retratos na bicicleta

Às vezes, muitas vezes, gosto de registar aquilo que vejo. São instantâneos do meu agrado que abrilhantam determinado momento do meu caminho. Pessoas, objectos, situações vagamente satisfatórias que querem expressar beleza, design, eficiência, velocidade, graça, o sentimento de liberdade. Do romantismo de uma estrada aberta a todas as coisas juntas que animadas nos falam de bicicletas e de pessoas a pedalar.

A expressão das imagens que registo não pretende apenas me fazer lembrar mas me dar a perceber o que tinha em mente, ao longo do rio, a fazer algo que faço todos os dias. Usar a vaidade, desfocar o supérfulo, atrair os olhos no objecto que me mantem em movimento.

O sensor da câmara é muito insensível e a arte tem as suas limitações. Os olhos humanos têm os bits de minúcias que uma câmara digital não consegue captar. A foto não saiu bem, digo a mim mesmo. Felizmente, quando mais tarde vejo que a fotografia sempre faz jus à emoção, e de alguma forma me envaidece ao retratar na exacta medida o que sentia quando olhei através do visor e dei o click.

Mas existem maneiras de ver e demonstrar aquilo que quero mostrar. Nem sempre o foco do meu pensamento está no objecto de interesse, numa bicicleta, mas literalmente na paisagem que compõe a imagem. Na desordem estranha ao encontrar um cenário efémero. Considerando a cor e o brilho, a textura e o contraste, o plano de fundo, as diferenças de luz e de sombra. Um quadro que pode chamar a atenção imediatamente para o momento, para uma imagem apropriada ao ambiente, ao cenário que relaciona o ciclismo com o quotidiano.

E depois há infinitas possibilidades de uma fotografia ser algo irreal e evocativo, uma sensação de fuga e saudade. Uma forma de expressar o nosso próprio e particular estilo no relacionamento com o que nos rodeia. Uma praia, calhaus, aquele pôr-do-sol que brilha no horizonte, o mar e a bicicleta. Algo que represente isso e que sugira também um sentido de localização. Que configure um final de dia entre a luz, a lua e as estrelas. Que capture uma sensação de magia com uma série de imagens.

Apenas demonstrar que fotografar com uma reles câmara fotográfica de telemóvel enquanto pedalo se consegue o suficiente para a ter a criatividade necessária ao registar um luminoso regresso a casa.

(retratos que retratam a passada terça-feira)

Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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