há copos de plástico e cacos de vidro por todos os cantos. E os moradores queixam-se do barulho.

Entretanto a Câmara aprovou medidas para disciplinar a movida na Baixa do Porto. Essas medidas, visaram fundamentalmente um reforço da fiscalização e tolerância zero em caso de incumprimento, atingindo em força os bares das ruas Galerias de Paris, Cândido dos Reis, Conde Vizela, José Falcão, Passos Manuel, bem como as praças Parada Leitão e dos Poveiros. Esqueceram-se no entanto dos vendedores ambulantes e de combater a proliferação do “botellón”. Segundo a Associação de Bares houve quebras de 80% de clientes na movida do Porto. Mas, mesmo sendo reflexo das medidas camarárias, ou até da crise, o que não falta por lá são carros mal estacionados e em cima de tudo o que é chão.

Mas vendo bem, a ideia do PS até não é assim tão parva. Propõe alguma utilidade ao silo-coiso, vá lá. A dedução é que me parece mal ponderada. A proposta do PS não vai “convencer os foliões a deixar lá o carro”. O que os convenceria seriam medidas efectivas e tomadas a pulso: Impedir o acesso dos automóveis às ruas e praças pedonais, como a Rua de Cedofeita e a Praça de Filipa de Lencastre; Aumentar a fiscalização da polícia municipal e da PSP; Alargar o horário dos autocarros e do Metro nas madrugadas de sexta e sábado; Colocação estratégica de bicicletários a sério. Onde? Por exemplo na Praça Filipa de Lencastre, no Largo de Monpellier, Clérigos, não faltam bons locais.

O Minibus então parece-me mimo a mais. Ah e tal, é “para que a distância entre o Silo-Auto e a zona de bares não tenha que ser feita a pé”! Pois! Coitaditos! É que a malta que vem alapada no popó de casa para a Baixa beber uns copos não tem pernas para depois fazer uma desgastante caminhada até ao carro no silo-coiso! Até que seria bom para lhes arejar a cabeça e lhes restituir alguns neurónios antes de darem à chave, sei lá!

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quentinhas e boas


Por estes dias, por estas noites, quem passa numa praça, avenida ou rotunda, quem simplesmente pedala pelo passeio, é envolvido e transportado pelo delicioso e persistente cheiro das castanhas a estalarem nas brasas. É um aroma que cada português transporta desde a infância e que associa a momentos próprios desta época do ano, às folhas ocre espalhadas no chão e à quentinha camisola de lã. É um cheirinho que se liberta da carreta fumarenta e que nos invade inebriante as narinas. Irresistíveis e cinzentas as castanhas passam das mãos enegrecidas do assador para as nossas, envoltas num cartucho de papel amarelado. Assim sejam quentes e boas as castanhas que melhor sabem e que dão calor e perfume às nossas memórias. Só me faltou mesmo um copito de jeropiga ou àgua-pé!

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coverage of the 2012 Pushies Galore

biking Brisbane

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fotocycle [54] going by bicycle

Portrait by rg443

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de reserva para me levar à Reserva

Ontem à tarde, para ir ao encontro de vários amigos que vinham a pedalar em grupo desde o Cais de Gaia, resolvi tirar a poeira à Etielbina. Quando lhe apertei os pneus para testar a pressão e estavam vazios, já que estava há meses sem rodar, foi como se reclamasse comigo de um modo um tanto quanto severo. Devo reconhecer que me deixou um certo remorso deixá-la pendurada na garagem da casa paterna, numa espécie de reforma dourada, mas é para isso que ela está lá, de reserva e pronta a dar-me pedalada. Depois de lhe encher os pneus foi automático relembrar o meu afecto por ela, um objecto da minha afeição que se estabeleceu quando juntos seguimos por estradas e desbravamos trilhos que nos surgiram pelo caminho. Rumo ao Douro, assento as rodas na melhor via de acesso até ao Cabedelo, até à Afurada.

A Reserva Natural Local do Estuário do Douro é um paraíso perto do mar, perto do Porto. Com atenção escutamos a apresentação e explicações do Filipe e do Paulo, guia da Reserva, um auxiliar fundamental para quem visita e quer espreitar a passarada, conhecer a fauna e flora local.  Ponto de passagem quase obrigatório nas minhas pedaladas, pela costa gaiense até à Madalena e mais além, a Reserva é local de passagem e um dos locais de nidificação de muitas espécies de aves, das mais conhecidas às aves raras, havendo nesta época do ano um reboliço maior por ser rota migratória. A Reserva Natural Local do Estuário do Douro tem uma área de 62 hectares e goza de um estatuto de protecção específico que assegura a conservação da sua biodiversidade e do património natural local.

Se espreitarem bem e com atenção deverão identificar o corvo-marinho-de-faces-brancas! Na maré vaza dá para observar algumas Larus ridibundus e Phalaropus fulicarius em plumagem nupcial, Pandion haliaetus, hããã… ok, dizem os entendidos que com paciência pode-se até testemunhar uma águia pesqueira a apanhar tainhas e a repousar nos postes de madeira nas dunas a poente do “Observatório a Norte”.

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ciclofilia [62] de França a Portugal

Mit dem Fahrrad 1660 Km entlang der Atlantikküste, de bicicleta pela costa atlântica…

… e como se não bastasse, foram ainda dar umas pedaladas de Itália até à Grécia!

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can’t miss [20] offthefrontporch.wordpress.com

Cycle adventures: Work edition

“Dream comes true – I rode my bike to work.”

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volta à rotina

Finalmente a sair da hibernação. Foram apenas dois dias sem pedalar, uma eternidade. Depois de uma gripe das antigas, graças ao sol “amigável” do Outono e depois de algum tempo metido numa corrente de ar, o mínimo que me podia acontecer era ficar de molho, a chá com mel e a fungar os dedos no sofá da sala. Andar de bicicleta é fácil, difícil é quando um ciclista tem de parar. Toca tirar as teias de aranha e continuar a pedalada, que muito pior do que esta tosse seria a seca de ter de andar de autocarro. Mas eu prometi que ia ser atinado, pedalar agasalhado e tentar não passar frio. Pois, e o Inverno ainda nem chegou!…

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